A Gente diz

Comissão poderá debater aumento de punição a motorista alcoolizado

O debate em torno de punições mais duras para quem dirige sob o efeito de álcool deve retornar à Câmara nas próximas semanas. Um dos pontos mais polêmicos, previsto no PL2788/11, do Senado, é o que criminaliza o ato de dirigir sob a influência de qualquer concentração de álcool no sangue.

Atualmente, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB – Lei 9.503/97), só comete crime de trânsito – sujeito a pena de detenção de 6 meses a 3 anos – o motorista que, ao ser submetido ao etilômetro (bafômetro), apresenta concentrações iguais ou superiores a 0,3 mg de álcool por litro de ar expelido, o equivalente a 0,6 g de álcool por litro de sangue.

O presidente da Frente Parlamentar  em Defesa do Trânsito Seguro, deputado Hugo Leal (PSC-RJ), defende que neste primeiro momento apenas o aumento das sanções administrativas seja colocado em pauta: “Vamos propor uma separação das propostas e aquelas que tratam de questões penais deverão ser analisadas em um segundo momento.”

De acordo com Leal, a ideia é propor nos próximos dias a criação de uma comissão especial  mista (com deputados e senadores) para sugerir mudanças na parte de sanções administrativas do código. Entre as possíveis mudanças, ele destaca o aumento do valor da multa e do tempo de suspensão do direito de dirigir, além da ampliação do conjunto de provas que podem ser usadas para atestar a embriaguez do motorista.

Relator do PL 2788/11 na Comissão de Viação e Transportes, o deputado Edinho Araújo (PMDB-SP) é contrário à ideia de separar a parte penal. “Precisamos de punições que sirvam de lição às pessoas, que tenham um sentido pedagógico capaz de mudar os costumes e a cultura dos motoristas”, afirma. Ele considera essencial alterar a Lei Seca (Lei 11.705/08) para garantir que o condutor alcoolizado seja responsabilizado mesmo quando se recusar a passar pelo teste do bafômetro.

Pesos diferentes
Para o presidente da ONG Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST,) David Duarte Lima, o limite de tolerância adotado no Brasil (0,6 g/l) já é suficiente para uma punição justa nos casos de embriaguez extrema. “Não se deve beber e dirigir, mas também não concordo com a ideia de colocar na cadeia o motorista que beber duas latas de cerveja ou umas taças de vinho durante o jantar”, pondera.

De acordo com o CTB, concentrações entre 0,1 mg e 0,29 mg de álcool por litro de ar expelido dos pulmões são consideradas apenas infrações, sujeitando o condutor a multa de R$ 957,70 e a suspensão do direito de dirigir por 12 meses.

Lima é favorável, no entanto, ao uso de outras formas de comprovação do estado de embriaguez do motorista. “Em muitos países desenvolvidos, os agentes de trânsito são treinados para identificar possíveis sinais de embriaguez”, ressalta.

Provas
Pela legislação atual, o agente de trânsito só pode usar outras provas admitidas em Direito, como as testemunhais, para aplicar multa e suspender o direito de dirigir. No entanto, muitos motoristas flagrados dessa forma questionam na Justiça a legitimidade das provas. “Hoje é comum o motorista se negar a fazer o teste do bafômetro para depois contestar o estado de embriaguez na Justiça”, afirma o especialista em educação no trânsito José Nivaldino Rodrigues.

Para ele, a ampliação do conjunto de provas, incluindo testemunhas, imagens e vídeos, entre outras, seria um avanço significativo na aplicação dos rigores da lei. No próximo dia 29, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deverá decidir se a polícia pode usar outros métodos, além do bafômetro, para aferir a embriaguez do motorista.

Rodrigues observa ainda que, após dois anos, a falta de fiscalização fez a Lei Seca perder um pouco da efetividade no controle de acidentes envolvendo motoristas embriagados. Segundo ele, isso se deve em parte ao fato de a lei ter saído do foco de atenção da mídia, o que teria feito as autoridades também diminuírem o nível de controle.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Murilo Souza
Edição – João Pitella Junior

Eduardo Campos é ‘meu líder’, declara Kassab

 

Depois de atravessar o samba do PT e do PSDB em São Paulo, Gilberto Kassab, presidente do PSD, foi exibir em Recife seus dotes de folião da política. Reuniu-se reservadamente na sede do governo pernambucano, o Palácio do Campos das Princesas, com o governador Eduardo Campos, mandachuva do PSB.

Encerrada a reunião, a dupla concedeu uma entrevista coletiva. Kassab explicou sua inusitada presença na cena carnavalesca de Recife assim: “Hoje estou aqui diante do grande líder do PSB, parceiro do PSD, meu líder Eduardo Campos.”

Como que decidido a esmerar-se nos afagos, Kassab acrescentou: “No plano nacional, Eduardo Campos é a grande liderança da nova geração. E eu tenho a tranquilidade de confiar a ele minha condição de liderado.”

Ficou subentendido que o PSD de Kassab, nascido de uma costela do conservador DEM, associa-se ao projeto presidencial de Eduardo Campos, um socialista de resultados cuja desenvoltura espanta o petismo e inquieta o tucanato.

Eduardo Campos disse que, no Congresso, o seu PSB e o PSD de Kassab já atuam como um bloco. Visto como curto-circuito esperando para acontecer, ele cuidou de realçar que as duas legendas apoiam a gestão petista de Dilma Rousseff.

Lembrou que, no final do ano passado, os votos providos pela parceria ajudaram a prorrogar a DRU, aquela ferramenta fiscal que autoriza o governo a usar como bem entender 20% do Orçamento da União.

Concluída a fase dos salamaleques, Kassab foi instado a comentar o desenrolar do baile municipal de São Paulo. Abriu as portas do PSD para o tucano José Serra. Sem fechar a janela que escancarara para o petista Fernando Haddad.

Kassab reiterou: se Serra decidir disputar a prefeitura de São Paulo, terá o seu apoio incondicional. Mas reafirmou: se Serra optar por não entrar na briga, há chances concretas de associar-se à caravana petista de Haddad.

Depois de demonstrar que traz roldanas na cintura, Kassab foi ao samba. Acompanhou Eduardo Campos no camarote oficial do desfile do Galo da Madrugada, o mais tradicional bloco carnavalesco de Pernambuco.

Kassab passou menos de duas horas no camarote. Testemunhou a abertura da apresentação de Fafá de Belém. Do alto de um caminhão de trio elétrico, Fafá entoou o hino de Pernambuco.

Antes de voar de volta para São Paulo, Kassab declarou-se impressionado com o espírito do folião pernambucano. Modéstia. Nenhum o supera em desenvoltura e ecletismo.

