Artigo: DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR – SINGELO ANTITRATADO DO CÉREBRO

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SINGELO ANTITRATADO DO CÉREBRO

Na forma de um ensaio.

Por: Edimilson Santos Silva Movér – Ensaista.

 

Preâmbulo:

Tudo tem uma história, e nada acontece por acaso, o problema é tomar a decisão para contar tal história, também muitos ou todos os grandes feitos, descobertas e acontecimentos ocorridos no mundo, nunca se referem a uma única pessoa, nem possui um único protagonista. Claro que já conhecia o fato de algumas pessoas especiais possuírem cérebros especiais, isto, quase todos o sabem. Descobri em minhas pesquisas que a literatura sobre os cérebros especiais dos Savants é vastíssima, o que nos demonstra que estes cérebros têm gerado exaustivos estudos, embora, com o desenvolvimento atual da neurologia pouco se possa fazer quanto a utilidade das funções destes cérebros especialíssimos. A história deste ensaio que ora se inicia, possui vários responsáveis por sua existência, ou no mínimo, por seu pontapé inicial: No entanto, eu poderia ter sido incentivado por outra via; ou ter tomado conhecimento do tema da reportagem e deixado como estava estampado na revista. O primeiro responsável pela elaboração deste ensaio seria o fato da existência dos Savants, pois, sem eles este ensaio não faria sentido, nem a reportagem: O segundo responsável sou eu mesmo, que resolvi dedicar meu tempo ao estudo do assunto e a tentar analisá-lo e descrevê-lo com alguma coerência e lógica: O terceiro seria o pensador e meu amigo José Mário Ferraz que leu o texto numa revista e me repassou para que eu o lesse e opinasse: Na realidade ele não me pediu textualmente que escrevesse ou opinasse sobre o assunto. Mas, quando cheguei ao seu apartamento, depois dos cumprimentos habituais, ele me disse, – tenho uma coisa que gostaria que você lesse. – Partindo do pensador José Mário, isto é o bastante para me deixar em estado de alerta, alerta este, que o resultado foi este ensaio: O quarto seria o repórter da revista, que elaborou e escreveu com maestria tal reportagem: O quinto seria a própria Revista por publicar tão “interessante” reportagem. Espero que os meus poucos leitores, (entre os quais naturalmente você está incluso), compreendam que este ensaio teve uma motivação extremamente pessoal. Por isso, na intenção de evitar discussões inúteis e vazias, que não nos trazem nenhum proveito! Transcrevo mais uma vez os direitos de todos os cidadãos do planeta, e que constam da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Que diz textualmente no seu artigo XIX: (Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras). Com todos estes direitos de tecer, formar, absorver e transmitir opiniões sobre qualquer assunto: Posso escrever sobre o meu pé, sobre meus ouvidos, sobre qualquer coisa que faça parte do meu corpo físico, sobre meus rins, sobre minha cara feia, sobre  o que creio e o que não creio, inclusive sobre este órgão que me faz pensar sobre ele mesmo! Ou sobre qualquer abstração fruto da minha mente ou não. Aqui, propositadamente só faço referência ao meu cérebro, nunca a mim como pessoa completa e complexa que sou