A Gente diz

Gravação revela que PMs grevistas da BA teriam planejado vandalismo

Jornal Nacional teve acesso a gravações feitas com autorização da Justiça.
Áudio mostra articulações para que a paralisação se estenda ao RJ e a SP.

Do G1, com informações do Jornal Nacional

Conversas gravadas entre os chefes dos PMs grevistas na Bahia mostram acertos para realização de ações de vandalismo na cidade. As gravações mostram também articulações para que a paralisação se estenda ao Rio de Janeiro, a São Paulo e outros estados. Os PMs envolvidos negam participação em ações violentas.

O Jornal Nacional teve acesso a gravações feitas com autorização da Justiça de conversas de líderes dos movimentos grevistas da Bahia e do Rio de Janeiro.

No primeiro trecho, o presidente de uma associação que reúne bombeiros e policiais baianos, Marco Prisco, combina uma ação de vandalismo com um de seus liderados. Prisco nega ter participado de atos de violência.

Leia abaixo um dos trechos de conversa:
Prisco: Alô, oi. Desce toda a tropa pra cá meu amigo. Caesg e você. Desce todo mundo para Salvador, meu irmão… Tou lhe pedindo pelo Amor de Deus, desce todo mundo para cá…
– David Salomão: Agora?
Prisco: Agora, agora. Embarque…
David Salomão: Eu vou queimar viatura… Eu vou queimar duas carretas agora na Rio/Bahia que não vai dar tempo…
Prisco: fecha a BR aí meu irmão. Fecha a BR.

Em outra gravação, quem aparece falando é o cabo bombeiro do Rio de Janeiro, Benevuto Daciolo. Ele já foi candidato a deputado estadual no Rio e foi um dos líderes do movimento grevista da corporação no ano passado.

Daciolo conversa com um homem a quem ele classifica de “importantíssimo” a respeito de uma possível votação da PEC 300, a emenda constitucional que garantiria um piso salarial único para bombeiros e policiais de todo o Brasil. Nesta conversa fica claro que o objetivo é estender a greve de policiais e bombeiros a Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados com o objetivo de prejudicar o carnaval.

Dacilolo: Pergunta ao senhor que é pessoa importantíssima a respeito da nossa PEC…pergunto: qual é a verdadeira possibilidade de nós conseguirmos passarmos em segundo turno na semana que vem? Não sei se o senhor sabe. Eu estou com uma assembleia Geral amanhã no Rio de Janeiro, com a abertura de uma greve geral no Rio também, com probabilidade de não ter carnaval nem na Bahia nem no Rio esse ano. E São Paulo acho que está para dar uma resposta agora e os outros estados também. Nós acreditamos que, se tivesse uma resposta do governo, assinalando numa possibilidade de votação no segundo turno da PEC, acalmaria muito, muito o que está acontecendo na Federação.

Em outro trecho, o cabo Daciolo, que estava em Salvador, ouve de uma mulher uma recomendação para que tente influenciar o movimento dos grevistas baianos a não fechar um acordo com o governo. Segundo esta mulher, isto enfraqueceria uma possível greve no Rio.

Mulher: Daciolo, Daciolo, presta atenção. Está errado fechar a negociação antes da greve do Rio…
Daciolo: Tudo bem, tudo bem… sabe o que vou fazer agora??? Ligue para ele que eu vou embora daqui, não vou ficar mais aqui.
Mulher: Eles não querendo que você avalize um acordo antes da greve do Rio. Depois da greve do Rio, muda tudo. Sabe como você vai ajudar eles? Voltando para o Rio, garantindo aqui. O governo vai fazer uma propostinha rebaixada para vocês, vai melhorar um pouquinho esse negócio que eles colocaram. E acho…se vocês garantirem a greve aqui, a mobilização aqui, vocês vão ajudar eles a liberar o Prisco, a ter uma negociação…

Outro lado
Ouvido pela equipe do Jornal Nacional por telefone, o cabo Daciolo disse não se recordar da conversa gravada e alegou estar participando de um movimento pacífico na Bahia.

Rio de Janeiro
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que as gravações comprovam que o movimento tem como objetivo gerar insegurança na população e provocar distúrbios que ameaçam a lei e a ordem. Para o governador, essas pessoas não representam o sentimento da maioria dos profissionais de segurança do estado.

RÁDIO COMUNITÁRIA É INCENDIADA NO MUNICIPIO DE IBICOARA-BA

Na madrugada desta quarta-feira (08), a Rádio Comunitária Ibicoara FM foi alvo de um incêndio criminoso. Há mais de 15 anos no ar e um dos primeiros meios de comunicação do povo, a rádio teve todos os seus equipamentos queimados com álcool. Segundo Emerson Bispo, morador de Ibicoara e locutor da emissora, acerca de um mês e meio entrou na grade programação da rádio o programa A Voz do Povo, espaço destinado ao contato direto com os ouvintes, a fim de que a população pudesse relatar as dificuldades do dia-a-dia e, assim, alertar as autoridades sobre as necessidades do povo da cidade. O programa alcançou bastante audiência e, conforme afirmou Bispo, em email enviado ao Brumado Notícias, passou a incomodar algumas lideranças políticas do município. No incêndio, a porta da frente foi arrombada e os criminosos atearam fogo no lugar. A comunidade local conseguiu controlar as chamas, mas toda estrutura da rádio perdeu-se na tragédia. Para Emerson, Ibicoara está em luto.

