
Casa do Amor: instituição de acolhimento em Vitória da Conquista voltada ao suporte de pacientes em tratamento oncológico.

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O cenário político da Bahia ganhou novos contornos nesta quinta-feira (26) após o anúncio de que o prefeito de Jequié, Zé Cocá, foi escolhido para compor como pré-candidato a vice-governador na chapa encabeçada por ACM Neto. A definição reforça a estratégia da oposição em ampliar sua base no interior do estado.
O convite foi formalizado durante encontro realizado em Jequié, município considerado estratégico no cenário político regional. A escolha de Cocá foi construída de forma consensual dentro do grupo, levando em consideração sua trajetória política, experiência administrativa e forte atuação no interior baiano.
Ao comentar a decisão, ACM Neto destacou o perfil agregador do aliado e a importância de fortalecer a representação das diversas regiões da Bahia dentro do projeto político. A proposta, segundo ele, é ampliar o diálogo com os municípios e intensificar a presença no interior durante a pré-campanha.
Por sua vez, Zé Cocá afirmou que aceitou o convite por acreditar na construção de um novo projeto político para o estado. O gestor ressaltou que a decisão não foi motivada por ambição pessoal, mas pela confiança em uma proposta que visa mudanças estruturais e desenvolvimento para a Bahia.
Para disputar o cargo de vice-governador, Cocá deverá deixar o comando da Prefeitura de Jequié dentro do prazo legal, permitindo que o atual vice-prefeito Flavinho Santana assuma a gestão municipal.
Com uma trajetória consolidada na política, incluindo passagens pela administração municipal e pelo Legislativo estadual, Zé Cocá surge como um dos principais nomes da oposição na corrida eleitoral, fortalecendo a composição da chapa para o próximo pleito.
Prazo, que havia acabado no dia 20 de março, foi estendido até dia 20 de junho

Foto: Reprodução/INSS
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), prorrogou o funcionamento dos canais de atendimento para contestação dos descontos indevidos a aposentados e pensionistas. O prazo, que havia acabado no dia 20 de março, foi estendido até o dia 20 de junho. Com a mudança, o público terá 90 dias para informar ao instituto cobranças de associações e sindicatos não autorizadas em seus benefícios.
Anteriormente, o INSS já havia feito uma prorrogação, em janeiro. O prazo inicial expirava em 14 de fevereiro. A contestação é etapa obrigatória para quem deseja aderir ao acordo de ressarcimento oferecido pelo governo federal para receber de volta valores que foram descontados.
O Instituto informou que, até agora, mais de 6,4 milhões de pessoas já contestaram cobranças, e 4,4 milhões aderiram ao acordo, com devolução de quase R$ 3 bilhões aos segurados.
No início do processo, o órgão havia notificado 9,4 milhões de beneficiários que tiveram algum desconto por associações. O ressarcimento vale para descontos feitos entre março de 2020 e março de 2025. Para ter direito à devolução, o segurado deve verificar se houve cobrança associativa no benefício e informar ao INSS se autorizou ou não o desconto.
A solicitação pode ser feita de forma presencial ou on-line:
Pelo Meu INSS
Presencialmente
Aposentados também podem procurar agências dos Correios para buscar ajuda com a consulta e o pedido de devolução de descontos indevidos.
Rui Costa reafirma que a escolha
do vice é exclusiva do governador, que deve ter tempo para refletir sobre a melhor estratégia eleitoral. |
A indefinição sobre o nome que vai compor como vice na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) segue movimentando os bastidores da política baiana e alimentando especulações dentro da base aliada. Em meio à pressão de partidos e lideranças por espaço, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), reforçou nesta sexta-feira (27) que a decisão cabe exclusivamente ao governador e que o tempo de escolha deve ser respeitado.
“Não, a decisão da chapa, como eu disse hoje, cabe exclusivamente ao governador, até porque o vice é dele. E ele vai definir o vício dele. O que eu defendi e defendo é que o governador tenha o tempo para refletir, para fazer a composição e para adotar a melhor estratégia para ganhar a eleição. Não se trata de capricho de ninguém, se trata de escolher a melhor opção para ganhar a eleição, que todo mundo quer”, afirmou Rui.
