A Gente diz

DOIS PESOS E/OU DUAS MEDIDAS

DOIS PESOS E/OU DUAS MEDIDAS

por Maria Rita Kehl, no Estadão, via Vermelho

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos

8 de outubro de 2010 às 9:16

Maria Rita Kehl: Os bastidores de sua demissão pelo Estadão

por Conceição Lemes

Maria Rita Kehl é psicanalista, ensaísta e cronista. Tem seis livros publicados. O mais recente, O Tempo e o Cão, foilançado em 2009, pela Boitempo. Nele, aborda o significado da depressão como sintoma psíquico da sociedade contemporânea. Maria Rita é a ganhadora do Prêmio Jabuti 2010 na categoria Educação, Psicologia e Psicanálise com O Tempo e o Cão.

Formada em psicologia pela USP, durante muitos anos se dedicou exclusivamente ao jornalismo cultural. Foi editora do Movimento, jornal que, ao lado do Opinião e d’O Pasquim, foi um dos mais importantes órgãos da imprensa alternativa durante o regime militar. Participou também da fundação do jornal Em Tempo e escreveu como freelancer para veículos, como Veja, Isto ÉFolha de S. Paulo.

Em 1979, Maria Rita decidiu fazer mestrado em psicologia social. Sua tese: O Papel da Rede Globo e das Novelas da Globo em Domesticar o Brasil Durante a Ditadura Militar.

Em 1981, começou a atender pacientes — e nunca mais parou. Em 1997, doutorou-se em psicanálise pela PUC-SP com uma pesquisa que resultou no livro Deslocamentos do Feminino – A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (Imago, 1998).

Nos últimos oito meses,  manteve uma coluna quinzenal no Caderno 2, em O  Estado de S. Paulo. Nessa quarta-feira, ela foi demitida depois de ter escrito o artigo Dois Pesos, publicado no último sábado (2), onde abordou a “desqualificação” dos votos dos pobres.

Em entrevista na manhã de quinta-feira (7) a Bob Fernandes, da Terra Magazine, ela denunciou.

– Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um “delito” de opinião (…) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua?

[Ricardo Gandour, diretor do Estadão, deu entrevista mais tarde ao Terra Magazine, dizendo que não houve censura]

Em entrevista ao Viomundo, Maria Rita detalha os bastidores.

Viomundo – Na terça-feira, começou a circular na internet boatos de sua demissão. Antes, em algum momento, você foi alertada sobre “problemas” com os seus textos?

Maria Rita Kehl – Nunca. Foi o que eu argumentei com a editora do Caderno 2, que me convidou para escrever a coluna.  Na verdade, ela me chamou para escrever sobre psicanálise. Argumentei que só sobre psicanálise conflitava com o meu consultório. De vez em quando, disse-lhe, poderia escrever sobre o tema, mas eu gostaria mesmo era de escrever sobre tudo, inclusive política, assunto que me interessa muito. Ela aceitou.

Viomundo – Essa conversa foi…?

Maria Rita Kehl – No final do ano passado, mas eu só comecei a escrever em fevereiro deste ano. Aí, fui escrevendo. Cada vez mais sobre política, pois ficando cada vez mais apaixonante. Eu já fui jornalista, tenho uma cabeça muito política também…

Após cada artigo, eu sempre perguntava: “E, aí, tudo bem?” Ela: “Tudo bem”.

Desta vez foi engraçado porque eu perguntei: “Tudo bem? Será que eles não vão pedir a minha cabeça?”. A resposta que veio: “Não vão, pode ficar tranqüila.” Eu fiquei. Imagino que a editora não iria me enganar…

Viomundo – Quando soube dos “problemas” com os seus artigos?

Maria Rita Kehl – Na terça [5 de outubro]. Recebi um telefonema muito constrangido  de que a coisa tinha ficado muito feia…cartas de leitores estavam reclamando muito da minha presença no jornal… tinha gente do Conselho Editorial muito enfurecida… a situação estava muito difícil. Ela lembrou de que a ideia inicial era que eu escrevesse sobre psicanálise…

“Bem, posso tentar escrever mais sobre psicanálise… Mas nunca mais escrever sobre política, isso não, isso eu não aceito”.  Até porque o período em que o tema é mais polêmico é agora, depois relaxa…

Ela disse que iria conversar novamente com o Gandour [Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estadão], que eu não conheço pessoalmente.

Aí, aconteceu uma coisa que eu não sei explicar, é um mistério. Mas acho que partiu de dentro do jornal, de alguém que ouviu essa conversa. Uma hora depois já tinha gente me ligando, para saber se eu tinha sido demitida.

Viomundo – O que a leva a suspeitar de que alguém do Estadão tenha passado a informação adiante?

Maria Rita Kehl — Foi um detalhe da nossa conversa [entre a editora e Maria Rita]. Só alguém de dentro do jornal, que tinha ouvido a editora conversar comigo, tinha a informação… Tanto que o boato foi de que eu “estava proibida de escrever sobre política, só poderia escrever sobre psicanálise”.

Viomundo – Você pensou em divulgar?

Maria Rita Kehl – Eu não tinha nenhum interesse em começar a divulgar, enquanto não tivesse a resposta. Eu não poderia criar um escândalo sem antes conhecê-la.

Acredito que ficou para eles [direção do jornal] a impressão de que fui eu que fiz toda a movimentação na internet. Até quis tornar público. Não fiz. E não porque sou boazinha. É porque não tinha nenhum interesse em divulgar antes de ter a resposta final do jornal.

Nessa quarta [6], depois da reunião que a editora teve com o Gandour, veio a resposta.  Gandour disse que por conta da repercussão, a minha posição havia ficado insustentável, intolerável.

Viomundo – A repercussão na rede da sua demissão foi apenas pretexto…

Maria Rita Kehl – É, a coisa já não estava boa. E por ter tido muita repercussão, ficou, segundo o jornal, insustentável. É como se eu tivesse organizado uma passeata petista na frente da redação com bandeiras vermelhas, com ameaça de exigências.

A minha demissão virou top10 do twitter. Eu não esperava. Fiquei atônita. Virou um acontecimento. A minha coluna era quinzenal… Eu não sou Jânio de Freitas nem nada…O fato é que virou um acontecimento na internet com muitas acusações contra o Estadão.

Viomundo – O seu trabalho foi censurado, concorda?

Maria Rita Kehl – A palavra censura não é boa. No meu conceito, censura seria você não pode escrever sobre isso ou aquilo, corta uma linha aqui, outra ali…  O que o meu caso demonstrou é que o jornal não permite uma visão diferente da do jornal nas suas páginas. É isso. Essa é dita imprensa liberal.

As grandes empresas que controlam a informação no país estão nas mãos de poucas famílias… Teoricamente seriam imparciais, dando voz ao outro lado, só que elas têm um posicionamento muito claro de que não são imparciais. Veja o meu caso. O meu artigo é assinado, não estou falando pelo jornal. Mas nem isso cabe.

