A Gente diz

Greve Ilegal da PM: uma versão surrealista de Tropa de Elite “- A greve da polícia civil ou da polícia militar (para os militares a vedação de greve é expressa na Constituição Federal) põe em risco eventual a vida das pessoas, bem jurídico mais elevado, e atinge diretamente a vida do Estado Democrático de Direito, ao obstruir o exercício das atividades dos Poderes Legislativo, Judiciário e demais serviços do Executivo, além de obstacularizar a economia.”

Nadjara Lima Régis, advogada e procuradora geral do Município

Essa greve dos policiais me traz lembranças de Não verás país nenhum, de Ignácio Loyola Brandão, e de José Saramago, em As Intermitências da Morte. Afinal, é ou não é um surrealismo fantástico, de um dia para o outro, toda família conquistense se vir presa em sua própria casa durante a inteira luz do dia… É ou não é surrealismo fantástico a idéia de existir Estado sem monopólio da força, civilização sem o olho invisível da polícia… É ou não é surrealismo justamente a categoria do funcionalismo social responsável por garantir, por meio do valor simbólico da força, o cumprimento da lei, ingressar na luta dos trabalhadores por condições salariais ocupando prédios, fazendo passeatas, carreatas, desconhecendo o Poder Judiciário, contextualizando arrastões para furtos e roubos a pessoas e estabelecimentos comerciais… Isso não é o mesmo que, de um dia para outro, deixar cada pessoa de morrer, independentemente do mais terrível acidente que sofra, como imaginou Saramago? Quanto a Loyola, destaco-lhes da citada obra essa partícula:“Chegamos a este ponto. Aceitar os Civiltares como necessá¬rios, suportá-los e chamá-los, de vez em quando. Para mim, ter que fazer isso um dia vai ser pior que tomar óleo de rícino”.

Quem não sabe que saiba: greve na instituição da polícia é ilegal, já disseram juízes singulares, Tribunais de Justiça e Ministros do Supremo Tribunal Federal. Simplesmente porque, e faço mais uma apologia a Loyola, “por menos que se goste deles, é preciso reconhecer: evitam catástrofes nesta cidade. Pior sem eles”.

Ministros do Supremo se manifestaram na forma de opinião e de decisão sobre o assunto. O Ministro Eros Roberto Grau, julgando a Reclamação STF 6568, concluiu “a conservação do bem comum exige que certas categorias de servidores públicos sejam privadas do exercício do direito de greve”. O Ministro-Presidente, Cézar Peluso, no julgamento da Ação Cautelar 3034, que visava suspender liminar concessiva do direito de greve à polícia civil do Distrito Federal, em dezembro do ano passado entendeu que o direito de greve do servidor público não é absoluto, que as restrições têm fundamento nos valores que incumbem a cada categoria – se incontornáveis à subsistência do Estado, e reiterou seu pensamento transcrevendo um trecho de um dos seus votos anteriores: “a concluir que os policiais não têm direito de greve, assim como não o têm outras categorias, sobre as quais não quero manifestar-me na oportunidade, porque seria impertinente. E não o têm, porque lhes incumbem, nos termos do artigo 144, caput, dois valores incontornáveis da subsistência de um Estado: segurança pública e a incolumidade das pessoas e dos bens. Ora, é inconcebível que a Constituição tutele estas condições essenciais de sobrevivência, de coexistência, de estabilidade de uma sociedade, de uma nação, permitindo que os responsáveis pelo resguardo desses valores possam, por exemplo, entrar em greve, reduzindo seu efetivo a vinte por cento”. E ao final da decisão, Peluso transcreveu extenso trecho do entendimento do Min. Eros Grau, que transponho na forma de imagem:

Em outra oportunidade, aquém de julgamento de caso concreto, à época que exerceu a Presidência do STF, o Ministro Gilmar Mendes afirmou: “Só o fato de um movimento paredista de pessoas armadas é suficiente para uma reflexão. Não é uma greve pacífica por definição. Sempre há o potencial de conflito, quem exerce parte da soberania não pode fazer greve”. Opinião no mesmo sentido foi manifestada pelo Ministro Celso de Mello, ao dizer que a greve da polícia afeta a sociedade: “São atividade essenciais que não podem ser atingidas por tais movimentos.”
A greve da polícia civil ou da polícia militar (para os militares a vedação de greve é expressa na Constituição Federal) põe em risco eventual a vida das pessoas, bem jurídico mais elevado, e atinge diretamente a vida do Estado Democrático de Direito, ao obstruir o exercício das atividades dos Poderes Legislativo, Judiciário e demais serviços do Executivo, além de obstacularizar a economia. Em Vitória da Conquista, os trabalhos da Câmara Municipal ainda não foram abertos, o calendário escolar não pode ser cumprido nas escolas públicas e particulares da rede municipal de educação, o transporte coletivo foi retirado das ruas impedindo o direito de ir e vir da população, o comércio e os bancos fecharam, ocorrendo igualmente com estabelecimentos de saúde. Capaz de desarticular toda a dinâmica de um Município, o caráter abusivo é inerente a greve de policiais pela própria natureza do serviço prestado: segurança pública.
Não raro, a greve nesse segmento desmoraliza os Poderes Constitucionais, o que não ocorre na greve exercida em outros segmentos sociais, e tem o condão, a depender do tempo de duração, de trazer à luz uma verdadeira guerra civil – basta-nos imaginar a polícia civil e militar, de todo o país, paralisadas. Por isso mesmo, gera um cenário social com força coativa suficiente para ‘extorquir’, do Executivo, vantagens pleiteadas.

Demonstrando o profundo compromisso que tem consigo mesmo, o deputado federal Mendonça Prado, do Partido Democratas, em Sergipe, às vezes de contribuir para o fim da greve da PM na Bahia, defendeu a não prisão dos líderes da greve ilegal dizendo que a polícia baiana recebe solidariedade de todos os policiais do Brasil, conforme matéria no Correio da Bahia online. Esqueceu ele, no entanto, da estudante Jaqueline, submetida a extorsão mediante seqüestro e vítima de violência física por parte de três mulheres e três homens que sarcasticamente lhe disseram que não lhe restava polícia para apelar. Esqueceu, também, das balas perdidas que saíram das áreas periféricas para o centro da cidade. Alguém – pasmem–, questionou-me ao pensar que o comando dessa greve, por ser ilegal, deveria ser alçado a colaborador intelectual dos crimes praticados contra essas vítimas, por incitação conveniente a desordem pública, demonstrando abertamente a paralisação total de suas atividades, com carreatas, passeatas e outros modos.

Sabemos, e muitas vezes a comunidade de Vitória da Conquista demonstrou sua solidariedade à luta dos policiais por melhores condições de vida, que a remuneração não equivale ao risco de vida diária por que passa cada mãe ou pai de família policial, em prol da segurança pública. Sobretudo quando se quer alcançar um cenário de eficiência e não corrupção. Sem a reforma tantas vezes sugerida à organização das polícias, a PEC 300 não pode ser engavetada. A defasagem dos vencimentos da categoria é tão histórica que os salários permanecem insatisfatórios mesmo com o ganho real de 29,40%, alcançado, desde 2006, no governo Wagner (nenhuma outra categoria alcançou esse ganho), pela polícia baiana considerada a que percebe melhores rendimentos dentre os policiais do Rio de Janeiro, Rondônia, Acre, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas, Roraima, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco. Em matéria no Correio da Bahia, a Associação dos Oficiais da Policia Militar (AOPM) foi citada para confirmar que o rendimento bruto inicial do soldado baiano é de R$ 2.117,22, maior do que a média nacional de R$1.020,00, somando-se a isto a conquista do auxílio alimentação. Resta-nos admitir que a luta seja justa, sob o ponto de vista ideal, não tão justa, sob o ponto de vista relativo; o modo da luta, ilegal.