como ser social, que emite opiniões, algumas vezes certas, outras vezes erradas. Também falarei sobre outros cérebros! Do cérebro de Einstein será relatado seu estudo, como também os de alguns Savants e de algumas pessoas comuns e incomuns, destas últimas, somente de leve seus cérebros aqui serão tratados e sempre como comparações. Esta é a minha intenção básica. Salvo se ocorrer uma necessidade ou por um deslize qualquer. Inusitadamente este ensaio, embora tenha como tema central o cérebro do “homo sapiens sapiens”! Subespécie a qual suponho pertencer! O motivo deste “supor pertencer” está em alguns momentos nos quais não devemos sentir nenhum orgulho deste “pertencer”! Pois, em agosto de 2011 um pai, aqui no Brasil mandou matar a própria filha para receber um seguro de vida! Se bem observarmos, a história do homem (após a escrita) veremos abismados, que em alguns momentos  realmente não há motivo de orgulho por fazermos parte desta espécie animal que aprendeu a pensar, a falar e a escrever. Assim, este não é um ensaio ontológico nem pretende ser um estudo escatológico. O que equivale dizer que, este ensaio não se refere ao “homo”, como “Ser” social, ou ao seu fim último como espécie! Então, aqui não trato nem do seu comportamento como “Ser” nem tão pouco da sua finalidade como espécie, ou do seu desaparecimento final. Algo que inevitavelmente um dia ocorrerá! Conforme a lógica mais simples, levando em conta o que pensadores da Hélade há mais de vinte e sete séculos já propunham:  De que no universo, a única coisa permanente existente, seria a impermanência. Aqui chamo a atenção do leitor para a profunda relação sinestésica inerente aos Savants! Embora no momento a neurologia desconheça em que moldes e como esta sinestesia se processe, espero que no cérebro do homem do futuro, isto seja uma ação natural, comum e corriqueira, No entanto, isto não me preocupa tanto, me preocupa mais o CAOS, falarei do CAOS no final deste ensaio, pois, o responsável pela vinda do CAOS, com certeza é o “cérebro” do animal que chamam de “humano”. A sinestesia pode parecer algo complexo e difícil de entender e perceber! No entanto, qualquer pessoa comum a percebe facilmente, se a tomar como uma relação de planos sensoriais diferentes, tome um banho com um sabonete com perfume de erva doce, leve a espuma à boca, o sabor inevitavelmente será de erva doce, ou olhe para uma bola, feche os olhos e leve a bola às mãos, seu cérebro montará a mesma imagem esférica, o problema é que os Savants fazem isto com os números e com as notas musicais, para certos tipos de Savants as notas musicais e os números possuem sabores, cores, inclusive possuindo texturas as mais diversas, daí advém a sua prodigiosa memória musical e numérica. A palavra sinestesia pode ser entendida como: a união de sensações, ou o poder de utilizar as sensações que nos são proporcionadas por vários de nossos sentidos de forma simultânea. Um cérebro comum normalmente é destituído desse poder. No entanto, podemos experimentar debilmente tais sensações, nas relações do paladar/olfato e da visão/tato, ou de um destes sentidos com a audição, como demonstrado acima. É interessante observar que, (Savant é sábio em francês).

