A Gente diz

Professor doutor Ubirajara Brito apresenta mais uma edição especial de sua autoria, titulada de:“Roteiro para Reconstrução Sobre o Pensamento Ocidental e a Educação no Brasil”.

DSC04275O professor doutor Ubirajara Brito lança nesta quarta-feira (24) às 18 horas no Restaurante Bistrô em Vitória da Conquista, a obra “Roteiro para Reconstrução Sobre o Pensamento Ocidental e a Educação no Brasil”.

Bira, como gosta de ser chamado pelos amigos, além de físico nuclear é Livre Pensador e tem trânsito junto a toda intelectualidade regional e nacional.

Sobre o professor-escritor disse o grande Oscar Niemeyer o seguinte: “Quando eu estava em Paris, andava sempre com um grupo do qual fazia parte Ubirajara Brito,um cientista,um físico muito inteligente que tinha sido incumbido de estudar a lua,no laboratório em que trabalhava. Ubirajara Brito nos mostrou pedrinhas brancas da lua. O engraçado é que era uma pedrinha como outra qualquer. Tive vontade de ficar com uma daquelas pedrinhas…”.

Fonte : blog do Anderson

86002‘Cúpula da Segurança Pública baiana acompanham investigações de violências em Vitória da Conquista’

do Tribuna da Bahia

Comandante da PM, coronel Nilton Mascarenhas, o secretário da SSP, César Nunes e o delegado-chefe Joselito Bispo chegam à Conquista sob ordem direta de Jaques Wagner

Por ordem do governador Jaques Wagner, toda a cúpula da Segurança Pública da Bahia foi deslocada ontem para Vitória da Conquista para apurar o massacre de mais de 10 jovens após a morte do policial militar Marcelo Márcio Lima Silva, 32 anos.

O próprio secretário da SSP, César Nunes, está à frente da força-tarefa integrada ainda pelo delegado chefe, Joselito Bispo, e pelo comandante da PM, coronel Nilton Mascarenhas. Todo o efetivo necessário para tornar mais eficiente a ação policial visando esclarecer a matança será usado e para isso não está afastado o envio de reforço policial de outras regiões ou até de Salvador.

Como parte das investigações até aqui desenvolvidas pelo Ministério Público, 16 policiais que teriam trabalhado na noite das mortes e do sumiço dos jovens foram ouvidos ontem e 9 serão ouvidos hoje, já com a cúpula da SSP à frente das investigações. A ordem é desvendar o destino dos três jovens ainda desaparecidos e esclarecer até onde policiais do batalhão de Vitória da Conquista estão envolvidos com os crimes e o sumiço dos jovens.

“Estamos aqui, em Vitória da Conquista, por determinação do governador Jaques Wagner, que quer que o caso seja totalmente esclarecido”, disse o secretário César Nunes. Segundo ele, o grupo veio acompanhar as investigações feitas e a análise das provas apuradas até agora pelas duas polícias. “Temos a certeza de que vamos chegar aos culpados o mais rápido possível.

A nossa presença em Conquista tem como objetivo ratificar o nosso compromisso com a segurança e o bem-estar das pessoas”, explica. O policial militar foi assassinado na noite de 28 de janeiro passado, no Bairro Alto da Colina, periferia de Vitória da Conquista (a 509 km de Salvador). As mortes e desaparecimentos dos adolescentes aconteceram nos dois dias seguintes. No total, serão ouvidos 25 policiais e, hoje, prestam depoimento cinco familiares dos jovens desaparecidos.

Uesb propõe construção de Centro de Convenções em Conquista

por Ilana Teixeira

 

Vitória da Conquista é a terceira maior cidade da Bahia e polo social, comercial e estudantil do sudoeste do Estado, mas até o momento não conta com um espaço adequado para a realização de grandes eventos, como simpósios, congressos, dentre outros. Até as formaturas, que são eventos corriqueiros na cidade, acontecendo ao longo de todo o ano, já estão ficando superlotadas, pois os espaços disponíveis, como o Teatro Glauber Rocha, já não comportam o público convidado. 

Para solucionar tal problema, a Uesb propôs à Superintendência de Construções Civis do Estado da Bahia (Sucab) a construção de um Centro de Convenções em Vitória da Conquista, com capacidade de comportar 1200 pessoas sentadas. Para o professor Abel Rebouças, reitor da Universidade, “a falta de espaço dessa magnitude prejudica o desenvolvimento da cidade, já que muitos eventos deixam de ser aqui realizados por causa dessa deficiência”. A realização de uma obra como essa é um impulsionador para o crescimento regional, alavancando ainda mais o potencial econômico e cultural de toda a região.

O projeto já foi entregue à Sucab para que a viabilidade da obra seja analisada, esperando-se que o processo de licitação comece no final deste mês. “Essa é uma ação que a Uesb está dando início em Vitória da Conquista, mas pretendemos ampliar as projeções e tornar possível a construção de espaços semelhantes nas outras cidades nas quais a Universidade possui campus, Itapetinga e Jequié”, afirma o reitor.

Wagner confirma que faria aliança só com Borges sem o PR

 

por: Raul Monteiro

Não foi por acaso que os partidos aliados teriam deixado ontem, durante a reunião do Conselho Político, nas mãos do governador Jaques Wagner (PT), conforme revelou o repórter Rafael Rodrigues neste Política Livre (ver aqui), a partir de informações do líder petista Valdenor Pereira, a decisão sobre a coligação proporcional com o PR. Na realidade, Wagner já chegou ao encontro, revelando que deixaria com os partidos a responsabilidade sobre a política de alianças em meio à base, numa alusão direta ao fato de não poder impor aos aliados uma coligação para a eleiçao de deputados estaduais e federais com o partido do senador César Borges.