E admitir também que o enfraquecimento estrutural do movimento sindical vulgarizou a greve, porque os trabalhadores limitam sua participação ao caráter imediato da reivindicação salarial e desconhecem ou desqualificam sua intervenção intelectual no processo de transformação social e econômica. A ontologia da greve coloca-a como meio drástico de discussão da classe trabalhadora com o capital privado, discussão a respeito da mais-valia. A admissão de greve aos servidores do Estado – e o Estado não se estrutura sobre a mais-valia – não deixa de ser uma contradição teórica, justificável perante a finalidade de dignidade humana repercutida ao salário por meio do cálculo de seu poder aquisitivo. Foi-se admitindo, na política, a greve aos servidores em decorrência das situações de instabilidade econômica, com os cenários de inflações galopantes, que esqueciam aos servidores o reajuste do poder de compra de seus vencimentos, o que, com a ausência de planos de carreira, gerava graves distorções de ganhos entre empregos públicos e privados. Essa complacência da política faz com que até hoje não haja regulamentação do direito de greve no Estado. Regulamentação necessária, pois imaginem bem todos os médicos e enfermeiros e anestesistas ingressando em greve geral e indeterminada no SUS? Mas isso daria outro texto de opinião.

No mais, esse episódio baiano bem poderia inspirar Fernando de Morais ao Tropa de Elite 3, mas, desta vez, saindo do realismo e inaugurando-o no surrealismo de cinema.

Nadjara Lima Régis é advogada e Procuradora Geral do Município de Vitória da Conquista

‘Epidemia’ de greves faz Dilma rediscutir direitos

Em meio à greve dos PMs na Bahia e a possibilidade de paralisações de policiais virarem ‘epidemia pelo País’, atingindo pelo menos outros oito Estados, o governo Dilma Rousseff desengavetou projeto de lei que disciplina o direito de greve de servidores públicos e exige que o governo seja comunicado com antecedência mínima de 72 horas na paralisação de atividades ‘inadiáveis de interesse público’.

Ontem, o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil (Ugeirm-Sindicato) do Rio Grande do Sul anunciou o início de uma operação padrão. No dia 15, PMs e bombeiros ameaçam entrar em greve no Espírito Santo. Líderes da PEC 300 (que aumenta o salário de policiais e unifica os pisos pelo País) informaram que Minas também já enfrenta focos de reclamação da categoria.

No Rio, policiais e bombeiros marcaram uma assembleia para hoje e podem definir greve a partir de amanhã. Isso apesar da tentativa do governo de adiantar reajustes para evitar mobilizações. Levada ontem a Assembleia, a proposta foi considerada insatisfatória por associações e representações de classe, recebeu 78 emendas e saiu de pauta.

Líder do PSDB baiano, legenda que abriga o líder da paralisação, o deputado Antônio Imbassahy diz que o governo federal, ‘ao assumir a negociação na Bahia, da forma como foi feito, convocou os policiais de outros Estados a aderir ao movimento’.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem que o Congresso está disposto a rediscutir o direito de greve. Mas reiterou que não vai pôr em votação a PEC 300.

Direito de greve. O projeto de lei de restrição ao direito de greve foi preparado pela Advocacia-Geral da União em 2007, mas parou na Casa Civil, que, então comandada por Dilma Rousseff, não levou a proposta adiante.

O projeto de lei preparado em 2007 prevê que a deflagração de greves de servidores públicos seja aprovada por pelo menos dois terços da categoria. Hoje, na Bahia, a paralisação é liderada por uma associação que só representa 2 mil dos 32 mil PMs. E a assembleia da categoria só poderá ser convocada dez dias após o envio da pauta de reivindicações à autoridade competente.

O texto inclui segurança pública entre os 19 serviços considerados ‘inadiáveis de interesse público’, em que o estado de greve deverá ser declarado com antecedência mínima maior, de 72 horas. E a proposta limita a paralisação a 40% dos servidores de um órgão. / COLABORARAM ALFREDO JUNQUEIRA E DENISE MADUEÑO

xecutivo Municipal e entidades da sociedade civil discutem a segurança do município


Aconteceu na manhã dessa terça-feira, 7, no gabinete civil da Prefeitura de Vitória da Conquista uma reunião entre a Administração Municipal e representantes de diversas entidades da sociedade civil com o objetivo de discutir a segurança pública no município, em virtude da greve da Polícia Militar.

O prefeito municipal Guilherme Menezes reiterou que, desde o início da greve, a Administração tem feito todos os esforços e mantido contato com o Governo do Estado, por meio dos deputados estaduais e federais que fazem parte da base aliada do governo, solicitando providências para garantir a segurança e a manutenção da tranquilidade no município.