Com média de quase um caso por dia, Nordeste revive onda de assaltos a bancos em 2012

 

 

 

 

 

Depois de meses registrando uma onda de explosões a caixas eletrônicos, os Estados do Nordeste começaram 2012 enfrentando uma sequência de invasões e assaltos a bancos. Segundo levantamento feito pelo UOL, com base em dados dos sindicatos dos bancários, polícias e registros na imprensa, foram pelo menos 39 ocorrências registradas até o a última terça-feira (14) em oito dos nove Estados da região –o que dá uma média de quase uma ocorrência por dia.

Assaltos por Estado em 2012

Bahia 14
Sergipe 1
Alagoas 3
Pernambuco 9
Paraíba 2
Rio Grande do Norte 1
Ceará 6
Piauí 0
Maranhão 3

Os assaltos a banco apavoraram o Nordeste entre os anos 80 e 2000, mas perderam espaço com a desarticulação de quadrilhas. Nos últimos anos, o crime contra instituições financeiras migraram para a modalidade arrombamentos e explosões de caixas eletrônicos.

Não há dados comparativos ao mesmo período de 2011, mas os cinco Estados que possuíam dados dos primeiros dias do ano passado apontam para um crescimento (veja abaixo). Por conta disso, ações de segurança estão sendo aumentadas.

Alguns assaltos tiveram ação violenta e terminaram em morte ou feridos. A invasão a uma agência do Bradesco, em Recife, no dia 16 de janeiro, terminou com dois suspeitos mortos e um cliente ferido. Quatro dias depois, um protesto de bancários cobrando mais segurança nas agências bancárias da capital fechou a agência por três horas.

Outro caso que chamou a atenção pela violência foi a invasão ao Banco do Brasil de Irauçuba (CE), a 154 km de Fortaleza. A polícia informou que três homens em motocicletas chegaram ao local e balearam o vigilante na cabeça. Em seguida, os assaltantes invadiram a agência e roubaram uma quantia não revelada.

Estados registram alta

Maior Estado nordestino, a Bahia é também o que mais registrou assaltos em 2012: ao todo foram 14 ocorrências, 77% a mais que em 2011, segundo dados do Sindicato dos Bancários do Estado. Somente nos 11 primeiros dias, foram cinco. Em um dos casos, em Baixa Grande (264 km de Salvador), os assaltantes obrigaram os clientes a cantarem parabéns e, na fuga, jogaram dinheiro para o alto.

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, a categoria está assustada e cobrando mais investimentos. “Os bancos investem apenas 5% dos lucros em segurança. Para se ter ideia, as cinco maiores instituições tiveram lucros, em 2011, que ultrapassaram R$ 38 bilhões. Pedimos vidros blindados, que possam dificultar a ação dos assaltantes, portas giratórias antes do autoatendimento, pois isso seria inibidor. Outra proposta é instalação de câmeras na porta das agencias. Cobramos também ação do poder público. Mas infelizmente temos cidades do interior com um policial, dois policiais.”

Em Pernambuco, nove assaltos foram registrados este ano, sendo seis deles na capital –não há dados comparativos com anos anteriores. Por conta da onda de violência, as agências bancárias começaram a ser fiscalizadas pelas autoridades no último dia 13, para ser verificado o cumprimento da lei municipal sobre segurança bancária, em vigor há um ano. Itens obrigatórios, como câmeras externas, vigilantes e vaga específica para carro-forte não estariam sendo cumpridos pelos bancos. Durante o primeiro dia de ação, quatro agências foram notificadas.

Segundo a presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Jaqueline Mello, há um otimismo da categoria em ter mais segurança com as fiscalizações. “Estamos confiantes de que agora a lei vai sair do papel. Esperamos que as instituições financeiras se enquadrem imediatamente à legislação e invistam em mais segurança para os clientes e bancários. Estamos apresentando uma lista de bancos que não seguem as normas de segurança exigidas. As agências que estiverem irregulares serão punidas com multas e podem ser interditadas ou ter o alvará de funcionamento cassado.”

No Ceará, seis assaltos foram registrados este ano –três deles com invasão durante horário de expediente e três durante a madrugada. “É um negócio terrível o que está acontecendo aqui este ano. Em janeiro de 2011 foi apenas uma ocorrência, e esse ano tivemos 14, entre assaltos, arrombamentos, explosões a caixas eletrônicos e um ataque a carro-forte. Tivemos três assaltos bem violentos, que destruíram agências com dinamite para roubar o dinheiro”, afirmou Bosco Mota, diretor do Sindicato dos Bancários.

Mota afirmou ao UOL que os assaltantes estão freando os ataques a caixas eletrônicos e que o retorno da modalidade é protagonizado por foragidos da Justiça do Rio de Janeiro. “Conversei com um delegado da região de Sobral, e policiais prenderam os acusados, e eles eram foragidos do Rio. Vemos essa situação com muita preocupação. Estamos conversando com a Secretaria de Segurança Pública e a direção dos bancos, chamando a atenção para que a Polícia Militar aumente o efetivo do interior”, disse.

No Rio Grande do Norte, o Sindicato dos Bancários informou que não possui dados sobre a quantidade de ocorrências. Mas o Estado registrou o roubo da maior quantia na região este ano: no dia 6 de fevereiro, seis homens armados invadiram a agência do banco Itaú, no bairro da Candelária, em Natal, renderam o vigilante e a gerente da agência e levaram cerca de R$ 600 mil. Quatro pessoas já foram presas acusadas de participação no assalto.

A Paraíba também registrou aumento no número de ocorrências este ano. Segundo o Sindicato dos Bancários, foram duas ocorrências de assaltos nos primeiros 40 dias de 2012 –em todo o ano de 2011 foram nove assaltos registrados. No Maranhão e em Alagoas, foram registrados três assaltos, em cada um, este ano. Alagoas, por exemplo, não havia registrado nenhum assalto com reféns no mesmo período de 2011.

No Piauí, único dos nove Estados nordestinos a não registrar nenhuma ocorrência de assalto este ano, segundo informou o Sindicato dos Bancários, a novidade no combate ao crime foi a aprovação de uma lei, no início do mês, obrigando os bancos a terem mais segurança –proibindo, por exemplo, a retirada das portas giratórias, como vem ocorrendo em outros Estados. “Nós avançamos com essa lei, e já estamos encaminhando a sindicatos de outros Estados para que medida similar seja adotada”, disse Gleidjane Moura, assessora de imprensa do Sindicato dos Bancários do Piauí.

Os assaltos também são responsáveis pelo afastamento de bancários das agências. “Esses assaltos sempre deixam sequelas. Após o assalto à agência do Banese, na sexta-feira passada, fui lá e o guarda me aguardava com a arma na mão. Um assalto altera o psicológico. O medo é ainda maior quando chega alguém de moto e desce com o capacete na mão. Os bancos não dão muita atenção. O negócio de banco é ganhar dinheiro. Para piorar, eles estão tirando as portas giratórios. No entendimento deles, a segurança é dever do Estado”, afirmou Adenílton Santana Santos, secretário do Sindicato dos Bancários de Sergipe, onde apenas um caso foi registrado este ano.

