A Gente diz

Maia cancela convocação de Moro em Comissão da Câmara

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aceitou um requerimento da deputada Carla Zambelli (PSL-SP) para cancelar a convocação do ministro da Justiça, Sérgio Moro, para prestar esclarecimentos na Comissão de Legislação Participativa. A convocação havia sido feita pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Maia já havia dito que tentaria transformar a convocação em um convite, em um claro sinal de paz com o Executivo. Como mostrou o Estado, Maia e Moro selaram um acordo sobre o chamado pacote anticrime. Essa aproximação ocorreu após os dois trocarem farpas publicamente na semana passada. Os motivos da desavença foram cobranças públicas de Moro para que a Câmara destravasse a discussão de seu pacote. Incomodado, Maia acusou o ministro de desrespeitar acordo firmado pelo presidente Jair Bolsonaro, que havia pedido prioridade à reforma da Previdência. A proposta de Moro trata de mudanças nas leis contra corrupção, crimes violentos e crime organizado. No pacote ainda há a criminalização do caixa 2, tema considerado mais polêmico e que será discutido separadamente.

Estadão Conteúdo

Em depoimento a jornal, Paulo Coelho diz ter sido torturado durante ditadura

por Folhapress

Foto: Reprodução /Lendo.org

No dia 28 de maio de 1974, o escritor Paulo Coelho teve seu apartamento invadido por agentes do regime militar e depois foi preso e torturado, segundo relatou em um texto publicado nesta sexta (29) no jornal americano Washington Post.

O texto foi escrito como reação à orientação de Jair Bolsonaro para que quartéis celebrem o golpe de março de 1964. A ordem do presidente foi distribuída pelo Ministério da Defesa.

Em seu texto, Paulo conta que, após ter sido levado ao prédio do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), onde foi interrogado, pegou um táxi. Estava a caminho da casa de seus pais, quando seu trajeto foi interrompido por dois carros. Retirado a força do automóvel por um homem armado, ele foi obrigado a vestir um capuz e, levado para um lugar que não sabe identificar, passou por sessões de tortura.

“Dizem que não quero cooperar, jogam água no chão e colocam algo nos meus pés, e posso ver por debaixo do capuz que é uma máquina com eletrodos que são fixados nos meus genitais”, descreve em um trecho.

O escritor conta que, após perder a noção de tempo, foi levado para uma sala pequena chamada “geladeira”. Diz que ela era “toda pintada de negro, com um ar-condicionado fortíssimo” e que ficou ali no escuro. “Começo a enlouquecer, a ter visões de cavalos. Bato na porta, mas ninguém abre. Desmaio. Acordo e desmaio várias vezes, e em uma delas penso: melhor apanhar do que ficar aqui dentro.”

O texto do autor de “O Alquimista” termina com um protesto contra a ordem de Bolsonaro. “E são essas décadas de chumbo que o presidente Jair Bolsonaro –depois de mencionar no Congresso um dos piores torturadores como seu ídolo– quer festejar nesse dia 31 de março.”

Em encontro de Assembleias Legislativas, Nelson Leal condena pontos da Reforma da Previdência

Foto: Divulgação

Chefe do Legislativo diz que reduzir benefícios é “condenar pobres à miséria permanente”

