A Gente diz

Ministros e advogados cobram explicações de Joaquim Barbosa

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e advogados estão cobrando explicações do também ministro Joaquim Barbosa, que está de licença médica desde abril por causa de um problema crônico na coluna, mas foi visto em uma festa de aniversário e em um bar em Brasília no final de semana. De acordo com eles, Barbosa tem de resolver a sua situação: se fica no tribunal, trabalhando, ou se pede afastamento definitivo. “Que se defina a situação”, pediu o ministro Marco Aurélio Mello.

“Eu acho que seria o mínimo de consideração com a sociedade, com o erário, com os seus pares, com o Supremo, que o ministro Joaquim Barbosa viesse a público dar uma explicação”, disse o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante Júnior. A OAB manifestou na semana passada preocupação com a paralisação dos processos no gabinete de Barbosa. Essa preocupação também afligiria os demais integrantes do STF, que estão sobrecarregados. Diante do que saiu na mídia e de todas as críticas, Barbosa cobra privacidade (leia aqui).

O Supremo tem 11 ministros, mas hoje conta com apenas nove, considerando-se a licença de Barbosa e a aposentadoria de Eros Grau dias antes de completar 70 anos e ser atingido pela compulsória. Haveria na corte processos aguardando julgamento há mais de cinco anos. Assim como Março Aurélio Mello, outros colegas de Joaquim Barbosa consideram que ele tem de resolver logo sua situação para que o tribunal encontre uma solução para os mais de 13 mil processos que estão em seu gabinete. Ao contrário de outros tribunais, o STF não pode chamar substitutos, o que o faz sentir fortemente os efeitos de afastamento prolongado de algum ministro.
Com informações de O Estado de São Paulo
RafaelAlbuquerque

Fotos: Estadão

CONQUISTA: PROMOTORA TERIA FORJADO ATENTADO

A promotora Genísia Oliveira, da Promotoria Regional de Vitória da Conquista, teria forjado o suposto atentado praticado por policiais contra o carro em que estava, na madrugada do dia 5 de maio, que teria sido atingido por dois tiros. Na versão da promotora, ela teria sofrido uma retaliação de policiais que eram investigados por envolvimento no famoso caso da Chacina de Conquista. Na conclusão do inquérito que investigou a ação, entretanto, o delegado refuta as hipóteses de tentativa de assalto, de homicídio provocado por desafeto ou tentativa de marginais para incriminar ainda mais os investigados no processo presidido pela promotora. No documento, o delegado ainda levanta uma quarta linha de investigação. “Na estranheza dos fatos, e como se pode observar nas fotos, tornou-se obrigatório constar uma outra hipótese: possibilidade de ter sido fabricada a notícia do atentado”, relata Aurich no texto de conclusão do inquérito. A perícia informa que “não há elementos de convicção material que evidenciem danos provocados por objetos perfurocortantes”. O documento assinado pelo perito criminal Mário Nilo Mendes conclui que os orifícios foram causados por “ação perfuro contundente”, de baixo para cima e da porção anterior para a posterior. Informações do A Tarde.

Preguiça é doença, afirmam especialistas

Índice

A falta de atividade física pode desencadear uma série de problemas, como obesidade e diabetes (Getty Images)
“Muito dinheiro é gasto no tratamento dos sintomas da falta de atividades físicas – obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardíacas – mas não se trata a raiz do problema”
Render-se à preguiça pode ser algo muito mais grave do que se pensa. Isso porque especialistas começaram a tratar os preguiçosos como doentes que precisam de tratamento. Especialistas advertem para o círculo vicioso que se segue ao comportamento sedentário: a falta de atividades físicas favorece a obesidade, que é responsável por desencadear uma série de doenças graves, como hipertensão e diabetes.
“Nós propomos que a inatividade física talvez deva ser considerada também uma doença”, salientam os médicos Richard Weiler e Emmanuel Stamatakis, da Universidade de Londres, responsáveis pelo estudo publicado no British Journal of Sports Medicine.
Segundo Weiler, especialista em medicina esportiva, os médicos precisam promover o bem-estar por meio da prática de exercícios, como forma de tratar a preguiça de seus pacientes, o que evitaria custos astronômicos da saúde pública. “Muito dinheiro é gasto no tratamento dos sintomas da falta de atividades físicas – obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardíacas – mas não se trata a raiz do problema”, salienta, enfatizando que as pessoas deveriam “encarar os fatos e assumir a responsabilidade” por sua própria saúde.