Fotos: Emerson Silva Bispo

A tragédia do Edifício Liberdade. “Eis uma lição e um alerta”: O pó está caindo do teto sobre as mesas dos pastores, mas eles continuam enriquecendo, furando vigas para colocar quadros com suas fotos, cortando pilares doutrinários e abrindo novas janelas para o mal.

A imperícia em obra clandestina resultou em mortes e três edifícios reduzidos a escombros no centro do Rio de Janeiro. O prédio art déco que ficava bem ao lado de Teatro Municipal foi construído no início dos anos 40 e abrigava dezenas de pequenos escritórios.
O edifício estava castigado pelo uso e por inúmeras reformas fora de padrão. Empregados disseram que as rachaduras avançavam. Tudo indica até agora que o gatilho da tragédia foi uma obra de engenharia clandestina e mal planejada. As mudanças foram profundas. O piso foi revestido de granizo e as paredes foram erguidas, alterando a planta original. Desde a sua inauguração diversas janelas foram abertas nos andares mais altos. Tudo veio ao chão.
Ao ler esta notícia minha mente viajou para as palavras de Paulo: Porque de Deus somos cooperadores, lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós. Segunda a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica (I Coríntios 3.9-10).
O projeto original da igreja foi modificado por imprudentes construtores. As rachaduras e trincas estão visíveis, mais cedo ou mais tarde quem não observar as evidências da tragédia haverá de sofrer com o desmoronamento da sua fé.
Os pastores da pós-modernidade são os grandes responsáveis por uma engenharia eclesiástica descabida, montada sobre o projeto eclesiástico original do Novo Testamento. O pó está caindo do teto sobre as mesas dos pastores, mas eles continuam enriquecendo, furando vigas para colocar quadros com suas fotos, cortando pilares doutrinários e abrindo novas janelas para o mal.
As rachaduras estão ai, são as promessas falsas da prosperidade financeira, os pacotes eclesiásticos importados, os avivamentos de mentira, as falsas curas televisivas, os falsos profetas pedindo dinheiro e mais dinheiro, os templos suntuosos, a idolatria dos números, a quebra de maldições, o ensinamento a cerca dos espíritos territoriais, a oração de guerra, o mapeamento e cobertura espiritual, a mentalidade do paganismo umbandista, o liberalismo teológico e muitas outras reformas humanas na igreja.
Não ficará pedra sobre pedra.
Pr. Stênio Verde

Morre o cantor Wando – ultmas palavras: “Eu estou na oficina de Deus arrumando a turbina. Me aguardem!”

Segundo médico particular, ele teve uma parada cardiorrespiratória.
Cantor estava internado desde 27 de janeiro.

O cantor Wando morreu aos 66 anos na manhã desta quarta-feira (8) no Biocor Instituto, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde estava internado desde o dia 27 de janeiro. Segundo o cardiologista particular, João Carlos de Souza Dionísio, ele teve uma parada cardiorrespiratória às 8h desta quarta-feira (8).

Em nota, médicos e familiares informaram que, a partir das 5h40, houve um súbito agravamento do quadro de saúde. O óbito aconteceu na presença da mulher de Wando, Renata Costa Lana e Souza. O cardiologista particular do cantor disse que foram feitas manobras de ressuscitação, mas o paciente não resistiu. Segundo boletim médico divulgado na terça-feira (7), ele apresentava quadro estável e melhora progressiva, mas a recuperação ainda era considerada de alto risco.

No domingo (5), o cantor enviou um bilhete para os fãs.  “Eu estou na oficina de Deus arrumando a turbina. Me aguardem!”. Ele lutava contra o entupimento das três artérias coronárias. O cantor chegou a ser submetido a duas cirurgias e havia tido um infarto agudo dentro do hospital.

Wando foi hospitalizado com quadro de angina de peito, e exames apontaram que as artérias do coração estavam entupidas por placas de gordura. Ele estava com 110 quilos no momento da internação, 30 a mais do que o recomendado, segundo o cardiologista particular.

saiba maisFOTOS DA CARREIRA DE WANDO
CONFIRA VÍDEOS DO CANTOR

Cantor romântico
Como letrista, Wando ficou célebre por composições de teor romântico e erótico. Sua marca registrada era a calcinha. Em depoimento disponível em seu site oficial, o próprio cantor conta como tudo teria começado, explicando que a peça foi uma espécie de fonte de inspiração para seu álbum “Tenda dos prazeres” (1990). “Uma calcinha de cabeça pra baixo, ela vira uma tenda, não é? Aí, coloquei uma calcinha na capa do disco, e essa coisa fez tanto sucesso, que até hoje eu não consigo tirar do show. Eu distribuo calcinhas e recebo, tenho uma coleção muito grande, de todas as formas, jeito, cores e tamanhos.”

