A Gente diz

Juízes acima da lei

Por Folha de S. Paulo (Editorial)

Venda de sentenças, atrasos intencionais no andamento de processos, desvio de verbas: casos assim estão longe de constituir a regra geral no Judiciário brasileiro. Seria absurdo, todavia, dizer que inexistem – ou ofender-se, como parece ser a reação de alguns magistrados, quando alguém menciona o que acontece. Trinta e cinco desembargadores -o cargo mais alto nas magistraturas estaduais- estão sob suspeita de ter cometido irregularidades desse tipo.

Instalado em 2005, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tem tido papel determinante para investigar e coibir tais desvios de conduta. Desde sua criação, 25 já foram punidos. Como seria de esperar, a atuação do CNJ encontra resistências dentro da própria magistratura. Foi assim que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) recorreu ao Supremo Tribunal Federal para limitar os poderes do Conselho.

Defende-se que o CNJ só intervenha depois de esgotados os recursos cabíveis nas instâncias fiscalizatórias estaduais. Não é difícil prever que, com isso, as pressões corporativas das cúpulas locais aumentariam o risco da impunidade e da omissão.

O STF encontra-se dividido sobre o tema, que envolve interpretações diversas da Constituição. Pelo texto em vigor, entretanto, parece claro que os poderes do CNJ predominam sobre as instâncias estaduais – e que foi exatamente no espírito de evitar o corporativismo local que o Congresso lhe conferiu tais prerrogativas. Segundo a Constituição, o CNJ pode receber diretamente denúncias e reclamações “de qualquer interessado”.

Pode “receber e conhecer” queixas contra membros e órgãos do Poder Judiciário, “sem prejuízo da competência disciplinar e correcional dos tribunais”. Pode “avocar”, ou seja, reivindicar para seu âmbito, quaisquer processos disciplinares em curso. O CNJ, vale lembrar, zela apenas pelos processos administrativos. O juiz, como qualquer servidor público, responde por seus atos perante seu empregador, que é o Estado. Pode ser inclusive afastado num processo administrativo, a despeito de ações correlatas que corram no âmbito judicial.

Se há, nos dispositivos que criaram o CNJ, excesso de centralização de poderes, ou qualquer empecilho à atuação de outros órgãos de fiscalização, caberia ao Congresso rever o texto da Constituição. Mais uma vez, entretanto, a tendência no Supremo é a de sobrepor uma carga interpretativa e regulatória própria ao texto constitucional.

Suspensa temporariamente a decisão sobre o recurso da AMB, os ministros procuram chegar a uma solução de compromisso. É de perguntar, entretanto, se há compromisso possível entre as conveniências corporativas dos magistrados, muitas vezes recobertas de suscetibilidades incompatíveis com o ideal de transparência republicana, e as expectativas dos cidadãos – que veem, a despeito dos avanços já conquistados pelo CNJ, ainda muito por ser feito.

Greve continua nesta segunda-feira 03 de outubro e sindicalista afirmam que não tem previsão de quando deve acabar

SEGUNDO SINCATO DOS BANCÀRIOS A GREVE CONTINUA FIRME em todo território  Nacional

Os últimos dados da sexta-feira (30) apontaram adesão de 87,5% dos bancários da base do Sindicato de Conquista e Região.

Um total de 48 agências fechadas na Região Sudoeste.

Os números da Bahia e Sergipe são ainda mais impressionantes. No total, 740 estão fechadas.  Em 2010, os bancários fecharam pouco mais de 300 agências no quarto dia de paralisação. Número que dobrou neste ano. A tendência, no entanto, é que o movimento ganhe ainda mais força na próxima semana com a adesão de outros municípios.

O Comando Nacional dos Bancários se reúne nesta segunda-feira, dia 3, às 15 horas, em São Paulo, para avaliar e ampliar a greve, diante do silêncio da Fenaban em retomar as negociações.Nenhuma reunião foi agendada pelos patrões.

