Políticos de oposição se manifestaram de forma bastante crítica após o lançamento oficial da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República, na tarde deste sábado (20). O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que o presidente Lula promoveu a maior antecipação de campanha da história. Em sua página na internet, o senador foi enfático: “Mesmo antes da desincompatibilização exigida pela lei, Dilma é oficialmente candidata. E a lei? Ora, a lei!”. O presidente do PP, Roberto Freite, foi além: “Dilma é candidata para dois mandatos, diz Lula. Cabe perguntar: ela ganha, pelo menos, o primeiro?”. Já o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), em vez de atacar Dilma, direcionou as críticas ao ex-ministro José Dirceu, também do PT. “José Dirceu diz que ‘mensalão não é corrupção’ e que ‘está de volta’ para ajudar Dilma Rousseff”. Com informações do A Tarde.
“Todos Contra a Dengue”.
A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, através da Secretaria Municipal de Saúde anuncia que vai realizar, pelo segundo ano consecutivo, a gincana “Todos Contra a Dengue”. O objetivo é estimular e despertar o interesse da população, de uma maneira participativa e alegre, em manter os seus quintais, terrenos e espaços comunitários limpos e impróprios à procriação do mosquito transmissor da dengue em Vitória da Conquista.
A inscrição é gratuitas e deve ser realizada na Secretaria Municipal de Saúde, situada na Rua Coronel Gugé, n°. 211, sala 203 – Centro – Vitória da Conquista – Ba, no período de 15 de Março a 23 de Março de 2010. As equipes inscritas vão realizar diversas provas, a exemplo de retiradas de recipientes que acumulem água em quintais e terrenos baldios; ações de incentivo às famílias, vizinhos e amigos para combaterem o mosquito, entre outras. As provas acontecerão entre 26 de março e 22 de maio. Serão premiadas as cinco primeiras colocadas, com os seguintes prêmios: 1º lugar – R$ 8.000,00 (oito mil reais); 2º lugar – R$ 5.000,00 (cinco mil reais); 3º lugar – R$ 4.000,00 (quatro mil reais); 4º lugar – R$ 3.000,00 (três mil reais) e 5º lugar – R$ 2.000,00 (dois mil reais
Dilma: A candidata conquista o ninho
da Revista Veja
O PT aceita oficialmente a candidatura imposta por Lula. Resta saber o que Dilma aceitará do partido no caso de chegar à Presidência da República
“Quando a gente pensa que já viu tudo, vê que não viu nada”, disse Dilma Rousseff depois de assistir ao desfile carnavalesco da escola carioca vencedora, a Unidos da Tijuca, que apresentou o enredo O Segredo. A frase merece o comentário que Dilma mais aprecia: “A senhora tem razão!”. Quem nunca pensou em vê-la sambar com um gari na avenida, viu. Quem achava impensável ver a ministra dar colo a Mercy Jones, filha de 4 anos de Madonna, rainha do pop, viu. E quem pensava que o mais conhecido segredo da República, a candidatura presidencial de Dilma, fosse um enredo com desfecho incerto, viu sua apoteose no congresso do PT na semana passada. Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, foi finalmente apontada como a candidata à Presidência da República.
RITO DE PASSAGEM: Dilma na chegada ao congresso do PT que oficializou sua candidatura na semana passada: afago na militância
O caminho daqui para a frente vai exigir de Dilma mais do que samba no pé e jeito com crianças. Seu repto eleitoral é de uma ousadia ímpar. Sem nunca ter enfrentado nem eleição de condomínio, ela vai buscar os votos dos eleitores para tentar suceder ao mais popular presidente da República da história brasileira recente. Organizada e centralizadora, ela vai se deixar levar caoticamente por uma caravana eleitoral que exige fôlego de atleta, concentração de enxadrista e prontidão circense. Com um humor superficial facilmente azedável e dona de opiniões incontrastáveis, quase hieráticas, sobre os temas técnicos mais arcanos, ela vai ter de retribuir com sorrisos artificiais nos palanques os comentários mais estúpidos. E tome buchada de bode, maionese, feijão-de-corda e copos de Cravo Escarlate, a infusão energizante feita com dezesseis ervas consumida pelos ritmistas da Imperatriz Leopoldinense durante o desfile de Carnaval. Dilma provou, quase se engasgou, mas recuperou o fôlego e secou o copo.
A ministra já vinha ensaiando essa sua versão eleitoral exibida no Carnaval carioca. Ela foi testada mesmo em outra festa, a do IV Congresso do PT, que reuniu 1 300 dirigentes e militantes na capital federal, com o objetivo de aclamá-la pré-candidata do partido. A aclamação oficial pelo partido que lhe torcia o nariz, mas que agora depende dela para se manter no poder, é um desses momentos acrobáticos que só a política pode produzir. A escolha de Dilma revela o poder absoluto de Lula sobre o partido que ele fundou há trinta anos, fez crescer e levou ao topo do poder em Brasília. Revela também que continua sendo um desafio manter estável a volátil química petista, em que o anacronismo marxista radical minoritário convive com uma maioria convertida à democracia social. Lula sempre conseguiu manter sob controle essa reação em cadeia, afunilando todas as suas energias em benefício de sua própria carreira política. Dilma terá de aprender a fazer essa mágica. Por enquanto, ela conta com Lula para diminuir a concentração de ideias tóxicas explosivas no caldeirão ideológico do petismo. Na campanha e, eventualmente, no poder em Brasília, ela vai ter de domar os radicais com suas próprias forças.