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Para um melhor entendimento da ideia do que pretendo expor e propor neste ensaio torna-se necessário que fique esclarecido logo no início, de que: O que disse no preâmbulo a respeito do futuro do “homo sapiens sapiens” comum existindo no futuro com um cérebro Savant seria tão somente uma esperança, e esperanças não são relevantes em nosso existir. Sob nenhuma hipótese ou condição, trato do que foi o “homo” no passado, ou é no presente, mas, me preocupo com o que o “homo” será no futuro! Aqui, o homem como “Ser” que evolui não será abordado, assim, torna-se lógico que nem tão pouco faço um estudo do homem. Nem mesmo como consciência, embora neste ensaio trate brevemente, sem nenhum aprofundamento, da consciência, da memória, da intuição e do seu sentido mais importante, que é a visão, inclusive trato dos outros sentidos, estas entidades, inclusive e principalmente a consciência, nada mais são que: as essências basilares deste organismo que chamamos de cérebro. Note-se que também abordo o importante assunto, de como este mesmo cérebro resolveu o crucial problema de como adquirir proteínas para seu desenvolvimento e aquisição de energia E trato de outras funções ou qualidades, às quais chamo de funções “savânicas”: Os cinco sentidos básicos são presumivelmente o que o cérebro utiliza para tomar conhecimento do universo em que vive e que o cerca. Razão por que temos que levar em conta que, segundo o holismo sistêmico, este cérebro é parte integrante deste mesmo universo. (inclusive, obviamente seus cinco sentidos). E de algumas das relações que os nossos sentidos, indiscutivelmente mantêm entre si, e com este organismo chamado de cérebro e naturalmente com o universo. Entendamos, porém, que: Este será um estudo atomista, mecanicista e determinista, portanto, materialista. Aqui não cabem considerações e discussões religiosas ou filosóficas, no que diz respeito às funções e capacidades conhecidas ou ainda por conhecer, comprovadas ou ainda não comprovadas do cérebro deste animal, que sabemos ser o mais evoluído que atualmente habita o planeta Terra. Para evitar querelas filosóficas inúteis, esclareço que me refiro acima, sob certas injunções (inevitáveis), ao velho determinismo mecanicista laplaciano do encadeamento causal segundo o tempo, e noutras vezes, “trato” o tema sob o enfoque do moderno determinismo científico, que defende o princípio da causalidade supondo uma irrestrita interação entre causa e efeito. Mesmo com a determinação do meu querer, este “tratar” estará sujeito ao contexto do conhecimento vigente adquirido pela neurologia sobre este espetacular organismo que é o cérebro. Que fique também bem esclarecido que: Toda opinião externada fora do estabelecido pela ciência da neurologia sobre o cérebro, será entendido como uma opinião heurística do autor, e de que esta opinião sempre fará referência ao cérebro do autor. Nada tendo a ver com os cérebros de outras pessoas, principalmente com os cérebros de religiosos, de filósofos e de profissionais da medicina, tais quais: médicos em geral, psicólogos, psiquiatras, neurologistas, neurocientistas, pesquisadores, interessados, desinteressados malucos e afins! Embora faça citações de suas descobertas e dos avanços alcançados nos estudos do cérebro humano. A citação do artigo dezenove da carta dos direitos humanos, aqui inserido propositadamente logo no início deste arrazoado. Foi ali transcrito em função de que logo adiante, afirmaríamos, no capítulo 4 que somos 100% cérebro, o que obviamente viria de encontro ao que diz a biologia no que diz respeito a anatomia humana. Que afirma peremptoriamente que o cérebro é um órgão do organismo humano, e não que os órgãos do corpo humano sejam organismos do cérebro. Como afirmo no capítulo 4 que somos cem por cento cérebro! Então, este cérebro, nada mais seria, que nós mesmos. Não nos esquecendo de que estamos lidando com um sistema que já evoluiu suficientemente para reconhecer a si próprio, então! Estaremos inevitavelmente sujeitos a se referir, (como cérebros que somos), ao formalismo filosófico e a atitude comportamental inerente aos “Seres” vivos falantes. Portanto, se como “Seres” somos totalmente cérebros, então, como toda recíproca é verdadeira! Lógico que como “cérebros”, somos totalmente “Seres”. Raciocínio que nos deixa no centro de uma proposição com estas duas únicas janelas de saída, é só escolher!!!… Ora! Os “Seres” possuem sua origem na essência do funcionamento destes cérebros! Mesmo assim! Aqui, estará fora de discussão se a diversidade dos comportamentos destes “Seres” teria sua origem fora do cérebro ou não! Aqui, me reporto à proposição da “Ressonância Mórfica” do biólogo, bioquímico, parapsicólogo, escritor, palestrante e filósofo inglês, Dr. Rupert Sheldrake. Isto, num misto de uma visão holista/sistêmica e mecanicista. Note-se que muitas vezes refiro-me ao cérebro como um sistema que pensa, mas, nunca mantenho um diálogo, nem nunca espero uma resposta deste mesmo sistema. Portanto, na maioria dos momentos, não trato o cérebro como um “Ser” vivo. Ao se decidir fazer um estudo, mesmo que na forma de um ensaio, tendo como tema um sistema extremamente complexo que é o encéfalo humano, nos vemos inevitavelmente diante da ambiguidade de termos que o tratar como matéria física inerte, e às vezes como uma entidade física, mas que, no entanto, pensa, fala e questiona! Portanto, como matéria viva que é.

