A Gente diz

Bispo aumenta críticas e chama PT de ‘partido da morte’

“O PT é o partido da mentira, o PT é o partido da morte”, afirmou ontem d. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo diocesano de Guarulhos, na Grande São Paulo. “O PT descrimina o aborto, aceita o aborto até o nono mês de gravidez. Isso é assassinato de ser humano que não tem nem o direito de se defender.” D. Luiz é a voz dentro da Igreja católica que desconforta Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, e a coloca no centro da polêmica sobre o aborto. É dele a iniciativa de fazer 2 milhões de cópias do folheto “apelo a todos os brasileiros e brasileiras”. Mais que um libelo contra a interrupção da gravidez, o documento é uma recomendação expressa aos brasileiros para que “nas próximas eleições deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários ao aborto”. Não cita nominalmente a petista, mas é a ela que se refere claramente. “Eu tenho uma palavra só, eu não tenho duas ou três palavras como a dona Dilma tem. Ela apresentou três planos de governo, o segundo mascara o primeiro e o terceiro mascara o segundo”, disse d. Luiz, na casa episcopal, onde recebeu a imprensa para falar pela primeira vez sobre a ação da Polícia Federal que, há uma semana, confiscou 1 milhão de folhetos por ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). (Agência Estado)

Nas revistas: O Brasil de Serra e o Brasil de Dilma

 

 

O Brasil de Serra e o Brasil de Dilma – – dilma-serra-d-20100507

Época —

Como seria o Brasil governado pela petista Dilma Rousseff? Como seria o país governado pelo tucano José Serra? Quais são as reais diferenças entre eles? Quem tem as melhores ideias para o país, as propostas mais viáveis para o desenvolvimento social e econômico, os encaminhamentos mais interessantes para os grandes desafios, como a educação, o pré-sal, a infraestrutura? Na atual campanha, o melhor caminho para encontrar respostas para essas perguntas simplesmente não existe. Seriam os programas de governo de cada concorrente. Apesar das promessas, eles não foram divulgados nem pelo PT nem pelo PSDB até a semana passada, a pouco mais de dez dias do segundo turno.

Os estilos pessoais de Dilma e Serra são relativamente bem conhecidos. Ambos são desenvolvimentistas, têm personalidade forte e a fama de ser centralizadores. Dilma já foi classificada como rude em algumas ocasiões. Serra já foi considerado um administrador implicante, teimoso. Subordinados dos dois dizem que eles são muito exigentes e disciplinados. Poderiam ter usado essas características pessoais para exigir de seus partidos e assessores a formalização de compromissos programáticos com o eleitor. Mas não fizeram isso. Para usar uma palavra da moda na atual campanha, tergiversaram.

Da joalheria para a cadeia

 O ex-diretor da estatal paulista Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S.A. – Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, saiu de casa no dia 12 de junho com planos de comprar uma joia para presentear a mulher pelo Dia dos Namorados. Ele negociava com o comerciante Musab Asmi Fatayer a compra de um bracelete cravejado de brilhantes por R$ 20 mil. Antes de fechar o negócio, porém, era preciso submeter a peça a uma avaliação profissional. Paulo e Musab foram até a joalheria da Gucci, no Shopping Iguatemi, um dos endereços comerciais mais luxuosos da capital paulista. Os funcionários da joalheria descobriram que a joia havia sido furtada daquela loja um mês antes. A polícia foi chamada e prendeu em flagrante Paulo e Musab.

Paulo de Souza passou duas noites na cadeia. A joia que ele negociava havia sido roubada da loja da Gucci, no Shopping IguatemiO Boletim de Ocorrência no 3.264/2010 do 15º Distrito Policial de São Paulo, obtido com exclusividade por ÉPOCA, ajuda a dar contornos mais nítidos ao personagem que se notabilizou por fabricar notícias desagradáveis para o candidato tucano José Serra. Em maio deste ano, ÉPOCA revelou que Paulo Preto aparecia no relatório da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal (PF). Segundo a PF, em 2007 ele teria recebido da empreiteira Camargo Corrêa, responsável por obras do Rodoanel, o anel viário em torno de São Paulo construído pela Dersa, quatro pagamentos mensais de R$ 416.500. Em agosto, Paulo Preto foi acusado de desviar R$ 4 milhões de um suposto caixa dois da campanha de Serra à Presidência. Ele nega envolvimento tanto em um caso como em outro, que surgiram durante a campanha eleitoral.

Ainda há muito a esclarecer

Os negócios na área de energia envolvem projetos de grandes proporções, altos valores e repletos de detalhes técnicos difíceis de entender. A Polícia Federal e o Ministério Público investigam um caso assim. Ele trata do sumiço de e 157 milhões, que deveriam ter sido usados para construir sete usinas de biomassa no Brasil, como ÉPOCA revelou na semana passada. Em uma ação judicial, o banco alemão Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW), financiador do projeto, afirma que Valter Cardeal, diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras e homem de confiança da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e outros petistas se envolveram na história da fraude que resultou no prejuízo para o banco.
A ação afirma que Dilma sabia do projeto, porque participou de uma conferência em Frankfurt, onde o assunto foi tratado. Confrontada com o assunto, na semana passada Dilma disse que o tema não foi discutido na reunião. “Isso foi choro do banco, que errou ao conceder o empréstimo”, afirmou Dilma. ÉPOCA obteve um depoimento que desmente essa versão. De acordo com o executivo Ludolf Rischmüller, do KfW, ocorreu uma exposição sobre a garantia aos financiamentos na conferência, com a presença de Dilma. Rischmüller diz ainda que os projetos teriam obtido o “apoio completo” de Dilma.

