Mudança teria sido exigida por César Borges, mas o “chefão” do PR nega
Uma reviravolta poderá acontecer na composição da chapa do deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB) para a disputa do governo do Estado. O vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB, deverá ser deslocado do Senado para vice e a vaga cedida a um peemedebista: ou à deputada estadual Virgínia Hagge ou para Edmundo Pereira, atual vice-governador. “Não posso responder nada ainda. Não posso confirmar ou negar”, despistou o secretário-geral do PMDB na Bahia, Almir Melo. Nos bastidores, circula a informação de que a mudança teria sido exigida pelo senador César Borges (PR), para que a sua reeleição não fosse ameaçada. Obviamente, o fato foi negado pelo presidente estadual republicano. “Não posso interferir nisso. Essa posição é do candidato (Geddel). Respeito tanto o vice-prefeito quanto Edmundo e Virgínia. Quanto mais forte for a chapa, melhor. Geralmente a chapa é eleita junta”, sentenciou Borges.
“Analisando as alianças políticas e o coeficiente eleitoral da política baiana”
Entenda como se elege um deputado:Coeficiente eleitoral emperra alianças
Adriano Vilella
O coeficiente eleitoral está na base dos principais impasses das eleições deste ano na Bahia. Seja na coligação do governador Jaques Wagner (PT), entre os 11 partidos que apoiam o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) – vide o conflito com a primeira-dama do município, Maria Luiza – ou entre os aliados do DEM e PSDB. Isto porque as 63 cadeiras da Assembleia Legislativa e as 39 vagas baianas na Câmara Federal são preenchidas de acordo proporcional à votação do partido ou coligação, e não no desempenho nas urnas do candidato isoladamente. O princípio é de que o mandato pertence ao partido ou coligação.
Algumas disparidades eleitorais provocadas pelo modelo do coeficiente eleitoral podem servir de exemplo. Em 2006, Raymundo Velloso (PPS, hoje no PMDB) foi eleito com 31 mil votos, enquanto Joseph Bandeira e Emiliano José (ambos PT) ficaram na suplência com votação de 51 mil eleitores. Em 2002, Eujácio Simões conseguiu 90 mil votos pelo PL, partido que, junto com o Prona, se transformou no atual PR. Naquele pleito, o PL não atingiu o coeficiente eleitoral, critério para ter direito a pelo menos um mandato, conforme explica o advogado Jota Pires.
Segundo a advogada Débora Guirra, o cálculo das eleições proporcionais é estabelecido pelo Código Eleitoral. Apuradas as urnas, cada aliança ou legenda possui um quociente partidário, número que determina quantos mandatos cada um conquistou (veja matéria abaixo). A partir daí, se elegerão os candidatos a deputado com maior votação dentro de cada chapa ou partido. Nesta lógica, faz mais deputados quem tem concorrentes com maior densidade eleitoral individual.
Por exemplo: se uma coligação fizer cinco parlamentares e os cinco de maiores votação forem de um mesmo partido, as siglas aliadas ficarão sem nenhum cargo titular. Suas votações servirão apenas para ampliar o quociente do partido maior.
O exemplo é extremo, mas não distante da realidade da união entre o DEM e o PSDBna Bahia. Em 2006, o PFL (hoje DEM) respondeu por nove entre os 15 deputados estaduais eleitos de maior desempenho nas urnas – Ricardo Gaban, Clóvis Ferraz, Gildásio Penedo, Paulo Azi, Rogério Andrade, Tarcízio Pimenta, José Nunes, João Bonfim e Luiz de Deus – contabilizando neste grupo entre 77 mil e 59 mil votos. O PSDB, por sua vez, tem o membro da AL eleito com menor votação (19.952 votos) e seus campeões de urna, Marcelo Nilo (57.535) e Arthur Maia (52.269) – estão hoje no PDT e PMDB respectivamente.
Chapão é temido
No PSC, os bastidores políticos apontam a questão do coeficiente eleitoral como uma das razões para a deputada estadual Maria Luiza Carneiro ter desistido de tentar uma vaga no Congresso Nacional. O chapão (coligação de todos os partidos que apoiam a majoritária também na disputa para deputado federal e estadual) é a tese preferida na coalizão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e do senador César Borges (PR), mas é ruim para o PSC.