Para o conselheiro federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e presidente do Conselho de Segurança Pública da Alagoas, Paulo Brêda, o crescimento no número de assaltos no Nordeste é “muito preocupante” e pode mesmo ter participação de foragidos da Justiça do Rio. “O Rio intensificou o trabalho de ocupação das favelas e isso tem reflexo. Não é novidade essa migração, mas pelo aparato das ocorrências, fica claro que são grupos grandes e organizados. E a troca de informações entre os Estados ainda é muito precária. Precisamos avançar, ter mais integração.”

Outro ponto citado por Brêda é que o número de assaltos tende a crescer em anos de eleição municipal. “Não sei como é em outros Estados, mas em Alagoas existe esse histórico. Por isso há uma preocupação especial para que haja uma investigação para saber o que há de concreto nisso”, afirmou.

Investimentos em segurança

Em nota enviada ao UOL, a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) não comentou a onda de assaltos a agências no Nordeste e informou que não possui “dados segmentados” sobre as ocorrências. A entidade informou que o número de assaltos a banco no país vinha “caindo consistentemente ao longo dos anos. De 2000 para 2010 houve uma queda de 82%, de 1.903 ocorrências para 337.” Outro ponto ressaltado pela entidade é que os bancos “há anos atuam em estreita parceria com governos, Polícias (Civil, Militar e Federal) e com o Poder Judiciário, para combater os crimes e propor novos padrões de proteção”.

A Febraban afirmou que investe anualmente R$ 9,4 bilhões em sistemas de segurança física e eletrônica. A entidade alega que praticamente todos os bancos utilizam sistema de câmeras para filmagem da parte interna dos bancos, mas afirma que medidas como instalação de câmeras externas têm eficácia questionável. “A vigilância externa é de competência das secretarias de segurança pública.”

A reportagem tentou contato, desde a terça-feira (14), com o presidente do Conselho de Segurança do Nordeste e secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Norte, Aldair da Rocha, mas até o fechamento da reportagem não obteve retorno.

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió

Kassab diz ao PT que Serra deve disputar eleição com seu apoio

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), comunicou ontem à direção do PT que José Serra (PSDB) deve ser candidato e terá seu apoio na eleição municipal, informa reportagem de Bernardo Mello Franco e Vera Magalhães, publicada na Folha desta sexta-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha). O aviso frustra a articulação costurada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o prefeito se aliar ao petista Fernando Haddad e indicar o vice de sua chapa. Em compromisso ontem em Cidade Tiradentes, Kassab declarou que conversa “rotineiramente” com Serra e que sempre nomeou sua gestão de “Serra-Kassab”. “Se ele for candidato, nós apoiaremos. Todos sabem, não há novidade. As nossas conversas são sempre realizadas com muita transparência, com muito espírito público. Estamos muito tranquilos em relação a isso”, disse. Leia a reportagem completa na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.

Foto: Moacyr Lopes Junior – 27.mar.10/Folhapress

Como chegamos a este ponto? -Capa revista época

 

Como chegamos a este ponto?
É inaceitável que policiais militares transformem os cidadãos em reféns. A anarquia nos quartéis deve ser combatida com firmeza pelas autoridades
Às vésperas do Carnaval, estabeleceu-se um ambiente de anarquia nos quartéis das polícias militares, mais adequado a blocos que invadem as ruas do que a corporações onde o respeito à lei, à ordem e à hierarquia deve ser a norma. Até o fechamento desta edição, greves de policiais militares estavam em curso na Bahia e no Rio de Janeiro. Também havia sinais de que o movimento poderia se alastrar para Alagoas, Distrito Federal e Espírito Santo. Em 2010 e no começo do ano, já houvera paralisações de PMs no Maranhão, no Ceará, em Rondônia e no Piauí. Agora, foi necessário chamar o Exército porque a baderna transbordou dos quartéis. Em Salvador, o número de homicídios triplicou em uma semana.
saiba mais

Coronel José Vicente da Silva Filho: “Um salário mais justo traz dignidade, mas não resulta em melhorias de indicadores de segurança”
Repete-se, assim, um cenário que tem ocorrido desde, pelo menos, 1997. Naquele ano, uma greve selvagem começou em Minas Gerais, cuja polícia era vista como modelo, e espraiou-se por vários Estados. O texto da Constituição é cristalino na proibição à “sindicalização” e à “greve” entre os militares. Por que então esse tipo de movimento – que só pode ser qualificado como motim – vem se repetindo com frequência preocupante?
Há três motivos centrais para isso. O primeiro é o comportamento delinquente de alguns policiais, constatado agora na Bahia. Palavras de incitação ao vandalismo foram flagradas na boca do líder do movimento da PM baiana, Marco Prisco (leia mais sobre ele). Policiais sequestraram e incendiaram ônibus, interromperam o trânsito e aterrorizaram a população. A Polícia Federal descobriu a articulação de vários grevistas para estender o movimento ao Estado do Rio de Janeiro e, felizmente, líderes foram presos antes que o terror se espalhasse mais.
TERRORISMO
Policiais militares exibem armas em salvador depois de sequestrar ônibus e fechar avenida. A delinquência dos PMs não pode ficar impune (Foto: Almiro Lopes/Correio-BA)

O segundo motivo é a politicagem em torno da questão. A presidente Dilma Rousseff acertou ao dizer que não deve haver anistia para “crimes contra a pessoa e a ordem pública”. Mas o governo Lula, de que ela fez parte, sancionou uma anistia a policiais militares e bombeiros insubordinados. O próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a declarar, nas greves de 2001: “A Polícia Militar pode fazer greve. Todas as categorias de trabalhadores consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial”. Trata-se de um absurdo evidente – e Lula está longe de ter sido o único a explorar politicamente as greves policiais (leia mais sobre isso). A principal consequência do desleixo dos políticos é a falta de uma lei para regular as greves no setor público, quase 24 anos depois da promulgação da Constituição.
O terceiro motivo, que se soma à delinquência policial e à irresponsabilidade eleitoreira, é a leniência e a negligência com que os políticos brasileiros têm tratado a questão da segurança pública. Sucessivos governos foram incapazes de formular uma política nacional de segurança, que articulasse a ação da União e dos Estados – da qual as PMs e as polícias civis seriam importantes braços operacionais. No vácuo de uma política nacional, vicejam as propostas populistas e irrealistas, como a Proposta de Emenda Constitucional 300, a PEC, que tem galvanizado os grevistas por propor um piso salarial único para as PMs em todos os Estados (leia mais sobre isso). Todos estão de acordo que oficiais, sargentos, cabos e soldados devem ter uma remuneração adequada a uma profissão que implica cotidianamente riscos à vida. Mas a PEC 300, se aprovada, não seria a solução. Ela trata desiguais como iguais e arrebentaria as finanças estaduais.
As PMs são instituições com raízes na história do Brasil. Para funcionar bem, devem estar submetidas ao controle democrático da sociedade civil. Elas estão por trás de avanços recentes importantes na área de segurança pública, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Rio de Janeiro, cujo sucesso se tornou motivo de celebração. Seria uma pena que tais iniciativas fossem contaminadas por policiais que apelam para a
deliquência para que suas reivindicações sejam ouvidas. Para isolar esses maus policiais, é preciso que as autoridades ajam com severidade. Assim, não haverá espaço nos quartéis para a anarquia. Nos dias de Carnaval, a algazarra deve se limitar apenas ao ambiente alegre das escolas de samba e dos blocos de rua.

