POR QUE GABRIELI DEIXOU A PETROBRÁS?

–  Manda quem pode e obedece quem tem  – juízo                 

Em conversa afiada com o
professor e contador de história –    

Paulo Pires

 

–  Manda quem pode e obedece quem tem  – juízo

Em conversa afiada com o
professor e contador de história –

Paulo Pires

 

A saída do senhor Sérgio Gabrieli, que aos olhos de
alguns menos avisados pareceu ser coisa de outro mundo, não passa de um projeto
arquitetado pelo ex-presidente Lula da Silva e de imediato aceito pelo
governador Jacques Wagner.

O negócio é o seguinte: Em conversa realizada lá
pelo final de 2010, o ex-presidente chamou o “galego” (é assim que Lula chama
Wagner) e disse com aquela inconfundível voz rouca: “Galego, você já tem nome
para sucedê-lo em 2014?  O governador que não é besta assuntou o olhar de
Lula, coçou a cabeça, passou a mão por trás do pescoço,  cofiou a barba e
respondeu: “Até agora não pensei em quem vai me substituir”.

Lula, que tem  uma ascendência  tremenda
sobre  quem  está  ao  se  redor, emendou de
primeira: “Pois então a partir de agora você já tem seu substituto e ele se
chama Sérgio Gabrieli”.

Wagner manhoso como sempre, entendeu o recado e
colocou  todos os seus neurônios para funcionar sobre o final de
sua campanha (era final de 2010).

O Governador sabia que se dissesse “um não”
ao seu amigo Lula, o presidente poderia nem vir mais a Salvador para
pedir votos para ele.

O que fez o Wagner, acatou a ordem  e a partir
daquele momento assumiu a candidatura Gabrieli como o nome de sua preferência
também.

Manda quem pode e obedece quem tem juízo (essa é
uma das máximas da política e pobre de quem não atender a este princípio).

O desfecho é esse que agora estamos vendo: Gabrieli
sai da Petrobrás e vem para o governo da Bahia, fazer uma espécie de estágio,
para posteriormente ser apresentado ao grande público baiano como o sucesso de
Wagner.

Durante os próximos anos, onde o governador Wagner
estiver, estará o senhor Gabrieli. Sobre a função do ex-presidente da
Petrobrás isso é coisa que agora  até  não sabemos, mas prestem
atenção: Onde o governador estiver, estará o Gabrieli.

Lula ao escolher dona Dilma para substituí-lo
tratou de levá-la para todas as inaugurações e todos os eventos. Em todas as
aparições do Lula lá estava Lula.

O resultado dessa estratégia  todo mundo sabe.
Lula emplacou uma candidata que a rigor não possuía nenhuma tradição em nossa
Política Partidária mas que foi capaz de derrotar um candidato que já possuía
em seu currículo todo tipo de títulos no Executivo e Legislativo (menos o
de presidente, claro).

Serra não acreditou que seria derrotado por
uma candidata que não tinha nenhuma experiência em certames
políticos. E se deu mal. Muito mal.

É justamente isso que o governador Wagner vai
fazer: Colocar o Gabrieli debaixo do braço e apresentá-lo ao povo baiano como
seu sucessor.

Vou arriscar um palpite: Se o Governador continuar
trabalhando como está nos lugares “onde as pessoas mais precisam”, não terá a
menor dificuldade para fazer seu substituto, até porque o Gabrieli é um
candidato com um currículo e uma experiência executiva excepcionais.

Para responder à questão, diríamos
que Gabrieli deixou a Petrobrás para ser eleito Governador da Bahia em outubro
de 2014.  Essa é a hipótese mais aproximada da realidade em nossa Política
Estadual.

Apenas acrescentaríamos que essa
escolha gerou um mal estar entre outros pretendentes.  E isso pelo menos até agora está dando pano
para mangas. A senadora Lídice da Mata e outro colega senador, por exemplo,
estão no Clube dos Descontentes. A senhora Lídice resolveu mostrar seu
descontentamento e chamou as lideranças do interior para lançar candidatos a
prefeitos em todas as cidades onde o PT tenha candidato. Sobre o desfecho
dessas campanhas, ninguém sabe ao certo no que vai dar. Ou sabe…?