
Os principais pré-candidatos à Presidência, José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), voltarão a se encontrar nesta terça-feira para uma nova sabatina. Dessa vez, o evento, que acontece em Brasília, será organizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Essa será a terceira sabatina com os três. O primeiro pré-candidato começa seu discurso de 25 minutos às 10h35. Haverá uma sessão de perguntas e repostas de 30 minutos. A CNI também programou uma entrevista coletiva de 50 minutos para cada um. A ordem das falas será sorteada. Não está previsto um debate direto entre os pré-candidatos. Como fez nas duas últimas eleições, a entidade entregará um documento de 227 páginas — “Indústria e o Brasil – uma agenda para crescer mais e melhor”– com propostas e pedidos do setor industrial. Informações da Folha.
Professores da rede estadual páram por 24hs e fazem protesto no TJ
As escolas da rede estadual amanheceram fechadas na manhã desta terça-feira, 25, por conta da paralisação de 24 horas dos professores. A categoria fará manifestação em frente ao Fórum Ruy Barbosa, no Campo da Pólvora, em Salvador, às 9 horas. Eles querem pressionar o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) a acelerar o julgamento do pagamento da conversão da URV para a atual moeda, o real, com juros e correção desde 1999. O sindicato dos professores (APLB) diz que o processo já foi julgado favorável aos docentes, mas o governo entrou com embargo. O presidente do sindicato, Rui Oliveira, também diz que tem um passivo trabalhista a ser pago de 11,9% desde 14 de junho de 1999, acrescido de 0,5% de juros ao mês e correção monetária. (A Tarde)
Empresa apresenta soluções para infraestrutura da Copa 2014
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Gerdau realiza ciclo de palestras pelo Brasil
Da redação
A Gerdau organiza uma série de palestras sobre as oportunidades de negócios voltados à Copa do Mundo de 2014, no Brasil. O objetivo é mostrar aos clientes e parceiros as soluções da empresa para a construção e modernização das praças esportivas, e as possibilidades de melhorias na infraestrutura nas cidades-sede do evento.
O roadshow acontece em São Paulo, no dia 27 de maio; no RJ, em 8 de junho, e em BH, no dia 9 de junho. A rodada de palestras é uma parceria entre a Gerdau, o CBCA – Centro Brasileiro da Construção em Aço e o Instituto Aço Brasil.
Especializada em soluções industrializadas para a construção civil, a Gerdau quer mostrar que está preparada e com capacidade instalada para atender a demanda a ser gerada pelo mercado por obras para a Copa do Mundo. Além das arenas, a Fifa considera nove pontos essenciais na preparação do país-sede: mobilidade urbana, portos e aeroportos, hotelaria, energia, telecomunicações, rede hospitalar, saneamento e segurança.
Serviço:
Ciclo de Palestras Gerdau
São Paulo: dia 27/5, às 14h
Hotel Renaissance – Alameda Jaú, 1620
Inscrições gratuitas
FTC – INFORMA: Curso de estatística incentiva pesquisa na FTC Conquista
Curso de estatística incentiva pesquisa na FTC Conquista

FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – FTC
Curso de estatística incentiva pesquisa na FTC Conquista
Ministrado pelo renomado professor doutor Dartagnan Pinto Guedes, o curso de estatística “Análise de Dados Aplicados à Ciência da Saúde” reuniu pesquisadores na FTC Conquista. Professores, estudantes e funcionários se dedicaram a aprender sobre base de dados, comparação e correlação entre outros assuntos.
O professor Dartagnan apresentou o software Statistical Package for the Social Sciences – SPSS, que permite o gerenciamento e a análise estatística de dados. Além disso, falou sobre as formas de obter dados para uma pesquisa e como usar esses dados. “Numa pesquisa, nenhum dado coletado pode ser descartado. E um projeto pode dar origem a outro, que norteiam a carreira do pesquisador”, comentou.
“Foi um curso maravilhoso. Aprendemos a desenvolver a pesquisa, por conhecer e dominar a ferramenta”, avaliou o professor Clóvis Piau, um dos participantes do curso. As aulas foram realizadas nos dias 21, 22 e 23 de maio.