Lindemberg é condenado a pena de 98 anos e dez meses pela morte de Eloá e mais 11 crimes

Lindemberg ouve a sentença proferida pela juíza Milena Dias, três anos após os crimes
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Lindemberg Alves, 25, foi condenado nesta quinta-feira (16) pela morte de sua ex-namorada Eloá Pimentel, 15, após quatro dias de julgamento no fórum de Santo André (ABC paulista). A jovem foi feita refém por cerca de cem horas em outubro de 2008 em seu apartamento, localizado em um conjunto habitacional na periferia do município paulista. O crime considerado é o de homicídio doloso duplamente qualificado. A advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, já afirmou que pediu a nulidade absoluta do julgamento.
Leia a sentença na íntegra.
O réu também foi condenado por mais 11 crimes: duas tentativas de homicídio (contra a amiga de Eloá, Nayara Rodrigues, e contra o sargento Atos Valeriano, que participou das negociações), cinco cárceres privados (de Eloá, e três amigos: Iago Oliveira e Victor Campos, e duas vezes por Nayara, que foi liberada e retornou ao cativeiro) e disparos de arma de fogo (foram feitos quatro).
A pena proferida pela juíza Milena Dias foi de 98 anos e dez meses de reclusão, em regime inicialmente fechado –ele não poderá recorrer em liberdade. O réu, entretanto, não pode ficar preso por mais de 30 anos, de acordo com a lei brasileira. Lindemberg ouviu a sentença de cabeça baixa. Além da prisão, foi decretada uma multa de 1.320 dias/multa.
Ver em tamanho maior
A ação começou no dia 13 de outubro de 2008. Junto com Eloá, foram feitos reféns os amigos dela que estavam reunidos para fazer um trabalho de escola: Iago Oliveira e Victor Campos foram liberados no primeiro dia de cárcere; e Nayara Rodrigues foi liberada no segundo dia, mas retornou ao cativeiro.
A ação terminou no quinto dia, quando policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), que negociavam a liberação das reféns, invadiram o apartamento, afirmando ter ouvido um estampido do local. Em seguida, foram ouvidos mais tiros: dois deles atingiram Eloá, um na cabeça e outro na virilha, e outro atingiu o nariz de Nayara. Eloá morreu horas depois; Nayara foi levada para o hospital e sobreviveu. Lindemberg, sem ferimentos, está preso desde então.
O júri começou na última segunda-feira (13) e ouviu ao todo 13 testemunhas nos quatro dias de julgamento, entre familiares da vítima, os amigos que foram feitos reféns e policiais que participaram da ação.
O que você achou da pena de 98 anos e 10 meses de prisão imposta a Lindemberg Alves?
Sentença
Ao ler sua sentença, a juíza Milena Dias disse que o réu agiu com frieza e de forma premeditada, “com orgulho e egoísmo”, citando que os crimes foram uma “barbárie” e causaram “angústia dos familiares”. “Lindemberg teve uma bárbara e cruel intenção criminosa”, alegou. “O réu agiu com frieza, premeditadamente, em razão de orgulho e egoísmo, [e por considerar que] Eloá não poderia terminar o relacionamento amoroso.”
A magistrada também afirmou que Lindemberg causou transtornos a sociedade, além de causar grande comoção na população. “Ele teve uma conduta que extrapola o dolo normal”, afirmou.
“Durante a barbárie, o réu deu-se ao trabalho de dar entrevista para emissoras, demonstrando seu comportamento audacioso e frieza assustadores. O réu chegou a pendurar uma camiseta de time de futebol na janela da residência invadida”, completou. Ao fim da leitura da pena, a promotora do caso pediu que o réu responda ainda por porte ilegal de arma.

A juíza disse ainda que encaminhou ao Ministério Público uma denúncia contra a advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, por ela supostamente ter cometido um crime contra a honra ao afirmar, durante o júri, que a magistrada precisava voltar a estudar.
Ouça a leitura da sentença

Análise da pena
Na avaliação do advogado criminalista e juiz aposentado Luiz Flávio Gomes, a condenação foi “bastante rigorosa”. “As penas foram bastante rigorosas, fora dos padrões. Não é a praxe do Judiciário”, afirmou Gomes, que também foi promotor e delegado de polícia.
De acordo com o advogado, a condenação não permitirá que Lindemberg progrida do regime fechado para o semiaberto. O Código Penal permite aos condenados progressão de regime após cumprir dois quintos da pena para crimes hediondos e um sexto para outros delitos.
“Pelos cálculos, ele ficará detido, no mínimo, 30 anos e meio antes de progredir para o semiaberto. Nesse caso, ele ficará preso 30 anos [pena máxima no Brasil] não terá progressão de regime”, afirma Gomes.
O condenado já cumpriu cerca de três anos e quatro meses de detenção, e isso pode ser descontado da pena total.
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Linha de acusação
A promotora Daniela Hashimoto defendeu que Lindemberg já sabia o que iria fazer quando foi à casa de Eloá, e que não há dúvida de que o tiro que a matou partiu da arma do réu. Segundo a promotora, “Eloá era apenas um objeto nas mãos de Lindemberg. Ele tinha ódio dela”.
A promotora também afirmou que o réu mentiu ao falar que os demais reféns poderiam deixar a casa quando quisessem.
Hashimoto disse ainda que Lindemberg atirou contra Nayara. “A perícia comprovou que a Nayara foi atingida por um projétil de calibre 32. Só o Lindemberg tinha essa arma no dia dos fatos.”
Antes da exposição da tese da promotora, o advogado José Beraldo, assistente de acusação, afirmou que Lindemberg premeditou o crime. “Vamos mostrar que o passado dele não é bom e que ele sequer teve um momento de arrependimento.”
O advogado disse que a perícia mostrou que o tiro que matou Eloá foi de execução, de cima para baixo e a poucos centímetros de distância. “Foi um tiro na cabeça de Eloá e um na parte íntima [virilha] dela.”
Beraldo também disse não acreditar no pedido de desculpas feito por Lindemberg à mãe da vítima. “Aquele pedido de perdão foi uma ameaça, foi um recado [à família de Eloá]. Uma ameaça que fala: ‘Perdeu? Pode perder mais”, declarou.