Viomundo – Na verdade, os grandes veículos se dizem imparciais, alardeiam isso para a sociedade, só que a prática é oposta…

Maria Rita Kehl — Eu acho honesto que o jornal assuma uma posição. É pior dizer que é imparcial e dar a notícia só com um lado. Isso confunde muito mais o leitor.

É pena que não tenha gente com dinheiro suficiente para apoiar outros candidatos. …Um grande jornal que apóie a Dilma, um grande jornal que apóie a Marina, um grande jornal que apóie o Plínio…

Na verdade, todos os jornais estão apoiando o mesmo candidato. Esse é o problema da política brasileira, da burguesia brasileira, da concentração do dinheiro na sociedade brasileira… Os donos dos jornais são parciais, mesmo… Ninguém é imparcial. Mas, para que os leitores sejam adequadamente informados e se posicionem, é fundamental ter o outro lado. Infelizmente, o que os donos dos jornais revelam é que não cabe voz a outra posição, nem mesmo em artigos assinados.  Que liberdade de expressão é esta?

COLABORAÇÃO E SUGESTÃO DE PAUTA.

PROFESSOR PAULO PIRES

.SAUDAÇÕES  E NÃO ESQUEÇAM DE LER (RELER) O ARTIGO DA MOÇA DEMITIDA PELO LIBERTÁRIO  ESTADÃO DE SÃO PAULO E AS MATÉRIAS SE SEGUEM.

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS

PAULO PIRES

A Guerra de Canudos

mail.google.comA Guerra de Canudos

Benjamin Nunes Pereira*

O fato aconteceu nos anos de 1896 e 1897, tendo como término 05 de outubro de 1897, já são 113 anos e o governo federal empenhou-se, na destruição do arraial de Canudos, onde se desenvolvia um movimento messiânico coordenado por Antonio Vicente Mendes Maciel, chamado popularmente Antonio Conselheiro. Em várias regiões mais atrasadas do Brasil, principalmente no sertão nordestino, ocorreram movimentos místicos que envolveram um número considerável de pessoas. Desesperados com a miséria e com a fome que existiam nessas áreas, os habitantes com freqüência seguiam os beatos e outros pregadores, que prometiam um mundo melhor por meio de práticas religiosas e de uma vida dedicada à comunidade messiânica. Alguns desses movimentos, na medida em que aglutinavam milhares de pessoas que passavam a viver à margem da sociedade estabelecida, atraíram as iras dos donos da terra, dos políticos e do clero, que viam neles uma subversão da ordem estabelecida. Canudos foi, talvez, o exemplo extremo desse fenômeno.

Foi na década de 1870, que Antonio Vicente Mendes Maciel, assumindo a condição de beato começou a percorrer os sertões. O seu nascimento ocorreu em Quixeramobim, Ceará, em 1823, filho de um comerciante que pretendia fazer um padre. Com esse propósito foi posto pelo pai em um curso de português, latim e Francês. Entretanto, as circunstâncias de vida familiar prenderam o futuro Conselheiro ao balcão do armazém paterno, frustrando-se desse modo essas aspirações. Com a morte do pai, em 1855, viu-se à frente dos negócios e, principalmente, às voltas com as dívidas herdadas.

Há muito tempo que Antonio Conselheiro mantinha a idéia de fundar uma comunidade igualitária. Talvez nesse tempo já tivesse lido a Utopia, de Thomas More. Depois do combate de masseté, seguiu para o Norte em longa e penosa caminhada. Foi ele quem escolheu o local, onde deveria estabelecer-se com sua gente. Ao chegar a Canudos, na Fazenda Velha, lançando a sua vista de levante ao poente que abrangia todo o horizonte cercado de serras, dissera tranquilamente: “E aqui”. E seus adeptos prorromperam num canto triunfal, louvando a fundação de Belo Monte.

Canudos era uma velha fazenda abandonada com palhoça de pau-a-pique, à margem do Vasa Barris ou Irapiranga, quando Antonio Conselheiro aí chegou em 1893.

A origem do nome é simples e pitoresca. Anteriormente, ali se aglomerava uma população estanha e perigosa, “armada até os dentes” e “cuja ocupação quase exclusiva consistia em beber aguardente e pitar uns estranhos cachimbos de barro em canudos de metro de extensão” – segundo as informações do vigário de Ipú. Os tubos eram naturalmente – esclarecia Euclides da Cunha – formados pelas salonáceas (Canudos de Pito), vicejantemente em grande cópia à beira do rio. O curioso é que os longos cachimbos apreciados por esta gente simples e anônima iriam dar o nome à cidade de Canudos que deixou uma legenda tão heróica.

Antonio Conselheiro, conhecendo bem o sertão soube escolher o lugar adequando para a fundação do arraial de Belo Monte.

Segundo Euclides da Cunha, com o advento da República e especialmente após 1893, Conselheiro apresenta “uma feição combatente inteiramente nova”. Refere-se à pregação anti-republicana de Antonio Conselheiro e ao episódio ocorrido em Bom Conselho, quando o beato reunindo o povo num dia de feira, mandou queimar numa fogueira as tábuas com os editais para a cobrança de impostos. Seu envolvimento mais explícito na política sem dúvida constitui uma das chaves para explicar os ulteriores desdobramentos que resultaram na formação do arraial de Canudos e a hostilidade que a República lhe devotou.

Suas críticas ao novo regime, ao contrário do que se acreditou na época, não derivaram de sua preferência pela monarquia, mas restrições que fazia às modificações que vieram no bojo da República. Conselheiro procurava defender a antiga jurisdição da Igreja-Estado imposta pelos republicanos. O primeiro código penal da República definia como crime do celebrante a realização do casamento religioso anteriormente ao civil e impunha penalidades aos vigários que assim procedessem; outras medidas impostas, hostis à Igreja diziam respeito à jurisdição civil sobre os cemitérios e a tentativa de proscrição da Companhia de Jesus. Nesta época não se sabe exatamente qual o teor das críticas do Conselheiro, porém mais tarde, já em Canudos, ele assim se dirigia aos fiéis: “É importante o poder humano para acabar com a religião. O Presidente da República, porém, movido pela incredulidade que tem atraído sobre ele toda a sorte de ilusões, entende que pode governar o Brasil como se fora um monarca legitimamente constituído por Deus; tanta injustiça os católicos contemplam amargurado. Oh! É necessário que se sustente a fé da Igreja. A religião santifica tudo e não destrói coisa alguma, exceto o pecado. Daqui se vê que o casamento civil ocasiona a dualidade do casamento, conforme manda a santa madre Igreja de Roma, contra a disposição mais clara do seu ensino.