O CONSELHEIRO: Na véspera do encontro do PT, Lula aconselhou a candidata: “Seja conciliadora”
Na semana passada, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente tangenciou o tema. “Não há nenhum crime ou equívoco no fato de um partido ter um programa mais progressista do que o governo”, afirmou Lula. “O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender.” É um pouco mais complexo que isso. Uma vez no governo, o PT tentou implementar teses ruinosas de ruptura revolucionária com avanços duramente conquistados pelos brasileiros, como observa a Carta ao Leitor desta edição. Dinheiro de impostos, transferido a entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), financiou invasões de propriedades, saques e depredações de prédios públicos. Apesar disso, em seus sete anos de governo, Lula conseguiu evitar que os radicais do partido materializassem seus instintos mais nocivos. Dilma, se eleita, conseguirá o mesmo?
A cinco meses do início da campanha, essa já é uma questão prioritária para a candidata. O ato inaugural dessa dinâmica deu-se na semana passada em Brasília. Em sua primeira aparição no evento do PT, a ministra discursou para comunistas e socialistas de países como China, Coreia do Norte, Cuba e Venezuela. Sua fala ocorreu a portas fechadas e não pôde ser acompanhada pela imprensa. Sabe-se que a ministra foi muito aplaudida e que recebeu o apoio do tiranete Hugo Chávez, transmitido por uma representante da Venezuela. Longe dos holofotes vermelhos, porém, Dilma e Lula tentam se desvencilhar dos pendores revolucionários do petismo. O texto A Grande Transformação, que reúne propostas do PT para a candidata, precisou ser totalmente reformulado. O original, de autoria do coordenador de seu programa de governo, Marco Aurélio Garcia, defendia maior controle da economia, atacava a liberdade de expressão e propunha o controle dos canais de TV por assinatura. Lula e Dilma mandaram retirar essas passagens e incluir temas como a defesa da preservação da estabilidade econômica e um elogio à atuação dos bancos brasileiros na crise financeira que sacudiu o planeta. “Você tem de ser conciliadora, Dilma”, insistiu Lula.
A CANDIDATA: A ministra Dilma visitou três estados durante o Carnaval e sambou na Sapucaí com um gari: a folia terminou com aclamação em Brasília
A preocupação do presidente e de sua candidata com o radicalismo aliado não se limita aos excessos de radicais como Marco Aurélio Garcia, cujo relógio ideológico está parado há três décadas. “Parece que tem gente no PT com saudade do tempo em que perdíamos uma eleição atrás da outra”, afirma o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, um dos estrategistas da ministra. O risco de o radicalismo petista contaminar a campanha de Dilma é tão grande que já existe até uma estratégia para detê-lo. Além de exigir mudanças nas sugestões para a candidata, o presidente já deixou claro, em conversas com os estrategistas da campanha, que as propostas do PT não se confundirão com o programa de governo de Dilma. Embora o radical Garcia seja oficialmente o coordenador do programa de governo, fórmula para tentar animar a combalida militância petista, Lula decidiu afastá-lo das articulações da campanha. Na área econômica, o principal alvo dos ataques tóxicos do radicalismo, os responsáveis serão o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o presidente do Banco Central Henrique Meirelles e o ex-ministro Delfim Netto. “A maior contribuição do PT ao país é o governo Lula. Queremos dar continuidade a esse projeto com a Dilma”, diz o senador petista Aloizio Mercadante.
Se os arroubos autoritários do PT parecem estar contidos na campanha, o tamanho de sua participação num eventual governo de Dilma ainda é incerto. “Lula é maior que o PT e tem uma capacidade de liderança maior que a de Dilma. Isso cria uma oportunidade para que o PT exerça um protagonismo no governo Dilma”, disse recentemente o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra. É um sinal claro de que, se eleita, Dilma terá de continuar consumindo parte de seu tempo para conter as tentações hegemônicas da sigla. Dono de uma biografia única e de uma popularidade nunca antes obtida por um presidente, Lula conseguiu isolar os radicais distribuindo cargos e verbas em troca de obediência canina. “A aceitação de Dilma pelo PT é a prova definitiva de que Lula faz o que quer com o partido. Mas a relação dela com a legenda ainda está para ser definida”, diz o cientista político Octaciano Nogueira. Um eventual governo de Dilma, segundo especialistas ouvidos por VEJA, provavelmente tentará seguir a mesma linha de relacionamento adotada por Lula com relação ao PT. “Há também sempre a possibilidade de Lula interferir se essa tensão fugir do controle”, analisa o cientista político David Fleischer.
A influência de um presidente sobre os desígnios da própria sucessão é uma prática normal nas democracias. A imposição de um nome por um presidente a um partido político, porém, só é praxe em repúblicas populistas. No México, entre 1929 e 2000, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) elegeu todos os presidentes da República. Partido e governo estavam tão imbricados que o presidente do país acumulava a função de presidente do partido. Como comandante nacional da legenda, também cabia ao presidente indicar o candidato do partido à sua própria sucessão, processo batizado de dedazo. Os casos mais conhecidos de dedazo terminaram mal. O ex-presidente mexicano Luís Echeverria, que governou entre 1970 e 1976, impôs o nome de José López Portillo ao PRI. Portillo foi eleito e governou entre 1976 e 1982. Mas sua gestão foi um desastre. O jornal The New York Times descreveu-a como um dos governos “mais incompetentes e corruptos do México”. Situação parecida foi experimentada na Argentina. Em 1973, Juan Perón, que já havia governado o país por duas vezes, estava impedido de se candidatar pela ditadura militar. Perón, então, impôs o nome de seu dentista, Héctor Cámpora, ao Partido Justicialista. Cámpora renunciou depois de apenas três meses no poder em meio a uma grave crise política.