Campanha da petista começa a testar serviço de telemarketing

Um dia a moça da operadora do celular; no outro, a do cartão de crédito; e, durante as eleições, Dilma Rousseff. A campanha petista testa a utilização de mensagens de telemarketing para aproximar a presidenciável dos lares brasileiros. O Disque-Dilma já está em fase de testes. O resultado das primeiras ações da equipe de telemarketing foi elogiado por petistas que atuam na campanha, mas o preço do serviço preocupa um pouco. A cada telefonema feito para um eleitor, o cofrinho da campanha fica de R$ 0,12 a R$ 0,18 mais magro, segundo o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR). “A gente faz sorteio e liga. Vale a pena, todo contato em uma eleição judicializada como essa tem valor. Mas é um método muito caro. É preciso calcular melhor, receber as receitas para ver se é possível, se é viável ligar para todos os eleitores”, explica Vargas. (Correio Braziliense)

Cineasta diz que Dilma tenta ocultar seu passado

Alvo de críticas na biografia oficial de Marina Silva (PV), a presidenciável Dilma Rousseff (PT) voltou a ser atacada pelos verdes no lançamento do livro em São Paulo. Autor do prefácio, o cineasta Fernando Meirelles afirmou que a petista não faz uma obra semelhante porque teria que esconder sua atuação na luta armada contra a ditadura militar. “Não sei se existe uma biografia da Dilma, mas como ela tem esse passado de guerrilha, que 90% da população não sabe, no caso dela não seria oportuno. Ela iria omitir uma parte.” Enquanto Marina autografava exemplares do livro, Meirelles acusou Dilma de tentar esconder a trajetória e as ideias na campanha. (Folha)

MEC DIZ TER REPASSADO R$ 293 MILHÕES A APAES

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O Ministério da Educação (MEC) publicou na noite desta sexta-feira (6), em sua página da internet, texto em que realiza uma espécie de prestação de contas dos recursos repassados às Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes), segundo a qual o governo teria destinado à entidade R$ 293 milhões, em 2010. No texto, o MEC exalta o “resultado da política a favor da inclusão”. Na noite anterior, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, usou o tema para questionar a candidata do PT, Dilma Rousseff, durante o primeiro debate entre os presidenciáveis. Serra acusou o governo de “discriminar” e “perseguir” as Apaes ao ter cortado o transporte escolar e ter proibido a entidade de atuar como escola. Informações do G1.

“Veja” revela que PT “arapongou” Serra, Heráclito, ACM Neto e Marina Mantega


Estadão

Rodrigo Maia promete processar senadora Ideli Salvati por causa da espionagem

O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, anunciou hoje que o partido vai encaminhar uma representação contra a senadora Ideli Salvati (PT-SC) no Conselho de Ética para apurar as denúncias veiculadas na edição desta semana da revista “Veja”. Em entrevista à revista, o advogado Gerardo Xavier Santiago disse que o gabinete da presidência da Previ (maior fundo do Brasil) foi utilizado como centro de montagem de dossiês para constranger e intimidar adversários do governo, entre os quais o ex-governador e candidato do PSDB à presidência, José Serra, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o deputado federal ACM Neto e até mesmo a modelo Marina Mantega, filha de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda.

“Vamos tomar medidas judiciais, policiais e congressuais para investigar mais essa imoralidade patrocinada pelo PT”, disse Rodrigo Maia. O presidente do DEM afirmou, ainda, que as denúncias feitas pelo advogado Gerardo Santiago à revista revelam a irresponsabilidade da senadora Ideli Salvati. “Para agradar aos seus chefes, a senadora petista patrocina a formação de dossiês falsos e forjados contra adversários, uma conduta típica das pessoas covardes e sem caráter.”

