Quando Filipe subiu ao trono em 338 a.C.,a
maior parte dos gregos desconheciam a Macedônia. Ainda menino, Filipe foi
estudar em Tebas onde fez amizade com Epaminondas. Quando voltou a Pela
(Macedônia) foi considerado sábio pelos pastores. Briguento e corpulento,
conseguiu unificar a região e ser reconhecida pelo resto da Grécia.
De maneira rude, sabia mentir como o mais
descarado hipócrita, sem escrúpulos. Em pouco tempo, levantou o mais formidável
instrumento de guerra, a falange de dez mil homens e se apoderou de vários
distritos de Atenas. Por questões de dinheiro, atenienses e espartanos se
uniram contra a liga da Beócia e da Tessália. Derrotada, recorreu a Filipe.
Atenas acordou para a
situação e recorreu à oratória de Demóstenes para despertar os cidadãos para o
perigo que era a Macedônia. Dizem que ele era gago, mas se aperfeiçoou na fala
usando pedrinhas na boca e declamava correndo morro. Muitas vezes se fechava
numa caverna, barbeando só a metade do rosto, para vencer a tentação de sair.
Não precisando de dinheiro, dedicou-se a
processos célebres, em defesa de clientes de alta classe, entre os quais a
liberdade. Acusaram de defender a liberdade de Atenas contra Filipe para vendê-la
aos persas, que lhe pagavam bem.
ALEXANDRE – Filipe
colocou em liberdade os dois mil prisioneiros capturados e mandou para Atenas
como mensageiro, seu filho Alexandre, de dezoito anos, que se cobrira de glória
como general de cavalaria. Sua mãe Olímpia vivia nos mais desenfreados ritos
dionisíacos. Uma vez, Filipe encontrou-a dormindo, na cama, ao lado de uma
serpente. Disse que na serpente se encarnava o deus Zeus-Amon, o verdadeiro pai
de Alexandre.
O primeiro mestre de Alexandre foi Leônidas
para os músculos, Lisímaco para a Literatura e Aristóteles para a filosofia. O
aluno era belo, atleta, cheio de entusiasmo e candura. Decorou a Ilíada. Muito
orgulhoso como pai, certo dia Filipe disse: Meu filho, a Macedônia é muito
pequena para ti. Uma vez, encontrou um leão e enfrentou armado só de punhal.
Alexandre tinha um fraco por Atenas e, durante sua invasão, anistiou a todos.
Tinha um dever para com ela quando ali estudou filosofia e literatura. Mais
tarde, guerreando na Ásia, mandava os tesouros de arte para que ornassem a
Acrópole de Atenas.
A Grécia deu a Alexandre vinte mil homens para
reforçar seus dez mil de infantaria e cinco mil de cavalaria. Formou, portanto,
trinta e cinco mil homens para enfrentar Dario com um milhão. Em 334 a.C., dois
anos depois de subir ao trono, partiu para uma outra cruzada com fins de reunir
a Ásia e a Europa.
“FOI VERDADEIRA GLÓRIA”
– Conta o autor do livro “História dos Gregos”, de Indro Montanelli, que ao ver
a multidão de seiscentos mil persas, Alexandre teve um momento de hesitação.
Seus soldados gritavam: Anate general! Nenhum inimigo pode resistir ao cheiro
do bode que temos. A derrota existiu, e Dario foi morto pela covardia de seus generais.
Babilônia entregou-se sem resistência.
Alexandre anunciou ao
povo grego sua definitiva libertação do jugo persa. Destruiu Persépolis onde
encontrou prisioneiros gregos com os membros cortados. Matou o assassino de
Dario, esticando ele em dois troncos de árvores. Depois seguiu para a Índia. Na
sua jornada de volta, o calor e a sede mataram e enlouqueceram milhares de
homens. Toda vez que encontravam uma poça de água, Alexandre bebia por último.
No seu programa de
domínio mundial, casou-se com Statira, filha de Dario e com Parisatis, filha de
Artaxerxes. Assim, se consumaria nos leitos a união entre o mundo
grego-macedônio e o oriental, num fusão de sangue e civilização. Logo em
seguida, proclamou sua origem divina como filho de Zeus-Amon. Tentou novas
conquistas na Arábia.
O rei ficou totalmente
abatido com a morte de Eféstion. Amou-o mais que qualquer outra mulher. Mandou
matar o médico. Recusou comida durante quatro dias. Como sacrifício expiatório,
Alexandre mandou degolar uma tribo inteira de persas. Entregou-se à bebedeira
do vinho. Numa aposta engoliu quatro litros de vinho fortíssimo. No dia
seguinte, uma forte febre o atacou e quis beber mais. Entrou em delírios e, no
décimo primeiro dia, começou a agonizar. Era o ano de 323 a. C. e o rei ia completar
31 anos.
PLATÃO – A filosofia
alcançava o zênite. Entre os continuadores, o mais superficial e popular foi
Aristipo que mais pensava em curtir a vida. Quando estava sem dinheiro ia a
Silo hospedar-se com Xenofante, ou em Corinto ficar com a famosa hetera Laís
que pedira a Demóstenes um milhão e meio por uma noite de amor, mas sustentava
Aristipo. Estivera também em Siracusa com Dionísio que uma vez lhe cuspiu no
rosto. O tirano obrigava-o a beijar-lhe os pés. “Não é culpa minha, se os pés
são a parte mais nobre do corpo dele”.
Outro mais nobre foi
Diógenes. Afirmava que o homem não passa de animal e agia como animal.
Satisfazia as necessidades fisiológicas em público, negava obediência às leis e
não se reconhecia cidadão de pátria alguma.
Foi o primeiro a usar o termo cosmopolita.
Como Diógenes,
Antístenes tinha fama de espirituoso. Certa vez, ao ver uma mulher prostrada
diante de uma imagem sagrada disse: Cuidado com tantos deuses que andam por aí,
pode ser que haja uma pelas tuas costas, e lhe esteja mostrando o traseiro.
Platão conheceu
Antístenes e sofreu alguma influência de sua filosofia cínica, como o demonstra
na “República”. Seu verdadeiro nome era Arístocles, que significa excelente e famoso.
Mais tarde chamaram-lhe de Platão, o largo. Aos vinte anos se encontrou com
Sócrates e se tornou intelectual em sua escola. Amou o mestre apaixonadamente.
A morte do mestre e de
Péricles o deixou abalado e se exilou na casa de Euclides, em Mégara, depois em
Cirene e, por fim, no Egito onde procurou sossego na matemática e na teologia.
Voltou para Atenas em 395 a. C. Tornou a fugir para estudar filosofia
pitagórica em Taranto onde conheceu Díon que o convidou para Siracusa, de
Dionísio.
O tirano disse, certo
dia, que ele falava como estúpido. “E tu como um prepotente”. Dionísio mandou
prendê-lo e o vendeu como escravo. Anicero Pagou seu resgate. Com um capital
entre amigos, fundou a Academia. Na entrada estava escrito: Medeis ageometretos
eisito (Mostrem geometria na entrada). Admitiam mulheres, pois Platão era
feminista. Platão morreu dormindo, dizem que tirando uma soneca do cansaço.