Falta achar quem pagou

Foi elucidado na semana passada um dos grandes mistérios da campanha presidencial: quem encomendou a violação de dados fiscais sigilosos da filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, Verônica, e de outros tucanos que faziam parte de um dossiê que circulou entre integrantes da pré-campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Segundo identificou a Polícia Federal, o autor da encomenda foi o jornalista Amaury Ribeiro Jr., um repórter investigativo que ganhou vários prêmios ao longo de sua carreira e hoje trabalha para a Rede Record de Televisão.

Segundo a polícia, Amaury pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia para obter as declarações de Imposto de Renda de Verônica e dos outros tucanos: o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira e o empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio de Serra. Em depoimento, Garcia disse que Amaury encomendou os dados fiscais dos tucanos entre os dias 23 e 27 de setembro de 2009.

Fechou o tempo

Não era para ser assim. Uma eleição transcorrida em cenário de crescimento econômico e de instituições democráticas consolidadas deveria girar em torno de projetos – como, aliás, prometiam os dois principais candidatos no início da campanha presidencial, há sete meses. Quando passaram para o segundo turno, tanto Dilma Rousseff, do PT, quanto José Serra, do PSDB, deram a entender que agora sim, enfim, finalmente, chegara o momento em que poderiam debater propostas (como se não tivessem tido tempo até este mês). Em vez das propostas, porém, o que se viu foram bolas de papel, bobinas, balões de água, panfletos apócrifos, acusações tão mentirosas quanto anônimas e destemperos oficiais.

Na cabeça

O candidato José Serra leva mão à cabeça depois de ter sido atingido durante caminhada de campanha em um bairro do RioComo a campanha descambou para a baixaria? É provável que tudo tenha começado por volta de abril, quando as primeiras pesquisas indicavam vantagem folgada para o então pré-candidato José Serra. Lula e seus conselheiros perceberam que só uma presença maciça do presidente poderia dar chance de vitória a Dilma. Quando iniciou sua cruzada, em maio, ao ocupar um programa do PT na televisão, Lula alterou a dinâmica da disputa. “Muito da baixaria atual se deve à postura do Lula, que usou a Presidência para fazer campanha, desequilibrando a eleição e fazendo os contendores perderem os limites”, disse o cientista político José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo (USP).

O desafio de cobrir a campanha eleitoral

À medida que o segundo turno da eleição presidencial se aproxima, o clima de conflito se acirra no país. O bate-boca entre os partidários de José Serra e Dilma Rousseff descamba para a agressão, o presidente da República perde a compostura – e o Brasil assiste atônito ao jogo da política como se fosse uma final de campeonato, com pega na geral no segundo tempo. Como deve, nesse cenário, atuar uma revista semanal?
Em ÉPOCA, acreditamos que devemos, antes de tudo, servir ao leitor. Numa eleição, a melhor forma de fazer isso não é entrar na histeria das campanhas nem no denuncismo barato. Para ajudar você a decidir seu voto, procuramos trazer a maior e melhor quantidade possível de informações sobre as questões nacionais e sobre os planos dos candidatos a respeito delas. Numa campanha cheia de pancadaria no horário eleitoral, reportagens são um alento, uma espécie de oásis para entender como Serra e Dilma enxergam os reais problemas do Brasil.

Veja

Intrigas de estado

É conhecido o desprezo que o PT nutre pelas instituições republicanas, mas o que se tentou no Ministério da Justiça, criado em 1822 por dom Pedro I, ultrapassa todas as fronteiras da decência. Em quase 200 anos de história, o ministério foi chefiado por homens da estatura de Rui Barbosa, Tancredo Neves e quatro futuros presidentes da República. O PT viu na tradicional instituição apenas mais um aparelho a serviço de seu projeto de poder. Como ensina Franklin Martins, ministro da Supressão da Verdade, “às favas com a ética” quando ela interfere nos interesses políticos e partidários dos atuais donos do poder.

VEJA teve acesso a conversas entre autoridades da pasta que revelam a dimensão do desprezo petista pelas instituições. Os diálogos mostram essas autoridades incomodadas com a natureza dos pedidos que vinham recebendo do Palácio do Planalto. Pelo que é falado, não se pode deduzir que o Ministério da Justiça, ao qual se subordina a Polícia Federal, cedeu integralmente às descabidas investidas palacianas.

“Não aguento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. (…) Eu quase fui preso como um dos aloprados”, disse Pedro Abramovay, secretário nacional de Justiça, em conversa com seu antecessor, Romeu Tuma Júnior. Abramovay é considerado um servidor público exemplar, um “diamante da República”, como a ele se referiu um ex-ministro.

Aos 30 anos, chegou ao Ministério da Justiça no início do governo Lula pelas mãos do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. A frase dele pode confirmar essa boa reputação, caso sua “canseira” tenha se limitado a receber pedidos e não a atender a eles. De toda forma, deveria ter denunciado as ordens impertinentes e nada republicanas de “produzir dossiês”.

Mesmo um alto funcionário com excelente imagem não pode ficar ao mesmo tempo com a esmola e o santo. Em algumas passagens da conversa, Abramovay se mostra assustado diante das pressões externas e diz que pensa em deixar o governo. Não deixou. Existem momentos em que é preciso escolher. Antes de chegar ao ministério, ele trabalhou no gabinete da ex-prefeita Marta Suplicy, na liderança do PT no Senado e com o senador Aloizio Mercadante.