O deputado ACM Neto disse que a reportagem revela que o PT usa a “bisbilhotagem e a arapongagem” para perseguir a oposição. “Alguns dos principais nomes do PT estão envolvidos nesta vergonha e, mais uma vez, caiu a máscara do partido”, disse. De acordo com ACM Neto, o DEM vai trabalhar para que o advogado Geraldo Xavier Santiago seja ouvido na Câmara, no Senado ou em ambas as Casas. “Certamente o advogado, que conviveu muitos anos com os petistas especializados em inventar dossiês, tem muito mais para contar.”

Aeroporto de Vitória da Conquista tem problemas por falta de espaço

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Walter de Carvalho/Agência A TARDE

Saguão lotado no Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, em Vitória da Conquista

Casas construídas irregularmente em lotes invadidos nos fundos do Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, em Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador, têm sido um dos principais obstáculos para a ampliação da pista de pouso e do terminal de passageiros. Árvores, matagal e urubus rondando o espaço aéreo das redondezas ampliam o perigo. Falta espaço para a ampliação da pista de pouso, que só comporta aeronaves de pequeno porte, com menos de 100 assentos, além de o saguão ser reduzido, obrigando os usuários a permanecerem em pé ou fora das dependências enquanto aguardam o voo. Situado no terceiro maior município do Estado, com mais de 310 mil habitantes, o aeroporto recebe 292 passageiros por dia. Porém o saguão – com 60 metros quadrados – comporta apenas 80 pessoas. Leia amais no A Tarde

A nova reforma Protestante

Revista Época: A nova reforma Protestante Enviado por folhagospel em 08/08/2010 08:19:00 (195 leituras)

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste (foto ao lado), pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

0,,42921495,00Revista Época: A nova reforma Protestante Enviado por folhagospel em 08/08/2010 08:19:00 (195 leituras)
Fonte: Revista Época

Bahia tem índice de trabalho infantojuvenil acima da média nacional


Adolescentes entre 14 e 17 anos da Bahia apresentam índices de trabalho infantojuvenil acima da média nacional, segundo estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). De acordo com o estudo, em 2008, dos jovens na Bahia entre 14 e 15 anos, 21,6% estavam ocupados, enquanto que a média nacional era de 16,5%. Na faixa etária de 16 e 17 anos esse número é de 34,9% na Bahia e 33,6% na média nacional.

Na faixa abaixo dos 14 anos, os índices para a Bahia em 2008 são: 10,5% para os jovens entre 10 e 13 anos e entre a faixa de 5 a 9 anos, 1,6%. No Brasil esses índices para os jovens entre 13 e 10 anos são de 6,1% e para as crianças entre 5 e 9 anos, 0,9%. Os dados também informam que grande parte dos jovens na Bahia trabalham na agricultura, sendo que no resto do Brasil a maioria está em atividades não agrícolas. (Agência Brasil)

Novas cédulas só serão distribuídas após o BC fazer um estoque

Novas cédulas do real começam a circular em novembro
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As novas cédulas do real começaram a ser feitas nesta sexta-feira na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. As notas de R$ 50 e R$ 100 começarão a circular em novembro. As demais, a partir de 2012. Segundo o diretor administrativo do Banco Central, Anthero Meirelles, as cédulas deixarão de circular dentro de dois a três anos. “O BC vai começar a receber essas novas cédulas e teremos que montar um estoque para fazer a distribuição em todo o país”, disse.
Além desse prazo para formar estoques, completou Meirelles, o intervalo até novembro servirá para os bancos adaptarem as máquinas às novas cédulas. O diretor do BC disse ainda que a autoridade monetária fará uma campanha educativa para mostrar à população as características da nova cédula. As novas notas têm impressão superior e elementos de segurança – como a marca d’água – foram redesenhados de forma a facilitar a identificação pela população e dificultar a falsificação. (Folha)

Ibope: Wagner lidera com 46% das intenções de voto

O Instituto Ibope divulgou nesta sexta-feira, 06, sua primeira pesquisa de intenção de voto para o Governo da Bahia. Assim como nas demais pesquisas feitas até agora, o governador e candidato a reeleição, Jaques Wagner, lidera nos resultados e ganharia a eleição no primeiro turno.