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Enfim, aqui não trataremos do homem como “Ser”, nem de suas relações com outros “Seres”. Esclareço de antemão que: Sempre que utilizar o plural, estarei me referindo a mim e aos meus abnegados e pacientes leitores… Neste estudo não trato do futuro comportamental do homem nem mesmo de forma filosófica. Aqui somente trataremos das funções e das capacidades já detectadas e comprovadas pela moderna neurologia dos 100.000.000.000 (cem bilhões de neurônios) existentes no cérebro deste animal falante que chamamos, não sei se devidamente, de “humano”. As deduções do resultado e do uso futuro destas capacidades dos Savants ficam a cargo das mentes analítico/dedutivas dos meus poucos e ilustres leitores, portanto, este não é um tratado de futurologia da mente humana nem da escatologia dos seres humanos. Desculpem-me, mas, é por isso que deixo “propositadamente” as deduções que serão feitas sobre o que aqui for exposto e proposto, por conta dos ilustres leitores.

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Numa visão mecanicista posso deduzir, e permito-me

considerar como certo que, nestes tipos de ensaios sobre o cérebro nem sempre caberá o “certo”, “talvez” por vaidade, ou talvez por simples uso da sua lógica e da sua razão, nossos cérebros são obrigados a considerar que eles, ou estes organismos a que chamamos de cérebros, pensam, e pensam de forma autônoma, portanto, decidem por sua própria evolução dentro do tempo e do espaço. Neste momento, o que está convencionado é que a ciência criada por este organismo “cérebro” tem como certo que o mais complexo organismo existente em todo o universo seja ele mesmo, visto que poucas pessoas percebem o fato de que foi este organismo do qual só conhecemos algumas de suas funções, que tudo isso decidiu! (Refiro-me a nós, os leigos). E que, no entanto, ele mesmo desconhece a totalidade de todas as suas “capacidades”. Mesmo assim! Não podemos deixar de reconhecer que foi ele quem criou todo o conhecimento existente atualmente no planeta, e ao qual chamamos de “episteme humana”. Esta condição e prerrogativa assumida ou dada ao cérebro, de criar todo conhecimento, naturalmente que se refere ao que diz respeito ao conhecimento criado e acumulado pela humanidade. Mas, não se refere ao que diz respeito à complexidade da vida em si! O cérebro humano interpreta a vida, mas, não representa a vida em toda sua magnificência, ele faz parte da vida, talvez seja o organismo vivo mais evoluído de todos os organismos vivos. Mas, não é o tudo, ele faz parte do tudo…

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O homem é cem por cento cérebro!!!…

Tenho como certo que o homem seja cem por cento cérebro, (no que, o Dr. João Ferraz, irmão do Luciano Ferraz concorda com este meu ponto de vista), portanto, os nossos apêndices, braços, pernas, tronco, inclusive seus órgãos internos e externos, e sua caixa craniana com seus órgãos internos e externos, cabelos e pelos pubianos, todos, indiscriminadamente, naturalmente à exceção do próprio cérebro, nada mais sejam que sustentáculos e suportes para locomoção, manutenção, conservação e proteção deste mesmo cérebro. Não sei se vou de encontro aos conceitos científicos ou crenças e posturas da biologia, mas, como a paleobiologia moderna nos diz que, os primeiros seres vivos que apareceram no planeta foram os estromatólitos em forma de colônias, isto, há mais de três bilhões de anos, então nada temos a temer! A cronologia destes eventos possui pouca ou nenhuma relevância para o que será proposto neste ensaio. Depois apareceram as primeiras células procariontes e bem depois as eucariontes já com os núcleos definidos e protegidos pela dupla membrana chamada de carioteca, e só muito depois do aparecimento das células eucariontes foi que surgiram os primeiros registros dos organismos pluricelulares simples, E assim, a vida no planeta chegou até aos organismos pluricelulares complexos e,  somente nestes é que surgiram os organismo complexos que a neurologia já pudesse chamar de “cérebros”, ou centrais de decisões. Gastou-se quase ou mais de 4.000.000.000 (quatro bilhões) de anos a contar do surgimento do planeta, para aparecer o primeiro organismo que se pudesse reconhecer como um cérebro… No decorrer deste tempo de 4 bilhões de anos a paleontologia não registra a existência de nenhum fóssil de um organismo pluricelular, (ou seja, de um animal complexo), num tempo que ultrapasse os 600.000.000 (seiscentos milhões de anos) nunca existiu um animal complexo, deduz-se portanto, que a vida animal é relativamente recente no planeta. Considerando na escala de tempo da existência do planeta que é tido como de 4.600.000.000 (quatro bilhões e seiscentos milhões) de anos. (Veja que estou tratando de um cérebro qualquer). Portanto, para o aparecimento ou a invenção do cérebro “por ele mesmo”! Demandou 86,956% da existência do planeta. Olhe! Que no momento não me refiro nem faço referencia ao aparecimento do cérebro do homem pensante, pois, considerando que nosso cérebro inteligente surgiu somente há 250.000 (duzentos e cinquenta) mil anos, neste caso, gastou-se então: 99.995% do tempo da existência deste “mundão de meu Deus” para se chegar até  aos primeiros cérebros inteligentes.