IstoÉ

Os santinhos de uma guerra suja – Parte 1

Eu gostaria de chamar a atenção para este papel que estão distribuindo na igreja. Acusam a candidata do PT, em nome da Igreja. Não é verdade. Isso não é jeito de fazer política. A Igreja não está autorizando essas coisas. Isso não é postura de cristão.? Cara a cara com José Serra e sua equipe de campanha, frei Francisco Gonçalves de Souza passou-lhes um pito. O religioso comandava a missa em homenagem a São Francisco, no sábado 16, em Canindé, no sertão cearense. Meia hora após o início do culto, Serra tinha chegado à basílica, onde se espremiam cerca de 30 mil devotos, atraídos à cidade para uma tradicional romaria. O candidato tucano, acompanhado do senador Tasso Jereissati e de outros correligionários, estava em campanha. Em tese, aquele seria um palanque perfeito para alguém que, como Serra, tem peregrinado por templos religiosos se anunciando como um cristão fervoroso. Enquanto ele assistia à missa, barulhentos cabos eleitorais distribuíam panfletos. Os papéis acusavam Dilma Rousseff de defender ?terroristas?, o ?aborto? e a ?corrupção?. Frei Francisco resolveu reagir ao circo e, então, o que era para ser uma peça publicitária do PSDB transformou-se num enorme vexame. Sob aplausos dos fiéis, o franciscano pediu que Serra e Jereissatti não atrapalhassem a cerimônia e que se retirassem, se não estavam ali para rezar. Jereissatti, descontrolado, passou a gritar que o padre era um petista e tentou subir no altar. As cenas gravadas pelas equipes de tevê de Serra jamais seriam usadas na campanha.

Os santinhos de uma guerra suja – Parte 2

A ordem para encomendar o material à gráfica ligada aos tucanos partiu de dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele é antigo conhecido do PSDB, amigo declarado de seu conterrâneo Sidney Beraldo, deputado estadual pelo partido e um dos coordenadores da campanha de Serra em São Paulo. Nas conversas de sacristia, dom Luiz tem fama de ser um homem ?maquiavélico? e ?implacável?. Padres o descreveram à ISTOÉ como alguém que não aceita opiniões divergentes e já criou situações embaraçosas para constranger e afastar subordinados que questionam seu radicalismo. Para fazer os contatos com a gráfica dos Kobayashi, dom Luiz contou com a ajuda do ex-seminarista Kelmon Luís da Silva Souza. Frequentador da Catedral Metropolitana Ortodoxa, na zona sul de São Paulo, Souza também é presidente da Associação Theotokos, um grupo católico ultratradicionalista, e membro do autodenominado Partido Monarquista Brasileiro. Em 2006, um dos parceiros do ex-seminarista que atua numa organização integralista (leia quadro abaixo) doou R$ 3,5 mil para a campanha do deputado federal Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de Serra. Quando a atuação de Souza e dom Luiz tornou-se pública, os dois se enclausuraram. Nos próximos dias, no entanto, terão de prestar depoimento à Polícia Federal, investigados por crime eleitoral, calúnia e difamação.

Festival de espionagem

Há quase cinco meses, líderes do PSDB procuram responsabilizar o PT pela quebra ilegal dos sigilos fiscais de Eduardo Jorge Caldas, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Verônica Serra e outros tucanos de vistosa plumagem ligados ao presidenciável José Serra. Desde junho, pressionam a Polícia Federal e a Corregedoria da Receita para que as investigações sejam conduzidas na direção de um crime político. Na última semana, os primeiros resultados das apurações da PF se tornaram públicos e o que se constata é que de fato houve um crime com motivação política, mas praticado no contexto de uma disputa interna do PSDB. Não há nenhum documento ou depoimento colhido durante as investigações que indique a possibilidade de ter ocorrido o uso criminoso do Estado para o favorecimento de alguma candidatura, como acusam os tucanos. As investigações não permitem afirmar que petistas tenham aliciado funcionários da Receita para a quebra dos sigilos. A principal testemunha é o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que confessou ser o contratante do serviço criminoso. Ele prestou três depoimentos que totalizam 13 horas de inquirição e afirmou que tanto a encomenda feita ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia como o recebimento dos documentos sigilosos ocorreram em outubro do ano passado, quando, apesar de estar em férias, trabalhava para o jornal “O Estado de Minas”. O jornalista também explicou as razões que o levaram a bisbilhotar os sigilos fiscais dos tucanos.

O protegido Paulo Preto

Nos últimos dias, integrantes do PSDB voltaram a fazer contorcionismos verbais na tentativa de reduzir a importância do engenheiro e ex-diretor do Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, personagem revelado em agosto por ISTOÉ que tem trazido constrangimento para a campanha do candidato tucano à Presidência, José Serra. Até agora, era sabido que Paulo Preto, além de ex-diretor da estatal responsável pelas principais obras viárias de São Paulo, virou alvo de acusações de líderes do PSDB porque teria dado sumiço em R$ 4 milhões arrecadados de forma desconhecida para a campanha tucana. Sentindo-se abandonado, depois que o candidato do PSDB ao Planalto negou conhecê-lo, Paulo Preto fez ameaças públicas e passou a ser defendido por Serra. Todo esse enredo já seria suficiente para mostrar a influência do engenheiro, cuja força a campanha do PSDB insiste em tentar diminuir. Mas os bastidores da prisão de Paulo Preto, há quatro meses, por receptação de joia roubada, são ainda mais reveladores do peso do ex-diretor do Dersa nas hostes tucanas.

O Brasil acelera

Na semana passada, saíram as novas projeções para o crescimento do Brasil em 2010. De acordo com estimativas do governo, de consultorias especializadas e de organizações como o Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode aumentar até 8% em 2010. Se o número se confirmar – e é muito provável que se confirme –, significará o maior salto econômico em três décadas. Sob qualquer ponto de vista, trata-se de um resultado extraordinário. Entre os emergentes, é a terceira melhor marca, atrás apenas de China, imbatível nesse quesito, e Índia. Na comparação com a média de desempenho do PIB mundial (alta de 4,8% em 2010), o indicador brasileiro chega a ser quase duas vezes maior. Uma escalada dessa magnitude oferece a milhões de brasileiros um inédito campo de oportunidades. O Brasil vai gerar em 2010 algo como 2,5 milhões de empregos, quase um Uruguai inteiro. Até o fim do ano, o valor que a população vai gastar na compra de bens de consumo chegará a R$ 2,2 trilhões, uma disparada de 22% ante 2009. Não à toa, o varejo espera para dezembro o melhor Natal da história. No período, o comércio deve movimentar R$ 100 bilhões, o que vai exigir um aumento de 60% na compra de insumos e produtos importados para atender à brutal alta da demanda. Dados superlativos como esses fizeram com que o Brasil deixasse de exercer um papel coadjuvante no palco econômico global. Hoje, o País é uma potência planetária, capaz de influenciar no jogo de forças entre as nações. “O Brasil passou para a liderança do crescimento mundial”, disse à ISTOÉ o ministro da Fazenda, Guido Mantega .

