Bah.IA aposta na formação de professores e no uso crítico da tecnologia em sala de aula

Foto: Fernanda Villas/Metropess
A pesquisadora Tatiane Nogueira, da Universidade Federal da Bahia, defende que o ensino de inteligência artificial precisa ir além do uso de ferramentas e alcançar uma compreensão profunda do tema. Em entrevista ao Metropole Mais nesta quarta-feira (15), ela destacou a criação da rede Bah.IA, iniciativa que leva o letramento em inteligência artificial para escolas públicas com foco na formação de professores como multiplicadores do conhecimento.
Segundo a pesquisadora, a proposta da rede se diferencia por integrar a inteligência artificial a diversas disciplinas, em vez de tratá-la como um conteúdo isolado. “A gente precisa de professores que ensinem inteligência artificial nas escolas, mas como algo presente nas outras matérias”, explicou. O projeto ganha ainda mais relevância diante das recentes diretrizes do Ministério da Educação para o tema, antecipando um movimento nacional de inserção da tecnologia na educação básica.
Tatiane também ressalta a importância do senso crítico no uso das ferramentas digitais. Para ela, o avanço acelerado dos chatbots e de outras tecnologias exige que estudantes compreendam os fundamentos da inteligência artificial, e não apenas aprendam a operar plataformas específicas. “Uma ferramenta pode ser substituída rapidamente. O conhecimento técnico é o que garante autonomia”, afirmou, ao relacionar o aprendizado de áreas como matemática à base de funcionamento dessas tecnologias.
Desenvolvido ao longo de quatro anos por especialistas de seis instituições de ciência e tecnologia, o projeto já começa a ganhar alcance. No lançamento da rede, realizado recentemente, houve participação de representantes de 60 municípios baianos e de outros seis estados. Com material gratuito e formação estruturada para docentes, a Bah.IA busca ampliar o acesso ao conhecimento e preparar estudantes para futuras formações, como o bacharelado em inteligência artificial previsto pela UFBA.