No mesmo depoimento, Wando aborda outras estratégias que adotou ao longo da carreira: “Teve uma época [em] que eu mordia a maçã no palco, e continuo mordendo ainda, porque conta a história de como é que começou o pecado, não é?”. As alusões ao sexo prosseguiram, com distribuição de convites de motel – sempre durante apresentações ao vivo. “Teve uma época no Canecão [casa de shows do Rio de Janeiro, atualmente inativa] que a gente botou uma banheira no palco, eu botava uma mulher nua no palco. Eu sempre gostei desses negócios.”

Vanderley Alves dos Reis nasceu em 2 de outubro de 1945 – “num arraial chamado Bom Jardim [em Minas Gerais]”. Lá, ficava a fazenda que teria pertencido aos seus avós. Seu registro, no entanto, foi feito na cidade de Cajuri, no mesmo estado. Ele conta que, ainda criança, mudou-se para Juiz de Fora (MG), onde concluiu o antigo primário. Mais tarde, ele foi para Volta Redonda (RJ), “onde eu entreguei leite nas casas, vendi jornal, virei feirante, dirigi caminhão na estrada”. Na mesma época, passou a se interessar por música, tendo inicialmente se dedicado ao estudo do “violão clássico”.

“E aí eu descobri que não era legal o violão clássico para o que eu queria: eu queria tocar pras moças, né?”, afirma. “O violão clássico é bacana, mas elas [as mulheres], acho que ficavam um pouquinho entediadas. Descobri que eu tinha que fazer umas canções de amor. Comecei a sentir que era legal, que a música socialmente com a parte feminina dava muito certo, me apaixonei por aquele negócio.”

Após deixar a profissão de feirante, Wando mudou-se para Congonhas (MG). Lá, começou a “viver de música”, como integrante de um conjunto chamado “Escaravelhos” – “escaravelho pra quem não sabe, é um besouro, a mesma coisa que Beatles”. Cinco anos mais tarde, decidiu tentar a sorte no “eixo Rio de Janeiro – São Paulo”. Frustrada a passagem pelo Rio, chegou a São Paulo, onde teve gravado seu primeiro sucesso, na voz de Jair Rodrigues. A composição, “O importante é ser fevereiro”, teria sido “uma música muito tocada no carnaval de 1974”, lembrou-se Wando.

A canção integra o disco de estreia de Wando, “Gloria a Deus e samba na Terra” (1973). De acordo com ele, aquele trabalho seguia a linha “do formato do Caetano Veloso, do Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil”. A guinada em direção ao repertório romântico foi simbolizada pela música “Moça”, do disco seguinte, “Wando” (1975). A justificativa: “Cantando na noite em São Paulo, eu descobri que a parte feminina adorava quando eu tocava música romântica.”

Ao longo da década seguinte, Wando consolidaria a reputação, como ele mesmo lista, de “obsceno, o cara da maçã, o cara da calcinha”. É desse período, quando o cantor já vivia no Rio de Janeiro, sua música mais conhecida, “Fogo e paixão”, do disco “O mundo romântico de Wando” (1988), o 14º da carreira, segundo a contagem do site oficial. Ele foi precedido por trabalhos como “Gosto de maçã” (1978), “Gazela” (1979), “Fantasia noturna” (1982), “Vulgar e comum é não morrer de amor” (1985) e “Ui – Wando paixão” (1986). Na sequência, viriam, dentre outros, “Obsceno” (1988), “Depois da cama” (1992) e “O ponto G da história” (1996).

Entre álbuns de estúdio e registros ao vivo, o site de Wando contabiliza 28 trabalhos, ao todo. O cantor acreditava ter vendido dez milhões de discos – “até na época que a gente contava”. “Depois [houve] a história da pirataria, que acabou me fazendo muito mais popular. Eu acho que a pirataria é ruim para um lado, para o lado compositor, mas para o lado intérprete, o cara que faz show, eu acho que ela favoreceu muito.”

Se for ver, você tem que chamar o Chico Buarque de brega, a Maria Bethânia, o Caetano Veloso, o Gilberto Gil. Eles gravaram as músicas que a gente grava.”

Wando, em entrevista em 2007

Em entrevista à Agência Estado, em 2007, Wando comentou sua imagem de “sedutor”: “Na verdade, eu sou como um ator. Até porque eu estaria morto hoje se fosse mesmo assim. Isso é um personagem, naturalmente. É normal que as pessoas pensem que eu sou desse jeito, mas não deixo que as pessoas alimentem muito essa imagem”. Sobre a fama de brega, ele respondeu que incomodou e seguia incomodando.

