Os sobreviventes da mina San José – “Esperanza” – Fé – Solidariedade – renascimento.

Marina Motomura
Enviada especial do UOL Notícias à mina San José (Chile)

mineirosDepois de 69 dias e muitas mudanças de datas — e até de horas — para o resgate dos mineiros no Chile, o primeiro trabalhador deixou a mina San José na madrugada desta quarta-feira (13). O primeiro operário a sair da mina foi Florencio Ávalos, 31, que foi trazido à superfície pela cápsula Fênix e saudado com aplausos, sirene e gritos.

Centenas de pessoas se aglomeraram em volta do telão no acampamento “Esperanza” para comemorar a saída do mineiro. Balões, gritos de guerra e muita euforia celebraram o sucesso do primeiro resgate.

Muito havia se especulado sobre a ordem de saída dos trabalhadores, confirmada apenas a poucas horas do início do resgate pelo presidente do Chile, Sebástian Piñera, que estava presente na mina no momento da saída do primeiro soterrado.

O resgate dos mineiros foi marcado pela comoção que gerou em todo o mundo — a imprensa de todo o planeta baixou na mina nos últimos dias, além de empresas, como a Nasa, que enviaram técnicos para ajudar nos trabalhos.

A rapidez dos trabalhos também chamou a atenção. Inicialmente, o governo chileno havia previsto a conclusão dos trabalhos para o Natal, no final de dezembro. Mas os trabalhos para perfurar o solo e abrir caminho para a cápsula Fênix se adiantaram e, pouco mais de dois meses depois, os mineiros puderam finalmente reencontrar suas famílias.

Nos dois dias que a reportagem do UOL Notícias acompanhou o resgate dos mineiros, também chamou a atenção a organização da estrutura em torno da mina San José. O acampamento, que, em agosto, era apenas um amontoado de barracas, tornou-se uma minicidade, em que é possível encontrar desde pronto socorro a internet WiFi e banheiros com ducha.

Agora, os mineiros estão sendo levados para o hospital de Copiapó, onde devem permanecer por 48 horas sob cuidados médicos.

A seguir, a lista preliminar com a ordem de saída dos mineiros:

 

1. Florencio Ávalos, 31 anos, capataz, casado. Irmão de Renán, outro dos mineiros presos. Por sua condição de capataz, era o segundo na hierarquia, depois do chefe de turno.

2. Mario Sepúlveda, 40 anos, eletricista, casado. Foi o apresentador da maioria dos vídeos dos mineiros que foram divulgados.

3. Juan Illanes, 52 anos, mineiro, casado. Veterano do conflito na fronteiro que quase gerou uma guerra entre o Chile e a Argentina, em 1978.

4. Carlos Mamani: 23 anos, operador de maquinário pesado, casado. É boliviano, e é o único do grupo que não é chileno.

5. Jimmy Sánchez, 19 anos, mineiro, solteiro. É o mais jovem do grupo.

6. Osman Araya, 30 anos, mineiro, casado. Trabalhava somente há quatro meses na mina.

7. José Ojeda, 46 anos, encarregado da perfuração, viúvo. Sofre de diabetes e foi quem escreveu a mensagem que anunciou ao mundo que todos estavam com vida. “Estamos bem no refúgio, os 33.”

8. Claudio Yáñez, 34 anos, operador de broca, solteiro.

9. Mario Gómez, 63 anos, motorista, casado. É o m ais experiente do grupo. É filho de mineiro e foi apelidado de “O Navegador”, por seu passado como mercante da Marinha.

10. Alex Vega, 32 anos, mecânico de maquinaria pesada, casado. Em 22 de setembro, comemorou seu aniversário dentro da mina.

11. Jorge Galleguillos, 56 anos, mineiros, casado. Trabalhou toda sua vida na mina e sofre de hipertensão.

12. Edison Peña, 34 anos, mineiro, solteiro. Na primeira gravação, expressou seu desespero ao dizer: “Quero sair logo”.

13. Carlos Barrios, 27 anos, mineiro, solteiro. Seu pai, Antenor Barrios, disse como acho que ele estava após a primeira conversa: “Encontrei-o com forças e vontade. Uma voz forte e clara. Me emocionei.”

14. Víctor Zamora, 33 anos, mecânico automotivo, casado. Preso na mina, recebeu a confirmação de que sua mulher, Jéssica Cortez, está grávida.

15. Víctor Segovia, 48 anos, eletricista, casado. É o encarregado de registrar por escrito tudo o que acontece dentro da mina.

16. Daniel Herrera, 27 anos, motorista de caminhões, casado. Sua mãe, Alicia Campos, contou que prometeu não chorar quando conseguiu falar com ele lá embaixo. “Não cedi até que disse ‘tchau, meu filhinho’”, contou.

17. Omar Reygadas, 56 anos, eletricista, casado. Tinha acabado de começar a trabalhar na mina.

18. Esteban Rojas, 44 anos, encarregado de manutenção, casado. Prometeu por carta a sua mulher, Jessica Yáñez, com quem se casou no civil há 25 anos, que ao sair fariam uma cerimônia religiosa.

19. Pablo Rojas, 45 anos, carregador de explosivos, casado. Tinha menos de meio ano trabalhando na mina.

20. Dario Segovia, 48 anos, operador de broca, casado. Sua mulher, Jessica Chille, conseguiu falar com ele após 24 dias. “Ouvir sua voz foi um alívio para o meu coração”, disse ela.

21. Yonni Barrios, 50 anos, eletricista, casado. Por seus conhecimentos de enfermaria, foi encarregado de elaborar relatórios médicos de seus companheiros e de vaciná-los. Do lado de fora, ele foi disputado a tapas por duas mulheres.

