A Gente diz

Durval pode licenciar-se do Senado em operação para prefeito assumir PSC e Sérgio cargo no governo

Divulgação/Senado

 untitled

João Durval (PDT)

O prefeito João Henrique (PMDB) pode iniciar nos próximos dias uma operação destinada ao mesmo tempo a resolver seu problema partidário e a situação eleitoral de seu irmão, o deputado federal Sérgio Carneiro, do PT, com quem nunca teve a melhor das relações, segundo se comenta nos meios políticos.

De acordo com informações recebidas pelo Política Livre, o prefeito estaria articulando com o irmão a licença do pai, o senador João Durval (PDT), de forma a garantir a posse no Senado do primeiro suplente,  ex-vereador Eliel Santana, que é também presidente do PSC na Bahia.

Em contrapartida, Eliel facilitaria o ingresso de João Henrique no PSC, com o compromisso de entregar ao prefeito o comando da legenda. Pelo acordo, passaria também um entendimento com o governador Jaques Wagner (PT) pelo qual Sérgio Carneiro, que não conseguiu se reeleger, seria convidado a assumir uma secretaria estadual.

A operação coincide com o progressivo afastamento do prefeito do ex-candidato do PMDB a governador, Geddel Vieira Lima, que foi o mentor de sua reeleição em 2008. Desde que começou a distanciar-se de Geddel, ainda no início desta campanha, João Henrique buscou aproximar-se do governador.

O movimento foi facilitado por sua mulher, a deputada estadual reeleita Maria Luíza, do PSC, que, além de ter se aliado abertamente a Wagner na Assembleia e na eleição, passou a fazer uma campanha sistemática contra Geddel durante o processo eleitoral. Além de Maria Luiza, outro membro da família se encontra no partido cujo controle João Henrique pretende assumir – é o deputado federal eleito Sérgio Brito.

Brito foi casado com uma irmã da deputada e chegou a afastar-se do casal, com o qual reatou depois, dobrando com Maria Luíza nesta campanha. O governador teria sido chamado a avalizar a operação por causa de seu interesse em também buscar enfraquecer Geddel. A idéia de assumir o comando de um partido acompanha o prefeito desde que ele assumiu seu primeiro mandato na Prefeitura, em 2004.

Foi fortalecida, entretanto, nesta campanha, quando a deputada Maria Luíza foi vítima de uma retaliação no horário eleitoral por parte de Geddel em decorrência do pouco apoio que o prefeito emprestou à campanha do candidato a governador peemedebista. Chefe da coligação em que o PSC estava, o PMDB cortou as aparições da mulher do prefeito na propaganda gratuita.

Ela foi socorrida pelo senador César Borges, do PR, que além de ter tentado colocar panos quentes no esgarçamento da relação entre Maria Luíza, o prefeito e Geddel, ainda emprestou parte de seu tempo para que a deputada pudesse transmitir sua mensagem aos eleitores na TV e no rádio.

Mineiro resgatado no Chile diz que não quer ser tratado como artista

200027Reuters

 

Mario Sepúlveda celebra a subida à mina.

O mineiro Mario Sepúlveda pediu nesta quarta-feira que a imprensa não trate os resgatados da mina San José, no norte do Chile, como artistas. “Peço que não nos tratem como artistas”, disse em entrevista ao lado da mulher e de dois filhos, após receber os primeiros cuidados médicos na superfície. “Quero que me tratem como Mario Sepúlveda e quero seguir trabalhando.” O segundo dos 33 restagados da Mina San José afirmou que sempre teve fé na equipe de resgate e em Deus. “Estive com Deus e estive com o diabo. Me agarrei em Deus, tomei a melhor mão. Sempre soube que deu iria nos tirar”, disse. (G1)

