Roma denuncia que crime organizado usa reforma agrária e demarcações indígenas para invadir terras no extremo sul

O presidente do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania, João Roma, entende ser evidente a participação do crime organizado nas ações de invasões de terras e propriedades do extremo sul da Bahia. “Já está muito claro que existe participação crucial nessas invasões ilegais do crime organizado”, destacou Roma, nesta quarta-feira (2), em entrevista à Rádio Eldorado FM, de Itamaraju.

Roma salientou que esses grupos criminosos têm se utilizado da pauta da reforma agrária e da demarcação de territórios indígenas como oportunidade para manipular grupos vulneráveis para o cometimento de crimes. “A ausência do Estado nestas regiões ermas propicia esse tipo de ação criminosa; mas nada justifica a ausência do Estado”.

O dirigente do PL disse que uma pauta legítima se tornou oportunidade para o desvio de mercadorias, extorsão aos proprietários de terra. “É o crime organizado tentando se aproveitar dessa questão agrária. Tudo faz parte de estratégia do crime organizado buscando esses novos caminhos de dinheiro”.

João Roma destacou ainda a atuação da deputada federal Roberta Roma que, na secretaria-geral da Frente Parlamentar da Agropecuária, denunciou a situação vivida por produtores do extremo sul da Bahia. Roma citou reunião realizada na manhã de terça-feira (1º), em Brasília, quando foi descrito todo o cenário de insegurança na região. A reunião fez um passo a passo de todas as questões legislativas que criam insegurança para quem produz, tentando insuflar disputas sociais. “Ao invés de titular pessoas assentadas e dar segurança jurídica, querem utilizar pessoas como massa de manobra”.

Roma também foi questionado sobre as eleições de 2026 e reiterou a sua pré-candidatura a governador, mas observou ser fundamental ter capacidade política para realizar a convergência de forças capaz de tirar do poder o PT. “Nessa caminhada, estamos buscando um entendimento, caminhando por toda a Bahia, também estruturando o partido”.

O ex-ministro da Cidadania apontou a experiência do PL em Itamaraju nas eleições de 2024 como exemplo para a Bahia em 2026. Diante da possibilidade de ver eleito um nome do PT, o PL abriu mão da candidatura de Lê da LR e apoiou Jorge Almeida (PSDB), que foi eleito prefeito. “Tínhamos um importante candidato, que era Lê. Conseguimos superar divergências e fazer uma composição. Lê foi decisivo na eleição em Itamaraju e hoje é vice-prefeito. Da mesma forma temos que enxergar as eleições do próximo ano”.