Wagner fez a revelação aos membros do Conselho, depois de informar que não poderia rejeitar o apoio de Borges, numa outra clara insinuação de que o senador estaria inclinando-se para marchar nas eleições ao seu lado, principalmente porque, segundo contou o governador, ele é hoje o melhor colocado nas pesquisas e, além disso, estaria recebendo apelos abertos do presidente Lula para compor-se com o republicano na sucessão estadual. No encontro, Wagner também confirmou a abertura de uma vaga em sua chapa para o conselheiro Otto Alencar, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), o que não constituiu, na prática, nenhuma novidade.

O governador não antecipou qual seria o espaço reservado a Otto, mas os presentes rapidamente se encarregaram de especular que poderia ser a vice, posição na qual a campanha exigiria fisicamente menos do conselheiro, colhido por problemas de saúde que todos imaginam temporários, mas que podem exigir-lhe ainda doses de repouso e cuidados inapropriados para uma disputa ao Senado. O governador também se referiu à deputada federal Lídice da Mata (PSB), embora sem fazer referência ao espaço que ocuparia na chapa, provavelmente mais preocupado em sinalizar que ela continua no jogo do que desejariam alguns dos insistentes concorrentes da parlamentar, alguns dos quais incrustrados no próprio PT de Wagner.

O ponto forte das revelações políticas de Wagner aos ilustres “conselheiros políticos” de seu governo foi, no entanto, a confirmação de que ao PR não será oferecido, por ele, a prerrogativa de uma coligação com o chamado chapão, onde se abrigariam as legendas que lhe dão apoio, Mais uma vez aí, os participantes do privilegiado encontro coletivo com o governador fizeram uma análise que, a princípio, não é nada favorável a César Borges, qual seja, a de que lhe foi imposto um dilema quase shakespeariano com sua aceitação na chapa governista.

A avaliação levaria em conta uma suposta condição que Borges teria colocado para aliançar-se com qualquer dos três candidatos ao governo baiano – além de Wagner, Paulo Souto, do DEM, e Geddel Vieira Lima, do PMDB: a de que só fecharia uma composição se ao seu partido fosse dada a coligação na proporcional, condição considerada nos meios políticos como essencial para assegurar, pelo menos, o tamanho atual da legenda na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Clareando, o conflito, na verdade, “borgiano”, seria só um: decidir entre salvar a própria pele ou a do partido a cuja dimensão hoje é também atribuído parte de seu “modesto” sucesso como fator de cobiça entre os três candidatos ao governo.

Geddel: não basta ser amigo do presidente, é preciso trabalhar

22-02-2010-04-03-271A Bahia tem se destacado por apresentar entre os estados do Nordeste os valores mais baixos de transferências voluntárias, que são verbas repassadas pela União aos estados que apresentam bons projetos e são mais ágeis na negociação desses recursos. Em 2008, a Bahia recebeu R$ 242 milhões em transferências voluntárias, contra R$ 319 milhões recebidos por Pernambuco. Quando se leva em conta o critério per capita – quando se divide o dinheiro pelo número de habitantes – a Bahia perde não apenas para Pernambuco, como para todos os estados do Nordeste, mesmo os mais pobres como o Piauí e o Maranhão. As informações fundamentadas em dados da Secretaria do Tesouro Nacional e do Portal da Transparência foram divulgadas hoje (22) pelo ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, em seu comentário semanal na Rádio Metrópole. Segundo ele, essa realidade na Bahia tem mostrado que a amizade do governador com o presidente e o alinhamento partidário com o governo federal não são condições suficientes para obter recursos para o desenvolvimento do estado. “É preciso muito mais, é preciso trabalhar, apresentar projetos, ter disposição e coragem para enfrentar e vencer as dificuldades”. Geddel disse que em 2008 as transferências voluntárias do governo federal para a Bahia representaram R$ 19,00 per capita enquanto que o Ceará recebeu o equivalente a R$ 29,00 por pessoa e o Rio Grande do Norte e o Piauí receberam mais do que o dobro da Bahia. Para o ministro e pré-candidato a governador da Bahia, essa situação resulta da “incapacidade do governo estadual de apresentar projetos viáveis, de se levantar da cadeira e lutar pelas coisas”. O ministro finalizou o comentário observando que “um mandato de quatro anos tem sido suficiente para outros estados trabalharem, então porque acreditar que quatro anos é pouco para a Bahia”.

Governador convoca população para ajudar no combate ao crime

Wagner diz que polícia sozinha não vence a violência

   GetAttachment        O governador Jaques Wagner aproveita a edição desta semana de seu programa de rádio para convocar a sociedade a colaborar com o Estado na difusão de uma política de paz e solidariedade, uma ação conjunta com o governo para se atingir mais rapidamente o objetivo de enfrentar a violência com melhores resultados. Para ele, é preciso “fortalecer os laços de família e os valores do humanismo dentro da nossa sociedade”.

A geração de emprego e renda na Bahia, os resultados do Carnaval, além da entrega de 307 novos veículos para a Polícia Militar, também são os temas do programa de rádio Conversa com o Governador desta semana, produzido pela Assessoria Geral de Comunicação do Governo do Estado (Agecom). O governador também fala sobre a entrega de uma nova unidade do Instituto Médico Legal (IML) para a região de Santo Amaro da Purificação e das obras no interior da Bahia.

