A Gente diz

ARTIGO. Quando o Luto Se Torna Casa: A Dor Que Ensina a Amar. por Pe. Carlos

messenger sharing button
whatsapp sharing button

 

 

 (Padre Carlos)

Há dores que não cabem na linguagem humana. Perder alguém, perder um amor, perder um projeto de vida — são terremotos silenciosos que não aparecem no noticiário, mas que devastam mundos interiores. Quando ouvimos que alguém está “de luto”, quase sempre pensamos em morte, mas o luto é muito mais do que isso: é o preço que se paga por ter amado, por ter criado vínculos, por ter permitido que alguém ou algo ocupasse um lugar afetivo dentro de nós.

A sociedade tenta nos consolar com frases prontas — “sei o que é isso”, “tenha força”, “pensa noutra coisa”, “siga em frente”, “está no céu” — todas ditas com boa intenção, mas incapazes de tocar a realidade íntima de quem está sangrando por dentro. O luto é pessoal, intransferível, inegociável. Ninguém sente em nosso lugar, ninguém atravessa o deserto da falta pelos nossos passos.

Recentemente, um amigo dos tempos do seminário me contou, com a voz embargada, que tinha acabado de perder o pai. Eu não lhe disse para ser forte. Não lhe pedi para se erguer como se nada tivesse acontecido. Apenas o lembrei de algo que a vida me ensinou: é preciso viver o luto, reconhecer as feridas da alma e permitir que o tempo — e somente ele — seja o remédio possível. Nada cicatriza em um dia. Nada se reconstrói com fórmulas mágicas.

Existem tantos tipos de luto quanto existem maneiras de amar.
Luto pelos que morreram e não veremos mais nesta vida.
Luto pelos vivos que se afastam e nos tornam invisíveis.
Luto antecipado, prolongado, adiado.
Luto pela fé perdida, pela saúde que se foi, pelo divórcio que rachou a casa ao meio, pelo emprego que sustentava dignidade, pelo filho que partiu cedo demais, pelo animal que era companhia silenciosa, pela imagem própria que se fragmentou no espelho.

No fundo, todos carregamos um luto que mora dentro de nós — discreto, insistente, irrenunciável.

A etimologia de “luto” vem de lugere — chorar. E o choro, tão reprimido, é fisiologia da alma. Negar o luto intoxica o corpo e a fé: surgem doenças físicas, psíquicas, espirituais. Quem cala, nem sempre consente — muitas vezes adoece.

Toda perda quer ser narrada. Sobrevivemos quando conseguimos contar nossa história — nem para o mundo, nem para a plateia, mas para nós mesmos. Quando conseguimos olhar a ferida sem nos destruirmos com ela, então nasce a possibilidade de uma vida reconfigurada, de novos projetos, de um recomeço que não apaga o amor vivido, mas o honra.

Uma pastoral que a Igreja ainda não despertou com a urgência necessária é a pastoral do luto: um espaço de acolhimento, escuta e acompanhamento espiritual. Um lugar onde quem sofre possa ser amparado, ouvido, cuidado. Um espaço de oração, fraternidade, perfume e esperança. Um caminho de Emaús, onde o Cristo ressuscitado caminha com quem acredita que tudo está perdido.

Se você está em luto, ou conhece alguém que está, seja presença — não discurso. O luto, quando cuidado, pode se tornar missão. Tocar uma ferida com amor é evangelização. Acolher quem chora é gesto de fé. O luto é também terra de missão.

E às vezes, o maior milagre é apenas não deixar ninguém sofrer sozinho. Autor Padre Carlos novembro de 2025

SEMINÁRIO SOLIDÁRIO “SALVAR VIDAS TAMBÉM É SOBRE COMPARTILHAR”

Bombeiros de Vitória da Conquista realizam neste domingo (23) um seminário solidário sobre as novas diretrizes internacionais de reanimação e atendimento pré-hospitalar

O seminário prático-demonstrativo “Salvar Vidas Também é Sobre Compartilhar”, uma ação social e educativa voltada à atualização das principais atualizações das diretrizes internacionais de reanimação e atendimento pré-hospitalar, com demonstrações práticas, vídeos e estudos de caso, de acordo com a American Heart Association (AHA 2025).

O evento acontece no dia 23 de novembro de 2025, das 7h às 13h, no Auditório da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Campus Anísio Teixeira, em Vitória da Conquista (BA).
A atividade é voltada para profissionais e estudantes da saúde, bombeiros civis e militares, técnicos de enfermagem, socorristas e demais interessados em atualização sobre atendimento pré-hospitalar e suporte básico de vida.

Mais do que uma capacitação técnica, o seminário reforça o compromisso do Corpo de Bombeiros com a vida, a educação e a solidariedade, transformando aprendizado em empatia e atualização profissional em gesto de amor ao próximo.

Com o tema “Salvar Vidas Também é Sobre Compartilhar” e o slogan “Atualize seus conhecimentos. Alimente esperanças.”, a ação une excelência técnica e responsabilidade social.
Além do aprendizado, o evento tem caráter solidário: os participantes deverão contribuir com itens de alimentação, que serão utilizados na montagem de cestas básicas destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio de uma instituição beneficente.

Serviço

Evento: Seminário Prático-Demonstrativo “Salvar Vidas Também é Sobre Compartilhar”
Data: 23 de novembro de 2025
Horário: 7h às 13h
Local: Auditório da UFBA – Campus Anísio Teixeira
📍 Rua Hormindo Barros, 58 – Quadra 17, Lote 58 – Candeias, Vitória da Conquista (BA)

Destaque do Filme ‘Éden’ – que mostra como a busca por um paraíso imaginado pode se transformar no espelho da alma humana

Disponível no Prime Video, o drama mostra até onde a humanidade pode ir em nome da crença

Filme ‘Éden’ mostra como a busca por um paraíso imaginado pode se transformar no espelho da alma humana

Foto: Divulgação

Disponível há poucos dias no Prime Video, Éden é um daqueles filmes que parecem falar sobre os outros, mas acabam falando sobre nós. Baseado em fatos reais, o longa retrata um grupo de europeus que, cansados da sociedade e de seus excessos, decidem se isolar nas Ilhas Galápagos, na década de 1930, em busca de uma vida ideal e autossuficiente, livre das regras do mundo moderno. Entre eles, há um médico alemão, um casal de idealistas e uma baronesa excêntrica que chega com promessas grandiosas. O que deveria ser um refúgio logo se torna um experimento humano intenso, onde fé, ego e sobrevivência se misturam.

O elenco – que traz nomes conhecidos como Sydney Sweeney, Ana de Armas, Vanessa Kirby e Jude Law – dá corpo e densidade aos personagens, cada um com um passado e um propósito que se revelam no decorrer da trama. Todos são intensos, complexos, contraditórios. O filme mostra como o desejo de recomeçar pode ser sedutor, mas também perigoso, e como a busca por um paraíso pessoal pode facilmente se transformar em uma sentença de isolamento e da própria ruína.

Mais do que um retrato histórico, Éden é uma metáfora sobre as fugas que escolhemos – literais ou figurativas – em busca de cura, lógica ou paz. À medida que o grupo se afasta da civilização, também se afasta de si mesmo. A paisagem paradisíaca das Galápagos contrasta com o caos que cresce entre eles, revelando que o maior perigo pode estar dentro de cada um.

