A Gente diz

Professores em Mobilização Pedagógica na FTC Conquista

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Já começou na FTC Conquista a Mobilização Pedagógica 2010.2. Durante toda a semana, professores, coordenadores, articuladores e Diretoria estarão reunidos para discutir e planejar ações para o semestre, além de participar de palestras e mini-cursos voltados para atividade docente.

Na palestra de abertura o diretor geral da FTC Conquista, professor Sérgio Magalhães falou sobre as “Competências e Habilidades na Ação Docente”. O palestrante traçou um panorama sobre os assuntos tratados nas últimas mobilizações, para mostrar a evolução dos conteúdos trabalhados.

As atividades da Mobilização Pedagógica seguem até a sexta-feira (16) e englobam aspectos pedagógicos, acadêmicos e técnicos do dia-a-dia da Faculdade.

Shirley de Queiroz
DRT – 2715 ASCOM

Suplentes do Senado têm grana para financiar campanha

“Na Bahia, Osvaldo Amarante da Gama Santos (PTB) é outro que nunca teve a popularidade aferida nas urnas. Mas poderá tornar-se senador, caso Edvaldo Brito (PTB), vice-prefeito de Salvador, seja eleito e precise se afastar do cargo.”


Os suplentes de candidatos ao Senado se apresentam, mais uma vez, como homens e mulheres com pouco capital político, porém repletos de amigos poderosos e potencial de sobra para financiar as campanhas dos titulares.

Escolhidos a dedo pelas coligações, os ‘reservas’ do Senado tiveram papel decisivo na atual legislatura: começaram como coajuvantes, mas cresceram e, no fim do ano passado, já ocupavam 19 das 81 cadeiras do plenário, sem receber um voto sequer.

Esta semana, pelo menos mais quatro suplentes foram brindados com licenças dos titulares, que saíram para fazer campanha, e deixaram as vagas com eles.

Nomes ilustres e de grandes patrimônios constam agora nas listas de candidatos enviadas ao TSE esta semana.

Anna Cristina Kubitschek, esposa do empresário Paulo Otávio – o ex vice-governador do Distrito Federal, que renunciou em meio ao escândalo de corrupção do governo José Roberto Arruda – é a primeira suplente do DEM para assumir uma vaga no Senado.

A neta de JK vai se tornar senadora, caso o candidato titular Alberto Fraga, ex-secretário de Transportes de Arruda, vença a disputa e seja convocado para algum cargo no governo local, como já fez.

Com um patrimônio declarado à Justiça Federal de R$ 2,06 milhões, Anna jamais foi eleita para qualquer cargo público, mas poderá desfrutar de um dos cargos mais cobiçados da República.

Em Tocantins, o empresário Ataíde de Oliveira, cujo patrimônio ultrapassa R$ 15 milhões, é o primeiro suplente do candidato à reeleição, João Ribeiro (PR).

Da mesma forma que Anna Kubitschek, se notabiliza pelo prestigio junto a famílias tradicionais. Além disso, assegura apoio financeiro às campanhas políticas no estado. Sua densidade eleitoral nunca foi testada.

Na Bahia, Osvaldo Amarante da Gama Santos (PTB) é outro que nunca teve a popularidade aferida nas urnas. Mas poderá tornar-se senador, caso Edvaldo Brito (PTB), vice-prefeito de Salvador, seja eleito e precise se afastar do cargo.

Dono de postos de combustível, Gama Santos acumula um patrimônio de R$ 2,79 milhões. E declarou guardar em espécie, em casa, R$ 1,3 milhão, dez vezes mais do que a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, informou guardar ‘debaixo do colchão’.

Leia mais em Sem voto, suplentes do Senado têm potencial de sobra para financiar campanha

Roberto Maltchik e Fábio Fabrini, de O Globo

A Justiça nega mandado de segurança a Sindicato de Policiais

CÉSAR NUNES_JOSELITO BISPO

A Justiça baiana negou mandado de segurança impetrado pelo Sindicato dos Policiais Civis do estado contra a mudança da jornada de trabalho. O delegado geral da Polícia Civil, Joselito Bispo, recebeu um pedido judicial de informações sobre o novo horário dos plantões dos servidores que atuam nas delegacias de Salvador e Região Metropolitana. A solicitação de esclarecimentos já foi encaminhada à Procuradoria Geral do Estado (PGE) para que, dentro do prazo legal, possa fazer a defesa da decisão realizada pelo Estado.

Joselito Bispo estranhou a reação do Sindipoc e ratificou que não procedem as informações divulgadas pela entidade entre os servidores de que o novo regime de serviço tenha aumentado a jornada de trabalho de delegados, agentes e escrivães. A Polícia Civil alterou o antigo o horário de trabalho de 24 horas de plantão por 72 horas de folga (24/72h), para 12 horas de plantão por 24 horas de folga (12/24h) para quem trabalha durante o dia; e para 12 horas de plantão por 48 horas de folga (12/48h) para quem trabalha à noite. A mudança começou a vigorar em 1º de julho. “O antigo regime estava trazendo prejuízos à todos. Não dava mais para conviver com a seguinte situação: um delegado encerrava o plantão e suas atividades, como investigações que exigem rapidez, paravam e só eram retomadas 72 horas depois”, relata Bispo.

Segundo ele, a jornada de trabalho dos servidores da Polícia continua sendo de 44 horas semanais, sem prejuízos financeiros na remuneração dos profissionais da instituição. “A mudança no horário de plantão dos servidores é um desejo da população, que quer uma polícia mais fortalecida, mais eficiente e com melhores resultados na sua gestão”, explica. Joselito lembra que praticamente todos os estados brasileiros já adotaram essa modalidade de plantão e, em todos eles, os resultados têm sido muito bons.

Por Edmundo Filho – Coord Rádio Agecom- Governo da Bahia

Saiba o que é o crack, como ele atinge o organismo da pessoa e porque não experimentar a droga

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Composição e Efeitos

O crack é uma droga feita a partir da mistura das sobras do refino da cocaína misturada com outras substâncias, como amônia e bicarbonato de sódio. A droga é geralmente fumada com um cachimbo, lata ou misturado com maconha. Quando utilizada por meio de uma lata de refrigerante, o usuário inala, além do vapor da droga, o alumínio que se desprende com facilidade da lata aquecida. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos.

Em menos de 10 segundos os efeitos da droga já podem ser sentidos, como euforia, hiperatividade, mas mesmo assim isso não alivia a sensação de cansaço físico do usuário. Se consumido em grandes quantidades, a pessoa pode se sentir agitada e hiperativa e depois que os efeitos diminuem, pode ocorrer episódios de depressão.

O crack interfere com um neurotransmissor químico do cérebro chamado de dopamina, envolvido nas respostas do corpo ao prazer. A liberação de dopamina faz o usuário de crack ficar mais agitado, o que leva ao aumento da presença de adrenalina no organismo. A consequência é o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Problemas cardiovasculares, como infarto, podem ocorrer.

Ao mesmo tempo o uso da droga provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta em deficiências de memória e de concentração (e por conseqüência em altos índices de abandono escolar), oscilações de humor, baixo limite para frustração e dificuldade em manter relacionamentos afetivos. O tratamento permite reverter parte desses danos cerebrais, entretanto muitas vezes o quadro é irreversível.

O efeito estimulante da droga começa a decair em menos de 10 minutos, deixando o usuário desanimado, depressivo e com náuseas, o que resulta no desejo de fumar mais crack para se sentir bem de novo (fissura), e assim o ciclo se inicia novamente.

O organismo passa a funcionar em função da droga. O dependente quase não come ou dorme. Ocorre um processo rápido de emagrecimento. Os casos de desnutrição são comuns. A dependência também se reflete por conta da ausência de hábitos básicos de higiene e cuidados com a aparência.

A fumaça do crack gera lesões nos pulmões, levando a disfunções, além de sangramentos na gengiva e corrosão dos dentes. Como já há um processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo tosses constantes, falta de ar e dores fortes no peito.