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia – ALBA, deputado Nelson Leal, participou hoje (29) do 30 Encontro de Presidentes das Assembleias Legislativas do Nordeste – ParlaNordeste, reunidos na Assembleia Legislativa do Maranhão, em São Luís, recebidos pelo deputado Othelino Neto, presidente da Assembleia do Maranhão, e pelo presidente do ParlaNordeste, deputado Themístocles Filho. Foi um encontro, segundo Leal, para articular a defesa do Legislativo e reforçar o consórcio dos Estados do Nordeste, criado recentemente pelos nove governadores da região e presidido pelo governador Rui Costa, além de debater temas importantes para o país, como a rediscussão do pacto federativo, a defesa do Banco do Nordeste e a Reforma da Previdência, temas tratados no documento “Carta de São Luís”. “O desmonte do estado social implicará em um Brasil cada vez mais injusto e cada vez mais desigual. A Reforma da Previdência é imperativa, urgente. É injusto que a Bahia aporte quase R$ 5 bilhões na Previdência, mas o que discordo é sobre quem vai pagar a conta. Nos moldes propostos, a conta está sobre o lombo dos pobres. A proposta de redução do benefício de prestação continuada é amoral, é um acinte. Pagar um benefício de R$ 400 é condenar definitivamente os pobres do Brasil à miséria eterna”, protestou o chefe do Legislativo da Bahia. Leal também critica o modelo de capitalização proposto: “Em um país desigual como o Brasil, esse modelo só irá aumentar a pobreza. Pela capitalização, o trabalhador tem de depositar um percentual do seu salário para conseguir se aposentar. O problema é que se ficar muito tempo desempregado, fazendo bicos ou totalmente sem renda, nunca conseguirá se aposentar ou se aposentará recebendo metade do salário mínimo. No Chile, 37 anos depois que o ditador Augusto Pinochet implantou o modelo, cerca de 80% dos aposentados recebem menos de um salário mínimo de benefício e quase metade deles está abaixo da linha da pobreza”, argumenta. Desconstitucionalizar a previdência é outra “aberração”, segundo o presidente da ALBA. “Retirar a Previdência do texto constitucional é jogar na lata do lixo todas as conquistas que o país alcançou, desde 1988, no campo da previdência, da assistência e da seguridade social. Garantir o que está escrito atualmente na Constituição é ter um futuro. Tirar, é não garantir nada. Sou totalmente contra, e essa é uma posição consensual entre os presidente dos Legislativos do Nordeste, constante na Carta de São Luís”, disse Leal. Outro ponto aprovado na “Carta de São Luís” foi a defesa de instituições regionais como o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a Chesf e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB). “A fusão do Banco do Nordeste com o BNDES é absurda. Sem o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, as desigualdades regionais só irão aumentar. Foram quase R$ 44 bilhões injetados pelo BNB no Nordeste. Na Bahia, foram cerca de R$ 8 bilhões. Já havia recebido, nesta semana, o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, e manifestei minha discordância com a fusão”, justificou o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia. A “Carta de São Luís” também tratou da rediscussão do pacto federativo. O ParlaNordeste manifestou apoio à PEC-172, que retira dos Estados e Municípios a obrigação de arcarem com políticas públicas da União. “As disparidades regionais têm que ser, obrigatoriamente, corrigidas com políticas públicas. Estados e Municípios andam com a cuia na mão, com levas de desempregados e de novos ‘empreendedores informais’ nas portas dos edifícios e nas ruas. Grande parte das prefeituras aumentam suas folhas de pagamento para mitigar o desemprego – que hoje chega a 13,1 milhão de brasileiros. Por causa da recessão econômica, a crise fiscal acarretou uma perda de receita expressiva dos entes federados, ampliando ainda mais as assimetrias regionais”, critica Nelson Leal. A “Carta de São Luís foi assinada pelos presidentes das Assembleias Legislativas da Bahia, Nelson Leal; do Maranhão, Othelino Neto; do Piauí, Themístocles Filho; do Ceará, José Sarto Moreira; e da Paraíba, Adriano Cesar Galdino.

Desembargador Jatahy Júnior é o novo presidente do TRE-BA

Foto – Divulgação / TRE-BA

O desembargador Edmilson Jatahy Fonseca Júnior foi empossado, nesta quinta-feira (28/3), presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). O magistrado ficará à frente da presidência do órgão durante todo o seu segundo biênio na Corte Eleitoral baiana (2019-2021). Jatahy Júnior sucede o desembargador José Rotondano, agora vice-presidente e corregedor eleitoral. Em seu discurso, Jatahy Júnior recordou a importância da sua família, em especial de seu pai, Edmilson Jatahy Fonseca, a quem se referiu como eterna fonte de inspiração.  “Fortaleço-me em seu exemplo para agradecer a Deus as dádivas a mim ofertadas, coroadas pelo privilégio de tomar posse, neste momento, na presidência do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia.” O novo presidente destacou o trabalho desenvolvido pela gestão de seu antecessor e garantiu que as ações implementadas pelo desembargador Rotondano vão seguir o mesmo ritmo de “modernidade, transparência e boa prestação de serviço”. O magistrado adiantou que terá entre as prioridades de sua gestão a promoção do Processo Judicial Eletrônico (PJe).

Artigo: “PERDOAI, SENHOR, PORQUE ELE NÃO SABE O QUE FALA”!