Lula estuda demitir cúpula dos Correios

O governo estuda demitir a cúpula dos Correios, indicada em agosto pela ex-ministra Erenice Guerra (Casa Civil), e só não o fez ainda porque avalia o impacto da medida na candidatura de Dilma Rousseff (PT) ao Planalto.
Erenice, que caiu em meio à revelação de que seu filho integrava um esquema de lobby dentro da Casa Civil, era braço direito de Dilma. A revelação foi um dos fatores determinantes para a perda de votos da petista na reta final do primeiro turno. O Planalto avalia a demissão do presidente da estatal, David José de Matos, e do diretor comercial, Roberto Takahashi, ligados a Erenice. (Folha)

SERRA DIZ QUE NÃO SERÁ INGRATO AO GOVERNO LULA

jose_serra_discurso_abre_bracos_max_haack

Foto: Max Haack/BN

O candidato à Presidência José Serra (PSDB), em visita a Goiânia nesta segunda-feira (11), se mostrou irritado com as críticas ao Plano Real e ao Governo Fernando Henrique Cardoso feitas por sua concorrente Dilma Rousseff (PT) e seus correligionários. O tucano disse que não será ingrato ao Governo Lula, caso vença as eleições em 31 de outubro. Serra considerou os ataques a FHC “uma ingratidão” por parte dos governistas. “Quando vou para o governo, não fico xingando, não sou ingrato, como esse governo foi com o FHC”, disse em entrevista coletiva. O candidato do PSDB realizou uma caminhada e um comício na capital goiana.

DOIS PESOS E/OU DUAS MEDIDAS

DOIS PESOS E/OU DUAS MEDIDAS

por Maria Rita Kehl, no Estadão, via Vermelho

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos

8 de outubro de 2010 às 9:16

Maria Rita Kehl: Os bastidores de sua demissão pelo Estadão

por Conceição Lemes

Maria Rita Kehl é psicanalista, ensaísta e cronista. Tem seis livros publicados. O mais recente, O Tempo e o Cão, foilançado em 2009, pela Boitempo. Nele, aborda o significado da depressão como sintoma psíquico da sociedade contemporânea. Maria Rita é a ganhadora do Prêmio Jabuti 2010 na categoria Educação, Psicologia e Psicanálise com O Tempo e o Cão.

Formada em psicologia pela USP, durante muitos anos se dedicou exclusivamente ao jornalismo cultural. Foi editora do Movimento, jornal que, ao lado do Opinião e d’O Pasquim, foi um dos mais importantes órgãos da imprensa alternativa durante o regime militar. Participou também da fundação do jornal Em Tempo e escreveu como freelancer para veículos, como Veja, Isto ÉFolha de S. Paulo.

Em 1979, Maria Rita decidiu fazer mestrado em psicologia social. Sua tese: O Papel da Rede Globo e das Novelas da Globo em Domesticar o Brasil Durante a Ditadura Militar.

Em 1981, começou a atender pacientes — e nunca mais parou. Em 1997, doutorou-se em psicanálise pela PUC-SP com uma pesquisa que resultou no livro Deslocamentos do Feminino – A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (Imago, 1998).

Nos últimos oito meses,  manteve uma coluna quinzenal no Caderno 2, em O  Estado de S. Paulo. Nessa quarta-feira, ela foi demitida depois de ter escrito o artigo Dois Pesos, publicado no último sábado (2), onde abordou a “desqualificação” dos votos dos pobres.

Em entrevista na manhã de quinta-feira (7) a Bob Fernandes, da Terra Magazine, ela denunciou.

– Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

[Ricardo Gandour, diretor do Estadão, deu entrevista mais tarde ao Terra Magazine, dizendo que não houve censura]

Em entrevista ao Viomundo, Maria Rita detalha os bastidores.

Viomundo – Na terça-feira, começou a circular na internet boatos de sua demissão. Antes, em algum momento, você foi alertada sobre “problemas” com os seus textos?

Maria Rita Kehl – Nunca. Foi o que eu argumentei com a editora do Caderno 2, que me convidou para escrever a coluna.  Na verdade, ela me chamou para escrever sobre psicanálise. Argumentei que só sobre psicanálise conflitava com o meu consultório. De vez em quando, disse-lhe, poderia escrever sobre o tema, mas eu gostaria mesmo era de escrever sobre tudo, inclusive política, assunto que me interessa muito. Ela aceitou.