O desejo sexual dos usuários diminui. Os homens têm dificuldade em obter uma ereção. Há pesquisas que associam o uso do crack à maior vulnerabilidade à infecções sexualmente transmissíveis como a Aids. No momento da fissura, alguns usuários podem manter relações sexuais desprotegidas para conseguir dinheiro para comprar crack ou mesmo recebem crack como pagamento de relações sexuais.

Usuários de crack tem mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e respiratórias, com prognóstico de tratamento mais desfavorável. A ausência de condições mínimas de vida, aliada à violência e situações de perigo, como o envolvimento com traficantes, também são características que limitam as condições de vida destas pessoas, aprofundando a vulnerabilidade.
Trajetória da Droga

O crack surgiu nos Estados Unidos na década de 1980. O primeiro relato de uso no Brasil data de 1989. Desde então, o consumo da substância vem crescendo, principalmente nos últimos cinco anos. A situação de vulnerabilidade social de muitos jovens e pessoas em situação de rua, entre outras situações, também contribui para a disseminação da droga. Entretanto, hoje em dia, a droga afeta as mais variadas classes sociais, desde as mais abastadas até o limite da pobreza.

Os dados mais recentes sobre o consumo do crack no país estão disponíveis por meio do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID). Segundo uma pesquisa do orgão, 0,1% da população brasileira consome a droga. Grande parte dos usuários de crack relata início do uso da substância entre 13 e 26 anos.

O crack atinge os centros neurológicos de prazer de uma forma mais rápida do que por meio de outras drogas, porém seus efeitos são de pouca duração, o que leva o usuário a fumar imediatamente outra pedra. Esse ciclo ininterrupto de uso potencializa os prejuízos à saúde física, as possibilidades de dependência e os danos sociais.

Portanto quem fuma crack, em geral, deseja prazer imediato, suprimir ou evitar um sofrimento.

O consumo traz distúrbios e mudanças de comportamento importantes que afetam a família e todos que estão a sua volta. Em razão de diferentes contextos de vulnerabilidade, onde o consumo da droga é apenas mais um, os dependentes têm seus laços sociais fragilizados e terminam por ser alvo de um forte processo de exclusão social.

Como todo uso de drogas está associado a fatores biopsicossociais, o consumo de crack não é diferente. Além dos problemas físicos, há os de ordem psicológica, social e legal. Ocorrem graves perdas nos vínculos familiares, nos espaços relacionais, nos estudos e no trabalho, bem como a troca de sexo por drogas e, ainda, podendo chegar à realização de pequenos delitos para a aquisição da droga. Há controvérsia se tais condutas socialmente desaprovadas têm relação com o estado de “fissura” para usar ou se resulta da própria intoxicação. A unanimidade é que o usuário desemboca numa grave e complexa exclusão social.

Em geral, não existem usuários exclusivos do crack, quem consome a droga também consome outras substâncias ilícitas ou lícitas.

O crack é uma droga com potencial de produzir sérios prejuízos, os usuários ficam expostos a situações relacionadas com o tráfico, criminalidade, a doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV/Hepatite B e C, por conta de comportamento sexual desprotegido e outras situações de extrema vulnerabilidade.
Tratamento

Profissionais da área de saúde pública e de dependência de álcool e outras drogas referem que é comum o relato de pacientes que não aguentam mais usar a droga, por conta dos danos devastadores, mas que mesmo assim não conseguem parar de usar e, portanto, precisam de ajuda.

O uso de substâncias e a Dependência de álcool e outras drogas são questões complexas e que requerem abordagens multidisciplinar e intersetoriais e os usuários podem ser tratados sem necessariamente estar em abstinência.

Os serviços de saúde do SUS tem se deparado com um aumento do número de usuários de crack que buscam ajuda. Novas estratégias tem sido articuladas nos serviços para ampliar o alcance e efetividade das propostas de tratamento. Nem todos que necessitam de cuidados conseguem chegar aos serviços portanto ações de busca ativa e abordagem na rua, estão fazendo parte das propostas atuais do SUS.

As abordagens ao usuário de crack exigem criatividade, paciência e respeito aos seus direitos, enquanto cidadão, para superar seu estado de vulnerabilidade, riscos, estigma e marginalização. Estratégias preventivas podem ser levantadas não somente entre esse novo grupo, como também dirigidas àqueles usuários que, por algum motivo, ainda não se aventuraram nesse tipo de droga. O atendimento ao dependente de crack deve considerar alguns importantes critérios:

1. O usuário que não procura tratamento: a ele devem ser dirigidas estratégias de cuidados à saúde, de redução de danos e de riscos sociais e à saúde. As ações devem ser oferecidas e articuladas por uma rede pública de serviços de saúde e de ações sociais e devem ser feitas por equipes itinerantes, como os consultórios de rua, que busquem ativamente ampliar o acesso aos cuidados em saúde e em saúde mental destes usuários. A perspectiva dessa abordagem objetiva os cuidados da saúde como também as possibilidades de inserção social.

2. A porta de entrada na rede de atenção em saúde deve ser a Estratégia de Saúde Família e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Estes serviços especializados devem ser os organizadores das demandas de saúde mental no território. Os CAPS devem dar apoio especializado às ESF, fazer articulações intersetoriais (educação, assistência social, justiça, cultura, entre outros) e encaminhar e acompanhar os usuários à internação em hospitais gerais, quando necessário.

3. Quando o usuário acessa as equipes de saúde e de saúde mental, é necessária uma avaliação clínica das suas condições de saúde física e mental, para a definição das intervenções terapêuticas que devem ser desenvolvidas. É importante que se faça uma avaliação de risco pelas equipes de saúde para se definir se é necessária ou não a internação.

4. A internação deve ser de curta duração, em hospital geral da rede pública, com vistas à desintoxicação associada aos cuidados emergenciais das complicações orgânicas e/ou à presença de algum tipo de co-morbidade desenvolvida com o uso. É concebível e muito comum que usuários de crack, ainda que num padrão de uso preocupante, resistam à internação e optem pela desintoxicação e cuidados clínicos em regime aberto, acompanhado nos CAPSad por uma equipe interdisciplinar, nos níveis de atendimento intensivo, semi-intensivo e até o não intensivo. Nesse caso, a boa evolução clínica, psíquica e social dependerá da articulação inter e intrasetorial das redes de apoio, inclusive e se possível, com mobilização familiar.

5. A decisão pela internação deve ser compreendida como parte do tratamento, atrelada a um projeto terapêutico individual e, assim como a alta hospitalar e o pós-alta, deve ser de natureza interdisciplinar. Intervenções e procedimentos isolados mostram-se ineficazes, com pouca adesão e curta duração, além de favorecer o descrédito e desalento da família e mais estigma ao usuário.

Estratégias de intervenção e cuidados da rede de saúde:
a. Avaliação interdisciplinar para cuidados clínicos (e psiquiátricos, se necessário)
b. Construção de Projeto Terapêutico Individual, articulado inter e intrasetorialmente
c. Atenção básica (via ESF e NASF, com participação de profissionais de AD)
d. CAPSad – acolhimento nos níveis intensivo, semi-intensivo até não intensivo
e.Leitos em hospital geral
f.Consultórios de rua, casas de passagem
g. Estratégias de redução de danos
h. Articulação com outras Políticas Públicas: Ação Social, Educação, Trabalho, Justiça, Esporte, Direitos Humanos, Moradia.sonar

Procuradores pedem impugnação de 371 candidatos

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Pelo menos 371 políticos que pretendem concorrer a cargos públicos nas eleições deste ano tiveram suas candidaturas contestadas na Justiça Eleitoral. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo junto a órgãos do Ministério Público (MP) e da Justiça indica que grande parte deles é acusada por ter “ficha suja”. A lista de candidaturas questionadas ainda deve crescer ao longo desta semana, quando termina o prazo para o MP apresentar os pedidos de impugnação.