REIVINDICAÇÕESOs bancários reivindicam reajuste de 12,8%, PLR de três salários mais R$ 4.500,00, piso de R$ 2.297,51, ampliação do quadro de funcionários para melhor atender ao cliente, segurança, melhores condições de trabalho, entre outros. A Fenaban, no entanto, oferece apenas 0,56% de aumento real. Os demais itens foram todos negados.

PSDB precisa assumir-se como partido de centro-direita’, diz pesquisadora de Harvard

No momento em que o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) expõe publicamente, via Twitter, a carência de um rumo claro para o seu PSDB, a professora americana Frances Hagopian, uma estudiosa dos partidos brasileiros, se arrisca a oferecer um norte aos tucanos: ocupar o espaço da centro-direita no espectro ideológico. Hagopian não está sozinha. “Ela disse a verdade”, endossou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao ser informado pelo Estado da entrevista concedida pela americana. “Acredito que eles (os tucanos) podem se destacar nesse espaço de centro-direita, se tiverem coragem para fazer isso”, afirma a professora da Universidade Harvard. “Precisam mostrar o que fizeram, ser fiéis a si mesmos”, completa ela, referindo-se às transformações capitaneadas pela PSDB na gestão FHC (1995-2002). A receita, no entanto, não é nova, avisa ela. “Na Inglaterra, Tony Blair levou os trabalhistas para o centro e deixou os conservadores sem chão. No Chile, a Concertación criou uma ampla agenda que confundiu os partidos”. (Estadão)

Artigo: PEQUENAS NOTAS – Críticas, convivência e intrigas


                                                                                                                                                     Por/        Paulo Pires


 

Os leitores que leem o que escrevo são exigentes. Não perdoam minha superficialidade e cobram seriedade nos temas que tento expor. Dizem que meus escritos padecem da falta de originalidade e afirmam que para piorar a situação, a cada novo texto me mostro desprovido de essência. Isso os deixa furiosos. Atacam: “… seus argumentos são excessivamente rasos”. Eu me divirto. Lembro até de uma conferência de Darci Ribeiro feita na SBPC de 1979, a que ele deu o título: Sobre o Óbvio. Tal qual fez o grande mestre, a cada momento me aproximo mais do óbvio. Sou apaixonado pelo óbvio. Nelson Rodrigues também adorava o óbvio.

Os leitores, ao contrário, me recriminam. Querem que eu mergulhe o máximo nas reflexões. Eu, claro, agradeço. Mas aviso: Não sou filósofo. Infelizmente não tenho o conhecimento do professor Itamar Aguiar, professor Leonardo ou de um José Carlos Simplício. Portanto, não adianta o leitor reclamar. Continuarei sendo esse sujeito perfunctório.  Nunca vou “entrar fundo no assunto”. O mundo do pensamento complexo não faz parte do meu show. Isso é coisa prá gente de grande envergadura intelectual. Quem sou eu…

É óbvio (olha o óbvio aí gente!) que não deixo de dar razão aos meus críticos. O leitor – quase sempre – tem razão: Sou mofino para opinar sobre filosofia, sociologia ou psicologia. Para ser honesto, não entendo nada desses saberes e, prá ser mais honesto ainda, de muitos outros também.  Por isso, quando sinto que os mergulhos que realizo estão me levando para regiões abissais antevejo o perigo, faço um retorno e rapidamente procuro um lugar onde exista oxigênio em abundância. É um alívio voltar à superfície.

Evidente que uma coluna com este formato não permite grandes vôos filosóficos. E mesmo que permitisse o autor tem humildade suficiente para reconhecer suas limitações intelectuais. Sabe que o máximo a ser alcançado em seus vôos não vai além daqueles conseguidos pelos nambus.

Por isso fico a vontade em minhas “reflexões filosóficas”. Sinto que elas estão totalmente descoladas das correntes vigentes e da realidade. São simplificações ou reduções assumidas com a maior naturalidade. O leitor sabe que as limitações desse pequeno espaço, adicionam-se às minhas e criam impossibilidades para eu escrever o que deveria.  Gostaria de poder aprofundar meus escritos para traçar perfis e questões sobre psicologia, sociologia, empatia, simpatia, antipatia, apatia, idolatria e outros elementos que compõem o ethos e o pathos da humanidade. Ah, seu eu fosse Dante, Virgílio, Homero, Cervantes ou Shakespeare… Ah, se eu fosse!