Comédia Brasiliense

Desde que foi lançada candidata ao governo do Distrito Federal em setembro, depois que seu marido, Joaquim Roriz, teve a candidatura barrada pela lei dos fichas sujas, Weslian Roriz (PSC) não parou de fazer trapalhadas. Neófita na política, dona Weslian, como é conhecida em Brasília, tem mostrado total despreparo para lidar com temas ligados à gestão pública. Com seu desempenho pífio, confirma a tese de que está servindo de mulher-laranja do ex-governador Roriz. No único debate de que participou, o promovido pela Rede Globo no dia 29 de setembro, ao ser questionada sobre sua postura perante eventuais desvios éticos, cunhou uma frase que se tornou hit no YouTube. “Quero defender toda aquela corrupção”, disse Weslian. Logo depois, tentou se corrigir. Mas não conseguiu evitar o constrangimento de todos que participavam do programa.

Carta Capital

Violação da lógica

Apesar do esforço em atribuir a culpa à campanha de Dilma Rousseff, o escândalo da quebra dos sigilos fiscais de políticos do PSDB e de parentes do candidato José Serra que dominou boa parte do debate no primeiro turno teve mesmo a origem relatada por CartaCapital em junho: uma disputa fratricida no tucanato.

Obrigada a abrir os resultados do inquérito após uma reportagem da Folha de S.Paulo com conclusões distorcidas, a Polícia Federal revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, então a serviço do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de São Paulo a quebra dos sigilos. O serviço ilegal foi pago. E há, como se verá adiante, divergências nos valores desembolsados (o pagamento­ ­teria ­variado, segundo as inúmeras versões, de 8 mil a 13 mil reais).

Serra e o vídeo da Rede Globo

Desde o final da manha desta sexta (22/10), o site do professor José Antonio Meira da Rocha (http://meiradarocha.jor.br) foi bloqueado pela empresa que o hospeda — no que pode ser um caso grave de censura na internet. Em decorrência, as imagens que sustentavam a hipótese levantada por ele desapareceram, em dezenas de blogs que reproduziam suas informações.

O material foi republicado, em seguida, no blog Marxismo On-Line, de Leonardo Arnt — de onde foi reproduzido por Outras Palavras. O Jornal Nacional de ontem fez lembrar o envolvimento da Rede Globo na disputa presidencial que elegeu Fernando Collor, em 1989. Nada menos que 7 minutos foram dedicados à tentativa de demonstrar que José Serra fora atingido, na véspera, por um rolo de fita adesiva. Convocou-se Ricardo Molina, um “especialista” cujo currículo inclui a tentativa de acusar o MST pelo massacre de Eldorado de Carajás, de “assegurar” que PC Farias se suicidou e de questionar as provas sobre a responsabilidade da família Nardoni na morte da menina Isabela. Procurava-se frear a onda de indignação (e de deboche) que correu o país, quando se soube, horas antes, que a “agressão” sofrida na véspera pelo candidato do PSDB fora provocada por uma bolinha de papel. Não, tentou afirmar o Jornal Nacional: a tomografia a que se submeteu o candidato justificava-se. Ele havia sido atingido também por um rolo de fita adesiva…

Às favas a verdade factual

Há quatro meses CartaCapital publicou a verdade factual a respeito do caso da quebra do sigilo fiscal de personalidades tucanas. Está claro que a chamada grande imprensa não quer a verdade factual, prefere a ficcional, sem contar que em hipótese alguma repercutiria informações veiculadas por esta publicação. Nem mesmo se revelássemos, e provássemos, que o papa saiu com Gisele Bündchen.

Furtei a expressão verdade factual de um ensaio de Hannah Arendt, lido nos tempos da censura brava na Veja que eu dirigia. Ela é o que não se discute. Diferencia-se, portanto, das verdades carregadas aos magotes por cada qual. Correspondem às visões que temos da vida e do mundo, às convicções e às crenças. Às vezes, às esperanças, às emoções, ao bom e ao mau humor.

Quebra do sigilo fiscal: Ribeiro Jr. agia em nome do jornal Estado de Minas

Parte da mídia precisa conferir alguma lógica a sua narrativa sobre o caso da quebra de sigilo fiscal de integrantes do PSDB e familiares do candidato José Serra. Eles se recusam a aceitar o resultado do inquérito da Polícia Federal segundo o qual o jornalista Amaury Ribeiro Jr. agia em nome do Estado de Minas – interessado em produzir uma reportagem contra José Serra, que, por seu lado, havia colocado o deputado federal Marcelo Itagiba no encalço de Aécio Neves. À época, os dois tucanos disputavam a indicação do partido à candidatura presidencial.

Na quinta-feira 21, correu a versão de que Ribeiro Jr. veio a São Paulo buscar os dados obtidos de forma criminosa durante suas férias. Portanto, não agia em nome do jornal mineiro onde trabalhava, mas por conta própria. O objetivo, claro, é insinuar que naquele momento o repórter já trabalhava para o PT. O problema é que a mídia toma como verdade ou não os trechos da confissão de Ribeiro Jr. que lhe são mais convenientes. Rejeitam, portanto, as declarações que ligam a quebra de sigilo ao Estado de Minas e tomam como fatos absolutamente inquestionáveis aquelas que se referem à chamada pré-campanha de Dilma Rousseff.