Dados preliminares da Justiça Eleitoral indicam que cerca de 20 mil políticos pediram registro para disputar as eleições de outubro. De acordo com decisão recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os condenados por tribunais não poderão se candidatar porque esse impedimento está previsto na Lei da Ficha Limpa. Pela interpretação da lei, que foi sancionada no dia 4 de junho, deverão ser barrados até mesmo os políticos condenados no passado e aqueles que renunciaram ao mandato para fugir de processo de cassação.

Entre os que tiveram candidaturas questionadas pelo MP até agora estão o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que pretende concorrer ao Senado, e o ex-governador e ex-senador Joaquim Roriz (PSC-DF), que quer voltar a governar o Distrito Federal. Os dois renunciaram no Senado para evitar possíveis cassações. As impugnações terão de ser analisadas até 19 de agosto. Em tese, recursos ainda poderão ser encaminhados ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Alagoas, a Procuradoria Regional Eleitoral protocolou ontem seis ações de impugnação de registro de candidaturas com base na Lei da Ficha Limpa. Entre as candidaturas questionadas está a do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que disputa de novo o governo do Estado.

Pará e Rio

Já no Pará, além de Jader, nove políticos tiveram suas candidaturas contestadas por causa de rejeição de contas relativas a administrações anteriores ou em virtude de renúncias. Um deles é o deputado Paulo Rocha (PT), que agora pediu o registro para concorrer ao Senado. Ele é suspeito de envolvimento no esquema do mensalão do PT. Outro político que teve a candidatura contestada foi o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR). Ele foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico nas eleições de 2008, junto com sua mulher, Rosinha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Turma do “mensalão” voltaria ao poder com Dilma, acusa Indio

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Candidato à vice-presidência, Antonio Pedro de Siqueira Indio da Costa é coordenador da campanha de Serra no Rio de Janeiro e “peça-chave” na mobilização da juventude
Foto: Renato Araújo/Agência Brasil

Marcela Rocha

“As pessoas ainda não se ligaram que, em janeiro, Lula volta pra casa, mas a turma do mensalão do PT continua encostada no governo se Dilma for eleita. Lula tem controle sobre o PT. Mais ninguém o tem. Quando você governa, a caneta é sua. O poder é solitário (…) Uma coisa é ser marionete na campanha eleitoral, outra coisa é ser marionete à frente do governo. Não dá.”.

Em entrevista ao Terra, o candidato da oposição à vice-presidência, Indio da Costa, revela que teria desistido da carreira política se não tivesse se envolvido na aprovação do projeto Ficha Limpa no Congresso. Fala sobre sua trajetória política, suas atribuições na campanha presidencial de José Serra (PSDB) e garante que pretende “utilizar profundamente” o exemplo deixado pelo senador Marco Maciel (DEM), vice de FHC entre 1995 e 2002. “A sociedade tem a máxima tranquilidade e segurança de que ao eleger o Serra, ela o elege duplamente, como presidente e como vice”, destaca.

Formado em direito, o carioca atribui as acusações contra ele sobre fraude na merenda escolar à “quebra de um cartel”. Não poupa críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusa “falta de conteúdo” na candidatura de Dilma Rousseff (PT). “Ela (Dilma) está submetida à lógica do PT e quem está coordenando a campanha dela é a turma toda do mensalão (…) que saiu do governo – e porque saiu, Lula foi reeleito -, mas que agora volta debaixo do pano”, dispara.

Indio foi escolhido vice após conturbadas negociações entre os aliados PSDB e DEM. Após repassarem uma série de possibilidades, a cúpula tucana – e o próprio Serra – apresentaram aos aliados o nome do senador paranaense Alvaro Dias, que também ajudaria a resolver querelas regionais. A escolha de Dias – sem negociação prévia com os aliados – provocou indisposição entre as siglas da coligação oposicionista, e o DEM reivindicou a vaga de vice.

Numa conversa interrompida mais de uma vez por sua filha Sofia, de seis anos, Indio revela que a menina estará presente em algumas reuniões de campanha. Sofia mora em Madri com a mãe Olivia e visita o pai a cada dois meses. “Fico alucinado de saudades”, diz. Pontual, “sempre que pode”, o candidato se diz admirador do filme Perfume de Mulher. Aventureiro, praticava asa-delta – “quando eu era jovem”, diz. No momento, o que embala suas caminhadas é o sucesso do axé baiano, Alexandre Peixe e banda. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra – A oposição tem feito um embate de currículos entre Serra e Dilma. O histórico do senhor é o bastante para acompanhar Serra?
Indio da Costa –
Temos similaridades. Serra começou muito cedo e eu também. Comecei na política com 22 anos de idade. Quando eu chegar à idade dele, terei o mesmo tempo de política que ele tem. Ambos defendemos um bom desempenho no serviço público e a meritocracia. Já ganhamos várias eleições. Eu já ganhei quatro e ele já ganhou várias ao longo da vida dele. Ou seja, temos experiência eleitoral. Outra similaridade é que nós dois damos muita importância às políticas públicas e nos preocupamos em como resolver problemas de maneira concreta. O que é importante nisso é que tanto Serra quanto eu temos essa visão de um serviço público em que se pode gastar menos internamente e produzir mais para fora. E mais, você pode fazer isso prestigiando os servidores.

Terra – O PT também reivindica a “paternidade” do projeto Ficha Limpa e diz que o acordo só foi alcançado depois que o petista José Eduardo Cardozo assumiu a relatoria. Como o senhor lida com isso, tendo em vista que é uma bandeira que valora a sua candidatura de vice?
Indio da Costa –
Eu lido muito bem. Em primeiro lugar quem indicou Cardozo fui eu. Fiz isso publicamente ao lado de Michel Temer numa entrevista coletiva. Foi uma forma de comprometer o PT. O governo, na Câmara, era contra. O líder do PT era contra. O PT, através do PMDB e de outros partidos aliados, fez de tudo para bloquear o Ficha Limpa. Fiz o que era possível para aprovar o projeto. Conversei com todos os setores, não só na Câmara, mas no Senado também. Fui ao STF também falar com ministros e com pessoas do TSE para saber a opinião deles sobre o texto que estava posto.

Terra – Por que o senhor indicou Cardozo?
Indio da Costa –
Ele é um deputado sério, que estava desistindo de se candidatar novamente por entender que a política não estava caminhando bem. Tive uma conversa com ele na mesma direção em dezembro do ano passado, sobre minha vida política. Eu estava cansado de ver um Congresso como aquele e estava pensando seriamente em não me candidatar a deputado. No fim, ele me convenceu a cumprir mais um mandato. Confesso que eu estava muito balançado e com o Ficha Limpa acabei me animando novamente. Se eu não tivesse conseguido aprovar o Ficha Limpa, a probabilidade de eu não me candidatar a deputado seria muito grande. Quando chegou fevereiro, sabendo da seriedade dele e que está na coordenação da campanha de Dilma, eu disse a Temer que seria bom que o PMDB ou o PT assumissem a relatoria para trazer a base do governo.

Terra – Foi tático?
Indio da Costa –
Isso foi pensado com as lideranças do meu partido. Paulo Bornhausen sentou comigo e disse que teríamos que colocar o PT ou PMDB na relatoria para que o projeto fosse aprovado. Até então, as lideranças eram contra. Basta ver as declarações deles, de Vaccarezza e de Genoíno, que subiu várias vezes ao plenário para falar que era contra. Propusemos José Eduardo Cardozo, porque supomos que Dilma não poderia ficar viajando o País todo e sendo criticada por ser contra o Ficha Limpa.

Terra – Qual é o perfil ideal de um vice-presidente?
Indio da Costa –
Um vice é a pessoa que vai contribuir para que o programa do presidente seja levado adiante. Diferente de outras candidaturas, a nossa tem muito conteúdo. A gente sabe exatamente por que quer chegar lá. Essa sinergia, não só entre o presidente e seu vice, deve existir entre os dois e a sociedade. Estamos propondo ideias e projetos. O papel do vice é fazer com que a sociedade tenha a máxima tranquilidade e segurança de que ao eleger o Serra, ela o elege duplamente, como presidente e como vice. Vou sempre dar minha contribuição e sugestões, mas dentro do programa que está sendo proposto.