FIADOR DA ESTABILIDADE: Lula quer Meirelles como formulador do programa de Dilma para evitar abalos na economia
Não há, evidentemente, uma relação direta entre a maneira de escolher um candidato e o seu desempenho no poder. Dilma virou candidata graças a uma rara conjunção de fatores. O principal deles talvez seja o processo de deterioração experimentado pelo PT nos últimos cinco anos. Aos 62 anos, nascida em Minas Gerais e educada no Rio Grande do Sul, Dilma se filiou ao PT em 2001 – apenas um ano antes da chegada de Lula ao poder. Ela chamou a atenção do presidente logo nos meses que antecederam sua posse. Nomeada ministra de Minas e Energia, Dilma viu tombar, um a um, os principais nomes imaginados por Lula para suceder-lhe, diante de suspeitas gravíssimas. Há dois anos, isolado em um deserto de homens e ideias, o presidente cogitou a candidatura presidencial de Dilma pela primeira vez. Mas a decisão final, tomada por Lula sem nenhuma consulta ao partido, foi comunicada à ministra e ao PT apenas em março do ano passado. O PT, no princípio, torceu o nariz. Alegou que ela era novata no partido e transformou o fato de Dilma jamais ter disputado uma eleição num obstáculo aparentemente intransponível.
Dois fatores foram decisivos para a virada que permitiu a aclamação de Dilma Rousseff como candidata oficial do PT. O principal é que, sem nenhuma outra alternativa viável e debilitado por sucessivas crises, só restou ao partido se curvar diante da vontade de Lula – um sinal inequívoco de que, quando precisa, o PT sabe ser pragmático e mandar às favas suas convicções mais íntimas. Não deixa de ser irônico que agora o partido que inicialmente a rejeitou dependa dela, tanto quanto dependeu de Lula em trinta anos, para continuar no poder. A outra razão é que, embora ainda não seja unanimidade no partido, Dilma começa a animar as claques petistas à medida que sobe nas pesquisas. Acompanhando o presidente em inaugurações de escolas, barragens e até canteiros de obras, a ministra passou de uma candidata desconhecida, com apenas 3% das intenções de voto, para uma forte concorrente, com 25%, marca que a coloca em segundo lugar, logo atrás do governador de São Paulo, José Serra. Tudo isso em menos de um ano. Lula é o presidente mais popular da história e seu governo é aprovado por oito em cada dez brasileiros. Um padrinho com essa força pode fazer de Dilma presidente. Uma vez no governo, porém, pode ser um risco deixá-la à própria sorte. Uma candidata sem o domínio do próprio partido e com o sempre chantagista PMDB na vaga de vice pode viver em constante crise política. Por isso, Lula precisará funcionar como um fiador da governabilidade. O apoio do mentor é imprescindível a uma candidata escolhida por um dedazo presidencial.
O CRIADOR E A CRIATURA: Lula e Dilma puseram o pé na estrada há seis meses: em alta nas pesquisas
A escalada é mais íngreme daqui para a frente. Ela vai exigir que Dilma escape da órbita de Lula e do partido e se mostre capaz de ser presidente, e não apenas a escolhida do mestre eleitoreiro. Como se saberá se ela adquiriu essa força motriz e personalidade própria? Quando e se Dilma ultrapassar a marca de 30% das intenções de votos, essa pergunta estará respondida. Essa marca é a que o PT tradicionalmente obtém nas votações de amplitude nacional. É o capital político da sigla. A partir daí é com a candidata.
A disputa pela simpatia do eleitorado e a difícil missão de neutralizar o radicalismo de seu partido, porém, não são os únicos desafios de Dilma. Agora mesmo, a turma do PT defenestrada pelo mensalão enxerga em sua candidatura uma maneira de se reabilitar na vida política. O exemplo mais notório é o ex-ministro José Dirceu, réu no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de comandar a quadrilha que desviava dinheiro público para subornar parlamentares aliados do governo. Dirceu era um dos personagens mais animados no congresso petista que aclamou Dilma. “Terei papel oficial na campanha”, dizia. “Mensalão, para mim, não é corrupção. É financiamento de campanha com caixa dois.” Outro mensaleiro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, tem a mesma ambição. Quer ocupar a Secretaria de Comunicação do PT e palpitar sobre a estratégia eleitoral de Dilma. O risco de dar corda a essa turma é enorme. Nos últimos meses, Dirceu tem percorrido os estados governados pelo PSB para, na base da chantagem, impedir a candidatura presidencial de Ciro Gomes. O método não é apropriado – e os benefícios para Dilma são incertos. De acordo com as últimas pesquisas, a saí-da de Ciro facilitaria uma vitória de Serra já no primeiro turno. Ciro é um desses fatores imponderáveis, de trajetória errática capaz de produzir fatos que, como disse Dilma, “quando a gente pensa que já viu tudo, vê que não viu nada”.
10 perguntas para Dilma Rousseff
A entrevista que se segue com a ministra Dilma Rousseff foi feita por e-mail e precedida de uma rápida conversa por telefone. Dilma respondeu a todas as perguntas enviadas, mas não aceitou réplicas a suas respostas
Dilma em foto de 1993, quando era secretária de Energia e Minas do Rio Grande do Sul: “A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social”
John Maynard Keynes, que a senhora admira, dizia alguma coisa equivalente a “se a realidade muda, eu mudo minhas convicções”. Como sua visão de mundo mudou com o tempo e com a experiência de ajudar a governar um país? O Brasil superou uma ditadura militar e está consolidando sua democracia. A realidade mudou, e nós com ela. Contudo, nunca mudei de lado. Sempre estive ao lado da justiça, da democracia e da igualdade social.
