Projeto: “2020: Ano Anísio Teixeira”.  Celebra memória, legado e cria o Instituto  educador  Anísio Teixeira..

 

 

 

Foto – Divulgação / Claudionor Jr

Desde  sexta-feira (12), e  até o dia 12 de julho de 2020, o Governo do Estado da Bahia irá promover uma série de ações que visam celebrar a memória e o legado do educador baiano Anísio Teixeira.O Projeto referenda  também  o aniversário de 119 anos do educador.

Projeto: “2020: Ano Anísio Teixeira”. Estabelece duas iniciativas representaram o começo das atividades: a publicação do Decreto Nº 19.132, assinado pelo governador Rui Costa, que institui o projeto, e a solenidade de lançamento no IAT, instituto que leva o nome do educador e que tem a função, na estrutura da Secretaria da Educação do Estado (SEC), de promover a formação continuada dos educadores. A solenidade contou com as presenças do secretário Estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues; da secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, Adélia Teixeira; e do filho de Anísio Teixeira, Carlos Antônio Teixeira; além de professores, gestores, estudantes da rede estadual e demais autoridades. Na oportunidade, foi assinada a portaria para a criação da comissão do projeto “2020: Ano Anísio Teixeira, que vai ser a responsável por organizar e planejar as atividades até 2020. Estudantes da banda Juventude Parqueana, do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque), idealizado por Anísio Teixeira, realizaram uma apresentação musical e um vídeo sobre a vida do educador foi exibido.

Conheça um pouco da historia deste genial Educador  baiano: ANÍSIO SPÍNOLA TEIXEIRA

 