“A melhor política social é a geração de trabalho, emprego e renda. Esse número – 14 mil – em janeiro significa que 14 mil baianos e baianas conseguem colocar a comida dentro de casa, fruto de seu trabalho”, afirma. Wagner garante que 2010 seguirá com muitas obras públicas e com a atração de novos negócios e investimentos, “de tal forma que ao longo do ano a gente possa dar essa alegria a tantos que querem e precisam trabalhar”.

Sobre o Carnaval, destaque para a geração de renda e a segurança da festa. “Dezenas de milhares de empregos gerados durante esse período, muita gente trabalhando ganhou seu dinheiro, muitos novos valores na nossa música popular baiana, no nosso carnaval, hotéis ocupados, os táxis trabalhando mais, restaurantes, ou seja, mais dinheiro chegando para que mais gente possa trabalhar”, enumera.

Segundo ele, para garantir uma festa de paz, o Governo do Estado investiu R$25 milhões em Segurança Pública, com o reconhecimento geral de artistas, turistas e baianos. “A organização foi muito boa, redução dos eventos – vamos dizer assim – violentos no carnaval. A estrutura montada deu resultado, a integração entre o Governo do Estado e a prefeitura de Salvador foi excelente, mantendo as nossas tradições com o Carnaval Ouro Negro e, evidentemente, lançando novos valores”, observa.

 

Viaturas – O governador Jaques Wagner disse que a entrega das 307 viaturas é mais um passo do trabalho de recuperação da capacidade da estrutura de Segurança Pública no estado. “Já compramos carros no ano passado e agora estamos entregando um novo lote de veículos para capital e para o interior. Já contratamos mais policiais, delegados, escrivão, agentes… E, portanto, fortalecendo a capacidade da nossa Polícia Militar – a polícia presencial e repressiva –, da Polícia Civil e da Polícia Técnica – na área da investigação”, enfatiza.

Para Wagner, nesse caminho, cada dia mais, será vencida a batalha contra o crime e oferecida à população de Salvador e de toda a Bahia uma sociedade de paz e de tranquilidade. Ainda sobre Segurança Pública, o governador diz que a entrega do novo IML de Santo Amaro é mais um passo na renovação da estrutura da segurança pública no estado da Bahia. 

Wagner encerra o programa falando sobre as viagens ao interior do estado. “Já nessa semana do encerramento do carnaval eu já estive em Itaetê e Iramaia entregando estrada, um trecho de estrada que nós fizemos agora em 2008/2009. Essa semana, devo visitar mais 12 municípios”. Ele informa que começa a agenda em Itaberaba e Ipirá, entregando mais um trecho de estrada. “Para mim isso é sempre motivo de alegria porque eu adoro viajar pelo interior baiano”. Outro ponto importante da semana, e destacado pelo governador, é a instalação do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social, que marca o modelo de maior diálogo com a sociedade.

O programa Conversa com o Governador é produzido pela Assessoria Geral de Comunicação Social do Governo da Bahia (Agecom) e disponibilizado na página http://www.comunicacao.ba.gov.br/conversa e no telefone gratuito 0800-071-7328, além de ser reproduzido pela rádio Educadora FM 107,5 Mhz e outros veículos de comunicação.

Reforma do aeroporto de Conquista

Jose-Maria-CairesO representante do Movimento Conquista Pode Voar Mais Alto,  empresário José Maria Caires,  há mais de um ano vem mobilizando toda a sociedade e as autoridades na perspectiva da construção de um novo aeroporto para Vitória da Conquista e que possa atender as demandas da região, nos faz lembrar, que todas as manifestações ou mesmo provocações realizadas repercutiram de forma positiva, citando, inclusive a ida dos edis  Conquistense  à Brasilia: “A tão controvertida viagem dos Vereadores a Brasília, na busca de recursos para o AEROPORTO, foi altamente exitosa, colocou nada menos que R$ 40 milhões de reais para o novo aeroporto. Acho que a iniciativa dos vereadores foi louvável, conseguiu sensibilizar o Senador ACM JR autor da emenda que assegurou os recursos.” Comentou Caires.

Agora que o governo sinalizou pela reforma, é necessário que se faça, ou esta esperando o que?

O governo de Wagner nos faz lembrar o de Waldir Pires – Vagareza! Lento de mais para tomar as decisões.

O comandante geral da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), Coronel Nilton Mascarenhas, afirmou que a corporação já adotou as medidas cabíveis na investigação dos crimes ocorridos em Vitória da Conquista.

3678093795_27a943e235A suspeita é de que os sequestros e homicídios ocorridos na região tenham relação com o assassinato do soldado da Polícia Militar Marcelo Márcio Lima, ocorrido no dia 28 de janeiro deste ano. Milícias armadas estariam agindo na região como forma de vingança. De acordo com os investigadores, após a morte do policial, diversos crimes foram registrados na cidade, dentre eles a invasão de casas e agressão e sequestro de várias pessoas, sendo que 14 delas foram executadas e três jovens continuam desaparecidos.

O Coronel Nilton Mascarenhas ressaltou que o Coronel Ivo Silva Santos, do Comando Regional Sul, foi encarregado para apurar o caso. O Tenente-coronel PM Jorge Ubirajara Pedreira, Comandante do 15º Batalhão de Polícia Militar – Itabuna, ficou responsável pela sindicância instaurada para investigar a participação de policiais nos crimes.