O partido da primeira-dama de Salvador tem um deputado federal – o ex-secretário municipal do Planejamento, Sérgio Brito – e seu presidente estadual, Eliel Santana, que visa um mandato na Câmara Federal. Como na coligação, os concorrentes destes partidos tendem a ter maior votação – a exemplo de Arthur Maia, Lúcio Vieira Lima e os republicanos José Rocha e Maurício Trindade, que registraram votação de 115.777 e 78.119, há quatro anos -, Maria Luiza teria desistido.
A preferência do PR pelo chapão foi um dos fatores da não concretização do ingresso de César Borges na chapa majoritária encabeçada pelo governador Jaques Wagner, agravado pelo problema político: parte da bancada republicana na Assembleia é de oposição ao governo. Coligados com estes, petistas temiam assegurar coeficiente para a eleição de algum parlamentar contrário ao Executivo, a exemplo do deputado estadual Sandro Régis, embora este tenha sido o mais votado nas eleições de 2006, quando contabilizou 99.967 mil eleitores.
Entenda como o cálculo é feito
De acordo com a advogada Débora Guirra, o coeficiente nada mais é do que a divisão do número de votos válidos pelo quantitativo de vagas. É determinado pelo artigo 106 do Código Eleitoral (CE). Em 2006, houve 6,5 milhões de votos válidos para proporcional, resultando num coeficiente de 166 mil votos para a Câmara Federal e 103 mil para a Assembleia. Dividindo-se o número global de votos de cada chapa pelo coeficiente – desprezando-se a fração encontra-se o quociente partidário, variável que indica quantos mandatos a legenda ou aliança fará jus, seguindo-se o que estabelece o artigo 107 do CE.
Neste modelo, as estratégias mudam se a chapa lançada for por um partido isoladamente ou por aliança. No primeiro caso, busca-se o maior número de candidatos, num esforço concentrado para se atingir o coeficiente. “É por isso que os partidos lançam muitos candidatos sabendo que não vão ser eleitos, mas vão garantir um a dois mil votos”. Nas coligações, o ideal é ter poucos concorrentes com ampla votação.
As legendas maiores – que não enfrentam dificuldade para atingir o coeficiente – tendem a preferir sair sozinhas. É o caso do PT, que historicamente tem muitos competindo, com votação relativamente baixa. Há quatro anos, com exceção de Walter Pinheiro (200.864) e Nelson Pellegrino (171.129), os candidatos tiveram votação abaixo de 100 mil votos. A resistência ao chapão dos petistas foi empecilho na formação de uma frente anticarlista única nas eleições de 2008.
Há ainda casos de partidos menores que fazem vários deputados, mesmo saindo sozinhos. O caso mais famoso é o do ex-candidato a presidente Enéas Carneiro (Prona). Autor do bordão “Meu nome é Enéas”, Carneiro amealhou 1,5 milhão de votos em 2006, atingindo sozinho coeficiente para eleger cinco parlamentares, agraciando colegas de partido que sequer chegaram a mil votos. Outro aspecto importante é o da fração. Conforme explica Jota Pires, como a apuração do quociente partidário gera sobra de votos e de vagas, dividi-se a votação de cada partido e/ou coligação pelo número de vagas preenchidas mais 1. As melhores médias ficam com os mandatos restantes.
A espada de Dâmocles e o Voto pra Reitoria da UESB
Joilson Bergher, Estudante de Filosofia
Caros, segundo a história, Dâmolcles era um cortesão puxa-saco miseravão do poderosíssimo Dionísio I, isso no século IV a.C, na região conhecida como Sicília. Dionísio então resolveu trocar o seu lugar de Rei com ele por um longo dia. E assim estava feito! Dâmoclers solenemente participou por uma noite de um delicioso, apetitoso banquete de majestade. Para surpresa, olhou para cima do teto e percebeu a presença, sob sua cabeça, de uma afiada espada suspensa por um fiapo finíssimo de rabo de cavalo. O medo tomou-lhe conta e, imediatamente, abdicou de todos os prazeres do poder e partiu. Essa lenda retrata os perigos iminentes e os riscos que o poder representa. Por isso, antes de tudo, o próximo Reitor ou Reitora que deseja exercer tal cargo, dverá antever o que acima está dito. Dessa forma, devemos votar nos que possuam coragem, ousadia e, disposição com a coisa pública. É bom recordar que Temístocles, o grande político e estrategista que, com sua astúcia, evitou a invasão da Grécia pelo exército Persa vencendo a batalha de Salamina, em 480 a.C., ainda assim, mesmo com o passado de glórias caiu no ostracismo sucumbindo-se ao povo devido às suas ambições pessoais e expúrias.