Se não foi uma ditadura civil-militar o período de mais de 20 anos dos generais no poder a partir de 1964, conforme sempre negou o capitão-presidente Bozó, então ele mesmo deveria explicar qual foi o regime da época. Foi uma democracia, plutocracia, autocracia, teocracia ou uma oligarquia? Uma democracia, com certeza é que não foi. Será que foi uma “militocracia”? Não importa se o golpe contou com apoio dos civis (nem todos) e até da Igreja Católica. Portanto, “perdoai, Senhor, porque ele não sabe o que fala”.

Agora, dentre muitas outras destrambelhadas nestes quase 100 dias de brincar de governar, o capitão ordena que os quarteis comemorem o golpe de 64 (na concepção deles uma revolução) no dia 31 de março (amanhã). Na verdade, a derrubada oficial do governo constitucional de João Goulart foi no dia 1º de abril, e não 31 de março, quando houve aquela presepada do general Mourão Filho. Os militares não aceitam o 1º de abril porque é conhecido como o dia da mentira. Querem evitar gozações e o ridículo.

Mas, vamos deixar a data de lado e falar de coisas sérias. É verdade que de início o movimento contou com boa parte da população e de segmentos conservadores da sociedade que, naquela época, achavam que toda gente de esquerda era comunista que matava velhos, deficientes e comia criancinhas vivas. Era a propaganda da guerra fria, comandada pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais capitalistas.

Naquele turbilhão de ideias e posições socialistas, a promessa de quem tomou o poder constituído, tendo à frente o marechal Castelo Branco e outros, era que haveria eleições em 1965, só que a linha dura do generalato traiu o povo e não deixou. O cerco foi se fechando com prisões, cassações de políticos e vários outros tipos de perseguições contra quem pensava diferente. O pior aconteceu em 13 de dezembro de 1968 com a decretação do Ato Institucional número 5.

Ai sim, minha gente, esse abominável Ato aprisionou de vez a nossa liberdade de expressão com o fechamento do Congresso Nacional; censura a todos os veículos de comunicação; mais prisões, torturas e mortes; proibição de reuniões; exílio de políticos e mestres que não puderam mais lecionar; e institucionalização da tortura, com tropas das forças armadas nas ruas para reprimir qualquer manifestação justa de estudantes e trabalhadores.

A partir dai, o país passou a viver os chamados anos de chumbo com os generais Médici e Geisel, com o Doi-Codi e os CEIs nos porões, torturando, matando e fazendo desaparecer corpos. A vida de todos que militavam foi devassada, e a própria Igreja, os civis e a mídia que apoiaram o golpe passaram a contestar o autoritarismo. Padres, freis, freiras, jornalistas, estudantes e professores mais progressistas foram presos e colocados no pau-de-arara, sem contar outros inúmeros métodos bárbaros de tortura aprendidos através da escola dos oficiais norte-americanos.

Agora eu pergunto: Tudo isso foi uma democracia? Se não foi uma ditadura, então foi o quê? Eu só queria saber. Não importa se no Chile, de Pinochet, na Argentina, de Videla, no Paraguai, de Alfredo Strossner, em Portugal, de Salazar, na Espanha, de Franco e na Cuba, de Fidel Castro  foi bem mais brutal. Não importa quem torturou e quem matou mais, ou menos. Não importa se aqui foram 500 mortos e mais 500 desaparecidos, e por lá foram 10 mil, 20 mil, 50 mil ou mais de 100 mil.

Ditadura é ditadura em qualquer lugar do mundo, seja de direita ou de esquerda. Sem essa de quantidade de vidas ceifadas. O criminoso pode assassinar apenas um, ou 50, mas não é o um que ele deixa de ser criminoso. Trata-se de vidas humanas. É um argumento de quem é desprovido de argumento e não conhece a história, que pode se repetir quando ela é ignorada pelos incultos. O capitão Bozó critica a ditadura da Venezuela e comemora a do Brasil que ele nega. Vá entender!

Infelizmente, temos hoje uma juventude que não acredita que houve ditadura no Brasil e são, principalmente, esses jovens que são atraídos pela negação louca do capitão Bozó, que se atrapalha todo quando inquerido sobre sua ordem de comemorar um regime que envergonha a nós e ao mundo. Ele quer mudar a história quando deveria governar. É um despreparado.

É uma afronta, não somente aos presos políticos que ainda vivem, aos mortos desaparecidos, como no massacre da guerrilha do Araguaia quando o major Curió mandou esquartejar os presos e jogar numa vala qualquer na floresta Amazônica (alguns foram para o fundo dos rios), aos familiares e parentes perseguidos que não puderam enterrar seus entes queridos e a todos os brasileiros de ontem, os de hoje e os do futuro.

