
O evento protagonizado por Adão e Eva representa o grande divisor de águas dessa jornada. Embora marcado pelo arbítrio, esse ato consolidou uma nova etapa nas relações entre o Criador e a criatura. A partir dali, a existência humana deixou de ser um estado puramente biológico ou estático para tornar-se narrativa. Conforme detalhado no Livro de Gênesis, a vida passou a ter enredo, conflito e propósito.
O ápice desse processo ocorreu quando o ser humano deixou de ser um espectador passivo da criação e tornou-se um agente. Ao posicionar-se com o livre-arbítrio, o homem inaugurou um capítulo inédito na história: a era da responsabilidade e da coautoria. No entanto, esse processo evolutivo só se fez e se faz, por conta da concepção forjada e arquitetura pelo o Criador. Que em seis dias definiu a razão de ser e existir, não só das coisas, pessoas e do universo, nas seguintes etapas:
- A Luz:O despertar da percepção (“Haja luz”).
- O Firmamento:A distinção entre o sagrado e o terreno.
- A Terra e a Vida:A base material e o sustento da forma.
- O Tempo:A organização dos dias, noites e estações, dando ritmo à história humana.
- A Diversidade:A abundância da vida que preenche os espaços.
- A Imagem e Semelhança:A criação do homem e da mulher como o coroamento de um projeto de identidade, o qual está bem fundamentado e detalhado no livro de Gênesis.
Após esta narrativa expositiva dos atos de criação do Absoluto e a jornada de milhões de anos — passando pela evolução biológica, revoluções cognitivas, culturais, sociais, econômicas e até de crendices —, o ser humano segue nesta busca interminável para se aproximar das divindades, encantados e de Deus.
Para isto, desde a era de Adão e Eva até os dias atuais, o processo de cognição afetiva com as divindades, ídolos, crendices se complementam na razão de ser do ser humano.
No cenário contemporâneo, a odisseia humana atinge um paradoxo fascinante. Se, por um lado, o ser humano alcançou o domínio técnico sobre a matéria — desvendando o átomo e explorando o cosmos —, por outro, parece enfrentar um crescente vazio existencial e uma desconexão com o sagrado.
Comendador Gildásio Amorim Fernandes