13 de maio: abolição inacabada
Escrito por Willian Luiz da Conceição
11-Mai-2010
Neste ano completamos 122 anos de lei Áurea que aboliu a escravidão no Brasil. Este processo foi lento, limitado, gradual e deve ainda hoje ser problematizado, pois não garantiu aos negros uma condição de dignidade em um país estruturalmente desigual.
A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888 foi a ultima de várias que a precederam, como a Lei Eusébio de Queiros de 1850, Lei do Ventre Livre de 1871 e a Lei do Sexagenário de 1885. Com o fim do tráfico negreiro em 1850, entramos em um processo quase que inevitável de fim do trabalho escravo no país (que culminou na abolição), influenciado em grande escala por pressão internacional, pelas milhares de revoltas escravas, quilombos e mais tarde por grupos abolicionistas.
Esta transformação no cenário internacional, em que o Brasil foi o ultimo país a se inserir, é parte das modificações econômicas dos países “independentes”, da busca de fortalecimento dos mercados internos e da abolição de formas pré-capitalistas de economia, que só poderiam ser levadas a cabo pelo ‘trabalho livre’. A escravidão no Brasil foi a base da estruturação econômica e de acúmulo primitivo de capital capaz de desenvolver mais tarde a economia industrial.
Foi o escravo negro, a massa substancial da força de trabalho durante aproximadamente quatro séculos, capaz de acumular as riquezas para construirmos um país. Foram milhões de africanos sequestrados em todas as partes da África, de Moçambique, passando pelo Congo, Nigéria, Guiné, Sudão, Angola, entre outras, que formaram este contingente humano.
Após a abolição, pouco foi revisto da condição dos afro-descendentes, continuamos a ser a parte miserável da sociedade brasileira, lançados na marginalidade, sem trabalho digno, educação, infraestrutura. Coube ao negro ocupar as periferias dos grandes centros urbanos. Não é por acaso, que os locais mais afetados pelas catástrofes que varreram o Rio de Janeiro neste ano foram locais onde a maior parte de seus habitantes são negros, como o Morro do Bumba em Niterói, construído em cima de um lixão. A abolição foi incapaz de integrar e estruturar o negro na sociedade. O negro no Brasil, de capitalismo dependente, acarretou duplo preconceito e segregação: de classe e de raça.
A imagem construída do negro nas ciências sociais, na literatura e nas artes, por séculos nos transformou e concedeu-nos o estereótipo de exótico, feio, marginal, patológico e parte inferior da população. Assim negando o negro como pessoa humana e sujeito histórico que construiu comunidades alternativas ao sistema econômico da sociedade colonial escravista, como Palmares e outros quilombos que ficaram na história, e as que ainda resistem.
O Brasil mestiço e multi-étnico, que ronda nosso imaginário, tem por trás o maior exemplo das diversas formas de preconceito e de segregação que podem existir. Na obra do espanhol Modesto Brocos, intitulada ‘Redenção de Cã’, é retratada a salvação dos descendentes de Cã, filho mais jovem de Noé. Cã é pai do servo Canaã, “que seria a origem dos camitas e dos demais povos da raça negra, todos destinados à servidão, segundo visões largamente difundidas à época”.
Este quadro representa a forma que esses povos utilizaram para alcançar o perdão e quebrar a maldição de serem negros – a mestiçagem. A teoria do intercruzamento entre brancos e negros levaria a um branqueamento da população, onde os negros já não existiriam. Este foi o discurso muitas vezes apresentados pela elite brasileira a nível internacional, expondo o grande exemplo brasileiro de democracia racial. Com essa teoria, no século XIX acreditavam que em 2010 já não existiriam negros sobre o solo brasileiro. Seríamos mestiços e com contato mais acentuado com europeus chegaríamos ao branqueamento. Infelizmente, para muitos, isso não ocorreu.