A declaração foi dada durante evento no Parque de Exposições de Salvador, onde Jerônimo e Rui anunciaram um pacote de obras e serviços para todo o estado, com autorização de licitações e assinatura de ordens de serviço em diversas áreas.
Jerônimo ofereceu vice a diversos políticos
Nos últimos dias, o debate sobre a vaga de vice tem ganhado força, especialmente diante das articulações de partidos da base que buscam ampliar protagonismo na chapa majoritária. Siglas como PSD, PP e MDB são frequentemente citadas nas conversas de bastidores, cada uma defendendo espaço na composição.
A postura tem irritado especialmente o comando do MDB, que atualmente ocupa a vaga com Geraldo Júnior. O ex-ministro Geddel Vieira Lima passou a mandar recados recentes cobrando um posicionamento.
Apesar da pressão, interlocutores do governo indicam que Jerônimo tem adotado cautela para evitar ruídos internos e garantir uma escolha que fortaleça a coalizão para 2026.
A estratégia passa por equilibrar interesses políticos, garantir capilaridade eleitoral e manter a unidade do grupo, considerado um dos principais ativos do atual governo. A expectativa é que a definição ocorra apenas após a consolidação da janela partidária, no início de abril.

A edição da Medida Provisória 1.343/2026, publicada nesta quarta-feira (25), e das Resoluções 6.078/2026 e 6.077/2026 da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) criam regras e instrumentos para obrigar o pagamento do piso mínimo do valor do frete pago aos caminhoneiros.
As medidas são uma reinvindicação da categoria desde 2018, quando houve paralisação nacional de dez dias. As iniciativas do governo fizeram os caminhoneiros reverem a decisão de fazer nova paralisação nacional, anunciada em reunião da categoria ocorrida em Santos (SP), em meados de março.
Em detalhe, a Resolução 6.077 estabelece sanções progressivas a empresas e contratantes de fretes que desrespeitarem a lei do piso mínimo do transporte rodoviário de carga.
á a Resolução 6.078 impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte, conhecido pela sigla Ciot, quando o frete contratado estiver abaixo do piso. Sem esse registro, o transporte é ilegal e não pode circular.
As duas resoluções operacionalizam a MP 1.343, que está em vigor enquanto tramita no Congresso Nacional. A validade inicial das medidas provisórias é de 60 dias, podendo ser prorrogada por prazo igual. A MP caduca na segunda metade de julho se não for votada, separadamente, por deputados e senadores.
Piso O valor mínimo a ser pago por transporte, carga e descarga varia conforme o tamanho do caminhão (número de eixos); o volume da carga; o tipo de material transportado (granel sólidlíquido); a temperatura (frigorificada ou aquecida); e o acondicionamento (em contêiner ou não).
O governo garantiu que os valores serão ajustados quando houver variação igual ou superior a 5% no preço do diesel, como prevê legislação.
Segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira, Luciano Santos, quando há diálogo e a categoria é atendida, não há motivo para greve.
Ex-
prefeito de Salvador decide que gestor de Jequié será seu candidato a vice na chapa que tentará comandar o Governo da Bahia
Ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) confirmou nesta quinta-feira (26) o convite para o prefeito Zé Cocá (PP) para ser candidato a vice-governador na chapa que vai disputar as eleições em 2026. A confirmação aconteceu durante a entrevista realizada na Rádio Metrópole ao apresentador Mário Kertész.
Neto confirmou que o convite acontece de forma natural, já que Cocá tem um destaque na vida política do interior.
“Vou para Jequié logo mais e vou me reunir com Zé Cocá, Flavinho e os vereadores. Vou fazer o convite formal para que Zé Cocá renuncie à Prefeitura de Jequié e aceite esse desafio. Ele tem o conhecimento do interior, reúne todas as melhores condições e tem articulação política comprovada. É o nome ideal”, disse Neto.
Não haveria ninguém mais adequado que Zé Cocá nessa posição. Ele tem uma trajetória de larga experiência na vida pública”, disse o ex-prefeito soteropolitano.