Lula teme que o PSDB destrua o que ele fez

Deu no Claudio Humberto: “O presidente Lula anda com os nervos à flor da pele, por isso não se conteve e fez uma declaração infeliz, no episódio da suposta agressão ao candidato tucano José Serra, colocando lenha na fogueira. Ele acha que a oposição, sobretudo o PSDB, planeja destruir o seu legado. Em conversa com um grupo de velhos amigos, esta semana, ele chorou ao lembrar feitos do seu governo em benefício dos mais pobres. O presidente diz que a importância da vitória de Dilma, para ele, é preservar o que foi feito nos últimos oito anos. “E avançar mais” Lula chorou ao lembrar a felicidade de uma mulher ao receber uma casa minúscula do Minha Casa, Minha Vida: “Era pequena demais…”. Lula mandou aumentar o tamanho das casas. “Tem que ter varandinha para o cara esfriar a cabeça, depois da mulher brigar com ele”.”

Apesar de minimizar as repercussões de sua reação, presidente voltou a dizer que o episódio foi uma manipulação

Lula abaixa o tom e pede calma à militância

 

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Foto: Agência Estado

Lula e Dilma em carreata em SP

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Depois das críticas que recebeu por ter dito duas vezes que o episódio ocorrido no Rio de Janeiro com o candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), era uma farsa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu calma aos militantes. Em discurso na concentração antes da caminhada em Carapicuíba (SP), Lula orientou os apoiadores para que não haja violência na reta final da campanha. “Não aceitem provocações. A surra que a gente quer dar neles é na urna. Não queremos agredí-los com palavras e nem com gestos, queremos é encher a urna”, ressaltou.

Apesar de minimizar as repercussões de sua reação, Lula voltou a dizer que o episódio foi uma manipulação. “Tentaram fazer uma armação para dizer que nós somos violentos”, disse o presidente, lembrando os presentes de sua reação em todas as derrotas que sofreu nas eleições de 1989, de 1994 e de 1998. De acordo com ele, nessas ocasiões não houve violência, o que comprova que o PT não é violento.

O presidente procurou não levantar o tom durante seu discurso, mas aproveitou o tema para alfinetar a estratégia de campanha tucana afirmando que o partido não recebe bem a derrota. “Eles que falam em democracia não sabem perder”, criticou Lula.
 

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PSDB conta com militantes de todo o Brasil; no Rio maioria está com Zito, prefeito de Duque de Caxias (RJ)

Em Copacabana, milhares fazem caminhada pró-Serra

 

Manuela Andreoni e Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro

 

Começou às 11 h30 deste domingo caminhada de apoio ao candidato a Presidência da República do PSDB José Serra. Milhares de pessoas de muitos Estados do Brasil lotam a praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Além de Serra, estão presentes os governadores tucanos eleitos Antonio Anastásia (MG), Beto Richa (PR) e Geraldo Alckmin (SP). Cerca de 100 policiais militares fazem a segurança da caminhada.

Foto: Leo Drumond / NITRO

Serra em carreata em Copacabana, no Rio de Janeiro

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Também estão presentes o senador eleito Aécio Neves (PSDB), o ex-presidente Itamar Franco, o filho de FHC, Paulo Henrique, Fernando Gabeira (PV) e deputados e senadores da base aliada do candidato. Representando a classe artística está o poeta Ferreira Gullar, que já havia declarado apoio ao presidenciável.

No evento, foram distribuídos cerca de 200 capacetes de plástico e duas mil bandeiras aos militantes. Antes de o candidato tucano aparecer, o animador do carro de som mostrou aos presentes um rolo de fita crepe para criticar a reação do presidente Lula sobre a agressão sofrida por Serra na cidade nesta quarta-feira. “Se o presidente quiser, a gente joga isso na cabeça dele para ele ver que machuca. Sem capacete. Nós estamos protegidos”, esbravejou.

Há muito tumulto próximo ao trio elétrico em que estão Serra, Aécio, Itamar e Alckmin. A princípio, o presidenciável tinha planos de caminhar junto aos militantes, mas por conta da confusão que se criou, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, providenciou dois trios elétricos e centenas de militantes para acompanhar a carreata do tucano. Extremamente polêmico, Zito tem alta rejeição na zona sul do Rio. Serra, que chegou a subir no trio de Zito por engano, mas voltou atrás.

Ao mesmo tempo, na zona oeste, a candidata Dilma Rousseff acompanha o presidente Lula em caminhada no bairro do Realengo. A estratégia adotada por cada um dos presidenciáveis é abrir vantagem onde teve o melhor desempenho no primeiro turno. A zona sul representa 5% do eleitorado da capital, a zona oeste 25%. Às 14h00 está marcada a caminhada pró-Dilma também em Copacabana. A princípio, a petista não deve aparecer, mas ainda não está confirmado.
 

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Dois suspeitos de infecção pela superbactéria na Bahia

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A Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) investiga dois casos suspeitos de infecção pela superbactéria KPC na Bahia. O micro-organismo já causou a morte de pelo menos 18 pessoas no Distrito Federal (DF) este ano e já teve 184 casos registrados no Brasil. A Sesab não deu detalhes sobre os pacientes nem informou onde estão internados.

Os casos de KPC só passaram a ser notificados na Bahia esta semana, após o surto no DF, o que fez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitir alerta no País. Desde 2007, a Sesab recomendava a notificação desses casos, mas os hospitais não atendiam à orientação, segundo informações da técnica da Comissão Estadual de Controle de Infecção Hospitalar, Fátima Nery.