Pelo menos, os generais de hoje, especialmente os que se dizem mais moderados, deviam, pelo menos, respeitar este sentimento, a dor e o choro dos que sofreram e ainda sofrem. Essa ordem de um capitão-presidente, que não sabe o que diz, deveria ser desrespeitada em nome da família e da nação brasileira, enquanto as feridas da ditadura (ele nega e não explica qual regime foi) continuam abertas, porque os torturadores não foram punidos como em outros países da América do Sul.

Não dá para entender como ele elogia os ditadores como estadistas e, ao mesmo tempo, fala de democracia e liberdade para o nosso povo. É uma tremenda contradição e enganação. É uma mentira. Na cabeça dele, ditadura só existe de esquerda. A de direita é democracia, é gentileza e mimo. Nessa tremenda confusão, ele ainda diz que democracia e liberdade só se as forças armadas quiserem, e a sociedade tem que ouvir mais esta blasfêmia calada. “Perdoai, Senhor, porque ele não sabe o que diz”.

Nana Caymmi ataca Chico, Gil e Caetano e diz que não vem à Bahia por causa do PT

 

por Luiz Fernando Vianna | Folhapress

Nana Caymmi ataca Chico, Gil e Caetano e diz que não vem à Bahia por causa do PT

Foto: Divulgação

Nana Caymmi não lançava CD desde 2009. Ao completar 78 anos, em 29 de abril, terá realizado mais dois —“Nana Caymmi Canta Tito Madi”, que sai agora pela Biscoito Fino, e um com músicas de Tom Jobim, acompanhada de orquestra, que ela gravará para o Sesc a partir do próximo dia 15.

Parece o reaquecimento da carreira de uma das principais intérpretes do país, mas Nana diz que não é bem assim.

“Estou fazendo uma despedida sem ir embora. Saída à francesa. A vida que me resta, de uma senhora, quero viver em paz”, afirma. “Acordei pro mundo: não tenho muito tempo. Quero ouvir o que eu não podia ouvir. Criei três filhos sozinha. O pai ficou na Venezuela, fez outra família.”

Quer ouvir óperas, prazer solitário na família, pois nem Dorival Caymmi, amante de música clássica, gostava de canto lírico. A soprano Renata Tebaldi é sua paixão maior.

“Mostrei pra Dori [seu irmão] e ele ficou de pau na mão. Falei: isso aí é que é cantar!”, anima-se, mas sem saber para quem deixará seus discos do gênero. “Minhas filhas são ignorantes em ópera. Nunca tive um marido que gostasse. Uns merdas.” Ela não confirma se foram dez maridos. Prefere dizer que “foi uma porrada”.

Em 71 minutos de entrevista à reportagem, Nana falou 89 palavrões. É o seu jeito. Não foge de nenhum assunto, nem mesmo política, em que destoa do coro dos colegas artistas. Ela votou em Jair Bolsonaro no segundo turno.

“É injusto não dar a esse homem um crédito de confiança. Um homem que estava fodido, esfaqueado, correndo pra fazer um ministério, sem noção da mutreta toda… Só de tirar PMDB e PT já é uma garantia de que a vida vai melhorar. Agora vêm dizer que os militares vão tomar conta? Isso é conversa de comunista. Gil, Caetano, Chico Buarque. Tudo chupador de pau de Lula. Então, vão pro Paraná fazer companhia a ele. Eu não me importo.”

Ela acha difícil voltar a se apresentar na Bahia, e isso também tem a ver com política. “Bahia não tem nada, é PT”. O partido está no governo do Estado há 12 anos. O pai, que morreu em 2008 aos 94 anos, já não tinha mais saudade da Bahia. “Ele ficou muito triste na última vez em que foi lá. E isso porque ainda era a época do capo, Antonio Carlos Magalhães [1927-2007]”. Nana diz que “toda a família se dava” com o ex-governador.

“Tenho medo do futuro dos meus netos e bisnetos. Pensar no Brasil não é comprar carro novo, apartamento com vista pro mar, o último celular da Apple, a última roupa do Givenchy. Fico muito triste”, lamenta.

Nos anos 2000, Nana gravou CDs cantando a obra do pai. Queria —e conseguiu— que ele ainda estivesse vivo para ouvir. E queria que não o esquecessem.