Durante a reunião, o prefeito comunicou que, em resposta ao ofício encaminhado ao governador do Estado, chegarão, inicialmente, a Vitória da Conquista ainda hoje, 23 agentes da Polícia Rodoviária Federal vinculada à Força de Segurança Nacional, com o propósito de manter a ordem pública. Eles vão patrulhar as entradas e saídas da cidade, bem como a zona urbana da cidade.

“É muito importante ter esse grupo aqui, observando quem entra e quem sai da cidade, quem está no centro”, destacou o prefeito. Ele salientou ainda: “O que nos interessa é o fim desse momento, sem prejuízo para a vida de ninguém. O que desejamos é que venha a solução o mais rápido possível”.

De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória da Conquista, Marcos Alberto de Oliveira, “a reunião foi bastante positiva; todas as entidades se pronunciaram. O prefeito solicitou a Força Nacional e já chegou um ofício dizendo que o Estado vai atender à solicitação. A gente espera que, na medida do possível, a sociedade volte a se movimentar tranquilamente, como vinha sendo na semana anterior”.

O presidente do Conselho de Segurança Pública da cidade, Joir Sala, ressaltou também que a reunião foi positiva. “O que nós estamos buscando junto  ao Gabinete da Prefeitura e todo o segmento da sociedade civil organizada são alternativas para que tenhamos segurança para que Vitória da Conquista possa voltar à normalidade”.

“A partir de agora, estamos retornando as duas garagens e vamos retomar o trabalho sim. Vamos nos reunir com os trabalhadores e vamos começar a rodar”, assegurou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Carlos Fernandes, ao final da reunião. Cinquenta ônibus já estão circulando em Vitória da Conquista.

Anuncio da vinda de Força de Segurança Nacional para a cidade deixa conquistense com a sensação de mais segurança.


Com o anuncio de que a força de segurança nacional estaria chegando ainda hoje, em conquista, a população já demonstra a sensação de segurança, a população sai do casulo e vai às ruas e a movimentação de veículos e transeuntes já é percebida nas principais avenidas do centro da cidade.
O Comercio nesta terça-feira, funcionou de forma parcial, com apenas algumas lojas abertas, outras tantas, somente com partes de suas portas abertas.
A uma expectativa muito grande de que o ”estádio de sítio” como alguns dizem, ou a histeria como afirmou o Prefeito Guilherme Menezes,  em entrevista no programa de Wilson Brasil – Rádio Brasil FM -, esteja acontecendo na cidade. Acabe. Ainda hoje, com o desfecho dos acontecimentos que ocorre em Salvador.
O governo tem que reavaliar todo o sistema de segurança que oferece aos baianos, por que segurança pública não só se faz com apenas uma força, é um conjunto: Justiça, Ministério Público, Polícias  Rodoviária Federal e PF- Exercito, Marinha, Aeronáutica, e, além de outras importantes forças, como corpo de bombeiro PM, Policia Civil  etc. E de fato foi comprovado, de que a sociedade toda ficou refém dos acontecimentos e da mobilização de apenas uma categoria, que usou de forma política toda uma logística de mobilização para sensibilizar o Estado de suas reivindicações.
as fotos registradas as 13,40 minutos de 7 de feveiro d012

Cid Gomes diz que conceder anistia a PMs é ‘frouxidão’

O governador do Ceará Cid Gomes (PSB) classificou a anistia contra policiais grevistas como “frouxidão” e a paralisação, “crime federal”. Sem fazer referências diretas à greve de uma parcela da Polícia Militar da Bahia, Gomes defendeu que o governo federal esteja pronto para o envio de grandes efetivos de segurança em casos de paralisações nos Estados. “Se quem deveria fazer segurança entra em greve, o que é proibido pela Constituição, o país deve ter formas de assegurar segurança à população”, disse à Folha. Primeiro governador a lidar com uma greve de policiais militares este ano, ele declarou que “na hora que se concedeu a anistia, isso é uma frouxidão”. No caso dos profissionais cearenses que paralisaram as atividades, ainda não houve aprovação de anistia. “Greve não é uma iniciativa de quem quer negociação. Greve é uma medida extrema”, sentenciou Gomes.