De uma coisa, porém tenho certeza: Quanto menos escrevo sobre o Lula mais ganho ponto. Curioso, não? Meu leitor, apesar das insuficiências e deficiências intelectuais que apresento, gosta de mim. Em contraposição, boa parte não gosta de Lula. Um deles me disse que quando acessa o Blog, passa as vistas na coluna e verifica logo se estou falando de Lula. Se não estiver, continua lendo. Mas, se ao contrário, constatar o nome do ex-presidente, encerra a leitura e manda os olhos se encarregarem de outro texto. Em tese ele não deixa de ter razão.  Quem gosta de FHC detesta o Lula. Como eu não gosto das sacanagens que FHC fez com o Brasil, prefiro o Lula. Mil vezes o Lula (acho que agora mesmo alguém já parou de ler esta coluna).

Um dos problemas do ser humano ainda reside na questão da convivência com a tolerância. Claro que já melhoramos muito. Mas ainda há pontos de dispersão que pouco contribuem para fazer as pessoas conviverem entre pensamentos contrários. Quando a coisa se refere a Política e Religião, nem se fala.

Divergências político-religiosas distanciam as pessoas. Raras são as que “se suportam” por causa de ideários diferentes.  Tive oportunidade de presenciar cenas desagradáveis por causa dessas discordâncias. Vi pessoas crispadas, olhos avermelhados, voz alterada e gestos bruscos para defender seus pontos de vistas. A coisa foi feia. Usamos muita diplomacia para acalmar os ânimos.

Mas isso não se dá apenas no ambiente político ou religioso. No campo estético também encontraremos manifestações absurdamente incompreensíveis. O maestro Arturo Toscanini, por exemplo, quando se referia a Puccini o fazia de modo pouco airoso. Por outro lado Ravel (aquele do famoso Bolero) ficava irado quando falava do “andamento” que o maestro italiano dava à sua obra. Em um concerto chegou a chamar Toscanini de porco (coisa horrível).  Ravel, quando irritado, convenhamos, usava expressões pouco elegantes.  Tanto Ravel quanto Toscanini desconheciam os quatros pilares da Educação propostos pela UNESCO. Ou talvez soubessem, mas suas vaidades pessoais jamais os conduziram para o terreno das compreensões. É um mundo intrigante.

BANCOS NAS OLIMPIADAS DOS LUCROS

A próxima olimpíada será  realizada em Londres e em 2016 no Brasil.Os atletas de cada modalidade disputam varias competições , durante o período anterior aos jogos olímpicos, para atingir os índices necessários , que lhe darão o passaporte sonhado.

Existe também uma grande competição entre os jogos de lucros aferidos no seguimento financeiro, que tem como principais competidores o Banco do Brasil, Bradesco, Itau e Caixa Economica. Com os recordes quebrados a cada trimestre, esses bancos vãos aos meios de comunicação divulgar seus resultados, inclusive quem  teve  o maior lucro liquido durante o trimestre ou semestre. Lucros que chegam a ultrapassar bilhões por mês por entidade financeira,  a maior parte adquiridos por meio de serviços prestados cada vez piores a população, empregando cada vez menos trabalhadores, instalando maquinas chamadas de auto-atendimento , como o próprio nome diz o próprio cliente se atende, e ainda  debitando na  conta do cliente o próprio serviço que ele executou, como um saque no caixa eletrônico que cobrado o valor que varia entre R$ 1,70 a R$ 3,00,se esses jogos valessem medalhas , sairíamos da 23ª da ultima olimpíada para 1ª lugar na de 2012.