A iniciativa de oferecer o curso partiu da Diretoria da FTC Conquista, em função de instrumentalizar a comunidade acadêmica para a pesquisa. O professor Dartagnan Pinto Guedes é doutor em Educação Física pela escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.
Foto:
http://www.4shared.com/photo/C-xk4y2j/dartagnan_turma.html
Sugestão de entrevistas:
Professor Sérgio Magalhães. Diretor de Campos da FTC Conquista.
Outras informações e solicitações:
Shirley de Queiroz – Assessora de Imprensa
(77) 3083 9655 e 3422 8801
Sistemas de Informação
Regulamentação da profissão é tema de debate na FTC Conquista
A regulamentação da profissão será tema de debate entre estudantes de Sistemas de Informação e profissionais, nesta terça-feira (25), no Auditório Pedro Gusmão, na FTC Conquista. Promovido pela turma de sétimo semestre, o debate será realizado a partir das 20h30.
“O debate é para discutir aspectos da regulamentação da profissão da área de Computação e Informática”, adianta o coordenador do curso de Sistemas de Informação, professor Gidevaldo Novais.
Profissionais de outras áreas vão participar da discussão, e apresentar aos estudantes os aspectos das profissões regulamentas em comparação àquelas que não são, ou que deixaram de ser regulamentadas.
Brasil vai dominar nos próximos meses o ciclo industrial completo do urânio, revela oficial da Marinha
O Brasil está pronto para dominar o ciclo nuclear completo em escala industrial. A inauguração da primeira fase da Usina de Hexafluoreto de Urânio (Usexa), prevista para este ano, permitirá que o país atue em todas as etapas do beneficiamento do mineral radioativo, desde a extração até a fabricação do combustível nuclear em grande proporção. Com isso, o Brasil fica independente de outros países no processo de enriquecimento, garantindo suprimento para as usinas nucleares e também para o futuro submarino nuclear. A informação foi divulgada pelo coordenador do Programa de Propulsão Nuclear da Marinha, capitão de mar e guerra André Luis Ferreira Marques. A Agência Brasil teve acesso exclusivo ao Centro Tecnológico da Marinha, no complexo militar de Aramar, em Iperó (SP), onde fica a Usexa, e constatou o ritmo acelerado das obras. Na mesma área estão sendo construídos os prédios do Laboratório de Geração Nucleoelétrica (Labgen), responsável pela fabricação do reator do futuro submarino nuclear. (Agência Brasil) 24 de Maio de 2010Tamanho da letra
Eleitor corre risco de ser multado se fizer propaganda antes de julho
Num cenário em que o presidente Lula está em campanha eleitoral desde o ano passado divulgando a pré-candidatura à Presidência da República da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT), multar o eleitor que manifesta a sua simpatia por um candidato parece excessivamente rigoroso. Mas é exatamente essa punição que a legislação sobre propaganda eleitoral prevê para o eleitor que fizer, por exemplo, uso de adesivos ou faixas antes do dia 6 de julho. A multa varia de R$ 5 mil a R$ 25 mil. Na Bahia, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) já ingressou com seis representações na Justiça Eleitoral contra pessoas que afixaram em seus veículos adesivos com o nome de pré-candidatos. Os casos ainda não foram julgados, mas em um deles – que trazia o adesivo com a mensagem: “Paulo Souto. Nesse eu confio” –, a Justiça deu liminar determinando a retirada da propaganda ilegal. Para o procurador regional eleitoral, Sidney Madruga, não há dúvida de que se trata de propaganda irregular. “Ele (o eleitor) está funcionando como cabo eleitoral do candidato e fazendo propaganda eleitoral fora da hora”, assinala Madruga, informando que a lei pune tanto o responsável pela propaganda antecipada como o beneficiário, no caso o candidato. ( A Tarde)
Secretário Jorge Solla teve demissão solicitada por deputado oposicionista

“Publicada na edição deste domingo do jornal A Tarde, a excelente reportagem dos jornalistas Regina Bochicchio, Thaís Rocha e Felipe Dieder sobre fraudes nos casos de dispensas de licitações na secretária estadual de Saúde (Sesab) deveria ser a gota d’água para a demissão do secretário Jorge Solla. A afirmação foi feita hoje pelo deputado estadual Heraldo Rocha (DEM). Para o líder oposicionista na Assembléia Legislativa, diante de tantas evidências de irregularidades na gestão da Sesab, levantadas pela oposição e pelo Ministério Público nos últimos 3,5 anos, não cabe outra atitude ao governador Jaques Wagner senão exonerar Jorge Solla do cargo de secretário da saúde. “De outra forma, estará o governador assumindo a responsabilidade por tudo de irregular que vem ocorrendo na secretaria de seu governo”, afirma.