Cerco a grevistas continua na BA; governador promete negociar

O clima foi de tranquilidade na madrugada desta terça-feira na Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, onde estão reunidos cerca de 300 policiais militares em greve desde a semana passada.

Veja fotos da greve da PM na Bahia
Policial grevista deixa Assembleia da Bahia
Governador do CE diz que anistia a PMs é ‘frouxidão’
Grupo armado incendeia ônibus escolar na Bahia
Mulheres e crianças deixam prédio da Assembleia da BA
Greve da PM suspende início das aulas na Bahia
Ministro da Justiça vê ‘vandalismo’ em ação de grevistas

O cerco ao local continua. Nesta manhã, por volta das 8h, ocorreu a substituição das tropas do Exército que passaram a noite no local.

Na madrugada, um veículo blindado foi colocado na principal entrada do local e um helicóptero também sobrevoou a área.

A maior parte dos grevistas continuava na parte interna do prédio.

Fabio Guibu/Folhapress

Tropas do Exército continuam cerco à Assembleia Legislativa da Bahia, ocupada por policiais militares em greve

Na madrugada, um policial deixou o local. Ele saiu sozinho, passou por triagem da Polícia Federal e foi liberado após a constatação de que ele não tinha nenhum mandado de prisão contra ele. Mulheres e crianças também deixaram o local na noite de ontem (6).

Em entrevista ao “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, o governador Jaques Wagner (PT) disse que interlocutores do governo conversaram até de madrugada com os grevistas.

Segundo o governador, as conversas estão evoluindo e uma nova rodada de negociações deve começar na manhã desta terça-feira.

GREVE

A greve dos PMs da Bahia começou na semana passada. Eles reivindicam aumento salarial e a incorporação de gratificações aos salários.

O governador Wagner disse à Folha que não pagará nada acima do reajuste já concedido ao funcionalismo do Estado.

A Assembleia Legislativa foi invadida pelos grevistas e está cercada por homens do Exército desde a madrugada. A luz foi cortada no local.

Na manhã de ontem, diversos focos de tumulto ocorreram no local, e homens do Exército usaram balas de borracha e bombas de efeito moral.
GRACILIANO ROCHA
DE SALVADOR
FÁBIO GUIBU
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

Sindicato defende segurança para bancários


Categoria não pode ser exposta a riscos


No oitavo dia de greve dos policiais militares da Bahia, o Sindicato dos Bancários de Conquista e Região mantém a orientação de fechamento das agências para que a segurança dos bancários seja preservada. 


“Reiteramos aos gestores que compete aos patrões garantir segurança aos bancários até que a greve da PM seja finalizada”, esclarece o presidente do Sindicato dos Bancários Delson Coêlho.


Em contato com as agências bancárias no início da manhã de hoje (7), o Sindicato apurou que ainda não há definição quanto ao atendimento nesta terça-feira.


Logo mais às 9h30, o Sindicato participará de uma reunião na Prefeitura Municipal, juntamente com a Câmara de Dirigentes Lojistas e sociedade civil. Na ocasião, será discutida a questão da falta de segurança na cidade.

Salário de policiais baianos está acima da média nacional

Salário de policiais baianos está acima da média nacional

Desde 2008, a categoria se mobiliza para a aprovação da PEC 300 que estabelece piso de cerca de R$3,5 mil

Da Redação

Como ocorre na maioria das mobilizações de profissionais, a greve parcial da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) tem com uma das principais pautas de reivindicação as melhorias salariais. Reajuste, aumento na gratificação, pagamento de benefícios e estabelecimento de piso e de plano de carreira são alguns dos principais impasses para o retorno das atividades. Na Bahia, de acordo com Associação dos Oficiais da Policia Militar (AOPM), o rendimento bruto inicial do soldado é de R$ 2.117,22, maior do que a média nacional de R$1.020,00.

Desde 2006, quando a remuneração base era 1.297,37, os policiais tiveram um ganho real de 29,40%. No caso do sargentes, o valor pago é de R$2.748,48, quase R$1.300 a mais do que o valor pago em 2006. Os órgãos do governo baiano destacaram também que os policiais conquistaram outros direitos, como vale alimentação, a restruturação da carreira de praça e o tempo máximo de permanência nos postos de tenente-coronel e de coronel para 9 e 6 anos.