“Já esqueceram. Tenho certeza absoluta. Sabe por que não se esquecem totalmente? Porque tem aniversário de morte, tem sempre uma macumbeira que se lembra de uma música qualquer, ou se lembram em 2 de fevereiro, dia de festa no mar. Tem sempre uma merda assim.”

Suas duas netas são exemplos, a seu ver, da dificuldade de se manter obras como a de Caymmi.

“Liguei pra Denise, minha filha, e perguntei das meninas. ‘Ah, elas não tão aqui, foram assistir ao show do Belo’. Eu falei: ‘O quê?’. Não tenho nada contra a pessoa. Mas duas bisnetas de Dorival Caymmi! Eu já fazia música com quatro anos. Meti bedelho quando vivi com João Donato, com Gil, com Claudio Nucci. Quer dizer, eu comia a canção popular brasileira e fazia parceria. Na música e na cama.”

De Alice, filha de Danilo que foi para o lado pop, ela fala com um pouco de tristeza, embora reconheça que a sobrinha tem ótima voz. “Eu tinha muita esperança de que ela fosse pro meu caminho. Achei que Alice ia dar mel, mas não deu.”

Nana queria lançar o CD dedicado à obra de Tito Madi com o compositor ainda vivo. Não deu tempo: ele morreu em 26 de setembro de 2018, aos 89 anos. Ela gravou em abril do ano passado, mas o produtor José Milton não conseguiu concluir o trabalho a tempo.

“É você fazer a festa sem o aniversariante. Mas ele ouviu, porque o Zé Milton mostrou. Ele sabia que um dia ia sair”, emociona-se ela. “A gente se falava muito pelo telefone. Eu percebi a estrela indo pro céu. Sabia que eu estava falando com alguém que estava se despedindo.”

Ela realiza algo que Tito Madi acreditava que Roberto Carlos faria. O cantor, segundo Madi, teria falado em gravar um disco dedicado à sua obra. Nana diz que também ouviu essa história. (“Ah, manda um CD para aquele rei sem trono”, aproveita para gritar à assessora de imprensa.) A Folha procurou a assessoria de Roberto, mas ele está em turnê nos EUA e não foi possível consultá-lo.

Tito Madi foi uma das primeiras paixões musicais de Nana. São as canções de sua “memória afetiva”, como diz, que predominam no repertório de 11 faixas. Sete foram compostas nos anos 1950, como “Cansei de Ilusões”, “Chove Lá Fora” e “Não Diga Não”. Esta é a única que ele já gravara: em 1983, no disco “Voz e Suor”, ao lado do pianista Cesar Camargo Mariano.

“O Cesar estudava todas aquelas músicas”, recorda. “Eu dizia: ‘Você quer parar de estudar essa merda? Vou escolher uma música pra você tocar no susto, na urina. Bateu, valeu. Deu, comeu’. Era ‘Não Diga Não’. Achei que ia botar no rabo dele com farinha, mas ele arrasou comigo. Fui cantando, ele acompanhando. É a música mais bonita do disco.”

Ela optou agora por uma interpretação mais contida. Diz que não queria competir com a versão muito forte feita ao lado de Cesar. “É como aquela pessoa que vai à cozinha e come à beça. Aí chega na hora da refeição e come um bifinho: ‘Tô de dieta’.” A nova versão é diet, portanto.

Mas tem uma canção mais suingada, “Balanço Zona Sul”, exceção na obra de Madi e no estilo de Nana. Foi um grande sucesso de Wilson Simonal nos anos 1960.

“Acho que Tito estava numa fase de ficar na praia vendo bunda de mulher. E a música é boa pra cacete. Simonal deve ter tirado um troco. Agora, Simonal é referência pra alguém? Conheci a arrogância dele, andava com escolta. Era muito vaidoso. Vi isso na Elis [Regina] também. Achavam que Elis era toda aquela santidade. Santidade era Clara Nunes, boníssima, uma pessoa que não tinha medo de quem fizesse sucesso. Elis não podia ver uma cantora nova que se arrepiava.”

Assim como o repertório de Dolores Duran, que Nana registrou em CD em 1994, o de Tito Madi ficou associado à ideia de fossa, palavra que ele acabou assumindo.

“Eu não tô nem aí pra expressão. Quer nome mais escroto do que bossa nova? O que a gente vai fazer contra a ignorância?”, ignora Nana, amante de sambas-canção e outras músicas que tocavam em boates. “Eu era boateira, dançava que nem uma filha da puta. Saía com as amigas pra pegar homem.”