Terra – Como o senhor avalia o trabalho realizado por José Alencar?
Indio da Costa –
Não tenho críticas a José Alencar. Ele é um vice que busca fazer bem o seu trabalho.

Terra – E Marco Maciel?
Indio da Costa –
Marco Maciel é um exemplo em todos os sentidos. Ele e Alencar são figuras diferentes. Alencar é um empresário. Marco tem uma trajetória dentro da política nacional. É uma pessoa muito séria, muito correta. Politicamente honesto e do ponto de vista intelectual também. Eu pretendo muito seguir essa linha dele. Sempre que eu tiver uma sugestão a fazer, isso será articulado com o presidente, porque ele é que é o presidente. Vou utilizar profundamente a experiência de Marco Maciel, no caso de a nossa eleição ser bem-sucedida.

Terra – Quando o senhor conheceu Serra?
Indio da Costa –
Já estive tantas vezes com Serra que não consigo precisar uma data. Serra já era parte integrante da minha vida. Ao longo de dúvidas que tive, consultei, mandei textos, não tenho uma memória de exatamente quando.

Terra – Algumas pessoas falaram que não se conheciam…
Indio da Costa –
Não, não, não. Já trocávamos, há muito tempo, informações de um lado para o outro.

Terra – Lideranças da oposição olhavam para um acordo Serra-Aécio como a melhor saída. Além disso, a escolha do núcleo de campanha e do próprio Serra, segundo ele mesmo já afirmou, era por Alvaro Dias. O senhor não teme que sua candidatura seja vista como uma solução para acordos políticos que fracassaram?
Indio da Costa –
Não posso me preocupar com o que os outros vão achar. Essa é uma dupla que tem muito a fazer pelo Brasil. Eu ouvi por muitos anos, desde que eu nasci, que a presidência da República é destino. E hoje em dia, entendo que a vice também é. Não se constrói uma presidência, ou vice, sozinho. Isso tudo é um processo que depende de conjuntura, de momento, de oportunidade, de muitas coisas no meio do caminho. O que é importante neste momento é a nossa empatia e o nosso desejo de trabalharmos juntos pelo Brasil. Esse assunto está enterrado e muito bem resolvido. Eu me dou muito bem com as pessoas envolvidas nesse processo e ajudei o tempo todo no que me foi consultado a respeito de vice A ou B, ou candidatura A ou B.

Terra – O senhor chegou a conversar com Alvaro Dias depois da sua indicação?
Indio da Costa –
Dei um abraço nele porque o respeito muito. Ele sabe que, em nenhum momento, eu articulei para um lado ou outro. Temos em comum nossa luta contra esse modelo que Dilma pretende continuar representando. As pessoas ainda não se ligaram que, em janeiro, Lula volta pra casa, mas a turma do mensalão do PT continua encostada no governo se Dilma for eleita. Lula tem controle sobre o PT. Mais ninguém o tem. Quando você governa, a caneta é sua. O poder é solitário. As decisões são tomadas depois de escutar um grupo de pessoas que você respeita, mas o ônus e o bônus são sempre individuais, do ponto de vista político. No começo, Dilma vai ter que consultar Lula. Mas depois, pressionada, ela terá que ter independência. Uma coisa é ser marionete na campanha eleitoral, outra coisa é ser marionete à frente do governo. Não dá. Por que Dilma não debate? Até hoje, ela não foi a um debate.

Terra – Seu primeiro discurso já como vice, foi em Brasília, na convenção do seu partido, em 30 de junho. O tom já era mais agressivo do que o próprio candidato costumava adotar. Isto será mantido?
Indio da Costa –
O Lula é o Lula. O serviço que o governo presta é outra coisa. A minha preocupação não é com Lula. Ele está se aposentando compulsoriamente agora. Dilma poderá melhorar os serviços que precisam ser melhorados? Vai diminuir as filas em hospitais? Vai fazer com que os remédios cheguem às pontas? Vai desenvolver as regiões metropolitanas? A região metropolitana terá vez no governo Serra. Ele se preocupa com isso, eu também. Esta região é onde se concentra boa parte dos problemas do Brasil, nessa junção de aglomeração de pessoas com a falta de uma política pública que pense nisso tudo. Cada um trata do seu, o Estado tratando de tudo e o governo federal tratando das questões internacionais e econômicas. Parece que os serviços oferecidos pelo governo não têm esses mesmos índices de aprovação.

Terra – Qual estratégia de comunicação que a oposição tem que adotar em um contexto político que dá ampla aprovação ao governo do partido adversário?
Indio da Costa –
Eu não estou disputando eleição com Lula, mas com Dilma. Vamos deixar isto muito claro ao longo desse processo. Ela está submetida à lógica do PT e quem está coordenando a campanha dela é a turma toda do mensalão: José Dirceu, Marco Aurélio Garcia, que fez o programa dela, Palocci… Uma turma que saiu do governo – e porque saiu, Lula foi reeleito -, mas que agora volta debaixo do pano, articulando a candidatura de Dilma.

Terra – Tendo em vista que Cesar Maia não saiu muito bem avaliado da prefeitura do Rio de Janeiro, como o senhor mantém o apadrinhamento político dele e sem comprometer os votos da capital?
Indio da Costa –
Não há apadrinhamento político. A questão é simples: ele será um grande senador e está hoje colado no candidato ao Senado mais votado. Vou votar nele. Mesmo as pessoas que fizeram críticas a ele vão acabar votando nele. A minha entrada na vice só integra os setores, não separa.

Terra – Como é que o senhor responde às acusações de fraude na merenda escolar no Rio de Janeiro?
Indio da Costa –
Foi a maior economia na história da compra de merendas. Eu consegui quebrar um cartel. O Tribunal de Contas, o Ministério Público e a Procuradoria e Controladoria do município do Rio reconheceram isso com clareza.

Terra – O senhor chegou a apresentar restrições ao pré-sal. O senhor ainda as tem?
Indio da Costa –
Minha restrição é simples. Acredito que não se pode extrair petróleo sem recompensar economicamente o mal que isto causa à humanidade. Quando o pré-sal for extraído a gente tem que utilizar todos os recursos necessários, inclusive os provenientes do próprio petróleo, para fazer compensação ambiental da extração desse petróleo.

Terra – O senhor ainda defende um plebiscito sobre pena de morte, como fez enquanto deputado?
Indio da Costa –
Não, eu não defendo e não sou favorável. Isso foi no calor de uma discussão com o deputado Paulo Maluf, que defendia isso.

Terra – É sabido que Serra enfrenta certa resistência no mercado financeiro depois das declarações dele sobre o BC, que foram minimizadas com uma entrevista às páginas amarelas da Veja. Mas, segundo consultorias do setor, a resistência ainda existe. Sabendo da ligação da família do senhor com bancos, pretende buscar apoio nesse setor?
Indio da Costa –
Uma coisa é a relação familiar, as questões políticas, cada um defende aquilo em que acredita. O meu mercado é político, o mercado da minha família é financeiro, são questões separadas. Mas eu vou buscar apoio político em todos os setores que eu puder. Só não onde tiver algum setor que confronte com a visão de governo. Eleição não é exclusão.

Terra – Na declaração de bens do senhor tinha um ultraleve e um barco. Em que ocasiões o senhor usa?
Indio da Costa –
O ultraleve é para chegar a pontos diferentes do Rio. Isso me facilita o trabalho. Quando eu era jovem, 13 ou 14 anos de idade, eu voava de asa delta. Mais velho, comecei a utilizar ultraleve para correr o Estado. É uma maneira mais rápida e barata de viajar ao interior.