O longa explora a complexidade das relações humanas em sua forma mais crua: pessoas que se amam e se odeiam, que acreditam em utopias e as destroem, que buscam o paraíso e encontram o inferno, que lutam pelo que acreditam, que simplesmente existem. As mulheres, em especial, representam forças distintas como fé, coragem, desejo e vulnerabilidade, compondo uma trama onde ninguém é totalmente mocinho ou vilão.

Éden não é um filme morno. É inquietante, simbólico e incômodo na medida. Fala sobre desejos e desilusões, sobre o que acreditamos e o que aceitamos acreditar, sobre o quanto somos capazes de suportar quando a realidade desaba sobre os nossos ideais. No fim, o paraíso prometido revela mais do que se pode ver e deixa uma pergunta incômoda no ar: o que é, afinal, o lugar que estamos?                                                            Por:Metro 1 Ismael Encarnação

UESB Vestibular 2026: conheça os pontos centrais do livro “Mata Doce”

 

Luta por territórios, memória coletiva e a resistência de mulheres negras em um cenário interiorano são alguns dos temas que permeiam “Mata Doce”, livro da escritora baiana Luciany Aparecida, que foi escolhido como uma das leituras obrigatórias no Vestibular Uesb 2026. Lançado em 2023, o primeiro romance da autora apresenta uma narrativa formada por personagens inspirados na vida real e na cultura afro-brasileira.

Para ajudar na compreensão do universo descrito na obra, o “X da Questão” convidou Anísio Assis, professor de Literatura do Departamento de Ciências Humanas e Letras (DCHL) da Uesb. Em sua fala, Anísio enxerga “Mata Doce” como uma narrativa atravessada pelas marcas do que foi vivido, além das perspectivas de transformações. “Tem-se ali a discussão dessa ancestralidade, nesse tempo que está o tempo todo circular, retomando o que foi vivido e dando importância a ele, mesmo tempo das dores, das violências, das perdas, e uma narrativa que alimenta uma possibilidade de mudanças”, destaca.

Além de se debruçar sobre os detalhes das temáticas trazidas pela autora, o professor chama atenção dos vestibulandos para a importância de reconhecer aspectos geográficos e culturais presentes no livro que dialogam, diretamente, com a região onde a Uesb está inserida. “É uma oportunidade de você, ao ler e estudar essa obra, se ver nessa região ou, pelo menos, relembrar coisas que são próprias de quem está aqui. Àqueles que virão de fora, fazer nosso Vestibular, que possam também perceber a necessidade de fazer um reconhecimento dos aspectos que nos compõem, de quem compõe essa microrregião onde estão Jequié, Itapetinga e Vitória da Conquista”, aconselha.

Confira o comentário completo abaixo:

O vídeo integra a série “X da Questão”, produzida pela Assessoria de Comunicação da Uesb, com foco nos livros escolhidos para o Vestibular. Além de “Mata Doce”, o processo seletivo contará com questões relacionadas às obras “Tchau”, de Lygia Bojunga e “A Invasão”, de Dias Gomes.

Neste ano, a produção trouxe, ainda, uma entrevista especial com Luciany Aparecida, autora do livro “Mata Doce”. No bate-papo, é possível desvendar mais detalhes da obra, como a construção dos cenários e personagens, características da escrita e referências utilizadas na criação da obra.

Assista à entrevista completa abaixo:

Vestibular 2026 – As provas do processo seletivo serão aplicadas nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista. Todas as novidades podem ser acompanhadas pelo site do Vestibular e pelos canais oficiais da Uesb no Instagram e no WhatsApp. Em caso de dúvidas, entre em contato pelos e-mails [email protected] e [email protected] ou pelos telefones (77) 3424-8607 e

UESB – Vestibular 2025: Curso de Medicina consolida-se como o mais disputado.242,0.

foto web ilustração

Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga – A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) divulgou os dados de concorrência para o Processo Seletivo Vestibular 2026.I e II, revelando uma intensa disputa por vagas em áreas tradicionais da saúde e direito, e uma baixa procura em certas licenciaturas e bacharelados específicos.

O curso de Medicina no campus de Vitória da Conquista, ofertado no 2º semestre, consolidou-se como o mais disputado, registrando uma concorrência de 242,0 candidatos por vaga.

Os 10 Cursos com Maior Concorrência

A área da saúde domina o topo do ranking dos mais concorridos, seguida de perto pelo Direito.

Ranking Curso Competição (Conc.) Campus/Turno Fonte(s)
MEDICINA – Bacharelado – 2º. SEM 242,0 V. CONQUISTA, Diurno
MEDICINA – Bacharelado – 2º. SEM 129,0 JEQUIE, Diurno
PSICOLOGIA – Bacharelado 85,0 V. CONQUISTA, Diurno
DIREITO – Bacharelado 44,0 V. CONQUISTA, Noturno
DIREITO – Bacharelado – 2º SEM. 33,0 V. CONQUISTA, Matutino
CIENCIA DA COMPUTACAO – Bacharelado 28,5 V. CONQUISTA, Matutino
ODONTOLOGIA – Bacharelado 21,0 JEQUIE, Diurno
FISIOTERAPIA – Bacharelado 20,0 JEQUIE, Diurno
ENFERMAGEM – Bacharelado 16,0 JEQUIE, Diurno
10º ADMINISTRACAO – Bacharelado 14,0 V. CONQUISTA, Noturno

Medicina (V. Conquista, 2º Sem.) apresenta a concorrência máxima de 242,0. Mesmo no campus de Jequié, o curso de Medicina (2º Sem.) ocupa a segunda posição, com 129,0 candidatos por vaga. O curso de Psicologia em Vitória da Conquista fecha o pódio dos mais disputados, com concorrência de 85,0.

Outros cursos com alta procura incluem Direito (44,0 no turno Noturno), Ciência da Computação (28,5), e Odontologia (21,0).

Os 10 Cursos com Menor Concorrência

No extremo oposto, diversos cursos registraram concorrência inferior a 1,0, indicando que o número de vagas supera o número de inscritos.

O curso de Teatro – Licenciatura em Jequié é o menos disputado, com apenas 0,5 candidatos por vaga.

Ranking Curso Competição (Conc.) Campus/Turno Fonte(s)
TEATRO – Licenciatura 0,5 JEQUIE, Diurno
ZOOTECNIA – Bacharelado – 2º. SEM 0,6 ITAPETINGA, Diurno
LETRAS – Licenciatura – 2º. SEM 0,8 JEQUIE, Matutino
QUIMICA – Licenciatura 0,9 ITAPETINGA, Noturno
QUIMICA – ATRIB. TECNOLOGICAS – Bacharelado 0,9 ITAPETINGA, Noturno
GEOGRAFIA -Licenciatura – 2º.SEM 0,9 V. CONQUISTA, Noturno
PEDAGOGIA – Licenciatura – 2ºSEM 0,9 ITAPETINGA, Matutino
QUIMICA – Bacharelado – 2º.SEM 1,0 JEQUIE, Diurno
FISICA – Licenciatura 1,1 V. CONQUISTA, Diurno
10º CIENCIAS SOCIAIS – Licenciatura – 2º SEM 1,1 V. CONQUISTA, Matutino

Além de Teatro (0,5), a baixa concorrência é marcada por Zootecnia – Bacharelado (2º Semestre em Itapetinga), com 0,6, e Letras – Licenciatura (2º Semestre em Jequié), com 0,8.

