

MTPS – 4158 – BA



Time campeão do Vitória posa para foto ao lado da taça do Baianão 2017
Margarida Neide | Ag. A Tarde
Havia duas possibilidades de final de história neste domingo, 7: uma festa completa com o sorriso de mais de 30 mil torcedores ou a alegria isolada dos intrusos no ambiente. Prevaleceu o clima todo a favor dos rubro-negros e o Vitória, com o empate por 0 a 0 contra o Bahia no Barradão, faturou o título estadual de forma invicta, sua segunda conquista seguida.
Valeu, por sinal, a campanha completa do Leão, que beneficiou-se da vantagem dos resultados equivalentes após o 1 a 1 da ida, na Fonte Nova. O time, que conquistou o tetra de 2002 a 2005 e de 2007 a 2010, voltou a comemorar um bicampeonato depois de uma sequência de cinco edições com apenas um troféu. O último campeão baiano invicto havia sido o próprio Vitória, em 2005.
Com a decisão da CBF – respaldada pela recomendação do Ministério Público (MP-BA) – torcedores do Bahia não puderam entrar na Toca (assim como a galera do Vitória não tive o direito de ir à Fonte Nova na última quarta-feira, 4). Ruim para o espírito de competitividade do futebol, ótimo para a unificação da alegria no santuário rubro-negro.
O Leão manteve a escrita de nunca ter saído sem comemorar de um Ba-Vi de final de Campeonato Baiano no Barradão (ganhou também em 2000, 2004, 2005, 2009, 2010 e 2013). Ainda elevou o jejum tricolor para oito partidas sem ganhar no estádio (último triunfo foi há seis anos, em 2011). E o Bahia falhou em sua 13ª tentativa histórica de tirar a taça das mãos do rival em jogos derradeiros nos quais necessitava do triunfo.
>> Veja como foi lance a lance a final entre Vitória x Bahia
Mais do que tudo isso, o Vitória deu o troco após a traumatizante eliminação na semifinal na Copa do Nordeste diante do Esquadrão, que faz a decisão diante do Sport nos próximos dias 17 e 24. Antes, os dois estreiam no Brasileirão no domingo, 14: às 16h, o Bahia recebe o Atlético-PR e o Leão visita o Avaí.
Jogo amarrado
O primeiro tempo do Ba-Vi deste domingo, 7, foi um dos mais fracos dos clássicos deste ano. Os times se mostraram claramente nervosos, erraram mais do que o normal e as chances surgiram quase todas de falhas gritantes do adversário. O Bahia sofria com a ausência de incisividade, de jogadores mais habituados a balançar a rede. O Vitória dava continuidade à sina de resumir seu jogo às bolas longas.
Depois de um início com domínio rubro-negro, aproveitando o empurrão da galera, o Esquadrão foi o primeiro a levar perigo. Abriu-se clarão no meio da defesa do Leão, Juninho tramou com Allione e a redonda chegou a Edigar Junio, que girou bonito, viu a meta à sua frente, mas finalizou para fora.
Na sequência, vieram tentativas em série de chutes de longe até, aos 23, o Vitória perder sua primeira grande oportunidade. Cleiton Xavier cobrou escanteio fechado, Jean rebateu mal e Bruno Ramires mandou por cima na sobra.
A partir daí o Rubro-Negro viu seu gol amadurecer. Aos 29, Patric lançou, Tiago falhou, mas David errou ao tentar tocar na saída de Jean. Cinco minutos depois, Paulinho recebeu na área, driblou bem e acertou o pé da trave.
A resposta tricolor veio em lance polêmico. Aos 37, Zé Rafael foi acionado por Régis em ótima posição para o chute, mas preferiu a busca pelo contato para cavar o pênalti. Houve o toque da perna de Kanu, mas o árbitro baiano Marielson Alves mandou seguir.
Na segunda etapa, o Bahia teve um bom momento nos instantes iniciais. Uma bola na trave em cobrança de falta de Juninho e um chute de Zé Rafael, que quase entrou depois de desvio em Kanu, arrepiaram os pelos dos rubro-negros. No entanto, o ímpeto tricolor logo acabou e, ao som do empolgante canto que vinha da arquibancada, os comandados do interino Wesley Carvalho administraram o placar favorável até o fim.