Isso tudo para que possamos avaliar criticamente o processo de libertação dos escravos e a situação de seus descendentes. Quais as verdadeiras mudanças que ocorreram na sua condição estrutural nestes muitos anos? E por que são a maioria dos negros, homens, mulheres e crianças com os piores trabalhos, pior acesso a educação, a saúde, a moradia digna e segurança?
Está realidade leva-nos a acreditar que a abolição foi insuficiente e inacabada, forçando-nos a continuar lutando por nossos direitos.
Willian Luiz da Conceição é acadêmico de História, militante e pesquisador da temática de afro-descendência
colaboração de antônio Torres
Sob suspeita de ligação com criminoso, secretário nacional de Justiça resiste no cargo
Tuma Jr. se rebela e sai… de férias

Isolado no governo e até mesmo pelo ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., resistiu à pressão do Palácio do Planalto e ganhou oxigênio para se defender das denúncias de envolvimento com o chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li — preso por contrabando pela Polícia Federal, em São Paulo — sem deixar o cargo.
Ontem, Tuma Jr. pediu férias de 30 dias, após repetidas tentativas do ministro da Justiça de convencê-lo a sair do posto, pelo menos temporariamente. À tarde, ele decidiu tirar férias de apenas dez dias. Depois, entregou um pedido de 15 dias, e só à noite concordou em tirar as férias completas.
— Vou pegar um sol… Volto quando estiver moreninho — ironizou.
Tuma Jr. disse ao ministro que não cometeu irregularidade ou imoralidade, apesar das conversas gravadas pela Polícia Federal, nas quais ele aparece supostamente pedindo favores, como a compra de telefones celulares e videogames, e recebendo pedidos, como uma ajuda para acelerar um processo de anistia política.
O secretário nacional de Justiça comanda ações de repatriamento de dinheiro remetido ilegalmente ao exterior, de regularização de estrangeiros e de controle de organizações não-governamentais.
Na madrugada de ontem, depois de receber orientações do presidente Lula, o ministro da Justiça pediu a Tuma Jr. que deixasse o cargo. Foi uma longa conversa. Mas o auxiliar não aceitou.
Uma nova alternativa foi desenhada pelo governo: uma licença de 30 dias para esfriar o caso e permitir o avanço das investigações. Se nenhuma irregularidade fosse comprovada, Tuma Jr. poderia voltar ao posto. A proposta não só foi refutada pelo secretário como ele se rebelou contra a orientação do superior.
— Não tem essa história de licença. Eu jamais vou pedir licença! Isso não existe. Vou tirar férias para me defender da investigação da Comissão de Ética -—- disse ao GLOBO, referindo-se ao procedimento preliminar de apuração, instaurado pela Comissão de Ética Pública, órgão consultivo da Presidência que pode recomendar até mesmo a exoneração de um servidor por falta ética.
A intenção de Tuma Jr. era tirar férias por apenas dez dias. No entanto, após nova reunião com o ministro da Justiça, ontem à tarde, ficou combinado que ele ficaria afastado do governo por 15 dias. Ao GLOBO, Tuma Jr. disse que sofre pressão de organizações criminosas e de integrantes do governo para deixar a função.
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De Roberto Maltchik:
Todas as escolas da rede estadual terão acesso à Internet

A rede estadual baiana vai receber 495 laboratórios do Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo). Ou seja, serão quase 10 mil computadores distribuídos na rede. Além disso, todas as escolas da zona urbana terão acesso à Internet até o final do ano. Esses recursos tecnológicos já chegam a 80% das 1.544 unidades da rede. Os computadores e a Internet são ferramentas que a rede disponibiliza para facilitar o acesso à informatização e as mais diversas formas de conhecimentos aos alunos e professores. Além disso, a Secretaria da Educação, através do Instituto Anísio Teixeira, oferece capacitação para que os docentes possam aproveitar melhor a tecnologia pedagogicamente. Ao todo, nos últimos três anos, a Secretaria da Educação capacitou, aproximadamente, 9,5 mil professores em 50 cursos com conteúdos que ali am o uso da tecnologia em prol da educação.
