E A SORTE DO BRASIL ESTÁ LANÇADA

 

 

   Só quem não está à beira da loucura não está entendendo nada. Neste domingo eleitoral vamos em marcha para o suicídio coletivo, ou resgatar a ética e a moral, salvando o Brasil deste lamaçal de incompetência e corrupção. A sorte está lançada, mas confesso que vou como eleitor participante do primeiro turno, sem esperanças e preocupado com o que virá depois.

  Nunca vi uma campanha tão marcada pelo ódio, pela loucura, pela intolerância, pela incoerência e a falta de lógica. As enxurradas de pesquisas e de fake news (notícias falsas) foram vedetes e já podem ser consideradas como as maiores candidatas bruxas, num país onde se exigia a ponderação e a escolha dos melhores.

  Não são ideais para conduzir a união e a conciliação neste momento tão conturbado, mas entre os dois mais colocados nas fatídicas pesquisas, existem candidatos que mereciam estar nas pontas para encarar o segundo turno. O que vamos fazer depois com o acirramento das divisões? Poderá vir o pior, mas sem direito de xingar os políticos porque a cara deles reflete  a nossa que teve a chance de mudar. Não se está pensando no Brasil garroteado pela a extrema e pela a esquerda.

DEBATES DOS TROPEÇOS

  Lamentável que pouco se falou de educação, e a cultura dos incêndios dos museus e destruição do nosso patrimônio, continuou órfã nos debates e durante toda campanha. Não se viu nenhuma menção ao tema. Nas perguntas livres entre os candidatos, as perguntas sempre giram em torno de comportamento partidários dos mesmos. No mais, esses debates são monótonos e chatos. Algumas partes são até divertidas.

  Não consigo entender esta maluquice de como um candidato de terceiro lugar é o mais votado e vence de todos os outros numa simulação de segundo turno. Nos debates de ontem na TV Globo sobraram mentiras e faltaram sinceridades, com algumas exceções.

Até que o nível não foi tão ruim, sobressaindo em termos programáticos e de conhecimento da realidade, embora com diferenças ideológicas. Diria que Ciro Gomes, Guilherme Boulos (bem postado nas ideias) e Marina foram os mais centrados nos pontos discutidos e demonstraram maior segurança em suas falas.

  Com alguns tropeços de Álvaro Dias que de início perdeu o tempo e foi repreendido pelo William Bonner pelo seu posicionamento frente às câmaras, se bem que o próprio mediador também cometeu falhas de esquecimento no sorteio das perguntas e terminou se embanando, o debate teve seu lado positivo no campo das propostas, mas negativo quando Fernando Adaded deixou perguntas em vazio e evitou reconhecer os graves erros cometidos pelo seu partido,

 O candidato voltou a insistir na inocência de Lula e respondeu de outra forma a pergunta de Marina que lhe pediu para fazer uma crítica a respeito desse cenário de ódio entre os dois postulantes ao cargo de presidente. Ao invés de “baixar a guarda”, terminou por incitar mais a intolerância e os extremos, com a arrogância própria do partido que se recusa a fazer uma autocrítica.

  Álvaro focou na questão do combate à corrupção no país. Meirelles, de que é um ficha limpa e competente, mas não se desvencilhou da sua política neoliberal de livre mercado, com um Estado mínimo. Não inovou em nada em sua política de arrocho. Geraldo Alkmim não conseguiu convencer como vai cortar privilégios com
um caminhão de privilegiados na sua coligação, mesmo apontando seu feitos em São Paulo como governador.

  Em termos de aproveitamento do tempo e sem se desviarem muito dos temas discutidos, Ciro, Boulos e Marina foram os destaques, em minha opinião, com mais desenvoltura nas respostas e mostrando mais confiança. Nem é preciso dizer que o ausente Bolsonaro, que fugiu dos debates, foi o mais bombardeado pela sua postura fascista, retrógrada e homofóbica.                   Jeremias Macário é jornalista e escritor

Bancada evangélica reage à ‘pauta de costumes’ do STF Foto: Dida Sampaio / Estadão Dias Toffoli A pauta de costumes prevista para ir a julgamento no Supremo Tribunal Federal provocou reação de parlamentares da bancada evangélica. Nesta terça-feira, 12, em reunião com o presidente da Corte, Dias Toffoli, eles pressionaram para que o julgamento sobre criminalização da homofobia, marcado para esta quarta-feira, 13, fosse adiado. Toffoli manteve as ações na pauta, mas auxiliares do STF temem que a discussão abra uma crise com o Congresso em um momento em que parlamentares se mobilizam contra o chamado “ativismo judicial”. Enquanto isso, no Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), desengavetou projeto que proíbe o aborto em qualquer situação, o que tornaria mais rígida a legislação atual. A proposta, que havia sido arquivada, volta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para ser discutida. “O projeto deve ir para as comissões, ter o debate, colocar o País para discutir, mas não entrarmos nesse processo de avestruzamento, que é enfiar a cabeça debaixo da terra e dizer que não vamos tomar conhecimento, e depois ficarmos dizendo: ‘Olha, o Supremo foi lá e interpretou’”, disse o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP). A iniciativa tem como objetivo se antecipar a outro julgamento no STF, previsto para maio, em que os ministros analisarão ação que tenta abrir mais uma condição para aborto legal no País, incluindo a possibilidade a grávidas infectadas com zika. Atualmente, a interrupção da gravidez só é permitida em caso de violência sexual, se há risco de vida para a mãe ou se o feto é anencéfalo. Defensores da medida dizem que a PEC não afeta estes casos, apenas veda novas exceções, como a que será discutida no STF. Para Alcolumbre, a proposta não é uma afronta ao Supremo. “O Senado está trabalhando como poder instituído”, disse. O Estado apurou que, no caso das ações sobre homofobia, a expectativa é de que a maioria dos ministros do STF concorde com a omissão do Congresso, mas não devem fixar prazo para os parlamentares aprovarem uma legislação criminal sobre o tema. Isso porque o objetivo das ações é equiparar a homofobia ao racismo, o que torna o debate mais complexo na área penal, na avaliação de um ministro. Um pedido de vista (mais tempo para análise) pode interromper a discussão. Estadão