A Gente diz

Artigo: Eleição sem maquiagem

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Fernando Henrique Cardoso – O Estado de S.Paulo

O mundo continua se contorcendo sem encontrar caminhos seguros para superar as consequências da crise desencadeada no sistema financeiro. Até a ideia (que eu defendi nos anos 1990 e parecia uma heresia) de impor taxas à movimentação financeira reapareceu na voz dos mais ortodoxos defensores do rigor dos bancos centrais e da intocabilidade das leis de mercado. No afã de estancar a sangria produzida pelas exacerbações irracionais dos mercados, outros tantos ortodoxos passaram a usar e até a abusar de incentivos fiscais e benesses de todo tipo para salvar os bancos e o consumo.

Paul Krugman, mais recentemente, lamentou a resistência europeia à frouxidão fiscal. Ele pensa que o corte aos estímulos pode levar a economia mundial a algo semelhante ao que ocorreu em 1929. Quando a crise parecia acalmada, em 1933, suspenderam-se estímulos e medidas facilitadoras do crédito, devolvendo a recessão ao mundo. Será isso mesmo? É cedo para saber. Mas, barbas de molho, as notícias que vêm do exterior, e não só da Europa, mas também da zigue-zagueante economia americana e da letárgica economia japonesa, afora as dúvidas sobre a economia chinesa, não são sinais de uma retomada alentadora.

Enquanto isso, vive-se no Brasil oficial como se nos tivéssemos transformado numa Noruega tropical, na feliz ironia deste jornal em editorial recente. E em tão curto intervalo que estamos todos atônitos com tanto dinheiro e tantas realizações. Basta ler o último artigo presidencial no Financial Times. A pobreza existia na época da “estagnação”. Agora assistimos ao espetáculo do crescimento, sem travas, dispensando reformas e desautorizando preocupações. Se no governo Geisel se dizia que éramos uma ilha de prosperidade num mundo em crise, hoje a retórica oficial nos dá a impressão de que somos um mundo de prosperidade e o mundo, uma distante ilha em crise. Baixo investimento em infraestrutura? Ora, o PAC resolve. Receio com o aumento do endividamento público e o crescente déficit previdenciário? Ora, preocupação com isso é lá na Europa. Aqui, não. Afinal, Deus é brasileiro.

Só que a realidade existe. A prosperidade de uns depende da de outros no mundo globalizado. Por mais que estejamos relativamente bem em comparação com os países de economia mais madura, se estes estagnarem ou crescerem a taxas baixas, haverá problemas. A queda nos preços das matérias-primas prejudicará as nossas exportações, grande parte delas composta de commodities. A ausência de crescimento complicará a solução dos desequilíbrios monetários e fiscais dos países ricos e isso significará menos recursos disponíveis para o Brasil no mercado financeiro global. Não devemos ser pessimistas, mas não nos podemos deixar embalar em devaneios quase infantis, que nos distraem de discutir os verdadeiros desafios do País.

Infelizmente, estamos às voltas com distrações. Um cântico de louvor às nossas grandezas, de uma falta de realismo assustador. Embarcamos na antiga tese do Brasil potência e, sem olhar em volta, propomo-nos a dar saltos sem saber com que recursos: trem-bala de custos desconhecidos, pré-sal sem atenção ao impacto do desastre no Golfo do México sobre os custos futuros da extração do petróleo, capitalização da Petrobrás de proporções gigantescas, uma Petro-Sal de propósitos incertos e tamanho imprevisível. Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz. E o que se faz é graças a transferências maciças do bolso dos contribuintes para o caixa das grandes empresas amigas do Estado, por meio de empréstimos subsidiados do BNDES, que de quebra engordam a dívida bruta do Tesouro.

A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?

No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público – “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.

Esconde-se, assim, o que realmente está em jogo. Queremos aperfeiçoar nossa democracia ou aceitaremos como normais os grandes delitos de aloprados e as pequenas infrações sistemáticas, como as de um presidente que dá de ombros diante de seis multas a ele aplicadas por desrespeito à legislação eleitoral? Queremos um Estado partidariamente neutro ou capturado por interesses partidários? Que dialogue com a sociedade ou se feche para tomar decisões baseadas em pretensa superioridade estratégica para escolher o que é melhor para o País? Que confunda a Nação com o Estado e o Estado com empresas e corporações estatais, em aliança com poucos grandes grupos privados, ou saiba distinguir uma coisa da outra em nome do interesse público? Que aposte no desenvolvimento das capacidades de cada indivíduo, para a cidadania e para o trabalho, ou veja o povo como massa e a si próprio como benfeitor? Que enxergue no meio ambiente uma dimensão essencial ou um obstáculo ao desenvolvimento?