No último concurso estadual para Admissão no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar, realizado em 2011, foram selecionados 120 profissionais. Durante os três próximos anos, eles seguirão estudando recebendo uma bolsa mensal de 30% do salário de um soldado. Uma das demandas apontadas pelos policiais grevistas é o aumento do pagamento feito pela GAP III (Gratificação por Atividade Policial) para a GAP V. Com isso, segundo a AOPM, os vencimentos teriam acréscimo de pouco mais de R$2 mil reais.

Comparado a outros estados da federação, a Bahia paga melhor aos policiais do que Rio de Janeiro, Rondônia, Acre, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas, Roraima, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco. Entretanto, estados menores dentro da região Nordeste como Sergipe, por exemplo, a categoria tem vencimentos maiores, de pouco mais de R$3 mil.

De todos as unidades, o Distrito Federal (DF) é o que paga melhor aos policiais e bombeiros. Para se ter uma ideia desde que foi aprovado e sancionado o Plano de Carreiras, pelo ex-presidente Lula, em 2009, a renda básica do policial militar passou a ser de R$4.129,73. No caso da Polícia Civil, o salário ultrapassa os R$ 7 mil.

Mobilização nacional
Para tentar uniformizar o pagamento e padronizar os vencimentos básicos da categoria, em todo o Brasil, desde o ano de 2008, policiais/bombeiros militares e policiais civis fazem uma mobilização para a aprovação da PEC 300. Pelo Projeto de Emeda Constitucional, que tramita no Congresso e foi incorporada à PEC 446, o piso da polícia militar seria de R$ 3,5 mil. No caso da Polícia Civil, o valor seria de de R$ 7 mil.

Os policiais alegam que, no caso dos estados não puderem pagar a diferença, o governo federal poderá criar um fundo destinado para cobrir a diferença. O governo alegou que o rombo no orçamento impediria a execução e viabilidade do projeto. Com a onda de assaltos e crimes na Bahia, os deputados retomaram as discussões sobre a necessidade de aprovação da PEC.

De acordo com a assessoria da Câmara de Deputados, na última sexta-feira (3), o parlamentar Átila Lins entrou com o pedido para que a pauta seja inserida na ordem do dia e seja apreciada pela casa. Caberá ao presidente da casa, deputado Marco Maia, acatar o pedido.

Diante da série de mobilizações no Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, o autor da PEC 300, deputado Arnaldo Faria de Sá, acredita que somente a aprovação da emenda seja a solução para os impasses. “Sem nenhuma, pode ser a solução para todos os demais estados. Todos os policiais militares vivem hoje uma situação difícil: o bico é maior do que o salário oficial e, quando chega perto da aposentadoria, dá desespero, porque o bico não vale para a aposentadoria, o que vale é o salário oficia”, declarou.

Em entrevista à Folha, Wagner atribui a parte dos policiais grevistas alguns dos assassinatos

GRACILIANO ROCHA (DE SALVADOR) FÁBIO GUIBU (ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR), Folha

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse ontem que os métodos usados por uma parte dos grevistas da Polícia Militar do Estado são “coisa de bandido”.

O petista se referia ao uso de armas para tomar ônibus e bloquear vias e também atribuiu à parte dos policiais do movimento alguns do assassinatos nos últimos dias.

O governador negou ter sido omisso no episódio da deflagração da greve de PMs que gerou uma onda de mortes e de saques em Salvador.

Wagner, que acompanhava a presidente Dilma Rousseff em viagem a Cuba quando a paralisação estourou, admitiu que o governo foi surpreendido pelo tamanho do movimento grevista.

O governador afirmou que a greve na Bahia está sendo orquestrada nacionalmente para pressionar a aprovação da PEC-300, a proposta de emenda constitucional que cria um piso nacional para os policiais.

Ex-sindicalista, o petista disse que não vai oferecer nenhum aumento além dos 6,5% já dados ao funcionalismo em 2012 e é contra anistia a policiais envolvidos em atos de vandalismo.

Folha – Esta greve poderia ter sido evitada?