Terra – Vou fazer perguntas mais curtas para o senhor me dar respostas mais diretas. O que o senhor acha do MST?
Indio da Costa –
Não pode ser tratado da maneira que está sendo. Sou absolutamente contra invasão de terras.

Terra – O que o senhor pensa sobre o aborto?
Indio da Costa –
Sou contra o aborto.

Terra – E a descriminalização das drogas?
Indio da Costa –
Sou contra a descriminalização. O uso da droga financia a compra de armas. Os tráficos de droga e de arma têm uma ligação muito próxima. Descriminalizar é muito bonito no discurso, mas não na prática.

Terra – O senhor é favorável à redução da maioridade penal?
Indio da Costa –
Sou. Dependendo do potencial ofensivo do crime, não importa se ele tem 15 anos ou 35. Sou também a favor de que o sistema penal recupere as pessoas, não trate as pessoas feito animais, fazendo com que saiam com mais raiva e agressividade do que quando entraram lá.

Terra – Qual é a base política da chapa Serra-Indio?
Indio da Costa –
Saúde, que vai mal, Educação, que não prepara os jovens para o mercado de trabalho, e Segurança, que deixa a todos inseguros e vulneráveis. Depende da área do País. No interior do Rio, educação, oportunidade e saúde são mais importantes do que segurança pública… Varia… Não que segurança pública não seja um problema, mas as outras coisas estão tão fracas que se tornam prioridades na região. Já na capital, a ordem se inverte.

Terra – Se uma das atribuições do senhor é trazer essas discussões para os jovens, como fará isso?
Indio da Costa –
Os jovens não tinham instrumentos de participação. Esse modelo antigo de diretórios partidários, dessas conversas intermináveis e não saber como apresentar sugestões a alguém que tem o poder de colocar em prática, acabou desmobilizando os jovens. Estamos usando a tecnologia, redes, para estimular a participação política. O Ficha Limpa trouxe os jovens para o debate político de uma maneira objetiva, 4,2 milhões assinaram o abaixo assinado com a esperança de que se construísse uma regra para que se barrassem bandidos legalmente. É um erro dizer que a juventude está despolitizada.

Espanha conquista a Copa do Mundo pela 1ª vez, e garante a taça dourada tão cubiçada

O goleiro e capitão Casillas ergue a taça ao lado de seus companheiros (Foto: Reuters)

A Copa do Mundo é da Espanha. O dia 11 de julho de 2010 eternizou um novo campeão. Um merecido campeão. Depois de 64 jogos, 145 gols e um mês de bola rolando na África do Sul, a Espanha deixou todos para trás e fez história. Pode finalmente se gabar: é a melhor do mundo.

Neste domingo, a vitoriosa geração de Xavi, Casillas e Puyol colocou a Fúria na restrita galeria de campeões da Copa. Mas o passo final foi duro, suado. Os espanhóis sofreram com a violência e com a retranca da Holanda. Precisaram da prorrogação para vencer por 1 a 0 em um Soccer City abarrotado e diante dos olhos de Nelson Mandela, lenda viva da África do Sul.

O gol heroico foi de Iniesta, aos 11min do segundo tempo da prorrogação. O camisa 6 da Espanha levou todos à loucura quando recebeu o passe de Fábregas. Ele já tinha perdido uma chance e mostrado relutância em chutar. Mas no lance decisivo, não pensou duas vezes. Livre, dominou na área e fuzilou para o gol.

Como fez em todos seus jogos no mata-mata, a Espanha venceu “só” por 1 a 0. Mas esse gol não será esquecido tão cedo pelos espanhóis. Nem pelos holandeses. No final, os dois times caíram em lágrimas, mas só um pôde festejar.

O principal evento esportivo do planeta começou em marcha lenta, mas terminou acelerado. A Espanha acompanhou o ritmo. Perdeu para a Suíça na estreia e depois se achou. Passou por Honduras, Chile, Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda até chegar ao topo do futebol mundial. E no jogo mais importante de sua história fez o que um campeão precisa fazer: se impôs e impôs seu futebol.

Mas para isso a Espanha apanhou. E não foi pouco. Os holandeses miraram mais os adversários que a bola nas divididas. Xabi Alonso tomou um chute no peito de De Jong. Sneijder acertou o joelho de Pedro. Van Persie e Van Bommel também exageraram. Com os dois times marcando a saída de bola, ficou claro no primeiro tempo o estilo de cada um.

A Holanda recorreu aos chutões para frente. A Espanha tentou sair jogando, mas encontrou dificuldades diante da retranca laranja. A Holanda chegou a ter os 11 jogadores atrás da intermediária defensiva. A Espanha chegou a ter 63% de posse de bola e sempre esteve à frente nesse quesito.

Durante os 90 minutos do tempo normal e nos 30 da prorrogação, a Holanda teve medo de atacar. A seleção que já foi representada pelas gerações de Cruyff e Van Basten viu, neste domingo, uma maioria de brucutus. Os holandeses tomaram sete amarelos, um vermelho (após dois amarelos de Heitinga) e contribuíram para a final de Copa com maior número de cartões.

Já a fama da Espanha de amarelar em momentos decisivos ficou no passado. O presente da Fúria é vitorioso. Em 2008, a equipe faturou a Eurocopa. Depois se classificou com 100% de aproveitamento nas eliminatórias. Mas faltava algo. Faltava a Copa do Mundo. Não falta mais. O amarelo da gozação deu lugar ao vermelho da “La Roja”.

A Espanha conquistou seu título mais importante sem ter um craque. A equipe de Vicente Del Bosque não possui um fora de série, alguém que faça a diferença. O diferencial espanhol é o todo, o coletivo. As trocas de passes são velozes e parecem automáticas. O resultado é um futebol que envolve o adversário. Lances espetaculares são raros nesse time, mas o controle da partida é frequente.

A Espanha se tornou o oitavo país campeão do mundo e o sexto a passar pela prorrogação na final. E conseguiu o feito mais almejado por todas as seleções do planeta em uma Copa do Mundo histórica, a primeira em continente africano. Todos tiveram que se render ao talento da Espanha. Até o polvo Paul se rendeu. A Holanda não mereceu o título pela postura que teve na final. Conformou-se em ver a festa espanhola. 2010 é o ano da Roja, não da Laranja.

Alexandre Sinato, Bruno Freitas e Mauricio Stycer
Uol Notícias
Em Johanesburgo (África do Sul)

Invista na Copa do Mundo e se livre de impostos

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Emendas propostas ao projeto de isenção fiscal da Fifa ampliam a desoneração fiscal de quem se envolver no Mundial. Perda de impostos já soma R$ 1,2 bilhão

Emendas dos parlamentares visam ampliar ainda mais isenção fiscal de quem investir na Copa. Mesmo sem elas, perda em impostos já soma mais de R$ 1 bilhão

Mário Coelho

Terminada no domingo (11) a Copa da África do Sul com a vitória da Espanha, inicia-se o Mundial de Futebol de 2014, no Brasil. Por enquanto, longe do verde dos gramados, e perto do verde do tapete da Câmara dos Deputados. Com todos os lances, rasteiras e coteveladas típicos do jogo político. O projeto de isenção fiscal da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa), enviado para a Câmara em 31 de maio, deve levar o governo a se meter em uma nova briga. Após a bola dividida entre as pastas do Esporte e da Fazenda, agora será a vez do Palácio do Planalto discutir com o Congresso. Isso porque, se depender dos parlamentares, a área econômica do governo, que já chiava com as desonerações já prometidas, terá de engolir novas isenções. Até o momento, a matéria ganhou cinco emendas, todas tentando aumentar ainda mais o perdão fiscal para quem investir na Copa. Se as emendas forem aprovadas, o governo se verá diante de novas renúncias fiscais. Apenas com a desoneração para a Fifa, a perda de impostos já está hoje avaliada em R$ 1,2 bilhão.