Viomundo – Essa conversa foi…?

Maria Rita Kehl – No final do ano passado, mas eu só comecei a escrever em fevereiro deste ano. Aí, fui escrevendo. Cada vez mais sobre política, pois ficando cada vez mais apaixonante. Eu já fui jornalista, tenho uma cabeça muito política também…

Após cada artigo, eu sempre perguntava: “E, aí, tudo bem?” Ela: “Tudo bem”.

Desta vez foi engraçado porque eu perguntei: “Tudo bem? Será que eles não vão pedir a minha cabeça?”. A resposta que veio: “Não vão, pode ficar tranqüila.” Eu fiquei. Imagino que a editora não iria me enganar…

Viomundo – Quando soube dos “problemas” com os seus artigos?

Maria Rita Kehl – Na terça [5 de outubro]. Recebi um telefonema muito constrangido  de que a coisa tinha ficado muito feia…cartas de leitores estavam reclamando muito da minha presença no jornal… tinha gente do Conselho Editorial muito enfurecida… a situação estava muito difícil. Ela lembrou de que a ideia inicial era que eu escrevesse sobre psicanálise…

“Bem, posso tentar escrever mais sobre psicanálise… Mas nunca mais escrever sobre política, isso não, isso eu não aceito”.  Até porque o período em que o tema é mais polêmico é agora, depois relaxa…

Ela disse que iria conversar novamente com o Gandour [Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estadão], que eu não conheço pessoalmente.

Aí, aconteceu uma coisa que eu não sei explicar, é um mistério. Mas acho que partiu de dentro do jornal, de alguém que ouviu essa conversa. Uma hora depois já tinha gente me ligando, para saber se eu tinha sido demitida.

Viomundo – O que a leva a suspeitar de que alguém do Estadão tenha passado a informação adiante?

Maria Rita Kehl — Foi um detalhe da nossa conversa [entre a editora e Maria Rita]. Só alguém de dentro do jornal, que tinha ouvido a editora conversar comigo, tinha a informação… Tanto que o boato foi de que eu “estava proibida de escrever sobre política, só poderia escrever sobre psicanálise”.

Viomundo – Você pensou em divulgar?

Maria Rita Kehl – Eu não tinha nenhum interesse em começar a divulgar, enquanto não tivesse a resposta. Eu não poderia criar um escândalo sem antes conhecê-la.

Acredito que ficou para eles [direção do jornal] a impressão de que fui eu que fiz toda a movimentação na internet. Até quis tornar público. Não fiz. E não porque sou boazinha. É porque não tinha nenhum interesse em divulgar antes de ter a resposta final do jornal.

Nessa quarta [6], depois da reunião que a editora teve com o Gandour, veio a resposta.  Gandour disse que por conta da repercussão, a minha posição havia ficado insustentável, intolerável.

Viomundo – A repercussão na rede da sua demissão foi apenas pretexto…

Maria Rita Kehl – É, a coisa já não estava boa. E por ter tido muita repercussão, ficou, segundo o jornal, insustentável. É como se eu tivesse organizado uma passeata petista na frente da redação com bandeiras vermelhas, com ameaça de exigências.

A minha demissão virou top10 do twitter. Eu não esperava. Fiquei atônita. Virou um acontecimento. A minha coluna era quinzenal… Eu não sou Jânio de Freitas nem nada…O fato é que virou um acontecimento na internet com muitas acusações contra o Estadão.

Viomundo – O seu trabalho foi censurado, concorda?

Maria Rita Kehl – A palavra censura não é boa. No meu conceito, censura seria você não pode escrever sobre isso ou aquilo, corta uma linha aqui, outra ali…  O que o meu caso demonstrou é que o jornal não permite uma visão diferente da do jornal nas suas páginas. É isso. Essa é dita imprensa liberal.

As grandes empresas que controlam a informação no país estão nas mãos de poucas famílias… Teoricamente seriam imparciais, dando voz ao outro lado, só que elas têm um posicionamento muito claro de que não são imparciais. Veja o meu caso. O meu artigo é assinado, não estou falando pelo jornal. Mas nem isso cabe.