A partir de então, as tensões se agravaram, registrando-se incidentes vários, dos quais o mais grave ocorreu em 1893. Já em plena República, rebelou-se Antonio Vicente contra a cobrança de impostos municipais em Bom Conselho Bahia e, em dia de feira, com seus seguidores e sob o espocar de foguetes, queimou as tábuas em que estavam afixados os editais. A seguir, põe-se em marcha com seu povo, sendo alcançados em Masseté pela perseguição de uma tropa de polícia. Travando o combate, as forças da ordem foram desbaratadas.

A fixação em Canudos, fazenda abandonada, junto ao Vaza-Barris – fizeram-se por esta época vindo a alcançar o arraial em seu curto período de existência, dimensões inusitadas no sertão. Para lá afluíram sertanejos de vários Estados que, desfazendo-se de seus haveres, abandonavam os lugares de origem e iam engrossar as fileiras daquele que, então, já era o Conselheiro.

Com base no relato que Euclides nos legou são apresentados a seguir, os principais momentos de ação repressiva.

Na escaramuça de Masseté, os jagunços do Conselheiro foram atacados por trinta praças de polícia. Mais tarde já estabelecidos em Canudos, houve o episódio da compra de madeirame para a construção da Igreja. O material de construção foi adquirido em Juazeiro Bahia, apesar de pago adiantadamente, não foi entregue, numa ruptura de trato que Euclides sugere ter sido uma provocação deliberada. Seja como for, o fato é que os jagunços anunciaram a disposição de arrebatar à força a mercadoria. Não era preciso mais; contra eles foram enviados 104 soldados e 03 oficiais do 9º Batalhão de Infantaria. O reencontro deu-se em Uauá, repetindo-se, em ponto maior, o desastre de Masseté. Desde então, definidos como perigosos rebeldes, não era mais preciso encontrar motivos imediatos. Assim, para destruí-los seguiu o Major Febrônio, que lutando em Cambaio e Tabulerinhos, sofreu fragorosa derrota, apesar de dispor de 543 praças, 14 oficiais combatentes, três médicos, dois canhões Krupp e duas metralhadoras.

Ao investir sobre Canudos, diz Euclides, “começou a esboçar-se o perigo único e gravíssimo: os pelotões dissolviam-se”. Os grupos de soldados adentravam o arraial à procura do inimigo e, sem que percebessem, tornavam-se presa fácil para aqueles que habitavam a cidadela de Canudos. Moreira Cesar que mobilizava a terceira expedição, juntamente com seus homens caiu numa cilada. A luta estava irremediavelmente perdida. Logo foi ferido o Coronel Moreira Cesar. Sem comando cada um lutava a seu modo.  A retirada se impunha, ainda que de forma caótica. Euclides descreve-a não como uma operação tática, mas como “fuga” e “debandada”. “Oitocentos homens desapareceram em fuga – escreve – “abandonando as espingardas; arriando as padiolas, em que se torciam os feridos; jogando fora as peças de equipamentos; desarmando-se; desapertando os cinturões para a carreira desafogada; e correndo, correndo ao acaso, correndo em grupos, em bandos erradios”. E o grito de guerra dos jagunços acabara de se impor com realidade: “a força do governo era agora realmente a fraqueza do governo, denominação irônica destinada a permanecer por todo o curso da campanha”

As derrotas da expedição Moreira César, bem como a morte de seu prestigiado comandante repercutiram como grande comoção nacional. Aquilo parecia uma hipótese jamais cogitada, a evidência mais do que clara de que Canudos não era apenas um arraial de rebelde, mas, sim, a ponta de lança de uma grande conspiração restauradora tramada contra as instituições republicanas. Já não restavam dúvidas. A República estava em perigo. Era necessário, a qualquer preço salvá-la.

Para a Bahia convergiam, agora, as tropas de todos os Estados para comporem a quarta expedição, aquela destinada a redimir a “honra nacional”. O comandante desta quarta expedição foi o general do exército: Arthur Oscar de Andrade Guimarães, comandando mais de cinco mil homens. À luz das falhas das expedições anteriores, imenso tempo foi gasto na preparação da expedição no tocante a suprimento de víveres e comunicações. Somente em junho de 1897 estava a tropa pronta para a investida.

Para o combate a tropa foi dividida em duas colunas que seguiram por caminhos diferentes; uma sob o comando do general João da Silva Barbosa e outra do General Carlos do Amaral Salvaget, tendo as duas colunas como comandante geral o General Arthur Oscar.

Este combate foi um verdadeiro revés para as tropas governistas. A demonstração de que enfrentava um adversário que sabia lutar e não temia a superioridade do inimigo quebrara-lhes o ânimo. De qualquer forma, a quarta expedição viera para exterminar Canudos e tinha, atrás de si, imensa estrutura mobilizada que permitia que mesmo as perdas e baixas nas tropas governistas fossem compensadas como novos reforços em prol da missão de extermínio.

Antonio Conselheiro viu-se obrigado a mudar de plano. Pretendia derrotar cada uma das colunas separadamente. Agora teria de lutar com as duas reunidas que contavam com cerca de cinco mil homens e dispunha de vários canhões. O primeiro combate verificou-se em Cocorobó, a 25 de junho de 1897, dois dias depois a expedição chegou a Canudos. Após enorme resistência dos jagunços e empregando uma luta de extermínios, os soldados conseguiram entrar em Canudos. Após a morte de Antonio Conselheiro em 22 de setembro de 1897, um último reduto resistia na praça central. Finalmente, em 05 de outubro de 1897, dá-se o último combate entre os rebeldes e as forças governistas. Sobre ele assim se manifestou Euclides da Cunha: “Canudos não se rendeu… resistiu até o esmagamento completo. Expugnando palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 05 ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, à frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.

Sobre as cinzas da aldeia sagrada de Canudos a República, finalmente estava salva e consolidada, pois, no dia 06 de outubro de 1897, quando o arraial foi arrasado e incendiado, o Exército registrou ter contado 5.200 casebres.

REFERÊNCIAS:

FAUSTO, Boris. História Geral da Civilização Brasileira (Org). Vol. III – O Brasil Republicano, Ed. Difel, SP. 1977.

MENDES JR. Antonio e MARANHÃO, Ricardo. Brasil História – Texto Consulta – vol 3 República Velha, Brasiliense, SP. 1979.

MONIZ Edmundo. Canudos: A Luta pela Terra. 3ª Global Editora SP. 1984.

SOARES. Henrique D. Estrada de Macedo. A Guerra de Canudos, 3ª Ed. Brasília, 1935.

*Benjamin NUNES Pereira, é bancário, diretor do Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região, membro da Academia Conquistense de Letras, membro da Casa da Cultura de Vitória da Conquista, Jornalista, graduado em História, pós-graduado em Programação e Orçamento Público Pela UFBA e pós-graduado em Antropologia com ênfase na cultura afro-brasileira pela UESB e Acadêmico de Direito da Fainor.