Henry Adams, outro autor que a senhora lê com assiduidade, escreveu que “conhecer a natureza humana é o começo e o fim de toda educação política”. A senhora acredita que conhece o bastante da natureza humana, em especial a dos políticos, mesmo sem ter disputado eleições antes? Conheço bem o pensamento de Henry Adams para saber que nessa citação ele se refere à política no seu sentido amplo. Falando no sentido estritamente eleitoral da sua pergunta, acredito que minha experiência de mais de quarenta anos de militância política e gestão pública permite construir um relacionamento equilibrado com as diferentes forças partidárias que participarão desse processo eleitoral.
Os brasileiros trabalham cinco meses do ano para pagar impostos, cuja carga total beira 40% do PIB. Em uma situação dessas, faz sentido considerar a ampliação do papel do estado na vida das pessoas, como parece ser a sua proposta? O que defendemos é a recomposição da capacidade do estado para planejar, gerir e executar políticas e serviços públicos de interesse da população. Os setores produtivos deste país reconhecem a importância da atuação equilibrada e anticíclica do estado brasileiro na indução do desenvolvimento econômico. Sem a participação do estado, em parceria com o setor privado, não seria possível construir 1 milhão de casas no Brasil.
Não fosse a necessidade de criar slogans e conceitos de rápida assimilação popular nas campanhas, seria o caso de superar esse debate falso e improdutivo sobre “estado mínimo” e “estado máximo”, correto? Afinal, ninguém de carne e osso com cérebro entre as orelhas vive nesses extremos fundamentalistas. Qual o real papel do estado? Nos sete anos de nosso governo, ficou demonstrado o papel que vemos para o estado: induzir o desenvolvimento dos setores produtivos, priorizar os investimentos em infraestrutura em parceria com o setor privado, fortalecer e impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento científico-tecnológico, assegurando ganhos de produtividade em todos os setores econômicos. Modernizar os serviços públicos buscando responder de forma eficaz às demandas da população nas áreas da saúde, educação, segurança pública e demais direitos da cidadania. Chamo atenção para a comprovada eficácia dos programas que criamos. O Bolsa Família, o Luz para Todos, o Programa Minha Casa Minha Vida, as obras de sanea-mento e drenagem do PAC, entre outros, produziram forte impacto na melhoria de vida da população e resultaram também no fortalecimento do mercado interno. Finalmente, gostaria de destacar o papel do setor público diante da crise recente, o que permitiu que fôssemos os últimos a entrar e os primeiros a sair dela. Garantimos crédito, desoneração fiscal e liquidez para a economia.
O presidente Lula soube manter aceso o debate ideológico no PT, mas rejeitou todos os avanços dos radicais sobre o governo. Como a senhora vai controlar o fogo dos bolsões sinceros mas radicais do seu partido – em especial a chama da censura à imprensa e do controle estatal da cultura? Censura à imprensa e controle estatal da cultura estão completamente fora das ações do atual governo, como também de nossas propostas para o futuro.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu a senhora como uma lua política sem luz própria girando em torno e dependente do carisma ensolarado do presidente Lula. Como a senhora pretende firmar sua própria identidade? Não considero apropriado discutir luminosidade com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A oposição certamente vai bater na tecla da personalidade durante a campanha, explorando situações em que sua versão de determinados fatos soaram como mentiras. Como Otto von Bismarck, o chanceler de ferro da Alemanha, a senhora vê lugar para a mentira na prática política? Na democracia não vejo nenhum lugar para a mentira. Como já disse em audiência no Congresso Nacional, em situações de arbítrio e regimes de exceção, a omissão da verdade pode ser um recurso de defesa pessoal e de proteção a companheiros.
Qual o perfil ideal de vice-presidente para compor sua chapa? Um nome que expresse a força e a diversidade da nossa aliança.
O presidenciável Ciro Gomes, aliado do seu governo, afirma que a aliança entre o PT e o PMDB é um “roçado de escândalos semeados”. A senhora não só defende essa aliança como quer o PMDB indicando o vice em sua chapa. Não é um risco político dar tanto espaço a um partido comandado por Renan Calheiros, José Sarney e Jader Barbalho? Não se deve governar um país sem alianças e coalizões. Mesmo quando isso é possível, não é desejável. O PMDB é um dos maiores partidos brasileiros, com longa tradição democrática. Queremos o PMDB em nossa aliança.
O Brasil está cercado de alguns países em franca decomposição institucional, com os quais o presidente Lula manteve boas relações, cuidando, porém, de demarcar as diferenças de estágio civilizatório que os separam do Brasil. Como um eventual governo da senhora vai lidar com governantes como Hugo Chávez ou Evo Morales? Lidaremos com responsabilidade e equilíbrio com todos os países, respeitando sua soberania e sem ingerência em seus assuntos internos. É esse, também, o tratamento que exigimos de todos os países, em reciprocidade.