“Quando as pessoas falam de brega, sempre se referem a uma coisa ruim. Então eu brigo por isso. Agora, eles até quiseram colocar o brega como uma coisa bacana, mas eu acho que é uma forma de pedir desculpa, e isso é mau. Se for ver, você tem que chamar o Chico Buarque de brega, a Maria Bethânia, o Caetano Veloso, o Gilberto Gil. Eles gravaram as músicas que a gente grava. Eles gravam melhor? Não. Isso foi uma coisa cruel que eles fizeram.”

Na entrevista, Wando também comentava a música “Emoções”, gravada em 1978, que ele dizia versar sobre a relação entre dois homens: “Fiz isso porque acho que o relacionamento masculino é uma coisa válida. Não por ter aderido, mas porque eu tenho amigos que vivem esse tipo de coisa”.

Recentemente, o nome de Wando vinha sendo lembrado graças ao documentário “Vou rifar meu coração”, de Ana Rieper, que vem frequentando o circuito dos principais festivais de cinema do país desde alguns meses atrás. Há pouco tempo, teve boa recepção na Mostra de Cinema de Tiradentes, encerrada no último dia 28. O filme trata justamente da música tida como “brega” e traz depoimentos de cantores como Amado Batista, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo, Peninha, além de Wando e de ouvintes que contam suas histórias com obras do “gênero”.

Greve Ilegal da PM: uma versão surrealista de Tropa de Elite “- A greve da polícia civil ou da polícia militar (para os militares a vedação de greve é expressa na Constituição Federal) põe em risco eventual a vida das pessoas, bem jurídico mais elevado, e atinge diretamente a vida do Estado Democrático de Direito, ao obstruir o exercício das atividades dos Poderes Legislativo, Judiciário e demais serviços do Executivo, além de obstacularizar a economia.”

Nadjara Lima Régis, advogada e procuradora geral do Município

Essa greve dos policiais me traz lembranças de Não verás país nenhum, de Ignácio Loyola Brandão, e de José Saramago, em As Intermitências da Morte. Afinal, é ou não é um surrealismo fantástico, de um dia para o outro, toda família conquistense se vir presa em sua própria casa durante a inteira luz do dia… É ou não é surrealismo fantástico a idéia de existir Estado sem monopólio da força, civilização sem o olho invisível da polícia… É ou não é surrealismo justamente a categoria do funcionalismo social responsável por garantir, por meio do valor simbólico da força, o cumprimento da lei, ingressar na luta dos trabalhadores por condições salariais ocupando prédios, fazendo passeatas, carreatas, desconhecendo o Poder Judiciário, contextualizando arrastões para furtos e roubos a pessoas e estabelecimentos comerciais… Isso não é o mesmo que, de um dia para outro, deixar cada pessoa de morrer, independentemente do mais terrível acidente que sofra, como imaginou Saramago? Quanto a Loyola, destaco-lhes da citada obra essa partícula:“Chegamos a este ponto. Aceitar os Civiltares como necessá¬rios, suportá-los e chamá-los, de vez em quando. Para mim, ter que fazer isso um dia vai ser pior que tomar óleo de rícino”.

Quem não sabe que saiba: greve na instituição da polícia é ilegal, já disseram juízes singulares, Tribunais de Justiça e Ministros do Supremo Tribunal Federal. Simplesmente porque, e faço mais uma apologia a Loyola, “por menos que se goste deles, é preciso reconhecer: evitam catástrofes nesta cidade. Pior sem eles”.

Ministros do Supremo se manifestaram na forma de opinião e de decisão sobre o assunto. O Ministro Eros Roberto Grau, julgando a Reclamação STF 6568, concluiu “a conservação do bem comum exige que certas categorias de servidores públicos sejam privadas do exercício do direito de greve”. O Ministro-Presidente, Cézar Peluso, no julgamento da Ação Cautelar 3034, que visava suspender liminar concessiva do direito de greve à polícia civil do Distrito Federal, em dezembro do ano passado entendeu que o direito de greve do servidor público não é absoluto, que as restrições têm fundamento nos valores que incumbem a cada categoria – se incontornáveis à subsistência do Estado, e reiterou seu pensamento transcrevendo um trecho de um dos seus votos anteriores: “a concluir que os policiais não têm direito de greve, assim como não o têm outras categorias, sobre as quais não quero manifestar-me na oportunidade, porque seria impertinente. E não o têm, porque lhes incumbem, nos termos do artigo 144, caput, dois valores incontornáveis da subsistência de um Estado: segurança pública e a incolumidade das pessoas e dos bens. Ora, é inconcebível que a Constituição tutele estas condições essenciais de sobrevivência, de coexistência, de estabilidade de uma sociedade, de uma nação, permitindo que os responsáveis pelo resguardo desses valores possam, por exemplo, entrar em greve, reduzindo seu efetivo a vinte por cento”. E ao final da decisão, Peluso transcreveu extenso trecho do entendimento do Min. Eros Grau, que transponho na forma de imagem:

Em outra oportunidade, aquém de julgamento de caso concreto, à época que exerceu a Presidência do STF, o Ministro Gilmar Mendes afirmou: “Só o fato de um movimento paredista de pessoas armadas é suficiente para uma reflexão. Não é uma greve pacífica por definição. Sempre há o potencial de conflito, quem exerce parte da soberania não pode fazer greve”. Opinião no mesmo sentido foi manifestada pelo Ministro Celso de Mello, ao dizer que a greve da polícia afeta a sociedade: “São atividade essenciais que não podem ser atingidas por tais movimentos.”
A greve da polícia civil ou da polícia militar (para os militares a vedação de greve é expressa na Constituição Federal) põe em risco eventual a vida das pessoas, bem jurídico mais elevado, e atinge diretamente a vida do Estado Democrático de Direito, ao obstruir o exercício das atividades dos Poderes Legislativo, Judiciário e demais serviços do Executivo, além de obstacularizar a economia. Em Vitória da Conquista, os trabalhos da Câmara Municipal ainda não foram abertos, o calendário escolar não pode ser cumprido nas escolas públicas e particulares da rede municipal de educação, o transporte coletivo foi retirado das ruas impedindo o direito de ir e vir da população, o comércio e os bancos fecharam, ocorrendo igualmente com estabelecimentos de saúde. Capaz de desarticular toda a dinâmica de um Município, o caráter abusivo é inerente a greve de policiais pela própria natureza do serviço prestado: segurança pública.
Não raro, a greve nesse segmento desmoraliza os Poderes Constitucionais, o que não ocorre na greve exercida em outros segmentos sociais, e tem o condão, a depender do tempo de duração, de trazer à luz uma verdadeira guerra civil – basta-nos imaginar a polícia civil e militar, de todo o país, paralisadas. Por isso mesmo, gera um cenário social com força coativa suficiente para ‘extorquir’, do Executivo, vantagens pleiteadas.

Demonstrando o profundo compromisso que tem consigo mesmo, o deputado federal Mendonça Prado, do Partido Democratas, em Sergipe, às vezes de contribuir para o fim da greve da PM na Bahia, defendeu a não prisão dos líderes da greve ilegal dizendo que a polícia baiana recebe solidariedade de todos os policiais do Brasil, conforme matéria no Correio da Bahia online. Esqueceu ele, no entanto, da estudante Jaqueline, submetida a extorsão mediante seqüestro e vítima de violência física por parte de três mulheres e três homens que sarcasticamente lhe disseram que não lhe restava polícia para apelar. Esqueceu, também, das balas perdidas que saíram das áreas periféricas para o centro da cidade. Alguém – pasmem–, questionou-me ao pensar que o comando dessa greve, por ser ilegal, deveria ser alçado a colaborador intelectual dos crimes praticados contra essas vítimas, por incitação conveniente a desordem pública, demonstrando abertamente a paralisação total de suas atividades, com carreatas, passeatas e outros modos.

Sabemos, e muitas vezes a comunidade de Vitória da Conquista demonstrou sua solidariedade à luta dos policiais por melhores condições de vida, que a remuneração não equivale ao risco de vida diária por que passa cada mãe ou pai de família policial, em prol da segurança pública. Sobretudo quando se quer alcançar um cenário de eficiência e não corrupção. Sem a reforma tantas vezes sugerida à organização das polícias, a PEC 300 não pode ser engavetada. A defasagem dos vencimentos da categoria é tão histórica que os salários permanecem insatisfatórios mesmo com o ganho real de 29,40%, alcançado, desde 2006, no governo Wagner (nenhuma outra categoria alcançou esse ganho), pela polícia baiana considerada a que percebe melhores rendimentos dentre os policiais do Rio de Janeiro, Rondônia, Acre, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas, Roraima, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco. Em matéria no Correio da Bahia, a Associação dos Oficiais da Policia Militar (AOPM) foi citada para confirmar que o rendimento bruto inicial do soldado baiano é de R$ 2.117,22, maior do que a média nacional de R$1.020,00, somando-se a isto a conquista do auxílio alimentação. Resta-nos admitir que a luta seja justa, sob o ponto de vista ideal, não tão justa, sob o ponto de vista relativo; o modo da luta, ilegal.

E admitir também que o enfraquecimento estrutural do movimento sindical vulgarizou a greve, porque os trabalhadores limitam sua participação ao caráter imediato da reivindicação salarial e desconhecem ou desqualificam sua intervenção intelectual no processo de transformação social e econômica. A ontologia da greve coloca-a como meio drástico de discussão da classe trabalhadora com o capital privado, discussão a respeito da mais-valia. A admissão de greve aos servidores do Estado – e o Estado não se estrutura sobre a mais-valia – não deixa de ser uma contradição teórica, justificável perante a finalidade de dignidade humana repercutida ao salário por meio do cálculo de seu poder aquisitivo. Foi-se admitindo, na política, a greve aos servidores em decorrência das situações de instabilidade econômica, com os cenários de inflações galopantes, que esqueciam aos servidores o reajuste do poder de compra de seus vencimentos, o que, com a ausência de planos de carreira, gerava graves distorções de ganhos entre empregos públicos e privados. Essa complacência da política faz com que até hoje não haja regulamentação do direito de greve no Estado. Regulamentação necessária, pois imaginem bem todos os médicos e enfermeiros e anestesistas ingressando em greve geral e indeterminada no SUS? Mas isso daria outro texto de opinião.

