Presidente da CBF Ednaldo Rodrigues chama setores da sociedade para discutir racismo no esporte

Ednaldo Rodrigues chama setores da sociedade para discutir racismo: 'CBF é um instrumento'

Foto: Glauber Guerra / Bahia Notícias

Durante o Seminário de Combate ao Racismo e à Violência no Futebol, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, destacou a importância de todos os setores da sociedade discutirem o tema para que haja evolução.

 

“A CBF foi apenas um instrumento para que isso possa ser alavancado. Não temos o poder de fazer com que se multipliquem as ações de combate ao racismo, e só foi possível por conta desse seminário, onde todos disseram ‘sim, vamos combater o racismo’. Quando falamos todos, são todos os segmentos da sociedade. A começar pelas federações estaduais, os clubes profissionais, de todas as séries, o STJ, o STF, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Interpol, todos os segmentos da sociedade, e até a igreja disse: vamos fazer essa cruzada para o combate à violência e combate ao racismo”, pontuou, em entrevista ao Bahia Notícias. 

 

O mandatário explicou que a ideia é fazer com que os casos de racismo e violência no futebol sejam reduzidos e, para isso, é necessário diálogo. Os torcedores, inclusive, devem fazer parte disso. 

 

“É interessante ouvirmos os torcedores, para nos dar balizamento para saber com o que eles podem contribuir e como podemos contribuir. O presidente das torcidas organizadas do Brasil disse que no estudo que eles têm há apenas 5% de maus torcedores. Vamos trabalhar para que eles desapareçam, e possamos fazer com que esses que vão para cometer crimes no estádio, agredindo, usando drogas, levando mensagens e cânticos de discriminação de qualquer natureza, que eles venham na CBF e que possamos ajudar no que for possível e doutriná-los. Não adianta ir com repressão, tem que ser por meio do diálogo”, ponderou. 

 

Ednaldo reforçou, ainda, que a punição não será feita de forma aleatória. “Aos torcedores, aos clubes, e à toda sociedade, queremos colocar o seguinte: uma lei, para se tornar lei, tem que ter um projeto. Esse projeto é debatido por todas as partes. Aquela lei que quer dar certo tem que ter um debate amplo com toda a sociedade. O que a CBF está propondo não é de uma forma aleatória tirar um ponto do clube apenas pelo prazer de tirar. Essas propostas serão debatidas com vocês, torcedores, porque vocês são a essência de estádios cheios, de um futebol alegre. Temos que inserir todos aqueles agentes que fazem o futebol, para que o tema possa ser regulamentado”, disse. 

 

Por fim, disse que, caso não haja um consenso entre os clubes para que haja uma regulamentação sobre o tema, a CBF irá colocar as punições no Regulamento Geral de Competições. 

 

“Se disso aí não tiver nenhum resultado, se os clubes, o conselho técnico, não aprovarem, vamos colocar no regulamento geral de competições. Cabe ao STJD, aos Tribunais de cada estado, disciplinar, regulamentar a matéria, e o Senado Federal, a Câmara dos Deputados, colocar leis que possam não apenar os clubes e apenar os torcedores que cometem o crime. Hoje, comete o crime, pune com a multa e na semana que vem faz a mesma coisa. Hoje, o que queríamos fazer foi o que fizemos”, explicou. cONTEUDO por Glauber Guerra, do Rio de Janeiro / Nuno Krause