Só não completaram a festa com o triunfo porque David perdeu outro gol feito aos 29 minutos. Não fez falta nenhuma. Ponto para a persistência de uma equipe que deixou faltar muito na qualidade do futebol, sofreu com mudança emergencial na comissão técnica, mas se superou com raça, inteligência e desejo de vingança.
FICHA TÉCNICA – VITÓRIA 0 X 0 BAHIA – PELA FINAL DO CAMPEONATO BAIANO 2017
Onde: Barradão, Salvador (BA)
Qaundo: 7/5/2017 – 16h
Árbitro: Marielson Alves Silva (BA)
Auxiliares: Elicarlos Franco de Oliveira (BA) e Jucimar dos Santos Dias (BA)
Cartões amarelos: Kanu, André Lima e Bruno Ramires (VIT); Lucas Fonseca (BAH)
Cartões vermelhos: Não houve
Gols: Não houve
Público:30.288 Pagantes; 30.579 Presentes; Renda: R$422.561,00
Vitória: Fernando Miguel; Patric, Kanu, Alan Costa e Geferson; Willian Farias, Bruno Ramires (René, 24’2°T) e Cleiton Xavier; David e Paulinho (Gabriel Xavier, 42’2°T); André Lima (Rafaelson, 33’2°T) – Técnico: Wesley Carvalho
Bahia: Jean; Eduardo, Tiago, Lucas Fonseca (Jackson, Int) e Armero; Renê Júnior, Edson, Régis, Allione (Gustavo, 33’2°T) e Zé Rafael (Diego Rosa, 35’2°T); Edigar Junio – Técnico: Guto Ferreira
Victor Aguiar e Mariana Lima

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, solicitou aos simpatizantes da operação que não compareçam a Curitiba na próxima quarta-feira, dia 10 de maio, data em que está marcado o interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu tenho ouvido que muita gente que apoia a Operação Lava Jato pretende vir a Curitiba manifestar esse apoio”, disse Moro. “Eu diria o seguinte: esse apoio sempre foi importante, mas, nessa data, ele não é necessário”.
Segundo o juiz, deve-se evitar qualquer tipo de “confusão e conflito” e zelar pela segurança das pessoas, para que ninguém se machuque em eventuais discussões nesta data. “O interrogatório é uma oportunidade que o senhor ex-presidente vai ter para se defender, é um ato normal do processo. Nada de diferente ou anormal vai acontecer nessa data, apenas esse interrogatório”, pondera Moro.
Originalmente, o interrogatório de Lula estava previsto para o dia 3 de maio, mas foi remarcado por Moro para 10 de maio a pedido da Secretaria de Segurança Pública do Paraná e da Polícia Federal. As corporações alegaram necessidade de mais tempo “para providências de segurança” diante de manifestações populares que poderiam ocorrer em Curitiba.
Na ação, Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio do tríplex no Guarujá, no Solaris, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016.
“A minha sugestão é: não venha, não precisa. Deixe a Justiça fazer o seu trabalho, tudo vai ocorrer com normalidade. Eu espero que todos compreendam”, finalizou Moro, no vídeo. O material foi publicado por volta das 21 horas de ontem e republicado minutos depois na mesma página. Juntos, os dois vídeos já registraram quase 2 milhões de visualizações e mais de 92 mil compartilhamentos.
Mobilização
Nas redes sociais, grupos apoiadores da operação e pessoas favoráveis a Lula se organizam para fazer manifestação em Curitiba durante o interrogatório. O Movimento Brasil Livre (MBL), que figura entre os grupos mais ativos em apoio a Moro, disse que não está promovendo nenhuma organização oficial de protesto, mas que seus representantes estarão em Curitiba acompanhando a oitiva. A porta voz do movimento Nas Ruas, Carla Zambelli, em declaração pública, também pediu aos seguidores para não irem a cidade, para evitar confrontos.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) disse que não está promovendo a organização de caravanas. Já o grupo Frente Povo Independente usou a internet por meio de um site de financiamento coletivo para garantir o pagamento de dois ônibus fretados rumo a Curitiba. Foram arrecadados R$ 8,5 mil em doações.