No mais, esse episódio baiano bem poderia inspirar Fernando de Morais ao Tropa de Elite 3, mas, desta vez, saindo do realismo e inaugurando-o no surrealismo de cinema.

Nadjara Lima Régis é advogada e Procuradora Geral do Município de Vitória da Conquista

‘Epidemia’ de greves faz Dilma rediscutir direitos

Em meio à greve dos PMs na Bahia e a possibilidade de paralisações de policiais virarem ‘epidemia pelo País’, atingindo pelo menos outros oito Estados, o governo Dilma Rousseff desengavetou projeto de lei que disciplina o direito de greve de servidores públicos e exige que o governo seja comunicado com antecedência mínima de 72 horas na paralisação de atividades ‘inadiáveis de interesse público’.

Ontem, o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil (Ugeirm-Sindicato) do Rio Grande do Sul anunciou o início de uma operação padrão. No dia 15, PMs e bombeiros ameaçam entrar em greve no Espírito Santo. Líderes da PEC 300 (que aumenta o salário de policiais e unifica os pisos pelo País) informaram que Minas também já enfrenta focos de reclamação da categoria.

No Rio, policiais e bombeiros marcaram uma assembleia para hoje e podem definir greve a partir de amanhã. Isso apesar da tentativa do governo de adiantar reajustes para evitar mobilizações. Levada ontem a Assembleia, a proposta foi considerada insatisfatória por associações e representações de classe, recebeu 78 emendas e saiu de pauta.

Líder do PSDB baiano, legenda que abriga o líder da paralisação, o deputado Antônio Imbassahy diz que o governo federal, ‘ao assumir a negociação na Bahia, da forma como foi feito, convocou os policiais de outros Estados a aderir ao movimento’.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem que o Congresso está disposto a rediscutir o direito de greve. Mas reiterou que não vai pôr em votação a PEC 300.

Direito de greve. O projeto de lei de restrição ao direito de greve foi preparado pela Advocacia-Geral da União em 2007, mas parou na Casa Civil, que, então comandada por Dilma Rousseff, não levou a proposta adiante.

O projeto de lei preparado em 2007 prevê que a deflagração de greves de servidores públicos seja aprovada por pelo menos dois terços da categoria. Hoje, na Bahia, a paralisação é liderada por uma associação que só representa 2 mil dos 32 mil PMs. E a assembleia da categoria só poderá ser convocada dez dias após o envio da pauta de reivindicações à autoridade competente.

O texto inclui segurança pública entre os 19 serviços considerados ‘inadiáveis de interesse público’, em que o estado de greve deverá ser declarado com antecedência mínima maior, de 72 horas. E a proposta limita a paralisação a 40% dos servidores de um órgão. / COLABORARAM ALFREDO JUNQUEIRA E DENISE MADUEÑO

xecutivo Municipal e entidades da sociedade civil discutem a segurança do município


Aconteceu na manhã dessa terça-feira, 7, no gabinete civil da Prefeitura de Vitória da Conquista uma reunião entre a Administração Municipal e representantes de diversas entidades da sociedade civil com o objetivo de discutir a segurança pública no município, em virtude da greve da Polícia Militar.

O prefeito municipal Guilherme Menezes reiterou que, desde o início da greve, a Administração tem feito todos os esforços e mantido contato com o Governo do Estado, por meio dos deputados estaduais e federais que fazem parte da base aliada do governo, solicitando providências para garantir a segurança e a manutenção da tranquilidade no município.

Durante a reunião, o prefeito comunicou que, em resposta ao ofício encaminhado ao governador do Estado, chegarão, inicialmente, a Vitória da Conquista ainda hoje, 23 agentes da Polícia Rodoviária Federal vinculada à Força de Segurança Nacional, com o propósito de manter a ordem pública. Eles vão patrulhar as entradas e saídas da cidade, bem como a zona urbana da cidade.

“É muito importante ter esse grupo aqui, observando quem entra e quem sai da cidade, quem está no centro”, destacou o prefeito. Ele salientou ainda: “O que nos interessa é o fim desse momento, sem prejuízo para a vida de ninguém. O que desejamos é que venha a solução o mais rápido possível”.

De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória da Conquista, Marcos Alberto de Oliveira, “a reunião foi bastante positiva; todas as entidades se pronunciaram. O prefeito solicitou a Força Nacional e já chegou um ofício dizendo que o Estado vai atender à solicitação. A gente espera que, na medida do possível, a sociedade volte a se movimentar tranquilamente, como vinha sendo na semana anterior”.