Os dois figurinos de Dilma
Radical no discurso, mas quase sempre pragmática na ação, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, joga para a plateia petista sem assustar o empresariado
Desde que entrou para o governo, Dilma Rousseff desenvolveu um código de conduta particular. Nele, um discurso ideológico é quase sempre seguido por uma decisão pragmática que, não raro, acaba contrariando sua fala. Especialistas enxergam na prática uma tentativa da ministra, que pertenceu ao PDT por 21 anos, de reafirmar publicamente sua “identidade petista”. Em outras palavras, o figurino radical de Dilma é para petista ver. O outro, norteado pela consciência de que o capitalismo produz riqueza, é o que ela usa na hora de pôr a mão na massa. De seis episódios nos quais teve atuação marcante no governo, a ministra migrou do discurso de viés estatizante para a linguagem de mercado em cinco (veja o quadro). A exceção ficou por conta da definição das regras de exploração do petróleo na camada do pré-sal. Na contramão dos episódios anteriores, ela enviou ao Congresso proposta que veta a participação de empresas privadas na parte principal do negócio e dá à Petrobras o monopólio da operação. Ali a contradição é apenas aparente. Na essência, a mudança de rota está em franca sintonia com o pragmatismo à la Rousseff. Afinal de contas, numa campanha em que o discurso nacionalista será estridente, “o petróleo é nosso” é um slogan que será explorado até a última gota.
Força-tarefa exuma corpo de adolescente em Vitória da Conquista
Juscelino Souza e Marcelo Brandão, A Tarde
A perícia encontrou dois projéteis no crânio do adolescente Oséas Belas de Oliveira, 15 anos, que teve o corpo exumado no final da tarde desta sexta, em Vitória da Conquista, distante 509 km de Salvador. A exumação foi solicitada por promotores da força-tarefa do Ministério Público (MP) estadual, que investiga a participação de policiais militares no sequestro e assassinato de 14 pessoas, em represália pela morte do soldado PM Marcelo Márcio Lima Silva, ocorrida mês passado, no mesmo município.
Os projéteis podem identificar de onde partiram os tiros e descobrir se os disparos foram efetuados por armas de PMs. Segundo testemunhas, o rapaz foi sequestrado por militares, junto com mais três adolescentes (Jocafre Marques, 17; Mateus Santos e Vanessa Morais, ambos de 14 anos), sumidos.
A exumação foi solicitada à Justiça pela promotora da Vara de Homicídios, Genísia Silva Oliveira, pois o laudo pericial do corpo, realizado dia 1º, estava incompleto. Não foram realizados exames periciais como a microcomparação balística, dentre outros relevantes para identificação da autoria do crime. Peritos alegaram falta de condições técnicas para a necrópsia, como equipamento de proteção individual, a exemplo de máscaras, luvas e aparelho de raios-X para localizar os projéteis no corpo.
A promotora optou por não dar declarações, mas outro integrante da força-tarefa do Ministério Público, Benival Mutim, disse que “a exumação é necessária para que a perícia seja feita de forma adequada, com laudo de trajetória de bala, comparação balística e de perfuração, para ajudar a elucidar o fato”.
Autorizada pelo juiz Reno Viana Soares, titular da Vara do Júri da comarca de Vitória da Conquista, a exumação foi iniciada por volta das 18 horas, no cemitério do bairro do Kadija, na periferia do município. A movimentação de viaturas policiais no local chamou a atenção de curiosos, que acompanharam os trabalhos do perito médico Walter Bittencourt, junto com uma equipe do DPT, na sepultura 399, localizada na quadra A-588 do cemitério.
Além dos dois promotores, a retirada do caixão foi acompanhada pelo coordenador regional de Polícia Civil, o delegado Odilson Pereira, e pelo tenente-coronel PM Jorge Ubirajara Pedreira, que realizam investigações sobre o caso. Policiais civis do Grupo de Apoio Tático (GAT) ficaram responsáveis pela segurança no local.
Transferido – O corpo de Oséas vai ser transferido, nos próximos dias, para a sede do Departamento de Polícia Técnica (DPT), em Salvador, onde as condições de trabalho e aparelhos permitem realizar todos os exames necessários. Até lá, o cadáver vai ficar sob a guarda de policiais da 10ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Vitória da Conquista).
Os promotores ainda não sabem se os exames serão conclusivos, porque peritos suspeitam que os assassinos podem ter adulterado provas, violando o corpo da vítima.
O próximo passo da força-tarefa será ouvir testemunhas e fazer reconhecimento de policiais militares que são acusados por testemunhas. Por enquanto, segundo o promotor, nenhuma das testemunhas buscou o programa de proteção junto ao órgão, mas muitas deixaram suas casas e estão vivendo escondidas em outras localidades da região.
O delegado Odilson Pereira antecipou parte do rumo das investigações: “Já temos vários indícios de que houve extermínio de pessoas e temos nomes de policiais militares denunciados por familiares de vítimas desaparecidas e executadas”. O tenente-coronel Jorge Ubirajara acredita que deve concluir a sindicância que apura o caso até a próxima quarta-feira.
Ministério quer expandir malha aérea e rede hoteleira do Nordeste
Lourenço Canuto | Agência Brasil
Brasília – A expansão da malha aérea regional e a melhoria de aeroportos e da rede hoteleira são os objetivos do Ministério do Turismo para a Região Nordeste do país. Com projetos na área de infraestrutura, o país pretende atender com excelência turistas que virão para os jogos da Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016.
Ao comentar o assunto, em entrevista concedida nesta sexta-feira, 19, no programa Bom Dia, Ministro, o ministro do Turismo, Luiz Barretto, afirmou que o Ministério da Defesa tem projeto específico para a aviação regional e tem discutido o assunto com os nove governadores dos estados nordestinos, que têm demonstrado sensibilidade com a questão.
Entre as propostas em discussão, de acordo com Barreto, está a redução no valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a aviação regional. “Isso vai gerar facilidades para que a gente tenha de fato uma aviação regional capaz de movimentar os principais centros. O Ceará tem feito a lição de casa, com a ampliação dos aeroportos regionais.”
