Genéricos já representam 27% no mercado brasileiro

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 A embalagem tem uma larga faixa amarela e um “G” impresso em fonte maior para garantir ao consumidor que o medicamento comprado é genérico. De acordo a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), é vendido 1,1 bilhão de unidades desses remédios anualmente no país. E, após 15 anos do começo da política no Brasil, a tendência do mercado — que já representa 27,4% das vendas de alopáticos — é de crescimento. Novas pesquisas na área conduzidas por cientistas de países em que o uso de genéricos é ainda mais avançado chegam a conclusões surpreendentes e ajudam nesse sentido. Em alguns casos, o tratamento com eles é até mais efetivo que o feito com produtos de marca, indica estudos.

 A comparação foi realizada com um grupo de medicamentos atuantes na redução do colesterol sanguíneo e, consequentemente, responsáveis pela redução de eventos cardiovasculares. As estatinas são um dos remédios mais prescritos nos Estados Unidos. Mas, assim como os vasodilatadores receitados cronicamente para a hipertensão, nem sempre são administradas pelos pacientes com o rigor exigido nas receitas médicas, impedindo que elas tenham o benefício integral do tratamento. A ideia dos pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard era justamente investigar se o uso de genéricos poderia desempenhar algum papel diferenciado para a adesão das pessoas à terapia.

 

Foram recolhidos dados de prontuários médicos e registros farmacêuticos de 90 mil pacientes com 65 anos de idade ou mais, entre 2006 e 2008, sendo que a uma parcela deles foi receitada a estatina de marca e à outra, o genérico. Os cientistas acompanharam a adesão ao tratamento e os registros de hospitalização por síndrome coronariana aguda, acidente vascular cerebral e mortalidade. Na análise desses dados, descobriram que os pacientes que tomaram as estatinas genéricas eram mais prováveis a aderir ao tratamento prescrito do que aqueles com o terapêutico de marca. Possivelmente por esse motivo, tinham também uma taxa 8% menor de eventos cardiovasculares e óbito. Os resultados foram publicados na revista científica Annals of Internal Medicine.

“Os pacientes só terão o benefício clínico completo dos medicamentos prescritos se os tomarem. Nosso estudo descobriu que eles são mais propensos a tomar estatinas genéricas do que as versões de marca, que têm um custo associado mais elevado”, define o principal autor do estudo, Joshua Gagne, professor assistente de medicina na Divisão de Farmacoepidemiologia e Farmacoeconomia, da Universidade de Harvard. Gagne acredita que o motivo principal para esse resultado é o programa de redução direta de custos no bolso do paciente. No estudo, a média de pagamento por uma estatina genérica foi de US$ 10 e as estatinas de marca tiveram o valor médio de US$ 48. “Nossa descoberta de que a adesão é maior com estatinas genéricas é consistente com outros estudos que mostraram uma relação direta entre os pagamentos mais altos e a menor aderência.”

por Bruna Sensêve

Correio Braziliense