E-mail: [email protected]

Boato de lesbianismo levou à agressividade de Dilma

 

Moacyr LopDDILma_X_Serra1-300x217es Jr./Folha

 

O tom agressivo empregado por Dilma Rousseff no debate presidencial da noite passada tem origem num boato.

 

O comitê de campanha da pupila de Lula foi informado acerca de um falso processo judicial que circula na internet.

 

Na peça, um suposto advogado aciona Dilma em nome de uma hipotética ex-doméstica da candidata.

 

A empregada fictícia sustenta no processo de fancaria ter mantido com Dilma um relacionamento amoroso de 15 anos. Cobra indenização.

 

Há três dias, o deputado eleito Gabriel Chalita (PSB-SP) tratou do tema em conversa com um petista ligado ao comando da campanha de Dilma.

 

Chalita contou que um religioso o havia procurado para dizer que recebera cópia de processo em que Dilma era acusada de lesbianismo.

 

O interlocutor pediu a Chalita que aconselhasse o bispo a checar o número de registro na OAB do advogado que assina o processo. “Não existe. É falso”, disse.

 

Em diálogos privados que antecederam o debate nos estúdios da TV Bandeirantes, Dilma e seus operadores atribuíram a aleivosia à campanha de José Serra.

 

Entre quatro paredes, a candidata petista se disse “indignada”. Para ela, o boato do processo tornou incontornável a inclusão da “baixaria” no rol de temas do debate.

 

Vem daí a decisão de Dilma de inquirir Serra, já na primeira pergunta, acerca da boataria que viceja no “submundo” virtual.

 

Como as suspeitas contra Serra não estão escoradas em provas, Dilma evitou mencionar o falso processo. Soou genérica:

 

“Acredito que uma candidatura à Presidência tem por objetivo engrandecer o Brasil, discutir valores e projetos para o futuro”, disse ela para Serra.

 

“Sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. […] Seu vice, Índio da Costa, a única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até para me atingir com questões religiosas…”

 

“[…]…Você considera que essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?”

 

Serra centrou sua resposta na polêmica sobre o aborto e no ‘Erenicegate’. Disse que Dilma confunde “verdades e reportagens com ataques”.

 

Um integrante do comitê petista contou ao repórter que, antes do início do debate, chegou aos ouvidos de Dilma outra “informação”.

 

Segundo ele, um panfleto apócrifo contendo ataques à candidata teria sido distribuído em templos evangélicos do Rio, neste domingo (10).

 

No folheto, Dilma é associada, de novo, à defesa do aborto. O texto a acusa de ser a favor da “matança de criancinhas”.

 

Foi por essa razão, informa o operador da campanha petista, que a candidata levou aos holofotes o nome da mulher do antagonista.

 

“Sua esposa, Mônica Serra, disse o seguinte: ‘A Dilma é a favor da morte de criancinhas’.”

 

Mônica teria dirigido o comentário a um eleitor, durante caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Coisa do mês passado.

 

Serra esquivou-se de responder. Presente à platéia da TV Bandeirantes, Mônica não se deu por aludida. Disse que não sabe do que Dilma está falando.

 

Ouvido pelo blog, um membro da campanha tucana tachou de “alucinação” a alegada vinculação de Serra ao falso processo que retrata Dilma como lésbica.

 

Como se vê, a disputa eleitoral de 2010 caminha a passos largos para um lodaçal que não dignifica a atividade política.

Empresa testa cartões SIM com GPS para celulares de baixo custo

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A BlueSky Positioning, uma empresa iniciante, está começando a testar navegação via satélite por meio de cartões SIM para uso em celulares mais baratos e desprovidos de chips GPS (sistema de posicionamento global). A empresa integrou chips de GPS aos cartões SIM para celulares, o que reduz seu custo e consumo de energia.

A BlueSky fechou acordos com produtores importantes de cartões SIM, entre os quais a Morpho, que iniciará testes operacionais em escala limitada junto a operadoras de telefonia móvel, neste e no próximo trimestre.

“Podemos criar um mercado de massa de maneira rápida e barata”, disse Risto Savolainen, presidente-executivo e fundador da BlueSky, que está levantando até 6 milhões de euros (8,4 milhões de dólares) junto a investidores.

Caso os testes obtenham sucesso, o produto provavelmente chegará ao mercado de massa no final do ano que vem, disse Savolainen.

Diversos especialistas do setor estão céticos quanto ao uso de cartões SIM para o sistema GPS, porque em muitos aparelhos eles ficam posicionados por trás das baterias, mas Savolainen afirmou que a empresa resolveu o problema com o uso do próprio revestimento do aparelho como antena.

O uso de sistemas de localização em celulares floresceu nos últimos anos, mas vem se limitando em larga medida aos celulares inteligentes mais caros e dotados de chips GPS.

De acordo com o grupo de pesquisa Canalys, cerca de 250 milhões de celulares dotados de GPS serão vendidos este ano. Por volta de 1 bilhão de modelos mais baratos e desprovidos do sistema chegarão ao mercado.

Esposa do Nobel da Paz é detida em Pequim, na China

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Organizações pedem pressão da comunidade internacional para libertar Liu Xia

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A esposa do ativista chinês Lu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2010, está detida em sua casa em Pequim, declarou a porta-voz de uma organização de direitos humanos americana. Segundo informações das agências de notícias, depois do anúncio de sexta-feira de que seu marido era o vencedor do Nobel da Paz, ela foi informada que seria detida.

A organização Human Rights in China também anunciou neste domingo ter se inteirado da prisão e disse, em um comunicado, que “reclama energicamente da comunidade internacional pressionar as autoridades chinesas a libertar imediatamente Liu Xia de sua prisão domiciliar, deixar Liu Xiaobo livre e libertar todos os prisioneiros políticos detidos como resultado de exercer seu direito à liberdade de expressão”.

O Prêmio Nobel da Paz 2010 foi atribuído na sexta-feira a Liu Xiaobo “por seus esforços continuados e não violentos em prol dos direitos humanos na China”, segundo o Comitê Nobel norueguês.

Liu Xiaobo, de 54 anos, cumpre uma pena de 11 anos em regime fechado por ter sido um dos autores da Carta 08, exigindo a democratização da China.

Redação CORREIO

Alencar tem alta de hospital em São Paulo, diz assessoria

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Agência Brasil

 

José Alencar, vice-presidente da República

O vice-presidente da República, José Alencar, teve alta do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, neste sábado, segundo informações de sua assessoria de imprensa. Alencar havia sido internado no hospital na quarta-feira para realização de exames. Ele passou por um procedimento para substituição de um cateter no rim esquerdo. (G1)

Lula é um mito, mas mitos e muros são derrubados, diz Itamar Franco

Um dos articuladores do voto “Lulécio” em 2002, a favor do petista Lula para a Presidência e do tucano Aécio Neves para o governo de Minas, o ex-presidente da República Itamar Franco (1992-1994) agora critica duramente Luiz Inácio Lula da Silva e diz que ele tem de parar de falar “nunca antes neste país”: “O Lula não é dono do Brasil e não inventou o Brasil”. Segundo ele, “Lula não é democrata”: “Um presidente que vai a Minas dizer que não pode ter um senador de oposição, que zomba da imprensa, que zomba da Constituição, não é democrata.” Ex-senador (1975-1990), Itamar, 80, volta à Casa pelo PPS com a língua afiada. Ao lembrar de Getúlio Vargas, diz que “Lula tornou-se um mito, mas mitos e muros também são derrubados”. Leia mais na Folha.