Linha de defesa
A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, pediu que seu cliente fosse condenado por homicídio culposo (sem intenção de matar) no caso de Eloá. “Não vou pedir a absolvição dele [Lindemberg]. Ele errou, tomou as decisões erradas e deve pagar por isso, mas na medida do que ele efetivamente fez”, disse a advogada. “Peço que os senhores condenem Lindemberg por homicídio culposo. Ele pediu perdão e sofre com a morte de Eloá. Peço que reconheçam a confissão espontânea”, disse.
Na quarta-feira (15), o réu deu seu depoimento e confessou que atirou em Eloá, mas negou que tenha planejado a morte da vítima –o tiro teria sido dado após ele tomar um susto com a invasão policial. Ele confessou que fez Eloá como refém.
Sobre Nayara, a advogada pediu a tese de lesão corporal culposa, e sobre o sargento, a defesa nega a tentativa de homicídio. O réu confessou os disparos dos tiros, mas negou que tenha feito os três amigos de Eloá como reféns.
A defensora tentou mostrar que Lindemberg não poderia ser culpado sozinho pelo fim trágico do cárcere: segundo ela, os policiais que participaram da ação e a imprensa tiveram sua parcela de culpa. “Ele não é bandido, não é marginal. Não pode pagar a conta sozinho pelo erro de alguns membros da imprensa, de alguns policiais. (…) Quanto mais Ibope se dava àquilo, mais a situação se inflamava. Eles ‘curtiram’ a repercussão (…).”
Em outro momento, Assad disse: “a Sonia Abrão e a Rede TV! sabem que têm responsabilidade”. A apresentadora, que a certa altura do cerco policial, entrevistou Lindemberg por telefone por mais de 20 minutos, comentou o caso na terça-feira (14): “Em momento algum me portei como negociadora. Como apaziguadora, talvez.”
A advogada também contradisse seu cliente durante sua fala: ela afirmou, por exemplo, que o tiro em Nayara Rodrigues foi dado após um susto. “Ele não desejou e não tentou matar Nayara. Ele se assustou e atirou. Peço que reconheçam um crime de lesão corporal culposa.” Lindemberg, contudo, disse ontem que não se lembrava de ter atirado na segunda refém: “Não posso dizer se atirei ou não na Nayara. Eu não me lembro”.
Veja frases de Lindemberg
Quero pedir perdão para a mãe dela em público
“Quando a polícia invadiu, a Eloá fez menção de levantar e eu, sem pensar, atirei”
“Quando a polícia chegou, fiquei apavorado. Não sabia o que fazer”
“Eu estava muito nervoso e tomei atitudes impensadas. Atirei para o chão para manter a polícia longe do apartamento”
“Eu não vim aqui para dar show, para comover ninguém”
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Versão do réu
Lindemberg assumiu na quarta-feira (15) que atirou em Eloá, mas negou que tenha planejado a morte da vítima. Foi a primeira vez que ele falou sobre o caso. “Quando a polícia invadiu, a Eloá fez menção de levantar e eu, sem pensar, atirei [contra ela]. Foi tudo muito rápido. Pensei que ela fosse pegar minha arma”, afirmou. A fala contrariou a versão dos policiais, que alegam ter invadido o local apenas quando ouviram um disparo.
O réu também negou que tenha disparado contra um policial que participava das negociações e que tenha feito os amigos de Eloá reféns –eles teriam ficado por opção, segundo Lindemberg.
Lindemberg disse ainda que não estava planejando atirar em Eloá. A versão, porém, foi contestada por muitas testemunhas: “Ele ameaçava a Eloá a toda hora, e dizia que ela não ia sair viva de lá”, afirmou Iago Oliveira; “Ele dizia que ia fazer uma besteira”, relatou Victor Campos; “[Ele disse:] vou matar os quatro e depois vou me matar”, citou o sargento Atos Antonio Valeriano; “Eloá dizia o tempo todo que sabia que ia morrer”, lembrou Nayara.
O réu, contudo, disse que as falas eram um “blefe”: “Muita coisa que eu disse foi blefe para manter a polícia longe do local”, alegou. “Eu estava muito nervoso e tomei atitudes impensadas. Atirei para o chão para manter a polícia longe do apartamento.”
Lindemberg afirmou que ficou com medo da chegada da polícia. “Quando a polícia chegou, fiquei apavorado. Não sabia o que fazer”, relatou. “Só não saímos pois tínhamos medo da reação da polícia”.
O réu reiterou que não confiava no trabalho da polícia. “Eu não tinha confiança na polícia, até pelo que aconteceu naquele ônibus do Rio de Janeiro [o sequestro do ônibus 174, em 2000, terminou com a morte de uma refém]. Então uma delas [Eloá ou Nayara] deu a ideia de que seria mais confiável falar com a imprensa do que com a polícia”, afirmou, justificando o fato de ter dado entrevistas durante o cárcere.
Sobre os relatos das testemunhas de que Lindemberg teria batido em Eloá durante o cárcere, ele negou, dizendo que apenas a empurrou no sofá quando ela tentou pegar sua arma. Já sobre as manchas roxas vistas pelo corpo da vítima, ele minimizou: “Quando a Eloá ficava nervosa, apareciam manchas no corpo dela”.
O réu disse ainda que chegou a encarar o cárcere como uma “brincadeira”. “Infelizmente foi uma vida que se foi, mas em alguns momentos levamos aquela situação como se fosse uma brincadeira”, disse. “Havia momentos em que eu, a Eloá e a Nayara não levávamos aquilo a sério. A Eloá chegou a fazer uma sobremesa para nós.”

Ficha limpa: quem está e quem não está inelegível

A partir de casos concretos envolvendo políticos, entenda os principais pontos da lei e veja casos de quem, segundo ela, deverá ser e de quem não deverá ser barrado nas eleições

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Severino Cavalcanti é um dos políticos que estarão inelegíveis de acordo com a ficha limpa. Conheça aqui outros casos – José Cruz/ABr
A Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10) foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ontem (16), mas as dúvidas sobre as novas regras de inelegibilidade não acabaram. Uma mostra de que a ficha limpa provoca diferentes entendimentos é o placar final na mais alta corte do país. Sete dos 11 ministros votaram pela validade da regra, aprovada e sancionada em 2010. Quatro foram contrários a ela.