REMÉDIOS SIMILARES ENFRENTAM RESISTÊNCIA MÉDICA
Os medicamentos similares, apesar de dominar as vendas de remédios no Brasil, com 65% do mercado, dividem a opinião dos médicos a respeito da sua eficácia. Enquanto alguns especialistas dizem que esses remédios são seguros e confiáveis, outros são mais resistentes e evitam receitá-los para seus pacientes. Os similares possuem o mesmo princípio ativo, na mesma quantidade e com as mesmas características que o medicamento original, mas apenas os genéricos possuem a mesma eficácia clínica e a mesma segurança que os medicamentos de referência e, por isso, são considerados seus equivalentes terapêuticos.
Negócios na China Missão baiana se reúne com empresários dos Emirados Árabes
Depois de participar de diversos encontros com empresários chineses, em Shandong, Jinan e Pequim, e de ter instalado um escritório de negócios da agropecuária baiana na China, a missão da agropecuária baiana na Ásia, chefiada pelo secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles e pelo superintendente de Política do Agronegócio, Jairo Vaz, a comitiva se reúne em Dubai, neste domingo (23), com empresários dos Emirados Árabes, interessados em investir na Bahia.
De acordo com Jairo Vaz, os empresários querem conhecer a Bahia por acreditar no potencial agropecuário do Estado. “Eles mostram interesse em investir na soja, no algodão, nas frutas e na pecuária. Nesse encontro, vamos abrir caminhos para o surgimento de novos negócios”, acredita o superintendente. Ele observa que a vinda de empresários estrangeiros para a Bahia vai gerar empregos e aquecer a economia.
Na avaliação de Vaz, o estreitamento das relações entre Brasil e China vai estimular a vinda de agroindústrias para a Bahia, o que contribuirá para a verticalização das cadeias produtivas. Além disso, continua ele, a instalação do escritório de negócios em Pequim vai aumentar a possibilidade de novos investimentos na agropecuária baiana. “Os empresários estão confiantes no potencial da Bahia e na geração de bons negócios. O escritório dará sequência às negociações feitas, além de ser uma garantia para o empresariado de que o governo baiano, através da Seagri, está dando todo o apoio”.
Um dos membros da comitiva baiana, Henrique Almeida, presidente da Associação dos Produtores de Cacau, APC, classifica a instalação do escritório de negócios em Pequim como uma ação das mais importantes, “uma verdadeira virada de mesa do agronegócio”. “A Bahia se estabelece como o primeiro estado do País a conseguir um feito desse. Acredito que será mais fácil e seguro se travar novos negócios”, diz.
Para Suemi Koshiama, diretor-presidente da Special Fruit e representante do Instituto da Fruta, a Missão China representou o primeiro passo de aproximação entre a China e o Brasil. “A China consome muito e tem alto poder aquisitivo. A sinergia de negócios entre os dois países é boa. A semente foi plantada, e estamos abrindo caminhos com a instalação do escritório de negócios”, pontua.
O grupo retorna a Salvador na manhã de terça-feira (25), trazendo na bagagem planos e compromissos de parceria com o empresariado chinês. No dia 28 deste mês, a vice-governadora de Shandong, Wang Suilian, retribui a visita e participa no Hotel Pestana, ao lado do governador Jaques Wagner e de Salles, da implantação de 12 câmaras setoriais, passo fundamental para a elaboração do planejamento estratégico para a agropecuária baiana para os próximos 20 anos.