“Os oficiais responsáveis pelas apurações estão orientados a realizá-las com o máximo de celeridade e transparência possível. A Polícia Militar da Bahia, instituição que zela pelos deveres constitucionais que lhe foram atribuídos, e ciente do seu dever de promover a cidadania e a defesa dos Direitos Humanos, não medirá esforços na busca da verdade, e na promoção das medidas legais a quaisquer policiais que eventualmente trilhem caminhos diversos do que legalmente está disposto”, disse o comandante geral da PM.

O Ministério Público estadual (MP-BA) inicia nesta segunda-feira (22) as audiências que reunirão as testemunhas dos crimes. Segundo o procurador-geral de Justiça Lidivaldo Britto, já existem provas da participação de policiais militares nos crimes. Informações da Tribuna da Bahia

OPOSIÇÃO ATACA CANDIDATURA DE DILMA

Políticos de oposição se manifestaram de forma bastante crítica após o lançamento oficial da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República, na tarde deste sábado (20). O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que o presidente Lula promoveu a maior antecipação de campanha da história. Em sua página na internet, o senador foi enfático: “Mesmo antes da desincompatibilização exigida pela lei, Dilma é oficialmente candidata. E a lei? Ora, a lei!”. O presidente do PP, Roberto Freite, foi além: “Dilma é candidata para dois mandatos, diz Lula. Cabe perguntar: ela ganha, pelo menos, o primeiro?”. Já o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), em vez de atacar Dilma, direcionou as críticas ao ex-ministro José Dirceu, também do PT. “José Dirceu diz que ‘mensalão não é corrupção’ e que ‘está de volta’ para ajudar Dilma Rousseff”. Com informações do A Tarde.

“Todos Contra a Dengue”.

 dengueA Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, através  da Secretaria Municipal de Saúde anuncia que vai realizar, pelo segundo ano consecutivo, a gincana “Todos Contra a Dengue”. O objetivo é estimular e despertar o interesse da população, de uma maneira participativa e alegre, em manter os seus quintais, terrenos e espaços comunitários limpos e impróprios à procriação do mosquito transmissor da dengue em Vitória da Conquista.
A inscrição é gratuitas e deve ser realizada na Secretaria Municipal de Saúde, situada na Rua Coronel Gugé, n°. 211, sala 203 – Centro – Vitória da Conquista – Ba, no período de 15 de Março a 23 de Março de 2010. As equipes inscritas vão realizar diversas provas, a exemplo de retiradas de recipientes que acumulem água em quintais e terrenos baldios; ações de incentivo às famílias, vizinhos e amigos para combaterem o mosquito, entre outras.  As provas acontecerão entre 26 de março e 22 de maio. Serão premiadas as cinco primeiras colocadas, com os seguintes prêmios: 1º lugar – R$ 8.000,00 (oito mil reais); 2º lugar – R$ 5.000,00 (cinco mil reais); 3º lugar – R$ 4.000,00 (quatro mil reais); 4º lugar – R$ 3.000,00 (três mil reais) e 5º lugar – R$ 2.000,00 (dois mil reais

Dilma: A candidata conquista o ninho

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da Revista Veja

O PT aceita oficialmente a candidatura imposta por Lula. Resta saber o que Dilma aceitará do partido no caso de chegar à Presidência da República

“Quando a gente pensa que já viu tudo, vê que não viu nada”, disse Dilma Rousseff depois de assistir ao desfile carnavalesco da escola carioca vencedora, a Unidos da Tijuca, que apresentou o enredo O Segredo. A frase merece o comentário que Dilma mais aprecia: “A senhora tem razão!”. Quem nunca pensou em vê-la sambar com um gari na avenida, viu. Quem achava impensável ver a ministra dar colo a Mercy Jones, filha de 4 anos de Madonna, rainha do pop, viu. E quem pensava que o mais conhecido segredo da República, a candidatura presidencial de Dilma, fosse um enredo com desfecho incerto, viu sua apoteose no congresso do PT na semana passada. Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, foi finalmente apontada como a candidata à Presidência da República.

 

RITO DE PASSAGEM: Dilma na chegada ao congresso do PT que oficializou sua candidatura na semana passada: afago na militância

 

O caminho daqui para a frente vai exigir de Dilma mais do que samba no pé e jeito com crianças. Seu repto eleitoral é de uma ousadia ímpar. Sem nunca ter enfrentado nem eleição de condomínio, ela vai buscar os votos dos eleitores para tentar suceder ao mais popular presidente da República da história brasileira recente. Organizada e centralizadora, ela vai se deixar levar caoticamente por uma caravana eleitoral que exige fôlego de atleta, concentração de enxadrista e prontidão circense. Com um humor superficial facilmente azedável e dona de opiniões incontrastáveis, quase hieráticas, sobre os temas técnicos mais arcanos, ela vai ter de retribuir com sorrisos artificiais nos palanques os comentários mais estúpidos. E tome buchada de bode, maionese, feijão-de-corda e copos de Cravo Escarlate, a infusão energizante feita com dezesseis ervas consumida pelos ritmistas da Imperatriz Leopoldinense durante o desfile de Carnaval. Dilma provou, quase se engasgou, mas recuperou o fôlego e secou o copo.