Clique aqui para ver casos de quem está barrado pela ficha limpa

Clique aqui para ver casos de quem escapou

Leia outros assuntos de destaque no Congresso em Foco

Com a decisão do STF, a Lei da Ficha Limpa tem suas duas principais novidades validadas para as próximas eleições. A primeira é a possibilidade de candidatos com condenações por órgãos colegiados terem os registros indeferidos pela Justiça Eleitoral. Antes, somente com uma decisão final sem mais possibilidades de recurso – trânsito em julgado – era possível barrar a candidatura de alguém com problemas judiciais.

A outra novidade trazida pela ficha limpa e ratificada ontem pelos ministros foi a possibilidade de a lei valer para condenações e renúncias ocorridas antes de 10 de junho de 2010. Esta foi a data da sanção das novas regras de inelegibilidade pelo então presidente Lula.

Outra definição é referente à alínea E. Ela prevê que aqueles condenados por diversos crimes, como contra o patrimônio público, de abuso de autoridade e de

lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, por exemplo, ficarão inelegíveis por oito anos após o cumprimento da pena. Entre os ministros houve a discussão de quando começaria a sanção: ficou definido que a conta parte da decisão final, sem mais possibilidade de recursos.

Mesmo com o Supremo ratificando a constitucionalidade e aplicação da Lei da Ficha Limpa para as eleições de 2012 e para as próximas, eventuais correções podem ser feitas tanto pela mais alta corte do país quanto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir de casos concretos. Os pilares da lei, no entanto – inelegibilidade por órgão colegiado e atos ocorridos antes da lei – vão continuar valendo.

Na cabeça dos eleitores, porém, dúvidas podem aparecer. Por conta disso, o Congresso em Foco selecionou exemplos de políticos que passaram por problemas recentes na Justiça. No caso de alguns, a inelegibilidade vai existir para as próximas eleições. Para outros, a possibilidade de serem barrados já passou, e eles estão livres para disputar as eleições. É preciso lembrar, porém, que a candidatura de alguns desses políticos não está barrada automaticamente. Qualquer um dos políticos alcançados pela lei pode, em tese, apresentar sua candidatura. Caberá à Justiça Eleitoral, com base na lei que o STF considerou agora constitucional, impugnar a candidatura.

Clique aqui para ver casos de quem está barrado pela ficha limpa

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Leia tudo sobre a Lei da Ficha Limpa

O que é o Congresso em Foco (vídeo)

por Mario Coelho | 17/02/2012 07:05
CATEGORIA(s): Eleições 2012, Ficha limpa, Manchetes, Reportagens especiais

Casal Garotinho é denunciado por improbidade administrativa

Os ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho responderão a mais uma ação civil pública por improbidade administrativa, desta vez proposta pelo Ministério Público Federal (MPF). O casal é acusado de integrar, com outras 17 pessoas, um esquema de desvio de verbas federais em favor de suas campanhas eleitorais. A sangria acontecia por meio de ONGs, contratadas, segundo o MPF, de modo fraudulento. Em março de 2010, o MP Estadual denunciou o casal por improbidade em ação semelhante. Quatro anos antes, O GLOBO mostrou como funcionaria o esquema de desvios. Segundo o MPF, o esquema envolvia a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), a Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), instituição estadual, e a ONG Instituto Nacional para Aperfeiçoamento da Administração Pública (Inaap). Em janeiro de 2004, quando Rosinha era governadora, a CPRM contratou emergencialmente a Fesp por R$ 780 mil para recrutar e treinar pessoal. A fundação, por sua vez, subcontratou, sem licitação, o Inaap por R$ 757 mil. A Fesp e o Inaap seriam braços para fraudes nos governos Garotinho. (O Globo)

Esportes: Ricardo Teixeira reaparece em posse de Bebeto em meio a especulação sobre renúncia

Ricardo Teixeira posa ao lado de Bebeto e Ronaldo, na sede do COL

Sumido em meio a notícias sobre uma possível renúncia, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, reapareceu publicamente nesta quinta-feira. Ele posou para uma foto divulgada pelo COL (Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014) sobre a nomeação do ex-jogador e deputado estadual Bebeto para o conselho administrativo do órgão.

Na foto, Teixeira aparece ao lado de Bebeto e do ex-jogador Ronaldo. Os três fazem parte do comitê do Mundial de 2014. Em nota publicada no portal oficial da Copa de 2014, Teixeira, que também é presidente do COL, ainda dá declarações sobre a dupla.

“Ronaldo e Bebeto fizeram muito pela Seleção Brasileira dentro de campo. Agora, fora das quatro linhas, vão trabalhar juntos para que a Copa do Mundo da FIFA seja um sucesso”, afirma.

Teixeira, porém, não participou da entrevista coletiva que Ronaldo e Bebeto concederam no início da tarde, para falar sobre a nomeação do deputado estadual para o comitê. Questões sobre a possível renúncia do presidente da CBF predominaram entre os assuntos das perguntas da imprensa. Ronaldo e Bebeto, entretanto, negaram sua saída.

“Estive reunido com Ricardo Teixeira hoje pela manhã e ele não deu nenhum sinal de que estaria deixando a CBF. Não comentou nada”, afirmou Bebeto.

“O que nos foi passado é que ele continua, que segue tudo da mesma maneira”, complementou Ronaldo.

Lindemberg é condenado pela morte de Eloá. Veja as perguntas feitas ao júri do caso Eloá – Júri reconheceu os 12 crimes

Os sete jurados que compõem o conselho de sentença que vai definir o destino de Lindemberg Alves Fernandes, 25, já terminaram de votar os quesitos que tratam da acusação contra Lindemberg. Agora, a juíza Milena Dias vai calcular a pena e redigir a sentença, segundo a assessoria de imprensa do TJ-SP.

Acompanhe o julgamento em tempo real
Leia a cobertura completa sobre a morte de Eloá
Veja imagens do julgamento de Lindemberg
Acusação e defesa debatem; saiba como júri decide
Lindemberg pede desculpas à mãe de Eloá durante júri
Lindemberg diz que atirou porque achou que Eloá o desarmaria
Lindemberg diz em julgamento que tinha sido traído por Eloá
Blog: Princípio da verdade real, cerceamento da defesa e desacato

Lindemberg é julgado por 12 crimes: homicídio (contra Eloá), duas tentativas de homicídio (contra Nayara Rodrigues e o sargento Atos Valeriano), cinco ocorrências de cárcere privado (contra Eloá, Vitor Lopes, Iago Oliveira e duas vezes contra Nayara) e quatro disparos de arma de fogo.

No Tribunal do Júri, a votação é feita na forma de perguntas e respostas. O juiz manda distribuir aos jurados pequenas cédulas, feitas de papel opaco e facilmente dobráveis, contendo sete delas a palavra “sim” e sete a palavra “não”.