Está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa.

SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Discursos de Serra são registrados como programa de campanha no TSE

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A coligação O Brasil Pode Mais, formada por PSDB/DEM/PPS/PTB/PTdoB, registrou hoje (5) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um resumo dos principais pontos que o candidato José Serra defenderá na campanha presidencial. O documento de 13 páginas traz a íntegra dos discursos feitos por Serra no encontro nacional do PSDB, DEM e PPS, realizado no último dia 10 de abril, em Brasília (DF), e na convenção nacional do partido, em Salvador (BA), no dia 12 de junho. De acordo com o PSDB, o documento atende aos requisitos definidos pelo TSE, que pede que o programa básico da campanha esteja anexado aos documentos de registro. Correio Braziliene

Marina inicia viagens depois de temporada em São Paulo


Depois de passar um tempo em São Paulo para gravar programas eleitorais e coordenar a elaboração do programa de governo do Partido Verde, a candidata à Presidência do PV, Marina Silva, inicia esta semana as viagens pelo país. Ainda nesta terça-feira (6), está prevista para a tarde uma visita à Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde participará de um ato público. A coordenação de campanha da candidata está reunida para fechar um calendário de viagens de Marina Silva. De acordo com a assessoria da campanha, ainda esta semana, a candidata do PV irá a Minas Gerais. Ainda não foram fechados os compromissos que Marina Silva terá no Estado. (R7)

Dilma diz que chegou a hora de ir às ruas e promove caminhadas


Na larga oficial da campanha, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira que espera uma disputa de “alto nível, em que predomine o debate de ideias”. A petista escreveu em seu Twitter que, com uma discussão em torno de conteúdos, os eleitores terão oportunidade de escolher democraticamente seus candidatos. “Chegou a hora de ir às ruas. Queremos uma campanha de alto nível, em que predomine o debate de ideias para que o eleitor escolha democraticamente”, disse. Dilma convoca a militância a se engajar na campanha, prestigiando os eventos de rua. Essa é a aposta do partido para a candidatura ganhar fôlego enquanto o horário eleitoral na TV e no rádio não começa –o início está marcado para o dia 17 de agosto. (Folha)

Senado aprova incentivo ao cinema até 2016

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O Senado aprovou nesta manhã, em decisão terminativa da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a prorrogação até 2016 dos mecanismos de incentivo ao cinema nacional, confirmando parecer favorável do relator César Borges (PR-BA) para o projeto de lei 102/2010 de Francisco Dorneles (PP-RJ). Ao defender a aprovação da proposta, César Borges lembrou que a indústria cinematográfica brasileira precisa deste mecanismo para ter competitividade com produções de outros países, que também são apoiadas pelos governos e ainda se favorecem da escala de distribuição internacional.

A prorrogação altera a Lei do Audiovisual, de 1993, que permite descontos no imposto de renda de empresas que realizarem investimentos em produção cinematográfica adquirindo quotas de comercialização no mercado de capitais. Cerca de R$ 40 milhões financiam anualmente a atividade no país, graças a este mecanismo. “Esta realmente é uma iniciativa de grande importância para a cultura nacional e que merece nosso apoio”, defendeu César Borges, que teve o relatório aprovado por 13 votos a favor e nenhum contrário. A proposta agora vai a voto na Câmara dos Deputados.