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Este organismo a que chamamos de “cérebro” e que está alojado dentro de um receptáculo apropriado a que chamamos de caixa craniana. Este cérebro que também costumamos chamar de: “Ideia”, “coco”, “coité”, “juizo”, “cuca”, “cabeça”, “miolo”, “massa cinzenta”! Foi criada e postada estrategicamente na parte superior do animal bípede implume que nesta altura de sua evolução, (não sei se apropriadamente), denominamos de “homo sapiens sapiens”. Sabemos que este organismo já foi analisado e dissecado pela neurologia por uma miríade de formas diferentes, e, de que não há muita discussão sobre sua estrutura física nem sobre sua morfologia! Mas, quanto às suas funções e capacidades existem muitas dúvidas e discussões, e estas ao que parece, perdurarão por muito tempo. O que nos leva a deduzir que na realidade desconhecemos a maioria das suas funções, e, como estas funções são geradas neste organismo, e, principalmente, “como e onde” elas são processadas. Quando estas dúvidas e desconhecimentos forem sanados, aí então, já não nos denominaremos mais de “homo sapiens sapiens” mas, sim, de “cerebrae sapiens sapiens”. Pois na realidade nosso organismo, como já disse, é 100% cérebro. Destes raciocínios podemos deduzir que somos, (mas, somos mesmo), em última instância e análise! Cérebros andantes, falantes, pensantes e reprodutores. Qualquer pessoa de bom senso percebe facilmente que o “cérebro” se dedica mais a função da reprodução que a outra qualquer! Considerando que esta afirmação está estribada no fato de que, senão todas, mas, pelo menos a maioria das nossas funções orgânicas e comportamentais, são literalmente comandadas pelo organismo, tema central deste ensaio… Como disse! Qualquer pessoa de bom senso percebe facilmente que o “cérebro” se dedica mais, ou quase que exclusivamente à função da reprodução que a outra qualquer! Assim! Pode-se considerar que a sua função sexual seja a mais prazerosa de sua curta existência. Considerando que a demografia nos diz que há dez mil anos éramos no máximo alguns milhões e de que hoje 19/03/2014 já somos sete bilhões e duzentos milhões de falantes e “enchedores” de latrinas, sendo nosso crescimento demográfico quase exponencial! Então, este mesmo bom senso nos diz que: Se antes o CAOS não nos fizer desaparecer! No decorrer de poucos séculos viveremos ombro a ombro, lado a lado, no que restar do nosso “então”, pequeno planeta azul. Tudo culpa da alta sexualidade do cérebro. Vai gostar daquilo assim, lá adiante!!!…

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Tem uma coisa bastante estranha no funcionamento deste organismo chamado de “cérebro”! É que ele desconhece como ele mesmo funciona! Daí viria a minha antiga desconfiança de que “algo” existente fora do cérebro o comanda… Aqui me refiro as suas funções mais complexas, como a consciência, a memória, a intuição e sobretudo sua visão. Acredito (embora o que eu acredite, não tenha muita importância ou relevância), que no fim, no fim, não sabemos completamente como realmente funciona esta coisa espetacular e maravilhosa que temos atrás de nossos dois olhos e entre nossos dois escutadores de bolero. 