É relevante observar a presença de diversas licenciaturas e bacharelados em Química, Geografia, e Pedagogia com taxas de concorrência abaixo de 1,0, principalmente nos campi fora de Vitória da Conquista e em turnos noturnos ou de segundo semestre.

O curso de jornalismo tem 5 candidato

https://www.uesb.br/wp-content/uploads/2025/11/Concorrencia-Vestibular-2026-OK.pdf

Vestibular 2026 – As provas do processo seletivo serão aplicadas nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista. Todas as novidades podem ser acompanhadas pelo site do Vestibular e pelos canais oficiais da Uesb no Instagram e no WhatsApp. Em caso de dúvidas, entre em contato pelos e-mails [email protected] e [email protected] ou pelos telefones (77) 3424-8607 e (77) 3424-8757

Câmara e Sobrado, artigo de Ruy Medeiros

 

A lei de criação da Imperial Vila da Vitória é de maio de 1840, porém a instalação da sua câmara ocorreu em 9 de novembro daquele ano.

A câmara funcionou em casa de Morada de Teotonio Gomes Roseira, que décadas depois foi adquirida pelo município, servindo para câmara e fórum.

Durante o tempo do Império as câmaras no Brasil eram regidas pela lei de 1° de outubro de 1828, que “Dá nova forma às câmaras municipais, marca suas atribuições e o processo para a sua eleição e dos Juízes de Paz.”

Nas vilas, as câmaras eram compostas de sete membros, porém se a sede municipal ostentasse o título de cidade ela era formada por nove membros

O mandato do vereador era de 4 anos, podendo ser reeleito, e sua eleição ocorria em 7 de setembro. Eram eleitos eleitores da Paróquia. Isto é, havia um corpo de eleitores formado por cidadãos brasileiros natos e naturalizados, atendidos os requisitos de maioridade aos 25 anos (porém poderiam ser eleitores oficiais militares maiores de 21 anos, bacharéis Formados e Clérigos de Ordens Sacras), sendo inelegíveis filhos de famílias que estivessem em dependência dos pais, exceto se fossem servidores públicos, criados de servir (exceto “primeiros caixeiros das casas comerciais, criados da Casa Imperial, religiosos de comunidades de claustro, todos os que não tivessem renda líquida anual de cem mil reis por bens de raiz, indústria, comércio e empregos.

Cada câmara possuía um secretário e um escrivão. Por lei, deviam realizar quatro sessões ordinárias de três em três meses e deviam essas durar os dias necessários, nunca inferiores a seis.

As câmaras de vereadores detinham competência legislativa e executiva, decidindo colegiadamente. Não é correto afirmar que o Presidente da Câmara era um tipo de Intendente, ou Prefeito, pois as decisões executivas eram determinadas pela câmara. Para a prática de uma série de atos, a câmara nomeava um Procurador com mandato de 4 anos.

Durante todo o período imperial e por grande parte do período republicano a câmara da Imperial Vila da Vitória (Império), Conquista, Vitória da Conquista (República) funcionou na casa que pertenceu ao Coronel Roseira (hoje na praça Tancredo Neves), que sofreu reforma que, dentre outras coisas, mudou completamente sua fachada.

Somente em 1963, o então Prefeito Municipal, José Fernandes Pedral Sampaio, adquiriu o sobrado de Manoel Fernandes de Oliveira para servir de sede à Câmara Municipal. Manoel Fernandes de Oliveira descende de Luís Fernandes de Oliveira, primeiro presidente da Câmara de Vereadores da Imperial Vila da Vitória.

Ai durante vários anos eram realizadas, em seu salão, as audiências do Poder Judiciário na comarca, e no seu quintal foi feita uma edícula para abrigar a Justiça do Trabalho

O belo prédio da 1º década do Século XX, construído com adobes secos à sombra, a tição (forma a deixar as paredes mais grossas), conserva em muito seu aspecto inicial, inclusive elementos da Art Nouveau e, hoje, em 19.11.2025, após nova intervenção, é entregue ao uso de memorial (que já ostentava) e, sobretudo, à memória, pois o prédio recebeu a qualificação de imóvel tombado.

 

É bom ver, em seu salão, expostas obras de Silvio Jessé. que, com sua imensa sensibilidade, nos remete, como em outras oportunidades, à memória desta terra fincada no Sertão da Ressaca. Olho, emoção e inteligência agradecem.
 
Ruy Medeiros é advogado, historiador, mestre e doutor em Memória, Linguagem e Sociedade. Atualmente é professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB e membro do Museu Pedagógico/UESB. Tem experiência nas áreas de História do Direito, Direito do Trabalho, Movimentos Sociais, e História Cultural.

Casarão – Memorial Manoel Fernandes Oliveira – Antigo Prédio da Câmara de Vereadores – oficialmente é tombado como patrimônio histórico de Vitória da Conquista.

 

 

O antigo Prédio da Câmara de Vereadores — hoje Memorial Manoel Fernandes de Oliveira, foi  construído em 1910 pelo mestre de obras Luiz Pedreiro. E no dia 19 de novembro, 2025 recebe  em sua fachada, uma placa  como patrimônio histórico de Vitória da Conquista.

O projeto de lei partiu da iniciativa do Presidente  da Câmara, Ivan Cordeiro e foi respaldada por unanimidade pelos demais edis, e com a chancela da prefeitura Municipal.

História – Este  casarão  foi residência do Coronel Maneca Santos, hotel, fórum e Justiça do Trabalho, tornou-se sede da Câmara em 1960. Sobreviveu exatamente porque nunca deixou de ser poder: o uso contínuo blindou-o contra a especulação imobiliária que devorou tantos outros.

O tombamento é, portanto, um ato de inteligência institucional. Preserva não só tijolos, mas a materialidade da democracia local

 A Trajetória Multifuncional do Edifício

 

| Período Aproximado | Função Principal | Significado Institucional |

Período Aproximado Função Principal Significado Institucional
1910 – c. 1960 Residência particular, hotel, Fórum e Justiça do Trabalho Arquitetura fundacional e infraestrutura jurídica inicial
Pós-1960 Sede do Poder Legislativo Municipal Consolidação como centro político-democrático
Outubro 2025 em diante Bem tombado (Memorial + Presidência) Proteção definitiva contra pressões urbanas

| 1910 – c. 1960 | Residência particular, hotel, Fórum e Justiça do Trabalho | Arquitetura fundacional e infraestrutura jurídica inicial |
| Pós-1960 | Sede do Poder Legislativo Municipal | Consolidação como centro político-democrático

PM é preso acusado de matar homem em avenida de Vitória da Conquista; suspeito foi candidato a prefeito na região

Foto: Reprodução / Redes Sociais

A “Operação Veritas”, deflagrada nesta quarta-feira (19) pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), cumpriu um mandado de prisão contra um policial militar suspeito de homicídio em Vitória da Conquista, no Sudoeste. Conforme informações, o agente preso foi identificado como Edgard Rocha Fernandes Sobrinho, ex-candidato a prefeito em Encruzilhada, na mesma região.

