A Gente diz

Mortes por dengue dobram no Brasil

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As mortes por dengue no Brasil dobraram em relação a 2009. Até 1.º de maio foram confirmados 321 casos fatais, 94,5% a mais que o registrado no mesmo período do ano passado (165). Somente em São Paulo, 99 pessoas morreram por causa da doença. Os números dos primeiros quatro meses de 2010 superam os da epidemia de 2002, quando foram contabilizadas 152 mortes ao longo de 12 meses. Leia mais no Estadão

BRUNO VAI ALEGAR QUE FOI VÍTIMA DE “ARMAÇÃO”

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A defesa do goleiro Bruno Fernandes, 25, acusado de ter assassinado Eliza Samudio, 25, sua ex-amante, tentará demonstrar à Justiça que o jogador é vítima de uma vingança por parte de Sérgio Rosa Sales, 22, conhecido como Camelo e seu primo, também preso pelo desaparecimento de Eliza. Advogados de Bruno têm se reunido com parentes do atleta e de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, para descobrir o que motivou Sales a dizer à polícia que o goleiro teve participação direta no crime e teria visto a ex-amante ser morta. Os advogados de Bruno acreditam que Sales quis se vingar do goleiro porque foi substituído da condição de braço direito na administração da vida do atleta. O que a defesa tentará comprovar à Justiça é que Sales desviou dinheiro de Bruno e, como forma de punição, foi trocado por Macarrão, considerado por parentes e amigos do atleta como dono de um grande sentimento de ciúmes e consideração por parte do jogador.

POLÍCIA PRENDE PARTE DA QUADRILHA do esquema que burlava a fiscalização e a cobrança de impostos nas estradas baianas

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Foto: Ascom/ SSP

A Operação Carcará prendeu na madrugada desta quarta-feira (14) 24 pessoas por participação em um esquema que burlava a fiscalização e a cobrança de impostos nas estradas baianas. Os capturados são 13 empresários, nove policiais, um agente de tributos e um contador. A missão policial foi iniciada em Salvador, Irará, Itabuna, Conceição do Jacuípe, Vitória da Conquista, Salvador e Alagoinhas. De acordo com o Ministério Público, os presos são ligados a uma organização criminosa que atua a burlar arrecadações de tributos em postos da Secretaria da Fazenda do Estado. Os presos: Em Salvador, a operação desarticulou Igor Ferreira Cruz, Mário Sérgio Ferreira, Clivio Pimentel, Waldir Vaz (empresários) e Círio Machado (contador); em Vitória da Conquista, Cácia Maria Macedo (agente de tributos), Jorge Ferreira Almeida, Marco Alan Meireles, Edilson Ferreira, Jammes Dean Santana, Isaac Pereira Dias e Breno Macedo (empresários); em Feira de Santana, José Carneiro de Oliveira; Alagoinhas, Luiz Edson Bastos; e Itabuna, Doaldo Marques dos Anjos (ambos donos de empresas).

Adolescente morre após ser espancado em cela do Disep – Vitória da Conquista-Ba



O menor era da cidade de Brumado e estava em Conquista há 2 meses

Faleceu na ultima quinta feira (1º) no HGVC (Hospital Geral de Vitória da Conquista), o menor de iniciais C.G.S,15 anos,ele estava apreendido no DISEP (Distrito Integrado de Segurança Pública) e teria sido espancado por outros menores.

Ao receber esta informação entramos em contato com o presidente do Conselho Penal,Marcos Rocha que ainda sem dados concretos sobre o caso nos informou apenas que o adolescente chegou a cumprir pena na unidade “Na Varanda”,entidade onde menores que cometeram algum ato infracional, cumprem pena em regime de semi-liberdade.

Em contato com a direção da unidade tomamos conhecimento de que o adolescente era da cidade de Brumado e veio para Conquista no dia 22 de abril deste ano ficando apenas 30 dias na unidade. Após uma agressão cometida contra um educador, o menor foi encaminhado ao DISEP e o incidente comunicado ao juiz da Vara da Infância e Juventude.Membros da Corregedoria da Policia Civil está em Vitória da Conquista investigando o crime.

Nildo Freitas.com

Proposta tenta acabar com palmadas e beliscões


Projeto do governo prevê alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente, que faz 20 anos

Catarina Alencastro

O governo envia hoje ao Congresso projeto de lei que pretende acabar com as punições físicas de pais e educadores contra crianças e adolescentes. O texto faz algumas alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente, que completa 20 anos.

A lei já aborda a questão dos maus-tratos, mas de forma genérica, sem explicar o que pode ser definido como tal. Para a Secretaria de Direitos Humanos, que participou da elaboração do projeto, é preciso mudar a cultura de que palmadas e beliscões fazem parte da educação infantil.

— No Brasil, há o costume de bater em crianças, como há o costume de bater em mulheres — observou o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos.

Para ele, violência na infância gera adultos agressivos:

— Se uma pessoa é espancada ao ser educada sob pancada por alguém que geralmente é a pessoa mais amada por ela, essa criança acaba formando desde muito cedo a consciência de que é natural bater e de que bater e apanhar é do dia a dia. E com essa noção, o Brasil começa a entrar na rotina da violência.

O governo afirma que a intenção de tipificar na lei a proibição de castigos físicos não é criminalizar os pais, e sim evitar que tragédias como o caso Isabella Nardoni continuem acontecendo. Caso a lei seja aprovada, quem a infringir poderá receber penalidades como advertências, encaminhamentos a programas de proteção à família e orientação psicológica.