A ministra já vinha ensaiando essa sua versão eleitoral exibida no Carnaval carioca. Ela foi testada mesmo em outra festa, a do IV Congresso do PT, que reuniu 1 300 dirigentes e militantes na capital federal, com o objetivo de aclamá-la pré-candidata do partido. A aclamação oficial pelo partido que lhe torcia o nariz, mas que agora depende dela para se manter no poder, é um desses momentos acrobáticos que só a política pode produzir. A escolha de Dilma revela o poder absoluto de Lula sobre o partido que ele fundou há trinta anos, fez crescer e levou ao topo do poder em Brasília. Revela também que continua sendo um desafio manter estável a volátil química petista, em que o anacronismo marxista radical minoritário convive com uma maioria convertida à democracia social. Lula sempre conseguiu manter sob controle essa reação em cadeia, afunilando todas as suas energias em benefício de sua própria carreira política. Dilma terá de aprender a fazer essa mágica. Por enquanto, ela conta com Lula para diminuir a concentração de ideias tóxicas explosivas no caldeirão ideológico do petismo. Na campanha e, eventualmente, no poder em Brasília, ela vai ter de domar os radicais com suas próprias forças.

 

O CONSELHEIRO: Na véspera do encontro do PT, Lula aconselhou a candidata: “Seja conciliadora”

 

Na semana passada, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente tangenciou o tema. “Não há nenhum crime ou equívoco no fato de um partido ter um programa mais progressista do que o governo”, afirmou Lula. “O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender.” É um pouco mais complexo que isso. Uma vez no governo, o PT tentou implementar teses ruinosas de ruptura revolucionária com avanços duramente conquistados pelos brasileiros, como observa a Carta ao Leitor desta edição. Dinheiro de impostos, transferido a entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), financiou invasões de propriedades, saques e depredações de prédios públicos. Apesar disso, em seus sete anos de governo, Lula conseguiu evitar que os radicais do partido materializassem seus instintos mais nocivos. Dilma, se eleita, conseguirá o mesmo?

A cinco meses do início da campanha, essa já é uma questão prioritária para a candidata. O ato inaugural dessa dinâmica deu-se na semana passada em Brasília. Em sua primeira aparição no evento do PT, a ministra discursou para comunistas e socialistas de países como China, Coreia do Norte, Cuba e Venezuela. Sua fala ocorreu a portas fechadas e não pôde ser acompanhada pela imprensa. Sabe-se que a ministra foi muito aplaudida e que recebeu o apoio do tiranete Hugo Chávez, transmitido por uma representante da Venezuela. Longe dos holofotes vermelhos, porém, Dilma e Lula tentam se desvencilhar dos pendores revolucionários do petismo. O texto A Grande Transformação, que reúne propostas do PT para a candidata, precisou ser totalmente reformulado. O original, de autoria do coordenador de seu programa de governo, Marco Aurélio Garcia, defendia maior controle da economia, atacava a liberdade de expressão e propunha o controle dos canais de TV por assinatura. Lula e Dilma mandaram retirar essas passagens e incluir temas como a defesa da preservação da estabilidade econômica e um elogio à atuação dos bancos brasileiros na crise financeira que sacudiu o planeta. “Você tem de ser conciliadora, Dilma”, insistiu Lula.

 

A CANDIDATA: A ministra Dilma visitou três estados durante o Carnaval e sambou na Sapucaí com um gari: a folia terminou com aclamação em Brasília

 

A preocupação do presidente e de sua candidata com o radicalismo aliado não se limita aos excessos de radicais como Marco Aurélio Garcia, cujo relógio ideológico está parado há três décadas. “Parece que tem gente no PT com saudade do tempo em que perdíamos uma eleição atrás da outra”, afirma o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, um dos estrategistas da ministra. O risco de o radicalismo petista contaminar a campanha de Dilma é tão grande que já existe até uma estratégia para detê-lo. Além de exigir mudanças nas sugestões para a candidata, o presidente já deixou claro, em conversas com os estrategistas da campanha, que as propostas do PT não se confundirão com o programa de governo de Dilma. Embora o radical Garcia seja oficialmente o coordenador do programa de governo, fórmula para tentar animar a combalida militância petista, Lula decidiu afastá-lo das articulações da campanha. Na área econômica, o principal alvo dos ataques tóxicos do radicalismo, os responsáveis serão o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o presidente do Banco Central Henrique Meirelles e o ex-ministro Delfim Netto. “A maior contribuição do PT ao país é o governo Lula. Queremos dar continuidade a esse projeto com a Dilma”, diz o senador petista Aloizio Mercadante.

Se os arroubos autoritários do PT parecem estar contidos na campanha, o tamanho de sua participação num eventual governo de Dilma ainda é incerto. “Lula é maior que o PT e tem uma capacidade de liderança maior que a de Dilma. Isso cria uma oportunidade para que o PT exerça um protagonismo no governo Dilma”, disse recentemente o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra. É um sinal claro de que, se eleita, Dilma terá de continuar consumindo parte de seu tempo para conter as tentações hegemônicas da sigla. Dono de uma biografia única e de uma popularidade nunca antes obtida por um presidente, Lula conseguiu isolar os radicais distribuindo cargos e verbas em troca de obediência canina. “A aceitação de Dilma pelo PT é a prova definitiva de que Lula faz o que quer com o partido. Mas a relação dela com a legenda ainda está para ser definida”, diz o cientista político Octaciano Nogueira. Um eventual governo de Dilma, segundo especialistas ouvidos por VEJA, provavelmente tentará seguir a mesma linha de relacionamento adotada por Lula com relação ao PT. “Há também sempre a possibilidade de Lula interferir se essa tensão fugir do controle”, analisa o cientista político David Fleischer.