Zé Cocá já foi prefeito de Lafayete Coutinho, deputado estadual, presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), prefeito reeleito de Jequié e o mais votado de todo o Brasil, com mais de 90% dos votos. “Uma pessoa que reúne todas as melhores condições. Vive o drama e a realidade do interior”, disse ACM Neto.
fonte Bocãonwes por Matheus Simoni

A população de Vitória da Conquista deve se preparar para uma noite fora do comum — mas sem motivo para pânico. Nesta quinta-feira, 26 de março, a partir das 22h, o centro da cidade será palco de um grande simulado operacional das forças de segurança pública, com cenas que prometem impressionar: disparos, explosões controladas, veículos incendiados e intensa movimentação policial.
Apesar do realismo, é fundamental reforçar: não se trata de uma ocorrência real, mas de uma ação planejada, estratégica e educativa.
O exercício integra a programação da 11ª edição do Curso de Gestão de Crise e Segurança nas Cidades, promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). A iniciativa reúne profissionais altamente capacitados e tem como objetivo preparar as forças de segurança para situações críticas, como ataques a instituições financeiras — um tipo de crime que exige resposta rápida, coordenada e eficiente.
O cenário escolhido para a simulação será a região da Praça Barão do Rio Branco, nas proximidades de agências bancárias, área central da cidade. Durante o exercício, serão reproduzidas situações de alto risco, com o uso de munições de festim e efeitos especiais, cuidadosamente controlados para garantir a segurança de todos.
A ação reforça o compromisso das instituições com a prevenção e a proteção da sociedade. Mais do que um treinamento técnico, o simulado representa um importante passo no fortalecimento do diálogo institucional e na construção de respostas integradas diante de possíveis crises.
A população está convidada a acompanhar, desde que respeite rigorosamente os limites de segurança que serão estabelecidos no local. A presença do público, aliás, contribui para ampliar a consciência coletiva sobre o funcionamento das operações policiais e a importância da cooperação entre المجتمع e forças de segurança.
A divulgação antecipada, com apoio dos veículos de comunicação — incluindo o blog Política e Resenha — é essencial para evitar alarmes desnecessários e garantir que todos compreendam o caráter educativo da ação.
Em tempos em que a segurança pública ocupa papel central nas preocupações da sociedade, iniciativas como essa mostram que planejamento, preparo e integração são caminhos sólidos para proteger vidas e fortalecer a confiança da população.
(Maria Clara)

Resolução aprovada por maioria prevê debate sobre reparações e teve oposição de três países
A Organização das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira (25) uma resolução que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade. A medida foi votada em assembleia geral e recebeu apoio de 123 países.
Três nações votaram contra a proposta: Estados Unidos, Israel e Argentina. Outros 52 países, incluindo Reino Unido, Portugal e Espanha, optaram pela abstenção.
A resolução foi apresentada por Gana e destaca que cerca de 12,5 milhões de africanos foram capturados e enviados à escravidão entre os séculos XV e XIX. O texto também propõe a abertura de discussões sobre reparações históricas para descendentes das vítimas.
A partir da aprovação, o documento incentiva países a adotarem ações como pedidos formais de desculpas, compensações financeiras e devolução de patrimônios culturais, além de reforçar a necessidade de enfrentamento das desigualdades raciais ainda presentes. Conteúdo eFoto: ONU/Loey Felipe
Agentes do Grupo de Apoio ao Meio Ambiente (Gama), ligado à Guarda Municipal, salvaram a vida de uma bebê de 25 dias, engasgada com leite materno, nesta terça-feira (24), no Facilita Saúde. Os agentes executavam patrulhamento preventivo e ostensivo no Facilita Saúde e foram acionados pela mãe da criança, Mariana Santos, que se encontrava na unidade.
Imediatamente, a equipe, composta pelos guardas municipais Paulo Torres e Jiuvan Amaral, realizou a manobra de Heimlich – técnica de primeiros socorros usada para desobstruir as vias aéreas em caso de engasgo, e o bebê voltou a respirar. Em seguida, os agentes orientaram a mãe, que mora no povoado de Cabeceira, a buscar atendimento médico para avaliação clínica da recém-nascida.