Viomundo – Na verdade, os grandes veículos se dizem imparciais, alardeiam isso para a sociedade, só que a prática é oposta…

Maria Rita Kehl — Eu acho honesto que o jornal assuma uma posição. É pior dizer que é imparcial e dar a notícia só com um lado. Isso confunde muito mais o leitor.

É pena que não tenha gente com dinheiro suficiente para apoiar outros candidatos. …Um grande jornal que apóie a Dilma, um grande jornal que apóie a Marina, um grande jornal que apóie o Plínio…

Na verdade, todos os jornais estão apoiando o mesmo candidato. Esse é o problema da política brasileira, da burguesia brasileira, da concentração do dinheiro na sociedade brasileira… Os donos dos jornais são parciais, mesmo… Ninguém é imparcial. Mas, para que os leitores sejam adequadamente informados e se posicionem, é fundamental ter o outro lado. Infelizmente, o que os donos dos jornais revelam é que não cabe voz a outra posição, nem mesmo em artigos assinados.  Que liberdade de expressão é esta?

COLABORAÇÃO E SUGESTÃO DE PAUTA.

PROFESSOR PAULO PIRES

.SAUDAÇÕES  E NÃO ESQUEÇAM DE LER (RELER) O ARTIGO DA MOÇA DEMITIDA PELO LIBERTÁRIO  ESTADÃO DE SÃO PAULO E AS MATÉRIAS SE SEGUEM.

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS

PAULO PIRES

A Guerra de Canudos

mail.google.comA Guerra de Canudos

Benjamin Nunes Pereira*

O fato aconteceu nos anos de 1896 e 1897, tendo como término 05 de outubro de 1897, já são 113 anos e o governo federal empenhou-se, na destruição do arraial de Canudos, onde se desenvolvia um movimento messiânico coordenado por Antonio Vicente Mendes Maciel, chamado popularmente Antonio Conselheiro. Em várias regiões mais atrasadas do Brasil, principalmente no sertão nordestino, ocorreram movimentos místicos que envolveram um número considerável de pessoas. Desesperados com a miséria e com a fome que existiam nessas áreas, os habitantes com freqüência seguiam os beatos e outros pregadores, que prometiam um mundo melhor por meio de práticas religiosas e de uma vida dedicada à comunidade messiânica. Alguns desses movimentos, na medida em que aglutinavam milhares de pessoas que passavam a viver à margem da sociedade estabelecida, atraíram as iras dos donos da terra, dos políticos e do clero, que viam neles uma subversão da ordem estabelecida. Canudos foi, talvez, o exemplo extremo desse fenômeno.

Foi na década de 1870, que Antonio Vicente Mendes Maciel, assumindo a condição de beato começou a percorrer os sertões. O seu nascimento ocorreu em Quixeramobim, Ceará, em 1823, filho de um comerciante que pretendia fazer um padre. Com esse propósito foi posto pelo pai em um curso de português, latim e Francês. Entretanto, as circunstâncias de vida familiar prenderam o futuro Conselheiro ao balcão do armazém paterno, frustrando-se desse modo essas aspirações. Com a morte do pai, em 1855, viu-se à frente dos negócios e, principalmente, às voltas com as dívidas herdadas.

Há muito tempo que Antonio Conselheiro mantinha a idéia de fundar uma comunidade igualitária. Talvez nesse tempo já tivesse lido a Utopia, de Thomas More. Depois do combate de masseté, seguiu para o Norte em longa e penosa caminhada. Foi ele quem escolheu o local, onde deveria estabelecer-se com sua gente. Ao chegar a Canudos, na Fazenda Velha, lançando a sua vista de levante ao poente que abrangia todo o horizonte cercado de serras, dissera tranquilamente: “E aqui”. E seus adeptos prorromperam num canto triunfal, louvando a fundação de Belo Monte.

Canudos era uma velha fazenda abandonada com palhoça de pau-a-pique, à margem do Vasa Barris ou Irapiranga, quando Antonio Conselheiro aí chegou em 1893.