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Muitos cérebros humanos já foram guardados no formol ou no álcool para estudos posteriores, um dos mais famosos foi o do cientista Albert Einstein, este foi guardado por um motivo importante, ele foi tido na época, e talvez até hoje, como o cérebro do homem mais inteligente na “área da física” que já passou por este planeta, e que este cérebro causou a maior mudança na maneira do homem e da sua nascente ciência ver o universo. Como veremos adiante, foi uma sorte que o médico Thomas Harvey tenha retirado e preservado, com autorização ou não, o cérebro de Einstein, embora tenha ficado por longo tempo sem ser feito pesquisas neste importante material, principalmente por que a neurologia não possuía os instrumentos eletrônicos da atualidade, de posse desta moderna tecnologia de análise, a investigação e as análises do material conservado por Harvey finalmente demonstraram que nalguns aspectos havia diferenças notáveis entre o cérebro de Einstein e o cérebro de uma pessoa comum.

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Agora sou obrigado a me explicar e a pedir desculpas aos meus poucos e ilustres leitores pelo fato de iniciar a tratar com minúcia da descrição da entidade/tema deste ensaio, “o cérebro”! De agora em diante vejo-me obrigado a referir à sua complexa estrutura com as mesmas denominações que a neurologia utiliza para se referir às suas mais diversas partes e funções.

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No cérebro de Einstein as diferenças mais notáveis que Thomas Harvey encontrou foram: 1) O sulco lateral, ou (fissura de Silvius), esta era incompleta. 2) Estranhamente Einstein não possuía os opérculos parietais em nenhum dos hemisférios. 3) percebeu-se que o sulco lateral era alargado, e que havia se desenvolvido de forma distinta de outros cérebros. No final do século XX na Universidade McMaster da cidade de Hamilton situada na extremidade oeste do lago Ontário, na província de Ontário no Canadá, uma equipe de pesquisadores chefiada pela Drª Sandra Witelsonestudando material do cérebro de Einstein notou que a área do opérculo parietal do giro frontal do lobo parietal também estava vazia, eles também confirmaram as descobertas de Harvey quanto a ausência dos opérculos em ambos os hemisférios. Conforme a Drª Sandra Witelson, essa anatomia cerebral incomum, seria o motivo pelo qual Einstein pensava visualmente. A neurologia com os modernos avanços proporcionados pelo arsenal de instrumentos de análise e diagnósticos eletrônicos proporcionou a neurologia a oportunidade de detectar se estas diferenças físicas existentes nas estruturas dos cérebros podem ocasionar as diferentes habilidades de cada pessoa, isto será melhor observado se focarmos os extremos, ou seja! Focarmos os estudos para os cérebros dos “tolos” e dos “gênios”. Por exemplo: Numa parte do cérebro de Einstein notou-se a ausência do opérculo, numa parte que chamam de área de Broca e que possui um papel importante na fala humana, e de que, talvez para compensar esta ausência do opérculo, o lobo parietal inferior do cérebro de Einstein era 15% maior que o normal. Esta região é tida com responsável pelo raciocínio matemático, pela cognição visuo-espacial e pela imagística motora. A imagística é a área científica aplicada ao estudo do poder do atributo consciencial da imaginação, ou da inventividade do cérebro humano.

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Conforme declarações do próprio Einstein ele pensava “visualmente” ao contrário da maioria dos humanos, que pensam “verbalmente”. Vou dar um simples exemplo: Isto nos diz que: nós pensamos montando frases, no entanto, Einstein quando pensava ou elaborava no cérebro o ambiente de uma corrida de cavalos, (isto, como exemplo), ele não montava a frase “corrida de cavalos”, aqui vou dar o tal exemplo: (Talvez, com um certo exagero)! Ele simplesmente criava na sua mente uma imagem visual de um hipódromo completo, com canchas, vilas hípicas, box de largada, guichês de apostas, arquibancadas e naturalmente os cavalos correndo. Na cancha ele vislumbrava, junto aos cavalos em disparada, velocidades, gravidade, força centrífuga, ação, reação, inércia, e outras lagartixas. Daí adviria a sua facilidade para visualizar o espaço/tempo distorcido pela gravidade, que logo depois foi calculado por um matemático, este cálculo é o que chamamos hoje de métrica de Schwarzschild, que na realidade é a solução para as equações do campo gravitacional no vácuo. E que na formação da teoria da relatividade geral o cérebro de Einstein visualizou como a distorção do espaço/tempo provocada pela gravidade das grandes massas.