Os cursos de primeiros socorros fazem parte da formação dos guardas, de acordo com a grade curricular da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Bahia recebe 1,3 milhão de doses da vacina contra a influenza e inicia distribuição para os 417 municípios
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) recebeu na última sexta-feira (20) e sábado (21) a primeira remessa da vacina contra a influenza para a Campanha Nacional de Vacinação 2026, totalizando 1.336.000 doses. A distribuição já foi iniciada e o Dia D de mobilização nacional, que marca o início oficial da campanha, será no sábado, 28 de março. Ao todo, a Bahia receberá 6.022.574 doses ao longo da estratégia vacinal.
A chegada das vacinas coincide com um cenário epidemiológico que reforça a urgência da imunização. Levantamento semanal relacionado ao CID da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), realizado pelo Serviço Estadual de Regulação (SER), mostra uma tendência de crescimento da demanda pediátrica no estado.
As solicitações de UTI pediátrica, que eram 55 na primeira semana de janeiro, chegaram a 141 entre 12 e 18 de março. No mesmo período, os pedidos de enfermaria pediátrica subiram de 44 para 102. O cenário acende um sinal importante para a necessidade de prevenção, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Os municípios com maior volume de doses nesta primeira remessa são Salvador (204.120), Feira de Santana (58.310), Vitória da Conquista (25.840), Porto Seguro (24.490) e Camaçari (18.520). A distribuição segue proporcionalmente ao público-alvo de cada localidade.


O presidente Lula sancionou na tarde desta terça-feira (24) o PL Antifacção, com dois vetos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou na tarde desta terça-feira (24) o PL Antifacção, com dois vetos.
Um dos trechos derrubados visa punir indivíduos que pratiquem condutas graves típicas de facções, mas que não integram formalmente essas organizações criminosas.
O dispositivo estabelecia que, caso uma pessoa atuasse de forma independente para realizar ações como controle territorial ou social, ataques a instituições financeiras ou sabotagem de infraestruturas essenciais, como hospitais, portos e redes de energia, a pena seria de 12 a 30 anos de reclusão.
“A ideia do governo foi resguardar qualquer criminalização dos movimentos sociais. Então, como alguns tipos penais poderiam ser artificiosamente utilizados para criminalizar movimentos sociais, só membros de organizações criminosas estarão abarcados pela lei. Quem não faz parte da organização criminosa, por consequência, não pode sofrer as punições dessa lei”, disse o secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.
Outro ponto vetado diz respeito à repartição de receitas relacionadas ao Funad (Fundo Nacional Antidrogas). Devido à incompatibilidade com dispositivos constitucionais que determinam que recursos provenientes de apreensões ligadas ao tráfico devem ser destinados à União, não poderiam ser direcionados a outros entes.
O projeto, batizado de Lei Raul Jungmann, criou tipos penais autônomos, como os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento ao domínio social estruturado.
O primeiro é um novo tipo que pune a prática de condutas por membros de organização criminosa ultraviolenta, paramilitar ou milícia privada.
As condutas abrangidas incluem: usar violência ou grave ameaça para impor controle, domínio ou influência sobre áreas geográficas ou territórios, restringir ou dificultar a livre circulação de pessoas, bens e serviços, entre outros pontos.
O texto define organização criminosa ultraviolenta (também denominada facção criminosa) como um agrupamento de três ou mais pessoas que utiliza violência, grave ameaça ou coação para impor controle territorial ou social, ou para intimidar populações e autoridades.
Já o crime de favorecimento ao domínio social estruturado foca na conduta de quem auxilia ou facilita a existência e a manutenção do domínio exercido pela facção, sem necessariamente participar das ações violentas diretas. A pena proposta varia de 12 a 20 anos.