A origem do nome é simples e pitoresca. Anteriormente, ali se aglomerava uma população estanha e perigosa, “armada até os dentes” e “cuja ocupação quase exclusiva consistia em beber aguardente e pitar uns estranhos cachimbos de barro em canudos de metro de extensão” – segundo as informações do vigário de Ipú. Os tubos eram naturalmente – esclarecia Euclides da Cunha – formados pelas salonáceas (Canudos de Pito), vicejantemente em grande cópia à beira do rio. O curioso é que os longos cachimbos apreciados por esta gente simples e anônima iriam dar o nome à cidade de Canudos que deixou uma legenda tão heróica.

Antonio Conselheiro, conhecendo bem o sertão soube escolher o lugar adequando para a fundação do arraial de Belo Monte.

Segundo Euclides da Cunha, com o advento da República e especialmente após 1893, Conselheiro apresenta “uma feição combatente inteiramente nova”. Refere-se à pregação anti-republicana de Antonio Conselheiro e ao episódio ocorrido em Bom Conselho, quando o beato reunindo o povo num dia de feira, mandou queimar numa fogueira as tábuas com os editais para a cobrança de impostos. Seu envolvimento mais explícito na política sem dúvida constitui uma das chaves para explicar os ulteriores desdobramentos que resultaram na formação do arraial de Canudos e a hostilidade que a República lhe devotou.

Suas críticas ao novo regime, ao contrário do que se acreditou na época, não derivaram de sua preferência pela monarquia, mas restrições que fazia às modificações que vieram no bojo da República. Conselheiro procurava defender a antiga jurisdição da Igreja-Estado imposta pelos republicanos. O primeiro código penal da República definia como crime do celebrante a realização do casamento religioso anteriormente ao civil e impunha penalidades aos vigários que assim procedessem; outras medidas impostas, hostis à Igreja diziam respeito à jurisdição civil sobre os cemitérios e a tentativa de proscrição da Companhia de Jesus. Nesta época não se sabe exatamente qual o teor das críticas do Conselheiro, porém mais tarde, já em Canudos, ele assim se dirigia aos fiéis: “É importante o poder humano para acabar com a religião. O Presidente da República, porém, movido pela incredulidade que tem atraído sobre ele toda a sorte de ilusões, entende que pode governar o Brasil como se fora um monarca legitimamente constituído por Deus; tanta injustiça os católicos contemplam amargurado. Oh! É necessário que se sustente a fé da Igreja. A religião santifica tudo e não destrói coisa alguma, exceto o pecado. Daqui se vê que o casamento civil ocasiona a dualidade do casamento, conforme manda a santa madre Igreja de Roma, contra a disposição mais clara do seu ensino.

A partir de então, as tensões se agravaram, registrando-se incidentes vários, dos quais o mais grave ocorreu em 1893. Já em plena República, rebelou-se Antonio Vicente contra a cobrança de impostos municipais em Bom Conselho Bahia e, em dia de feira, com seus seguidores e sob o espocar de foguetes, queimou as tábuas em que estavam afixados os editais. A seguir, põe-se em marcha com seu povo, sendo alcançados em Masseté pela perseguição de uma tropa de polícia. Travando o combate, as forças da ordem foram desbaratadas.

A fixação em Canudos, fazenda abandonada, junto ao Vaza-Barris – fizeram-se por esta época vindo a alcançar o arraial em seu curto período de existência, dimensões inusitadas no sertão. Para lá afluíram sertanejos de vários Estados que, desfazendo-se de seus haveres, abandonavam os lugares de origem e iam engrossar as fileiras daquele que, então, já era o Conselheiro.

Com base no relato que Euclides nos legou são apresentados a seguir, os principais momentos de ação repressiva.