O presidente do Conselho de Segurança Pública da cidade, Joir Sala, ressaltou também que a reunião foi positiva. “O que nós estamos buscando junto  ao Gabinete da Prefeitura e todo o segmento da sociedade civil organizada são alternativas para que tenhamos segurança para que Vitória da Conquista possa voltar à normalidade”.

“A partir de agora, estamos retornando as duas garagens e vamos retomar o trabalho sim. Vamos nos reunir com os trabalhadores e vamos começar a rodar”, assegurou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Carlos Fernandes, ao final da reunião. Cinquenta ônibus já estão circulando em Vitória da Conquista.

Anuncio da vinda de Força de Segurança Nacional para a cidade deixa conquistense com a sensação de mais segurança.


Com o anuncio de que a força de segurança nacional estaria chegando ainda hoje, em conquista, a população já demonstra a sensação de segurança, a população sai do casulo e vai às ruas e a movimentação de veículos e transeuntes já é percebida nas principais avenidas do centro da cidade.
O Comercio nesta terça-feira, funcionou de forma parcial, com apenas algumas lojas abertas, outras tantas, somente com partes de suas portas abertas.
A uma expectativa muito grande de que o ”estádio de sítio” como alguns dizem, ou a histeria como afirmou o Prefeito Guilherme Menezes,  em entrevista no programa de Wilson Brasil – Rádio Brasil FM -, esteja acontecendo na cidade. Acabe. Ainda hoje, com o desfecho dos acontecimentos que ocorre em Salvador.
O governo tem que reavaliar todo o sistema de segurança que oferece aos baianos, por que segurança pública não só se faz com apenas uma força, é um conjunto: Justiça, Ministério Público, Polícias  Rodoviária Federal e PF- Exercito, Marinha, Aeronáutica, e, além de outras importantes forças, como corpo de bombeiro PM, Policia Civil  etc. E de fato foi comprovado, de que a sociedade toda ficou refém dos acontecimentos e da mobilização de apenas uma categoria, que usou de forma política toda uma logística de mobilização para sensibilizar o Estado de suas reivindicações.
as fotos registradas as 13,40 minutos de 7 de feveiro d012

Cid Gomes diz que conceder anistia a PMs é ‘frouxidão’

O governador do Ceará Cid Gomes (PSB) classificou a anistia contra policiais grevistas como “frouxidão” e a paralisação, “crime federal”. Sem fazer referências diretas à greve de uma parcela da Polícia Militar da Bahia, Gomes defendeu que o governo federal esteja pronto para o envio de grandes efetivos de segurança em casos de paralisações nos Estados. “Se quem deveria fazer segurança entra em greve, o que é proibido pela Constituição, o país deve ter formas de assegurar segurança à população”, disse à Folha. Primeiro governador a lidar com uma greve de policiais militares este ano, ele declarou que “na hora que se concedeu a anistia, isso é uma frouxidão”. No caso dos profissionais cearenses que paralisaram as atividades, ainda não houve aprovação de anistia. “Greve não é uma iniciativa de quem quer negociação. Greve é uma medida extrema”, sentenciou Gomes.

Cerco a grevistas continua na BA; governador promete negociar

O clima foi de tranquilidade na madrugada desta terça-feira na Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, onde estão reunidos cerca de 300 policiais militares em greve desde a semana passada.

Veja fotos da greve da PM na Bahia
Policial grevista deixa Assembleia da Bahia
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Grupo armado incendeia ônibus escolar na Bahia
Mulheres e crianças deixam prédio da Assembleia da BA
Greve da PM suspende início das aulas na Bahia
Ministro da Justiça vê ‘vandalismo’ em ação de grevistas

O cerco ao local continua. Nesta manhã, por volta das 8h, ocorreu a substituição das tropas do Exército que passaram a noite no local.

Na madrugada, um veículo blindado foi colocado na principal entrada do local e um helicóptero também sobrevoou a área.

A maior parte dos grevistas continuava na parte interna do prédio.

Fabio Guibu/Folhapress

Tropas do Exército continuam cerco à Assembleia Legislativa da Bahia, ocupada por policiais militares em greve

Na madrugada, um policial deixou o local. Ele saiu sozinho, passou por triagem da Polícia Federal e foi liberado após a constatação de que ele não tinha nenhum mandado de prisão contra ele. Mulheres e crianças também deixaram o local na noite de ontem (6).

Em entrevista ao “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, o governador Jaques Wagner (PT) disse que interlocutores do governo conversaram até de madrugada com os grevistas.

Segundo o governador, as conversas estão evoluindo e uma nova rodada de negociações deve começar na manhã desta terça-feira.

GREVE

A greve dos PMs da Bahia começou na semana passada. Eles reivindicam aumento salarial e a incorporação de gratificações aos salários.

O governador Wagner disse à Folha que não pagará nada acima do reajuste já concedido ao funcionalismo do Estado.

A Assembleia Legislativa foi invadida pelos grevistas e está cercada por homens do Exército desde a madrugada. A luz foi cortada no local.