 

 

Além da prisão, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em locais ligados ao suspeito, em Vitória da Conquista e em Encruzilhada. Durante a operação, foram apreendidos uma arma de fogo e aparelhos celulares, que agora passam por análise.

 

Segundo as investigações, o militar é apontado como envolvido em um homicídio ocorrido em 11 de outubro, na Avenida Luís Eduardo Magalhães, em Vitória da Conquista. A vítima estava dentro de uma picape quando foi atingida por tiros e foi a óbito no local.

Após ser detido, o policial será encaminhado ao Batalhão de Polícia de Choque, enquanto o material apreendido seguirá para a Polícia Civil, responsável pela continuidade das apurações.

 

A ação contou com equipes da Force da Corregedoria Geral, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria da Polícia Militar (PM-BA). (Atualizado às 8h31)

PM é preso acusado de matar homem em avenida de Vitória da Conquista; suspeito foi candidato a prefeito na região

Foto: Reprodução / Redes Sociais

A “Operação Veritas”, deflagrada nesta quarta-feira (19) pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), cumpriu um mandado de prisão contra um policial militar suspeito de homicídio em Vitória da Conquista, no Sudoeste. Conforme informações, o agente preso foi identificado como Edgard Rocha Fernandes Sobrinho, ex-candidato a prefeito em Encruzilhada, na mesma região.

 

Além da prisão, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em locais ligados ao suspeito, em Vitória da Conquista e em Encruzilhada. Durante a operação, foram apreendidos uma arma de fogo e aparelhos celulares, que agora passam por análise.

 

Segundo as investigações, o militar é apontado como envolvido em um homicídio ocorrido em 11 de outubro, na Avenida Luís Eduardo Magalhães, em Vitória da Conquista. A vítima estava dentro de uma picape quando foi atingida por tiros e foi a óbito no local.

Após ser detido, o policial será encaminhado ao Batalhão de Polícia de Choque, enquanto o material apreendido seguirá para a Polícia Civil, responsável pela continuidade das apurações.

 

A ação contou com equipes da Force da Corregedoria Geral, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria da Polícia Militar (PM-BA). (Atualizado às 8h31)

A presidente ALBA, deputada Ivana Bastos, após sessão que aprovou PEC DA GOVERNANÇA PÚBLICA, afirma que, a democracia se consolida quando os serviços da Justiça são ampliados para atender melhor a população.

Em tarde com votação de nove proposições, Ivana Bastos diz que a democracia se consolida quando a Justiça é ampliada

Em tarde com votação de nove proposições, Ivana Bastos diz que a democracia se consolida quando a Justiça é ampliada
MESA DIRETORA APROVA PEC DA GOVERNANÇA PÚBLICA
A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputada Ivana Bastos, afirmou, na sessão desta terça-feira (18.11), que a democracia se consolida quando os serviços da Justiça são ampliados para atender melhor a população. Ela se referiu à aprovação de quatro projetos de lei (PL) do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), com mudança em entrâncias de comarcas do interior. Também foi aprovado um requerimento de urgência para apreciação de empréstimo de R$ 2 bilhões do governo de Estado junto ao Banco do Brasil e outras quatro proposições.
Dos quatro projetos de lei do TJBA, três elevam as comarcas de Morro do Chapéu, Nova Soure e Carinhanha de entrância inicial para entrância intermediária; e um eleva a Comarca de Conceição do Coité de entrância intermediária para entrância final. Além da urgência para votação do empréstimo, o Poder Executivo teve dois PL aprovados: a concessão de vantagens a servidores públicos em disponibilidade para o exercício de mandato eletivo em diretoria de entidade sindical, com emenda da relatora, deputada Fabíola Mansur (PSB); e a criação do cargo de auditor do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE).
Da Mesa Diretora da ALBA foi aprovada uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) estabelecendo que a administração pública deverá pautar-se pela governança pública. “A governança pública abrange mecanismos de liderança, estratégia e controle, que permitem avaliar, direcionar e monitorar a gestão, conduzindo a implementação de políticas e prestação de serviços públicos de maneira eficiente, transparente e efetiva, que beneficiam a sociedade como um todo e agregam valor institucional”, explicou a presidente Ivana Bastos.
Outra PEC, esta de autoria do líder do governo, deputado Rosemberg Pinto (PT), é referente à idade limite para nomeação de conselheiros do TCE e do Tribunal de Contas dos Municípios. A proposição adequa a Constituição da Bahia à Federal, que estabeleceu o limite de 70 anos para nomeação de membros do Tribunal de Contas da União; e estabelece que um quinto das vagas é reservado, alternadamente, a membros do Ministério Público e a advogados, com mais de dez anos de carreira ou de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de classe.
Fotos: Sandra Travassos

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA – por A. Torres

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

 Nos anos 1970, jovens universitários negros idealizaram a data para marcar a luta do povo que representa a maioria da população brasileira. O Senado aprovou a conversão do dia em feriado nacional

 Dia da Consciência Negra, liberdade conquistada, não concedida

Nos anos 1970, jovens universitários negros idealizaram a data para marcar a luta do povo que representa a maioria da população brasileira. O Senado aprovou a conversão do dia em feriado nacional

Rodrigo Baptista

Em 1971, um grupo de jovens negros se reuniu no centro de Porto Alegre para pesquisar a luta dos seus antepassados e questionar a legitimidade do 13 de maio, data da assinatura da Lei Áurea, como referência de celebração do povo negro. No lugar, sugeriam o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, para destacar o protagonismo da luta dos ex-escravizados por liberdade e gerar reflexão para as questões raciais. A semente plantada ali é um dos marcos da constituição dos movimentos negros e está na raiz do Dia da Consciência Negra.

Dos encontros na capital gaúcha, o Senado aprovou um projeto de lei (PLS) 482/2017, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que converte o 20 de novembro em feriado nacional e contribui para reforçar a luta pela igualdade racial. Mas os desafios para mulheres e homens negros no Brasil se acumulam: eles têm salários menores, sofrem mais com a violência e o desemprego e estão sub-representados em cargos políticos. Dirimir marcas tão profundas da escravidão exige, entre outros pontos, a adoção de medidas concretas de reparação e de elevação da representatividade dos negros na política e em outros postos-chave na sociedade, de acordo com o que dizem senadores, pesquisadores e outras pessoas ouvidas pela reportagem da Agência Senado.

Origem do Dia da Consciência Negra

Entre os jovens que se reuniram em Porto Alegre estavam Antônio Carlos Côrtes, Oliveira Silveira, Ilmo. da Silva, Vilmar Nunes, Jorge Antônio dos Santos (Jorge Xangô) e Luiz Paulo Assis Santos. Juntos, eles formaram o Grupo Palmares, uma associação que realizava estudos sobre a história e a cultura negra. Foi em uma reunião na casa dos pais de Côrtes que escolheram o nome em alusão ao quilombo que resistiu por quase cem anos.

