Fieb revela ano de grandes perdas, mas projeta otimismo

Marjorie Moura

Presidente Ricardo Alban mostrou em gráficos como foi o desempenho negativo
Valter Pontes l Coperphoto l Sistema Fieb

Um ano de grandes perdas para a indústria baiana e perspectivas mais otimistas para 2018 foram as conclusões do balanço do setor feito nesta quarta-feira, 6, pelo presidente do Sistema Fieb, Ricardo Alban, em coletiva concedida na sede da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), no Stiep.

A avaliação de Alban leva em conta relatório do Banco Central estimando que a produção industrial brasileira deve crescer 2% em 2017, enquanto que na Bahia a estimativa é de queda de cerca de 1,5%. Segundo a Fieb, o mercado prevê alta da produção em 2018 e o estado segue esta tendência.

A situação da Bahia pode ser comprovada pelos dados do IBGE-PIM/PF de setembro: a indústria de transformação no estado apresentou taxa de crescimento acumulada em 12 meses de -3,8%, pior resultado no Brasil.

Para Alban, a Bahia é um freio na indústria brasileira. “O desempenho ruim da indústria baiana no final de 2017 não era esperado, mas foi causado pela concentração da base industrial, da matriz industrial na área petroquímica que apresentou resultados ruins. Este é um quadro que deve ser estudado e alterado”, avaliou.

Novas indústrias

O presidente da Fieb apresentou dados sobre a Bahia que a colocam como a 7ª economia do país: é o estado que mais emprega no Nordeste. Entretanto, apesar de ter maior o PIB que Pernambuco e Ceará, não sedia grandes grupos econômicos, à exceção da Odebrecht/Braskem, disse Alban.

O presidente da Fieb destacou que o maior empecilho é a falta de estrutura. Os grandes campos de gás de petróleo (Camamu/Tucano) não têm forma de escoamento desta produção.

A situação do estaleiro Paraguaçu e a falta de estrutura portuária fazem parte deste contexto, afirmou Ricardo Alban.

Como perspectivas para 2018, ele citou a privatização dos campos maduros da Petrobras, que deverá gerar aumento da atividade no setor por parte de pequenas empresas; o setor de energia renovável a partir da instalação de linhas de transmissão de energia eólica e solar, e da área de computação com a atividade do Instituto Brasileiro de Robótica.

Os pontos negativos são que a indústria de transformação fechará em queda pelo quarto ano consecutivo acumulando perdas de 14% da produção física.

A Fieb avalia que é preciso um trabalho contínuo de adensamento das cadeias industriais, como petroquímica, automotiva, têxtil-vestuário, alimentos e bebidas.

Também é imprescindível a atração de investimentos em novas indústrias, principalmente em setores não tradicionais na matriz industrial da Bahia, fundamental para recuperação do PIB do setor.

Investimentos

Sobre o desempenho do Sistema Fieb em 2017, a entidade mostrou com gráficos ter sido possível manter estável o número de empresas industriais e as atividades atendidas por seus programas e serviços.

Entre os projetos de maior porte do sistema Fieb estão: o Cimatec Industrial, no Distrito Industrial de Camaçari, cuja primeira etapa será concluída em junho de 2018; o Instituto de Tecnologia da Saúde (ITS), avaliado em R$ 30 milhões, com parcerias nacionais e internacionais, voltado para produção de medicamentos, equipamentos e materiais estratégicos para o SUS, entre outros itens.

Os investimentos previstos para o Sistema Fieb em 2018 em obras e atividades relacionadas ao Senai, Sesi e IEL totalizam algo em torno de R$ 103 milhões, informou a entidade no encontro com a imprensa.

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