Juízes têm autorizado aborto de feto anencéfalo

O  juiz da 1ª Vara do Júri do Rio Grande do Sul, Leandro Raul Klippel, autorizou a  interrupção de gravidez de feto anencéfalo. Na sua decisão, do dia 26 de setembro, ele afirmou que, embora o assunto seja polêmico, “não são os presentes autos o foro adequado para discussões religiosas, éticas ou morais acerca de tal tema, devendo ser levado em consideração apenas aspectos médico-científicos e jurídicos”. Baseado em exames e atestados médicos, o juiz concluiu que é certa a morte do feto após o nascimento, “bem como a intervenção se faz necessária a fim de preservar a saúde física e psicológica da gestante”. A decisão foi baseada em exames que indicaram que o feto tem má formação do crânio e defeito de fechamento da parede abdominal, deixando expostos o fígado e partes do intestino e do coração.

Na avaliação do julgador, no caso presente não se pode falar em aborto (tipificado como crime pelo Código Penal), pois esse pressupõe a presença de feto com viabilidade de vida. “Parece lógico que o legislador pretendeu reprimir a interrupção da gravidez (…) que tenha efetivamente potencial para gerar vida, assim considerado a existência autônoma de um ser independentemente daquele que lhe deu origem, no caso, a mãe”.

Em outro caso noticiado pela revista Consultor Jurídico, o juiz José Pedro de Oliveira Eckert, da 2ª Vara Criminal e Infância e Juventude de Alvorada, na Grande Porto Alegre autorizou a interrupção de gestação de feto sem calota craniana. Para o juiz gaúcho, como não havia possibilidade de vida fora do útero para o feto, deve-se preservar a saúde da gestante, inclusive a psíquica.

O polêmico assunto acabou por ensejar a propositura da ação que está na pauta do Plenário do Supremo Tribunal Federal ainda para este semestre, mas corre o risco de não ser julgado caso a presidente ainda não tenho escolhido ministro que ocupará o lugar da ministra Ellen Gracie.

Trata-se da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 54, que versa sobre a possibilidade de interrupção da gestação em caso de gravidez de feto anencefálico (sem cérebro). O ministro Marco Aurélio é o relator do caso. Ele já concluiu seu voto e liberou o processo para julgamento. O tema envolve a questão do aborto e traz a reboque aspectos científicos, morais e religiosos, sobre os quais ainda não há suficiente consenso na sociedade.

Proposta em 2004, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde, a ação pleiteia interpretação conforme a Constituição para os artigos 124, 126 e 128, incisos I e II, do Código Penal, declarando inconstitucional a interpretação de tais dispositivos como impeditivos da “antecipação terapêutica do parto” em caso de gravidez de feto anencefálico, afastando-se, portanto, da ideia de “autorização para o aborto”.

Com isso, busca a CNTS possibilitar que, em casos de anencefalia, seja possível à gestante interromper a gravidez sem a necessidade de autorização judicial ou qualquer outra forma específica de permissão do Estado, o que garantirá, por consequência, a integridade dos profissionais envolvidos na execução de tais procedimentos.

Audiência pública
A audiência pública sobre o assunto, no Supremo, durou quatro dias. Foi conduzida pelo ministro Marco Aurélio. Defensores do direito das mulheres de decidir sobre prosseguir ou não com a gravidez de bebês anencéfalos puderam apresentar seus argumentos e opiniões, assim como aqueles que acreditam ser a vida  intocável, mesmo no caso de feto sem cérebro. Foram ouvidos representantes de 25 diferentes instituições, ministros de Estado e cientistas, entre outros, cujos argumentos servem de subsídio para a análise do caso por parte dos ministros do STF.

Nos quatro dias em que foram feitas as audiências públicas, a sociedade se fez representar por 22 instituições, cujo critério de seleção, em sua maioria, foi o pedido de ingresso como amicus curiae. Em relação à pretensão da ação, o estudo das instituições participantes revela que cerca de 60% se manifestaram a favor e 30% contra, com o Poder Legislativo apresentando argumentos nos dois sentidos. Durante a audiência pública, em diversos momentos o ministro Marco Aurélio buscou deixar claro que o objetivo do procedimento não era o debate, evitando o contraditório.