A entrada no mercado consumidor de 20 milhões de pessoas, ocorrida nos últimos anos, segundo ele, impulsionou o turismo no país, por isso o ministério trabalha para criar uma “cultura de viagem”. A competição entre as companhias aéreas resulta em baixa nos preços de passagens e se torna um “gargalo a menos a ser enfrentado”.
Barretto cita, em relação ao Piauí, como rota do turismo náutico internacional, a inauguração de um aeroporto em Parnaíba (região litorânea do estado) e outro em São Raimundo Nonato. A ampliação do porto e a construção de uma marina em Luis Correia (PI) são outras prioridades do estado, segundo ele.
O ministro ressaltou a necessidade de se trabalhar para atrair a atenção dos cerca de 1 milhão de turistas argentinos que visitam o Brasil anualmente. “Esperamos que eles passem a visitar também a Região Nordeste, onde poderão encontrar diversidades que não existem no Sul, atualmente a rota preferida”.
Luiz Barreto afirmou que, graças a trabalho conjunto da Polícia Federal com a Secretaria Especial de Direitos Humanos e embaixadas, tem se conseguido combater o turismo sexual, “que é uma preocupação constante”. Ele lembra que “não é bom para nenhum hotel receber esse tipo de turista”.
População baiana preocupada com o avanço da meningite no estado
Meningite é destaque na imprensa
O aumento da incidência da meningite e a falta de vacina em postos de saúde, por conta da quantidade insuficiente enviada pelo Governo do Estado foram destaques na imprensa de hoje. Os jornais A Tarde e Tribuna da Bahia descreveram o quadro de preocupação da população, em relação a doença e ao mesmo tempo, a ineficiência das ações adotadas pelo Governo Jaques Wagner.
“A meningite meningocócica foi o maior motivo de preocupação dos foliões, provocando a morte de um homem que residia no bairro de Itapuã, distrito sanitário com maior incidência da doença em toda Salvador, e contaminando outras seis pessoas”, disse a Tribuna da Bahia, tendo como base dados fornecidos pela própria Secretaria de Saúde do Estado.
Ainda de acordo com a Tribuna da Bahia, foram notificados pela Sesab até o último dia 13, um total de 24 casos de meningite meningocócica, que é a forma mais grave da doença, com quatro mortes. No mesmo período do ano passado foram 20 casos e três óbitos, o que representa um crescimento de 20%.
O Jornal A Tarde deu destaque ao fato da vacina prometida pelo Governo do Estado para imunização de todas as crianças até cinco anos estarem faltando em diversos postos de saúde. Mesmo restringindo a vacinação gratuita a essa pequena faixa etária, a quantidade adquirida não será suficiente para atingir a meta de imunizar 212 mil crianças. De acordo com os dados da Sesab, 110 mil vacinações foram efetuadas e hoje, em estoque, restam apenas 10 mil. Os técnicos do governo prometeram que um novo lote da vacina será adquirido.
Conquista: Procurador afirma que PMs sequestraram e mataram
Fernando Amorim/ Ag. A Tarde
Chefe do MP afirma que PMs nem fizeram questão de esconder os rostos ao cometer os crimes
O procurador-geral de justiça, Lidivaldo Britto, afirmou, ontem, que o Ministério Público (MP) estadual já tem provas da participação de policiais militares no sequestro e assassinato de 14 pessoas, além do desaparecimento de três adolescentes, por vingança à morte do soldado Marcelo Márcio Lima Silva, 32, ocorrida no mês passado, em Vitória da Conquista. As declarações foram feitas no início dos trabalhos de uma força composta por sete promotores de justiça, designados para ajudar nas investigações.
“Foi uma operação desastrosa, PMs invadiram casas, sequestraram e executaram pessoas, usando farda da corporação e até viaturas. Nós já identificamos dois ou três policiais envolvidos porque eles não se deram ao trabalho nem de esconder os rostos ao cometer os crimes”, declarou o chefe do Ministério Público, que foi pessoalmente a Conquista. Leia mais em A Tarde (para assinantes).
Sistema online de escolha de vagas pelo Enem entra no ar nesta sexta-feira
Aluno poderá buscar por 47,9 mil vagas em 51 instituições que aderiram ao exame nacional
Confira também
Apenas uma prova vai escolher 47,9 mil pessoas para entrar em 51 universidades e institutos federais de ensino: o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Para acabar com a ansiedade de mais de 2,5 milhões de concorrentes, o MEC (Ministério da Educação) liberou o acesso ao sistema online de seleção, batizado de Sisu, às 6h desta sexta-feira (29).
Você teve problemas para acessar o Sisu? Escreva aqui
Para entrar no Sisu, os estudantes usarão a mesma senha fornecida para acessar o portal do Enem. O sistema online calculará automaticamente as notas do candidato, conforme o desempenho nas cinco áreas. Veja como o site funciona, passo a passo:
As notas mínimas e máximas de cada prova que compõem a média do Enem (ciências da natureza, ciências humanas, linguagens e matemática e redação) foram divulgadas nesta quinta-feira (28), no site do Inep, instituto de pesquisas responsável pelo exame.
A oferta de vagas será semelhante a um leilão: conforme os estudantes se inscrevem em cada uma das três rodadas, a nota de corte dos cursos vai subindo ou caindo, de acordo com a pontuação geral e com o peso atribuído às áreas do conhecimento avaliadas no Enem.