*12/07/1900†11/03/1971
Anísio Spínola Teixeira nasceu em Caetité-BA, no dia 12 de julho 1900 e morreu em 11/03/1971 no Rio de Janeiro. Filho do médico Deocleciano Pires Teixeira e Ana Spínola Teixeira (Donana).
Seu pai, filho de Antonio José Teixeira, nascido em Ituaçu no dia 11/10/1884 e Maria Madalena da Silva Teixeira, contraiu matrimônio com três irmãs, com as quais teve 18 filhos. Faleceu em Caetité em 09/12/1930 com 89 anos de idade.
Com Mariana teve os filhos Alice e Eurico; viúvo casou-se com Maria Rita e teve os seguintes filhos: Mário, Alzira e Celina, com Ana (Donana) os filhos : Evangelina, Celsina, Eurico, Hersília, Celso, Oscar, Leontina, Jaime falecido em criança, Jaime, Anísio, Nelson, Angelina e Carmem. Donana faleceu em 1944.
Anísio iniciou seus estudos em Caetité, completou o curso secundário em Salvador, onde em seguida iniciou o curso de Direito (Ciências Jurídicas e Sociais), concluído no Rio de Janeiro em 1922.
Casou-se com Emília Telles Ferreira que passou assinar Emília Ferreira Teixeira e tiveram quatro filhos: Carlos Antonio, Marta, Ana Cristina e José Maurício.
Em 1924 é nomeado pelo Governador Góis Calmon (Francisco Marques de Góis Calmon), Inspetor Geral do Ensino na Bahia. Em 1925 vai à Europa e em 1927 para os EUA para conhecer novos sistemas de ensino, com o intuito de aperfeiçoar os serviços de educação na Bahia. Em 1928 faz o curso de pós-graduação na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque e lá em 1929 recebe medalha de honra que o comoveu pelos dizeres inseridos.
Em 1929 ao terminar a sua gestão na Bahia, Anísio vai para o Rio de Janeiro, antigo distrito Federal e, a convite do então prefeito Pedro Ernesto Batista (1931-1936), substitui o educador paulista e seu amigo Fernando Azevedo. À frente da Secretaria da Educação e Cultura, desenvolveu brilhante gestão com resultados positivos que o projeta nacionalmente.
Em 1932 assina o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, junto com os principais educadores do país, dentre eles, Lourenço Filho, Fernando Azevedo e outros.
A partir de 1935 e principalmente em 1937 com a instalação do Estado Novo por Getúlio, passa longo período afastado da educação, inicialmente, ocupou-se com traduções para a Companhia Editora Nacional e depois se dedicou exclusivamente a seus negócios privados, se torna comerciante e exportador de minérios até 1946.
Nesse ano, foi convidado por Julian Huxley para Conselheiro em Educação da UNESCO e passou a viver na Europa.
Em 1947 volta ao Brasil para assumir a Secretaria da Educação e Saúde da Bahia, a convite do recém-eleito Governador Otavio Mangabeira (1947/1951).
Realizou uma gestão memorável como Secretário na qual se destaca a construção do Centro de Educação Carneiro Ribeiro, estabelecimento preparado para introduzir novas concepções de educação – a educação integral.
Nesse ano a chamado do Ministério da Educação, sob o comando do Ministro baiano Simões Filho, organiza como Secretário Geral a Companhia Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (capes), e em 1952 passa a acumular a Secretaria Geral da instituição e a direção do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP).
Em 1964 o golpe militar o afasta do CAPS e da Reitoria da Universidade de Brasília, que havia assumido interinamente em 1963 substituido Darcy Ribeiro. Foi fundador da Universidade de Brasília (UnB), juntamente com Darcy Ribeiro. Após 1964 passa um período nos Estados Unidos a convite de universidades americanas e outo do Chile, onde participa do processo de reestruturação da universidade, a convite do governo daquele país.
Apesar de ser contrário a violências políticas, acabou sendo acusado de envolvimento com o comunismo, baseado nos artigos que escrevia. Próximo ao evento da eleição que o faria membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). Em março de 1971 no edifício onde morava Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a quem ele pretendia postular apoio para o voto da Academia, lá não chegou. Desaparecido, dias depois, foi encontrado morto no fundo do poço do elevador do prédio onde residia Aurélio Burque de Hdoanda.
Anísio Teixeira escreveu bastante, construiu muitas escolas e bibliotecas, modernizou a educação brasileira em todos os sentidos e contribuiu diretamente para a construção da Universidade do Distrito Federal (1935) extinta em 1938 e da Universidade de Brasília (UnB) (1961), dois marcos da renovação da universidade brasileira.
Dentre suas obras destacam-se: Aspectos Americanos da Educação (1928); Educação Progressiva: uma introdução à Filosofia da Educação (1934); Educação para a Democracia (1936); Em colaboração com Maurício Rocha Silva: Diálogo sobre a Lógica do Conhecimento (1968); Educação é um Direito (1968); Educação não é Privilégio (1968); Educação para o Mundo Moderno (1969) e Ensino Superior no Brasil (1989, póstuma).
DECLARAÇÕES:
Jorge Amado no artigo “Mestre Anísio” – “Foi o mais modesto dos grandes homens, o mais simples, e que menos desejou para si próprio. O mais ambicioso, porém, em relação ao Brasil e ao homem brasileiro. Ninguém como ele tão capaz de acreditar e confiar nos demais, de ver e revelar as qualidades de cada um e de valorizá-las, de conseguir estabelecer a confiança e descobrir valores”.
Hermes de Lima amigo e admirador, disse: “… iluminado o dom da adolescência que ajuda o mundo, todas as manhãs, a nascer de novo”. Entre outas que exaltaram a capacidade do Mestre Anísio como educador singular comprometido com a educação pública, ele revelou: “Fui um inconformado com a lentidão nacional em se aperceber de que a educação não pode ser um bem de poucos, nem apenas de muitos, mas de cada um”.
R O N O L O G I A:
1900 – Anísio Spínola Teixeira nasce em Caetité, no sertão da Bahia, no dia 12 de julho, filho de Deocleciano Pires Teixeira e de Ana Spínola Teixeira.
1912 – Matriculado no Instituto São Luiz Gonzaga, colégio jesuíta, em Caetité, onde inicia o ginásio.