Na manhã de ontem, diversos focos de tumulto ocorreram no local, e homens do Exército usaram balas de borracha e bombas de efeito moral.
GRACILIANO ROCHA
DE SALVADOR
FÁBIO GUIBU
ENVIADO ESPECIAL A SALVADOR

Sindicato defende segurança para bancários


Categoria não pode ser exposta a riscos


No oitavo dia de greve dos policiais militares da Bahia, o Sindicato dos Bancários de Conquista e Região mantém a orientação de fechamento das agências para que a segurança dos bancários seja preservada. 


“Reiteramos aos gestores que compete aos patrões garantir segurança aos bancários até que a greve da PM seja finalizada”, esclarece o presidente do Sindicato dos Bancários Delson Coêlho.


Em contato com as agências bancárias no início da manhã de hoje (7), o Sindicato apurou que ainda não há definição quanto ao atendimento nesta terça-feira.


Logo mais às 9h30, o Sindicato participará de uma reunião na Prefeitura Municipal, juntamente com a Câmara de Dirigentes Lojistas e sociedade civil. Na ocasião, será discutida a questão da falta de segurança na cidade.

Salário de policiais baianos está acima da média nacional

Salário de policiais baianos está acima da média nacional

Desde 2008, a categoria se mobiliza para a aprovação da PEC 300 que estabelece piso de cerca de R$3,5 mil

Da Redação

Como ocorre na maioria das mobilizações de profissionais, a greve parcial da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) tem com uma das principais pautas de reivindicação as melhorias salariais. Reajuste, aumento na gratificação, pagamento de benefícios e estabelecimento de piso e de plano de carreira são alguns dos principais impasses para o retorno das atividades. Na Bahia, de acordo com Associação dos Oficiais da Policia Militar (AOPM), o rendimento bruto inicial do soldado é de R$ 2.117,22, maior do que a média nacional de R$1.020,00.

Desde 2006, quando a remuneração base era 1.297,37, os policiais tiveram um ganho real de 29,40%. No caso do sargentes, o valor pago é de R$2.748,48, quase R$1.300 a mais do que o valor pago em 2006. Os órgãos do governo baiano destacaram também que os policiais conquistaram outros direitos, como vale alimentação, a restruturação da carreira de praça e o tempo máximo de permanência nos postos de tenente-coronel e de coronel para 9 e 6 anos.

No último concurso estadual para Admissão no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar, realizado em 2011, foram selecionados 120 profissionais. Durante os três próximos anos, eles seguirão estudando recebendo uma bolsa mensal de 30% do salário de um soldado. Uma das demandas apontadas pelos policiais grevistas é o aumento do pagamento feito pela GAP III (Gratificação por Atividade Policial) para a GAP V. Com isso, segundo a AOPM, os vencimentos teriam acréscimo de pouco mais de R$2 mil reais.

Comparado a outros estados da federação, a Bahia paga melhor aos policiais do que Rio de Janeiro, Rondônia, Acre, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas, Roraima, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco. Entretanto, estados menores dentro da região Nordeste como Sergipe, por exemplo, a categoria tem vencimentos maiores, de pouco mais de R$3 mil.

De todos as unidades, o Distrito Federal (DF) é o que paga melhor aos policiais e bombeiros. Para se ter uma ideia desde que foi aprovado e sancionado o Plano de Carreiras, pelo ex-presidente Lula, em 2009, a renda básica do policial militar passou a ser de R$4.129,73. No caso da Polícia Civil, o salário ultrapassa os R$ 7 mil.

Mobilização nacional
Para tentar uniformizar o pagamento e padronizar os vencimentos básicos da categoria, em todo o Brasil, desde o ano de 2008, policiais/bombeiros militares e policiais civis fazem uma mobilização para a aprovação da PEC 300. Pelo Projeto de Emeda Constitucional, que tramita no Congresso e foi incorporada à PEC 446, o piso da polícia militar seria de R$ 3,5 mil. No caso da Polícia Civil, o valor seria de de R$ 7 mil.

Os policiais alegam que, no caso dos estados não puderem pagar a diferença, o governo federal poderá criar um fundo destinado para cobrir a diferença. O governo alegou que o rombo no orçamento impediria a execução e viabilidade do projeto. Com a onda de assaltos e crimes na Bahia, os deputados retomaram as discussões sobre a necessidade de aprovação da PEC.

De acordo com a assessoria da Câmara de Deputados, na última sexta-feira (3), o parlamentar Átila Lins entrou com o pedido para que a pauta seja inserida na ordem do dia e seja apreciada pela casa. Caberá ao presidente da casa, deputado Marco Maia, acatar o pedido.

Diante da série de mobilizações no Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, o autor da PEC 300, deputado Arnaldo Faria de Sá, acredita que somente a aprovação da emenda seja a solução para os impasses. “Sem nenhuma, pode ser a solução para todos os demais estados. Todos os policiais militares vivem hoje uma situação difícil: o bico é maior do que o salário oficial e, quando chega perto da aposentadoria, dá desespero, porque o bico não vale para a aposentadoria, o que vale é o salário oficia”, declarou.