Foi saindo na noite que ela conheceu Emílio Santiago, então um crooner. O cantor tinha decidido gravar um CD com músicas de Tito Madi quando morreu, em 2013, aos 66 anos, após um acidente vascular cerebral. Homenagear o amigo motivou Nana a voltar aos estúdios.

“Eu era cama e mesa com Emílio. Se a bicha não fosse bicha, eu estava casada com ela. E não teria morrido, porque eu ia levar para o médico a porrada. Comia feijoada à noite, achava que não existia colesterol. Ia jantar depois dos shows e comia verdadeiras bundas de vaca. Foi uma perda pra mim fodida.”

Em dezembro passado, perdeu outra pessoa querida, a cantora Miúcha, que também não cuidava da saúde, segundo Nana. “Essa filha da puta… Não parava de fumar”, diz, com tristeza.

A tristeza e o cansaço também estão ligados à situação de seu filho João Gilberto. Em 16 de dezembro de 1989, ele sofreu acidente de moto que lhe deixou sequelas neurológicas graves. Está com 51 anos. “Eu sou a companhia dele, dou vida a ele. Ele adora ver o Datena, e eu tenho que ver também.”

Nana quer vender o apartamento onde mora, no Alto Leblon, e se dividir entre o apartamento de Copacabana onde seus pais passaram o final da vida e o sítio da família em Pequeri (MG).

“Não aguento mais ficar de Rapunzel”, diz, referindo-se ao Alto Leblon. “Vou vender e torrar o dinheiro. Até eu morrer torro essa porra toda. Minhas filhas que se fodam. Eu não aturei elas? Não estou há 30 anos com esse acidentado? Ele vai ter Pequeri. É onde eu quero que ele fique. É a única maneira de ele ter vida saudável. “

Foi o filho quem a apresentou ao pop de George Michael, Madonna, Bee Gees e outros de quem ela gosta. Em Pequeri ouve mais suas óperas.

“Chego lá e é uma revolução. Os pássaros ficam putos, porque eu canto as óperas junto com os discos.”

Embora tenha optado pela contenção ao interpretar Tito Madi agora, ela demonstra segurança quanto à própria voz.

“Não fiquei preocupada. Tô vendo meus colegas cantores todos fodidos aí. Dori e Cristovão Bastos [arranjadores do CD] dizem que eu estou uma beleza. Não sei se é só pra me agradar.”

A voz será posta à prova no trabalho dedicado a Tom Jobim. Serão músicas adequadas a orquestras, como “As Praias Desertas”, “Derradeira Primavera” e “Janelas Abertas”. “Não é pra qualquer um. Se eu morrer, não estou vendo cantora que faça isso.”

Ela diz que não tem paciência para turnês, aeroportos etc. Mas adora estúdios.

“Coisa mais gostosa de fazer é gravar. Todo cantor que se preza gosta mais de estúdio.” Alertada de que o ex-marido Gilberto Gil já disse preferir palcos, ela minimiza. “Gil é maluco, adora aparecer. Se pudesse, dormia no palco. E ele tá cansado. Chega, está cantando há séculos e aos gritos. Eu falei: ‘Gil, não grita’, ‘Gil, não grita’. Mas conselho não se dá. Por que Caetano tem a voz que tem, a mesma desde que nasceu entre as pernas de dona Canô? Não há possibilidade de ele dar um grito. Só dá grito quando ele tá furioso com a Paula [Lavigne] ou se é pra falar de jornalista.”

Ela pensa em fazer poucos shows com o repertório de Tito Madi, de preferência nos lugares em que se apresentar com o de Tom. São Paulo, por exemplo. Mas preferiu gravar o CD com canções de Tom no Rio, perto de casa. “Se fosse pra gravar em São Paulo, eu ia limpar o rabo com o contrato.”

Cogita abrir uma exceção: apresentar-se em Belém, cidade onde ela diz ser maravilhosamente recebida. Mas, para evitar escala em Brasília, teria que pegar um voo às 9h, horário que não a agrada. “Às 9 da manhã eu não sou mulher, eu sou veado.”

Apesar do desalento, ela não descarta fazer mais um disco de inéditas, que poderia ser o seu último.