A primeira pesquisa do segundo turno da eleição presidencial mostra a petista Dilma Rousseff com 48% das intenções de voto, contra 41% para o tucano José Serra

 

 

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Primeira pesquisa no segundo turno mostra que, desde o último domingo, eleitorado do tucano cresceu mais que o da petista.

Segundo o instituto Datafolha, o candidato do PSDB foi o principal beneficiário da migração de votos de Marina Silva (PV).

Dilma está à frente na região Nordeste, no eleitorado masculino e entre os brasileiros com renda familiar de até cinco salários mínimos. O tucano vence no Sul e no eleitorado das faixas de renda e escolaridade mais altas. Quando levados em conta apenas os votos válidos (excluídos os nulos e brancos, além dos eleitores indecisos), a petista lidera por 54% a 46%.

No primeiro turno, Dilma teve 46,9% dos votos válidos, enquanto Serra ficou com 32,6%. Ou seja, a reacomodação do eleitorado desde o último domingo fez com que o tucano avançasse mais do que a adversária (cerca de 13 pontos porcentuais contra sete). Ainda há 7% de indecisos entre os dois candidatos, e 4% pretendem anular o voto.

Marina divulga 42 condições para apoio no 2º turno

 

Agência Estado – 

 

A candidata derrotada do PV à Presidência, Marina Silva, apresentou ontem dez tópicos – subdivididos em 42 propostas ou exigências – do PV para negociar o apoio a Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) no segundo turno. O texto começa com uma exigência: não adotar nenhum mecanismo de cerceamento à mídia.

A adesão ao documento por Dilma e Serra será um dos elementos do processo decisório, mas não o único. A sigla pretende ouvir o Movimento Marina Silva e setores da sociedade civil. A direção nacional voltará a se reunir de novo na quarta-feira e no dia 17 fará uma convenção, quando será tomada decisão a favor de um candidato ou pela neutralidade.

 Marina explicou que o documento, denominado Agenda por um Brasil Justo e Sustentável, sintetiza os itens que a coordenação da campanha considerou mais importantes em sua plataforma de governo. “Espero que seja uma contribuição generosa para este segundo turno.”

Os dez itens são: transparência e ética; reforma eleitoral; educação para a sociedade do conhecimento; segurança pública; mudanças climáticas, energia e infraestrutura; seguridade social: saúde, assistência social e previdência; proteção dos biomas brasileiros; gasto público de custeio e reforma tributária; política externa, e, por fim, fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural.

Marina voltou a admitir que pode eventualmente ter posição divergente do partido sobre o rumo a ser tomado no segundo turno. “O que está previsto é que todos têm o direito de manifestar sua opinião”, afirmou ela, durante coletiva, em São Paulo. Os dirigentes reconheceram que a unanimidade será difícil. “Seria um milagre se fosse por unanimidade”, disse o vice-presidente do PV, Alfredo Sirkis. Indagada se há militantes no PV ainda movidos por cargos, Marina foi enfática. “Você acha que existem lugares que são perfeitos?” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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DA SÉRIE: AMENIDADES PARA O QUE A GENTE DIZ – O RECÔNDITO DO “SER” E A MENTE HUMANA

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– FILOSOFIA –

TREDÉCIMO ENSAIO DA OBRA “21”

Edimilson Santos Silva Movér

Abstrações filosóficas sobre uma nova teoria científica… 1ª parte.

  O que é realmente a mente humana? Nossa essência seria nossa mente? Ou conforme Martin Heidegger, a mente seria a essência da essência do “ente”, ou o “isto é”?. Este é o maior mistério existente no universo! Nunca recebeu de nenhum ramo da atividade intelectual humana qualquer resposta que viesse dar uma consistente e razoável definição do que seria o “ente”, ou o “SER” pensante, as perquirições são muitas, e as respostas concludentes nunca conseguiram ultrapassar o número zero! Tal é o tamanho do mistério que cerca esta fugidia e estranhíssima criatura chamada “SER”. Debalde a filosofia o tentou! A dificuldade é tamanha, que até hoje com todo o desenvolvimento que atingimos em setores como, neurologia, psicologia e biologia, em suas áreas ligadas à pesquisa científica do “SER”. Não conseguimos descobrir nem mesmo a sua morada e assim! Não se chegou a nenhuma resposta concludente. Quem mais avançou na área de pesquisa foi a biologia, e assim mesmo, esta ciência tende a crer que o “SER”, ou “ente”, mente, pensamento, identidade, eu, personalidade, e pasmem, inclusive a nossa “memória” não residem nos nossos neurônios, é de atordoar, se não residimos em nosso cérebro onde residimos então? Será que o “SER” não está dentro de nosso corpo! E de que na realidade o nosso corpo é que está dentro do “SER”? Será que é o “SER” que nos envolve? E de que nós sejamos na realidade nossas auras! Esta proposição é de difícil compreensão e aceitação. A biologia caminha serenamente, e provavelmente, vai no futuro resolver este impasse.   

Depois de 1981, com o advento da teoria da Ressonância Mórfica preconizada por Rupert Sheldrake tende-se a acreditar que nossa memória não tem residência fixa em nossos neurônios. Sempre acreditei que à medida que o conhecimento, ou a ciência do homem se desenvolvesse nessa área, o mistério tenderia a aumentar! È de enlouquecer!

Debalde a filosofia tentou resolver o mistério e nunca o conseguiu! A psicologia e a psiquiatria são ciências irmãs, a última sempre tentando achar o caminho da cura para um “SER” extremamente abstrato e inefável, as duas sempre andaram no escuro, tende a observar que dentro destas ciências há mais questões por responder que respondidas. Pois, as duas lidam com todos os seres vivos, naturalmente, incluindo a maior complexidade do universo, chamada “Ser”, refiro-me ao “Ser” senciente. O interessante é que à medida que estas ciências evoluem o mistério aumenta. O que acontece é que o número de questões a serem respondidas simplesmente aumenta a cada passo evolutivo destas ciências, pois, tanto as velhas como as novas perguntas nunca são respondidas, onde as novas perguntas somam-se às velhas e o mistério só tende a aumentar! Finalmente! Eis que aparece alguma esperança de elucidarmos o mistério maior e talvez num futuro próximo possamos responder a pergunta! (Quem somos nós), com a teoria da Ressonância Mórfica, pois, após a descoberta da física quântica, (no final do primeiro quarto do século passado), considerada a mãe de todas as ciências. As questões pertinentes à pergunta (o que é o “SER”) tornaram-se ainda mais difíceis de serem respondidas. Será que a física quântica calou a filosofia para sempre? Tudo que a filosofia disser sobre o “SER” será no mínimo, inconsistente, inadequado, inabilidoso e com certeza sobre uma abordagem quântica, simplesmente não existe, durma com um barulho deste! E diga que tem dormido bem! Fundamentando-se nesta contextualização, este singelo ensaio em princípio, também está impossibilitado de elucidar a questão. No entanto a biologia ombreada co a filosofia talvez possam nos trazer a tão procurada resposta!