A influência de um presidente sobre os desígnios da própria sucessão é uma prática normal nas democracias. A imposição de um nome por um presidente a um partido político, porém, só é praxe em repúblicas populistas. No México, entre 1929 e 2000, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) elegeu todos os presidentes da República. Partido e governo estavam tão imbricados que o presidente do país acumulava a função de presidente do partido. Como comandante nacional da legenda, também cabia ao presidente indicar o candidato do partido à sua própria sucessão, processo batizado de dedazo. Os casos mais conhecidos de dedazo terminaram mal. O ex-presidente mexicano Luís Echeverria, que governou entre 1970 e 1976, impôs o nome de José López Portillo ao PRI. Portillo foi eleito e governou entre 1976 e 1982. Mas sua gestão foi um desastre. O jornal The New York Times descreveu-a como um dos governos “mais incompetentes e corruptos do México”. Situação parecida foi experimentada na Argentina. Em 1973, Juan Perón, que já havia governado o país por duas vezes, estava impedido de se candidatar pela ditadura militar. Perón, então, impôs o nome de seu dentista, Héctor Cámpora, ao Partido Justicialista. Cámpora renunciou depois de apenas três meses no poder em meio a uma grave crise política.

 

FIADOR DA ESTABILIDADE: Lula quer Meirelles como formulador do programa de Dilma para evitar abalos na economia

 

Não há, evidentemente, uma relação direta entre a maneira de escolher um candidato e o seu desempenho no poder. Dilma virou candidata graças a uma rara conjunção de fatores. O principal deles talvez seja o processo de deterioração experimentado pelo PT nos últimos cinco anos. Aos 62 anos, nascida em Minas Gerais e educada no Rio Grande do Sul, Dilma se filiou ao PT em 2001 – apenas um ano antes da chegada de Lula ao poder. Ela chamou a atenção do presidente logo nos meses que antecederam sua posse. Nomeada ministra de Minas e Energia, Dilma viu tombar, um a um, os principais nomes imaginados por Lula para suceder-lhe, diante de suspeitas gravíssimas. Há dois anos, isolado em um deserto de homens e ideias, o presidente cogitou a candidatura presidencial de Dilma pela primeira vez. Mas a decisão final, tomada por Lula sem nenhuma consulta ao partido, foi comunicada à ministra e ao PT apenas em março do ano passado. O PT, no princípio, torceu o nariz. Alegou que ela era novata no partido e transformou o fato de Dilma jamais ter disputado uma eleição num obstáculo aparentemente intransponível.

Dois fatores foram decisivos para a virada que permitiu a aclamação de Dilma Rousseff como candidata oficial do PT. O principal é que, sem nenhuma outra alternativa viável e debilitado por sucessivas crises, só restou ao partido se curvar diante da vontade de Lula – um sinal inequívoco de que, quando precisa, o PT sabe ser pragmático e mandar às favas suas convicções mais íntimas. Não deixa de ser irônico que agora o partido que inicialmente a rejeitou dependa dela, tanto quanto dependeu de Lula em trinta anos, para continuar no poder. A outra razão é que, embora ainda não seja unanimidade no partido, Dilma começa a animar as claques petistas à medida que sobe nas pesquisas. Acompanhando o presidente em inaugurações de escolas, barragens e até canteiros de obras, a ministra passou de uma candidata desconhecida, com apenas 3% das intenções de voto, para uma forte concorrente, com 25%, marca que a coloca em segundo lugar, logo atrás do governador de São Paulo, José Serra. Tudo isso em menos de um ano. Lula é o presidente mais popular da história e seu governo é aprovado por oito em cada dez brasileiros. Um padrinho com essa força pode fazer de Dilma presidente. Uma vez no governo, porém, pode ser um risco deixá-la à própria sorte. Uma candidata sem o domínio do próprio partido e com o sempre chantagista PMDB na vaga de vice pode viver em constante crise política. Por isso, Lula precisará funcionar como um fiador da governabilidade. O apoio do mentor é imprescindível a uma candidata escolhida por um dedazo presidencial.

 

O CRIADOR E A CRIATURA: Lula e Dilma puseram o pé na estrada há seis meses: em alta nas pesquisas

 

A escalada é mais íngreme daqui para a frente. Ela vai exigir que Dilma escape da órbita de Lula e do partido e se mostre capaz de ser presidente, e não apenas a escolhida do mestre eleitoreiro. Como se saberá se ela adquiriu essa força motriz e personalidade própria? Quando e se Dilma ultrapassar a marca de 30% das intenções de votos, essa pergunta estará respondida. Essa marca é a que o PT tradicionalmente obtém nas votações de amplitude nacional. É o capital político da sigla. A partir daí é com a candidata.

A disputa pela simpatia do eleitorado e a difícil missão de neutralizar o radicalismo de seu partido, porém, não são os únicos desafios de Dilma. Agora mesmo, a turma do PT defenestrada pelo mensalão enxerga em sua candidatura uma maneira de se reabilitar na vida política. O exemplo mais notório é o ex-ministro José Dirceu, réu no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de comandar a quadrilha que desviava dinheiro público para subornar parlamentares aliados do governo. Dirceu era um dos personagens mais animados no congresso petista que aclamou Dilma. “Terei papel oficial na campanha”, dizia. “Mensalão, para mim, não é corrupção. É financiamento de campanha com caixa dois.” Outro mensaleiro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, tem a mesma ambição. Quer ocupar a Secretaria de Comunicação do PT e palpitar sobre a estratégia eleitoral de Dilma. O risco de dar corda a essa turma é enorme. Nos últimos meses, Dirceu tem percorrido os estados governados pelo PSB para, na base da chantagem, impedir a candidatura presidencial de Ciro Gomes. O método não é apropriado – e os benefícios para Dilma são incertos. De acordo com as últimas pesquisas, a saí-da de Ciro facilitaria uma vitória de Serra já no primeiro turno. Ciro é um desses fatores imponderáveis, de trajetória errática capaz de produzir fatos que, como disse Dilma, “quando a gente pensa que já viu tudo, vê que não viu nada”.