Na escaramuça de Masseté, os jagunços do Conselheiro foram atacados por trinta praças de polícia. Mais tarde já estabelecidos em Canudos, houve o episódio da compra de madeirame para a construção da Igreja. O material de construção foi adquirido em Juazeiro Bahia, apesar de pago adiantadamente, não foi entregue, numa ruptura de trato que Euclides sugere ter sido uma provocação deliberada. Seja como for, o fato é que os jagunços anunciaram a disposição de arrebatar à força a mercadoria. Não era preciso mais; contra eles foram enviados 104 soldados e 03 oficiais do 9º Batalhão de Infantaria. O reencontro deu-se em Uauá, repetindo-se, em ponto maior, o desastre de Masseté. Desde então, definidos como perigosos rebeldes, não era mais preciso encontrar motivos imediatos. Assim, para destruí-los seguiu o Major Febrônio, que lutando em Cambaio e Tabulerinhos, sofreu fragorosa derrota, apesar de dispor de 543 praças, 14 oficiais combatentes, três médicos, dois canhões Krupp e duas metralhadoras.

Ao investir sobre Canudos, diz Euclides, “começou a esboçar-se o perigo único e gravíssimo: os pelotões dissolviam-se”. Os grupos de soldados adentravam o arraial à procura do inimigo e, sem que percebessem, tornavam-se presa fácil para aqueles que habitavam a cidadela de Canudos. Moreira Cesar que mobilizava a terceira expedição, juntamente com seus homens caiu numa cilada. A luta estava irremediavelmente perdida. Logo foi ferido o Coronel Moreira Cesar. Sem comando cada um lutava a seu modo.  A retirada se impunha, ainda que de forma caótica. Euclides descreve-a não como uma operação tática, mas como “fuga” e “debandada”. “Oitocentos homens desapareceram em fuga – escreve – “abandonando as espingardas; arriando as padiolas, em que se torciam os feridos; jogando fora as peças de equipamentos; desarmando-se; desapertando os cinturões para a carreira desafogada; e correndo, correndo ao acaso, correndo em grupos, em bandos erradios”. E o grito de guerra dos jagunços acabara de se impor com realidade: “a força do governo era agora realmente a fraqueza do governo, denominação irônica destinada a permanecer por todo o curso da campanha”

As derrotas da expedição Moreira César, bem como a morte de seu prestigiado comandante repercutiram como grande comoção nacional. Aquilo parecia uma hipótese jamais cogitada, a evidência mais do que clara de que Canudos não era apenas um arraial de rebelde, mas, sim, a ponta de lança de uma grande conspiração restauradora tramada contra as instituições republicanas. Já não restavam dúvidas. A República estava em perigo. Era necessário, a qualquer preço salvá-la.

Para a Bahia convergiam, agora, as tropas de todos os Estados para comporem a quarta expedição, aquela destinada a redimir a “honra nacional”. O comandante desta quarta expedição foi o general do exército: Arthur Oscar de Andrade Guimarães, comandando mais de cinco mil homens. À luz das falhas das expedições anteriores, imenso tempo foi gasto na preparação da expedição no tocante a suprimento de víveres e comunicações. Somente em junho de 1897 estava a tropa pronta para a investida.

Para o combate a tropa foi dividida em duas colunas que seguiram por caminhos diferentes; uma sob o comando do general João da Silva Barbosa e outra do General Carlos do Amaral Salvaget, tendo as duas colunas como comandante geral o General Arthur Oscar.

Este combate foi um verdadeiro revés para as tropas governistas. A demonstração de que enfrentava um adversário que sabia lutar e não temia a superioridade do inimigo quebrara-lhes o ânimo. De qualquer forma, a quarta expedição viera para exterminar Canudos e tinha, atrás de si, imensa estrutura mobilizada que permitia que mesmo as perdas e baixas nas tropas governistas fossem compensadas como novos reforços em prol da missão de extermínio.

Antonio Conselheiro viu-se obrigado a mudar de plano. Pretendia derrotar cada uma das colunas separadamente. Agora teria de lutar com as duas reunidas que contavam com cerca de cinco mil homens e dispunha de vários canhões. O primeiro combate verificou-se em Cocorobó, a 25 de junho de 1897, dois dias depois a expedição chegou a Canudos. Após enorme resistência dos jagunços e empregando uma luta de extermínios, os soldados conseguiram entrar em Canudos. Após a morte de Antonio Conselheiro em 22 de setembro de 1897, um último reduto resistia na praça central. Finalmente, em 05 de outubro de 1897, dá-se o último combate entre os rebeldes e as forças governistas. Sobre ele assim se manifestou Euclides da Cunha: “Canudos não se rendeu… resistiu até o esmagamento completo. Expugnando palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 05 ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, à frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.