Jaques Wagner – Isso é mais levante do que greve, pelo jeito como foi feito: caboclo põe dois “berros” [armas] na cintura, tira população de dentro de ônibus, agride as pessoas, interrompe o trânsito. Têm por obrigação legal garantir a ordem pública e estão fazendo o contrário. Esse movimento tem esse caráter nacional: tem uma direção nacional, uma cartilha cujo objetivo é a votação da PEC-300.

Mesmo com motivação nacional, houve uma adesão forte dos PMs daqui por melhores salários.

Quem não quer ganhar mais? Todo mundo quer, mas precisa saber da legalidade e das consequências. Não é pouca coisa o aumento de 30% acima da inflação que policiais tiveram em cinco anos.

No momento em que a greve foi deflagrada, o sr. estava em Cuba. O sr. foi surpreendido?

Eu estava monitorando. A assembleia [de grevistas] foi dia 31 à tarde, cheguei na madrugada do dia 2. Havia autoridade aqui. Tinha o governador em exercício e o secretário de Segurança. A primeira ligação que eu recebi foi informando que a assembleia deu mais gente do que eles achavam que ia dar. A avaliação que as estruturas de segurança tinham [do movimento] não se confirmou na assembleia. Isso é fato.

O governo não negocia com a Aspra (entidade que lidera a greve) por isso?

É a associação que tem o menor número de associados.

Mas tem o controle do movimento. O sr. já foi sindicalista. Não é um equívoco não negociar com quem lidera?

Não acho que a categoria tenha apreço por essa liderança. Ninguém do governo vai receber o [presidente da Aspra, Marco] Prisco. Ele está com ordem de prisão decretada.

Em 2001, quando a PM parou por duas semanas e também houve uma onda de violência na Bahia, o sr. era de oposição e apoiou o movimento.

Eu não.

O partido do sr. apoiou.

Vários parlamentares apoiaram, eu não apoiei. Eu entrei para negociar e ajudar a sair da greve.

Pode haver invasão da Assembleia, onde estão acampados os líderes do movimento?

Invasão, não, porque é um prédio de outro poder [Legislativo]. Mas o próprio poder está incomodado com a presença de pessoas com ordem de prisão sentadas ali.

O Estado baiano ou as Forças Armadas irão prender essas pessoas?

Tem uma ordem judicial para ser cumprida. A estrutura militar e policial está montando uma estratégia para cumprir a ordem.

O sr. pode anistiar os grevistas?

Não vou assinar anistia nenhuma a quem cometeu crime, invadiu ônibus, matou mendigos ou moradores de rua, como foi feito. A figura da anistia não existe, ela só existe quando se encerra um regime de exceção. Não estamos em um regime de exceção. Anistia é presente e estímulo a esse processo.

O sr. tem informações concretas que grevistas mataram pessoas?

Óbvio que não tenho prova. Como a estratégia deles é a criação de pânico, é muito estranho que nesses dias morram moradores de rua na proximidade da associação deles. Você pode perguntar se estou sendo leviano. Estou falando de uma suspeita; será acusação se a gente conseguir provas.

O governo pode fazer alguma concessão para encerrar o impasse?

Não tem acordo. Não dá para a gente ficar alimentando isso como método de reivindicação salarial. Isso não existe. Qual é a segurança que posso lhe dar amanhã se é a polícia quem está tirando cidadão de ônibus? Isso é coisa de bandido. Estou falando até como ex-grevista.

Os militares darão segurança ao Carnaval de Salvador?

Ainda estamos a 10 ou 11 dias do Carnaval. Não há hipótese de esse planejamento da PM para o Carnaval não ser cumprido. Até lá estará acabado esse processo [de greve].

O sr. vai cortar o ponto de quem aderiu à greve?

Há uma separação gritante entre os marginais, que estão cometendo esses troços, de quem está querendo ganhar mais e aderiu. Tenho de separar o joio do trigo. Quem cometeu crime vai responder na Justiça. Para os outros, não, [o corte de ponto] será instrumento da negociação do comando da PM com eles.