Segundo o presidente da Sociedade Baiana de Infectologia, Adriano Oliveira, o surto em Brasília deve ter sido causado por uma falha no controle epidêmico. “E é bem provável que comecem a aparecer casos de KPC nos hospitais da Bahia”, afirmou. Ele lembrou que o controle de infecção hospitalar é “precário”, não só no Estado, mas “no Brasil e no mundo”.

No País, a Lei Federal 9.431/97 – reforçada pela Portaria 2.616/98 do Ministério da Saúde – obriga que os hospitais possuam comissões de controle de infecção hospitalar, que são responsáveis por notificar contaminações nas unidades. Na Bahia, elas estão presentes em 305 dos 535 hospitais (57%), o que é um indicativo de que ocorra subnotificação.

Em 2009, a taxa de infecção foi de 3%, contra 2,8%, em 2008, e 3,2%, em 2007.  Segundo o  infectologista Fernando Badaró, “os dados de infecção hospitalar estão subnotificados em todo o Brasil”.

Antibióticos – A Anvisa atribui o aumento de casos ao uso indiscriminado de antibióticos, que gerou bactérias resistentes aos medicamentos. Por isso anunciou uma consulta pública durante os próximos 30 dias sobre a proposta de tornar obrigatória a prescrição de receita médica em duas vias nas farmácias para a venda de antibióticos. Uma ficaria retida nas farmácias, outra seria devolvida ao paciente com carimbo que comprove o atendimento.

 

George Brito e Hieros Vasconcelos l A TARDE

Gildo Lima/Agência A TARDE

Perito diz que rolo de fita crepe feriu Serra durante tumulto no Rio

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi atingido por uma bola de papel e um rolo de fita crepe, em momentos distintos de uma caminhada na quarta-feira (20) pelo bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro. A afirmação é do perito Ricardo Molina, ex-professor da Unicamp e que investiga casos polêmicos há décadas, à TV Globo. De acordo com ele, o vídeo do SBT que mostra uma bola de papel acertando a cabeça do tucano não corresponde ao momento em que ele acusou ter sentido um golpe mais forte. O incidente que teria levado o candidato a se consultar com um médico mais tarde, diz Molina, foi provocado por um rolo de fita crepe. Leia mais no UOL.

Vitória da Conquista: estiagem se agrava depois de seis meses sem chuva

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O socorro de 22 mil flagelados da seca que chegaem carros-pipa é mais valorizado nessa época do ano que o tradicional feijão-com-arroz nas comunidades da zona rural de Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador. A razão está nos tanques, cacimbas, aguadas e reservatórios vazios depois de seis meses sem chuvas regulares e nas lavouras ressecadas, sem chance de recuperação este ano e nos três primeiros meses de 2011. Todos enfrentam o mesmo dramacíclico, mas o quadro é mais crítico nos distritos José Gonçalves, Iguá, Bate-Pé, Pradoso, Cercadinho, Inhobim e São João da Vitória e em pequenas localidades que abastecem o mercado consumidor na sede comprodutos de subsistência. No povoado de Furado da Roseira, no distrito de José Gonçalves, o lavrador José Pereira Santos, 70, lamenta o fim de um açude, construído em 1980 e que, pela primeira vez, ficou completamente seco. Para tentar reduzir o impacto da perda na produção, que segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais já chega a 70% no campo, a Prefeitura de Conquista, em parceria com o Ministério da Integração Nacional e o Exército, deslocou 23 carros-pipa para atender a 179 comunidades, com distribuição diária de 20 litros por pessoa. (A Tarde)

Carta Aberta dos Agentes Penitenciários do Presídio Regional Nilton Gonçalves

 

O Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado da Bahia (SINSPEB) em conjunto com os Agentes Penitenciários do Presídio Regional Nilton Gonçalves, vêm expressar extrema preocupação com a decisão do Juiz Corregedor dos Presídios da Comarca de Vitória da Conquista, o Bel. Reno Viana Soares no que tange a movimentação dos presos custodiados na carceragem do DISEP para este Presídio Regional no prazo de até 45 dias e os flagranteados a partir da data da publicação da Decisão Judicial proferida nos autos do Processo nº 0002408-54.2010.805.0274.

Preliminarmente, entendemos os motivos para interdição da carceragem do DISEP, entretanto, pensamos que, pela fundamentação exposta na citada decisão judicial, parece-nos óbvio que, diante do exposto, deveria ser o Presídio Regional Nilton Gonçalves também alvo de interdição pelos mesmos motivos, uma vez que é de conhecimento de todos a situação da citada Unidade Prisional  nesta cidade, onde ocorrem, igualmente, violações diversas dos direitos humanos, além de relatos de condições inadequadas de funcionamento e infringência de dispositivos legais diversos, fatos que representam risco iminente e possibilidade de sinistros graves, dadas as suas condições precárias de funcionamento. Tal entendimento já foi manifestado pelo SINSPEB por meio de duas Representações protocoladas junto ao Ministério Público de Vitória da Conquista nas seguintes datas (01-09-2008 e 01-03-2010) denunciando a insegurança do Presídio Regional Nilton Gonçalves de maneira objetiva e detalhada.

É sabido que o Presídio Regional Nilton Gonçalves funciona em condições precárias e inadequadas, onde atualmente estão custodiados 286 presos, excedendo a sua capacidade, que é de 187 vagas, sendo alvo de denúncias por parte dos Servidores Penitenciários. Transferir 68 internos do DISEP mais os flagranteados diariamente,  sob

o escopo de zelar pelos Direitos Humanos desses internos parece-nos uma contradição, uma vez que põe em risco, e ainda mais agravado, diversas outras vidas humanas (inclusive os próprios presos movidos), ao menos em tese, todos deveriam gozar dos mesmos direitos.