Para os gaúchos, já passava da hora de romper com a ideia de liberdade concedida, substituindo-a por uma concepção de liberdade conquistada. O advogado, Antônio Carlos Côrtes, destacau que a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel (1846-1921) no dia 13 de maio de 1888, foi uma “abolição incompleta”, pois não garantiu assistência ou apoio governamental para o acesso a terras, educação e trabalho a mulheres e homens antes escravizados.

A Lei da Vadiagem a que se refere Côrtes pune quem estiver “habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que assegure meios bastantes de subsistência”. É uma contravenção prevista no artigo 59 do Decreto-Lei 3.688, de 1941, ainda em vigor. A criação de uma norma nesse sentido tem raízes no Código Criminal do Império e no Código Penal de 1890 que atingiu em cheio os ex-escravizados e seus descendentes. Os negros estavam livres pela Lei Áurea, mas sem trabalho e impedidos de frequentar escolas.

Sem apoio do Estado para a inserção dos ex-escravizados na sociedade e diante das mazelas que seguiram afligindo o povo negro, o Grupo Palmares decidiu dizer “não ao 13 de maio” e buscou por meio de estudos uma nova data que simbolizasse a luta negra. Foi assim que descobriu a data da morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, em Alagoas. O quilombo foi o maior reduto de resistência à escravidão do período colonial.

O Dia da Consciência Negra ganhou visibilidade pela primeira vez em 1971, quando o grupo pioneiro realizou um ato evocativo à resistência negra na noite do dia 20 de novembro no clube Marcílio Dias, em Porto Alegre. O evento valorizava “o herói Zumbi dos Palmares”.  Primeiro ato evocativo ao 20 de novembro, realizado em 1971 pelo Grupo Palmares, em Porto Alegre.

De acordo com o pesquisador Deivison Campos, professor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), a proposta do coletivo gaúcho redirecionou o processo de integração do negro na sociedade brasileira e rompeu com a tradição forjada por aqueles que estavam no poder.

— Essa ruptura entre uma liberdade conquistada e uma liberdade concedida diz muito do que foi a movimentação da população negra de maneira geral desde o processo abolicionista até, praticamente, os anos 1970, quando a principal forma de integração social se dava através do branqueamento, ou seja, da assimilação, fosse ela cultural, fosse ela estética. Socialmente, os negros eram levados a se identificar com os elementos culturais da sociedade branca brasileira — pontua.

Além de um contraponto à data “oficial”, a escolha do 20 de novembro também representou uma forma de valorizar a cultura, a história e o papel político dos afro-brasileiros na sociedade. Esses elementos, aponta o pesquisador, vão balizar não só essa identidade, mas as ações do movimento negro a partir de então.

— Toda a luta antirracista está baseada nessa identidade com referencialidade negra, afro-brasileira, uma coisa que antes do 20 de novembro era impensável. A partir daquele momento, as pessoas negras mais engajadas se deram conta de que deveriam negociar a sua integração plena na sociedade brasileira a partir de outro lugar, não mais a partir do branqueamento social, mas de uma identidade negra, uma nova forma de negociar a cidadania. A semente foi plantada pelo Grupo Palmares — aponta o pesquisador.

A semente cresceu, fincou raízes e deu frutos. Começaram a surgir manifestações em todo o país dando apoio à iniciativa e atos relembrando figuras negras históricas e até então esquecidas pelos livros de história e pela sociedade em geral. Os atos passaram a ser replicados todo mês de novembro em várias cidades. A proposta defendida pelo Grupo Palmares ganhou fôlego em 1978 quando foi assumida pelo Movimento Negro Unificado (MNU). A partir dali, a data foi cravada com um marco da luta e resistência ao racismo. O apoio do MNU colocou de vez na agenda política nacional a necessidade de criação de políticas públicas de igualdade e equidade racial, ausentes no 13 de maio de 1888.

Feriado nacional

Depois de árdua luta do movimento negro e a aprovação pelo Senado em 2003, o Dia da Consciência Negra entrou no calendário escolar a partir da sanção da Lei 10.639, de 2003, que obriga o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas. Oito anos depois, a então presidente Dilma Rousseff oficializou a data como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Mas o 20 de novembro só é feriado em locais com leis municipais ou estaduais específicas.

Como surgiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra
Morte de Zumbi

Após comandar por 15 anos o Quilombo dos Palmares, Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, num território que hoje pertence a Alagoas. Ele liderava o maior reduto de resistência à escravidão do período colonial.

 

 

Grupo Palmares

Com base em estudos, o Grupo Palmares, de Porto Alegre, resgata o nome de Zumbi e idealiza a data de sua morte como o Dia da Consciência Negra, um contraponto ao 13 de maio de 1888, dia no qual a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Primeiro ato evocativo ao 20 de novembro aconteceu no Clube Marcílio Dias, na capital Gaúcha.

 

 

MNU

Em 1978, o Movimento Negro Unificado (MNU) decide em assembleia realizada em Salvador (BA) adotar a comemoração da Consciência Negra no dia 20 de novembro, como propunha o Grupo Palmares e ajuda a fortalecer a data.

 

 

Marcha Zumbi

Para marcar os 300 anos [a data]  da morte de Zumbi, cerca de 30 mil pessoas se reúnem no dia 20 de novembro de 1995, em Brasília para denunciar a ausência de políticas públicas para a população negra. Diferentes cidades, entre elas o Rio de Janeiro, fazem do dia 20 de novembro feriado municipal.

 

 

Calendário escolar

Após aprovação do Senado, o então presidente Lula sanciona a Lei 10.639 de 2003, que inclui o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar. Norma também tornou obrigatório o ensino de história e de cultura africana e afro-brasileira nas escolas.

 

 

Data é oficializada

Em 2011, no governo Dilma Rousseff, a data é oficializada como “Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra” por meio da Lei nº 12.519. Lei é decorrente do PLS 520/2003, da então senadora Serys Slhessarenko.

 

 

Feriado nacional

Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprova transformar o dia 20 de novembro em feriado nacional. PLS 482/2017 apresentado por Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e relatado por Paulo Paim (PT-RS) segue para a Câmara dos Deputados. Atualmente, o Dia de Zumbi e da Consciência Negra é feriado em cinco estados e cerca de mil municípios.

 

 

Cinco estados e mais de mil municípios brasileiros incluíram a efeméride em seus calendários. No Rio Grande do Sul, onde surgiu o Grupo Palmares, apesar de uma lei de 1987 ter inserido o dia no calendário oficial, a data não é considerada feriado. Para consolidar a celebração, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou o PLS 482/2017, que torna o 20 de novembro feriado em todo o país. O texto avançou em 2021 e seguiu para a Câmara dos Deputados. Para o relator no Senado, Paulo Paim (PT-RS), a transformação da proposta em lei vai valorizar a luta da população negra.

Representatividade

Se a batalha para consolidar uma data de reflexão e resistência negra no calendário nacional é resultado de um processo de mais de 50 anos, a luta para destruir os alicerces de problemas estruturais que se arrastam desde o período colonial é ainda mais árdua. O abismo social que separa negros e brancos desde o nascimento no Brasil foi exposto em números pelo IBGE. Segundo o estudo Desigualdades Sociais por Cor e Raça no Brasil, divulgado em 2019, pretos ou pardos somavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada; tinham rendimento médio pouco superior à metade do que recebem os brancos; e quase 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de homicídio intencional do que uma pessoa branca.