Na terça-feira, véspera do depoimento, Lula e apoiadores vão participar de um culto ecumênico na Catedral Metropolitana de Curitiba. Entre os confirmados no ato de apoio e solidariedade ao ex-presidente está a direção nacional do PT, dezenas de deputados, senadores e ex-ministros.
Foto: Agência Brasil
As provas do Enem serão aplicadas em dois domingos consecutivos, nos dias 5 e 12 de novembroQ
Começam hoje (8), a partir das 10h, as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As inscrições devem ser feitas pela internet, no site do Enem. O prazo de inscrição termina às 23h59 do dia 19 de maio. A taxa do exame este ano é R$ 82. As provas serão aplicadas em dois domingos consecutivos, nos dias 5 e 12 de novembro. Na hora da inscrição, os candidatos devem informar telefones fixo ou celular, além de e-mails, para que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) possa entrar em contato com o participante. Os dados devem estar atualizados. O estudante também terá que criar uma senha de, no mínimo, seis e, no máximo, dez caracteres. Essa senha deve ser guardada, pois o candidato precisará dela até o ano que vem seja para conferir o resultado do exame ou para participar de processos seletivos que utilizam as notas das provas, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Programa Universidade para Todos (ProUni). “O processo de recuperação de senha foi alterado este ano, para garantir maior segurança aos participantes. É importante que os candidatos anotem a senha, pois vão usá-la em vários momentos”, diz a diretora de Gestão e Planejamento do Inep, Eunice Santos.
Mariana Tokarnia, Agência Brasi
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Foto: Reuters/Emmanuel Herman
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Trinta e duas crianças em idade escolar, dois professores e um motorista de microônibus morreram na Tanzânia quando o veículo deles mergulhou em um barranco na estrada na região turística de Arusha neste sábado (06), informou um alto funcionário da polícia. “O acidente aconteceu quando o ônibus estava descendo em uma colina íngreme em condições chuvosas”, disse o comandante da polícia regional de Arusha, Charles Mkumbo, à Reuters por telefone.
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Foto: Reuters/Emmanuel Herman
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“Nós ainda estamos investigando o incidente para determinar se ele foi causado por um defeito mecânico ou erro humano por parte do motorista”. Os alunos mortos no acidente, que ocorreu no distrito de Karatu, eram da escola primária Lucky Vincent, a caminho para visitar outra escola, disse Mkumbo. O presidente John Magufuli descreveu o acidente como uma “tragédia nacional” em um comunicado.

Em reunião realizada no Ministério Público Estadual, na manhã dessa sexta-feira (05), o Governo do Estado apresentou de forma clara todos dados sobre a integração tarifária entre os sistemas de ônibus e metrô. O encontro foi promovido pela Promotora de Justiça, Cristina Seixas, e contou com representantes do Governo e da Prefeitura Municipal de Salvador.
Na ocasião, o secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, salientou que “a integração tarifária tem sido continuamente cobrada pelo Governo do Estado junto à Prefeitura de Salvador”. E destacou que todo processo já executado “segue com base nos termos dos acordos estabelecidos no quadro do Contrato de Programa e do Convênio Interfederativo, assinados entre as partes antes mesmo da transferência do metrô para o Estado”.
Foi destacado que o transporte público por pneus funciona de forma ineficiente e que necessita da revisão e adequação dos atuais itinerários, fato que incide diretamente nos custos desse sistema. É importante esclarecer que, atualmente, o valor médio por passagem integrada pago aos ônibus é de R$ 1,69 e caso os modais já estivessem totalmente integrados, o valor recebido pelos ônibus seria de aproximadamente R$ 2,17 por passageiro por viagem.