Cálculo da nota
Como não há uma média global de desempenho no Enem, apenas os valores para cada prova, o aluno terá de usar uma escala para saber se foi bem ou mal na avaliação nacional. O número 500 representa a média de nota obtida por alunos concluintes do ensino médio que fizeram a prova em dezembro (não foram computadas notas de treineiros nem de que já se formou em anos anteriores nessa etapa).
Ou seja, quem recebeu valores acima de 500 está melhor classificado na disputa por uma das 47,9 mil vagas disponíveis nas instituições federais de ensino – o máximo varia entre 887 (ciências humanas) e 985,1 (matemática). Agora, quem estiver abaixo dessa média, pode não conseguir passar no vestibular. As piores médias obtidas ficaram entre 224,3 ( linguagens) e 345,9 (matemática). Saiba se você se saiu bem.
Ao fim da primeira etapa, marcada para 3 de fevereiro, o Sisu calculará as vagas preenchidas. O sistema prevê uma sobra de oportunidades, que serão reabertas na segunda rodada. O mesmo processo será repetido na última fase.
As inscrições no site devem ser feitas até as 23h59 do último dia de cada etapa. Veja o calendário oficial:
| Cronograma |
Primeira etapa |
Segunda etapa |
Terceira etapa |
| Prazo de inscrição no Sisu |
29/2 a 3/2 |
15/2 a 20/2 |
1º/3 a 3/3 |
| Divulgação dos resultados |
5/2 |
22/2 |
5/3 |
| Matrícula na instituição |
8/2 a 12/2 |
23/2 a 26/2 |
9/3 a 12/3 |
19.02.2010 às 08:46
Em sua mensagem ao Legislativo baiano, o governador Jaques Wagner fez referencias aos pontos positivos de sua gestão e do aumento de recursos para alguns setores
Em sua mensagem ao Legislativo baiano, o governador Jaques Wagner destacou o equilíbrio das finanças do Estado, a geração recorde de empregos, 170 mil entre 2007 e 2009, o “Carnaval da Paz”, em que não foram registradas ocorrências fatais, e o trabalho da Segurança Pública na festa bem como no cotidiano. Sobre este segmento, que é um dos mais criticados em sua gestão e considerado ponto frágil pela oposição em seu projeto de reeleição, o governador saudou os 185 anos da PM e ressaltou a redução das ocorrências na folia pelo terceiro ano consecutivamente. “Quem apostou no discurso fácil de um suposto caos da segurança e torceu pelo ’quanto pior melhor’ deve agora reconhecer um trabalho sério, que está dando resultado”, afirmou. Ele falou do aumento dos recursos no setor em 20%, com o alcance de R$ 1,9 bilhão, e a inserção de novos policiais nas ruas e os cursos de formação para os profissionais. Wagner também falou sobre as melhoras na Educação, Saúde, Agricultura e Infraestrutura, assim como a atração da Copa do Mundo de 2014 para Salvador e declarou que a “Bahia é um canteiro de obras”. Na maioria das pausas do seu discurso, os presentes aclamaram a retórica com palmas, sobretudo no quesito geração de novos postos de trabalho e o programa Todos pela Alfabetização (Topa).
Prefeitura de Barra do Choça consegue liminar que garante limites do município para Censo 2010
A Prefeitura Municipal de Barra do Choça conseguiu, no último dia 14 de janeiro, uma Liminar que garante os limites do município para o Censo de 2010 a ser realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Ação Anulatória foi julgada procedente pelo Desenbargador Antonio Pessoa Cardoso.
A decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (que pode ser conferida na íntegra clicando aqui), notifica o IBGE para que utilize o mapa anterior no próximo Censo Populacional a ser realizado neste ano. No conteúdo da Liminar, o Tribunal aponta para a necessidade de garantir à população das áreas que foram transferidas para os municípios de Planalto e Vitória da Conquista o direito aos serviços básicos de saúde e educação. Esses serviços, dentre outros, são oferecidos por Barra do Choça às populações das áreas em litígio, há mais de 50 anos.
Com o Censo realizado em 2007, no qual essas áreas não foram incluídas para Barra do Choça, o município perdeu cerca de 30% da arrecadação, o que ocasionou a redução de cerca de R$ 5 milhões, em 2008 e 2009.
“Com essa decisão nós estaremos, a partir de agora com esse novo Censo, retomando os reais limites do município, para que possamos encontrar a população correta de Barra do Choça”, disse o prefeito. Segundo ele, essa medida poderá contribuir para a retomada do desenvolvimento, na medida em que recupera as receitas e a capacidade de investimentos do município.
Bahia e Vitória jogam na volta do baianão
Depois do carnaval o Baianão de futebol volta em grande estilo. Isto por que o jogo de hoje para os rubros-negros tem sabor especial, ao menos, para o solitário guardião da camisa de número 1. O goleiro colombiano, Viáfra, chega aos 100 jogos pelo Vitória, na partida que será realizada nesta quinta-feira, 18, no Estádio Metropolitano de Pituaçu. O leão da capital enfrenta o líder do grupo 2, Fluminense de Feira, em partida válida pela oitava rodada do campeonato. Além dos cem jogos do Viáfra, a equipe tenta quebrar o tabu, há dois anos não vence o tricolor de Feira.
Já o Bahia entra em campo buscando a revanche contra o homônimo de Feira, no Joia da Princesa. Renato Gaucho não deu entrevistas aos jornalistas, e a quem diga que o salário do treinador não foi pago, o que não é novidade quando se trata do Bahia, há jogadores no elenco que nada recebem há dois meses. O presidente da agremiação caiu fora e foi esfriar a cabeça raspada na Disney em família. O tricolor ainda terá que se virar sem o recém lateral contratado por empréstimo, Apodi, por problemas com a documentação não pode jogar. O Bahia ocupa a segunda colocação no grupo 2, atrás 1 ponto do líder Fluminense de Feira.