Esta questão aqui tratada, (no momento), deverá ser considerada como uma propedêutica do tema. O que posso e pretendo fazer é deixar de lado o que a religião e a filosofia pensam sobre o assunto, e direcionar o enfoque para as últimas proposições que uma pequena parcela da biologia tem tentado divulgar como postulado maior da ciência da vida. Portanto deverá ser considerada como uma abordagem sistêmica e holística de um assunto que até hoje é tratado pela ciência de forma atomista e mecanicista! Este ensaio tem caráter estritamente semiológico. Onde um amigo, eu o tenho como um filósofo, me disse: “Movér, esta empreitada é árdua” e ele possui de sobra conhecimentos para perceber as sutilezas e as abstrações inerentes à filosofia, no que tange a busca do “Ser”.

 Depois da descoberta de Hubble, de que o universo evoluiu a partir da “indefectível” singularidade que continha em si, um universo energético anterior ao Big-Bang, ficou assente que a evolução é inerente ao próprio universo. Podemos aceitar então de forma natural que, se o universo evolui! Tudo que nele é contido é passível de evolução, inclusive suas leis físicas! A grande e maior verdade que nos trouxe a teoria do Big-Bang, é de que o universo evolui. O postulado da teoria de um universo em expansão comporta a priori o conceito de evolução, Eis aí a nossa esperança de elucidar o mistério!

 Rupert Sheldrake é um cientista/filósofo, não sei se mais filósofo ou se mais cientista, ele tem escrito e feito conferências que são levadas ao conhecimento de todo o mundo através de seu site na net www.sheldrake.org/ este site é muito conhecido e lido no ambiente acadêmico, sobre tudo no mundo científico da alta pesquisa teórica da biologia. Este pensador vem divulgando uma idéia que embora não seja nova, (as suas bases foram lançadas em 1920 pelos biólogos), é inusitada, por conter em si um enfoque novo, e que tem causado furor no mundo científico. A parte da população não ligada às coisas da ciência passa ao largo, sem nada conhecer a respeito dessa idéia. A teoria de Sheldrake tem mais cores de misticismo e metafísica que mesmo cores de ciência, no entanto a abordagem que ele faz sobre sua teoria é extremamente científica. A essência de sua teoria os místicos e as religiões orientais sempre a pregaram certamente que com outras palavras, mas sempre o fizeram.

A MEMÓRIA E A RESSONÂNCIA MÓRFICA

      Na sua essência o que prega o biólogo/filósofo é que o universo é fruto da evolução, é vivo e pulsante, e o mais importante, ele apregoa que o universo possui memória, tudo que sofre modificação, se desenvolve ou evolui, possui memória, os cristais, as plantas, os animais, o homem é obvio que possui, mas o que ele apregoa é que todos os seres vivos possuem memória desde quando óvulos! Inclusive as sementes, uma semente de Cedro sabe que é um Cedro e cresce como um Cedro, Uma semente de Jacarandá não se desenvolve como um Pau Brasil, uma semente de Pimenta crescerá sempre como uma pimenteira. Só entenderá esta proposição quem se aprofundar na teoria ou tiver profundos conhecimentos de biologia.

À sua teoria ele deu o nome de teoria da “Ressonância Mórfica”. Em 1981 ele publicou o livro “Uma Nova Ciência da Vida”, na época este livro causou muita polêmica, foi pouco compreendido, mas com o passar do tempo a biologia teórica absorveu a essência do cerne da teoria, e tudo se acalmou. Na época a revista “NATURE” o classificou como um forte candidato à fogueira, por outro lado a revista “NEW SCIENTIST” classificou sua teoria como “uma importante investigação científica a respeito da natureza da realidade biológica e física”. A teoria não é nova, o enfoque e a abrangência que Sheldrake dá a sua teoria é que é nova! A visão de mundo da maioria dos biólogos ocidentais ou mesmo de todos os países é atomista, materialista, reducionista e mecanicista. Para os biólogos que têm este tipo de universo como real e como seu universo existencial, é extremamente difícil perceberem o mundo holístico proposto por Rupert Sheldrake na sua teoria da Ressonância Mórfica. Desta extrema dificuldade de perceber é donde advém a demora e a “lerdeza” da teoria ser absorvida e aceita como uma verdade científica, e sobretudo como uma verdade axiomática universal.

Talvez passe vários séculos para que uma teoria com estas proposições possa ser aceita “como disse”, como uma verdade tida pela ciência como tal. A não aceitação das teorias sobre conceitos abstratos provém da dificuldade ou da impossibilidade da comprovação da teoria por experimentação laboratorial, o máximo que se consegue é em última instância, a análise dos resultados oriundos de fatos não experimentais. Estas análises frequentemente são admitidas como frágeis e inconsistentes. Tenho um amigo biólogo formado por uma faculdade de Salvador, morador de Vilas de Abrantes em Camaçarí, que quase se desentende comigo quando lhe expus a teoria do Sheldrake, a salvação foi um professor do curso de biologia que era versado em biologia molecular, e que possuía conhecimentos de física quântica e já conhecia a teoria da Ressonância Mórfica. O professor conseguiu acalmá-lo, fazendo-o ver que a teoria existia, mas ainda estava sob júdice, e que tudo que ele tinha apreendido no curso de biologia continuava válido. Desde o princípio notei que sua resistência em aceitar esta nova proposição do Sheldrake se prendia ao valor que ele dava aos conhecimentos adquiridos no curso de biologia. Com certeza, haverá muita resistência e grandes dificuldades a vencer para se universalizar estes novos conceitos, mesmo as universidades de pouco ou de nenhum renome, fogem destes temas ainda não totalmente aceitos como verdades universais, temendo o descrédito e mesmo o ridículo em que incorreriam ao ensinar assuntos tão controversos.