Esse fato é de total conhecimento da Prefeitura de Salvador. E diante da recente afirmação do secretário de Mobilidade da Capital, Fabio Mota, de que 50% das linhas de ônibus já estão integradas, o Governo afirma que essa informação não descreve a realidade da integração, e que as linhas integradas beneficiam apenas 4% dos usuários do sistema de ônibus de Salvador.
Para dinamizar o processo, atendendo uma demanda da própria Prefeitura, o Governo se dispõe a cortar imediatamente todas as linhas metropolitanas que penetram em Salvador, em terminais de ônibus determinados, desde que haja uma integração que não obrigue o passageiro a pagar duas passagens para ir e vir da Região Metropolitana de Salvador para a capital.
Para realizar esse corte de linhas sem prejudicar os passageiros, Dauster anunciou que o Governo irá “contratar, em regime de urgência, linhas de alimentação complementares que servirão para o uso dos passageiros metropolitanos”, garantindo a tarifa única por viagem. Este sistema alimentador poderá ser usado por todos os usuários de transporte que assim desejarem.
Ainda nos próximos dias de maio, a população soteropolitana receberá mais quatro estações de metrô, funcionando comercialmente, até Pituaçu. A eficiência das obras já fez o sistema de trilhos chegar na estação Mussurunga, trecho que ainda não pode ser inaugurado pela negativa da Prefeitura de Salvador em fechar os retornos da Avenida Paralela, no percurso de Pituaçu até Mussurunga.
“Os bloqueios dos retornos acelerariam, de forma significativa, o andamento das obras da linha 2. Trazendo um enorme benefício para população de Salvador com a chegada do modal nas imediações de Mussurunga o mais rápido possível”, afirma Dauster.
A promotora Cristina Seixas destacou a importância do encontro em prol da melhoria da mobilidade de Salvador. “O Ministério Público precisa entender a lógica das intervenções na mobilidade urbana da Capital. Precisamos acompanhar e exigir que as políticas públicas sejam efetivas e que melhorem as condições da mobilidade urbana na cidade”, afirmou.
Também participaram do encontro a Procuradora Geral do Estado Interina
(PGE), Luciane Croda, o chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Fábio Lucena, o presidente da Companhia de Transporte da Bahia (CTB), Eduardo Copello, o diretores de Transporte da Secretaria de Mobilidade da Prefeitura (Semob), Matheus Moura e Eduardo Leite e o gerente de Projetos Estratégicos da Semob, Roberto Mussalem.
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Ascom – Casa Civil
71 – 3115 9215/ 9204/ 6182

Uma pastora identificada como Albeania Santos, da Assembleia de Deus Pioneira, foi flagrada pelo marido saindo de um motel na cidade de Macapá, no estado do Amapá. A pastora, natural de Bacabal, no Maranhão, foi puxada pelos cabelos pelo companheiro que fez um verdadeiro escândalo.
Nas imagens, que praticamente viralizaram nas redes sociais, o homem grita e puxa a esposa pelos cabelos. “Pode filmar, gente, uma pastora que eu peguei na frente de um motel”, diz ele, ao ser interrompido pela mulher que grita: “Me solta, não faz isso”. O homem continua e nega que esteja agredindo ela: “Vocês estão vendo que eu não bati nela, eu peguei ela no motel . Eu sou trabalhador, trabalho feito um ‘lascado’ para sustentar ela que no final me deu isso. E ela é uma pastora”, diz novamente no vídeo. Assista:
Albeani faz constantes visitas ao Maranhão e é muito conhecida nos meios evangélicos na capital São Luís. Na semana passada ele esteve no Rio de Janeiro, assim como viaja para vários estados e países.

por Vinícius Assumpção

Sob o comando do Marechal Castelo Branco e a batuta do Ministro Juracy Magalhães, o Brasil promulgou a sua atual Lei de Abuso de Autoridade, a Lei nº 4.898 de 1965. Gestada em um contexto ditatorial, o diploma legislativo contém uma série de falhas, das quais se destacam a proteção insuficiente dos direitos do cidadão [1] vítima de abuso (a sanção penal mais grave é de 6 meses para a autoridade pública que comete a infração[2]) e a vagueza de diversos dos seus dispositivos penais, o que compromete diretamente o princípio da legalidade. Cinco décadas após e em momento de turbulência institucional e democrática, o país discute uma nova redação para responsabilizar as autoridades públicas que, no exercício do seu cargo ou função, violam direitos fundamentais do cidadão.
