Jornalista conquistense expõem históricos de sucessíveis golpes financeiros, que abalaram a economia e, que ainda continua acontecendo e fazendo inúmeras vítimas em Vitória da Conquista.

 

Escândalos: Farra do Café – Coopamac, Rombo da Credic, Pirâmides Financeiras, Morte Súbita.

 

Em artigo polemico, o experiente jornalista e ex-redator do Jornal A Tarde – sucursal Vitória da Conquista. Juscelino Souza traz a luz, artigo que sintetiza de forma clara, o histórico de sucessivos escândalos que ocorreram em  Vitória da Conquista, nestas duas ultima décadas. Publicado em sua página no Face.

Conquista, Sucursal dos Golpistas – A Mídia se Cala!

Tombos após tombos, aplicados em sucessivos golpes financeiros, e a economia de Vitória da Conquista parece nunca se reerguer, apesar do comércio forte e da prestação de serviços quase que eficiente. Reportagens superficiais, sem conteúdo ou aprofundamento, tentam enganar a população. O povo que se dane quando o comercial está em jogo.

Tem sido assim. Primeiro, para ser mais contemporâneo, foi a farra do café, que quase resultou na venda dos bens da Coopmac, nos idos dos anos 90. Depois, o espetacular rombo na Credic, que enriqueceu diretores da época e, ao mesmo tempo, transformou empresários bem sucedidos em mortos-vivos, vítimas de infarto e depressão.

Como resultado das investigações, a 17ª Vara da Justiça Federal aceitou em parte pedido do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) e condenou os ex-gestores da Cooperativa de Crédito Rural Conquista (Credic) por crimes previstos na Lei do Colarinho Branco (Lei nº 7.492/1986).

O juiz federal substituto Cristiano Miranda de Santana condenou quatro dos sete denunciados pelo MPF pelo desvio de 32 milhões de reais, que resultou na falência da quarta maior companhia de crédito do país, com 182 associados na época. Atualizado pelo INPC e corrigido com juros de 1% ao mês, o desfalque equivaleria hoje a quase 200 milhões de reais.

O ex-presidente Derivaldo Novaes de Carvalho e o ex-gerente João Gualberto Silva Oliveira foram condenados por gestão temerária, gestão fraudulenta e manipulação de balancetes. A pena fixada para cada um é de seis anos e seis meses de reclusão em regime semiaberto e pagamento de dias-multa equivalente a cerca de 73 mil e 74 mil reais (em valores atualizados), respectivamente.

Condenados apenas por gestão temerária, o ex-vice-presidente Josué Figueira de Andrade e o ex-secretário do Conselho de Administração Agostinho Alves Sobrinho terão de prestar serviços comunitários, pagar multa (respectivamente de 12 mil e dez mil reais atualizados) e prestação pecuniária de dez mil reais cada um. Ninguém foi preso e o dinheiro, nunca apareceu.

Foi um escândalo. A fim de criar a falsa ideia de ganhos inexistentes e ludibriar os associados sobre as sucessivas perdas da cooperativa, os principais administradores usavam artifícios para maquiar os resultados contábeis.

Para se ter ideia da situação da Credic na época, os dez maiores devedores da cooperativa contraíram cerca de 7 milhões de reais em empréstimos e os 20 maiores devedores, 9,8 milhões de reais, em valores de junho de 1999. Somam-se a esses dados o pagamento de um cheque sem fundos no valor de 500 mil reais em 1997 e um total de 6,6 milhões em liberações de limite de cheque-especial em 1999.

PIRÂMIDES

Mais recentemente, vieram as famosas – e faraônicas – pirâmides financeiras. Muitos aplicadores que apostavam no lucro fácil, para continuar ostentando vida de luxo, ainda aguardam a retomada do que investiram – e não foi pouco, para tentar recomeçar a vida, incluindo reaproximação de amigos e até da própria família.

Só para refrescar a memória, a chamada “febre das pirâmides”, ou como alguns preferem Marketing Multi Nível (MMN), é um esquema multibilionário e fraudulento, um negócio que prometia faturamento alto e rápido, de mais de R$ 10 mil por mês. Só que, de repente, muito não durou até a máscara cair e centenas de aplicadores sumiram como fumaça ao vento, deixando para trás outros tantos lesados, obnubilados pela ganância.

Dinheiro se dissipando, preso por determinação da Justiça. Carros plotados agora “mascarados”, sem as inscrições do MMN e muitas cabeças fervendo e corpos insones. Advogados, empresários, pecuaristas, policiais, músicos, jornalistas, médicos, diaristas. Poucas foram as classes que não emprestaram alguns dos seus profissionais para servirem como “cobaias” dos faraós dos tempos modernos. Amigos, parentes, pais e muita gente que conheço, foi lesada por um ou mais de um destes esquemas.

MORTE SÚBITA

E, como se tudo isso já estivesse superado, a modalidade de “morte súbita”, no comércio de motocicletas, recebe um golpe da Justiça Federal e deixa órfãos milhares de sonhadores que aplicaram suas economias na esperança de ter a “pedra da sorte” premiada com um veículo zero quilômetro pela concessionária escolhida.

Ainda resta uma esperança de reaver o dinheiro aplicado, mas a cada dia ela se torna mais distante. Para os que não tiveram acesso à íntegra da decisão proferida pela 2ª Vara da Subseção Judiciária de Vitória da Conquista na ação civil pública n. 4644-71.2012.4.01.3307 sobre a condenação a oito empresas por consórcio irregular em Vitória da Conquista/BA.

Mesmo com a proibição dessa prática, desde 2012, as empresas promoviam consórcios de motocicletas por morte súbita, sem autorização do Banco Central, sob a fachada de contratos de compra e venda, ludibriando centenas de pessoas.

Aos que assistem de camarote os espertalhões farrearem com o dinheiro alheio, desfilando em carros conversíveis pelas ruas de Conquista; nos bares da moda postando selfies com baldes de cerveja e garrafas de whisky à frente ou de barco e jet ski nas águas infestadas de piranhas na Prainha de Anagé, um aviso: cuidado, você pode ser a próxima vítima.

Resta saber qual o próximo golpe a ser aplicada na benevolente “Suíça do Sertão”. Que me perdoem pelo inevitável trocadilho, mas no caso de “morte súbita”, foi um golpe “Suíço e doce”. Apesar de difícil, superar é importante, pois o cair é do homem, mas o levantar é de DEUS.

P.S.: Até o final do dia somente uma empresa, a Jair Lagoa, se manifestou. Em nota, cita que “a assessoria jurídica da empresa está no prazo para recurso de apelação, medida que será adotada perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Em relação aos consumidores, as medidas adotadas têm sido de natureza administrativa, para conciliar e atender aos interesses dos clientes, observados os limites contratuais. Em caso de dúvidas, informações podem ser obtidas por meio do telefone (77) 3429-8150.”

Celino Souza, jornalista e concursado federal

obs – Em relação ao Golpe do ” Morte Súbita” a Secom Esclarece.

PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Secretaria de Comunicação

Nota à Imprensa

O Procon informa que as empresas ficaram de encaminhar um

documento ao órgão, nessa terça-feira, 26, informando quais

medidas serão adotadas a respeito dos contratos estabelecidos

entre elas e os consumidores. O mesmo não foi enviado no prazo

estabelecido. Assim que o documento for entregue, ele será

analisado pelo Procon que verificará se as ações sugeridas

garantirão os direitos dos consumidores.

O Procon informa ainda que, enquanto isso, continuará registrando

as queixas.

27 de maio de 201511377136_792497034179607_2896713130695853175_n