10 perguntas para Dilma Rousseff

A entrevista que se segue com a ministra Dilma Rousseff foi feita por e-mail e precedida de uma rápida conversa por telefone. Dilma respondeu a todas as perguntas enviadas, mas não aceitou réplicas a suas respostas

 

Dilma em foto de 1993, quando era secretária de Energia e Minas do Rio Grande do Sul: “A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social”

John Maynard Keynes, que a senhora admira, dizia alguma coisa equivalente a “se a realidade muda, eu mudo minhas convicções”. Como sua visão de mundo mudou com o tempo e com a experiência de ajudar a governar um país? O Brasil superou uma ditadura militar e está consolidando sua democracia. A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.

Henry Adams, outro autor que a senhora lê com assiduidade, escreveu que “conhecer a natureza humana é o começo e o fim de toda educação política”. A senhora acredita que conhece o bastante da natureza humana, em especial a dos políticos, mesmo sem ter disputado eleições antes? Conheço bem o pensamento de Henry Adams para saber que nessa citação ele se refere à política no seu sentido amplo. Falando no sentido estritamente eleitoral da sua pergunta, acredito que minha experiência de mais de quarenta anos de militância política e gestão pública permite construir um relacionamento equilibrado com as diferentes forças partidárias que participarão desse processo eleitoral.

Os brasileiros trabalham cinco meses do ano para pagar impostos, cuja carga total beira 40% do PIB. Em uma situação dessas, faz sentido considerar a ampliação do papel do estado na vida das pessoas, como parece ser a sua proposta? O que defendemos é a recomposição da capacidade do estado para planejar, gerir e executar políticas e serviços públicos de interesse da população. Os setores produtivos deste país reconhecem a importância da atuação equilibrada e anticíclica do estado brasileiro na indução do desenvolvimento econômico. Sem a participação do estado, em parceria com o setor privado, não seria possível construir 1 milhão de casas no Brasil.

Não fosse a necessidade de criar slogans e conceitos de rápida assimilação popular nas campanhas, seria o caso de superar esse debate falso e improdutivo sobre “estado mínimo” e “estado máximo”, correto? Afinal, ninguém de carne e osso com cérebro entre as orelhas vive nesses extremos fundamentalistas. Qual o real papel do estado? Nos sete anos de nosso governo, ficou demonstrado o papel que vemos para o estado: induzir o desenvolvimento dos setores produtivos, priorizar os investimentos em infraestrutura em parceria com o setor privado, fortalecer e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento científico-tecnológico, assegurando ganhos de produtividade em todos os setores econômicos. Modernizar os serviços públicos buscando responder de forma eficaz às demandas da população nas áreas da saúde, educação, segurança pública e demais direitos da cidadania. Chamo atenção para a comprovada eficácia dos programas que criamos. O Bolsa Família, o Luz para Todos, o Programa Minha Casa Minha Vida, as obras de sanea-mento e drenagem do PAC, entre outros, produziram forte impacto na melhoria de vida da população e resultaram também no fortalecimento do mercado interno. Finalmente, gostaria de destacar o papel do setor público diante da crise recente, o que permitiu que fôssemos os últimos a entrar e os primeiros a sair dela. Garantimos crédito, desoneração fiscal e liquidez para a economia.

O presidente Lula soube manter aceso o debate ideológico no PT, mas rejeitou todos os avanços dos radicais sobre o governo. Como a senhora vai controlar o fogo dos bolsões sinceros mas radicais do seu partido – em especial a chama da censura à imprensa e do controle estatal da cultura? Censura à imprensa e controle estatal da cultura estão completamente fora das ações do atual governo, como também de nossas propostas para o futuro.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu a senhora como uma lua política sem luz própria girando em torno e dependente do carisma ensolarado do presidente Lula. Como a senhora pretende firmar sua própria identidade? Não considero apropriado discutir luminosidade com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A oposição certamente vai bater na tecla da personalidade durante a campanha, explorando situações em que sua versão de determinados fatos soaram como mentiras. Como Otto von Bismarck, o chanceler de ferro da Alemanha, a senhora vê lugar para a mentira na prática política? Na democracia não vejo nenhum lugar para a mentira. Como já disse em audiência no Congresso Nacional, em situações de arbítrio e regimes de exceção, a omissão da verdade pode ser um recurso de defesa pessoal e de proteção a companheiros.

Qual o perfil ideal de vice-presidente para compor sua chapa? Um nome que expresse a força e a diversidade da nossa aliança.

O presidenciável Ciro Gomes, aliado do seu governo, afirma que a aliança entre o PT e o PMDB é um “roçado de escândalos semeados”. A senhora não só defende essa aliança como quer o PMDB indicando o vice em sua chapa. Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho? Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável. O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança.