O texto sancionado também define que recursos provenientes de investigações conduzidas pelas Polícias Civis estadual serão destinados ao Fundo Estadual de Segurança Pública, enquanto investigações da PF irão para o Fundo Nacional de Segurança Pública. Em caso de investigações conjuntas, a divisão dos recursos será igualitária entre os envolvidos.
Mesmo sendo apontados como inconstitucionais durante a discussão do PL Antifacção, o governo decidiu sancionar o dispositivo que proíbe o voto de presos provisórios ligados a organizações criminosas, entendendo que quem ataca o sistema não deve interferir na vontade política.
Também foi mantido o fim do auxílio-reclusão. “O que o governo federal endereçou nesse momento é que o custo de envolver-se no crime está ficando muito alto”, disse Chico Lucas. “[Membro de organização] não vai fazer mal só a sociedade, ela também vai trazer uma punição pra sua família [sem o auxílio-reclusão]”.
Durante a sanção do projeto, o presidente Lula afirmou que quer colocar à disposição de outros países a expertise do Brasil no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
Além do petista, também participaram da cerimônia o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, e os ministros Wellington César Lima (justiça) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).
“Nós queremos falar sério nessa história de combater o crime organizado porque, nesse tema, a gente tem a chance não de matar os magrinhos na periferia; a gente tem a chance de pegar os responsáveis, que moram em apartamentos de luxo, que moram em condomínios de luxo, que moram em hotéis de cobertura, em apartamentos de cobertura, e que nós chamamos de magnatas do crime neste país”, disse.
Conteúdo do Politica livre /com Raquel Lopes/Folhapress Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo Lula (PT) vai fazer uma reformulação geral nas regras do setor ferroviário, com a criação de dez normas que devem reorganizar a gestão das concessões e das autorizações de operação privada no país.
O tema está em fase avançada no MT (Ministério dos Transportes) e na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), órgão responsável por fazer a fiscalização das ferrovias.
A reportagem teve acesso a detalhes da proposta elaborada que vai substituir o modelo atual, uma regulação formada por um emaranhado de normas editadas ao longo de mais de duas décadas e que hoje estão ultrapassadas.
Hoje, há 56 atos normativos federais em vigor. São resoluções dispersas, muitas delas criadas conforme a necessidade de contratos firmados em momentos diferentes. O plano é trocar essas regras por um sistema mais simples e padronizado que não só envolva as concessões antigas, mas também facilite a entrada de novas empresas no setor.
A carteira de concessões ferroviárias anunciada pelo governo no fim do ano passado tem a expectativa de movimentar mais de R$ 139,7 bilhões de investimentos em obras até 2027, além de R$ 516,5 bilhões em operações dos oito trechos que integram a carteira. Trata-se da área de infraestrutura mais ambiciosa do governo federal.
As novas normas foram organizadas em dois blocos distintos, o que não existe no arcabouço legal em vigor. O primeiro vai cuidar da infraestrutura ferroviária em si. Trata-se dos trilhos, dormentes, pátios e sistemas de operação da malha. O segundo bloco é o da operação dos trens, voltada para o serviço de transporte, a segurança e o atendimento a usuários.
A decisão de separar os assuntos pretende evitar distorções, porque a infraestrutura das ferrovias é tratada como um monopólio concedido a uma empresa, o que exige regras mais rígidas,enquanto o transporte em si deve funcionar com mais concorrência e menos intervenção estatal.
O primeiro bloco, destinado às concessões e autorizações das ferrovias, cria uma espécie de regra geral única para todos os contratos, algo que hoje não existe.
Esse pacote vai detalhar de forma clara quais investimentos são obrigatórios pelas empresas, como será feito o reequilíbrio econômico-financeiro e quais serão os procedimentos para encerrar a concessão e devolver o trecho. Com isso, cláusulas deixam de ser renegociadas caso a caso e passam a seguir um padrão, que poderá ser atualizado periodicamente.
As normas também vão trocar um modelo de fiscalização baseado apenas em punições por um sistema de regulação por desempenho, com indicadores de infraestrutura e de qualidade do serviço. A ideia é ter uma “pirâmide de conformidade” que resulte em ações proporcionais, conforme o caso.