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Zero de impostos para Fifa na Copa de 2014

O caminho da isenção fiscal está concentrado entre os artigos 21 e 25 da proposta elaborada pelo Executivo. O capítulo cinco prevê a criação do Regime Especial de Tributação Para Construção, Ampliação, Reforma ou Modernização de Estádios De Futebol (Recom). A intenção do governo é conceder incentivos fiscais para os projetos de arenas esportivas que vão sediar os jogos da Copa. Somente para isso, o governo vai deixar de arrecadar aproximadamente R$ 340 milhões.

Pelos cálculos da Receita Federal, a União perderá algo na faixa de R$ 900 milhões com a isenção total da Fifa e a instalação do Recom. Além disso, outros R$ 300 milhões deixarão de ser arrecadados pelos municípios com a renúncia do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Em compensação, a Receita espera que entrem nos cofres R$ 10 bilhões em arrecadação em outras áreas. Já houve uma mudança de cálculo, para menor. O número inicial era de R$ 16 bilhões.

Leia a íntegra do projeto do governo

Nenhum cálculo

O problema das emendas apresentadas até agora pelos parlamentares é que elas propõem novas isenções sem fazer qualquer tipo de cálculo sobre o rombo que vão representar. Isso confronta diretamente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no seu artigo 14, que prevê a necessidade dessa conta ser feita, além de medidas que compensem o rombo no orçamento.

Porém, especialistas com familiaridade no projeto consideram outro fato mais complicado e que merece muita discussão. Uma emenda do deputado José Rocha (PR-BA) altera o artigo 25, o que fecha o capítulo sobre o Recom. O parágrafo único, no texto mandado pelo governo, estabelece que os benefícios concedidos no regime criado para a Copa comecem em 1º de janeiro de 2011 e terminem em 30 de junho de 2014.

O parlamentar, que foi presidente do Esporte Clube Vitória (BA) e atualmente presidente do Conselho Deliberativo do time, retirou a data na qual o benefício começa, deixando apenas o encerramento do Recom no texto. Além disso, coloca que os tributos pagos antes da publicação da lei podem ser rembolsados. Ou seja, pela emenda do parlamentar baiano, o Recom vai retroagir na isenção fiscal das obras nos estádios. Consultores ouvidos pelo site apontam que, com a redação proposta, a renúncia seria impossível de calcular.

Na justificativa da emenda, Rocha afirmou que “a restrição temporal imposta ao início do gozo dos benefícios fiscais não se justifica, na medida em que ocasionará atraso na conclusão das obras”. O site não conseguiu localizar o deputado. No texto protocolado, ele diz que as “alterações sugeridas vêm a restituir o beneficiário pelos impostos recolhidos
nas aquisições/serviços realizadas antes da vigência desta Lei”.

Veja a íntegra da proposta de José Rocha

Para o presidente da Subcomissão de Fiscalização da Copa de 2014, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), a proposta é polêmica. E vai exigir uma mobilização do Parlamento, em especial da oposição, para que a renúncia fiscal dada para o Brasil realizar a Copa não aumente ainda mais dos R$ 1,2 bilhões previstos. “Nós vamos fiscalizar”, garantiu.

Valores

“Nós só saberemos qual o impacto depois que as cidades subsedes forem definidas e os projetos apresentados”, disse o deputado Marco Maia (PT-RS) ao Congresso em Foco, que apresentou uma das emendas na Comissão. Ele pretende que o Recom não se restrinja apenas aos investimentos nos estádios utilizados na Copa. Quer também isenção para quem construir, reformar ou modernizar bases de treinamento para as seleções. Somente no Rio Grande do Sul, pelo menos quatro cidades postulam a posição.

Para ele, a emenda deve ser aprovada para corrigir uma falha original do projeto. “Queremos dar isonomia a todos”, completou. O parlamentar gaúcho, que tem como base de atuação Canoas – uma das postulantes a ser subsede –, deixou o artigo 21 com um parágrafo a mais.

A emenda de Marco Maia estende o mesmo benefício dado aos governos e clubes nas sedes às subsedes. Mas a euforia de desoneração pode ir alam. Outra emenda de José Rocha prevê que, além das arenas esportivas, também tenham isenção as obras que foram feitas nas estruturas adjacentes aos complexos esportivos, englobando “demolições e outras obras necessárias ao cumprimento das exigências da Fifa, tais como estacionamentos, centros de imprensa e áreas de convivência para atendimento e conforto do público”.

As emendas foram apresentadas na semana passada na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, onde o Projeto de Lei 7422/10 será analisado inicialmente. O relator, deputado Carlos Eduardo Cadoca (PSC-PE), ainda não estudou as propostas. A intenção dele é estabelecer nesta semana um calendário de trabalho, já que, por se tratar de matéria de isenção fiscal, ela tem que ser aprovada até setembro.

Marco legal

Terminada a Copa do Mundo de Futebol na África do Sul, governo, parlamentares e entidades do esporte começam a se preocupar unicamente com a organização do evento no país em 2014. Uma das várias exigências que a Fifa faz ao país sede é que todo um marco legal, especialmente nas áreas tributária e de propriedade intelectual, estejam aprovadas antes dos cartolas se instalarem no Brasil.

De acordo com o Ministério do Esporte, o projeto foi elaborado para abranger três das 11 garantias governamentais exigidas pela Fifa como condição inicial para a candidatura do país. São elas: sobre tarifas alfandegárias e impostos de importação, isenções fiscais gerais, procedimentos relativos à imigração, alfândega e check-in. Além disso, o governo mandou também uma proposta que trata da isenção do ISS, que é de competência dos municípios e do Distrito Federal, e um decreto estabelecendo a proteção da propriedade intelectual e dos direitos comerciais da entidade.

Ao site, Marco Maia disse que será necessário um esforço grande para aprovar as medidas  que tratam da Copa até setembro. Isso porque o envolvimento dos parlamentares com as campanhas eleitorais certamente diminuirá muito o quorum das sessões no segundo semestre. Segundo ele, a demora na aprovação já preocupa o ministro do Esporte, Orlando Silva. Por isso, o governo já estuda pedir a urgência nos projetos de lei, levando a tramitação apenas para o plenário da Câmara, não passando pelas comissões.

Silvio Torres, que foi relator da CPI da CBF/Nike, que investigou o futebol brasileiro e seus cartolas em 2001, não acredita que o governo consiga votar o projeto de isenção e as outras matérias nesse período. “Não vejo essa possibilidade. Numa pauta de esforço concentrado, não entram matérias polêmicas”, afirmou.

Otto Alencar (PP) diz que César agiu de má-fé no atual contexto, e tamém reflete as suas razões por conta de seu atual posiconamento no processo político na Bahia.

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“César agiu de má-fé comigo apenas para servir aos interesses de Geddel”

Osvaldo Lyra – Editor de Política

Depois de cinco anos e meio afastado da atividade política, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Otto Alencar (PP), retorna com fôlego para a velha arte e com o desafio de enfrentar novamente uma campanha a sucessão estadual, ocupando a vaga de vice na chapa do governador Jaques Wagner (PT). Com o legado do carlismo nas costas, Otto garante que tem se sentido à vontade na nova casa, o Partido dos Trabalhadores, outrora adversário. Nessa entrevista à Tribuna da Bahia, ele fala sobre o porquê da volta, as expectativas para a campanha, os aprendizados obtidos na legenda que o abrigava, o que pesou estar ao lado do atual governador e as recentes divergências com o senador César Borges (PR). Natural de Ruy Barbosa, o médico Otto Roberto Mendonça de Alencar, de 62 anos, classifica como desonesta as comparações com os três anos do governo Wagner com as gestões anteriores. “Três anos e meio é um tempo curto demais para resolver o problema da segurança pública. Não venha me dizer que todos esses meliantes foram criados no atual governo”.