TSE nega sete pedidos de liminar a pré-candidatos


Em mais uma ação contra a presença de candidatos ficha-suja nas eleições deste ano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, negou ontem sete pedidos de liminar em ações cautelares e recursos movidos por pré-candidatos de vários Estados. Eles buscavam afastar a inelegibilidade imposta pela Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar n.º 135/09). Segundo o ministro, “não havia argumento jurídico plausível para suspender as inelegibilidades”. Ao responder em maio a uma consulta formulada pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), o TSE já havia entendido que a Ficha Limpa deve ser aplicada já a partir das eleições de 2010 e alcança candidatos condenados antes da vigência da lei. (O Estado de S. Paulo)

César Lisboa deixa governo para assumir coordenação executiva de Wagner

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Secretário de Relações Institucionais Cezar Lisboa

A menos de três meses das eleições, o governador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, poderá mexer, mais uma vez, segundo informações de bastidores, no seu secretariado. A última modificação aconteceu no dia 30 de março mas, com a proximidade das eleições, o chefe do executivo estadual pretende retirar um secretario de Estado para coordenar sua campanha ao Palácio de Ondina. O títular da pasta, segundo fontes ligadas ao governo, que deve assumir a coordenação de campanha, ainda essa semana, é o secretário de Relações Institucionais, César Lisboa, professor licenciado da Uesb, que assumiu no lugar de Rui Costa, hoje candidato a deputado federal. O Política Livre entrou em contato com o secretário de Comunicação, Robinson Almeida, para confirmar a notícia, mas o títular não quis tecer comentários. Questionado sobre a especulação de seu nome para assumir a coordenação, Robinson assegurou, entretanto, que fica no governo. Estão cotados para substituir César Lisboa o secrétario Edmon Lucas,  Aderbal de Castro subsecretário de Educação, Marcos Lima, Clovis também da Educação e o atual chefe de gabinete da SERIN. (Fernanda Dourado)

Manu Dias/AGECOM

TELMA BRITTO ASSUME INTERINAMENTE O GOVERNO

Desa_ Telma Brito

O governador Jaques Wagner embarca nesta quarta-feira (7) para a África do Sul, para integrar a comitiva do presidente Lula, e participar do ato em que ocorrerá a passagem do bastão de comando da Copa do Mundo para o Brasil, em 2014, na final do mundial, dia 11. Como o segun e o terceiro na linha sucessória são candiatos, a presidente do TJ-BA, desembargadora Telma Britto, assumirá o governo da Bahia. Confira os detalhes na Coluna Justiça!

CANDIDATOS ASSUMEM AS PROMESSAS NO TSE


Os candidatos ao Governo do Estado da Bahia tiveram que assumir o compromisso de, caso eleitos, cumprir as promessas eleitorais encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no momento do registro da candidatura. Trata-se do cumprimento de uma nova regra eleitoral, que obriga os candidatos a oficializar o programa de campanha. Os textos, que serão publicados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), poderão municiar futuras ações judiciais contra eleitos que não cumprirem promessas. Entre as diretrizes do programa de governo de Jaques Wagner (PT) que foram divulgadas, está o desenvolvimento democrático, com a proposta de “crescer repartindo”. As ações de inclusão social, através das parcerias com o governo Federal, permanecem na linha de frente. No registro de Geddel Vieira Lima (PMDB), entre as prioridades está um programa na área econômica para reduzir as desigualdades regionais, através de requalificação de políticas públicas nas diversas áreas da gestão estadual. O peemedebista promete ainda a reestruturação da malha rodoviária, além de prever a reformulação completa de todo o sistema de Segurança Pública. A aposta de Paulo Souto está em mostrar que a Bahia perdeu espaço nacionalmente e que é possível retomar o crescimento. Para tanto, a articulação da campanha elaborou um projeto denominado “Soluções”. A ideia é levantar as demandas da população baiana e tentar apresentar propostas que possibilitem colocá-las efetivamente em práticas.

CAMPANHA DE GEDDEL AO GOVERNO SERÁ A MAIS RICA -ACESSE LINKS – APONTANDO O MOUSE NA FOTO DO CANDIDATO

O candidato ao Governo pelo PMDB, Geddel Vieira Lima, declarou uma previsão de gastos com a campanha eleitoral de R$30 milhões, ao registrar sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), nesta segunda-feira (5). O valor é 15,3% superior ao que pretende gastar o governador Jaques Wagner (PT) – R$ 26 milhões. Em 2006, Wagner previu gastos em torno de R$12 milhões. Em terceiro lugar no ranking das campanhas mais ricas, está o ex-governador Paulo Souto (DEM), com R$ 20 milhões, contra R$ 10,8 milhões de 2006. Nos quatro anos, a inflação acumulada foi de 22%, mas os gastos com a campanha de ambos dobrou. Os coordenadores ressaltam que este valor pode variar para mais ou menos. O valor se refere somente ao 1° turno da campanha eleitoral.