“Se você noticiar que eu vou fazer um disco de inéditas, estou fodida. Na mesma hora recebo um caminhão de discos. É uma responsabilidade que eu não quero pegar, uma esperança que não quero dar. Se eu resolver fazer, aviso com antecedência.”

Gravando ou não um CD de despedida, ela diz já ter cumprido sua missão na música. “Já dei régua e compasso. Agora, é como diz meu ex-marido: Aquele abraço!”

NANA CAYMMI CANTA TITO MADI

 

 

STF julga constitucional lei que permite sacrifício de animais em rituais religiosos

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou, por unanimidade, que é constitucional o sacrifício de animais em rituais religiosos. O julgamento havia sido suspenso em agosto do último ano e foi retomado nesta quinta-feira (28) após um pedido de vista.

 

Os ministros julgaram a validade de lei do Rio Grande do Sul que trata do sacrifício de animais em ritos das religiões de matriz africana. Apesar de tratar de um caso específico, a jurisprudência pode ser aplicada em casos semelhantes de todo o país.

 

 

O relator no STF, ministro Marco Aurélio, entendeu que não há espaço para a supressão de rituais religiosos. Ele votou a favor do sacrifício de animais para todas as religiões, não apenas as de matriz africana. Os demais ministros seguiram o mesmo entendimento.

Coletivo do Espaço Cultural a Estrada  apresenta SHOW COM VÁRIOS ARTISTAS SE DIA 6 de abril NO “CARLOS JEOVA”

“Cantorias A Estrada” é um show autoral de músicas, causos e declamações de poemas que se apresentará no próximo dia 6 de abril (sábado), às 20 horas, no Teatro Carlos Jeová, em Vitória da Conquista. Vão estar lá neste dia no palco Alex Baducha, Mano Di Souza, Dorinho, Paulo Gabiru, Marta Moreno, Jhesus, Edna Brito, Gildásio Amorim. José Carlos D´Almeida, Regina Chaves, Vandilza Gonçalves, Itamar Aguiar e Jeremias Macário, com participações especiais de Papalo Monteiro e Alisson Menezes.

Esse grupo dos treze está fazendo parte do CD Sarau, um produto fruto dos nossos saraus que estão completando nove de existência, no Espaço Cultural A Estrada. O show colaborativo “Cantorias A Estrada”, cujo ingresso será de apenas R$20,00 por pessoa (sem meia), tem como principal objetivo arrecadar recursos para a gravação de um CD, com o formato do Sarau, daí a importância da presença de todos que ainda amam e dão valor à nossa cultura.

Quem for vai se sentir dentro do nosso Sarau e ainda ter surpresas, numa agradável noite cultural de boas músicas de artistas locais de renome e conteúdo. O público vai ouvir ainda causos engraçados e populares, além de declamações de poemas que falam do nosso cotidiano, sem esquecer a vida nordestina do sertanejo. Há tempos que este projeto do CD autoral está sendo planejado e amadurecido em reuniões, e o grupo se preparou para oferecer ao conquistense um show eclético, com apoio dos amigos Papalo e Alisson Menezes que irão enriquecer nosso encontro.

 

Câmara dos Deputados aprova projeto que facilita pedido de divórcio de mulher vítima de violência

Foto – Najara Araújo / Câmara dos Deputados

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) proposta que garante à vítima de violência doméstica e familiar assistência judiciária para o pedido de divórcio. A matéria será enviada ao Senado. O texto aprovado é um substitutivo da deputada Erika Kokay (PT-DF) ao Projeto de Lei 510/19, do deputado Luiz Lima (PSL-RJ). O texto determina que caberá ao juiz assegurar à mulher vítima de violência o encaminhamento para a assistência se ela desejar pedir o divórcio ou dissolução da união estável. O prazo será o mesmo para outros procedimentos, de 48 horas após recebido o pedido de medidas protetivas. O texto também prevê que caberá à delegacia na qual ocorrer o atendimento da mulher informá-la sobre esse serviço disponível. “O projeto é simbólico em um momento de tanta polarização na política nacional, pois prova que esta Casa pode ter convergência”, ressaltou Lima, agradecendo à relatoria de Erika Kokay.

A ALBA -BA gasta R$ 155 mil com copos descartáveis em menos de três anos

por Lucas Arraz

Foto: Reprodução / Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Não é de hoje que se discute na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) a redução ou até mesmo a proibição da fabricação e venda de copos plásticos descartáveis no estado. O exemplo da Casa Legislativa, entretanto, não parece ter conformidade com o discurso. 