Grevista é hostilizado em carreata no Sul da Bahia

Grupos de policiais militares que saíram no início da tarde desta segunda-feira, 6, em carreata por cidades do litoral sul baiano puderam constatar que o movimento grevista não tem apoio algum da população. E a indignação não é só pelo caos causado em uma região turística, às vésperas do Carnaval. O piso salarial da PM na Bahia chega a R$ 2.400 mensais, mais que o dobro do salário médio da região, o que tem gerado revolta contra a greve em todos os setores da sociedade, do empresário do ramo hoteleiro ao feirante. O salário dos policiais é citado em qualquer conversa de padaria em cidades como Itabuna, Nova Ibiá, Itamarí, Teolândia, Wenceslau Guimarães e Gandu. Era visível a vontade que feirantes tinham de vaiar ontem a carreata de PMs que passou em frente à Centrais de Abastecimento de Ilhéus. “Eu vendo manteiga e queijo há mais de 30 anos e nunca consegui tirar R$ 2.400 por mês. É um aburdo o que esses policiais estão fazendo de novo com a gente, justo agora que o Carnaval tá chegando”, disparava no entreposto a sergipana Ednéia Francisca de Oliveira, de 61 anos. Ela iniciou a primeira de uma leva de desaforos disparados por outros feirantes contra o grupo de policiais. Leia mais em O Estado de S. Paulo.

Salvador é uma mentira

Gilberto Dimenstein*

Sou de uma geração que via em Salvador a terra da felicidade e da criatividade por causa de gente como Gil, Caetano, Glauber, Jorge Amado, Verger, Bethânia, Gal, João Ubaldo, e por aí. Essa imagem de alegria e da descontração ficou por causa do majestoso Carnaval de rua. Mas é uma mentira – e a violência que se vê ali, depois da greve, é um retrato profundo.

Por razões familiares, vou com constância para Salvador e o que vejo é uma cidade cada vez mais decadente e violenta – vemos isso pelo lixo na rua e pelos indicadores de morte na periferia, além do aumento do roubo.

Mas o pior sinal, o mais trágico, é a gigantesca fuga de cérebro da cidade. São talentos da publicidade, da medicina, do marketing, das finanças, que vêm para São Paulo ou Rio. É gente simbolizada por tipos como Nizan Guanaes. Tire os baianos da publicidade paulista e tenta imaginar quantas empresas a menos teríamos – e quantos prêmios não viriam.

Com tantos talentos, São Paulo deveria pagar royalties para a Bahia. Recife para segurar seus talentos criou, por exemplo, o Porto Digital e passou a exportar software.

Os baianos que conheço, principalmente os que saíram, são muito mais duros com Salvador que eu estou sendo neste momento.

A boa notícia é que dá para reverter, como mostra o Rio, cada vez mais exuberante economicamente. Mas o êxodo de cérebros faz desse desafio quase uma missão impossível.

* Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Em colaboração com o Media Lab, do MIT, desenvolve em São Paulo um laboratório de comunicação comunitária. É morador da Vila Madalena.

Conquista ganha mais uma Clínica especializada – trata –se da Valverde – Medicina diagnostica –

 

O grupo liderado pelo médico Valverde estará inaugurando ainda nesta  semana, a nova Clinica Médica. Valverde  Medicina Especializada.
A Clínica esta localizada na Avenida Otavio Santos, Bairro Recreio próximo ao edifício da Policlínica Vida.  E segundo a coordenadora de ralações Institucional  da empresa, Any, o edifício e todos os equipamentos já se encontram  instalados e em perfeita condição de funcionamento. Muitos destes equipamentos, são de alta tecnologia  e terá uma função importante para facilitar o trabalho do profissionais em diagnosticar os procedimentos de seus pacientes.
Previstas para começar as atividades a partir desta quarta–feira, 08 de fevereiro de 2012.
Dentre as especialidades que serão atendidas na Clínica são:
Medicina Interna; Doppler Color; Crânio Transfontanela;Pênis; Bolsa Escrotal; Glândulas Salivares, etc
A Valverde Medicina diagnóstica – já funciona – no IBR, Santa Casa de Misericórdia e Policlínica  Vida. Brevemente estaremos entrevistando o doutor Walverde, oportunidade que iremos pontuar e destacar alguns assuntos relacionados aos setores de saúde e do empreendimento e da filosofia de atendimento desta empresa genuinamente conquistense.