 Com certeza Rupert Sheldrake escapará da fogueira, mas pelo menos durante este século XXI “com certeza” não receberá um prêmio de peso como o Nobel. Embora sua descoberta valha mais que isso. Sua teoria é tão velha quanto à idéia de que o mundo material que nós percebemos à nossa volta seja uma ilusão. Os Vedas na antiga Índia há mais de seis mil anos já tinham conhecimento deste fato, e até o início do século XX não tínhamos (nós os ocidentais), como entender isto, foi só com o advento da física quântica que se tornou possível entender de que forma o mundo é uma ilusão, ou seja, é “Maia”. Com a universalização dos conceitos sistêmicos e holísticos de Bertanlanfly, talvez esta compreensão seja facilitada aos cientistas. Há conceitos que nos enternecem e nos fazem sentir mais esperançosos, e mais divinizados como seres humanos! Mas, nos assustam e nos confundem o entendimento do existir, a crer nas leis da física quântica nós não existimos como seres materiais, o Holismo e a Semiótica nos remetem a um mundo extremamente universal e impessoal onde não somos muito relevantes como seres! Talvez, nem mesmo individualmente sejamos necessários ou de alguma importância para o “existir” da humanidade ou da vida planetária. Talvez por termos sido formados dentro dos conceitos já ultrapassados do atomismo de Leucipo e de seu discípulo Demócrito, do determinismo de Laplace e do materialismo filosófico deflagrado a partir do século VI (a.C.) na Grécia antiga pelos filósofos pré-socráticos, Com todo o uso da inteligência dos filósofos modernos e aqui incluo pensadores do passado como Descartes, (1596–1650), Baruch de Espinoza, (1632-1677), John Locke, (1632-1704), e sobre tudo Imannuel Kant, (1724-1804), que teve a sorte de beber de todas estas fontes. A filosofia com todo seu aparato intelectual nunca conseguiu penetrar um milímetro sequer na essência da essência do “isto aí”, do “é” ou ente, ou  “SER”, não utilizo aqui a distinção heideggeriana entre o “Ente” e o “Ser”. Não posso tornar este ensaio o prolegômeno da nova teoria de Rupert Sheldrake, vamos a ela de forma sucinta e sistematizada. Em 1920 foi difundido dentro do mundo da biologia a teoria dos Campos Biológicos ou Campos Morfogenéticos, ou seja, os campos das formas vivas, talvez influenciados pelas descobertas (1873), dos campos eletromagnéticos, pelo cientista inglês James Maxwell.  Sheldrake levou ao conhecimento do mundo em 1981 através do seu livro A New Science of Life (Uma Nova Ciência da Vida), suas descobertas e análises, o que resulta ou representa suas crenças e proposições, do que ele chamou de Ressonância Mórfica, muito parecida com a teoria dos campos morfogenéticos dos biólogos de 1920, no entanto bem diferente em forma e conceito geral. Não posso nem dizer que Sheldrake ampliou o conceito de campos morfogenéticos de tão diferentes que são! Embora parecidos são completamente díspares, os campos morfogenéticos se atém as formas dos seres vivos enquanto vivos e a cada um de “per se”, a Ressonância Mórfica se reporta aos seres sempre em abrangência grupal, embora a função seja individual. Abrangendo tanto os seres superiores, como os inferiores como as células, o reino das plantas e até os cristais estão sujeitos à Ressonância Mórfica, no dizer dele, e aqui é que está a importância e a abrangência da sua teoria, “Sheldrake”, os planetas os sistemas planetários, as galáxias o universo enfim. E de que todos tem memória, memória esta, resultante da Ressonância Mórfica. Para uma melhor compreensão do leitor, julgo mais acertado juntar um artigo do próprio Sheldrake fruto de uma conferência sua e traduzido do site: www.sheldrake.org, desconheço o autor da tradução.

UMA TRANSCRIÇÃO “IPSIS LITTERIS” DE UM ARTIGO

DE RUPERT SHELDRAKE.

Resumo dos comentários e do texto traduzido livremente do site www.sheldrake.org Neste artigo, Sheldrake confirma a teoria de Darwin, para quem os hábitos dos organismos eram de vital importância. Na hipótese da causação formativa, propõe que a memória é inerente à natureza. “A maior parte das assim chamadas leis da natureza são mais como hábitos”.

OS CAMPOS MORFOGENÉTICOS NA BIOLOGIA:

(…) Todas as células vêm de outras células, e todas as células herdam um campo organizacional. Embora os genes façam parte da organização celular, participando diretamente no controle e da informação da síntese das proteínas, não pode explicá-la. (…) Os genes não podem por si mesmos determinar formas; (…) não fosse assim, moscas de frutas não pareceriam diferentes de nós.

A maioria dos biólogos do desenvolvimento aceita a necessidade de uma concepção holística ou integrativa da organização viva e desde 1920, muitos desenvolvem a proposta de que a organização biológica depende do campo, diversamente chamado (entre outros nomes) de campo biológico ou mais como (campo morfogenético).

Sheldrake sugere que os campos morfogenéticos trabalham imprimindo padrões que de outro modo seriam de atividades randômicas ou indeterminadas. (…) Os campos morfogenéticos não são fixos para sempre, mas se desenvolvem, e foram transmitidos por seus antepassados por um tipo de ressonância não local, chamada de ressonância mórfica.

O campo organizaria a atividade do sistema nervoso como se fosse herdado através da ressonância mórfica, transmitindo uma memória coletiva e instintiva. Cada indivíduo simultaneamente escreve sobre e contribui para a memória coletiva da espécie 2. A ressonância do cérebro com seus próprios estados passados também ajuda a explicar as memórias dos indivíduos animais e humanos. Não é necessário de que todas as memórias estejam estocadas no cérebro. Grupos sociais possuem memórias distintas e são igualmente organizados por campos (…).

A MEMÓRIA NA NATUREZA:

         Do ponto de vista da hipótese da ressonância mórfica, não é necessária a suposição de que todas as leis da natureza foram completamente formadas no momento do Big Bang, como um tipo de código Napoleônico cósmico, ou que existam num reino metafísico além do tempo e do espaço (hipótese realista, na filosofia – as idéias de Platão – todos os conceitos universais existem à priori, num reino metafísico além do tempo e do espaço). (…) Se nós queremos continuar com a idéia de leis naturais, podemos dizer que se a natureza evolui, suas leis também evoluem. Assim como as leis humanas evoluem no tempo. Mas então como as leis naturais seriam lembradas ou utilizadas? A metáfora da lei é embaraçosamente antropomórfica. Hábitos são menos centrados no homem. Muitos organismos têm hábitos. Mas só os homens tem leis. Os hábitos da natureza dependem de um reforço de similaridade não local. Por meio da ressonância mórfica os padrões de atividade nos sistemas auto-organizantes são influenciados por padrões semelhantes no passado, dano a cada espécie e a cada tipo de sistema        auto-organizante uma memória coletiva. Acredito que a seleção natural dos hábitos terão um papel essencial em qualquer teoria integrada da evolução, incluindo não apenas a biológica, mas a física, a química, a cosmologia, a área social, a ciência por excelência e a cultural em geral.