Artigo: O controle das Eleições!

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A eleição presidencial mais controlada pelo grande capital, desde o restabelecimento das eleições diretas no país, se aproxima de seu calendário oficial. Por uma das inúmeras deformações do processo eleitoral, o que assistimos até o momento atende pelo eufemístico nome de pré-campanha.

Formalmente, somente após as convenções dos partidos – que devem se realizar até o dia 30 de junho – e da data de 6 de julho as campanhas podem se assumir como tais. O que assistimos, portanto, até o momento foram eventos pré-eleitorais, independentemente da máquina do governo federal ou do aparato do PSDB estarem a pleno vapor, com os seus respectivos candidatos, Dilma e Serra.

As eleições se encontram sob o controle do grande capital, pois o outrora contestador PT se encontra mais domesticado do que cachorrinho de circo. O candidato da oposição, José Serra, pertence ao confiável PSDB, partido responsável pela consolidação do modelo liberal-periférico ou neocolonial, como queiram, em curso no país desde o atribulado e instável governo de Collor.

Delfim Neto, o ex-czar econômico da ditadura militar, e conselheiro informal do atual presidente, já afirmou por mais de uma vez que “Lula salvou o capitalismo no Brasil”. Exagero. O que Lula, o PT e os seus aliados históricos fizeram foi salvar justamente o modelo econômico baseado na dita abertura econômica e que se traduz no continuado processo de abertura financeira, comercial, produtiva e tecnológica do país.

Outra aberrante característica do momento é que a mídia dominante já realizou uma espécie de prévia eleitoral. Além dos dois candidatos já mencionados, a oligarquia que controla os principais meios de comunicação do país incluiu dentre os seus eleitos a eco-capitalista Marina Silva. Talvez pelo seu esforço de também se mostrar mais do que bem comportada frente aos donos do dinheiro, da terra e da mídia.

Marina, na busca dessa bem comportada imagem, se coloca capaz de – caso eleita – juntar o melhor do PT e do PSDB em seu governo, e vir a ser também “uma grande solução para o agronegócio”. Parece que vai longe o tempo em que os verdes se colocavam a favor da agroecologia.

Para quem lê qualquer dos jornais de maior circulação, ou assiste a noticiários de TV, percebe-se com clareza a existência imposta desses três citados candidatos. É dentro desse contexto que devemos compreender o esforço realizado nos últimos dias por intelectuais considerados de esquerda e que procuram justificar o apoio a Dilma como a melhor opção para o país. Mais do que isso, procuram apontar o imenso equívoco que representa não apoiar o PT e seus aliados nesse momento. Até mesmo a célebre divisão entre a social-democracia alemã e os comunistas daquele país, no início dos anos trinta, e que acabou por facilitar a ascensão de Hitler ao poder, é lembrada para justificar a posição favorável ao apoio à candidata do Planalto.

Procurando respaldar essa visão, de forma mais consistente, encontramos análises que destacam que o atual governo promoveu a reinserção internacional do Brasil na economia global, com uma ativa política de integração regional e alianças estratégicas com os países do hemisfério sul. Como exemplo, cita-se o fato de a China ter se tornado o nosso principal parceiro comercial, com a América do Sul em segundo lugar e os Estados Unidos sendo deslocado para um modesto terceiro plano.

Esse tipo de abordagem desconsidera que o capital procura a sua valorização de acordo com condições objetivas de rentabilidade, o que não deve ser confundido com qualquer tipo de viés ideológico ou político. A China hoje, além de promover uma formidável expansão de sua infra-estrutura econômica, o que demanda a importação, por exemplo, do nosso minério de ferro, abriga um diversificado setor de bens de consumo duráveis e não-duráveis, que se deslocou dos Estados Unidos para aquele país. Há, inclusive, analistas que consideram que as mais de setenta mil filiais de empresas norte-americanas operando em território chinês consolidam uma integração produtiva sino-americana que conforma uma solidez estratégica entre esses dois países, que em muito extrapola a propalada relação do Estado chinês com a dívida pública do Tesouro americano.