A falta de igualdade na representação política é outra faceta do racismo estrutural.  Das 1.626 vagas em disputa para cargos legislativos em 2018, apenas 444 eleitos eram autodeclarados negros (pretos e pardos), de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os números mostram um ligeiro aumento em comparação a 2014, quando 389 negros foram eleitos no Brasil para deputados distritais, estaduais, federais e senador, um índice de 24,3% das pessoas que se candidataram. Em 2018, o índice chegou a 27,3%, o que ainda evidencia um descompasso em relação aos dados oficiais do IBGE. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – Contínua (Pnad Contínua) daquele ano, a população negra correspondia a 56% do total de brasileiros.

No documentário Quem me Representa? da TV Senado, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) aponta que a maior parte da população não se vê representada nos espaços de poder.

Sub-representação na política
Negros eleitos em 2018 para cargos legislativos
VAGAS ELEITOS
Deputado Estadual e Distrital 1.059 305
Deputado Federal 513 125
Senador 54 14
TOTAL 1.626 444
Fonte: TSE (No registro de candidatura do TSE, cada candidato pode se autodeclarar segundo uma de cinco categorias de raça ou cor: preta, parda, branca, amarela ou indígena. Negros correspondem a 56% da população brasileira de acordo com o IBGE)

Entre as medidas aprovadas pelo Senado para tentar aumentar a representatividade destaca-se a Emenda Constitucional 111, que conta com um dispositivo para incentivar candidaturas de mulheres e pessoas negras. Analisada em setembro, a PEC 28/2021, que deu origem à norma, foi relatada pela senadora Simone Tebet (MDB-MS). O texto determina que os votos dados a mulheres e pessoas negras serão contados em dobro para efeito da distribuição dos recursos dos fundos partidário e eleitoral nas eleições de 2022 a 2030.

Para Nailah Veleci, emenda é resposta às candidaturas laranjas de mulheres e à falta de investimento em candidaturas negras (foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

De acordo com a cientista política Nailah Neves Veleci, pesquisadora da do Núcleo de Estudos em Cultura Jurídica e Atlântico Negro (Maré), da Universidade de Brasília (UnB), ainda é cedo para avaliar os impactos da medida, mas ela considera que a emenda fortalece os quadros femininos e negros nas negociações internas dos partidos.

— Essa proposta é uma resposta aos longos anos de candidaturas laranjas de mulheres e à falta de investimento de fato em candidaturas negras. Quando olhamos paras os números de candidaturas de mulheres e negros, vemos que até temos um quantitativo adequado de candidatos — exceto para os cargos executivos que são sempre em sua maioria de homens brancos —, mas o mesmo não se repete nos números de eleitos e muito dessa diferença é devido a falta de investimento de recursos financeiros e de apoio institucional dos próprios partidos a essas candidaturas — aponta a pesquisadora.

Segundo Nailah, os estudos de representação política negra do Brasil apontam que partidos já consolidados — e que já têm acesso a um maior fundo partidário — tendem a investir mais em candidaturas masculinas brancas. Em contrapartida, os partidos menores tendem a lançar candidaturas mais proporcionais entre brancos e não brancos.

— A hipótese é que provavelmente veremos uma mudança mais significativa na composição das candidaturas de partidos menos competitivos, que devem investir estrategicamente mais em candidaturas negras e femininas. Agora, do ponto de vista interno de cada partido, a emenda fortalece os quadros femininos e negros nas negociações internas para lançarem candidaturas com apoio real — avalia.

Educação

Como apontam senadores e pesquisadores, aumentar a presença de negros e mulheres nas Câmaras de Vereadores e Distrital, Assembleias legislativas e no Congresso é fundamental para refletir a real composição da população brasileira e avançar nas lutas desses grupos. Outra mudança estrutural passa também por uma educação antirracista. Foi apenas em 2003, com o início da vigência da Lei 10.639, que a temática afro-brasileira se tornou obrigatória nos currículos do ensino fundamental e médio. Conquista do movimento negro, a lei é a mesma que incluiu o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar.

Já na maioridade, a norma que trata do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas ainda enfrenta desafios para sua plena efetivação. O professor de história Diego Rogério, que estuda a representatividade negra na cultura pop e trabalha conteúdos sobre o tema no perfil @RetintaPreta, destaca que a lei ajuda a preencher uma lacuna de mais de um século de ausência de reflexão nas escolas sobre a população negra e tem o mérito de ajudar “a reduzir danos”. Ele aponta, contudo, que apenas o ensino em sala de aula não é suficiente para combater o racismo e as desigualdades enraizadas na sociedade.

— Em 1888 temos a abolição da escravidão, mas somente em 2003 temos uma lei para tentar reduzir essa ausência de narrativas negras na educação. Esse tempo de ausência de reflexão sobre um povo que foi escravizado e que após isso foi colocado na criminalidade e na segregação socioespacial foi muito danoso. Ao mesmo tempo, essa lei foi importante por permitir trazer um novo modelo de educação para inserir o negro no ensino — aponta.

Para o professor, além da inclusão da história e da cultura negras nos materiais didáticos, é preciso que o ensino em sala de aula venha acompanhado de outras políticas públicas de forma a garantir a representatividade nas escolas e em todos os espaços da sociedade.

— Se você está falando sobre a história do povo negro, da história do povo africano e apenas professores brancos e brancas estão falando sobre isso, o aluno continua naturalizando o lugar de subserviência do negro. A lei não pode ser apenas uma norma que nos faz contar histórias de reinos africanos, quilombos e personagens negros da história do Brasil. Precisamos lutar por uma educação transformadora que coloque o negro em um lugar de potência, de possibilidades de futuro, onde as crianças negras se enxerguem nesses educadores, professores, coordenadores, palestrantes. Os espaços de poder precisam ter cada vez mais pessoas negras para que essas crianças olhem e se vejam no futuro — afirma o professor, que dá aulas em uma escola particular no Rio de Janeiro.

Diego Rogério: “Precisamos lutar por uma educação transformadora que coloque o negro em um lugar de potência”

A Secretaria Nacional de Políticas Promoção da Igualdade Racial, hoje vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, reconhece que o ensino da história e das culturas afro-brasileira e indígena ainda não é plenamente adotado nas escolas. O secretário da pasta, Paulo Roberto, afirma que uma de suas preocupações é avançar na capacitação de professores.

— A Secretaria vem adotando medidas estruturantes na promoção da igualdade racial nas escolas. Estamos firmando uma parceria com o Ministério da Educação para capacitarmos professores em todo o país e assim darmos efetividade a essas leis — afirmou.

Segundo o secretário, o governo também vem adotando medidas para enfrentar o problema da desigualdade racial. Ele citou a ratificação, neste ano, da Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância. O documento confirmou a adesão do país ao compromisso internacional de prevenir, eliminar, proibir e punir atos e manifestações de racismo, discriminação racial e intolerância.

Paulo Roberto diz ainda que a secretaria trabalha em projetos de capacitação de profissionais do Sistema Penitenciário Nacional, para a promoção de ações de igualdade étnico-racial, e prepara uma campanha nacional para incentivar a contratação de mulheres negras. Ele aponta que o Estado tem uma dívida histórica com essa parcela que representa a maior parte da população.