Uma nova redação para a Lei de Abuso de Autoridade foi aprovada no último dia 26 de abril de 2017 [3-4], após relatório do Senador Roberto Requião sobre os Projetos de Lei do Senado nº 280/2016 (do Sen. Renan Calheiros)[5] e nº 85/2017 (do Sen. Randolfe Rodrigues)[6]; o texto segue para a Câmara dos Deputados, onde passará por nova apreciação. Duras críticas têm sido feitas ao projeto, especialmente por sua suposta intenção de “calar de vez a força-tarefa da Lava Jato” para garantir a impunidade no país.
Os discursos não declarados de um processo legislativo são naturalmente nebulosos (por que uma nova lei somente agora?), mas não devem ser obstáculo ao enfrentamento de matérias que podem resultar positivas para o amadurecimento institucional. Deve-se reconhecer que o atual projeto encerra aspectos positivos e negativos, como de costume. Em primeiro lugar, representa, mais uma vez, a ampliação do conjunto de normas penais, em detrimento da adoção de um controle democrático das instituições que permita evitar os abusos praticados [7]. Caminha-se de acordo com o “fetichismo normativista” (Alberto Binder[8]), supondo-se que a lei penal será responsável pelas mudanças que a sociedade demanda. Superado esse ponto, não há dúvidas de que diversos dos crimes propostos protegem o investigado e as prerrogativas da defesa. É o caso da punição pela usual complacência com a exposição vexatória do preso à curiosidade pública [9] e sua fotografia para divulgação nos meios de comunicação [10], da antecipação de culpa do investigado nos meios de comunicação (recorde-se das inúmeras “coletivas de imprensa” que transbordam os limites do razoável)[11] e da custódia de pessoas de ambos os sexos no mesmo espaço[12-13].
Há também equívocos e eles são evidentes. Os dispositivos que responsabilizam a autoridade que dá início à persecução penal sem “justa causa fundamentada”[14] ou aquela que deixa de corrigir “erro relevante” que sabe existir em processo ou procedimento [15] ferem o princípio da legalidade [16] e dão margem a graves desvios de aplicação, exigindo detalhamento (qual o significado de “justa causa”?; o que é “erro relevante?”), reforma ou mesmo supressão. De todo modo, o debate sobre imprecisões terminológicas e vagueza de tipos penais precisa ser feito de maneira constante e consistente, não apenas quando se supõe que uma determinada operação pode ser prejudicada.
Não se pode esquecer que práticas como o desacato ainda são criminalizadas com pena de até 2 (dois) anos[17-18] e que uma série de crimes relegam ao investigado/acusado e à defesa criminal situação de notada insegurança jurídica. Recorde-se que a recente Lei de Organizações Criminosas atribui altíssima pena (3 a 8 anos) para aquele que “de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal”, sem que se defina exatamente o que seria a prática desse embaraço (seria a conversa entre corréus, como já se discutiu no caso Maluf, em São Paulo?[19]). Essas previsões legais também atentam contra princípios penais e, no entanto, carecem de maiores questionamentos por grande parte dos operadores do Direito. Cabe indagar: que abuso – e quando – nos convém?
Entre os argumentos de que a nova Lei de Abuso de Autoridade seria uma mera retaliação à Operação Lava-Jato – que teria como alvo mais de um terço do Senado – e a adoção de uma redação imprecisa, há reflexões importantes sobre quais comportamentos das autoridades públicas devem ser reprimidos num Estado Democrático de Direito. Enquanto esse debate se circunscrever ao asséptico cenário da capital federal, estaremos esquecendo que o sistema de justiça criminal tem como clientela diuturna preferencial negros[20] e negras[21], homens e mulheres [22] jovens[23] e pobres, cujos direitos são sequer conhecidos, quiçá respeitados. Essa é a realidade que precisamos enfrentar se buscamos um debate amadurecido e transformador.