Mas, especialmente, é uma análise que procura desconsiderar a nossa real inserção na economia global. Nossa presença comercial no mundo se baseia no modelo agro-mineral-exportador, tão criticado historicamente pela esquerda e por todos os setores que já alimentaram a esperança do estabelecimento no Brasil de um autêntico projeto nacional de desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, com nossa estrutura produtiva cada vez mais desnacionalizada, importamos máquinas, equipamentos, peças e componentes industriais ao sabor das definições estratégicas das matrizes das corporações estrangeiras, aqui presentes através de suas filiais.

E para financiarmos tudo isso, para sustentarmos essas importações e as elevadas remessas de lucros e dividendos para os controladores externos de nossa economia, a devastação promovida pelo agronegócio, por mineradoras e siderúrgicas de produtos semi-elaborados ganha a sua funcionalidade, através de nossas exportações.

Levando-se em conta a importante agenda da integração latino-americana, um mínimo de cuidado analítico também se faz necessário. Não podemos confundir aspectos da política diplomática do governo Lula – efetivamente importante para vários governos reformista-revolucionários de nossa América – com o conjunto da nossa política externa.

Na América Latina, o furor e impetuosidade de multinacionais brasileiras já colocaram em rota de choque o governo Lula com governos efetivamente comprometidos com a transformação de seus países. Foi o caso, por exemplo, do conflito entre o governo do Equador e a Construtora Odebrecht, por ocasião do rompimento de uma represa construída pela empresa naquele país, onde o governo brasileiro e suas lideranças no Congresso – com o apoio do DEM – assumiram a firme defesa dos interesses da empreiteira brasileira.

Outro exemplo importante é dado pela política de financiamentos do BNDES para grandes projetos, de interesse das construtoras brasileiras. Além de internamente o BNDES ser hoje o principal agente financeiro da predação ambiental em nosso país, na América Latina o papel do Banco segue os mesmos passos.

Somente na Amazônia peruana, a previsão é que se construam seis usinas hidroelétricas, de total interesse das empreiteiras brasileiras, na procura de alternativas de negócios que escapem dos controles que nossa legislação ambiental procura estabelecer. Além disso, são projetos que obedecem às estratégias de infra-estrutura elaboradas pelo Banco Mundial para a região, dentro da concepção de se criarem melhores condições para a exportação de produtos primários para as economias centrais.

E essa política do BNDES na América Latina não pode também ser desvinculada dos obstáculos que o governo brasileiro coloca para a consolidação do Banco do Sul. Proposta como instituição de fomento relevante na região e instância para uma maior e necessária integração financeira entre os nossos países, fora da área de intervenção do FMI, Banco Mundial, BID – instituições que encarnam sobremaneira os interesses norte-americanos –, é sabida a oposição brasileira a esses propósitos.

E isso tudo sem também deixar de mencionar a presença das tropas brasileiras no Haiti, ou o recém acordo militar Brasil-Estados Unidos, rompido desde o governo Geisel, e agora restabelecido – sem um mínimo de transparência – pelo atual governo.

São muitos os exemplos, portanto, que colocam em xeque a ingênua, ou oportunista, abordagem que simplifica a análise mais substantiva da política externa brasileira. Por fim, não poderia também deixar de mencionar o argumento que destaca que acima de tudo o governo Lula priorizou o social.

Prioridades de governo se refletem, necessariamente, nos seus respectivos orçamentos. E é impossível acreditar que um governo que prioriza o pagamento de juros e amortizações, como é o caso atual, tenha tido condições de colocar as políticas sociais em um plano relevante.

O que tivemos, de fato, foi o aprofundamento da outrora também criticada focalização de políticas sociais nos setores mais vulneráveis do nosso povo. Política importante, para o atendimento aos mais carentes, mais miseráveis. Mas absolutamente insuficiente para o que precisamos: políticas universais e de alta qualidade para o conjunto do nosso povo.

Ao contrário, continuamos a assistir – em termos de educação, atendimento de saúde, transportes públicos, segurança ou habitação popular – a uma perigosa degradação.

Paulo Passarinho é economista e membro do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.

Candidatos iniciam campanha na Bahia

Os partidos e coligações têm até hoje para registrar seus candidatos e a base dos programas de governo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Após as conversões e fechamento das chapas majoritárias e proporcionais, agora serão iniciadas efetivamente as campanhas. As intensificações das ações de marketing não são apenas motivadas pelo triste fim da trajetória da seleção brasileira na Copa da África.