PRIMEIRA DOAÇÃO MÚLTIPLA DE ÓRGÃOS NO HGPV

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A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CHIDOTT) do Hospital Geral Prado Valadares em Jequié registrou a primeira doação de múltiplos órgãos, a qual beneficiará pessoas que aguardam com ansiedade na longa fila de espera por um transplante. O trabalho para a retirada dos rins, coração, fígado e córneas de um paciente de 26 anos, vítima de acidente de trânsito, durou 2h30min.

Equipe de transplantes e captação de órgãos do Hospital Geral de Conquista

O fechamento do diagnóstico de Morte Encefálica foi realizado por equipe médica especializada do HGPV.

De acordo com o enfermeiro coordenador da CIHDOTT do HGPV, Wagner Farias, a família demonstrou confiança na equipe do hospital e, apesar da dor, decidiu doar os órgãos.

“Depois de diagnosticada a morte cerebral do paciente, os familiares foram comunicados e, prontamente, autorizaram a doação”, conta a enfermeira Agnes Claudine, quem frisou que as estatísticas de doações de órgãos não são melhores devido à falta de informação e conscientização de boa parte da população sobre o assunto.

Uma equipe especializada da Central Estadual de Transplantes de Órgãos, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde da Bahia, se deslocou de Salvador em aeronave expressa para fazer a retirada dos órgãos.

A CIHDOTT do HGPV já fechou 6 diagnósticos de Morte Encefálica, 25 abordagens para doação de córneas, sendo 4 positivas, e 5 para múltiplos órgãos com uma positiva, o que nunca havia ocorrido no HGPV e na cidade de Jequié.

O diretor geral do HGPV, Gilmar Vasconcelos é um dos principais incentivadores da CHIDOTT, quem tem acreditado no trabalho da equipe. “Depois da implantação efetiva da CIHDOTT e do Serviço de Neurocirurgia é que o HGPV passou a diagnosticar Morte Encefálica, o que não era realizado anteriormente, também por falta de equipamento específico” disse Gilmar Vasconcelos.

“Os resultados positivos estão aparecendo graças ao empenho de todos e ao trabalho sério e ético de uma comissão intra-hospitalar atuante”, diz Vasconcelos. O diretor geral diz também que o sucesso desse trabalho pode ser mais expressivo com o apoio da imprensa jequieense, divulgando campanhas de sensibilização e as atividades realizadas pelo hospital nesta temática.

Os familiares do doador ainda bastante emocionados pela tragédia que se abateu sobre a sua família, um jovem de 26 anos, demonstrando um gesto de amor, tomaram a decisão de autorizar a doação pela confiança depositada na equipe e no Hospital.

Enfermeira da UTI do hospital de base de Vitória da Conquista

“É importante cada cidadão pensar no assunto, tomar uma decisão a respeito da doação de órgãos e expressar para sua família, a qual será responsável pela autorização ou não”, orienta o coordenador da CIHDOTT do HGPV, Wagner Farias.

Morte Encefálica

Agravada pela dor da perda de um ente querido, a falta de informação sobre a morte encefálica foi, durante muito tempo, uma barreira para a doação de órgãos no Brasil. Os mitos sobre essa fatalidade, porém, estão chegando ao fim. É o que afirma Ben-Hur Ferraz Neto, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

“Pessoas deixavam de doar por pensarem que a morte encefálica poderia ser reversível. Mas ela é uma morte como outra qualquer. Nos últimos anos, as famílias têm sido bem receptivas à doação”, disse o presidente.

A morte encefálica é caracterizada pela ausência de reflexos, fluxo sanguíneo e atividades elétricas e metabólicas do tronco cerebral. Ela pode gerar desconfianças por parte de alguns familiares pelo fato do corpo continuar “respirando” e com o coração batendo.

Profissionais do Centro da captação de òrgãos do Hospital geral de Vitória da Conquista

O médico Walter Pereira, conselheiro da ABTO, conta que, nesses casos, alguns reflexos elétricos e nervosos mantêm o coração batendo mesmo após a morte. “Isso pode durar poucas horas, a depender da pessoa. A respiração é mantida por aparelhos, exatamente para que os órgãos daquele doador em potencial sejam mantidos em condições para o transplante”, explica.

Professores em Mobilização Pedagógica na FTC Conquista

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Já começou na FTC Conquista a Mobilização Pedagógica 2010.2. Durante toda a semana, professores, coordenadores, articuladores e Diretoria estarão reunidos para discutir e planejar ações para o semestre, além de participar de palestras e mini-cursos voltados para atividade docente.

Na palestra de abertura o diretor geral da FTC Conquista, professor Sérgio Magalhães falou sobre as “Competências e Habilidades na Ação Docente”. O palestrante traçou um panorama sobre os assuntos tratados nas últimas mobilizações, para mostrar a evolução dos conteúdos trabalhados.

As atividades da Mobilização Pedagógica seguem até a sexta-feira (16) e englobam aspectos pedagógicos, acadêmicos e técnicos do dia-a-dia da Faculdade.

Shirley de Queiroz
DRT – 2715 ASCOM

Suplentes do Senado têm grana para financiar campanha

“Na Bahia, Osvaldo Amarante da Gama Santos (PTB) é outro que nunca teve a popularidade aferida nas urnas. Mas poderá tornar-se senador, caso Edvaldo Brito (PTB), vice-prefeito de Salvador, seja eleito e precise se afastar do cargo.”


