A Gente diz

Discutir o ensino superior, sobretudo a consolidação e o reconhecimento das faculdades de medicina, é imperativo e urgente no país.

Primaz Faculdade de Medicina: inconformidades “degradam” patrimônio


“Sisifo, impotente reconhece a sua condição miserável… reflete enquanto desce a ladeira” Alberto Camus
O Brasil nunca primou por priorizar a ciência nacional, seus mestres, pesquisadores, artistas criativos e suas universidades públicas, mormente os patrimônios arquitetônicos relegados, não raro. Ao completar 218 anos da sua fundação, a egrégia Faculdade de Medicina da Bahia esta “de novo” aterrorizada com suas imagens refletindo decadência! “As aparências não enganam não…”, expressou o poeta.

Os orçamentos dos ministérios afins sempre revelaram insuficiência, mercê da tecnocracia afinada com o monetarismo dos governos neoliberais balizando metas com o “deus mercado”; uma detração da educação superior, da saúde pública e das pesquisas acadêmicas intangíveis.
O proselitismo político “at once” admitirá que asfixiar as universidades significa sabotar o desenvolvimento do país, tornando-o vulnerável ao capitalismo apátrida.

O volver da realidade na Bahia, em particular na Faculdade de Medicina, tem sido gestado num conundrum de interesses nefastos para a excelência na graduação e na preservação do patrimônio clássico construído no século XIX.Nada obstante, o desempenho acadêmico e cientifico tenham sido revigorados, anos recentes, a vetusta instituição foi submetida a sortilégios acadêmicos internos e financeiros ministeriais traduzindo-se na inescusável – irresponsabilidades ?! – degradação atual das suas primorosas edificações.

Reconhecida a relevância da sua escola tropicalista no século XXI, a contribuição na epidemiologia e saberes clínico-cirúrgicos, entretanto, o protagonismo da Faculdade de Medicina nos inovadores anos do reitorado Edgar Santos, suscitou uma competição insidiosa e nefasta de egos acadêmicos, ultrapassando os limites éticos da convivência universitária civilizatória. Corolário, perseverou renhida disputa pelos orçamentos e prestígio politico na UFBA, aliados a “supremacia” de personas catedráticas na medicina, convergindo para o desmazelo (?!) do memorável complexo arquitetônico. A decadência não é uma tragédia dos céus!

Ademais, desde a sua instalação, hoje Centro Património Histórico de Salvador , a Faculdade Primaz da Medicina contracenou com atividades religiosas e artísticas, quando ressoam os ritmos sonoros vibrantes e festividades promovidas “for all the world”. As longevas edificações em circunstancias insalubres – igrejas, salões, museus, oficinas -, sofrem os efeitos colaterais dos impactos geofísicos com os milhares transeuntes e a subsequentes desconfiguração das estruturas não condicionadas para uma frenética convivência!

Ademais do orçamento milionário e avaliação da engenharia para o refazimento e preservação da venerável faculdade, doravante exigirá das autoridades uma pactuação com os prevalentes protagonistas do Patrimônio Histórico Nacional no alentado cenário. A Ver.

Marcos Luna, medico, escritor, PhD em Medicina UFBA, Fellow Harvard Medical School USA
e-mail: [email protected]