Referências
[1] “Os direitos fundamentais não podem ser considerados apenas como proibições de intervenção (Eingriffsverbote), como também um postulado de proteção (Schutzgebote). Pode-se dizer que os direitos fundamentais expressam não apenas uma proibição de excesso (Übermassverbote), como também podem ser traduzidos como proibições de proteção insuficiente ou imperativos de tutela (Untermassverbote)” (STF, Segunda Turma, HC nº 104410/RS, relatoria do Min. Gilmar Mendes, julgado em 06/03/2012).
[2]) O Abuso de Autoridade implica sanções (art. 6º) administrativas (§1º), civis (§2º) e penais (§3º). A sanção penal será de multa, detenção de dez dias a seis meses e ou de perda do cargo e inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por prazo de até três anos.
[4] O relatório e a redação aprovada estão disponíveis em: http://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=5245854&disposition=inline
[5] http://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=2913735&disposition=inline
[6] http://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=5207832&disposition=inline
[7] Nesse sentido a advertência da professora Ana Elisa Bechara: “Revela-se, assim, necessária uma análise crítica do fenômeno de expansão do Direito Penal, partindo-se do resgate da importância dos direitos humanos ante os instrumentos de controle social formal exercido pelo Estado”. (BECHARA, Ana Elisa Liberatore S. Direitos humanos e Direito Penal: limites da intervenção penal racional no Estado Democrático de Direito, p. 155. In: Direito Penal Contemporâneo: questões controvertidas. MENDES, Gilmar Ferreira, BOTTINI, Pierpaolo Cruz; PACELLI, Eugênio (coord.) São Paulo: Saraiva, 2011).
[8] “Se deu o nome de ‘fetichismo normativista’ à prática segundo a qual as autoridades públicas sancionam leis, muitas vezes com propostas ambiciosas de mudança e, logo, se despreocupam com sua colocação em prática”. (BINDER, Alberto M. La Reforma de la Justicia Penal: entre el corto y el largo plazo. Trad. Livre. Disponível em http://w1.cejamericas.org/index.php/biblioteca/biblioteca-virtual/doc_view/593-la-reforma-de-la-justicia-penal-entre-el-corto-y-el-largo-plazo.html.
[9] “Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I – exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade; II – submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; III – produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro. Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência”.
[10] “Art. 14. Fotografar ou filmar, permitir que fotografem ou filmem, divulgar ou publicar filme ou filmagem de preso, internado, investigado, indiciado ou vítima, sem seu consentimento ou com autorização obtida mediante constrangimento ilegal, com o intuito de expor a pessoa a vexame ou à execração pública. Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa”.
[11] “Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações, por meio de comunicação, inclusive rede social, atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação. Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.”
[12] “Art. 21. Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa”.
[13] Que não esqueçamos da prisão, por 26 dias, de uma menor de 15 anos em uma cela com dezenas de homens na delegacia de Abaetetuba, no Pará: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/83661-juiza-que-manteve-menina-em-cela-masculina-recebe-pena-de-disponibilidade
[14] “Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa, sem justa causa fundamentada ou contra quem o sabe inocente: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa”.
[15] “Art. 34. Deixar de corrigir, de ofício ou mediante provocação, tendo competência para fazê-lo, erro relevante que sabe existir em processo ou procedimento: Pena – detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, e multa”.
[16] O texto proposto viola especificamente a legalidade estrita ou taxatividade, que, segundo Luigi Ferrajoli, “prescreve, ademais, que tal conteúdo seja formado por pressupostos típicos dotados de significado unívoco e equívoco, pelo que será possível seu emprego como figuras ´de qualificação em proposições judiciais verdadeiras ou falsas. Disso resulta, assim, garantida a sujeição do juiz somente à lei” (FERRAJOLI, Luigi. Direito e Razão: teoria do garantismo penal. 3ª. Ed. São Paulo: RT, 2010, P. 93).