 

Apesar de projetos e campanhas contra o uso serem comuns, nos últimos três anos, o Legislativo estadual autorizou seis licitações para compra de copos descartáveis para água (200ml) e para café (80ml) no valor de R$ 155 mil. 

 

Se considerarmos o preço de varejo de R$ 4,75 para a compra de um pacote de 100 unidades de copos para água, os deputados autorizaram, entre 2016 e 2018, a compra de 3,2 milhões de copos plásticos para o uso da Assembléia. 

 

Rui critica tom de Guedes em reunião com governadores: “chamou de duas caras”

Foto: Paula Fróes / GOVBA

Governador Rui Costa

Presente no encontro de governadores com o ministro da Economia Paulo Guedes, o governador Rui Costa (PT) criticou, em entrevista ao jornal Valor, o tom de conversa que Guedes utilizou durante a reunião. Rui chegou a dizer que o ministro chamou os governadores de “duas caras”. “Vários governadores saíram antes, eu inclusive. A conversa inicou com uma afirmação do tipo: ‘precisamos saber se o que vai ser dito aqui é para valer, porque tem governador dizendo que me apoia e no estado diz que é contra. Vamos ficar nisso?’. O ministro abriu a reunião chamando os governadores de duas caras”, reclamou Rui. Ainda segundo o governador, Paulo Guedes afirmou que iria dar o partilhamento de cessão onerosa por deliberação da vontade pessoal dele, mas, frisou Rui, a medida está prevista na Constituição. “A condução da reunião foi toda no sentido de afrontar e não de promover consenso. Nunca vi ninguém conquistar alguém com ameaça, agressão, sendo arrogante”, disse o governador.

O cite Tour do prefeito Herzem Gusmão na Capital

O prefeito Herzem Gusmão   vista os principais veículos de comunicação  da capital Baiana, e segundo os assessores, com o propósito de falar das potencialidades do municípios e dos resultados das ações de sua gestão no município.

O Prefeito Herzem Gusmão juntamente com parte de sua equipe de governo fez um cite tour pela capital baiana,  com a missão especifica de visitar os  principais veículos de comunicação. Com agenda previamente marcada, horário, programas e duração das entrevistas.

foto PMVC

Na agenda do alcaide consta: dia 27 – 06h30 – Balanço Geral/TV Record;07h – bahia no Ar/TV Record; 08h Jornal da Bahia com Mário Kertesz/Rádio Metropole; 10h Vista a TV Bahia/ Globo e as 16 h – Vista ao jornal Tribuna da Bahia.

Destes encontros todos só tomamos conhecimento de sua passagem pela Rádio Metrópoles. Que na nota da PMVC cita: “Em entrevista à Rádio Metrópole, apresentada por Mário Kertész e equipe, Herzem destacou o importante trabalho de modernização que está fazendo na Secretaria da Fazenda. Falou ainda sobre as variadas vocações de nossa cidade, em que se destacam a prestação de serviços, o polo universitário e o de saúde. Afirmou também que a gestão prima pelo equilíbrio fiscal: as contas e os salários estão em dia e no azul. Além disso, profissionais de escolas que bateram a meta do Ideb ganharam o 14º salário anual. Este é um dos muitos passos que estamos tomando para fazer uma revolução na educação. Há pouco tempo, somente 6% dos alunos da rede municipal detinham percepção e entendimento na leitura considerados satisfatórios. Hoje, já são 23%, quase quatro vezes mais do que quando assumiu o governo.” Finaliza a nota.

Em parte o gestor contabilizou ponto na capital baiana, com a exposição e argumentação e exaltação de suas ações e de sua gestão, nos principais e mais importantes veículos da capital, mas, no entanto, para os vereadores da oposição e importante parcela da sociedade conquistense, este tipo de atitude demonstra a total irresponsabilidade do gestor,  que não esta comprido com o seu dever de casa, e com sua responsabilidade como gestor.

Nas manifestações apontadas pelos setores que fazem oposição ao governo, argumentam que ao invés de o prefeito  usar os veículos de comunicação da capital, deveria estar na cidade resolvendo as questões dos setores da educação, saúde e do transporte coletivo da cidade, ( transporte clandestino) que requer imediatas soluções. E alguns até se posicionam argumentando se o prefeito deseja se candidatar na capital baiana. Salvador. Com a palavra o prefeito.