Tribuna da Bahia – Sua trajetória política sempre foi ao lado do ex-senador Antonio Carlos Magalhães. A ida agora para o campo oposto, do PT, será absorvida pelo eleitorado na campanha?
Otto Alencar –
Os meus antigos aliados e amigos – aliás, sempre digo que na política fiz amigos – foram consultados antes de eu tomar essa decisão e todos concordaram. O certo é que eu encerrei minha participação no carlismo em 2004. Quando eu decidi sobre isso, nesse período, um jornalista me perguntou por que eu estava saindo e eu respondi que havia concluído meu ciclo político. Portanto, encerrei minha participação política com Antonio Carlos ainda vivo e fui para o Tribunal de Contas dos Municípios, onde passei cinco anos e meio. Depois fui convidado a voltar à política pelo PP e pelo governador Jaques Wagner e resolvi aceitar esse desafio. Mas eu não tomei essa decisão sozinho. Ouvi deputados, prefeitos, vereadores e todos concordaram. Mesmo porque, depois do afastamento do senador Antonio Carlos, o carlismo se dividiu rapidamente. Imbassahy, que era do grupo, foi para o PSDB. César Borges saiu do DEM e foi para o PR. Ou seja, cada um tomou o seu caminho e eu, como era de esperar, também tomei o meu.

TB – O que pesou na hora da escolha pelo apoio a Wagner e ao PP?
Otto –
Pesaram os apelos feitos por várias lideranças para que eu retornasse à política, também o apelo do governador Wagner, do deputado federal Mário Negromonte e de amigos meus que militam no PP. Eu resolvi voltar à atividade política porque tenho gosto pela política. Aliás, tenho duas paixões em minha vida que são a medicina e a política. Portanto, resolvi atender ao meu desejo, à minha consciência, à minha vontade.

TB – Alguns setores da esquerda, sobretudo do PT, nunca esconderam a insatisfação com sua adesão à chapa do governador. Acha que de alguma maneira isso pode atrapalhar?
Otto –
Não. Além disso, não foi uma adesão. Recebi um convite do governador e do PT, inclusive, o presidente do partido, Jonas Paulo, veio até aqui me convidar, conversar comigo, como outras lideranças também me convidaram. Até agora eu não tive problemas com nenhum membro do PT. Todos me trataram muito bem. Às vezes quem está de fora pensa diferente dessas relações políticas que eu estou tendo agora com o Partido dos Trabalhadores, mas eu sempre tive boa relação com eles. Fui presidente da Assembleia Legislativa e tive ótima relação com todos os deputados do partido na época. Inclusive, quando fui presidente, fiz questão que um deles fizesse parte da Mesa Diretora. Lembro que o segundo secretário da Assembleia foi o atual prefeito de Vitória da Conquista, Guilherme Menezes, com quem eu tive uma ótima relação. Na política, quem avalia de fora uma aliança dessa natureza pode pensar que ela acontece por causa de favores e interesses pessoais, mas não foi isso que aconteceu, e, sim, o fato de haver uma integração. Se eu chegasse e fosse mal recebido, não iria. Nunca empurrei porta trancada, pois gosto de entrar no salão com a porta aberta e ser bem recebido pelos que me convidam.

TB – Houve algum tipo de convite do candidato do DEM, Paulo Souto, e ou do postulante do PMDB, Geddel Vieira Lima?
Otto –
Não tive nenhum convite de Paulo Souto nem de nenhum dos outros. Mesmo porque, depois que fui para o Tribunal de Contas e me afastei da política, houve um distanciamento muito grande, principalmente, dos integrantes do carlismo e do ex-grupo.

TB – O que citaria como aprendizado mais importante durante o período em que passou ao lado do senador ACM?
Otto –
Cito como aprendizado a experiência política e administrativa. Fui líder de governo no período em que Imbassahy foi governador interino, fui presidente da Assembleia, fui secretário de Saúde, fui vice-governador e conheci toda a Bahia. Talvez eu não precise consultar nenhum livro ou pegar qualquer informativo da política para saber quem é quem na política. Por exemplo, se pegarmos o roteiro do último município do Extremo Sul que é Veredas, para chegar a Abaré, para sair em Santa Rita de Cássia e chegar a Cachoeira – eu conheço tudo.  Tenho o mapa político da Bahia todo na minha cabeça, e isso talvez tenha sido o maior aprendizado. Além disso, o dia a dia da política vai ensinando tudo.

TB – O senhor e o senador César Borges já deixaram clara a rivalidade. Isso é uma coisa nova ou já existia, enquanto eram do mesmo grupo político?
Otto –
Não existe rivalidade, não é coisa antiga. Eu nunca tive nenhum problema político ou de relação pessoal com o senador César Borges. Tanto não tive que, quando ele estava pra vir para aliança com Wagner eu abri mão da primeira opção de ser senador para ser vice-governador. Portanto, quando fiz isso demonstrei que não tinha conflitos, nem guardo nenhum tipo de rancor ou ressentimento dele. Um outro exemplo ocorreu em 2002, quando eu fiz a sucessão e o senador Antonio Carlos me chamou até sua casa e me perguntou se eu queria fazer sucessão ou sair ao Senado, dizendo que César queria muito ser senador. Então eu disse para deixar ele ser. Nesse caso eu iria fazer a sucessão e ficar sem mandato. Nunca tive problemas com isso.  Recentemente o que aconteceu foi que, inesperadamente, depois que César fez aliança com o ex-ministro Geddel ele destituiu em Ruy Barbosa o diretório do PR e constituiu uma nova comissão provisória. Em seguida mandou entrar com um processo de dupla filiação contra mim e eu reagi, concluindo que isso tenha servido de instrumento do deputado Geddel para me prejudicar. Foi só isso. No entanto, ressalto que ele agiu de má-fé comigo. Eu não esperava que depois de tanto tempo em que estivemos juntos ele fosse tomar uma atitude dessas apenas para servir aos interesses de Geddel, com o intuito de me atingir.

TB – Sobre essa ação, existe algum fundamento ou ela pode ser considerada apenas uma perseguição por parte do senador César Borges?
Otto –
Trata-se de perseguição. Mesmo porque tanto na primeira instância, como no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o juiz entendeu que não existia substância jurídica que comprovasse que eu tivesse dupla filiação. Há algo até interessante nisso tudo porque todas as listas do PR encaminhadas por César Borges e assinadas por ele, nenhuma delas constava o meu nome. Portanto, ele sabia que eu não era filiado. Houve apenas o meu pedido de desfiliação que foi encaminhado ao cartório de Ruy Barbosa na época, mas o cartório não deu baixa. Porém, destaco que está registrado no Estatuto do próprio PR, ou seja, na assessoria jurídica do partido está escrito que, quando qualquer membro da legenda for indicado para o Tribunal de Contas, ele está automaticamente desligado. Então só fizeram isso para tirar a minha paz. Agora, não há nada na vida, nem pressão, calúnia e/ou difamação, que tire minha coragem. Não temo pressões, nem perseguições. Morro de vontade de ser apresentado ao medo.

TB – Qual sua análise sobre a candidatura de Paulo Souto? Ele tem condições de chegar ao segundo turno?
Otto –
Eu não gosto de analisar a situação das outras chapas adversárias. Não quero opinar sobre isso.

TB – A campanha de Geddel se robusteceu. Muitos dizem, inclusive, que ela começou a ser gestada dentro do próprio governo. O senhor acredita que ela chega a ser alguma ameaça?
Otto –
Até agora não vejo ameaças. Pelo menos as pesquisas que eu vi mostram que existe uma estagnação. Mas a campanha está começando agora. Portanto, eu não posso opinar. Vale ressaltar que acredito muito é na vitória do governador Wagner no primeiro turno. Estou falando porque conheço o mapa político da Bahia.

TB – O senhor tinha um poder de articulação muito grande no interior do Estado. Após quase seis anos longe da política, será possível recuperar esse capital político?
Otto –
Até pensei que quando eu voltasse à política não teria tantos seguidores, mas me surpreendi. Houve uma grande aceitação, acima daquilo que eu esperava. Como eu falei desde o início, fiz muitos amigos na política. Foram amizades sinceras e verdadeiras, que eu prezei e com humildade continuei dando atenção. Dificilmente esses amigos que fiz no interior me telefonam e eu não os atendo ou retorne a ligação.  Eu sou do interior, de Ruy Barbosa, e tenho um costume enorme de ser acessível às pessoas e são nessas relações que tenho confiado.