Professora da UFBA, Malu Fontes repercuti em um artigo publicado no jornal A Tarde – domingo (14) O Drama da violência, nos lares brasileiros e principalmente na Bahia
Em 2007, o Fantástico, o show da vida, como foi batizado ao nascer, contou uma história de sucesso dessas que emocionam o telespectador que se recusa a capitular diante das tragédias do mundo e sempre acredita que, sim, o mundo tem jeito, e que a vida sempre traz uma surpresa boa, mesmo que seja uma vez na vida e outra na morte ou que seja sob a forma de milagre. Através do programa, o Brasil ficou sabendo que Alcides do Nascimento Lins, pobre, negro, sem pai, filho de uma catadora de lixo da periferia de Recife, fora aprovado, em primeiro lugar entre os alunos egressos de escola pública, no vestibular de Biomedicina, na Universidade Federal de Pernambuco.
No último domingo, no mesmo Fantástico, o otimismo ou a esperança do mesmo telespectador que certamente ainda lembrava da felicidade gritada da mãe do estudante com o ingresso do filho em uma universidade conceituada, foram abatidos com a sentença apresenque tada à família do rapaz pela realidade brasileira, desta vez sob a forma de uma tragédia. Um dia antes, no sábado, Alcides, cuja formatura seria no final deste ano, fora assassinado por marginais na periferia de Recife, dentro de casa, com dois tiros, por não ter a informação sobre o paradeiro de dois vizinhos seus, os reais alvos da perseguição dos assassinos.
Pulo de gato A curta e a um só tempo bem-sucedida e trágica história de Alcides, contada e resumida para o país em duas cenas divididas por três anos pelas câmeras e microfones do Fantástico, no entanto, é apenas mais uma entre as tantas milhares de histórias com enredos semelhantes que se repetem todos os dias nas periferias e nos epicentros de violência brasileira. O que diferencia a história de Alcides da dos milhares de outros meninos pobres, muito jovens, quase sempre negros e assassinados entre a adolescência e a vida adulta é apenas a parte boa: por muito pouco, por um triz, Alcides quase conseguiu dar o pulo do gato que o catapultaria da vida de miséria, onde vigora uma sentença perene ameaçadora de morte precoce pela violência, para uma vida normal, na qual as pessoas fazem planos, têm oportunidades de realizar muitos deles e levam uma viga digna.
A morte de Alcides só tornouse notícia no Fantástico e tema deste texto porque ele, de certo modo, contrariou a lógica apresenque norteia a vida dos meninos iguais a ele e ingressou em uma universidade. Não fosse isso, seu nome sequer talvez merecesse referência específica na imprensa local de Recife.
Como ocorre com os crimes de exceção, ou seja, aqueles que vitimam os melhores nascidos, quando os meios de comunicação são os primeiros a chorá-los por aproximá-los de um “nós’” onde só cabe quem estudou, tem emprego, família e cruza conosco no cinema, na praia ou no shopping, a morte de Alcides tornou-se um fato chocante somente por um dia ele ter conseguido pular o primeiro muro, aquele que se para os miseráveis da universidade pública de qualidade.
Ele deixou de ser mais um menino pobre da periferia e se tornou um herói que driblou o destino previsível ao adquirir um passaporte para mudar de classe.
Não custa nada lembrar que isso só aconteceu por conta das políticas públicas de cotas que dão hoje aos mais pobres oportunidades de ingressar nas melhores universidades do país.
Também não custa nada lembrar que muitas das pessoas que se emocionam com a história de sucesso interrompida de Alcides dizem horrores das cotas e dos cotistas.
Dúzia de Alcides Muitos melhores nascidos ainda ingressam na justiça contra o sistema de cotas. Nesta semana, um grupo de estudantes que não conseguiu aprovação na Universidade Federal de Sergipe foi visto nos telejornais nacionais apresentado toda a sorte de recursos jurídicos do mundo porque não admitia que parte das vagas tenham ido para oriundos de escolas públicas.
Sem cotas, quantos alunos de escola pública hoje poriam o nome numa lista de aprovados no funil estreitíssimo das boas universidades? E a culpa não é dos estudantes, mas da (falta de) qualidade dessa instituição vagamente apontada como rede pública de ensino. Por que ninguém ingressa na Justiça contra os responsáveis pela tragédia nas escolas públicas? Na mesma noite em que o estudante de Biomedicina foi assassinado, quantos outros com idade e faixa de renda tiveram desfecho semelhante? Nem precisa sair da Bahia para colar sobre a história de Alcides mais de dez jovens mortos como bichos peçonhentos.
Em Vitória da Conquista, uma das cidades mais importantes do estado, a própria polícia adotou a modalidade esquadrão da morte e “produziu” em poucos dias dez cadáveres de jovens e varreu do mundo três outros que continuam desaparecidos, todos com menos de 18 anos, todos retirados de casa por homens encapuzados dispostos a revidar na linha “olho por olho” o assassinato de um policial militar.
A TV Bahia denunciou dia após dia a série de seqüestros, mortes e torturas e não se ouviu uma declaração minimamente satisfatória de qualquer autoridade sobre o fato de uma dúzia de Alcides ter sido varrida do mundo em uma semana apenas num bairro pobre do interior da Bahia. E agora é Carnaval.
Malu Fontes é Jornalista, doutora em comunicação e cultura e professora da Facom-Ufba