 

 

ABORTO DE ANACÉFALOS É LIBERADO EM 54% DOS CASOS

Foto: Foto Ilustrativa

Entre 2001 e 2006, os tribunais de Justiça do País receberam 46 pedidos de interrupção da gravidez de anencéfalos. Em 54% dos casos, a decisão foi favorável à mulher, permitindo o procedimento. Em outros 35% o pedido foi negado. Nas demandas restantes, o tempo para decisão foi tão longo que o feto morreu antes. Os dados são de estudo inédito realizado pelo Programa de Apoio a Projetos em Sexualidade e Saúde Reprodutiva (Prosare), ligado ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Além de mapear os casos nas segundas instâncias da Justiça, no Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), o estudo analisou sentenças de desembargadores e ministros. A conclusão foi que nos pedidos negados a decisão foi embasada em argumentos religiosos. Já os juízes que autorizaram a interrupção usaram explicações médicas, afirmando a possibilidade do diagnóstico seguro e o fato de que o anencéfalo é considerado natimorto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). São justificativas que mencionam preocupação com a saúde das mulheres.

A análise das decisões mostra também as diferenças regionais. Sul e Sudeste lideram as autorizações e Norte e Nordeste são os campeões em pedidos negados. No Centro-Oeste, há equivalência nas ações julgadas procedentes e improcedentes. Mas é no Norte e Nordeste que os pedidos para interrupção em casos de anencefalia são maiores proporcionalmente, chegando a representar 20% de todas as ações referentes a aborto.

Atualmente, nos países da América do Norte, Europa e parte da Ásia é permitido o aborto em todos os casos de malformações incompatíveis com a vida. Desde 2003, a Argentina tem lei semelhante. A proibição permanece em países muçulmanos, em parte da África e da América Latina, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na semana passada, o STF realizou duas audiências públicas para ouvir representantes da sociedade sobre o tema. Na próxima quinta-feira, outras instituições debaterão o assunto e, até o fim do ano, a ação movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde (CNTS) deverá ter o mérito julgado.

Fonte: Agência Estado

 

 

Eliana Calmon ganha apoio em todo o país?

Samuel Celestino

Consolida-se e ganha força nacional a reação do setor jurídico em defesa da posição da corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra baiana Eliana Calmon, que denunciou a existência no Judiciário brasileiro de magistrados em desvio de função. A expressão que ela utilizou foi “há bandidos de toga na Justiça do país”. A Advocacia Geral da União, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação de Juízes para Democracia e até o Senado ficaram com a ministra baiana e contrários aos argumentos do ministro do Supremo, Cezar Peluso, que fez duras críticas a Eliana. O STF deveria ter julgado ontem um processo que determina a diminuição dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas não o fez. Se não o fez é porque a Suprema Corte aceita a tese da ministra Eliana e considera que o Judiciário não é diferente de outros poderes, onde há corruptos e autoridades que cometem fortes deslizes, daí a reação que já se observa na sociedade. O Supremo, a princípio, queria diminuir os poderes do CNJ, criado em 2005 por reforma constitucional para corrigir problemas do Judiciário brasileiro. Boa parte dos ministros e o Judiciário brasileiro consideram que não se pode deixar o julgamento dos magistrados em erro por conta das corregedorias em todos os judiciários do país, porque eles são corporativos e muitíssimos lentos. Em síntese, a tese da ministra baiana Eliana Calmon ganha corpo, está bem embasada e, em consequência, o STF está à procura de uma fórmula que signifique um meio termo.

Comissão da Verdade ajuda a coibir tortura, diz chefe da ON

 

Fellippo Brando


Mario Coriolano

Chefe da missão da ONU que realiza visita de inspeção ao Brasil, o vice-presidente do Subcomitê de Prevenção da Tortura das Nações Unidas disse que a aprovação da Comissão da Verdade ajudará a evitar a prática continuada de tortura no país. “A impunidade é um dos maiores fatores para a proliferação da tortura. Nós vimos em vários países que as mesmas pessoas que torturaram nos governos militares torturam nos governos democráticos”, afirmou o argentino Mario Coriolano. Ele lidera o grupo de oito especialistas de diferentes nacionalidades que, há duas semanas, visita prisões, delegacias, centros de detenção de menores e manicômios judiciais para averiguar práticas de tortura. A missão termina nesta sexta-feira. “Sabem que estamos aqui, mas não sabem onde vamos. Nem a quais Estados, nem a quais lugares. Temos a possibilidade de visitar qualquer delegacia, qualquer prisão a qualquer momento, ir e voltar. Nosso único limite é o tempo”, afirmou ele em entrevista à Folha na sede da missão das Nações Unidas no Rio. (Folha)