Fonte:
Rodrigo Vilas Bôas – DRT Ba 2368
Imprensa/Seagri – (71) 3115-2737 / 2767
22/02/2010
Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária(Seagri)
Assessoria de Imprensa
Fones: (71) 3115-2737 / 2767 / 2794
Site: www.seagri.ba.gov.br
E-mail: [email protected]
“ Estudo de tendências de uso de internet nas pequenas e médias empresas da América Latina” Web é meio de propaganda para 60% das pequenas empresas “
Cerca de 60% das pequenas e médias empresas latino-americanas que administram um site próprio se servem das possibilidades oferecidas pela internet para fazer propaganda de seu trabalho empresarial, segundo revelou um relatório encomendado pelo Google e apresentado neste sábado (22) em Bogotá.
Das 3.600 pequenas e médias empresas de países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México (que foram entrevistadas pela empresa de consultoria Pyramid Research para o Google), 86% contam com um site, o que permitiu identificar o grau de vinculação destas empresas com a internet.
As pequenas e médias empresas da região sem site, que correspondem a 14% das consultadas, confirmaram que utilizam alguma forma a publicidade on-line ou que têm a intenção de fazê-lo nos próximos meses.
Dentre os tipos de publicidade às quais pequenas e médias empresas recorrem estão os anúncios contextuais e em buscadores (como Google ou AdWords); os gráficos (como banners); e anúncios multimídia.
Por outro lado, o “Estudo de tendências de uso de internet nas pequenas e médias empresas da América Latina” ressaltou que apenas 18% dos sites de pequenas e médias empresas permite, atualmente, as transações on-line.
Os dados sobre publicidade e comércio eletrônico refletem, segundo este reporte, que aumentou o interesse das pequenas e médias empresas latino-americanas em incorporar as ferramentas de internet entre suas estratégias, mas que “muitas estão ainda começando”.
“Observamos um tremendo potencial para a adoção de ferramentas on-line entre as pequenas e médias empresas da região”, considerou o diretor de vendas on-line do Google América Latina, John Ploumitsakos. “Cerca de 31% da população da América Latina e do Caribe utiliza internet.”
Para o executivo, “o consumidor está pedindo novas funcionalidades e maiores opções no comércio eletrônico, logo, os comerciantes tradicionais devem seguir a tendência traçada pelo usuário para não ficar fora do jogo”.
As pequenas e médias empresas latino-americanas representam 95% do total de empresas da região e se levantaram como os motores e grandes geradores de emprego da economia regional, segundo reconheceu o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, o março passado.
O Brasil lidera com 29% a lista de países de maior adoção de comércio eletrônico em sites da internet, seguido pela Colômbia, onde 23% de pequenas e médias empresas implementaram ferramentas para desenvolver o comércio eletrônico.
Chile, México e Argentina os seguem com menores níveis de envolvimento.
O estudo da Pyramid Research mostrou que não só o nível de aproveitamento tecnológico poderia ser melhorado, mas também concluiu que, “em termos gerais, a sofisticação tecnológica na América Latina continua sendo baixa”.
“As pequenas e médias empresas precisam otimizar seus sites na internet, habilitar funcionalidades que permitam uma maior interatividade, assim como utilizar as diferentes ferramentas disponíveis para fazer propaganda on-line”, destacou Ploumitsakos.
Entrevista Coletiva candidato ao governo baiano Geddel Vieira Lima
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Razões do mal: a confissão da bruxa
da Revista Veja
A procuradora Vera Lúcia, acusada de torturar a menina que pretendia adotar, tenta justificar sua crueldade culpando a criança. Uma testemunha afirma que ela também batia na mãe. Como uma bruxa má, não demonstra nenhum arrependimento e sua lógica é a da desrazão
Os contos de fadas, cujos heróis enfrentam bruxas malvadas e lobos maus, inevitavelmente acabam bem. São uma forma de as crianças encararem e exorcizarem seus medos e angústias, dizem os psicanalistas. Mas, só no Brasil, há milhares de meninos e meninas que descobrem, desde muito cedo, que bruxas malvadas e lobos maus podem existir de verdade – e, pior, habitar a casa onde eles moram. A procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, de 66 anos, é uma dessas bruxas malvadas de carne e osso. Presa de número 323?010 do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, ela se entregou à polícia depois de passar oito dias foragida, acusada de torturar com frieza e fúria uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda. Na semana passada, Vera Lúcia falou a VEJA.
