Considerado o “ÁS” da Bahia, em logística política, o Presidente do PMDB baiano, Lucio Vieira Lima monta a plataforma do projeto político de forma muito competente, e garante uma base política sólida para avançar nas expectativas de novas alianças e adesões

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A estratégia do PMDB

O PMDB chega à sua convenção partidária a ser realizada no próximo dia 21, em Salvador, com a formatação de sua chapa majoritária às eleições de outubro próximo e uma coligação composta por 11 partidos:

PMDB/PR/PTB/PSC/PPS/PRP/PRTB/PSDC/PTC/PMN e PTdoB. O que parecia pouco provável, no entanto, aconteceu. Isso revela que o partido teve competência política de organizar o meio de campo nessa fase da pré-campanha, o que sigfnica um trunfo importante e permite que os candidatos da chapa majoritária e das proporcionais encarem a segunda etapa do processo, a partir de 7 de julho, a campanha propriamente dita, com desenvoltura, sem atritos internos e em condições de competitividade.

A chapa majoritária, em si, vista agora depois de tantas negociações e conversas, representou, num primeiro instante, com a incorporação do senador César Borges (PR), uma surpresa; e, num segundo momento, a dimensão de unidade, porque garantiu a presença do atual vice-governador Edmundo Pereira (PMDB) e a escolha do segundo candidato ao Senado, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB), partido este que, no plano nacional, se aproxima de José Serra (PSDB). Além do que, o prefeito João Henrique (PMDB), se mantém alinhado com o ideário do seu partido e integrado à pré-campanha Geddel.

Pode parecer pouco toda essa engenharia política, mas não é. É só passar os olhos em passado recente para verificar o que aconteceu. O senador César Borges (PR) esteve a um passo de integrar a chapa Wagner e Edmundo Pereira, atual vice-governador, quase era cooptado por Ondina. Faltou pouco. Wagner chegou a dizer de público durante a adesão do PDT ao seu projeto político que havia amealhado uma amizade pessoal e familiar com Edmundo, o tinha como pessoa de sua estima e confiança, em sinais, óbvio, também de natureza política. Imaginou-se até filiar Edmundo ao PCdoB ou outro partido para que se mantivesse na chapa Wagner e mais César Borges e Otto Alencar.

Mas, como a roda da política é muito dinâmica, o PMDB, ao deixar o governo Wagner, criou uma situação complicada para Edmundo, o qual, com raiz eleitoral neste partido e base principal em Brumado, onde sua esposa consegue a maioria dos votos para continuar deputada estadual na Alba, Marizete Pereira, o vice-governador manteve-se fiel a Geddel.

Não foi fácil. O PMDB trabalhou nessa direção, da unidade. E, a deputada Marizete, discretíssima na Alba, passou a criticar  “alarmantes índices da falta de segurança em Brumado”, a correlação de forças da base legislativa se modificou e Edmundo tem a dupla função, hoje, de ser o vice-governador da Bahia e o candidato a vice de Geddel.

Parece coisa de Exu. Nada. São situações da política. Geddel entende que a primeira fase do seu projeto está concluída: a organização política, os encontros regionais e a difusão do seu nome no território baiano. Até bem pouco tempo, seus adversários espalhavam que seria candidato ao Senado.

A fixação do nome Geddel como candidato a governador é uma realidade. A segunda fase do processo, o candidato do PMDB diz que é a campanha eleitoral propriamente dita, a qual, na sua concepção, só começa mesmo a partir de 17 de agosto com o horário eleitoral gratuito nos veículos de comunicação de massa.

É nesse momento que o candidato do PMDB espera crescer eleitoralmente e partir para a disputa, de igual para igual, como Wagner e Souto. Se isso vai acontecer, só o tempo dirá. Mas, em tese, o raciocínio e a estratégia de Geddel têm lógica. Sem um meio-de-campo político organizado e fortalecido, isso seria muito mais difícil.

É como um time de futebol, já que estamos às vésperas de abertura da Copa do Mundo, é preciso ter defesa forte, meio-de-campo ágil e flexível, e ataque agressivo. É essa a tática de Geddel. Vai pra cima com tudo em agosto porque se considera o novo, e tanto Souto como Wagner já tiveram suas chances e desperdiçaram no momento de fazer os gols.

Evidente que tanto Souto quanto Wagner se consideram bons goleadores. Cada qual tem seu time e taças conquistadas. Souto quer emplacar um tri; Wagner, um bi. E Geddel também quer ser campeão. O eleitor está acompanhando tudo na arquibancada e somente ele decidirá.