Sobre as cinzas da aldeia sagrada de Canudos a República, finalmente estava salva e consolidada, pois, no dia 06 de outubro de 1897, quando o arraial foi arrasado e incendiado, o Exército registrou ter contado 5.200 casebres.

REFERÊNCIAS:

FAUSTO, Boris. História Geral da Civilização Brasileira (Org). Vol. III – O Brasil Republicano, Ed. Difel, SP. 1977.

MENDES JR. Antonio e MARANHÃO, Ricardo. Brasil História – Texto Consulta – vol 3 República Velha, Brasiliense, SP. 1979.

MONIZ Edmundo. Canudos: A Luta pela Terra. 3ª Global Editora SP. 1984.

SOARES. Henrique D. Estrada de Macedo. A Guerra de Canudos, 3ª Ed. Brasília, 1935.

*Benjamin NUNES Pereira, é bancário, diretor do Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região, membro da Academia Conquistense de Letras, membro da Casa da Cultura de Vitória da Conquista, Jornalista, graduado em História, pós-graduado em Programação e Orçamento Público Pela UFBA e pós-graduado em Antropologia com ênfase na cultura afro-brasileira pela UESB e Acadêmico de Direito da Fainor.

E-mail: [email protected]

Boato de lesbianismo levou à agressividade de Dilma

 

Moacyr LopDDILma_X_Serra1-300x217es Jr./Folha

 

O tom agressivo empregado por Dilma Rousseff no debate presidencial da noite passada tem origem num boato.

 

O comitê de campanha da pupila de Lula foi informado acerca de um falso processo judicial que circula na internet.

 

Na peça, um suposto advogado aciona Dilma em nome de uma hipotética ex-doméstica da candidata.

 

A empregada fictícia sustenta no processo de fancaria ter mantido com Dilma um relacionamento amoroso de 15 anos. Cobra indenização.

 

Há três dias, o deputado eleito Gabriel Chalita (PSB-SP) tratou do tema em conversa com um petista ligado ao comando da campanha de Dilma.

 

Chalita contou que um religioso o havia procurado para dizer que recebera cópia de processo em que Dilma era acusada de lesbianismo.

 

O interlocutor pediu a Chalita que aconselhasse o bispo a checar o número de registro na OAB do advogado que assina o processo. “Não existe. É falso”, disse.

 

Em diálogos privados que antecederam o debate nos estúdios da TV Bandeirantes, Dilma e seus operadores atribuíram a aleivosia à campanha de José Serra.

 

Entre quatro paredes, a candidata petista se disse “indignada”. Para ela, o boato do processo tornou incontornável a inclusão da “baixaria” no rol de temas do debate.

 

Vem daí a decisão de Dilma de inquirir Serra, já na primeira pergunta, acerca da boataria que viceja no “submundo” virtual.

 

Como as suspeitas contra Serra não estão escoradas em provas, Dilma evitou mencionar o falso processo. Soou genérica:

 

“Acredito que uma candidatura à Presidência tem por objetivo engrandecer o Brasil, discutir valores e projetos para o futuro”, disse ela para Serra.

 

“Sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. […] Seu vice, Índio da Costa, a única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até para me atingir com questões religiosas…”

 

“[…]…Você considera que essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?”

 

Serra centrou sua resposta na polêmica sobre o aborto e no ‘Erenicegate’. Disse que Dilma confunde “verdades e reportagens com ataques”.

 

Um integrante do comitê petista contou ao repórter que, antes do início do debate, chegou aos ouvidos de Dilma outra “informação”.

 

Segundo ele, um panfleto apócrifo contendo ataques à candidata teria sido distribuído em templos evangélicos do Rio, neste domingo (10).