A principal razão para o levantamento das bandeiras e slogans é a autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que as campanhas comecem. A única restrição que permanece é o horário eleitoral em rádio e tevê, que terá inicio em 17 de agosto.

As coordenações de campanha fecham os últimos detalhes para ganhar os votos dos eleitores. As estratégias estão sendo montadas para explorar os pontos fortes de cada candidato, sem deixar de expor as fragilidades dos adversários. Para a reeleição do governador Jaques Wagner, o Partido dos Trabalhadores aposta suas fichas na continuação da parceria com o plano federal.

No entanto, os líderes do outro palanque da presidenciável petista Dilma Rousseff prometem demonstrar o grau de entrosamento entre o seu candidato Geddel Vieira Lima (PMDB) e a candidata do presidente Lula.

Correndo contra esta corrente, vinculada ao governo Lula, está a coligação DEM / PSDB, que pretende explorar o currículo dos candidatos majoritários da aliança, com foco na experiência de dois mandatos do ex-governador Paulo Souto. Os olhos da chapa também estão no capital eleitoral do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007.

O candidato Paulo Souto revelou, através de sua assessoria de imprensa, que a campanha começou com um programa denominado “Soluções”. Segundo ele, os coordenadores desse projeto já percorreram diversos municípios do estado levantando as principais demandas da população, dos empresários e dos comerciantes locais. “Fomos o primeiro grupo a registrar o esqueleto do programa de governo, porque já estávamos ouvindo as pessoas”, explicou.

Souto ressalta a iniciativa do grupo político, que, segundo ele, entendeu a derrota nas eleições de 2006 como uma sinalização do que deveria mudar ou ser aperfeiçoado na concepção de gestão destes partidos. A assessoria revela que a campanha vai mostrar para os baianos que Paulo Souto é um candidato confiável, que cumpre as promessas feitas. “Não existe uma cidade da Bahia em que não podemos mostrar obras realizadas por Souto”, argumenta.

Questionado sobre o que muda a partir de amanhã, o democrata disse que o partido vai iniciar a distribuição de panfletos nas viagens, coisa até então proibida. “As reuniões antes mais fechadas agora vão ser abertas. Não faremos muitos comícios, mas vamos intensificar o corpo a corpo com a população através de caminhadas”, acrescenta. Outro ponto na estratégia de campanha será a exploração dos sites e redes de relacionamento. “Paulo Souto já tem site e twitter, agora vamos criar os do candidato Paulo Souto.

Além do facebook e orkut, planejamos estar presentes em todos os espaços”, garante. À frente da campanha democrata está a jornalista capixaba Beth Rodrigues, que traz em seu currículo quatro candidatos eleitos consecutivamente para o governo do Espírito Santo.

PMDB quer mostrar “o novo”

Já o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) vai ter a sua campanha elaborada pela mesma equipe de marketing que trabalhou na reeleição do prefeito João Henrique, em 2008. Liderada pelo marqueteiro Mauricio Carvalho, conhecido como Maurição, da agência Ideia 3. De acordo com o presidente estadual da legenda, Lúcio Vieira Lima, a estratégia de seu irmão é direta.

“O que queremos mostrar para a população é que Geddel vai chegar e resolver”, afirma. Para isto, os peemedebistas e seus aliados apostam na qualificação do candidato para debates e na exposição da história de Geddel como deputado e ministro. De acordo com Lúcio, as mídias sociais foram fundamentais na pré-campanha.

“Agora vamos incorporar todas estas ferramentas à campanha. Lançaremos o site do candidato, diferente do pessoal que existe atualmente, com os programas do governo”, revela.

Os coordenadores da campanha vão tentar ainda aproximar a imagem de Dilma com a de Geddel e diminuir a possível identificação do eleitorado de Lula com Wagner. “Queremos que fique claro para a população que Geddel é o único candidato que representa uma esperança para Bahia. Ele vai chegar e resolver”, concluiu Lúcio.

PT aposta na parceria com Lula

A equipe do atual governador e candidato à reeleição Jaques Wagner já trabalha no sentido de levantar as principais diferenças entre a gestão do petista e a dos governos anteriores do ex-PFL, atual DEM. De acordo com o presidente estadual da legenda, Jonas Paulo, a disputa entre dois projetos antagônicos será demonstrada para a população.