O Brasil está cercado de alguns países em franca decomposição institucional, com os quais o presidente Lula manteve boas relações, cuidando, porém, de demarcar as diferenças de estágio civilizatório que os separam do Brasil. Como um eventual governo da senhora vai lidar com governantes como Hugo Chávez ou Evo Morales? Lidaremos com responsabilidade e equilíbrio com todos os países, respeitando sua soberania e sem ingerência em seus assuntos internos. É esse, também, o tratamento que exigimos de todos os países, em reciprocidade.

Os dois figurinos de Dilma

Radical no discurso, mas quase sempre pragmática na ação, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, joga para a plateia petista sem assustar o empresariado 

Desde que entrou para o governo, Dilma Rousseff desenvolveu um código de conduta particular. Nele, um discurso ideológico é quase sempre seguido por uma decisão pragmática que, não raro, acaba contrariando sua fala. Especialistas enxergam na prática uma tentativa da ministra, que pertenceu ao PDT por 21 anos, de reafirmar publicamente sua “identidade petista”. Em outras palavras, o figurino radical de Dilma é para petista ver. O outro, norteado pela consciência de que o capitalismo produz riqueza, é o que ela usa na hora de pôr a mão na massa. De seis episódios nos quais teve atuação marcante no governo, a ministra migrou do discurso de viés estatizante para a linguagem de mercado em cinco (veja o quadro). A exceção ficou por conta da definição das regras de exploração do petróleo na camada do pré-sal. Na contramão dos episódios anteriores, ela enviou ao Congresso proposta que veta a participação de empresas privadas na parte principal do negócio e dá à Petrobras o monopólio da operação. Ali a contradição é apenas aparente. Na essência, a mudança de rota está em franca sintonia com o pragmatismo à la Rousseff. Afinal de contas, numa campanha em que o discurso nacionalista será estridente, “o petróleo é nosso” é um slogan que será explorado até a última gota.

Força-tarefa exuma corpo de adolescente em Vitória da Conquista

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Juscelino Souza e Marcelo Brandão, A Tarde

A perícia encontrou dois projéteis no crânio do adolescente Oséas Belas de Oliveira, 15 anos, que teve o corpo exumado no final da tarde desta sexta, em Vitória da Conquista, distante 509 km de Salvador. A exumação foi solicitada por promotores da força-tarefa do Ministério Público (MP) estadual, que investiga a participação de policiais militares no sequestro e assassinato de 14 pessoas, em represália pela morte do soldado PM Marcelo Márcio Lima Silva,  ocorrida mês passado, no mesmo município.

Os projéteis podem identificar de onde partiram os tiros e descobrir se os disparos foram efetuados por armas de PMs. Segundo testemunhas, o rapaz foi sequestrado por militares, junto com mais três adolescentes (Jocafre Marques, 17; Mateus Santos e Vanessa Morais, ambos de 14 anos), sumidos.

 A exumação foi solicitada à Justiça pela promotora da Vara de Homicídios, Genísia Silva Oliveira, pois o laudo pericial do corpo, realizado dia 1º, estava incompleto. Não foram realizados exames periciais como a microcomparação balística, dentre outros relevantes para identificação da autoria do crime. Peritos alegaram falta de condições técnicas para a necrópsia, como equipamento de proteção individual, a exemplo de máscaras, luvas e aparelho de raios-X para localizar os projéteis no corpo.

A promotora optou por não dar declarações, mas outro integrante da força-tarefa do Ministério Público, Benival Mutim, disse que “a exumação é necessária para que a perícia seja feita de forma adequada, com laudo de trajetória de bala, comparação balística e de perfuração, para ajudar a elucidar o fato”.

Autorizada pelo juiz Reno Viana Soares, titular da Vara do Júri da comarca de Vitória da Conquista, a exumação foi iniciada por volta das 18 horas, no cemitério do bairro do Kadija, na periferia do município. A movimentação de viaturas policiais no local chamou a atenção de curiosos, que acompanharam os trabalhos do perito médico Walter Bittencourt, junto com uma equipe do DPT, na sepultura 399, localizada na quadra A-588 do cemitério.

Além dos dois promotores, a retirada do caixão foi acompanhada pelo coordenador regional de Polícia Civil, o delegado Odilson Pereira, e pelo tenente-coronel PM Jorge Ubirajara Pedreira, que realizam investigações sobre o caso. Policiais civis do Grupo de Apoio Tático (GAT) ficaram responsáveis pela segurança no local.

Transferido – O corpo de Oséas vai ser transferido, nos próximos dias, para a sede do Departamento de Polícia Técnica (DPT), em Salvador, onde as condições de trabalho e aparelhos permitem realizar todos os exames necessários. Até lá, o cadáver vai ficar sob a guarda de policiais da 10ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Vitória da Conquista).

Os promotores ainda não sabem se os exames serão conclusivos, porque peritos suspeitam que os assassinos podem ter adulterado provas, violando o corpo da vítima.
O próximo passo da força-tarefa será ouvir testemunhas e fazer reconhecimento de policiais militares que são acusados por testemunhas. Por enquanto, segundo o promotor, nenhuma das testemunhas buscou o programa de proteção junto ao órgão, mas muitas deixaram suas casas e estão vivendo escondidas em outras localidades da região.

O delegado Odilson Pereira antecipou parte do rumo das investigações: “Já temos vários indícios de que houve extermínio de pessoas e temos nomes de policiais militares denunciados por familiares de vítimas desaparecidas e executadas”. O tenente-coronel Jorge Ubirajara acredita que deve concluir a sindicância que apura o caso até a próxima quarta-feira.