22. Samuel Ávalos, 43 anos, mineiro, casado. Sua mulher, Ruth, contou que tinha problemas com drogas.

23. Carlos Bugueño, 27 anos, mineiros, solteiro. Antes de entrar na mina, trabalhava como segurança.

24. José Henríquez, 54 anos, encarregado de perfuração, casado. Tem sido o guia espiritual dos mineiros.

25. Renán Ávalos, 29 anos, mineiro, solteiro. Renán trabalhava na mina há cinco meses e é irmão do capataz Florencio Ávalos.

26. Claudio Acuña, 44 anos, operador de perfuradora, solteiro. Declarado fanático pelo popular time de futebol Colo Colo.

27. Franklin Lobos, 53 anos, motorista, solteiro. Ex-jogador de futebol, com passagem rápida pela seleção chilena.

28. Richard Villarroel, 27 anos, mecânico, solteiro.

29. Juan Aguilar, 49 anos, supervisor, casado. Sua mulher, Cristy Coronado, disse: “Para mim isso é como um sonho. Às vezes, espero acordar e encontrar minha vida de antes.”

30. Raúl Bustos: 40 anos, mecânico hidráulico, casado. Trabalhava como mecânico nos estaleiros da Marinha do Chile, em Talcahuano, um porto no sul, destruído pelo tsunami de 27 de fevereiro. Isso o obrigou a procurar trabalho na mina.

31. Pedro Cortez, 24 anos, eletricista, solteiro. Perdeu um dedo na mina há um ano.

32. Ariel Ticona, 29 anos, motorista de maquinário pesado, casado. Sua mulher, Margarita, deu à luz a sua terceira filha enquanto o marido estava preso na mina. A menina foi batizada de Esperanza.

33. Luis Urzúa, 54 anos, topógrafo e chefe de turno, casado. Tem exercido a função de líder, e foi o primeiro que falou com as autoridades.

Rússia criminaliza cobertura da guerra na Ucrânia e bane BBC, Twitter e Facebook mundo O Parlamento da Rússia aprovou nesta sexta-feira, 04, leis que punem a publicação de informações falsas sobre as Forças Armadas russas, em um movimento que, na prática, criminaliza a cobertura da guerra da Ucrânia na imprensa e em redes sociais. A lei entra em vigor no sábado e torna um crime chamar a guerra de guerra em vez de “operação militar especial”. A pena vai de 1 a 15 anos de prisão. Como consequência do projeto de lei, o serviço da BBC em Moscou e o jornal Novaya Gazeta – do ganhador do Nobel Dmitri Muratov – e o canal alemão Deutsche Welle foram bloqueados pelo órgão de vigilância de comunicações da Rússia. O mesmo ocorreu com o Facebook e o Twitter. Vyacheslav Volodin, presidente da Câmara e aliado de Putin, disse que os mentirosos e os que desacreditaram nossas forças armadas sofrerão punições muito duras. Ainda não está claro qual será o tratamento dado a jornalistas que trabalham como correspondentes dentro da Rússia, mas pelo menos um deputado disse que deveriam responder à mesma lei. O texto do decreto é vago e oferece poucos detalhes do que pode constituir uma infração. A lei também criminaliza a divulgação de informações falsas, em um movimento que deve mirar opositores de Putin. Censura à imprensa “O acesso foi restrito a uma série de fontes de informação estrangeiras”, disse o órgão de vigilância, conhecido como Roskomnadzor, em comunicado, segundo a Reuters. “O motivo para restringir o acesso a essas fontes de informação no território da Federação Russa foi a circulação deliberada e sistemática de materiais contendo informações falsas.” Em relação ao Facebook, o Roskomnadzor acusou a plataforma de restringir o acesso à mídia russa. O comunicado informa que 26 casos de discriminação contra a imprensa do país foram identificados desde outubro de 2020. O Facebook ainda não se pronunciou. Já a BBC disse em resposta que “o acesso a informações precisas e independentes é um direito humano fundamental” e que milhões de russos confiam nas notícias do canal. No início desta semana, a emissora inglesa disse que a audiência do site de notícias em russo da BBC mais do que triplicou sua média semanal no ano e que sua página ao vivo em russo para cobertura da invasão foi o site mais visitado em todo o serviço mundial da BBC fora da língua inglesa, com 5,3 milhões de visualizações. “Muitas vezes se diz que a verdade é a primeira vítima da guerra. Em um conflito em que a desinformação e a propaganda são abundantes, há uma clara necessidade de notícias factuais e independentes nas quais as pessoas possam confiar”, disse o diretor-geral da BBC, Tim Davie, em comunicado na quinta-feira. “Continuaremos dando ao povo russo acesso à verdade, da maneira que pudermos”. Peter Limbourg, diretor geral da Deutsche Welle da Alemanha, emitiu uma carta pública nesta sexta-feira para o público russo. “A situação do jornalismo livre no país de vocês se torna mais difícil a cada dia”, disse ele. “A programação russa da DW tem uma longa tradição. Sempre procuramos retratar uma imagem completa da Rússia”. Limbourg chamou as pessoas na Rússia a “usar ferramentas de desvio de bloqueio de internet para acessar os canais”. A União Europeia baniu esta semana os meios de comunicação estatais russos RT e Sputnik. O YouTube, TikTok e a empresa-mãe do Facebook, Meta, também bloquearam o acesso ao conteúdo RT em suas plataformas na Europa. A produtora por trás da RT América disse nesta semana que também fechará a loja e demitirá funcionários, sinalizando um possível fim do meio de comunicação financiado pelo Kremlin voltado para o público dos EUA. Estadão Conteúdo