— A secretaria reputa como extremamente importante que se discuta a questão étnico-racial no Brasil uma vez que esse assunto ainda não está bem resolvido. Houve no final do século XIX e início do século XX uma política de Estado que fomentou a discriminação, o preconceito e o racismo. Não houve, entretanto, o mesmo trabalho de reparar os efeitos maléficos da difusão de teses eugenistas — afirma.

Para Paulo Roberto, o Estado brasileiro tem dívida histórica com a maior parte da população (foto: Willian Meira/MMFDH)

Contraste

A postura do secretário de Igualdade Racial contrasta com as recorrentes manifestações e ações do atual presidente da Fundação Cultural Palmares — órgão criado em 1988 para promover e preservar a cultura negra. Desde que assumiu o cargo, em 2019, Sérgio Camargo tem feito ataques ao movimento negro. No ano passado, ele editou uma portaria que excluiu 27 personalidades negras do rol de homenageados pela instituição. Além do senador Paulo Paim, foram retirados da lista os nomes de Marina Silva, Milton Nascimento, Martinho da Vila, Gilberto Gil, Benedita da Silva, Zezé Motta, Leci Brandão, Sandra de Sá e Elza Soares.

O Senado reagiu e aprovou a suspensão da portaria, em dezembro. Os PDLs 510/2020 e 511/2020, dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Humberto Costa (PT-PE), seguiram para a Câmara dos Deputados, que ainda não deu a palavra final sobre o assunto.

Na contramão do movimento negro, Sérgio Camargo defendeu agora em novembro, mês da Consciência Negra, mudar o nome da Fundação Palmares para Fundação Princesa Isabel. Na sequência, ele usou uma foto da atriz Zezé Motta e do cantor e compositor Djavan para criticar o “Imagine a dor, adivinhe a cor”, movimento contra violência policial. Em sua publicação, Camargo escreveu: “Não existe nenhuma dor (angústia) exclusiva e específica dos negros por causa da cor de pele. Quem acredita nisso é racista ou um completo imbecil”.

Em resposta, também pelas redes sociais, Zezé Motta afirmou que todos os dias acontecem no Brasil retrocessos e desrespeito ao povo, incluindo negros, artistas e “todos que se rebelam contra as manipulações, conveniências e torturas”.

“Lutamos por um país melhor, sem dores, sem angústias, sem desesperos, sem monopólios dos despreparados que não respeitam as dores diárias do nosso povo tão doído, tão sofrido e machucado pelos alienados que só contribuem para que a nossa dor seja cada vez maior”, disse a atriz.

Zezé, em audiência pública no Senado em 2019. “Lutamos por um país melhor”, escreveu a atriz e cantora nas redes sociais (foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Participantes de audiência pública promovida pelo Senado em setembro também denunciaram que a Fundação Palmares se tornou instrumento para apagar a memória da população negra e propagar o racismo. Para os ex-presidentes da instituição Dulce Pereira e Zulu Araújo, Sérgio Camargo tem atuado para a desconstrução das políticas públicas para promoção da igualdade racial.

— Essa ideologia do racismo imobiliza a democracia. Não há democracia com o racismo estrutural sendo operado dentro do Estado. Isso não é Estado democrático. Não é um Estado que assegura direito a todos. Então essa história dual da Fundação Cultural Palmares atenta contra o Estado democrático de direito — apontou Dulce Pereira.

A opinião é compartilhada pelo cantor e compositor Martinho da Vila, que também participou do debate e se tornou alvo do presidente da FCP após criticar sua postura à frente da instituição.

— Um dos sonhos que eu tenho é que um dia, no Brasil, não haja necessidade de movimento negro. Que o racismo não precise de movimento negro. E que não precise de uma sessão como esta. Tudo isso aqui ainda é muito necessário — disse Martinho.

Na ocasião, Paim ressaltou que a instituição foi criada no âmbito da redemocratização do país, com o objetivo de promover uma política cultural inclusiva e para a valorização da história e das manifestações culturais e artísticas negras brasileiras. No entanto, lamentou o senador, a fundação hoje se tornou um espaço para repercutir censuras e preconceitos contra os negros do país.

— Ele [Sérgio Camargo] praticamente tirou todas as referências do movimento negro do passado, do presente e, se deixar, ele retira até do futuro. Frases racistas são proferidas quase diariamente. Infelizmente o espaço da Fundação Palmares tem sido usado para isso, nos dias de hoje, principalmente pelo seu presidente — afirmou o senador.

Heroínas e heróis

Alguns personagens negros importantes da história que estavam no centro das pesquisas do Grupo Palmares na década de 1970 e hoje têm seus feitos contados em muitas salas de aula brasileiras estão também inscritos no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria que fica guardado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. O primeiro foi Zumbi que, desde 1997, tem seu nome cravado nas páginas de personagens relevantes da história brasileira.

Outros símbolos da resistência do povo negro entraram mais recentemente após aprovação do Senado e da Câmara dos Deputados. É o caso do advogado, líder abolicionista e Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil, Luiz Gama, que libertou mais de 500 pessoas escravizadas por vias judiciais. O nome de Gama foi incluído no livro em 2018.

Após aprovação do PLC 55/2017, também foram inscritos os nomes de Dandara dos Palmares e Luiza Mahin. Dandara foi conselheira e parceira de Zumbi na luta pela libertação do quilombo. Luiza, por sua vez, liderou os escravos malês na Bahia, tendo participação decisiva na Sabinada, revolta de caráter separatista ocorrida naquela província à época do Brasil Imperial.

Em outubro de 2021, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovou mais um nome:  João Cândido, marinheiro que liderou a Revolta da Chibata, ocorrida em 1910 em navios atracados na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, contra os castigos físicos na Marinha. Ele entrou para a história como o Almirante Negro. Aprovada no Senado, a proposta ainda depende de votação na Câmara dos Deputados.

O cineasta Jeferson De e o ator César Mello durantes as filmagens de Doutor Gama (foto: Pedro Amaral/Divulgação)

Para apresentar o legado de Luiz Gama “ao maior número possível de pessoas” e espalhar as ideias do advogado, o cineasta Jeferson De resolveu em 2014 que tinha que colocar nas telonas um filme sobre a vida do Patrono da Abolição. Depois de muita pesquisa e um longo processo de produção, filmagem e pós-produção, Jeferson De finalmente viu seu longa-metragem Doutor Gama chegar aos cinemas e plataformas de streaming em agosto deste ano. Segundo Jeferson De, o longa-metragem ajuda a mostrar que a luta de negros e negras vem de longe.

— Para nós, Luiz Gama representa um exemplo, um legado, alguém que sofreu as piores atrocidades que aconteceram com o povo negro, que foi a escravidão. Ele representa essa capacidade na nossa luta negra, nossa capacidade de buscar forças em várias frentes e a nossa união. Para entender a luta antirracista é necessário que a gente volte a várias pessoas que lutaram. E Luiz Gama representa uma imagem icônica. Esse lugar onde muitas lutas se encontram — afirmou.