Os suplentes de candidatos ao Senado se apresentam, mais uma vez, como homens e mulheres com pouco capital político, porém repletos de amigos poderosos e potencial de sobra para financiar as campanhas dos titulares.

Escolhidos a dedo pelas coligações, os ‘reservas’ do Senado tiveram papel decisivo na atual legislatura: começaram como coajuvantes, mas cresceram e, no fim do ano passado, já ocupavam 19 das 81 cadeiras do plenário, sem receber um voto sequer.

Esta semana, pelo menos mais quatro suplentes foram brindados com licenças dos titulares, que saíram para fazer campanha, e deixaram as vagas com eles.

Nomes ilustres e de grandes patrimônios constam agora nas listas de candidatos enviadas ao TSE esta semana.

Anna Cristina Kubitschek, esposa do empresário Paulo Otávio – o ex vice-governador do Distrito Federal, que renunciou em meio ao escândalo de corrupção do governo José Roberto Arruda – é a primeira suplente do DEM para assumir uma vaga no Senado.

A neta de JK vai se tornar senadora, caso o candidato titular Alberto Fraga, ex-secretário de Transportes de Arruda, vença a disputa e seja convocado para algum cargo no governo local, como já fez.

Com um patrimônio declarado à Justiça Federal de R$ 2,06 milhões, Anna jamais foi eleita para qualquer cargo público, mas poderá desfrutar de um dos cargos mais cobiçados da República.

Em Tocantins, o empresário Ataíde de Oliveira, cujo patrimônio ultrapassa R$ 15 milhões, é o primeiro suplente do candidato à reeleição, João Ribeiro (PR).

Da mesma forma que Anna Kubitschek, se notabiliza pelo prestigio junto a famílias tradicionais. Além disso, assegura apoio financeiro às campanhas políticas no estado. Sua densidade eleitoral nunca foi testada.

Na Bahia, Osvaldo Amarante da Gama Santos (PTB) é outro que nunca teve a popularidade aferida nas urnas. Mas poderá tornar-se senador, caso Edvaldo Brito (PTB), vice-prefeito de Salvador, seja eleito e precise se afastar do cargo.

Dono de postos de combustível, Gama Santos acumula um patrimônio de R$ 2,79 milhões. E declarou guardar em espécie, em casa, R$ 1,3 milhão, dez vezes mais do que a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, informou guardar ‘debaixo do colchão’.

Leia mais em Sem voto, suplentes do Senado têm potencial de sobra para financiar campanha

Roberto Maltchik e Fábio Fabrini, de O Globo

A Justiça nega mandado de segurança a Sindicato de Policiais

CÉSAR NUNES_JOSELITO BISPO

A Justiça baiana negou mandado de segurança impetrado pelo Sindicato dos Policiais Civis do estado contra a mudança da jornada de trabalho. O delegado geral da Polícia Civil, Joselito Bispo, recebeu um pedido judicial de informações sobre o novo horário dos plantões dos servidores que atuam nas delegacias de Salvador e Região Metropolitana. A solicitação de esclarecimentos já foi encaminhada à Procuradoria Geral do Estado (PGE) para que, dentro do prazo legal, possa fazer a defesa da decisão realizada pelo Estado.

Joselito Bispo estranhou a reação do Sindipoc e ratificou que não procedem as informações divulgadas pela entidade entre os servidores de que o novo regime de serviço tenha aumentado a jornada de trabalho de delegados, agentes e escrivães. A Polícia Civil alterou o antigo o horário de trabalho de 24 horas de plantão por 72 horas de folga (24/72h), para 12 horas de plantão por 24 horas de folga (12/24h) para quem trabalha durante o dia; e para 12 horas de plantão por 48 horas de folga (12/48h) para quem trabalha à noite. A mudança começou a vigorar em 1º de julho. “O antigo regime estava trazendo prejuízos à todos. Não dava mais para conviver com a seguinte situação: um delegado encerrava o plantão e suas atividades, como investigações que exigem rapidez, paravam e só eram retomadas 72 horas depois”, relata Bispo.

Segundo ele, a jornada de trabalho dos servidores da Polícia continua sendo de 44 horas semanais, sem prejuízos financeiros na remuneração dos profissionais da instituição. “A mudança no horário de plantão dos servidores é um desejo da população, que quer uma polícia mais fortalecida, mais eficiente e com melhores resultados na sua gestão”, explica. Joselito lembra que praticamente todos os estados brasileiros já adotaram essa modalidade de plantão e, em todos eles, os resultados têm sido muito bons.

Por Edmundo Filho – Coord Rádio Agecom- Governo da Bahia

Saiba o que é o crack, como ele atinge o organismo da pessoa e porque não experimentar a droga

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Composição e Efeitos

O crack é uma droga feita a partir da mistura das sobras do refino da cocaína misturada com outras substâncias, como amônia e bicarbonato de sódio. A droga é geralmente fumada com um cachimbo, lata ou misturado com maconha. Quando utilizada por meio de uma lata de refrigerante, o usuário inala, além do vapor da droga, o alumínio que se desprende com facilidade da lata aquecida. O metal se espalha pela corrente sanguínea e provoca danos ao cérebro, aos pulmões, rins e ossos.

Em menos de 10 segundos os efeitos da droga já podem ser sentidos, como euforia, hiperatividade, mas mesmo assim isso não alivia a sensação de cansaço físico do usuário. Se consumido em grandes quantidades, a pessoa pode se sentir agitada e hiperativa e depois que os efeitos diminuem, pode ocorrer episódios de depressão.