Os hábitos estão sujeitos à seleção natural. E quanto mais freqüentemente são repetidos, mais prováveis eles se tornam. Os animais herdam os hábitos de sucesso de suas espécies como instintos. Nós herdamos hábitos corporais, emocionais, mentais e culturais, incluindo os hábitos de nossas linguagens.

CAMPOS DA MENTE:

Os campos mórficos subjazem nossa atividade mental e nossas percepções, e levam a uma nova teoria da visão.  3. A existência desses campos é experimentalmente testável por meio da sensação de ser observado. Há muita evidência de que este senso realmente existe.  4.Os campos mórficos de grupos sociais conectam juntos membros do grupo mesmo quando estão milhas distantes,  e promove canais de comunicação por meio do qual os organismos podem se tocar a distância. Eles ajudam a prover uma explicação para a telepatia. 5. Telepatia é normal, não paranormal, natural não sobrenatural, e é também comum entre pessoas, especialmente pessoas que se conhecem bem. Os campos mórficos de atividade mental não são confinados ao interior da nossa cabeça. Eles se estendem muito além de nosso cérebro por meio da intenção e atenção. (…) Os campos de nossas mentes se estendem muito além de nossos cérebros. Escrito por Sheldrake em Fevereiro 2005.

Tenho certeza que a transcrição “ipisis litteris” acima, do artigo do Rupert Sheldrake tenha levado maior informação ao leitor que cem artigos escritos por mim sobre o assunto. A Ressonância Mórfica vai ser assunto a ser discutido pelos próximos séculos, não custa tentar entender, pelo menos entender seus fundamentos mais elementares, já que é um assunto extremamente complexo e controverso, tanto é que tem criado uma grande cisão no campo da biologia moderna. Mas como não sou biólogo e muito menos filósofo, contento-me com o pouco que pude até o momento entender da matéria, isto não impede que continue a pesquisar a área. Sendo um assunto que talvez nos traga algumas respostas “no futuro” sobre a origem da vida, o que será de interesse de toda a humanidade! A despeito do que opine e pense as religiões e a filosofia, a Ressonância Mórfica ainda vai dar: (muito pano pras mangas). E como vai dar!!!

 

Caríssimos amigos e raríssimos leitores…

O próximo ensaio (me refiro ao décimo quarto ensaio), será voltado para a difícil tentativa de alcançar uma melhor compreensão do que somos e do que chamamos de (“SER”, “MENTE”, CONSCIÊNCIA”, “ENTELÉQUIA”, “EGO”, “ENTE”, “SOPRO”, ESPÍRITO”,  “ALMA”), e o que mais acertado julgardes chamar. E de como a ressonância mórfica poderia vir de muito tempo alterando o comportamento de parcela da sociedade brasileira para o mal, e principalmente para a (VIOLÊNCIA). Os ensaios 13º e 14º são pertinentes ao mesmo assunto.

     

Vitória da Conquista, 22 de julho de 2008

    Edimilson Santos Silva Movér                         

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Todos juntos novamente – Wagner, Geddel,César,Dilma e Lula

 

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O governador Jaques Wagner (PT), reeleito para os próximos quatro anos, exaltou a ratificação do apoio do PMDB e do PR à candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, mas deixou em aberto a possibilidade de resolução do impasse estadual para o próximo mandato. Em entrevista coletiva no Hotel Pestana, em Salvador, onde se reuniu com lideranças nesta quinta-feira (8), ele declarou que a aliança nacional não significa a reaproximação na Bahia com Geddel Vieira Lima e César Borges, ambos derrotados pelo seu grupo para o governo e o Senado, respectivamente. “Isso é outra coisa. Em todos os estados existem, muitas vezes, duas forças políticas que apoiam a mesma candidatura. Eu nem diria que eles voltam. Eles continuam, para o meu aplauso. (…) A questão local será tratada localmente. É óbvio que a urna indica que nós, o PT, com a sua coligação de oito partidos, fomos eleitos para o governo. O PMDB, o DEM, o PSDB e os outros partidos estão na oposição. Esse é o resultado da urna. O que é que vai acontecer? No decurso de quatro anos é outra pergunta, mas isso não tem nada a ver com a campanha do segundo turno”, ponderou. Contatado pelo BN, o presidente estadual peemedebista, Lúcio Vieira Lima, eleito deputado federal, assegurou que o partido não voltará atrás no rompimento com o PT baiano. “As urnas nos colocaram na oposição. O povo nos quis assim. Não vamos ficar contra o povo”, salientou.

Serra diz que não vai fazer pressão sobre os verdes

 

Juscelino Souza, da sucursal Vitória da Conquista


Luis Tito / Agência A TARDE

 

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Luis Tito / Agência A TARDE

 

 

Um discurso improvisado no teto de uma picape de luxo, no centro comercial da cidade, marcou a passagem de José Serra (PSDB) por Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, a 509 km de Salvador, por volta das 16 horas desta sexta-feira, 08. Recepcionado por uma multidão estimada em 5 mil pessoas, segundo a PM – 8 mil, de acordo com os organizadores, Serra foi comedido, quando provocado sobre a falta de propostas para o país durante a campanha e a polêmica em torno do assunto aborto.

Quando ministro da Saúde do governo FHC, Serra assinou norma para realização de aborto pelo SUS em casos de risco de vida para a grávida ou gravidez após estupro, mas agora preferiu justificar a mudança de discurso devido “aos anseios da população”. Segundo ele, “os candidatos colocam propostas para o Brasil, mas as pessoas colocam perguntas e querem saber o que os candidatos pensam, como foi sua vida, o que eles querem e quais são seus valores. Isso não é uma pauta fixada pelos candidatos, mas sim pela população”.

Em tom moderado, pontuando o discurso e medindo as palavras, disse estar pronto a falar tudo o que pensa. “Não tenho nada secreto. Tenho sido muito coerente. Não mudo de ideia de um dia para o outro. Quando a gente muda, chama muito a atenção, mas no meu caso nunca chamo porque minhas ideais são coerentes ao longo do tempo”, disse.

Marina – O candidato voltou a falar sobre o assédio político a Marina Silva, mas negou qualquer tipo de pressão para angariar apoio dos verdes. “Não estamos trabalhando no sentido de constranger, pressionar. Nada parecido. Sou contra porque os partidos, as lideranças como a Marina têm liberdade para decidir, sem qualquer espécie de constrangimento, de assédio, de insistência”.

Ele afirmou, no entanto, que seu eventual governo deverá abraçar projetos do PV. “Vamos abraçar, sim, sem dúvida alguma. Basta lembrar que em São Paulo o PV esteve comigo, tanto na Prefeitura, quanto no governo do Estado”, salientou

Ao som de charanga e num mar de bandeiras de campanha, o público aplaudiu bastante quando Serra empunhou o microfone e fez um jogo de palavras. “Em primeiro lugar quero dizer que vou começar uma luta para mudar o nome da cidade porque aqui começa a conquista da vitória e ela vai abrir outra ainda maior, nos fazendo presidente”, citou.