29 de setembro de 2020

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Risco de Morte: Cinto de segurança diminui em até 75% o risco de mortes em acidentes

 

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por Nelson Rocha – Tribuna da Bahia

Se um carro a 80 quilômetros por hora, conduzindo um passageiro de 70 quilos no banco traseiro sem o cinto de segurança, sofrer uma colisão, o impacto do corpo deste sobre o condutor ou carona será de 5,2 toneladas, com consequências graves para quem está sentado à frente do veículo.

Pesquisa nacional promovida pelo Ministério da Saúde, em parceria com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que apenas 50,2% da população brasileira têm o habito de usar o cinto de segurança no banco traseiro de carros ou vans, apesar de comprovadamente o fato de por o utensílio reduzir o risco de morte no trânsito.

Ao que tudo indica, os baianos estão se conscientizando disto, mas a maioria ainda desafia o que recomenda o artigo 65 do Código de Trânsito e corre o risco de entrar para as estatísticas dos acidentes fatais.

Segundo o estudo, os entrevistados mostram mais consciência quando estão no banco da frente, em que 79,4% das pessoas com 18 anos ou mais dizem sempre usar o item de segurança. Contudo, o cinto na parte traseira do veículo reduz mais o risco de morte, pois, em uma colisão, impede que o corpo dos passageiros seja projetado para frente, atingindo o motorista e o carona.

Estudo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) mostra que o cinto de segurança no banco da frente reduz o risco de morte em 45% e, no banco traseiro, em até 75%. Em 2013, um levantamento da Rede Sarah apontou que 80% dos passageiros do banco da frente deixariam de morrer se os cintos do banco de trás fossem usados com regularidade.

“Em Salvador nós não temos pesquisa, mas não usar o cinto de segurança no banco traseiro é um perigo terrível, mas infelizmente faz parte de uma cultura nacional”, diz Miriam Bastos, gerente de educação para o trânsito da Transalvador. Já o condutor que não usa o utensílio, comete infração que gera multa de R$ 127,69 e cinco pontos negativos na Carteira de Habilitação.

Conforme Miriam Bastos, os motoristas da capital baiana aos pouco vão entendendo o quanto é importante usar o cinto com o veículo em movimento. “Isto acontece por conta do processo educativo e da fiscalização. Agora mesmo, no São João, fizemos campanha alertando para a importância do uso do cinto e do perigo do uso do celular ao volante. Cabe ao condutor do veículo exigir de todos os passageiros por o cinto, que só pode ser retirado depois do carro estacionado. Percebemos que os motoristas que transitam na área central da cidade são os mais atentos a estes detalhes”.

Perigo nas estradas

Levantamento da Polícia Rodoviária Federal no estado aponta 14.815 notificações para motoristas dirigindo nas estradas sem usar o cinto, e 4.922 passageiros na mesma situação, isto em 2014. Este ano, até a última quarta-feira, 24, a PRF já flagrou 11.938 condutores sem o cinto e 3.775 passageiros cometendo o mesmo absurdo. “É fundamental o uso do cinto, que é o socorro mais rápido em caso de acidente. Nada supera a importância do uso dele. E quem está no banco de trás e não usa, pode até matar quem está no banco da frente”, concluiu.

A propósito, balanço da Polícia Rodoviária Federal revela que houve redução de mortes e feridos nas estradas baianas entre os dias 19 e 24 deste mês, período de intenso movimento na malha rodoviária devido ao São João, em comparação ao mesmo período no ano passado. Foram 229 acidentes em 2014 e 199 este ano, o que representa uma redução de 13 por cento. Em 2014, 133 pessoas ficaram feridas, enquanto que este ano 117, uma redução de 12%. Quatorze pessoas morreram vítimas de acidentes de carro em 2014, e este ano 12, o que equivale a uma redução de 14,29%.

Alarmes de segurança

Uma outra providência que poderia ajudar, seria a obrigatoriedade do dispositivo que emite sinais sonoro e visual intermitentes, cada vez que sensores identificam a presença de passageiros no veículo sem o devido uso do item. O acessório já é utilizado em carros de luxo no Brasil e na maioria dos carros do mundo.

Segundo dados do Datasus, em 2013 morreram 40.451 pessoas no Brasil vítimas de acidente de trânsito, enquanto outras 170.805 ficaram feridas. No SUS, os custos para o atendimento emergencial das vítimas naquele ano foram de R$ 231 milhões.

Desde o início deste ano, todos os veículos automotivos leves produzidos no Brasil já saem de fábrica com o sistema de freios ABS e air-bags de segurança. A inclusão destes dois itens entre os obrigatórios foi aprovada pelo Congresso em 2009, através de projeto de iniciativa do ex-senador Eduardo Azeredo. A norma foi regulamentada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e começou a vigorar em janeiro.