O crack interfere com um neurotransmissor químico do cérebro chamado de dopamina, envolvido nas respostas do corpo ao prazer. A liberação de dopamina faz o usuário de crack ficar mais agitado, o que leva ao aumento da presença de adrenalina no organismo. A consequência é o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. Problemas cardiovasculares, como infarto, podem ocorrer.

Ao mesmo tempo o uso da droga provoca lesões no cérebro, causando perda de função de neurônios. Isso resulta em deficiências de memória e de concentração (e por conseqüência em altos índices de abandono escolar), oscilações de humor, baixo limite para frustração e dificuldade em manter relacionamentos afetivos. O tratamento permite reverter parte desses danos cerebrais, entretanto muitas vezes o quadro é irreversível.

O efeito estimulante da droga começa a decair em menos de 10 minutos, deixando o usuário desanimado, depressivo e com náuseas, o que resulta no desejo de fumar mais crack para se sentir bem de novo (fissura), e assim o ciclo se inicia novamente.

O organismo passa a funcionar em função da droga. O dependente quase não come ou dorme. Ocorre um processo rápido de emagrecimento. Os casos de desnutrição são comuns. A dependência também se reflete por conta da ausência de hábitos básicos de higiene e cuidados com a aparência.

A fumaça do crack gera lesões nos pulmões, levando a disfunções, além de sangramentos na gengiva e corrosão dos dentes. Como já há um processo de emagrecimento, os dependentes ficam vulneráveis a doenças como pneumonia e tuberculose. Também há evidências de que o crack causa problemas respiratórios agudos, incluindo tosses constantes, falta de ar e dores fortes no peito.

O desejo sexual dos usuários diminui. Os homens têm dificuldade em obter uma ereção. Há pesquisas que associam o uso do crack à maior vulnerabilidade à infecções sexualmente transmissíveis como a Aids. No momento da fissura, alguns usuários podem manter relações sexuais desprotegidas para conseguir dinheiro para comprar crack ou mesmo recebem crack como pagamento de relações sexuais.

Usuários de crack tem mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares (derrame e infarto) e respiratórias, com prognóstico de tratamento mais desfavorável. A ausência de condições mínimas de vida, aliada à violência e situações de perigo, como o envolvimento com traficantes, também são características que limitam as condições de vida destas pessoas, aprofundando a vulnerabilidade.
Trajetória da Droga

O crack surgiu nos Estados Unidos na década de 1980. O primeiro relato de uso no Brasil data de 1989. Desde então, o consumo da substância vem crescendo, principalmente nos últimos cinco anos. A situação de vulnerabilidade social de muitos jovens e pessoas em situação de rua, entre outras situações, também contribui para a disseminação da droga. Entretanto, hoje em dia, a droga afeta as mais variadas classes sociais, desde as mais abastadas até o limite da pobreza.

Os dados mais recentes sobre o consumo do crack no país estão disponíveis por meio do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID). Segundo uma pesquisa do orgão, 0,1% da população brasileira consome a droga. Grande parte dos usuários de crack relata início do uso da substância entre 13 e 26 anos.

O crack atinge os centros neurológicos de prazer de uma forma mais rápida do que por meio de outras drogas, porém seus efeitos são de pouca duração, o que leva o usuário a fumar imediatamente outra pedra. Esse ciclo ininterrupto de uso potencializa os prejuízos à saúde física, as possibilidades de dependência e os danos sociais.

Portanto quem fuma crack, em geral, deseja prazer imediato, suprimir ou evitar um sofrimento.

O consumo traz distúrbios e mudanças de comportamento importantes que afetam a família e todos que estão a sua volta. Em razão de diferentes contextos de vulnerabilidade, onde o consumo da droga é apenas mais um, os dependentes têm seus laços sociais fragilizados e terminam por ser alvo de um forte processo de exclusão social.

Como todo uso de drogas está associado a fatores biopsicossociais, o consumo de crack não é diferente. Além dos problemas físicos, há os de ordem psicológica, social e legal. Ocorrem graves perdas nos vínculos familiares, nos espaços relacionais, nos estudos e no trabalho, bem como a troca de sexo por drogas e, ainda, podendo chegar à realização de pequenos delitos para a aquisição da droga. Há controvérsia se tais condutas socialmente desaprovadas têm relação com o estado de “fissura” para usar ou se resulta da própria intoxicação. A unanimidade é que o usuário desemboca numa grave e complexa exclusão social.

Em geral, não existem usuários exclusivos do crack, quem consome a droga também consome outras substâncias ilícitas ou lícitas.

O crack é uma droga com potencial de produzir sérios prejuízos, os usuários ficam expostos a situações relacionadas com o tráfico, criminalidade, a doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV/Hepatite B e C, por conta de comportamento sexual desprotegido e outras situações de extrema vulnerabilidade.
Tratamento

Profissionais da área de saúde pública e de dependência de álcool e outras drogas referem que é comum o relato de pacientes que não aguentam mais usar a droga, por conta dos danos devastadores, mas que mesmo assim não conseguem parar de usar e, portanto, precisam de ajuda.

O uso de substâncias e a Dependência de álcool e outras drogas são questões complexas e que requerem abordagens multidisciplinar e intersetoriais e os usuários podem ser tratados sem necessariamente estar em abstinência.

Os serviços de saúde do SUS tem se deparado com um aumento do número de usuários de crack que buscam ajuda. Novas estratégias tem sido articuladas nos serviços para ampliar o alcance e efetividade das propostas de tratamento. Nem todos que necessitam de cuidados conseguem chegar aos serviços portanto ações de busca ativa e abordagem na rua, estão fazendo parte das propostas atuais do SUS.