Líder governistana na Assembleia Legislativa da Bahia, Waldenor Pereira (PT) diz que é certa a participação de lula no palanque do governador Wagner nas próximas eleições
A despeito de o noticiário nacional considerar que o PMDB ainda não formalizou o apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) devido à exigência para que Lula não interceda nos palanques regionais em favor dos petistas, o líder governista na Assembleia Legislativa, Waldenor Pereira (PT), dá como certa a participação da “maior liderança do partido” no palanque do governador Jaques Wagner (PT). “Eu não tenho conhecimento dessa exigência. Isso é tão absurdo, que eu quero acreditar que seja mais uma piada de algum jornalista do que efetivamente uma exigência do próprio PMDB”, debochou. Questionado se o partido na Bahia conta com a retórica popular de Lula para convencer os baianos a renovar o mandato petista, Pereira enfatizou: “É claro que sim. Seria um absurdo o PMDB exigir em uma aliança que está se formalizando a não participação da nossa maior liderança, do fundador do PT, nos palanques do PT no Brasil a fora”. A aliança com o PMDB nacional, em sua leitura, em vez de trazer ônus para Wagner, tende, na verdade, a ajudá-lo, na medida em que limitaria a articulação dos oposicionistas. “Qualquer movimentação que façam (deputado Geddel Vieira Lima, do PMDB) com o DEM sinaliza com um prejuízo grande para eles na perspectiva do apoio do presidente Lula e do Governo Federal”, acredita.
(Rafael Rodrigues)
Vitória da Conquista: MP aceita pedido de férias e nomeará novo promotor

O Ministério Público Estadual (MPE) aceitou o pedido de férias da promotora Genísia Oliveira, da Vara do Júri de Vitória da Conquista, Sudoeste baiano. A promotora chefiava a força- tarefa que investigava a participação de policiais militares na morte de 11 pessoas e no desaparecimento de três adolescentes, supostamente em represália ao assassinato do PM Marcelo Márcio Lima Silva, no dia 29 de janeiro. Um novo promotor será designado para o processo já que Genísia também pediu o afastamento do caso. No pedido, ela justifica que fará cursos em São Paulo e no exterior. A promotora afirmou, em entrevistas na semana passada, que vinha recebendo ameaças de morte desde que começou a investigar os crimes. Na última terça, o carro dela foi baleado por dois homens em uma moto. O suposto atentado ocorreu no mesmo dia da prisão de dez policiais militares. (Correio)
O Brasil de Dunga. Pronto para a Copa
“A minha coerência é com os fatos”, avisou Dunga numa de suas primeiras respostas durante a entrevista coletiva desta terça-feira, no Rio de Janeiro. E torna-se difícil contestar o argumento usado pelo treinador ao apresentar os 23 nomes escolhidos para a disputa do Mundial da África do Sul. A base que levou a seleção à conquista da Copa América, da Copa das Confederações e das Eliminatórias da América do Sul foi mantida. Restavam poucas vagas em aberto. E esses lugares foram ocupados por jogadores que se encaixaram à perfeição no perfil traçado por Dunga logo que ele assumiu o cargo, depois do fiasco do Mundial de 2006.
As marcas do Brasil na última Copa – o despreparo, o desperdício do talento, a falta de profissionalismo – foram apagadas. Nenhum jogador da lista desta terça entra em campo em má forma. Nenhum é indisciplinado. E nenhum decepcionou quando teve a chance – uma oportunidade valiosa, sonhada por muitos, diga-se – quando foi chamado a defender as cores do Brasil.
Adriano, que se apresentou para a Copa-2006 com mais de 100 quilos, que some do treino de seu clube no dia da visita do coordenador Jorginho e que, infelizmente, sofre de uma doença grave que ainda não foi tratada, não vai à África. Grafite, que construiu aos poucos uma carreira de sucesso às custas da superação de suas limitações, vai no lugar dele. Ronaldinho Gaúcho, que passou de melhor jogador do mundo a apagado coadjuvante – e por pura falta de interesse em aproveitar seu potencial -, ficará em casa. Julio Baptista, Elano e Ramires, profissionais exemplares, competentes e valorizados por onde passam, viajarão a Johanesburgo. Questão de gosto e critérios, é claro. Mas Dunga desde cedo deixou claro quais são os seus.
No caso dos outros excluídos da lista, os novatos Neymar e Ganso, o argumento é outro, mas ainda certeiro. Dunga, o homem que só trabalha com quem confia, jamais teve tempo de convocar os jovens astros santistas. E diante da comparação de ambos com Pelé em 1958, lembra do detalhe que faz toda a diferença: o menino que virou rei na Copa da Suécia já tinha sido chamado para a seleção. “Se tivesse um Pelé, também chamaria.” Neymar e Ganso poderiam ser os astros da Copa da África. Mas como prever como reagiriam com a camisa amarela no maior evento esportivo do planeta?