A PROCURADORA VERA LÚCIA admitiu ter chamado T.E. de “cachorra”: “Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Perdi a paciência”
Estava vestida com o uniforme das presidiárias – blusa branca de malha, calça azul e chinelos de dedo -, tinha o cabelo pintado de loiro em desalinho e as unhas cor de vinho. Com os olhos fixos e a voz exaltada, ela negou a série de maus-tratos de que é acusada de infligir a T.E., a menina que estava prestes a adotar – mas assumiu sem nenhum fio de remorso a humilhação a que submeteu a criança. “Chamei a garota de cachorra mesmo”, afirmou. E acrescentou: “Mas chamar alguém de cachorro não é ofensa. Os cães são mais amigos e leais do que muito ser humano por aí”. Durante os 29 dias em que a pequena T.E. ficou sob os seus cuidados provisórios (os papéis para formalizar a adoção estavam correndo na Justiça), a procuradora a manteve trancafiada em um quarto. T.E., afirmam testemunhas, era alvo de xingamentos constantes e recebeu tantas surras que mal conseguia abrir os olhos, de tão inchados. Foi nesse estado que representantes do conselho tutelar a encontraram quando foram à casa de Vera Lúcia, movidos por uma denúncia anônima. T.E. passou três dias no hospital para tratar dos ferimentos. Hoje, de volta ao abrigo de menores onde vivia, ela pouco come e quase não fala. Quando um estranho chega perto, assusta-se e foge.
BRUTALIZADA: Quase sem conseguir fechar os olhos inchados pelas agressões, a menina T.E. é transportada para o abrigo onde estava antes de ser levada por Vera
O que faz alguém ser capaz de cometer tamanha brutalidade? E, sobretudo, o que faz alguém capaz de tal brutalidade querer adotar uma criança? A monstruosidade da procuradora é identificada por especialistas como típica dos psicopatas. Eles são capazes de entender intelectualmente a diferença entre o bem e o mal, mas não demonstram ter aquelas emoções que estão na base do senso moral das pessoas – como ilustra o caso de Vera Lúcia. “Ela não se compadece da dor alheia, não dá sinais de arrependimento e parecia ter prazer em subjugar a menina”, afirma o psiquiatra Joel Birman. Vários episódios na biografia da procuradora revelam essa agressividade. Uma amiga da família de Vera Lúcia contou que, certa vez, recebeu a visita da mãe da procuradora, Maria de Lourdes, que viveu com a filha até morrer, em 2004. Segundo essa amiga, Maria de Lourdes confidenciou-lhe que, quando se enfurecia, Vera Lúcia lhe dava “uns tapas”. “Fiquei em choque”, disse a mulher a VEJA. Em delegacias do Rio, há registro de quinze boletins de ocorrência envolvendo a procuradora. Um dos casos ocorreu em 2008, ano em que ela estava às voltas com outro processo de adoção. Durante uma das visitas ao bebê, soube que a mãe havia desistido de entregá-lo (quatro anos antes, sua primeira tentativa de adoção tivera o mesmo desfecho). Raivosa, arrancou do recém-nascido as roupas que havia comprado. Não satisfeita, fez denúncia caluniosa contra a mulher, a quem acusava de querer vender a criança. A delegada que colheu seu depoimento, Maria Aparecida Mallet, lembra: “Ela agia de forma prepotente e tentava me intimidar: ‘Sabe que eu sou procuradora do estado?’”.
Proveniente de uma família do subúrbio carioca, filha de um médico e de uma dona de casa, Vera Lúcia nunca manteve laços estreitos com os parentes, tampouco com seus ex-colegas no Ministério Público Estadual, onde trabalhou durante quinze anos. “Era muito competitiva, dada a picuinhas, e se achava a dona da verdade. Ninguém queria ficar perto dela”, resume um ex-chefe. Depois que se aposentou, doze anos atrás, a procuradora passou a preencher o tempo com os animais de estimação (tem um poodle e dois gatos siameses), viagens de cruzeiro para o Nordeste e o tarô, que costumava jogar na internet para colegas de comunidades virtuais chamadas, nem tão ironicamente no seu caso, Caldeirão, Vassoura e Intuição e Magia Prática. Na denúncia contra ela encaminhada à Justiça consta a suspeita de que faria parte de uma seita satânica. Uma testemunha conta que viu, em seu apartamento de 200 metros quadrados, no bairro de Ipanema, Zona Sul da cidade, vodus e bonecos com rosto desfigurado, ladeados por imagens de Buda e uma coleção de 150 baralhos de tarô. Era ali que a procuradora costumava ficar reclusa. Diz o seu sobrinho Carlos Ariosto: “Ela é tão fechada que não chegou nem a apresentar à família a menina que iria adotar”.