As abordagens ao usuário de crack exigem criatividade, paciência e respeito aos seus direitos, enquanto cidadão, para superar seu estado de vulnerabilidade, riscos, estigma e marginalização. Estratégias preventivas podem ser levantadas não somente entre esse novo grupo, como também dirigidas àqueles usuários que, por algum motivo, ainda não se aventuraram nesse tipo de droga. O atendimento ao dependente de crack deve considerar alguns importantes critérios:

1. O usuário que não procura tratamento: a ele devem ser dirigidas estratégias de cuidados à saúde, de redução de danos e de riscos sociais e à saúde. As ações devem ser oferecidas e articuladas por uma rede pública de serviços de saúde e de ações sociais e devem ser feitas por equipes itinerantes, como os consultórios de rua, que busquem ativamente ampliar o acesso aos cuidados em saúde e em saúde mental destes usuários. A perspectiva dessa abordagem objetiva os cuidados da saúde como também as possibilidades de inserção social.

2. A porta de entrada na rede de atenção em saúde deve ser a Estratégia de Saúde Família e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Estes serviços especializados devem ser os organizadores das demandas de saúde mental no território. Os CAPS devem dar apoio especializado às ESF, fazer articulações intersetoriais (educação, assistência social, justiça, cultura, entre outros) e encaminhar e acompanhar os usuários à internação em hospitais gerais, quando necessário.

3. Quando o usuário acessa as equipes de saúde e de saúde mental, é necessária uma avaliação clínica das suas condições de saúde física e mental, para a definição das intervenções terapêuticas que devem ser desenvolvidas. É importante que se faça uma avaliação de risco pelas equipes de saúde para se definir se é necessária ou não a internação.

4. A internação deve ser de curta duração, em hospital geral da rede pública, com vistas à desintoxicação associada aos cuidados emergenciais das complicações orgânicas e/ou à presença de algum tipo de co-morbidade desenvolvida com o uso. É concebível e muito comum que usuários de crack, ainda que num padrão de uso preocupante, resistam à internação e optem pela desintoxicação e cuidados clínicos em regime aberto, acompanhado nos CAPSad por uma equipe interdisciplinar, nos níveis de atendimento intensivo, semi-intensivo e até o não intensivo. Nesse caso, a boa evolução clínica, psíquica e social dependerá da articulação inter e intrasetorial das redes de apoio, inclusive e se possível, com mobilização familiar.

5. A decisão pela internação deve ser compreendida como parte do tratamento, atrelada a um projeto terapêutico individual e, assim como a alta hospitalar e o pós-alta, deve ser de natureza interdisciplinar. Intervenções e procedimentos isolados mostram-se ineficazes, com pouca adesão e curta duração, além de favorecer o descrédito e desalento da família e mais estigma ao usuário.

Estratégias de intervenção e cuidados da rede de saúde:
a. Avaliação interdisciplinar para cuidados clínicos (e psiquiátricos, se necessário)
b. Construção de Projeto Terapêutico Individual, articulado inter e intrasetorialmente
c. Atenção básica (via ESF e NASF, com participação de profissionais de AD)
d. CAPSad – acolhimento nos níveis intensivo, semi-intensivo até não intensivo
e.Leitos em hospital geral
f.Consultórios de rua, casas de passagem
g. Estratégias de redução de danos
h. Articulação com outras Políticas Públicas: Ação Social, Educação, Trabalho, Justiça, Esporte, Direitos Humanos, Moradia.sonar

Procuradores pedem impugnação de 371 candidatos

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Pelo menos 371 políticos que pretendem concorrer a cargos públicos nas eleições deste ano tiveram suas candidaturas contestadas na Justiça Eleitoral. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo junto a órgãos do Ministério Público (MP) e da Justiça indica que grande parte deles é acusada por ter “ficha suja”. A lista de candidaturas questionadas ainda deve crescer ao longo desta semana, quando termina o prazo para o MP apresentar os pedidos de impugnação.

Dados preliminares da Justiça Eleitoral indicam que cerca de 20 mil políticos pediram registro para disputar as eleições de outubro. De acordo com decisão recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os condenados por tribunais não poderão se candidatar porque esse impedimento está previsto na Lei da Ficha Limpa. Pela interpretação da lei, que foi sancionada no dia 4 de junho, deverão ser barrados até mesmo os políticos condenados no passado e aqueles que renunciaram ao mandato para fugir de processo de cassação.

Entre os que tiveram candidaturas questionadas pelo MP até agora estão o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que pretende concorrer ao Senado, e o ex-governador e ex-senador Joaquim Roriz (PSC-DF), que quer voltar a governar o Distrito Federal. Os dois renunciaram no Senado para evitar possíveis cassações. As impugnações terão de ser analisadas até 19 de agosto. Em tese, recursos ainda poderão ser encaminhados ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em Alagoas, a Procuradoria Regional Eleitoral protocolou ontem seis ações de impugnação de registro de candidaturas com base na Lei da Ficha Limpa. Entre as candidaturas questionadas está a do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que disputa de novo o governo do Estado.