Dunga fez sua parte. Construiu um grupo homogêneo, entrosado e bem sucedido. Recuperou a imagem da seleção dos arranhões sofridos em 2006. Testou dezenas de jogadores – alguns bons, vários médios, muitos ruins – e concedeu novas chances apenas aos que se esforçaram para aproveitá-las. Não levará à África do Sul o Brasil mais brilhante nem o Brasil mais talentoso. Mas está pronto para disputar a Copa do Mundo.
Por Giancarlo Lepiani
“Análise e comentário do jornalista da Globo, quanto a concepção da maternidade por pessoas portadora do HIV, é uma alerta para governos e sociedade.”
Os militantes do movimento de luta contra aids protestaram contra a declaração do jornalista Alexandre Garcia, feita no Bom Dia Brasil na TV Globo, na última sexta-feira (7), ao dizer que é “uma maluquice” uma pessoa com HIV engravidar.
De acordo com os ativistas da luta contra aids, é “inconcebível” uma afirmação como essa depois de 25 anos de história da epidemia, e que abordar essas questões do HIV/aids com tamanho preconceito, e sem rigor científico, o que favorece o aumento da discriminação às pessoas que adquiriram essa doença.
Alexandre Garcia, alegou que o Ministério da Saúde está estimulando as pessoas com HIV a engravidar. Porém ele acredita que na hora da cesária se respingar sangue no médico, ele vá ter uma reação “esperada” por todos.
O fato ganhou grande destaque na mídia depois que o Ministério da Saúde anunciou que está estudando um plano para ajudar os soropositivos a terem filhos.
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(Kelle Rosado)
Caixa anuncia construção de agência no Bairro Brasil
Em Audiência Pública solicitada pelo presidente da Câmara de Vereadores, Gildásio Silveira, a Superintência da Caixa Econômica Federal anunciou novos investimentos em Vitória da Conquista.
Entre outras coisas, foi anunciada a implantação de uma nova agência da CEF no bairro Brasil, reivindicação antiga daquela comunidade. A cidade vai contar também com mais três casas lotéricas, que serão implantadas na praça do CEASA e nos bairros Brasil e Candeias.
O prefeito municipal Guilherme Menezes – que está em Brasília, onde participa de reunião sobre o PAC 2 – foi representado pela secretária da Transparência, Nadjara Régis. O secretário interino de Infra-estrutura, Luis Alberto Sellman, também participou da audiência.
Reajuste de aposentados será aprovado pelo Senado
Contra Lula, a bancada do governo se uniu à da oposição
Lula Marques/Folha
Lula inaugurou a agenda política da semana com um almoço. Dividiu a mesa com o vice José Alencar e os ministros que integram a coordenação de governo.
Discutiram o tema que mais inquieta o presidente no momento: a generosidade do Congresso com os aposentados. Decidiu-se brigar para reverter no Senado um par de medidas já aprovadas pela Câmara.
Numa, reajustou-se em 7,7% as aposentadorias com valores acima do salário mínimo. Noutra, extinguiu-se o fator previdenciário, índice criado sob FHC para desestimular o pijama precoce e reduzir o valor das aposentadorias novas.
Terminado o repasto, o ministro Alexandre Padilha, coordenador político de Lula, veio à boca do palco para informar:
1. Lula não permitirá que o ambiente eleitoral contamine as arcas do Tesouro.
2. Por isso, o governo deseja reverter no Senado o que a Câmara já aprovou.
3. O Planalto abrirá negociação com senadores governistas e da oposição.
4. Parte-se do pressuposto de que ainda há espaço para a meia-volta.
Se quiser salvar os cofres da erosão, Lula terá de recorrer ao veto. Armou-se no Senado uma aliança pró-aposentados.
Alheia à vontade de Lula e ao discurso de Padilha, a bancada governista rejeita a idéia de rebaixar o reajuste a 6,14%, como quer o governo.
Quanto à oposição, vai votar de costas para a opinião do seu presidenciável, José Serra, favorável ao veto de Lula.