Em seguida, faz perguntas para que os jurados decidam se houve cada um dos crimes a que o réu responde, e se ele é o autor ou teve participação neles. Após cada pergunta, um oficial de justiça recolhe, em urnas separadas, as cédulas dos votos válidos e as não utilizadas.

Na apuração, acompanhada também pela acusação e defesa, mais de três respostas negativas significam a absolvição do acusado. Caso haja mais de três repostas afirmativas, segue-se para a próxima pergunta: “O jurado absolve o acusado?”.

Novamente, uma maioria de votos “sim” representa a absolvição dos acusados, já uma maioria de “não” leva a mais perguntas sobre fatos que podem levar a um aumento ou diminuição da pena.

Após a decisão dos jurados sobre cada crime, o juiz redige a sentença. É ela que determina a absolvição do réu –e sua soltura caso esteja preso apenas por aquela acusação– ou o tamanho da pena e em qual regime vai cumpri-la.

Caso seja condenado por todos os crimes, a pena de Lindemberg pode ficar entre 50 e 100 anos de prisão, segundo a Promotoria.

Pela legislação brasileira, porém, um condenado pode passar no máximo 30 anos encarcerado. Mesmo assim, o tamanho da pena é importante para os cálculos feitos em pedidos de progressão para os regimes semiaberto (em que o preso apenas dorme na prisão) ou aberto.

VEJA AS PERGUNTAS RESPONDIDAS PELOS JURADOS

1ª série – em relação à vítima Eloá

A vítima sofreu disparo de arma de fogo que causou sua morte?

Foi o réu Lindemberg que efetuou os disparos?

Lindemberg agiu por imprudência?

O jurado absolve o réu?

O réu agiu por motivo torpe (vingança)?

O crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima?

2ª série – em relação a Nayara

A vítima sofreu disparo de arma de fogo?

O disparo foi efetuado pelo réu?

Foi tentativa de homicídio?

O jurado absolve o réu?

O disparo foi por motivo torpe (vingança)?

O crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima?

3ª série – em relação ao sargento Atos

A vítima sofreu disparo de arma de fogo?

O disparo foi efetuado pelo réu?

Foi tentativa de homicídio?

O jurado absolve o réu?

O crime foi executado para assegurar a prática de outros crimes?

4ª série – em relação ao cárcere privado de Eloá

A vítima foi privada de sua liberdade, ficando em cárcere privado?

Lindemberg foi o responsável?

O jurado absolve o acusado?

A vítima era menor de idade?

5ª série – em relação ao 1º cárcere privado de Nayara

A vítima foi privada de sua liberdade, ficando em cárcere privado?

Lindemberg foi o responsável?

O jurado absolve o acusado?

A vítima era menor de idade?

6ª série – em relação ao 2º cárcere privado de Nayara

A vítima foi privada de sua liberdade, ficando em cárcere privado?

Lindemberg foi o responsável?

O jurado absolve o acusado?

A vítima era menor de idade?

7ª série – em relação ao cárcere privado de Victor

A vítima foi privada de sua liberdade, ficando em cárcere privado?

Lindemberg foi o responsável?

O jurado absolve o acusado?

A vítima era menor de idade?

8ª série – em relação ao cárcere privado de Iago

A vítima foi privada de sua liberdade, ficando em cárcere privado?

Lindemberg foi o responsável?

O jurado absolve o acusado?

A vítima era menor de idade?

9ª série – em relação ao disparo de arma de fogo do dia 13.out.2008

Houve esse disparo?

O disparo foi efetuado pelo réu?

O jurado absolve o acusado?

10ª série – em relação ao disparo de arma de fogo do dia 14.out.2008

Houve esse disparo?

O disparo foi efetuado pelo réu?

O jurado absolve o acusado?

11ª série – em relação ao disparo de arma de fogo do dia 14.out.2008

Houve esse disparo?

O disparo foi efetuado pelo réu?

O jurado absolve o acusado?

12ª série – em relação ao disparo de arma de fogo do dia 17.out.2008

Houve esse disparo?

O disparo foi efetuado pelo réu?

O jurado absolve o acusado?

ANDRÉ MONTEIRO
TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

Editoria de Arte/Folhapress

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Prof.Dr. Clodoaldo Cadete, ministra palestra Miami Ultrasound Institute, nos Estados Unidos.

 

 

 

 

 

foto arquivo Agentediz.com.br

 

Simpósio 2012

Inicia hoje, 16 de fevereiro, até o dia 18, em Miami, nos Estados Unidos, o Simpósio 2012 realizado pela Miami Ultrasound Institute com a participação do médico gestor da Clínica Sonnar Dr. Clodoaldo Cadete.

Além de Dr. Cadete, mais dois médicos brasileiros participam do Simpósio, com outros profissionais da Argentina, Austrália, Estados Unidos e Reino Unido.

O médico da Sonnar ministrará logo mais, às 15h, a palestra “Uso del USE em la la evaluación de la endometriosis superficial y profunda”.

Segundo a organização do evento, o Simpósio celebra uma reunião educativa e personalizada do Miami Ultrasound Institute, em um ambiente maravilhoso para a educação da ultrassonografia.

Confira a programação do Simpósio 2012, clicando na imagem abaixo. Para maiores informações, acesse o site do evento.

Programa del Simposio

 

 

 

Jueves 16 de febrero

08:30

Inscripciones

09:15

Inauguración del Simposio

Dr. Andrés Mejides

09: 30 hs

Tamizaje de aneuploidías. Estado actual

Jon Hyett

10:00 hs

Ultrasonido 3D en Obstetricia y Ginecologia

D Nyberg

10:30 hs

Video conferencia

Prof K Nicolaides

11:30 hs

Receso

12:00 hs

Evaluación del cuello uterino. Tamizaje de parto pretermino

Jon Hyett

12:30 hs

Evaluación ultrasonográfica del abdomen fetal

D Nyberg

13:00 hs.

Receso

15:00 hs

Uso del USE en la la evaluación de la endometriosis superficial y profunda

C. Cadete

15:30 hs

Evaluación del patrón difuso de la mama.

R Gori

16:00 hs

Estudio ultrasonográfico del ovario en la paciente infértil

Dr. Luiz Machado

16:30 hs

Corrección de errores para un mejor diagnostico en US mamaria.

R.Gori

17:00 – 18:00 hs

Discussion de Casos interessantes

R.Gori

Luiz Machado

Jon Hyett

Viernes 17 de febrero

09:00 hs

Impacto de las cardiopatías congénitas

N. Bueno

09: 30 hs

Visión cardiaca extendida

Dr. José Ochoa

10:30 hs

Hidronefrosis y displasia renal fetal: dilema en el diagnostico forma de abordaje

R Ximenes

11:00

Receso

11:30 hs

Estado actual y tamizaje de preeclampsia en America Latina

A Mejides

12:00 hs

“Tips” para la instrumentación adecuada del Doppler Color

R Ximenes

12:30 hs.