Ousado e alegre, Brasil retribui a Belém: vitória e título sobre Argentina

Globo Esportes

A torcida paraense abraçou a Seleção Brasileira e a resposta veio com muita ousadia e alegria, o lema que Neymar repete diariamente no Twitter e carrega na chuteira. Ao melhor estilo brasileiro, o time de Mano Menezes venceu a Argentina por 2 a 0 na noite desta quarta-feira, no Mangueirão, em Belém, e ficou com o título da estreia do Superclássico das Américas – na ida, em Córdoba, empate por 0 a 0. A primeira conquista da era Mano teve assinatura de Lucas e Neymar, duas das principais promessas do país para a Copa do Mundo de 2014., É verdade que o time da Argentina não estava com suas principais estrelas. Mas Argentina é sempre Argentina, né Mano? Portanto, dá para dizer que a Seleção acabou com o jejum diante de adversários de peso, depois de derrotas para os hermanos, para a França e para Alemanha. Além disso, muito embora o Superclássico das Américas não seja um torneio tão importante, essa conquista ajuda a minimizar um pouco o fracasso na Copa América. O que chamou a atenção nesta quarta-feira, além do apoio incondicional da torcida paraense, foi a desinibição de jogadores como Cortês e Lucas, dois dos melhores em campo. Além, é claro, da ousadia e alegria de Neymar, que infernizou os argentinos, e da experiência de Ronaldinho Gaúcho, que com toques precisos e dribles desconcertantes mostrou que está se achando novamente na Seleção. Ao final, gritos de “olé” e de “é campeão” dos paraenses, um show à parte na torcida. A Seleção Brasileira volta a jogar no próximo dia 7 de outubro, contra a Costa Rica, em San José. Pouco tempo depois, no dia 11, o desafio é contra o México, em Torreon. Para esses dois amistosos, o técnico Mano Menezes voltou a convocar jogadores que atuam na Europa. E também alguns que jogam no Brasil. Ousadia e alegria Antes de a bola rolar, um pouco de falta de educação e um show da torcida paraense. Se no momento do hino nacional argentino algumas pessoas vaiaram, em sinal de desrespeito, quando o sistema de som do Mangueirão encerrou o hino brasileiro antes da hora, a galera toda continuou cantando. Um lindo espetáculo. Já com a bola rolando, os 45 minutos do duelo desta quarta-feira foram bem melhores do que os 90 em Córdoba, no empate por 0 a 0 da primeira partida. Xodó da torcida e alvo dos gritos histéricos das garotas, Neymar mostrou ousadia e alegria logo nos primeiros minutos, com dribles curtos no meio de campo. Com a Argentina recuada e em busca do contra-ataque, a Seleção Brasileira procurou explorar a velocidade de Lucas, que aos 18 minutos foi acertado no nariz por Papa e teve de ser atendido para estancar sangramento. O meia, porém, só fez valer seu futebol na parte final do primeiro tempo. Foi dos pés do são-paulino que saiu a melhor jogada de ataque do Brasil, aos 38 minutos. O garoto arrancou pelo meio, deixou os marcadores para trás e colocou Borges em boa condição. O atacante do Santos cruzou para Neymar, mas seu companheiro de clube não alcançou a bola. O lance, porém, foi bonito. Antes disso, Neymar já havia dado mais uma demonstração de alegria e ousadia. O garoto partiu para o ataque, deu um drible da vaca e tentou cruzar. Sem sucesso. Fora isso, a Argentina arriscou em poucas bolas alçadas na área. E Ronaldinho Gaúcho, que algumas vezes colocou a mão na virilha, dando sinais de incômodo, tentou em duas oportunidades marcar em cobranças de falta. Ambas passaram longe do gol de Orion. E o 0 a 0 permaneceu no placar. Ousadia e alegria – Parte 2 A boa atuação da Seleção Brasileira no primeiro tempo continuou no segundo. E co Lucas sendo o destaque. Logo em seu primeiro lance, aos oito minutos, o meia do São Paulo abriu o placar. Ele recebeu ótimo passe de Danilo, ganhou de Sebá na velocidade e bateu na saída do goleiro Orion. Um belo gol! Se o ânimo da torcida paraense já era grande, depois do gol aumentou ainda mais. Melhor para a Seleção Brasileira, que empurrada pela torcida ficou mais solta em campo. A cada toque de Neymar na bola, aliás, a arquibancada fervia e os gritos das meninas tomavam conta do estádio Mangueirão. Aos 14 minutos, um lance curioso envolvendo Neymar e Guiñazu, do Internacional. O argentino foi desarmar o santista com um carrinho e na hora que segurou na camisa do craque brasileiro arrancou um dos números 1 das costas do camisa 11. O atacante, aliás, teve de trocar de uniforme. Com a vantagem e a torcida empolgada, o ambiente ficou favorável para os jovens, como queria Mano Menezes. A ousadia e alegria de Neymar, que deu chute no ar e infernizou os argentinos, contagiou também Bruno Cortês, que fez a festa pelo lado esquerdo do ataque. Só não deu mais para Lucas, substituído e aplaudido aos 24. Mas quem disse que não tinha espaço para os veteranos brincarem? Ronaldinho Gaúcho também se empolgou e adotou a ousadia e alegria. Diante desse cenário, o segundo gol era questão de tempo. E aos 30 minutos, Cortês fez ótima jogada e tocou para Diego Souza, que cruzou para Neymar coroar sua atuação: 2 a 0. Enfim, a Seleção Brasileira voltou a mostrar sua essência e a convencer, mesmo que contra uma Argentina cambaleante. De um jeito ou de outro, esse é o primeiro título do Brasil na era Mano Menezes e no projeto Copa 2014. Que venham mais!