[17] Código Penal: “Art. 331. Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – detenção, de seis meses a dois anos, ou multa”.
[18] A norma, como se sabe, não resiste ao apurado controle de convencionalidade, como já decidiu o STJ (Quinta Turma, REsp 1640084, relatoria do Min. Ribeiro Dantas, julgado em 15/12/2016) e aponta o professor Alexandre Morais da Rosa (Disponível em: http://emporiododireito.com.br/desacato-nao-e-crime-diz-juiz-em-controle-de-convencionalidade/)
[19] O Supremo já apreciou a legalidade de decisão de prisão fundamentada na obstrução das investigações por conversa entre Flávio Maluf e Paulo Maluf, que estariam aliciando o corréu Vivaldo Alves. (STF, Tribunal Pleno, HC n º 86.864/SP, relatoria do Min. Carlos Velloso, julgado em 20/10/2005)
[20] “Proporção de pessoas negras presas segundo dados coletados: dois em cada três presos são negros. Ao passo que a porcentagem de pessoas negras no sistema prisional é de 67%, na população brasileira em geral, a proporção é significativamente menor (51%)” (Fonte: BRASIL. Departamento Penitenciário Nacional. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN – junho de 2014).
[21] “Em relação à raça, cor ou etnia, destaca-se a proporção de mulheres negras presas (67%) – duas em cada três presas são negras. Na população brasileira em geral a proporção de negros é de 51%, segundo dados do IBGE”. (Fonte: BRASIL. Departamento Penitenciário Nacional – Ministério da Justiça. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN MULHERES. Junho de 2014).
[22] “Enquanto a taxa total de aprisionamento aumentou 119% entre 2000 e 2014, a taxa de aprisionamento de mulheres aumentou 460% no período, saltando de 6,5 mulheres presas para cada 100 mil mulheres em 2000 para 36,4 mulheres em 2014”. (Fonte: BRASIL. Departamento Penitenciário Nacional – Ministério da Justiça. Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN MULHERES. Junho de 2014).
[23] A partir dos dados foi possível aferir que, em todos os anos da série histórica de 2005 a 2012, a maioria da população prisional do país era composta por jovens entre 18 e 24 anos. Em 2005, dentre os presos para os quais havia essa informação disponível, 53.599 tinham entre 18 e 24 anos e 42.689, entre 25 e 29 anos. Já em 2012, 143.501 tinham de 18 a 24 anos e 266.356 destes tinham entre 25 e 29 anos. Olhando somente os dados de 2012 e considerando apenas a parcela para qual a informação sobre idade estava disponível, verificou-se que 54,8% da população encarcerada no Brasil era formada por jovens, segundo o Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013), ou seja, tinha menos que 29 anos. (BRASIL. Secretaria-Geral da Presidência da República. Secretaria Nacional de Juventude. Mapa do encarceramento: os jovens do Brasil)
* Vinícius Assumpção é Advogado criminalista. Mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia. Pós-Graduado em Direito do Estado. Bacharel em Direito pela UFBA. Diretor do Instituto Baiano de Direito Processual Penal (Gestão 2017-2018). Professor de Processo Penal da Pós Graduação da Escola de Magistrados da Bahia. Professor Convidado de Direito Penal da Pós-Graduação da Faculdade Baiana de Direito e da Escola Superior de Advocacia da Bahia. Professor de Processo Penal da Faculdade Ruy Barbosa/Devry
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* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
Artigo copilado do Bahia \noticias

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Foto: Instituto Lula
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Curitiba se prepara para o interrogatório do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva na próxima quarta-feira (10). A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) do Paraná montou um esquema especial para garantir que o depoimento aconteça sem intercorrências e evitar confronto entre manifestantes contrários e favoráveis a Lula. Será a primeira vez que o juiz Sérgio Moro e o ex-presidente ficarão frente a frente no processo da Operação Lava Jato. Haverá um bloqueio em um raio de 150 metros em torno do prédio e apenas jornalistas credenciados e moradores poderão passar pelos policiais. A Polícia Militar do estado vai cuidar da segurança nas ruas ao redor do prédio da Justiça Federal, que será monitorado pela Polícia Federal. A Direção do Foro suspendeu os prazos processuais e o atendimento ao público no dia do interrogatório. Além disso, segundo decisão da diretora do Foro, a juíza federal Gisele Lemke, também não poderão entrar no prédio magistrados, servidores, estagiários e terceirizados. “O acesso ao edifício Manoel de Oliveira Franco Sobrinho (sede Cabral) somente será permitido às pessoas envolvidas com a realização e apoio da audiência, devidamente autorizadas pela Direção do Foro, conforme lista a ser encaminhada à Polícia Militar do Estado do Paraná”, diz o despacho.