Questionamos:

  • Superlotar ainda mais o Presídio Regional Nilton Gonçalves que já funciona acima de sua capacidade vai garantir a consolidação dos Direitos Humanos de quem?
  • Acaso a motivação da decisão judicial, embora vise garantir a dignidade da pessoa humana, em observância aos dispositivos legais citados na referida portaria, se esquece, por sua vez, que os servidores penitenciários, a população local, os internos e seus familiares também são pessoas humanas que gozam dos mesmos direitos e garantias fundamentais?
  • Seria viável proferir uma decisão em benefício de uns, porém, em detrimento de outros, inclusive dos próprios motivadores da decisão?
  • A transferência desses internos vai de fato pôr fim ao caos do sistema prisional em nossa cidade?
  • Remover a superlotação do DISEP para o Presídio Regional Nilton Gonçalves resolve o problema da superlotação ou apenas amplia outro problema similar em maiores proporções e, portanto o agrava?
  • O que ocorreu com o projeto de construção de uma unidade prisional à altura das necessidades da Micro-Região de Vitória da Conquista?

É fato também que em Audiência Pública ocorrida no dia 07-04-2010, com a participação de entidades representativas da Justiça, a exemplo do Conselho Nacional de Justiça, Corregedoria Geral da Justiça, Defensoria Pública, Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, dentre outras foi deliberado um cronograma para zerar o número de presos em delegacias no estado da Bahia. A transferência de presos em Vitória da Conquista ficou prevista para 2011 com a construção do novo Presídio. Em Salvador tal situação foi parcialmente resolvida com a inauguração e funcionamento, em maio deste ano, da Cadeia Pública, a qual tem capacidade para abrigar 752 presos.

Nossa argumentação tem por finalidade informar às autoridades competentes, sociedade civil organizada e, em especial, a população conquistense, a nossa preocupação em manter o Sistema Carcerário em ordem, preservando a integridade física dos internos, seus familiares, dos Servidores Penitenciários, bem como de toda a população local.

Esclarecemos que o aumento da população carcerária e a movimentação diária dos flagranteados forçosamente acarretarão alterações na rotina do funcionamento do Presídio Regional Nilton Gonçalves no que tange a entrada de visitantes, banho de sol dos presos, escoltas para atendimento médico-odontológico, psicológico, social e judicial, piorando a já precária segurança do Presídio Regional, uma vez que o efetivo da Policia Militar a serviço desta Unidade Prisional é reduzidíssimo, assim como o efetivo dos Agentes Penitenciários para atender três módulos e a ala feminina.

Como se não bastasse, os problemas de segurança relatados nas Representações ao Ministério Público não foram sanados e alguns foram até mesmo agravados. Salientamos que em momento algum nos eximimos de nosso dever funcional, queremos apenas condições adequadas para exercer nosso trabalho com dignidade e segurança.

Pedido:

Diante do que foi exposto, solicitamos uma reavaliação da presente Decisão Judicial por parte das autoridades competentes e informamos que ante o risco iminente para com as vidas dos presos e familiares, bem como a nossa e da sociedade conquistense teremos que buscar alternativas. Para tanto, contamos com a compreensão e apoio das autoridades, dos clubes de serviços, imprensa, Igrejas, segmentos sociais organizados e toda a sociedade conquistense, afinal o problema é de todos.

Vitória da Conquista – BA, 19 de Outubro 2010.

Projeto estagnado na Assembleia adia solução para cartórios -Poucos funcionários e grande demanda resultam em longas filas nos cartórios baianos

 

 

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Este mês, completa-se um ano do trâmite, na Assembleia Legislativa (AL), do Projeto de Lei 18.324/2009 – que objetiva privatizar os 1.549 cartórios extrajudiciais da Bahia. Parado há seis meses, desde que foi retirado da pauta de discussões em abril, por conta das eleições, o projeto apresentado pelo Tribunal de Justiça baiano (TJ-BA), por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), está longe da aprovação.

Além do impasse gerado pela forma híbrida de privatização sugerida, deputados alegam que o projeto necessita de ajustes por não conter informações suficientes para análise e votação, como, por exemplo, a indefinição do destino dos atuais servidores, e os valores das taxas dos serviços cartoriais.

O projeto prevê que primeiro sejam privatizados os 614 cartórios que estão sem titulares, por motivos de morte ou aposentadoria. Em seguida, os 935 restantes, por vacância dos titulares – o que pode levar de 20 a 40 anos. A Assembleia culpa o Tribunal de Justiça pelo atraso, dizendo que há inconsistências no projeto, como, por exemplo, o que será feito dos atuais servidores.

Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Sinpojud-BA), Maria José Silva, em reunião ocorrida terça-feira, 19, com a presidente do TJ-BA, desembargadora Telma Brito, ficou prometida a elaboração de um novo projeto de lei em novembro, após as eleições. A reivindicação é que a categoria possa optar. “O que queremos é que o servidor possa optar pela privatização ou não”, diz Maria José.

Transtornos – Enquanto isso, o quadro é de filas e longa espera – além de decisões unilaterais dos tabelionatos, como a recusa em abrir firmas, confundirem os usuários. Apesar da determinação de que, pelo menos, 14 dos 54 cartórios da capital ofereçam o serviço, as pessoas são orientadas a procurar o Núcleo de Atendimento Jurídico (NAJ), na Baixa do Sapateiro, ou o TJ Express, no Shopping Paralela.