Ministra baiana vê “bandidos de toga na magistratura”

 

Está marcada para hoje a reunião do Supremo Tribunal Federal que pode (é a tendência) diminuir os poderes do CNJ – Conselho Nacional de Justiça- embora haja resistências. Os ministros tendem a decidir que as corregedorias dos Judiciários estaduais procedam o julgamento de magistrados em desvios, ficando o CNJ como colegiado para funcionar em grau de recurso. Para muitos, cai, e forte, o poder do CNJ, na medida em que o Conselho, desde que instalado, está a prestar relevantes serviços ao Judiciário brasileiro. Enquanto corre a barca, surge no cenário um contencioso envolvendo a ministra baiana, Eliana Calmon, corregedora do CNJ e integrante do Superior Tribunal de Justiça. Com independência, cláusula pétrea constitucional em relação à magistratura, se não me engano, disse ela, em entrevista à Associação Paulista de Jornais que há, na magistratura, “bandidos de toga; há gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás das togas”. O presidente do CNJ, César Peluso, teria então dito aos seus pares: “Se os senhores não leram, leiam, porque em 40 anos de magistratura nunca li uma coisa tão grave.” E mais: “É um atentado ao Estado Democrático aos conselheiros presentes.” Eliana Calmon entende, na entrevista concedida que  “este é o primeiro caminho para a impunidade da magistratura” A ministra citou-os como “os bandidos”, segundo a entrevista reproduzida, em parte, na mídia nacional. A ministra baiana manteve o que disse: “há, de fato, juízes que se valem do cargo para cometer crimes”. O presidente do CNJ cobrou então da magistrada nomes dos que cometem crime. Assim está a situação no dia (hoje) em que o Supremo se reúne para, talvez, quem sabe, diminuir os poderes do CNJ que, volto a dizer, tem cometido excessos, mas prestado, desde que foi criado, excelentes serviços à justiça brasileira. Fonte –  Bahia noticias