TB – Qual será o maior trunfo a ser apresentado pelo governador Jaques Wagner nesta eleição?
Otto –
Ao contrário do que muitos da oposição ao governador falam, o governo tem feito muitas realizações. Antes eu não sabia o que estava sendo executado no Estado. Depois que saí com a comitiva de Wagner – já fomos a mais de 60 municípios – eu vi inaugurações de obras, vi o governador dando ordens de serviço ou obras em andamento. Portanto, existe um acervo de realizações muito grande na Bahia atualmente. Posso citar como um marco do governo atual a construção do Gasene (Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste). Através dele, foi aberto um novo ciclo de desenvolvimento para a região Sul do estado. Aqui na capital teremos o Hospital do Subúrbio, que vai resgatar o atendimento do outro lado da cidade. A Via Expressa, na Rótula do Abacaxi, é outra grande realização. No interior, melhorou o acesso às estradas, principalmente, para as sedes municipais. No setor de recuperação de estradas ele está muito bem, embora se tenha na Bahia 576 mil quilômetros quadrados, coisa que não se faz em apenas três anos e meio. Temos o programa Luz Para Todos, distribuindo pontos de energia para milhares de localidades do Estado, e o programa Água Para Todos. Além disso, tivemos a atração de indústrias, a ampliação da Ford e da Veracel, que também devem ser citadas como grandes avanços do governo Wagner.

TB – A oposição acusou o governo atual de ter tido dificuldades para engrenar e pegar o ritmo de gestão. Como o senhor avalia essa crítica, inclusive, relacionada à segurança pública?
Otto –
É preciso que sejam analisados os três anos e meio. O que ouço por aí é que querem comparar todo o tempo das gestões anteriores com os três anos do Wagner, e isso não é honesto. Vale destacar que o governador tem investido no problema da segurança com o aumento de contingentes, de equipamentos, viaturas. Porém, desde o ano de 2000 vem ocorrendo um aumento do índice da violência no Estado. Faz-se necessário lembrar que pelo menos todos os outros candidatos já tiveram oportunidade de trabalhar e ter responsabilidade com a segurança na Bahia. O próprio Afrísio Vieira Lima, pai de Geddel, foi responsável pela segurança no governo de Nilo Coelho. Essa é uma complexidade do mundo, de todo o Brasil, um problema das grandes metrópoles, que sofrem muito com a violência. Três anos e meio é um tempo curto para resolver. Não venha me dizer que esses meliantes todos foram criados no governo Wagner.

TB – O processo da sucessão presidencial deve influenciar no resultado das eleições estaduais?
Otto –
Totalmente não, mas parcialmente sim, influencia. Em 2002, quando eu fiz a sucessão, nós apoiamos no primeiro turno o candidato a Presidência Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar. No entanto, nós ganhamos aqui no primeiro turno, elegendo o governador e dois senadores. O eleitor vai para a eleição olhando todos os lados, ele tem sabedoria para votar. Este ano temos o governador Wagner que está em primeiro lugar e a candidata a presidente de seu partido, Dilma Rousseff, está empatada com Serra. Com tudo isso o que quero dizer é que o presidenciável José Serra, do PSDB, não deve puxar o candidato democrata aqui na Bahia.

TB – Qual será a participação de Otto Alencar num eventual governo Wagner?
Otto –
Quem vai determinar como será minha participação é o governador. Como vice-governador, claro que serei ouvido em algumas coisas, já estou sendo ouvido agora sobre questões relacionadas ao programa de governo e às ações políticas. Mas primeiro vem a eleição, depois verei como será minha participação.

TB – E como está a saúde? Pronto para a campanha?
Otto –
A minha maior vitória este ano foi a recuperação da minha saúde. Passar pelo que passei e estar em forma, trabalhando, me cuidando, fazendo ginástica, é uma vitória. Passei por momentos difíceis, enfrentei um câncer e um problema cardíaco, mas me recuperei. Estou retornando bem, me sentindo um garoto.

Colaborou: Lílian Machado

Lula e Alencar assistem à final da Copa em hospital em São Paulo

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Ricardo Stuckert/Presidência

Lula e Alencar conversam no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma visita de meia hora ao vice-presidente José Alencar no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ontem. Ele chegou às 17h35 e saiu às 18h05 de helicóptero. Lula não falou com a imprensa. Segundo o médico Roberto Kalil Filho, que coordena a equipe médica que cuida do vice-presidente, Lula viu o final do jogo em que a Espanha se sagrou campeã da Copa do Mundo com Alencar, e os dois conversaram sobre a partida. “Eles bateram papo e viram o jogo. Ficaram conversando sobre o jogo”, diz Kalil. O médico afirmou que o estado de saúde do vice-presidente é estável. “Ele está tranquilo, conversando”, diz o médico. Alencar deve ter alta da UTI entre segunda e terça-feira e deve sair do hospital entre quarta e quinta-feira, de acordo com Kalil. (G1)

O vice-presidente da República José Alencar pediu leitão à pururuca após fazer um cateterismo na manhã deste domingo (11) no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

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De acordo com o senador Romeu Tuma (PTB), que o visitou, Alencar se recupera bem após a cirurgia em que ele trocou o stent para impedir o estreitamento de uma veia do coração.

– Ele está psicologicamente muito bem. Ele estava emocionado com o resultado porque ele quer voltar a trabalhar, produzir.

Segundo senador, o primeiro pedido feito por Alencar após a cirurgia foi leitão. Tuma afirmou que o vice-presidente deve ficar internado mais três ou quatro dias.

– A sineangiocoronariografia [cateterismo], onde foi detectada a destruição grave da artéria decendente anterior, foi executada com sucesso. Ele vai continuar internado esperando receber alta.

Na última quarta-feira (7), Alencar foi internado com uma isquemia no coração. A isquemia ocorre quando um órgão ou tecido deixa de ser irrigado adequadamente pela corrente sanguínea.

Alencar luta contra um câncer na região abdominal há mais de uma década, e foi ao hospital durante a semana para fazer uma nova sessão de quimioterapia. Os médicos decidiram interná-lo, porém, devido a uma crise hipertensiva. De acordo com a assessoria política do vice-presidente, sua pressão arterial atingiu um pico de 18 por 10.

O paciente é acompanhado pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff e Paulo Ayroza Galvão.

Também neste domingo, Alencar deve receber a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retornou ao Brasil após um giro por seis países africanos. O Palácio do Planalto não divulgou o horário do encontro.

Antes de embarcar para a volta ao Brasil, ainda na África do Sul – última etapa de sua viagem -, Lula disse que estava preocupado com o estado clínico de Alencar.

Luta contra o câncer

No fim de maio, Alencar já havia sido internado após apresentar um quadro congestivo pulmonar (popularmente conhecido como água no pulmão), decorrente das sessões de quimioterapia.

O vice-presidente já passou por diversas cirurgias para combater tumores no rim, na próstata e no abdome, além de se submeter a um tratamento experimental fora do país.

Em abril passado, ele anunciou que não irá disputar nenhum cargo nas eleições do mês de outubro e admitiu que a luta contra o câncer influenciou sua decisão.

informações do A Tarde e Correio.

Carga tributária deve bater recorde de 34,7% do PIB

A carga tributária brasileira voltou a subir e deverá bater o recorde de 2008, depois de ter recuado no ano passado. Em 2010, a soma de todos impostos, taxas e contribuições pagos pelas empresas e cidadãos aos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) deverá representar 34,7% do Produto Interno Bruto (PIB), com alta de um ponto porcentual em relação a 2009 (33,7%). Em 2008, a carga foi de 34,4%. As informações são de um estudo do consultor na área fiscal Amir Khair. (Agência Estado)