O segundo bloco reúne cinco normas sobre o funcionamento do serviço ferroviário no dia a dia. Aqui entrarão os direitos dos usuários, a qualidade do transporte, regras para compartilhamento da malha entre diferentes empresas, padrões de segurança e metas de sustentabilidade.
A mudança vai impor regras sobre o compartilhamento dos trilhos, tema que é um dos pontos centrais da reforma, porque busca o aumento da concorrência e a redução da dependência de uma única empresa em cada linha.
No modelo atual, é comum a situação em que a empresa que detém a concessão do trecho e dos trens é, também, a dona da carga que trafega nele, o que sempre dificultou a entrada de terceiros que buscam passar sua própria carga ou ser um prestador de serviços de transporte.
“Considerando a robusta carteira de projetos, é essencial que a regulação esteja preparada para dar-lhe vazão, de maneira efetiva eficiente”, diz a ANTT, em documento sobre o assunto.
A agência não aponta uma data específica para as novas regras entrarem em vigor, mas o tema faz parte da revisão regulatória prevista para ocorrer ao longo deste ano.
Questionada sobre o assunto, a ANTT confirmou que “prepara uma reformulação ampla das regras do setor ferroviário para reorganizar toda a regulação” das concessões e das autorizações privadas.
“A proposta é substituir o arranjo atual por um modelo mais moderno, com regras mais padronizadas, e aderente às melhores práticas regulatórias”, afirmou a agência.
Além de mirar a fragmentação de regras, o governo quer usar o novo regimento para regulamentar completamente a Lei das Ferrovias, de 2021, que criou o modelo de autorizações privadas, em vez de se limitar às concessões tradicionais.
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MUDANÇAS SOBRE INFRAESTRUTURA DAS FERROVIAS
1. Regras gerais das concessões e autorizações
Cria um modelo padrão dos contratos, com direitos e deveres iguais para todas as ferrovias. A ideia é acabar com contratos muito diferentes entre si e dar mais segurança e previsibilidade a investidores.
2. Bens, obras e operações ferroviárias
Estabelece o que as empresas são obrigadas a construir, modernizar e manter na infraestrutura da ferrovia. Também organiza como funcionam desapropriações, expansão de capacidade e gestão dos ativos.
3. Equilíbrio econômico-financeiro dos contratos
Cria regras para revisar contratos quando houver novos investimentos, mudanças de cenário ou riscos imprevistos. Serve para garantir retorno ao investidor sem prejudicar o interesse público.
4. Fiscalização e penalidades
Muda o modelo de fiscalização, que passa a acompanhar o desempenho das concessionárias com indicadores. As punições deixam de ser automáticas e passam a ser aplicadas de forma proporcional ao desempenho.
5. Encerramento contratual
Define como será a devolução de trechos, o fim de concessões e a transição para novos operadores. A intenção é evitar conflitos e dar uma solução mais rápida para ferrovias paradas ou abandonadas.
MUDANÇAS PREVISTAS SOBRE OS SERVIÇOS DE TRANSPORTE
1. Direitos dos usuários e serviço adequado
Cria padrões de qualidade para o transporte ferroviário e aumenta a participação de usuários. A proposta é melhorar atendimento, transparência e cobrança de desempenho das empresas.
2. Interoperabilidade e trânsito
Cria regras para que diferentes empresas possam usar a mesma ferrovia. Objetivo é aumentar a concorrência e reduzir a dependência de um único operador em cada linha.
3. Segurança operacional e operações urbanas
Define metas e procedimentos para evitar acidentes e melhorar a prestação de serviço das ferrovias dentro das cidades. Isso inclui regras para comunicação de ocorrências e proteção das áreas próximas aos trilhos.
4. Transporte ferroviário de passageiros
Organiza as normas para criação e operação de novos serviços de trens de passageiros, com ambiente regulatório mais claro para destravar projetos.
5. Sustentabilidade ferroviária
Reúne metas ambientais, eficiência energética e redução de impactos das ferrovias. A intenção é alinhar o setor às exigências de investimento com critérios de sustentabilidade
BAhianoticias Por André Borges | Folhapress