Pará e Rio

Já no Pará, além de Jader, nove políticos tiveram suas candidaturas contestadas por causa de rejeição de contas relativas a administrações anteriores ou em virtude de renúncias. Um deles é o deputado Paulo Rocha (PT), que agora pediu o registro para concorrer ao Senado. Ele é suspeito de envolvimento no esquema do mensalão do PT. Outro político que teve a candidatura contestada foi o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PR). Ele foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico nas eleições de 2008, junto com sua mulher, Rosinha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Turma do “mensalão” voltaria ao poder com Dilma, acusa Indio

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Candidato à vice-presidência, Antonio Pedro de Siqueira Indio da Costa é coordenador da campanha de Serra no Rio de Janeiro e “peça-chave” na mobilização da juventude
Foto: Renato Araújo/Agência Brasil

Marcela Rocha

“As pessoas ainda não se ligaram que, em janeiro, Lula volta pra casa, mas a turma do mensalão do PT continua encostada no governo se Dilma for eleita. Lula tem controle sobre o PT. Mais ninguém o tem. Quando você governa, a caneta é sua. O poder é solitário (…) Uma coisa é ser marionete na campanha eleitoral, outra coisa é ser marionete à frente do governo. Não dá.”.

Em entrevista ao Terra, o candidato da oposição à vice-presidência, Indio da Costa, revela que teria desistido da carreira política se não tivesse se envolvido na aprovação do projeto Ficha Limpa no Congresso. Fala sobre sua trajetória política, suas atribuições na campanha presidencial de José Serra (PSDB) e garante que pretende “utilizar profundamente” o exemplo deixado pelo senador Marco Maciel (DEM), vice de FHC entre 1995 e 2002. “A sociedade tem a máxima tranquilidade e segurança de que ao eleger o Serra, ela o elege duplamente, como presidente e como vice”, destaca.

Formado em direito, o carioca atribui as acusações contra ele sobre fraude na merenda escolar à “quebra de um cartel”. Não poupa críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusa “falta de conteúdo” na candidatura de Dilma Rousseff (PT). “Ela (Dilma) está submetida à lógica do PT e quem está coordenando a campanha dela é a turma toda do mensalão (…) que saiu do governo – e porque saiu, Lula foi reeleito -, mas que agora volta debaixo do pano”, dispara.

Indio foi escolhido vice após conturbadas negociações entre os aliados PSDB e DEM. Após repassarem uma série de possibilidades, a cúpula tucana – e o próprio Serra – apresentaram aos aliados o nome do senador paranaense Alvaro Dias, que também ajudaria a resolver querelas regionais. A escolha de Dias – sem negociação prévia com os aliados – provocou indisposição entre as siglas da coligação oposicionista, e o DEM reivindicou a vaga de vice.

Numa conversa interrompida mais de uma vez por sua filha Sofia, de seis anos, Indio revela que a menina estará presente em algumas reuniões de campanha. Sofia mora em Madri com a mãe Olivia e visita o pai a cada dois meses. “Fico alucinado de saudades”, diz. Pontual, “sempre que pode”, o candidato se diz admirador do filme Perfume de Mulher. Aventureiro, praticava asa-delta – “quando eu era jovem”, diz. No momento, o que embala suas caminhadas é o sucesso do axé baiano, Alexandre Peixe e banda. Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Terra – A oposição tem feito um embate de currículos entre Serra e Dilma. O histórico do senhor é o bastante para acompanhar Serra?
Indio da Costa –
Temos similaridades. Serra começou muito cedo e eu também. Comecei na política com 22 anos de idade. Quando eu chegar à idade dele, terei o mesmo tempo de política que ele tem. Ambos defendemos um bom desempenho no serviço público e a meritocracia. Já ganhamos várias eleições. Eu já ganhei quatro e ele já ganhou várias ao longo da vida dele. Ou seja, temos experiência eleitoral. Outra similaridade é que nós dois damos muita importância às políticas públicas e nos preocupamos em como resolver problemas de maneira concreta. O que é importante nisso é que tanto Serra quanto eu temos essa visão de um serviço público em que se pode gastar menos internamente e produzir mais para fora. E mais, você pode fazer isso prestigiando os servidores.

Terra – O PT também reivindica a “paternidade” do projeto Ficha Limpa e diz que o acordo só foi alcançado depois que o petista José Eduardo Cardozo assumiu a relatoria. Como o senhor lida com isso, tendo em vista que é uma bandeira que valora a sua candidatura de vice?
Indio da Costa –
Eu lido muito bem. Em primeiro lugar quem indicou Cardozo fui eu. Fiz isso publicamente ao lado de Michel Temer numa entrevista coletiva. Foi uma forma de comprometer o PT. O governo, na Câmara, era contra. O líder do PT era contra. O PT, através do PMDB e de outros partidos aliados, fez de tudo para bloquear o Ficha Limpa. Fiz o que era possível para aprovar o projeto. Conversei com todos os setores, não só na Câmara, mas no Senado também. Fui ao STF também falar com ministros e com pessoas do TSE para saber a opinião deles sobre o texto que estava posto.

Terra – Por que o senhor indicou Cardozo?
Indio da Costa –
Ele é um deputado sério, que estava desistindo de se candidatar novamente por entender que a política não estava caminhando bem. Tive uma conversa com ele na mesma direção em dezembro do ano passado, sobre minha vida política. Eu estava cansado de ver um Congresso como aquele e estava pensando seriamente em não me candidatar a deputado. No fim, ele me convenceu a cumprir mais um mandato. Confesso que eu estava muito balançado e com o Ficha Limpa acabei me animando novamente. Se eu não tivesse conseguido aprovar o Ficha Limpa, a probabilidade de eu não me candidatar a deputado seria muito grande. Quando chegou fevereiro, sabendo da seriedade dele e que está na coordenação da campanha de Dilma, eu disse a Temer que seria bom que o PMDB ou o PT assumissem a relatoria para trazer a base do governo.