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Devido a complexidade das funções próprias e inerentes ao cérebro e suas distintas localizações, muito recentemente descobertas, torna-se necessário inserir (algumas imagens do cérebro) para que os leitores leigos em “cerebrologia”, entendam melhor sua estrutura, suas nominações, (muito técnicas), e sobretudo entendam mais facilmente o arrazoado que será desenvolvido ao longo deste ensaio que tem como tema central esta máquina complexa e maravilhosa a que chamamos de cérebro, encéfalo, miolo, juízo, ideia, massa cinzenta etc. Embora, já estejamos no meio da segunda década do sXXI e a neurologia já tenha avançado bastante no estudo do cérebro, a realidade é que a neurologia ainda está longe, muito longe  de um completo conhecimento do funcionamento do cérebro, localizar funções é uma coisa, mas, saber como estas funções se desenvolvem, se realizam  e se entrelaçam são realmente coisas distintas, e ainda completamente desconhecidas.

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Quatro, das funções mais importantes do cérebro são a consciência, a memória, a intuição e a visão, isto mesmo! A intuição! Destas quatro a menos entendida e conhecida é a intuição humana, a neurologia confessa que desconhece como todas elas se processam. E o mais angustiante e frustrante é que nem mesmo podemos afirmar nem podemos comprovar que estas quatro funções se processam no interior do cérebro.

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 Nesta altura do ensaio, creio que se torna indispensável e necessário, não uma aula da fisiologia nem da morfologia do cérebro, mas, no mínimo, incluir alguns desenhos de sua anatomia, com as principais denominações de suas diversas partes, que embora sejam nominações meio tiradas a bestas, são inevitavelmente importantes para um melhor entendimento do leitor, das suas variadas funções e capacidades que nas futuras abordagens farei sobre esta entidade complexa e espetacular que é o cérebro humano! Inda mais, se este leitor, como a maioria das pessoas, possuir pouco ou nenhum conhecimento sobre a anatomia do encéfalo ou cérebro, principalmente sobre sua neuro/fisio/anatomia.

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Para facilitar aos leitores leigos em neurologia e anatomia do cérebro: Insiro estas imagens da anatomia do cérebro de forma bem simplificada e resumida: (Não tomem a inserção destas imagens, como uma aula de anatomia do cérebro, pois este ensaio não tem sentido didático), e o autor não teve, nem tem tal intenção. Na inserção destas imagens será conservada a grafia original contida no material fotográfico.

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Nesta imagem acima, numa vista superior, podemos ver claramente a divisão do telencéfalo em dois hemisférios, e sua clara separação pela fissura longitudinal.

 

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Nesta imagem lateral acima estão assinalados os pólos: Frontal, Occipital e o Temporal

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Nesta imagem abaixo, numa vista lateral esquerda, vê-se claramente o Giro Pré-central em cor vermelha, abaixo o Giro Pós-central e dividindo os dois, o Sulco Central e abaixo destes o Sulco Lateral.

Creio que assim, os leitores irão paulatinamente se familiarizando com a nomenclatura das diversas divisões dadas inteligentemente pelos próprios cérebros, “dos neurologista”, às diversas partes do “cérebro” em geral. Vamos adiante… E aqui embaixo, este desenho, nos mostra em vermelho e verde, uma imagem detalhando melhor o que chamam de (Giros) Pré-central, sulco Central e Giro Pós-central, e abaixo dos dois giros o Sulco Lateral.