 

No folheto, Dilma é associada, de novo, à defesa do aborto. O texto a acusa de ser a favor da “matança de criancinhas”.

 

Foi por essa razão, informa o operador da campanha petista, que a candidata levou aos holofotes o nome da mulher do antagonista.

 

“Sua esposa, Mônica Serra, disse o seguinte: ‘A Dilma é a favor da morte de criancinhas’.”

 

Mônica teria dirigido o comentário a um eleitor, durante caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Coisa do mês passado.

 

Serra esquivou-se de responder. Presente à platéia da TV Bandeirantes, Mônica não se deu por aludida. Disse que não sabe do que Dilma está falando.

 

Ouvido pelo blog, um membro da campanha tucana tachou de “alucinação” a alegada vinculação de Serra ao falso processo que retrata Dilma como lésbica.

 

Como se vê, a disputa eleitoral de 2010 caminha a passos largos para um lodaçal que não dignifica a atividade política.

Empresa testa cartões SIM com GPS para celulares de baixo custo

Reuterssagem_orga_bluesky_a-gps_sim-480x314

A BlueSky Positioning, uma empresa iniciante, está começando a testar navegação via satélite por meio de cartões SIM para uso em celulares mais baratos e desprovidos de chips GPS (sistema de posicionamento global). A empresa integrou chips de GPS aos cartões SIM para celulares, o que reduz seu custo e consumo de energia.

A BlueSky fechou acordos com produtores importantes de cartões SIM, entre os quais a Morpho, que iniciará testes operacionais em escala limitada junto a operadoras de telefonia móvel, neste e no próximo trimestre.

“Podemos criar um mercado de massa de maneira rápida e barata”, disse Risto Savolainen, presidente-executivo e fundador da BlueSky, que está levantando até 6 milhões de euros (8,4 milhões de dólares) junto a investidores.

Caso os testes obtenham sucesso, o produto provavelmente chegará ao mercado de massa no final do ano que vem, disse Savolainen.

Diversos especialistas do setor estão céticos quanto ao uso de cartões SIM para o sistema GPS, porque em muitos aparelhos eles ficam posicionados por trás das baterias, mas Savolainen afirmou que a empresa resolveu o problema com o uso do próprio revestimento do aparelho como antena.

O uso de sistemas de localização em celulares floresceu nos últimos anos, mas vem se limitando em larga medida aos celulares inteligentes mais caros e dotados de chips GPS.

De acordo com o grupo de pesquisa Canalys, cerca de 250 milhões de celulares dotados de GPS serão vendidos este ano. Por volta de 1 bilhão de modelos mais baratos e desprovidos do sistema chegarão ao mercado.

Esposa do Nobel da Paz é detida em Pequim, na China

FILES-CHINA-NOBEL-PEACE

Organizações pedem pressão da comunidade internacional para libertar Liu Xia

Avaliação: 5.0 of 5. 1 voto(s).
Clique na barra de avaliação para avaliar este item.

 

 

A esposa do ativista chinês Lu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2010, está detida em sua casa em Pequim, declarou a porta-voz de uma organização de direitos humanos americana. Segundo informações das agências de notícias, depois do anúncio de sexta-feira de que seu marido era o vencedor do Nobel da Paz, ela foi informada que seria detida.

A organização Human Rights in China também anunciou neste domingo ter se inteirado da prisão e disse, em um comunicado, que “reclama energicamente da comunidade internacional pressionar as autoridades chinesas a libertar imediatamente Liu Xia de sua prisão domiciliar, deixar Liu Xiaobo livre e libertar todos os prisioneiros políticos detidos como resultado de exercer seu direito à liberdade de expressão”.

O Prêmio Nobel da Paz 2010 foi atribuído na sexta-feira a Liu Xiaobo “por seus esforços continuados e não violentos em prol dos direitos humanos na China”, segundo o Comitê Nobel norueguês.

Liu Xiaobo, de 54 anos, cumpre uma pena de 11 anos em regime fechado por ter sido um dos autores da Carta 08, exigindo a democratização da China.

Redação CORREIO