Com a pergunta “Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria?”, Jaques Wagner obteve 46% das intenções de voto. Paulo Souto, candidato do DEM, obteve 19% e Geddel Vieira Lima (PMDB), 11%. O candidato do PSTU, Carlos Nascimento alcançou 1% e os demais candidatos não pontuaram. Os votos brancos ou nulos somaram 9% e os indecisos 14%.

A diferença de Wagner e seus opositores é a maior registrada até agora. Proporcionalmente à subida do governador, Paulo Souto registra a maior queda e Geddel se mantém estável.

A pesquisa perguntou também em qual candidato os eleitores não votariam. O índice de rejeição é liderado por Paulo Souto, que somou 26%, seguido de Bassuma, que atingiu 20% de rejeição. Geddel Vieira Lima obteve 17%, Wagner 16% e Sandro Santa Bárbara (PCB), 15%; enquanto os candidatos Marcos Mendes (PSOL) e Carlos Nascimento (PSTU) atingiram 3% de rejeição. Para 22% dos entrevistados, se a eleição fosse hoje, eles não saberiam em quem votar e 15% responderam que votariam em todas as opções.

Avaliação – Para 15% dos entrevistados, a gestão de Jaques Wagner é considerada ótima. Já 38%, consideram a gestão do atual governador boa, 30% regular, 6% ruim, 4% péssima e 4% não souberam ou não quiseram responder. Ao comentar a pesquisa, Wagner afirmou que esta é a fotografia do momento e se disse feliz com o resultado. “Eu não me empolgo e não me abateria se o resultado fosse diferente. Continuarei trabalhando muito e fico feliz. Isto significa que a população está aprovando”, comemora.

Geddel afirmou que só terá algo para comentar quando começarem os debates e a propaganda eleitoral televisiva. “Quem está na frente comemora e quem está atrás trabalha para melhorar”, disse. Paulo Souto, que esteve no interior durante todo o dia, respondeu, por meio de sua assessoria, que o alto índice de indecisos aponta grande indefinição. “Nós realizamos uma pesquisa interna, não registrada, com 1.600 pessoas e Souto está em um patamar mais confortável”, garante o assessor João Paulo.

Bassuma, que não pontuou pela primeira vez, se mostrou surpreso com o resultado. “É uma pesquisa muito estranha, sem lógica, mas neste momento as pesquisas apontam o grau de conhecimento do eleitor com relação ao candidato. Não há ainda alguma definição”, argumenta.

Senado – Entre os candidatos ao Senado, César Borges (PR) lidera com 38% das intenções de voto, sendo seguido por Lídice da Mata (PSB), com 25%, e Walter Pinheiro (PT) com 23%. Brancos ou nulos somaram 19% e indecisos 48%.

Em nota divulgada pela assessoria da campanha da coligação “Pra Bahia seguir em frente” logo após o resultado da pesquisa Ibope, Lídice e Pinheiro afirmaram que seguem o padrão dos últimos institutos, com uma margem ainda grande de indecisos na intenção de votos ao Senado.

“É um bom patamar antes de começar o horário eleitoral, com um quadro de quase 50% de indecisos. Revela que cresceremos juntos, quanto maior for a assimilação da nossa campanha com o projeto de Lula, Dilma e Wagner. Agora, é levar a campanha de Pinheiro e Lídice para as ruas, essa é a pesquisa que vale, cair em campo”, afirmou Pinheiro.

Segundo Lídice, o governador Jaques Wagner tem uma posição consolidada, com mais votos que a soma dos concorrentes. “Por estarmos no mesmo time, acreditamos na minha vitória e na de Pinheiro. Temos uma tendência de crescimento e ainda nem entramos no programa eleitoral”, afirmou.

A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 26769/2010, entrevistou 1.008 pessoas entre 3 e 5 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Informação de 186739-300x212Larissa Oliveira, do A TARDE On Line