DE VOLTA: T.E., em foto recente, no abrigo de menores: ainda assustada, ela foge de desconhecidos
Casada duas vezes (uma delas com seu atual advogado, Jair Leite Pereira), Vera Lúcia optou por não ter filhos. Mas de seis anos para cá andava obcecada pela ideia de adotar uma criança. Chegou a escrever, no Orkut, a uma comunidade que reúne pretendentes à adoção: “Quero finalmente formar a família que nunca tive”. Seu objetivo declarado era ter a quem deixar sua pensão como procuradora, hoje de 23 000 reais, e os bens, entre os quais uma casa debruçada sobre a valorizada Praia de Geribá, em Búzios. Esse tipo de argumento normalmente desqualifica o candidato à adoção por não traduzir um desejo genuíno de maternidade. Mas não é o único dado absurdo no processo que levou a procuradora a obter a guarda de T.E. A autorização do estado para que alguém com evidentes problemas psicológicos acolhesse uma criança em casa expõe as fragilidades da lei de adoção no Brasil – tanto a antiga, que vigorava quando Vera Lúcia conseguiu a autorização para adotar, quanto a atual.
PENSÃO DE 23 000 REAIS: Vera Lúcia diz que queria adotar para ter com quem deixar sua pensão e seus bens. Na foto, sua casa de praia em Búzios, com o muro pichado
Desde o dia em que chegou à casa da procuradora, no último 17 de março, T.E., a quem Vera Lúcia chamava de Bia, foi alvo de sua ira – segundo relatam as empregadas. “A patroa tapava o nariz da menina e enfiava a comida com a mão dentro de sua boca. Puxava o cabelo dela e a fazia bater a cabeça numa mesa de mármore com toda a força”, conta Luzia de Almeida. Aos berros, Vera Lúcia ainda xingava: “Prefiro mil vezes meus bichos a você, sua sem-vergonha. Você é safada igual à sua mãe”. A mãe de T.E., que vive de bicos no Rio, teve a menina com um italiano que nunca a registrou como filha. Abandonou-a por duas vezes, mas hoje, sem se identificar, afirma: “Quero reaver a guarda da minha filha”. O quadro da menina preocupa os especialistas que a acompanham. Foram tantas as pancadas na cabeça que não se sabe se haverá sequelas neurológicas. Por decisão da Justiça, Vera Lúcia terá de custear o tratamento psicológico de T.E. e lhe pagar uma pensão mensal equivalente a 10% de seus rendimentos enquanto viver. Apesar da bruxa processada, não é um final de conto de fadas.
“Não faria sentido torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo?”
Presa há duas semanas depois de oito dias foragida, a procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes ocupa cela individual no Complexo Penitenciário de Bangu, Zona Oeste do Rio. Ela passa os dias num espaço reservado a mais oito presidiárias, algumas acusadas de tráfico de drogas. Com as mãos trêmulas e elevando a voz em alguns momentos, ela deu a seguinte entrevista ao repórter Ronaldo Soares:
A senhora é acusada de torturar durante 29 dias a menina de 2 anos que pretendia adotar. Isso é verdade?
De tudo aquilo de que estão me acusando, admito uma coisa: chamei a menina de cachorra mesmo. No dia em que isso aconteceu, tínhamos uma consulta médica. Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Aquilo foi me irritando profundamente e perdi a paciência. Mas discordo da maioria das pessoas que agora me condenam: para mim, chamar alguém de cachorro não é ofensa.
Se ocorresse com a senhora, como reagiria?