Hieros Vasconcelos l A TARDE

Raul Spinassé/Agência A TARDE

Serra é atingido na cabeça em confusão no Rio

 

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A caminhada do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, nesta quarta-feira no calçadão de Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, teve um princípio de confusão quando partidários do tucano se encontraram com simpatizantes do PT. José Serra, que estava acompanhado de Fernando Gabeira (PV), teria sido atingido por um objeto na cabeça e chegou a interromper o percurso para entrar em uma van, que percorreu cerca de 100 metros. Em seguida o tucano desceu do veículo e voltou a caminhar pelo calçadão acompanhado de assessores e simpatizantes do PSDB. Houve discussão entre os dois grupos, e o comércio local chegou a fechar as portas. O tucano criticou o protesto dos petistas. “O PT tem tropa de choque e isso é típico de movimentos fascistas”, disse o presidenciável. O candidato não teria se ferido, segundo a assessoria. Por precaução, Serra foi levado para uma clínica em Botafogo e liberado em seguida. Segundo um dos seus seguranças, teria sido um rolo de adesivos que estaria com os militantes do PT. (G1 e Terra)

Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

PT e PSDB escalam aliados para multiplicar esforço nos Estados

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Tucanos optaram por recrutar aliados para rodar o País; petistas decidiram manter líderes regionais concentrados em seus colégios

Adriano Ceolin, Daniela Almeida e Piero Locatelli, iG São Paulo |

A poucos dias das eleições, PT e PSDB escalaram aliados e articuladores políticos para multiplicar os esforços nos Estados na busca por votos para os presidenciáveis Dilma Rousseff e José Serra. Cada lado, entretanto, optou por uma estratégias diferente. Enquanto o PSDB optou por enviar lideranças e puxadores de votos tucanos até para regiões distantes de seus colégios eleitorais, o PT seguirá a tática de manter focados governadores e senadores eleitos em suas bases eleitorais.

Aliados de Serra que foram vitoriosos no primeiro turno intensificaram a campanha eleitoral pelo presidenciável. Após a comemoração das próprias vitórias na primeira semana após a eleição, Aécio Neves (PSDB), eleito senador em Minas Gerais, Geraldo Alckmin, eleito governador em São Paulo, e Beto Richa (PSDB), eleito governador do Paraná, começam a viajar pelo País em apoio ao candidato, principalmente onde Serra não estiver presente e a campanha necessitar de reforços.

Após rodar o interior do seu Estado e organizar um encontro com cerca de 400 prefeitos para Serra, Aécio participará nesta semana de eventos de candidatos tucanos a governador no segundo turno. O mineiro irá ao Pará, Piauí, Goiás, Alagoas, além do Rio Grande do Sul, onde o PT venceu no primeiro turno.

Em São Paulo, aliados de Serra devem rodar o Estado enquanto Alckmin também ajuda o presidenciável em outras regiões. O prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM), o secretário de Educação Paulo Renato de Souza (PSDB), o coordenador da campanha de Alckmin, Sidney Beraldo, e o vice-governador eleito Guilherme Afif (DEM) já visitam o interior do Estado atrás de votos e devem fazê-lo até o dia 31 de outubro.

A presença de Alckmin já foi requisitada em diversos Estados. O governador eleito estará, por exemplo, no Acre, amanhã. Ele também deve se concentrar em outros lugares onde há segundo turno ou onde acredita-se que Serra poderia ter uma votação maior, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Eleito no primeiro turno no Paraná, Beto Richa (PSDB) agendou visita a três Estados – Bahia, Tocantins e Mato Grosso. O tucano terá como foco migrantes paranaenses que vivem nesses Estados. “Fui convocado pela coordenação geral da campanha do Serra. Me disseram que são áreas onde há colônia paranaense”, disse Beto Richa ao iG. O governador eleito afirmou, ainda, que está reforçando a campanha de Serra no Paraná. “Com certeza, ele terá uma vantagem ainda maior no segundo turno. É visível o crescimento da candidatura dele”, disse.

A equipe de Beto Richa informou, ainda, que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) fará o caminho inverso e pedirá votos para Serra no Paraná. Presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), ela visitará municípios paranaense ligados ao agronegócio.

Petistas

Na campanha petista, de acordo com integrantes da Executiva Nacional, a estratégia é manter os puxadores de votos em seus próprios Estados. Em cada região, será desenhada a “geografia da votação”. A partir daí, líderes da coligação se concentrarão nas cidades com maior número de eleitores. O esforço maior será no Sul e Sudeste e o objetivo é não apenas aumentar a votação nos lugares com baixo resultado, mas também conquistar os indecisos.

Na Bahia, por exemplo, o governador eleito pelo PT, Jaques Wagner já fez três carreatas e tem programadas mais 16 até o dia 29. Como Dilma teve uma votação média de 60% no Estado, a meta agora é subir este percentual para 75%. Para tanto, Wagner se concentrará nas grandes cidades onde o resultado nas urnas se manteve em 40%.

O governador já esteve em Feira de Santana, Jequié e Guanambi –  centro de oposição ao PT antes governado pelo ex-candidato a vice na chapa de Paulo Souto (DEM) -, Nilo Coelho (PSDB). Wagner fará carretas, caminhadas, minicomícios e concentrações, ainda, em Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro, entre outros municípios. Uma força-tarefa, composta pela bancada de deputados estaduais e federais, foi convocada ontem pelo governador. Os mais votados alavancarão as votações em suas bases eleitorais.

Já em São Paulo, Aloizio Mercadante, candidato derrotado do partido ao governo, Marta Suplicy, senadora eleita, e Netinho de Paula (PCdoB), candidato derrotado ao Senado, devem continuar percorrendo todo o Estado. Marta foi escalada para trabalhar a campanha na periferia e grande São Paulo. Ela fez campanha de rua nos bairros de Perus, Campo Limpo e amanhã irá à cidade de Guarulhos.

“São lideranças que teriam capacidade de mobilização em qualquer lugar do país. Mas acredito que, em São Paulo, onde está a maior parte do eleitorado, a presença deles será mais importante”, diz Edinho Silva, presidente do PT-SP. “É importante que cada um saia para uma região do Estado. Cada um agora tem que cumprir uma agenda.”