“Nós estamos trazendo desenvolvimento para o estado, sem privatizar como fizeram os outros no âmbito nacional e estadual”, ressalta.

Segundo ele, os avanços do governo Wagner, em consonância com o do país, promovido pelo presidente Lula, serão demonstrados. “Nossa coligação é formada por oito partidos e todos apoiam Dilma”, alfinetou Jonas Paulo, expondo as legendas da base de Geddel que apoiam outros candidatos na corrida presidencial. A aliança petista foi batizada de “Para a Bahia seguir em frente”.

A coordenação executiva da campanha também aposta nas redes sociais, tanto que criou um núcleo próprio para administrar as ferramentas das novas tecnologias como twitter, orkut e facebook, que são vistas como fundamentais para a campanha dos petistas.

Outra aposta para a reeleição de Wagner é o trabalho realizado nos Territórios da Cidadania, que, segundo Jonas, demonstram a atenção do governo do estado com o interior. “Somos o único estado do país com este tipo de programa e vamos mostrar isto”, afirmou o petista. A campanha será desenvolvida pela agência Layout.

Publicada: 05/07/2010 00:06| Atualizada: 04/07/

Seis das piores notas do Ideb foram na Bahia
Publicada: 05/07/2010 07:48| Atualizada: 05/07/2010 07:48

Dos 5.404 municípios avaliados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), 84,9% atingiram as metas estabelecidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no ano passado, levando em conta as séries iniciais do ensino fundamental das escolas da rede pública.

Dos 11 municípios com as piores notas nas séries iniciais do ensino fundamental, seis estão na Bahia, dois no Piauí, dois na Paraíba e um no Pará. Dos 13 municípios com as notas mais altas, sete estão em São Paulo, cinco em Minas Gerais e um no Rio Grande do Sul.

O pior resultado da avaliação realizada no ano passado foi registrado pelo município de Apuarema, com nota 0,5. A cidade fica no sul da Bahia, a 320 quilômetros de Salvador. A secretária de Educação do município, Zaira dos Santos, mostrou-se surpresa com o resultado, mas não quis comentar os motivos do baixo desempenho.

A nota mais alta foi no município paulista de Cajuru, no nordeste do estado, a 360 quilômetros da capital. Lá, a média das notas das escolas da rede pública ficou em 8,6.

O Ideb foi criado em 2005 para medir a qualidade do ensino público no país e é calculado a cada dois anos, levando em conta as notas da Prova Brasil e os índices de reprovação. O Inep estabeleceu metas de qualidade que devem ser atingidas pelo país, pelos estados, municípios e pelas escolas. O objetivo é que a média nacional chegue a 6 em 2021.

Segundo  o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Eduardo Sanches, as regiões com melhor desempenho no Ideb são aquelas que contam com  uma boa infraestrutura de prédios, biblioteca e acesso à internet, além de melhores salários e carreira adequada. “Quando há esses insumos, é possível colher resultados melhores. Há uma relação direta entre padrão mínimo de qualidade e resultado do Ideb. Isso está comprovado pela terceira vez”, avalia o dirigente.

Piores notas:

Município Ideb 2009

Apuarema (BA) 0,5

Chaves (PA) 1,4

Pedro Alexandre (BA) 2,0

Nilo Peçanha (BA) 2,1

Manoel Vitorino (BA) 2,1

Duas Estradas (PB) 2,2

Santa Inês (PB) 2,2

São Félix do Piauí (PI) 2,2

Dario Meira (BA) 2,2

Pilão Arcado (BA) 2,2

Bonfim do Piauí (PI) 2,2

Melhores Notas:

Município Ideb 2009

Cajuru (SP) 8,6

Claraval (MG) 8,2

Neves Paulista (SP) 8,1

Fernão (SP) 8,0

Itajobi (SP) 7,5

Rubinéia (SP) 7,5

Cândido Rodrigues (SP) 7,5

José Raydan (MG) 7,5

Soledade de Minas (MG) 7,4

Marapoama (SP) 7,3

Pedra do Indaiá (MG) 7,3

Dois Lajeados (RS) 7,3

Gonçalves (MG) 7,3

Luiz Fernando Lima