Receso

14:30 hs.

Estudio ultrasonográfica 2D y 3D de la cara fetal

Dr. Luiz Machado

15:00 hs

Hidrocefalia conceptos sobre diagnóstico y manejo

R. Ximenes

15:30 hs

Uso del ultrasonido en la evaluación de la fosa posterior del cerebro fetal

Dr. José Ochoa

16:00 hs

Evaluación de la fosa posterior del cerebro fetal mediante RMN

R Ximenes

16:30 hs

Importancia de la evaluación ultrasonográfica de la placenta

Dr. Luiz Machado

17:00 – 18:00 Discussion de Casos interessantes

R.Ximenes

Nora Bueno

Jose Ochoa

Luiz Machado

Sabado 18 de febrero

09:00 hs

Diagnóstico y manejo del feto con restricción de crecimiento intrauterino

D Cafici

09:30 hs

Diagnóstico prenatal de las anomalías del cierre del tubo neural

J Hyett

10:00 hs

Normas para el uso del Doppler en Obstetricia

D Cafici

10:30 hs

Anomalías del líquido amniótico

D Nyberg

11:00 hs

Receso

11:30 hs

Diagnóstico de corionicidad y amnionicidad

Roberto Gori

12:00 hs

Evaluación y manejo de las complicaciones de los gemelos monocoriales

Jon Hyett

12:30 hs.

Realidades y mitos de los marcadores de aneuploidias

D Nyberg

Entrega de Diplomas
Invited Professors

Prof. Kypros Nicolaides (UK)

Prof. David Nyberg (USA)

Prof. Jon Hyett (Australia)

Prof. Andrés Mejides (USA)

Prof. Daniel Cafici (Argentina)

Prof. Clodoaldo Cadete (Brasil)

Prof. José Ochoa (Argentina)

Prof. Luiz Eduardo Machado (Brasil)

Prof. Roberto Gori (Argentina)

Prof. Renato Ximenes (Brasil)

 

http://home.sonnar.com.br/

Ex-PM flagrado em gravação com líder de movimento grevista na Bahia, Daivi Salomão, é preso

 

 

 

 

 

Policiais federais prenderam no final da tarde desta quarta-feira (15), em Vitória da Conquista (BA), o ex-policial militar e advogado Davi Salomão, flagrado em escutas telefônicas combinando atos de vandalismo com Marco Prisco, líder dos policiais grevistas. A informação é da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

Na conversa com Prisco, Salomão anuncia ataques a carretas e o fechamento de uma rodovia durante a paralisação da categoria. O diálogo entre os dois foi descoberto por meio da quebra de sigilo telefônico, autorizado pela Justiça.

Bahia viveu onda de saques com greve de policiais

Foto 3 de 103 – 03.fev.2012 – Loja é saqueada em Salvador durante a greve da PM. Na noite de ontem, um grupo de 150 homens da Força Nacional de Segurança chegou para patrulhar a cidade e ajudar a conter a onda de violência registrada após o início da paralisação Mais Arestides Baptista/Agência A Tarde

O detido ficará recolhido no presídio de Vitória da Conquista e depois será transferido a Salvador, segundo informou a secretaria.

PMs presos

Catorze líderes da greve de policiais militares e quatro acusados de crimes durante a paralisação na Bahia estão presos e devem responder a processos criminais ou administrativos na corporação. As informações são da polícia Militar da Bahia e do Rio Grande do Norte e da Polícia Civil baiana.

A Polícia Militar da Bahia confirmou nesta quarta-feira (15) que 15 policiais militares estão presos na corporação, acusados de liderarem a greve da categoria ou por crimes praticados durante a paralisação, que durou 12 dias e terminou com mais de 170 mortes.

Além dos 15 militares, dois ex-policiais e um cabo da PM do Rio Grande do Norte também estão detidos, acusados de liderança da greve. Pelo menos sete pessoas ainda estão sendo procuradas, mas o número pode ser maior, já que a Justiça não se pronunciou sobre a expedição de mandados.

Segundo a PM-BA, nove dos 15 detidos foram presos na última terça-feira (13). Todos são soldados da corporação, entre eles Gilvan Souza Santana, um dos 12 que tinham mandado de prisão em aberto desde o dia três. Com ele, são seis mandados já cumpridos.

Além dos nove, outros três militares foram detidos ainda durante a paralisação –dois deles com mandado expedido no dia três. A outra detida é a soldada Jeane Barbosa de Sousa, flagrada em conversas telefônicas articulando uma possível invasão ao Batalhão da Polícia de Guardas. Segundo a defesa da militar, Jeane possui problemas mentais e vem sendo acompanhada por médicos desde 2009.

A greve não resultou apenas em policiais militares presos. Também estão detidos, pela acusação de liderar o movimento, o presidente da Aspra (Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia), o ex-policial Marco Prisco; o ex-sargento da PM-BA Antônio Paulo Angelini e o vice-presidente da Associação Nacional de Praças e cabo da PM do Rio Grande do Norte, Jeoás Nascimento, que se entregou nesta terça-feira (14) e está detido em Natal.

Assassinatos

Além dos policiais que teriam liderado o movimento, outros quatro são acusados de integrar um grupo de extermínio que praticou pelo menos nove mortes durante a paralisação dos militares. Cinco dos crimes foram praticados contra moradores de rua. A Polícia Civil confirmou que três dos acusados já foram detidos e encaminhados para prisões militares.

O último dos presos foi o soldado Samuel Oliveira Meneses, conhecido como “Marrom”, que se entregou na última segunda-feira. Ele foi levado para o Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Lauro de Freitas, região metropolitana da Salvador. Além dele, os soldados Donato Ribeiro Lima, 47, e Willen Carvalho Bahia, 34, foram presos, na quinta-feira (9). Já Jair Alexandre Silva dos Santos, que tem mandado de prisão em aberto, ainda é esperado pelo policiais, já que prometeu se entregar, mas a rendição não aconteceu até esta terça-feira (14).

A Polícia Civil informou que vai ouvir pessoas que moram nas proximidades do local onde os crimes aconteceram. Segundo informou a assessoria de imprensa da Polícia Militar, não está confirmada a ligação entre os militares e o grupo que liderou a greve. O caso, porém, ainda está sob investigação.

Além das mortes no período da greve, os quatro também são suspeitos de um triplo homicídio, em setembro de 2911, que vitimou três adolescentes. Eles ainda seriam os autores de outra morte, de um homem, em abril de 2010.

 

Do UOL, em São Paulo*