Dependeria da forma como a pessoa falasse. Pessoalmente, adoro cachorros. Diria até que são animais mais amigos e leais do que muito ser humano por aí. Tenho um cão poodle e dois gatos siameses, que crio como gente. Só que para bicho ninguém deixa herança.
O que a senhora quer dizer com isso?
Ganho muito bem como procuradora aposentada. Com tanta criança necessitada no mundo, pensei: ‘Quando morrer, por que deixar minha pensão para o estado?’. Foi por isso que decidi adotar essa menininha.
Se a senhora diz que não a machucou, qual é a explicação para o estado em que ela se encontrava quando foi retirada de seu apartamento?
O ferimento na testa eu sei o que foi: dei à menina umas uvas sem caroço, que ela espalhou pela casa toda e acabou se esborrachando. Meu apartamento tem chão de mármore e muito tapete persa – é fácil de escorregar. Mas o tombo provocou só um machucadinho de nada. Já estava sarando.
E os hematomas espalhados por todo o corpo dela?
A única coisa que eu sei é que fui à manicure, à tarde, e a deixei bem, em casa. Quando voltei, foi aquela surpresa: o conselheiro tutelar já a havia levado embora. Soube depois que ela estava toda arrebentada. Também gostaria de saber quem fez isso com aquela criança.
A senhora tem algum palpite?
Talvez tenha sido uma conspiração para tirá-la da minha casa. Veja esse conselheiro que foi ao meu apartamento para levar a menina embora… O rapaz é protestante e eu não. Prefiro jogar tarô. No conselho tutelar, teve gente espalhando que eu frequento seitas satânicas, uma mentira. Será que querem me prejudicar? Se for, é bom que saibam: a cadeia dói. Meu lugar não é aqui.
Como é sua rotina na prisão?
Durmo à base de Prozac, já emagreci 8 quilos e, quando ando de um canto para o outro, vou sempre com um guarda por perto. Sabe como é: as presas veem TV e, como qualquer ser humano, também pensam, julgam, raciocinam. E crime que envolve criança tem uma repercussão muito grande. É como estupro. Se saísse hoje para caminhar em Ipanema, sei que não chegaria em casa viva.
A senhora ainda pensa em adotar uma criança?
Acho que não mais. Meu sonho era ter adotado três, para formar a família que nunca tive. Adoro crianças. Não faria sentido nenhum torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo? Só se eu fosse louca.
Mamãe odiosa
SÓ FACHADA: A diva Joan, com Christina: crueldade e adoções para “fins publicitários”
Em 1978, um ano e meio após a morte de Joan Crawford, a mais velha das quatro crianças que a estrela adotara publicou Mamãezinha Querida, um livro autobiográfico que virou best-seller e estarreceu o público: segundo o relato de Christina Crawford, então com 39 anos, a ex-diva de Hollywood infligira a ela e a seu irmão Christopher tormentos que abrangiam acessos de fúria, períodos de cativeiro e espancamentos – em uma passagem que se tornou antológica no livro e no filme homônimo adaptado deste, Joan encontrou no armário da filha um cabide de arame e, como só os de madeira eram permitidos na casa, ela açoitou a menina impiedosamente com o item proibido. Segundo Christina, sua mãe era alcoólatra e não tinha nenhum afeto pelos filhos, que teria adotado apenas para fins publicitários. As duas filhas mais novas de Joan negaram tais acusações, alegando que o livro era uma vingança de Christina por ter sido cortada do testamento da estrela – aliás, riquíssima. Vários amigos de Joan, entretanto, confirmaram os episódios de maus-tratos. Também as autoridades deram crédito a Christina, que testemunhou em audiências federais e estaduais destinadas a estabelecer parâmetros para a proteção de menores e colaborou na reformulação das varas de família do condado de Los Angeles. A história de Christina, levada para a casa de Joan em 1940, com 1 ano, é emblemática também em outro aspecto do pesadelo em que se pode transformar a vida de um filho adotado: ela foi uma entre milhares de crianças vítimas de adoções ilegais perpetradas pela Tennessee Children’s Home Society, instituição que mantinha um vasto esquema para rapto e roubo de crianças, com a participação de médicos, enfermeiras e juízes.