1914 – Transferido para o Colégio Antônio Vieira, também jesuíta, em Salvador.
1922 – Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro.
1924 – Nomeado em 9 de abril para o cargo de inspetor-geral do ensino na Bahia, a convite do governador Francisco Marques de Góes Calmon.
1925 – Parte para a Europa, em viagem de observação educacional à França e à Bélgica, em companhia do arcebispo-primaz da Bahia, dom Augusto Álvaro da Silva.
1927 – Viaja aos Estados Unidos para estudos sobre organização escolar e entra em contato com as ideias do filósofo John Dewey.
1928 – Demite-se do cargo de inspetor-geral do ensino por incompatibilidade com o novo governador baiano, Vital Henrique Batista Soares. É nomeado docente da Escola Normal de Salvador para lecionar filosofia e história da educação. Viaja novamente aos Estados Unidos. Publica Aspectos americanos da educação, em que analisa o funcionamento das instituições de ensino norte-americanas e as ideias de John Dewey.
1929 – Obtém o título de Master of Arts após frequentar como bolsista, durante dez meses, o Teachers College da Universidade de Columbia. Retorna ao Brasil.
1930 – Elabora novos programas para as disciplinas das escolas primárias e fundamentais da Bahia. Passa a lecionar filosofia da educação na Escola Nacional de Educação de Salvador. Escreve o artigo Por que Escola Nova? No cenário político, eclode em 3 de outubro a revolução no Rio Grande do Sul, em Minas e nos estados do Nordeste. Em 24 de outubro, Washington Luís é deposto da presidência da República, e em 3 de novembro Getúlio Vargas é empossado na chefia do Governo Provisório.
1931 – A convite de Pedro Ernesto Batista, então interventor no Distrito Federal, é nomeado diretor-geral de Instrução Pública no Rio de Janeiro.
Integra uma comissão do Ministério da Educação e Saúde, criado pelo novo governo, na qual é responsável pelo estudo da reorganização do ensino secundário nacional.
1932 – Em março, cria, no Rio de Janeiro, o Instituto de Educação, integrando à antiga Escola Normal, em um único estabelecimento, um jardim de infância e os cursos primário e secundário. Torna-se professor de filosofia da educação desta instituição e assume a presidência da Associação Brasileira de Educação. É um dos signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Publica Educação progressiva: uma introdução à filosofia da educação. Casa-se com Emília Telles Ferreira, com quem terá quatro filhos.
1933 – Nomeado diretor do recém-criado Departamento de Educação do Distrito Federal.
1934 – Publica Em marcha para a democracia.
1935 – Indicado secretário-geral de Educação e Cultura da capital federal, é responsável pela criação da Universidade do Distrito Federal. Após a revolta comunista de novembro e a prisão do prefeito Pedro Ernesto, sob a acusação de envolvimento com a Aliança Nacional Libertadora (ANL), é destituído de suas funções, em 1º de dezembro.
1936 – Publica Educação para a democracia: introdução à administração escolar.
1937-1945 – Durante a ditadura do Estado Novo, afasta-se das atividades educacionais. Dedica-se à exploração e à exportação de manganês, calcário e cimento, à comercialização de automóveis e à tradução de livros para a Companhia Editora Nacional.
1938 – Extinção da Universidade do Distrito Federal.
1945 – Em 2 de dezembro realizam-se eleições para a presidência da República e para a Assembleia Nacional Constituinte.
1946 – Deixa a Bahia ao tornar-se conselheiro de educação superior da recém-criada UNESCO, órgão das Nações Unidas voltado para educação, ciência e cultura, passando a residir inicialmente em Londres e depois em Paris.
1947 – Assume a Secretaria de Educação e Saúde, da Bahia, no governo de Otávio Mangabeira.
1950 – Inaugurado em outubro, segundo projeto de sua autoria, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, conhecido como Escola Parque, no bairro popular da Liberdade, em Salvador.
1951 – Nomeado secretário-geral da Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundada em 11 de julho. Diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP).
1955 – Como diretor do INEP, cria o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais.
1956 – Publica A educação e a crise brasileira.
1957 – Publica Educação não é privilégio.
1961 – Participa da discussão da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Criação da Universidade de Brasília (UnB), projeto do qual foi um dos idealizadores.
1962 – Nomeado membro do Conselho Federal de Educação.
1963 – Ocupa a presidência da Comissão Nacional do Ensino Primário. Assume interinamente a reitoria da Universidade de Brasília (UnB), substituindo Darcy Ribeiro.
1964 – Após a deposição do presidente João Goulart por um golpe militar no dia 31 de março, é incluído no processo instaurado para a apuração de irregularidades administrativas na UnB. Aposentado compulsoriamente viaja para os Estados Unidos a convite da Universidade de Columbia para integrar seu corpo docente na qualidade de visiting scholar.
1965 – É convidado a lecionar na Universidade de Nova York.
1966 – Ministra aulas na Universidade da Califórnia. Volta para o Brasil e torna-se consultor da Fundação Getúlio Vargas.
1967 – Publica Educação é um direito.
1969 – Publica Educação no Brasil e Educação e o mundo moderno.
1970 – Recebe o título de professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
1971 – Em 11 de março aparece morto no poço do elevador do edifício em que residia seu amigo Aurélio Buarque de Holanda, no Rio de Janeiro, a quem iria visitar, para obter apoio à sua candidatura à Academia Brasileira de Letras.
Recife, atualizado em 12 de março de 2018.
Fundação Joaquim Nabuco.

Fontes de pesquisas:
Caetité pequenina e ilustre, autoria de Helena Lima Santos;
Anísio em movimento de João Augusto de Lima Rocha (organizador);
Portal FGV – Fundação Getúlio Vargas, Biografia/CPDOC;
Fundação Joaquim Nabuco;
Wikipédia enciclopédia livre;
Enciclopédia Encarta e BARSA.
Postagem de:

Antonio Novais Torres
anto[email protected]
Brumado, julho de 2019.