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Foto: Instituto Lula
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Curitiba se prepara para o interrogatório do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva na próxima quarta-feira (10). A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) do Paraná montou um esquema especial para garantir que o depoimento aconteça sem intercorrências e evitar confronto entre manifestantes contrários e favoráveis a Lula. Será a primeira vez que o juiz Sérgio Moro e o ex-presidente ficarão frente a frente no processo da Operação Lava Jato. Haverá um bloqueio em um raio de 150 metros em torno do prédio e apenas jornalistas credenciados e moradores poderão passar pelos policiais. A Polícia Militar do estado vai cuidar da segurança nas ruas ao redor do prédio da Justiça Federal, que será monitorado pela Polícia Federal. A Direção do Foro suspendeu os prazos processuais e o atendimento ao público no dia do interrogatório. Além disso, segundo decisão da diretora do Foro, a juíza federal Gisele Lemke, também não poderão entrar no prédio magistrados, servidores, estagiários e terceirizados. “O acesso ao edifício Manoel de Oliveira Franco Sobrinho (sede Cabral) somente será permitido às pessoas envolvidas com a realização e apoio da audiência, devidamente autorizadas pela Direção do Foro, conforme lista a ser encaminhada à Polícia Militar do Estado do Paraná”, diz o despacho.

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Foto: L12
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Um motociclista morreu depois de um acidente envolvendo um ônibus da viação Novo Horizonte e uma moto na altura do trevo que dá acesso ao Distrito de Marcolino Moura, em Rio de Contas, na Chapada Diamantina. De acordo com o L12, o acidente ocorreu na tarde desta sexta-feira (05), onde a vítima, identificada por João Chaves Pierote, de 50 anos, morador da comunidade de Casa de Telha trafegava em uma motocicleta, de cor vermelha, quando por razões ainda desconhecidas acabou colidindo frontalmente com o ônibus de placa OZH-4290. Com o impacto o motociclista não resistiu e veio a óbito no local do acidente. A polícia militar de Rio de Contas foi acionada, afim de controlar o trafego no local e isolar a área até a chaga dos peritos e da Polícia Rodoviária Estadual (PRE).B N

A visita do Governador Rui Costa em Vitória da Conquista, conforme agenda previamente informada à população conquistense, na quarta-feira, (4) de maio, repercute positivamente em meio aos diversos segmentos sociais, que o considera, um gestor comprometido em resolver importantes demandas e principalmente às das áreas da saúde, abastecimento de agua e na conclusão do aeroporto de Vitória da Conquista.
O Governador Rui neste mesmo dia de vista a Conquista inaugurou o maior centro de diagnóstico por imagem do interior do estado no Hospital Geral de Vitória da Conquista, que já se encontra em funcionamento, também visitou as obras de ampliação da emergência do Hospital Geral. E fez vistoria nas obras da Adutora de Água Bruta do Rio Gaviãozinho, em Barra do Choça, Esta Adutora irá transportar água do Rio Gaviãozinho para o sistema adutor do Catolé, garantindo o abastecimento para o município até o fim do ano.
Inúmeras autoridades e políticos e a imprensa conquistense acompanharam o Governador. O Prefeito de Conquista não compareceu, mas, ele mesmo disse que estará recebendo o gestor conquistense, em seu gabinete, na capital baiana na próxima semana para tratar de assuntos relacionados aos interesses da cidade.