No comando da insurreição governista está Renan Calheiros (AL), líder do PMDB, o sócio majoritário do consórcio governista. No leme da oposição, os líderes Agripino Maia (DEM); e Arthur Virgílio (PSDB).
A posição de Renan foi explicitada na semana passada, num telefonema trocado com o deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Líder na bancada pemedebê na Câmara, Henrique oscilava entre dois percentuais: 7% e 7,7%. Tocou o telefone para Renan.
Queria saber como se comportariam os senadores do seu partido. Renan soou categórico: no Senado, o PMDB aprovaria o reajuste maior. Henrique decidiu, então, não impor aos seus liderados o papel de verdugos de aposentados.
Estourada a boiada do PMDB, legendas governistas menores cruzaram a mesma porteira. Até o PT liberou o seu rebanho. E a encrenca migrou para o Senado.
Ouvido pelo blog, Agripino, o líder ‘demo’, isse que a oposição escora o voto pró-aposentados no vocábulo “coerência”. Recordou que, há três anos, o Senado aprovara o fim do fator previdenciário e a extensão dos reajustes do salário mínimo às aposentadorias.
“Foram decisões unânimes. Votaram a favor todos os partidos. Como é que, agora, nós vamos negar o que aprovamos três anos atrás?”, pergunta Agripino. E quanto à posição de José Serra? “O Serra expressa preocupação com o equilíbrio fiscal. Nós estamos obrigados a resguardar a nossa coerência”, diz Agripino.
O mandachuva do DEM recorda que não partiu da oposição a idéia de favorecer os aposentados. “Quem apresentou os projetos no Senado foi o Paulo Paim, senador do PT e da base do governo…”
“…Na Câmara, Casa em que o Planalto dispõe de maioria folgada, as matérias foram aprovadas de maneira acachapante. Eu pergunto: se os governistas votaram a favor, faz sentido que nós, da oposição, façamos o papel de algozes de aposentados? Nem pensar!”
Antes mesmo da votação, Agripino dá o jogo por jogado: “O aumento dos aposentados e o fim do fator previdenciário são coisas aprovadas”. Não há possibilidade de reversão? “Não existe hipótese. Pergunte ao Renan Calheiros como ele vai votar”.
O líder oposicionista antecipa o próximo lance: O Lula que vete. Ele não tem tantos bônus? Pois agora terá de arcar com o ônus. Quem propôs foi um senador do PT”.
Nesta segunda, a propósito, o senador Paulo Paim escalou a tribuna. Para regozijo da oposição, cobrou pressa na aprovação dos benefícios aos aposentados.
Disse que, embora já aprovada na Câmara, a matéria ainda não fora remetida ao Senado pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP).
Paim está inquieto porque os 7,7% e o sepultamento do fator previdenciário encontram-se pendurados numa medida provisória de Lula.
E uma medida provisória, diferentemente dos projetos convencionais, tem prazo de validade. A dos aposentados expira em 1º de junho.
Se não for votada até esse dia, vai para o beleléu. O risco existe porque a pauta de votações do Senado encontra-se travada pelo pacote do pré-sal.
Lula grudou nos quatro projetos que regulam a exploração das jazidas petrolíferas o selo da urgência constitucional.
Significa dizer que, decorridos 45 dias do início da tramitação, as propostas têm preferência de votação sobre todas as demais.
Trancam a pauta desde a última sexta-feira (7). Agripino e Virgílio reuniram-se na semana passada com Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado.
Os grão-duques da oposição sugeriram a Jucá que convencesse Lula a retirar dos projetos do pré-sal o estampilho da urgência. O Planalto refugou.
Nesta terça, PSDB e DEM farão obstrução em plenário. “Ou o governo retira a urgência, ou nada será votado”, diz Agripino Maia.
“Nós queremos apreciar o aumento dos aposentados e o projeto da ficha limpa, que está para chegar no Senado. Quem parece não querer é o governo”.
Para furar o bloqueio, o Planalto teria de reunir sua tropa. Coisa difícil de ser obtida num instante em que parte dos senadores cuida da eleição, nos Estados.
A essa altura, o bloqueio da oposição pode ser útil ao governo. Em três semanas, a medida provisória dos aposentados vira letra morta.
Algo que livraria Lula do inconveniente de apor o jamegão no veto que açulará a ira dos velhinhos contra a candidatura de sua pupila Dilma Rousseff.