Terra – Foi tático?
Indio da Costa –
Isso foi pensado com as lideranças do meu partido. Paulo Bornhausen sentou comigo e disse que teríamos que colocar o PT ou PMDB na relatoria para que o projeto fosse aprovado. Até então, as lideranças eram contra. Basta ver as declarações deles, de Vaccarezza e de Genoíno, que subiu várias vezes ao plenário para falar que era contra. Propusemos José Eduardo Cardozo, porque supomos que Dilma não poderia ficar viajando o País todo e sendo criticada por ser contra o Ficha Limpa.

Terra – Qual é o perfil ideal de um vice-presidente?
Indio da Costa –
Um vice é a pessoa que vai contribuir para que o programa do presidente seja levado adiante. Diferente de outras candidaturas, a nossa tem muito conteúdo. A gente sabe exatamente por que quer chegar lá. Essa sinergia, não só entre o presidente e seu vice, deve existir entre os dois e a sociedade. Estamos propondo ideias e projetos. O papel do vice é fazer com que a sociedade tenha a máxima tranquilidade e segurança de que ao eleger o Serra, ela o elege duplamente, como presidente e como vice. Vou sempre dar minha contribuição e sugestões, mas dentro do programa que está sendo proposto.

Terra – Como o senhor avalia o trabalho realizado por José Alencar?
Indio da Costa –
Não tenho críticas a José Alencar. Ele é um vice que busca fazer bem o seu trabalho.

Terra – E Marco Maciel?
Indio da Costa –
Marco Maciel é um exemplo em todos os sentidos. Ele e Alencar são figuras diferentes. Alencar é um empresário. Marco tem uma trajetória dentro da política nacional. É uma pessoa muito séria, muito correta. Politicamente honesto e do ponto de vista intelectual também. Eu pretendo muito seguir essa linha dele. Sempre que eu tiver uma sugestão a fazer, isso será articulado com o presidente, porque ele é que é o presidente. Vou utilizar profundamente a experiência de Marco Maciel, no caso de a nossa eleição ser bem-sucedida.

Terra – Quando o senhor conheceu Serra?
Indio da Costa –
Já estive tantas vezes com Serra que não consigo precisar uma data. Serra já era parte integrante da minha vida. Ao longo de dúvidas que tive, consultei, mandei textos, não tenho uma memória de exatamente quando.

Terra – Algumas pessoas falaram que não se conheciam…
Indio da Costa –
Não, não, não. Já trocávamos, há muito tempo, informações de um lado para o outro.

Terra – Lideranças da oposição olhavam para um acordo Serra-Aécio como a melhor saída. Além disso, a escolha do núcleo de campanha e do próprio Serra, segundo ele mesmo já afirmou, era por Alvaro Dias. O senhor não teme que sua candidatura seja vista como uma solução para acordos políticos que fracassaram?
Indio da Costa –
Não posso me preocupar com o que os outros vão achar. Essa é uma dupla que tem muito a fazer pelo Brasil. Eu ouvi por muitos anos, desde que eu nasci, que a presidência da República é destino. E hoje em dia, entendo que a vice também é. Não se constrói uma presidência, ou vice, sozinho. Isso tudo é um processo que depende de conjuntura, de momento, de oportunidade, de muitas coisas no meio do caminho. O que é importante neste momento é a nossa empatia e o nosso desejo de trabalharmos juntos pelo Brasil. Esse assunto está enterrado e muito bem resolvido. Eu me dou muito bem com as pessoas envolvidas nesse processo e ajudei o tempo todo no que me foi consultado a respeito de vice A ou B, ou candidatura A ou B.

Terra – O senhor chegou a conversar com Alvaro Dias depois da sua indicação?
Indio da Costa –
Dei um abraço nele porque o respeito muito. Ele sabe que, em nenhum momento, eu articulei para um lado ou outro. Temos em comum nossa luta contra esse modelo que Dilma pretende continuar representando. As pessoas ainda não se ligaram que, em janeiro, Lula volta pra casa, mas a turma do mensalão do PT continua encostada no governo se Dilma for eleita. Lula tem controle sobre o PT. Mais ninguém o tem. Quando você governa, a caneta é sua. O poder é solitário. As decisões são tomadas depois de escutar um grupo de pessoas que você respeita, mas o ônus e o bônus são sempre individuais, do ponto de vista político. No começo, Dilma vai ter que consultar Lula. Mas depois, pressionada, ela terá que ter independência. Uma coisa é ser marionete na campanha eleitoral, outra coisa é ser marionete à frente do governo. Não dá. Por que Dilma não debate? Até hoje, ela não foi a um debate.

Terra – Seu primeiro discurso já como vice, foi em Brasília, na convenção do seu partido, em 30 de junho. O tom já era mais agressivo do que o próprio candidato costumava adotar. Isto será mantido?
Indio da Costa –
O Lula é o Lula. O serviço que o governo presta é outra coisa. A minha preocupação não é com Lula. Ele está se aposentando compulsoriamente agora. Dilma poderá melhorar os serviços que precisam ser melhorados? Vai diminuir as filas em hospitais? Vai fazer com que os remédios cheguem às pontas? Vai desenvolver as regiões metropolitanas? A região metropolitana terá vez no governo Serra. Ele se preocupa com isso, eu também. Esta região é onde se concentra boa parte dos problemas do Brasil, nessa junção de aglomeração de pessoas com a falta de uma política pública que pense nisso tudo. Cada um trata do seu, o Estado tratando de tudo e o governo federal tratando das questões internacionais e econômicas. Parece que os serviços oferecidos pelo governo não têm esses mesmos índices de aprovação.