Luiz Gama, Luiza Mahin, Dandara, Zumbi e tantos outros nomes vêm sendo resgatados nas salas de aula, nas telas do cinema e da TV e pelo movimento negro ao longo das últimas décadas. Esse trabalho já era feito pelo Grupo Palmares há 50 anos. Ainda que o vento não sopre a favor, as sementes lançadas por aqueles jovens que se reuniram em Porto Alegre para incluir o protagonismo do povo negro na história brasileira seguem sendo espalhadas.

— O Dia da Consciência Negra transformada em feriado não é simplesmente pelo feriado em si, mas sim pela reflexão e pela reparação da dívida que o Brasil, como nação, tem com a comunidade negra. As políticas afirmativas são apenas uma breve reparação. Somos a maioria da população brasileira, mas não estamos representados nas câmaras de vereadores, nas assembleias legislativas, na câmara federal, no Senado, no Executivo, assim como nas empresas. A luta começa agora — apontou Antônio Carlos Côrtes, que segue na batalha 50 anos depois da primeira reunião do coletivo.

TV Senado exibe durante o mês de novembro alguns documentários sobre a questão racial no país, entre eles:

  O Fio da Memória

O filme procura condensar a experiência negra no Brasil a partir da religião e da música, e do racismo, responsável pela marginalização de parte dos 60 milhões de brasileiros de origem africana.

  Quem me Representa?

O documentário põe em debate a representatividade do brasileiro, desde as primeiras eleições, em 1532, até a conquista dos espaços democráticos por segmentos historicamente excluídos.

Reportagem: Rodrigo Baptista

Edição: Maurício Müller

Infografia: Bruno Bazílio

Edição e tratamento de fotos: Marcos Oliveira

Foto de capa: Pedro França/Agência Senado

Documentário TV Senado: Jimi Figueiredo (roteiro e edição)

Fonte: Agência Senado

Publicação de Antonio Novais Torres

[email protected]

Brumado, em novembro

Governo decreta ponto facultativo para servidores estaduais durante feriadão na Bahia

Foto: Imagem Ilustrativa. Amanda Ercília / GOVBA

O Governo do Estado decretou ponto facultativo para os servidores estaduais, na próxima sexta-feira (21), após o feriado da Consciência Negra, celebrado na próxima quinta-feira (20). A folga para os servidores foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE), pelo governador Jerônimo Rodrigues, nesta terça-feira (18).

 

Segundo a publicação, os serviços públicos essenciais que não podem ser interrompidos, terá o expediente cumprido por compensação, mediante acréscimo de 01 hora na jornada normal de trabalho nos dias úteis, podendo ser antes ou após a data.

 

O governador estabeleceu ainda que os dirigentes dos órgãos e entidades do Poder Executivo Estadual, em conjunto com as chefias imediatas dos servidores, serão responsáveis em fazer cumprir os horários dos dias de compensação estabelecidos no decreto.

 

A Secretaria de Administração (SAEB) será responsável por acompanhar as medidas necessárias para que sejam seguidos e cumpridos os horários prorrogados.

INSS começa a devolver descontos indevidos para herdeiros de 800 mil segurados

 

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O governo inicia, a partir desta quarta-feira (19), o processo para que herdeiros e pensionistas solicitem a devolução de valores descontados indevidamente por entidades entre março de 2020 e março de 2025 nos benefícios de pessoas já falecidas. Segundo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), cerca de 800 mil segurados que morreram tiveram cobranças de associações descontadas de seus benefícios.
No caso de quem recebe pensão por morte, o pedido de devolução poderá ser realizado pelo Meu INSS, pela Central 135, pelo PrevBarco ou em uma agência dos Correios. O valor recuperado será dividido entre todos os pensionistas ligados ao mesmo benefício.
No caso de herdeiros (benefícios de pessoas falecidas que não geraram pensão por morte), o processo é diferente.
Para que possa ser solicitada a devolução dos valores, a condição de herdeiro precisa ser reconhecida pelo INSS. Para isso, no Meu INSS, vá em “Consultar Descontos de Entidades Associativas”, selecione a opção “Consultar Descontos – Benefício de Pessoa Falecida – para o Sucessor ou Herdeiro” e siga para “Pedir Análise”.
Será necessário juntar a documentação que comprova a condição de sucessor/herdeiro, que é composta por:
– Escritura pública ou alvará judicial, contendo autorização expressa para a contestação no processo de ressarcimento em nome dos sucessores;
– Documento de identificação e comprovante de endereço do solicitante.
Se precisar de ajuda nesse processo, O INSS afirma que é possível ligar para o telefone 135.
Havendo o reconhecimento da condição de herdeiro, será possível pedir a devolução dos descontos indevidos também pelo Meu INSS, Central 135, Correios ou PrevBarco.
No Meu INSS, é necessário seguir o seguinte passo a passo:
– Vá em “Consultar Pedidos”, localize o pedido “Cadastrar Sucessor/Herdeiro – Descontos de Entidades Associativas e siga para o botão “Consultar Descontos de Entidades Associativas”;
– Confira os descontos e marque se foram autorizados ou não;
– Preencha todos os dados e selecione “Enviar Declaração”.
O valor será dividido entre todos os sucessores ou herdeiros.
*
AINDA POSSO CONTESTAR OS DESCONTOS?
Aposentados e pensionistas que ainda não contestaram descontos indevidos em seus benefícios têm até o dia 14 de fevereiro para registrar o pedido nos canais oficiais do INSS.
Segundo os dados mais recentes do instituto, mais de 1 milhão de segurados que contestaram os descontos indevidos ainda não aderiram ao acordo de devolução e, por isso, seguem sem receber o ressarcimento de forma administrativa, direto na conta em que o benefício é pago e sem a necessidade de ir à Justiça.
Após a contestação, é preciso aderir ao acordo previsto no plano de ressarcimento homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O procedimento começa quando o segurado identifica um desconto que não reconhece e faz a contestação pelo site ou aplicativo Meu INSS ou em uma agência dos Correios.
A associação responsável pela cobrança tem 15 dias para responder e apresentar documentos que comprovem a autorização do segurado. Se a entidade não envia provas, o beneficiário pode aderir ao acordo e então o dinheiro é liberado.
COMO OS APOSENTADOS PODEM ACEITAR O ACORDO PELO MEU INSS?
1 – Acesse o aplicativo Meu INSS com CPF e senha;
2 – Vá até “Consultar Pedidos” e clique em “Cumprir Exigência”; o procedimento deve ser feito em cada pedido, se houver mais de um;
3 – Role a tela até o último comentário, leia com atenção e, no campo “Aceito receber”, selecione “Sim”;
4 – Clique em “Enviar”. É preciso, então, aguardar o pagamento.
COMO OS APOSENTADOS PODEM PEDIR A DEVOLUÇÃO DE DESCONTOS INDEVIDOS?
Pelo Meu INSS:
– Entre no site ou aplicativo Meu INSS
– Informe seu CPF e a senha cadastrada
– Siga para “Do que você precisa?”
– Digite: “Consultar descontos de entidades”
– Caso tenha descontos, marque se foram ou não autorizados
– Informe email e telefone para contato
– Declare se os dados são verdadeiros
– Confirme no botão “Enviar Declarações”
Presencialmente:
Aposentados podem procurar agências dos Correios para buscar ajuda com a consulta e o pedido de devolução de descontos indevidos Conteúdo Bahia noticias por  Júlia Galvão | Folhapress