Terra – Qual estratégia de comunicação que a oposição tem que adotar em um contexto político que dá ampla aprovação ao governo do partido adversário?
Indio da Costa –
Eu não estou disputando eleição com Lula, mas com Dilma. Vamos deixar isto muito claro ao longo desse processo. Ela está submetida à lógica do PT e quem está coordenando a campanha dela é a turma toda do mensalão: José Dirceu, Marco Aurélio Garcia, que fez o programa dela, Palocci… Uma turma que saiu do governo – e porque saiu, Lula foi reeleito -, mas que agora volta debaixo do pano, articulando a candidatura de Dilma.

Terra – Tendo em vista que Cesar Maia não saiu muito bem avaliado da prefeitura do Rio de Janeiro, como o senhor mantém o apadrinhamento político dele e sem comprometer os votos da capital?
Indio da Costa –
Não há apadrinhamento político. A questão é simples: ele será um grande senador e está hoje colado no candidato ao Senado mais votado. Vou votar nele. Mesmo as pessoas que fizeram críticas a ele vão acabar votando nele. A minha entrada na vice só integra os setores, não separa.

Terra – Como é que o senhor responde às acusações de fraude na merenda escolar no Rio de Janeiro?
Indio da Costa –
Foi a maior economia na história da compra de merendas. Eu consegui quebrar um cartel. O Tribunal de Contas, o Ministério Público e a Procuradoria e Controladoria do município do Rio reconheceram isso com clareza.

Terra – O senhor chegou a apresentar restrições ao pré-sal. O senhor ainda as tem?
Indio da Costa –
Minha restrição é simples. Acredito que não se pode extrair petróleo sem recompensar economicamente o mal que isto causa à humanidade. Quando o pré-sal for extraído a gente tem que utilizar todos os recursos necessários, inclusive os provenientes do próprio petróleo, para fazer compensação ambiental da extração desse petróleo.

Terra – O senhor ainda defende um plebiscito sobre pena de morte, como fez enquanto deputado?
Indio da Costa –
Não, eu não defendo e não sou favorável. Isso foi no calor de uma discussão com o deputado Paulo Maluf, que defendia isso.

Terra – É sabido que Serra enfrenta certa resistência no mercado financeiro depois das declarações dele sobre o BC, que foram minimizadas com uma entrevista às páginas amarelas da Veja. Mas, segundo consultorias do setor, a resistência ainda existe. Sabendo da ligação da família do senhor com bancos, pretende buscar apoio nesse setor?
Indio da Costa –
Uma coisa é a relação familiar, as questões políticas, cada um defende aquilo em que acredita. O meu mercado é político, o mercado da minha família é financeiro, são questões separadas. Mas eu vou buscar apoio político em todos os setores que eu puder. Só não onde tiver algum setor que confronte com a visão de governo. Eleição não é exclusão.

Terra – Na declaração de bens do senhor tinha um ultraleve e um barco. Em que ocasiões o senhor usa?
Indio da Costa –
O ultraleve é para chegar a pontos diferentes do Rio. Isso me facilita o trabalho. Quando eu era jovem, 13 ou 14 anos de idade, eu voava de asa delta. Mais velho, comecei a utilizar ultraleve para correr o Estado. É uma maneira mais rápida e barata de viajar ao interior.

Terra – Vou fazer perguntas mais curtas para o senhor me dar respostas mais diretas. O que o senhor acha do MST?
Indio da Costa –
Não pode ser tratado da maneira que está sendo. Sou absolutamente contra invasão de terras.

Terra – O que o senhor pensa sobre o aborto?
Indio da Costa –
Sou contra o aborto.

Terra – E a descriminalização das drogas?
Indio da Costa –
Sou contra a descriminalização. O uso da droga financia a compra de armas. Os tráficos de droga e de arma têm uma ligação muito próxima. Descriminalizar é muito bonito no discurso, mas não na prática.

Terra – O senhor é favorável à redução da maioridade penal?
Indio da Costa –
Sou. Dependendo do potencial ofensivo do crime, não importa se ele tem 15 anos ou 35. Sou também a favor de que o sistema penal recupere as pessoas, não trate as pessoas feito animais, fazendo com que saiam com mais raiva e agressividade do que quando entraram lá.

Terra – Qual é a base política da chapa Serra-Indio?
Indio da Costa –
Saúde, que vai mal, Educação, que não prepara os jovens para o mercado de trabalho, e Segurança, que deixa a todos inseguros e vulneráveis. Depende da área do País. No interior do Rio, educação, oportunidade e saúde são mais importantes do que segurança pública… Varia… Não que segurança pública não seja um problema, mas as outras coisas estão tão fracas que se tornam prioridades na região. Já na capital, a ordem se inverte.

Terra – Se uma das atribuições do senhor é trazer essas discussões para os jovens, como fará isso?
Indio da Costa –
Os jovens não tinham instrumentos de participação. Esse modelo antigo de diretórios partidários, dessas conversas intermináveis e não saber como apresentar sugestões a alguém que tem o poder de colocar em prática, acabou desmobilizando os jovens. Estamos usando a tecnologia, redes, para estimular a participação política. O Ficha Limpa trouxe os jovens para o debate político de uma maneira objetiva, 4,2 milhões assinaram o abaixo assinado com a esperança de que se construísse uma regra para que se barrassem bandidos legalmente. É um erro dizer que a juventude está despolitizada.